Estádios, Ferrovias e W.O., um passeio pelo futebol da alta Sorocabana

Tenho acompanhado muitos jogos e estádios pelo interior, pelos lados de Campinas. Mas São Paulo é muito grande e ainda faltam muitas regiões a serem conhecidas.

Assim, nesse fim de semana, tive a chance de pegar a estrada e (re)visitar o lado oeste do estado e escrever um pouco sobre o futebol em algumas cidades da região.

Começamos pela cidade de Santa Cruz do Rio Pardo.

A cidade conta com um time bastante tradicional, a Esportiva Santacruzense, que vem bem na série B do Campeonato Paulista.

Com a ajuda do nosso GPS, chegamos rapidamente ao Estádio Leônidas Camarinha, com sua entrada estreita, tão comum nos campos do interior antigamente.

A capacidade do Estádio é de mais de 10.000 torcedores.

Até conseguimos falar com algumas pessoas ligadas ao time, na busca por uma camisa, mas voltamos de mãos vazias, ao menos pudemos adentrar no campo…

O estádio foi inaugurado em 1950, com o nome de Estádio Municipal de Santa Cruz o Rio Pardo.

O jogo inaugural foi entre o Santos e a Santacruzense. O placar é daqueles bem tradicionais…

Após entrar no campo e pisar na grama local, era hora de seguir viagem, afinal, não tinhamos muito tempo, para tantos planos.

Nossa próxima parada era a cidade de Ourinhos, para a visita do CAO (Clube Atlético Ourinhense).

O Estádio fica dentro do próprio clube, bem próximo da Raposo Tavares e da linha do trem.

Vale lembrar que Ourinhos já teve outros times, como o Gazeta, o Municipal e o Operário, mas como já disse, não tinhamos muito tempo. (veja maiores informações sobre o futebol em Ourinhos clicando neste link)

O distintivo do CAO é daqueles antigos, que trazem consigo tradição e história.

O campo mantém também a essência de uma época áurea que infelizmente não deve voltar.

Eu e a Mari fizemos questão de marcar nossa presença em mais um estádio antológico do futebol paulista.

Ao fundo, um primeiro prédio mostra o que pode ser o futuro da cidade: a verticalização.

Mas ainda pode se ver que existe muitas árvores na cidade, o que faz de Ourinhos uma cidade muito bonita e boa para se viver.

Saindo de Ourinhos, nossa parada agora era Palmital, cidade do extinto Palmital Atlético Clube.

O Estádio visitado foi o Manoel Leão Rego, onde o Palmital Atlético Clube mandou a maior parte de de seus jogos.

Infelizmente, o Palmital também fechou suas portas ao futebol profissional, e o belo estádio só é usado nas partidas amadoras.

Além deste, existe na cidade o Estádio Miguel Assad Taraia, mas que deixamos para conhecer um outro dia.

O time fez muito sucesso nas divisões intermediárias, sendo motivo de orgulho para a cidade!

Ao fundo, pode se ver que a cidade está cada vez mais perto.

As arquibancadas já tem o telhado deteriorado… Para mim, estes estádios deveriam ser tombados como patrimônio histórico da cidade…

Bom, mas já era hora de ir embora… A estrada chama por nós!

Deixamos a cidade e rumamos à Assis, nossa base nessa viagem, já que minha família por parte de pai mora lá.

A cidade acabara de fazer aniversário e haviam várias festas em comemoração, por isso o palco ali atrás.

Aliás, nosso guia na cidade foi meu tio Zé, o “Alemão” que jogou e torceu pelos times da cidade. Abaixo meu pai, o tio Zé, eu e a Mari.

supermercado Amigão possui uma série de fotos históricas nos caixas, e dentre delas, uma da Ferroviária, com o Alemão (o 4o agachado da esquerda para direita):

Assis ainda mantém casas feitas em madeira, o que dá um ar muito diferente à cidade, principalmente para quem está acostumado a realidade cinza das grandes cidades.

Mas, falando de futebol, nosso primeira estádio na cidade foi o Dr. Adhemar de Barros, onde a Vermelhinha da Rua Brasil (apelido da Ferroviária) mandava seus jogos.

 

A arquibancada vermelha sobrevive, como as histórias do time que ali jogou e que até hoje são contadas pela região.

Mais uma vez, eu e a Mari registramos nossa passagem por um estádio clássico!

E uma foto com meu pai, que também jogou e torceu bastante pelos times de Assis. Ele e meu avô eram presença fiel no estádio, para ver a Ferroviária.

Sem dúvida um belo estádio…

As arquibancadas começam a sofrer com a ação do tempo, assim como a iluminação do campo que foi levada embora.

Ainda assim, os detalhes do estádio e das bancadas são únicos!

Por coincidência, ao irmos embora, encontrei o atual gestor do time do VOCEM (na verdade, uma academia que disputa campeonatos infantis). Olha que linda camisa…

Ele não conseguiu me arruma nenhuma, mas felizmente o craque Bolão (outro que jogou em diversos times da região) conseguiu uma para mim:

Ainda conseguimos bater umas fotos do time sub-15 do VOCEM disputando a final do municipal.

Um sentimento bastante nostálgico ao ver as arquibancadas repletas de torcedores do VOCEM!

Nossa próxima visita foi no campo do DERAC.

O DERAC teve um grandes times e marcou época no futebol amador da cidade! A foto abaixo também está no Supermercado Amigão.

O campo segue em boas condições de uso, e o distintivo materializado é de fazer inveja a vários grandes times…

O Estádio do DERAC chama-se Aristeu de Carvalho, e fica próximo da fábrica da Malta, cervejaria que por anos patrocinou o Assisense.

O dia estava bonito e decidimos ir para Cândido Mota, cidade vizinha, conhecer e fotografar o Estádio Benedito Pires.

Era aí que o  CAC (Clube Atlético Candidomotense) mandava seus jogos..

Tudo isso com o tio Zé contando histórias sobre o futebol da região nos anos 60, 70 e 80.

Mais um estádio que sofre com a “modernização” do futebol, que a cada dia mata mais os pequenos clubes do interior.

Só pra lembrar, o CAC foi fundado em 10 de Junho de 1957, sendo o primeiro time da cidade a disputar uma competição oficial da Federação Paulista, em 1963. Depois dessa, o time ainda disputou mais 11 campeonatos.

Vale lembrar que que a cidade contou ainda com outro time, a União Atlética Ferroviária Candidomotense, mais antigo, fundado por funcionários da extinta Estrada de Ferro Sorocabana.

Por dois anos -1964 e 1965- o CAC e a Ferroviária se enfrentaram e atraíram até as duas equipes desistirem do profissionalismo.

Em 1980, o CAC ainda viria retornar na Terceira Divisão, subindo para a segunda divisão até 1988, quando retorna à Terceira Divisão e em 1989, desativa seu departamento profissional até os dias de hoje (2015).

Ou seja, falamos de um estádio com muita história.

Quer dar uma olhada no estádio? Veja:

E eu e a Mari oficializamos a presença em mais um campo!

O que é mais legal nos campos do interior é a quantidade de árvores em volta. Mais parecem parques!

Voltamos para Assis e já era tarde. Após comer na 10ª Festa do Milho, fomos dormir.

No dia seguinte, logo de manhã fomos à Paraguaçu Paulista, reencontrar o tradicionalíssimo Estádio Carlos Affini, campo do Paraguaçuense.

Aqui, para quem como nós é torcedor do Santo André é um lugar pra se guardar na memória, graças aos confrotnos emocionantes entre Parguaçuense e o Ramalhão.

O Paraguaçuense subiu de divisões rapidamente, mesmo tendo, segundo os torcedores, a administração da Federação da época (Farah) como adversário maior.

A Federação tentou proibir o acesso à série A2 devido às arquibanadas não comportarem 15mil lugares, como manda a regra. O resultado? Uma campanha entre torcedores da cidade e da região construiu o que foi preciso num tempo recorde!

A cidade na época tinha pouco mais de 40 mil habitantes e um estádio onde cabiam 15 mil pessoas!

Quer conhecer mais? Veja nosso tradicional vídeo!

E que fique eternizado nosso respeito a história de um time que fez tremer grandes potências do interior!

Torço para que um dia esse estádio volte a receber clássicos contra as equipes da região!

Uma última olhada do lado oposto, enquanto nos preparamos para ire embora para a última parte de nosso rolê boleiro…

Saímos de Paraguaçú Paulista e voltamos à Assis a tempo de assistir o jogo entre o Assisense e Ilha Solteira, no Estádio Antonio Viana da Silva, o Tonicão.

Já escrevi sobre a camisa do Assisense, mas esta é a primeira partida do time, que vejo pessoalmente e por isso nem me importei com o preço do ingresso.

O Estádio fica perto do parque Buracão (nome dado devido à erosão típica do local, que gerou um buraco que engoliu de casas à arvores antes de ser transformado em parque), e pode se dizer que o Estádio também é um buracão, já que você entra pela parte alta e o campo fica lá embaixo.

Tudo estava perfeito! Dois times que nunca vi jogar, um estádio incrível…

Mas aí, veio a notícia que abalaria os 10 torcedores presentes…

Nem toda beleza e grandiosidade do Estádio foram suficientes para convencer o time adversário a sair de Ilha Solteira e vir pra Assis…

Estávamos presenciando um W.O….

Demorei pra acreditar, mas… Infelizmente meu passeio durou pouco mais de meia hora, tempo suficiente pra se dar o jogo como encerrado…

Desci até o campo para tirar umas fotos de ângulos diferentes…

Se não teria jogo, ao menos fotografar os jogadores do Assisense em campo…

Os próprios atletas ficaram surpresos (embora esse fosse o segundo W.O. seguido do time do Ilha Solteira).

Aproveitei que estava lá embaixo e fotografei um dos jogadores de perto pra mostrar a nova camisa, num tom azul mais claro.

Também aproveitei e tirei uma foto com um dos diretores do time, o Vilela:

Uma última olhada no estádio, antes de irmos embora. Acabei não ficando tão triste em perder o jogo, já que pelo menos pude visitar vários estádios e cidades.

Ufa… Sei que o post foi longo, mas achei melhor publicar tudo de uma vez, do que ficar dividindo em várias partes, que parecem nunca ter fim.

O que ficou para nós após tantos estádios, é o mesmo que temos repetido no blog e nas ruas…

APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!

20 Respostas to “Estádios, Ferrovias e W.O., um passeio pelo futebol da alta Sorocabana”

  1. Anderson Vianna disse:

    Este post ficou simplesmente maravilhoso!!!
    Mau, parabéns por nos trazer verdadeiras relíquias, resgatar e manter viva a alma “boleira” de que tanto precisamos.
    Estes posts nos fazem parar por minutos à frente das imagens das arquibancadas, e ficar imaginando quantas famílias já se divertiram, e passaram horas agradáveis em cada uma delas em tempos áureos… Cara, parabéns !!!

  2. guilherme disse:

    Olá! Já coloquei tambem seu link no meu blog! valeu!

    http://torcidafazdiferenca.blogspot.com/

    • André Rubio disse:

      Parabéns, seu trabalho é muito importante, esse resgate da memória dos estádios e clubes do interior paulista é de grande valor.
      Sou aqui de Sta Cruz do Rio Pardo, fiz parte (por alguns dias, rs rs) da atual diretoria, fui diretor de marketing, tentarei (não prometo nada) conseguir uma camisa atual da ESPORTIVA SANTACRUZENSE.
      Mais uma vez parabéns pelo trabalho !!

  3. […]  Seu estádio na Rua Brasil foi nascendo aos poucos, primeiro o campo, depois as arquibancadas, os vestiários e por fim a iluminação. (Veja maiores detalhes do estádio no post sobre minha visita recente à Assis).  […]

  4. Parabéns pela materia, sou aqui de Paraguaçu Paulista e apaixonado pelas coisas da minha cidade…muito bom mesmo. Parabéns…

  5. RRODRIGO MANCHA VERDE disse:

    TA UM LIXO O DE OURINHOS MESMO OURINHOS É UM LIXO MORO AQUI MAS ODEIO NEM SUB DA MANCHA NEM NADA DE FUTEBOL TEM NESSA MERDA

  6. julio cesar disse:

    Parabéns , com certeza você tem emocionado muitas pessoas desta cidade e região , ao relembrar com essas materias sensacionais destes clubes inesquecíveis . valeu , torcemos para que pessoas assim como vc , não deixem morrer essas historias lindas desses clubes maravilhosos .

  7. […] Abaixo uma foto feita em nossa última visita ao campo: […]

  8. Rafael Fantin disse:

    Olá
    Gostei muito do seu blog

    bem no estilo dos Jogos Perdidos, que é um blog do sr Orlando Lacanha e outros amantes dos clubs do interior. Procure pelo Jogos Perdidos no Orkut e no google…

    Sobre o Palmital, você se esqueceu de dizer que na cidade o futebol das antigas era defendido pelo Operario Futebol Clubee só depois entaum pelo Palmital Atlético Clube.

    O estadio estava melhor conservado mas uma chuva fort destelhou a arquibancada…

    O clube se afundou em muitas dividas… Em 1995 tentou voltar mas não obteve muito sucesso… A unica vitória do clube foi sobre o Ilha Solteira e o gol foi marcado por um jogador japonês.

    Vai uma dica… aqui perto você poderia visitar o Ranchariense, de rancharia, o Matsubara de Cambará, o União Bandeirantes de Bandeirantes. essas duas ultmas, cidades paranaenses. Em Cornélio Procópio também existiu um clube muito tradicional no paraná.

    E o Palmital foi campeão paulista da terceira divisão em 1986, contra o tradicionalissimo TUPÃ.

    Nos finais de ano é comum encontrar jogadores e ex jogadores como César Sampaio, Nilmar e Indio (Inter-RS) entre utros, jogando aqui em Palmital nesss modestos estadios.

  9. Bruno Roldan disse:

    sou de Assis, morando em Ubatuba… já nos falamos uns tempos atrás… Cara… demais matar a saudade desses campos todos… outro dia estive na Ferrinha, estão acabando com tudo por ali. Corre o boato que uma construtora comprara o terreno do clube, uma lástima pra gente que curte as histórias do futebol… parabéns pelo (agora) site…
    quem sabe não nos topamos, ou em Assis… ou em um campo desses por aí… ahhh parabéns por ser um dos poucos que conheço a comprar um ingresso pra assistir um W.O. rsrs… abraços

  10. Guilherme disse:

    Cara, achei esse site por acaso e achei sensacional!
    Compartlho da ideia de que os clubes do interior deveriam ser preservados e prestigiados.
    Eu moro em São Paulo, mas minha família mora proximo ao estádio do PAC, o Palmital Atlético Clube. Meu avô foi ponta-direita nos áureos tempos, quando o time ainda se chamava Operário.
    Parabéns pelo trabalho.

    Forte abraço

  11. […] Fizemos o vídeo abaixo, na época de nossavisita ao estádio, que pode ser conferida aqui: […]

  12. […] uma tentativa frustrada, em 2010 (veja aqui como foi), finalmente conseguimos assistir um jogo do Assisense, no Estádio Antonio Viana da Silva, o […]

  13. jefferson disse:

    eae cara acompanho teu site a um bom tempo.acho muito bom mesmo principalmente pela imparcialidade que só um verdadeiro amante do futebol pode ter PARABENS.
    sei que nao é da minha conta mais deixa eu perguntar uma coisa como voces se deslocam por tantos lugares?utilizam do transporte rodoviario ou motocicleta ou carro ou nenhum sempre tive vontade de viajar pelo estado mais nao sei muito bem como fazer.
    OBRIGADO

  14. Lucas disse:

    Sou de Itápolis, cidade de um time que agora está começando a aparecer mais no cenário estadual e nacional, o Oeste, e que não fica nessa região aí, fica mais pela região de Araraquara, Bauru, Ribeirão, Jaboticabal, enfim, nesse meião do estado de SP. Porém, moro em Assis durante o ano quase todo, desde o ano passado (2012), por questão de estudos, e lamento ver como o futebol dessa região acabou. Sou apaixonado por times do interior, sou apaixonado pelo interior, e me parte o coração ver uma coisa dessas… Mas enfim, o que nos resta é torcer pra uma recuperação apenas, afnal…

  15. […] Para quem quer ler sobre o futebol e estádios de: Santa Curz do Rio Pardo, Ourinhos, Palmital, Assis e Paraguaçu Paulista clique aqui e leia o post que descreve nosso passeio por estas cidades! […]

  16. […] Já estivemos em Assis para escrever sobre futebol por duas vezes. A primeira e mais marcante delas em 2011, quando viajamos mais de 500 km para ver um jogo do Assisense e o time visitante (o Ilha Solteira) deu W.O. (clique aqui e veja como foi). […]

  17. Waldir Rodrigues Monteiro filho disse:

    Parabens pela matéria, o interior deixa nostalgias dos anos 50, 60 e 70; os estadios tradicionais que marcaram grandes equipes de futebol.
    Infelizmente esses comandatários do nosso futebol acabaram com os grandes times do interior paulista, mas alguns ainda persistem apesar das grandes dificuldades financeiras.
    Sou de Osvaldo Cruz e moro em SP, mas torço sempre para o AZULAO que me deixou grandes recordações no estado Breno Ribeiro do Val.

    • ASMILCAMISAS disse:

      Waldir, chegamos ontem de um role que entre outras 26 cidades, passou por Osvaldo Cruz e ainda nos permitiu ver um jogo do Azulão como visitantes em Tupã. Aguarde…


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