O futebol profissional no Guarujá

Engraçado como nesse rolê de registrar estádios, as vezes, alguns acabam se tornando tão difíceis…
Recentemente consegui vencer um desses desafios lá em Jacareí (veja aqui como foi), mas se existe uma outra cidade que ainda não considero concluída 100% é o Guarujá e seu Estádio Municipal Antônio Fernandes…

Já estive por lá algumas vezes, mas nunca consegui fazer um registro bacana e tampouco consegui acompanhar uma partida de algum time da cidade pelo profissional.
E olha que até recentemente, a gente tinha a AD Guarujá disputando com certa frequência a Bezinha…
A evolução dos brasões você pode ver também lá no Escudos Gino!

A AD Guarujá foi fundada em 12 de dezembro de 1992 e em 1994 disputou seu primeiro campeonato profissional na Série B3, na época, a sexta divisão do Paulista.
Ali esteve até 2004, quando a atual Bezinha s
Em 2006, terminou a Bezinha em 12º lugar, entre 82 equipes e contou com grande apoio da sua torcida, em especial a organizada, “Gigantes da Ilha“.

Disputou a Copa SP de juniores por três vezes, tendo Guarujá como sede, em 2000, 2001 e 2002.
Este foi o time de 2018, seu último ano no profissional:

Assim, entre os clubes da cidade, a Associação Desportiva Guarujá foi quem por mais vezes disputou os campeonatos da Federação Paulista de Futebol, mas antes disso, a cidade teve outros representantes históricos, começando pelo mais antigo clube da cidade, o Vila Souza Atlético Clube.

O Vila Souza AC foi fundado em 12 de dezembro de 1948 e mantém sua sede até os dias atuais.

Já tradicional no futebol amador da cidade, o time entrou também para a história do futebol estadual ao disputar duas edições da quarta divisão do Campeonato Paulista, em 1965 e 1966.

O Esporte Clube Benfica também representou o futebol do Guarujá e foi fundado no dia 5 de setembro de 1969, como homenagem ao tradicional time homônimo português, adotando inclusive as suas cores, o vermelho e branco.

O time disputou a 4ª divisão em 1989.

Por fim, a Sociedade Esportiva Itapema complementa a história do futebol da cidade.

Fundada em 24 de outubro de 1959, a SE Itapema também fez história no amador e no profissional.
Aqui, foto do time de 1962, vinda direto do incrível site História do Futebol :

Ao lado do Vila Souza, disputou a 4ª divisão em 1965 e 1966, neste último ano chegou até a última fase do grupo, onde o Ferroviário de Araçatuba sagrou-se campeão.

De uma forma ou de outra, a história desses clubes se cruza com a do principal palco do futebol da cidade: o Estádio Municipal Antônio Fernandes.
Seu nome homenageia Antoninho, ex-jogador que defendeu a equipe do Santos Futebol Clube na década de 1950.

Depois de tantas histórias, o nosso rolê aconteceu em um momento bem frágil do futebol local…

Essas são algumas fotos da época em que estivemos por lá, com o pessoal acampando no campo para participar dos jogos universitários:

O Estádio passou por uma importante reforma, onde foram investidos quase R$ 15 milhões de verbas públicas, fruto de dois convênios: um entre a prefeitura do Guarujá e o Dade (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento de Estâncias), órgão da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo e outro com o Governo Federal.

Mas a obra foi questionada em uma ação civil, onde o promotor Eloy Ojea Gomes, argumentava que as obras necessárias para reais melhorias não foram feitas. Segundo ele haviam irregularidades com relação a aspectos de engenharia civil, engenharia elétrica e de conforto, e o Estádio Municipal Antônio Fernandes mesmo depois das obras seguia sem ser acessível.

O Estádio atualmente é municipal e tem capacidade para quase 7 mil torcedores.
Em 2009, foi sede da 1ª Copa Santader Libertadores de Futebol Feminino.

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Estádio Municipal Du Cambusano (antigo “Stavros Papadopoulos”), em Jacareí-SP

No sábado de 8 de agosto estivemos em São José para acompanhar a partida entre o time local e o nosso querido Ramalhão (veja aqui como foi), e aproveitamos para registrar o Estádio Municipal de Jacareí.

Mais uma bilheteria registrada para o nosso site!

O atual Estádio Du Cambusano, anteriormente chamado de Estádio Stavros Papadopoulos é um dos que mais tentei visitar, mas estava sempre fechado por isso fiquei muito feliz em finalmente conseguir adentrar e registrar a parte interior e suas arquibancadas…
Até já escrevi sobre o futebol profissional da cidade (veja aqui como foi) mas apenas contando com as fotos do lado externo, como esta:

Agora, finalmente vamos conhecer a parte interna do estádio:

O Estádio Municipal Du Cambusano foi inaugurado em 27 de maio de 2001, sendo a casa do antigo Jacareí Atlético Clube (JAC) e seu nome original (Estádio Stavros Papadopoulos) foi uma homenagem ao empresário grego que liderou sua construção.

Importante reforçar que antes dele, a cidade contava com outro estádio, o Estádio Antonio Jordão Mercadante, inaugurado em 13 de abril de 1924, num amistoso contra o Palestra Itália da Capital (1×1) e demolido 90 anos depois em 2014.

A partida inaugural foi um empate em 1×1 entre o Jacareí AC e a OSAN de Indaiatuba.
Contei com a ajuda do Escudos Gino para registrar a evolução dos escudos do JAC:


Atualmente, a capacidade de suas arquibancadas é para 4 mil torcedores.

Infelizmente o JAC passou por uma crise financeira e o patrimônio do clube acabou sendo assumido pela Prefeitura de Jacareí.
Mas sem time no profissionalismo, o estádio acabou abandonado por um bom tempo, por isso mesmo é bacana ver como ele está bonito e vivo agora em 2026!

Em 2024, o local foi oficialmente reinaugurado após passar por uma reforma e recebeu seu nome atual: Estádio Municipal Du Cambusano, homenageando João Baptista Cambusano Filho, um apaixonado pelo futebol amador de Jacareí.

Pra melhorar ainda mais o cenário, no início do ano foi oficializado que o estádio receberia os jogos do Jacareí Futebol Clube (antigo Clube Atlético Joseense) na Série A4 do Campeonato Paulista, trazendo o futebol profissional de volta à cidade.

Algumas imagens peculiares do Estádio…

O Estádio possui arquibancadas dos dois lados, aqui é a que fica do lado das cabines de imprensa e foi por onde eu entrei.

Ali estão as cabines de imprensa:

Do outro lado, a cidade começa a se verticalizar e os primeiros prédios mais altos começam a aparecer… Imagino que o futuro vai mudar esse horizonte…

Enfim, mais uma missão cumprida, registrando esse estádio que, espero, ainda receba muitas competições no futuro… E fica nosso compromisso de colar com o pessoal que tem feito a festa nas arquibancadas por aqui!

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Estádio Olímpico do Ibirapuera “Ícaro de Castro Melo”

Muito antes de São Paulo ser conhecida pelos grandes estádios particulares e pelas modernas arenas multiuso, o esporte da cidade tinha um endereço público, democrático e aberto à convivência. E não, não me refiro ao Pacaembu, mas sim ao Estádio Ícaro de Castro Melo, um estádio de futebol no coração do Ibirapuera, que acompanhou, por mais de sete décadas, a transformação da capital paulista.

Inaugurado em 1954, nas comemorações do IV Centenário da cidade, o estádio nasceu em uma São Paulo que ainda se expandia para além do centro histórico.
Ao seu redor, a metrópole cresceu, ganhou avenidas, edifícios, novos bairros e milhões de habitantes.
O que antes era uma cidade em construção tornou-se uma das maiores metrópoles do mundo.
E o Ibirapuera permaneceu ali, testemunhando silenciosamente essa mudança até que a privatização do Pacaembu, fez com que a prefeitura lembrasse do velho estádio.

Em 2025, passei por ali e pude fazer algumas imagens da grande reforma que estava sendo feito para que o Estádio volte a ser um palco não só do futebol mas de diversos esportes da capital paulista, quem sabe aumentando sua atual capacidade para mais do que os atuais 13 mil lugares.

Ao longo dos anos, seu gramado recebeu partidas oficiais de futebol, enquanto sua pista formou gerações de atletas.
Em 1996, por exemplo, enquanto a Vila Belmiro era reformada, o Santos encontrou no Ibirapuera uma casa provisória e fez uma campanha marcante.
O Corinthians também utilizou o estádio como mandante, mostrando que, às vezes, um estádio empresta sua identidade para ajudar a escrever a história de outros clubes.

Por isso é tão bacana acreditar que o Estádio pode voltar a ser um palco do futebol e outros esportes.

Além de atletas olímpicos, jogadores de rugby, equipes de futebol americano e milhares de torcedores, o estádio também recebeu diversos shows históricos de artistas como Black Sabbath, Elton John, Bon Jovi e Scorpions.
Poucos lugares em São Paulo conseguiram reunir, com tanta naturalidade, esporte, música, cultura e convivência.

As grandes arenas substituíram muitos dos antigos estádios, e São Paulo tornou-se uma cidade ainda mais vertical, veloz e intensa.
O Ícaro de Castro Melo, porém, continua lembrando que nem toda transformação precisa apagar o passado.
Há lugares que sobrevivem justamente porque preservam a memória de diferentes gerações.
E talvez esse seja o maior patrimônio do Estádio do Ibirapuera: mostrar que, assim como as cidades, os estádios também contam histórias.
Basta olhar com atenção para perceber que, muito antes das arenas e dos naming rights, já existia ali um palco onde São Paulo aprendia a celebrar o esporte, a cultura e a própria vida.

O Estádio acaba de ser reinaugurado, e veja como ficou:

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Os antigos Estádios de Ribeirão Preto

O ano já corre a mil por hora e faltou postar aqui um detalhe do nosso rolê por Ribeirão Preto.
Além do Estádio Palma Travassos, do Comercial…

E do Estádio Santa Cruz, do Botafogo…

Também aproveitamos para dar um rolê pela cidade…

E Ribeirão Preto ainda tem muitos prédios históricos de pé, principalmente na região central.

E quando falamos do mundo do futebol, uma obra histórica que segue de pé é o Estádio Costa Coelho:

O Estádio Costa Coelho nasceu como Campo da Mogiana, e não foi um empresário rico que resolveu construir um estádio, quem sonhava com ele e colocou a mão na massa foram cerca de 800 ferroviários da Companhia Ferroviária Mogiana, que queriam um clube recreativo.

Um dos líderes desse movimento era o engenheiro Antônio da Costa Coelho, que depois se tornaria o primeiro presidente do Esporte Clube Mogiana de Ribeirão Preto, fundado em 27 de julho de 1938.
Muita gente acha que o Mogiana de Ribeirão e o de Campinas eram clubes totalmente independentes. Na verdade, ambos pertenciam ao universo da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.
O Brasão abaixo eu peguei no incrível Arquivos Futebol Brasil.

Esse contexto explica por que o estádio tem um caráter quase operário.
Enquanto muitos clubes paulistas nasceram ligados à elite cafeeira ou às colônias de imigrantes, o EC Mogiana era profundamente ligado à ferrovia.
E o bairro onde ele foi construído também conta uma história: o então chamado Bairro da República, atual Vila Virgínia, na época era uma periferia de Ribeirão Preto, uma área mais próxima às oficinas da companhia ferroviária.

O campo existia antes do estádio.
Até 1954, o local era apenas um campo utilizado pelo futebol amador.
Sem arquibancadas, sem grande estrutura.
Era simplesmente o “Campo da Mogiana”.

Quem transformou o campo em estádio foi… o Comercial
Essa talvez seja a parte mais curiosa.
Quando o Comercial voltou ao futebol em 1954, não tinha casa e pra resolver isso, a diretoria comercialina alugou o campo da Mogiana.
Foi o próprio Comercial que instalou arquibancadas de madeira, ampliando a capacidade para cerca de 12 mil pessoas.
Pelo que entendi, as arquibancadas ficavam ao lado desta pequena área ainda coberta.

Ou seja… O Costa Coelho, como estádio, é praticamente uma obra conjunta de dois clubes: patrimônio do Mogiana, mas estrutura viabilizada pelo Comercial.
Sem o Costa Coelho, talvez o Comercial tivesse muito mais dificuldade para voltar ao futebol profissional.
Foi ali que aconteceu a reconstrução do clube e o vice da Segunda Divisão em 1954 e o título da Segunda Divisão Paulista em 1958. Em certo sentido… O Costa Coelho é o berço do Comercial moderno.

Era conhecido como “Brinco de Madeira“. Essa expressão aparece em relatos antigos. As arquibancadas eram totalmente de madeira, o que dava um ambiente muito diferente dos estádios atuais.

Quem viveu aquela época conta que o barulho da torcida fazia literalmente a arquibancada vibrar. Venha dar uma olhada em como o local está atualmente:

Pelé jogou aí…
Santos, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Portuguesa, Ponte Preta e Guarani também…
O último jogo comercialino ocorreu em setembro de 1964, contra o América-RJ em um amistoso para arrecadar dinheiro para terminar o Palma Travassos.
É quase como se um estádio estivesse ajudando a construir o outro.
Depois veio o silêncio, quando o Comercial saiu…
O Mogiana também praticamente abandonou o futebol.
As arquibancadas foram desmontadas.
O espaço virou clube recreativo, com bocha e malha. Mas o gramado nunca desapareceu. Essa talvez seja a parte mais bonita.
Mesmo sem estádio, o campo continuou recebendo futebol amador e servindo como clube social durante décadas.
Atualmente… Parece que o futebol chegou ao fim e que só estão esperando alguma coisa pra por abaixo toda essa história.

Só pra concluir o rolê também passamos pelo local onde ficava o antigo Estádio da Rua Tibiriça…

E pelo Estádio Luís Pereira, primeiramente chamado de Campo da Vila Tibério, surgiu junto com o Botafogo Futebol Clube.

Aqui pelo menos dá pra ter ideia de como segue a arquibancada, em uma foto aérea que peguei desse bom vídeo:

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O Estádio Municipal “José Antônio Rossi” e o futebol em Iacanga

Iacanga talvez não seja lembrada, à primeira vista, como uma cidade de futebol.
Conhecida nacionalmente pelo histórico Festival de Águas Claras, onde Raul Seixas fez um show beeem improvisado…

Também reconhecida por suas belas represas, praias de água doce e atividades náuticas, Iacanga é um verdadeiro refúgio para quem busca natureza e tranquilidade no interior paulista.

Porém, quando falamos em futebol, a história é diferente. Até hoje (2026), nenhum clube de Iacanga disputou competições profissionais da Federação Paulista de Futebol.
Ainda assim, a cidade resolveu apostar no esporte como ferramenta de desenvolvimento e passou a construir seu próprio capítulo nessa história e em 2019 nasceu o União Futebol Clube, voltado principalmente à formação de atletas.

O time tem como mascote o “leão do Tietê”…

O União FC se filiou à Federação Paulista em 2020 e ganhou projeção ao representar Iacanga na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2022.

E foi assim que o Estádio Municipal José Antônio Rossi tornou-se a sede do Grupo 9 reunindo União Iacanga, Grêmio Novorizontino, Santa Cruz-PE e União ABC-MS, e levando para uma cidade de pouco mais de 12 mil habitantes clubes e torcedores de diferentes regiões do país.

Fiquei curioso ao encontrar essa placa no estádio que menciona o antigo time Iacanga FC que mandou seus jogos no estádio e que foi fundado em 1942.

O sucesso na organização da primeira fase da copinha foi tamanho que a Federação Paulista escolheu Iacanga para receber uma partida da segunda fase, entre Grêmio Novorizontino e Castanhal-PA.

Depois da Copinha, o Estádio José Antônio Rossi continuou recebendo competições oficiais da Federação Paulista, tornando-se casa das equipes Sub-11 e Sub-13 do Grêmio Novorizontino no Campeonato Paulista de Base.

Infelizmente o clube se desligou da FPF e simplesmente sumiu.
Mas mesmo com tão pouco tempo de existência, valeu pra reforçar que o futebol também vive em cidades onde não exista um clube profissional disputando as divisões do Paulistão.

Vive na vontade de construir um projeto, de abrir espaço para os jovens e de fazer com que uma pequena cidade seja lembrada em todo o Brasil por meio da bola.

Registrar a cultura do futebol é contar sobre times cheios de conquistas como falamos na semana passada do Avaí, mas também é contar histórias como a de Iacanga, onde o esporte encontrou nas águas calmas do interior paulista um ambiente perfeito para sonhar.

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Estádio em João Neiva-ES

Durante a tour do As Mil Camisas pelo Espírito Santo, entre o fim de 2025 e o começo de 2026 tivemos a oportunidade de conhecer João Neiva, localizada na região central do Espírito Santo, e que traduz bem o encontro entre tradição, natureza e desenvolvimento.

Cercada por áreas de Mata Atlântica, rios e paisagens rurais, o município também preserva uma forte influência da imigração italiana, presente na arquitetura, na gastronomia, nas festas típicas e no jeito acolhedor de sua população.

Com pouco mais de 16 mil habitantes, João Neiva cresceu mantendo características de cidade do interior, onde a vida comunitária e o sentimento de pertencimento continuam fazendo parte da rotina.
E essa identidade também se reflete no futebol, tendo como principal personagem a Associação Atlética Ferroviária.

O time nasceu com uma ideia muito além do esporte, nasceu pra fortalecer os laços entre famílias dos trabalhadores da Ferrovia.

O clube foi fundado em 1º de janeiro de 1968 com a fusão do Sul América, Independente e Clube Nolasco.

Em 1973, o ônibus que transportava a delegação bateu de frente com um caminhão boiadeiro carregado, um episódio que abalou profundamente a cidade de João Neiva e a deixou em luto.
Apesar da tragédia, a Ferroviária seguiu na disputa do Campeonato Estadual até o ano de 1974.
A partir de 1975, o clube passou a disputar o Campeonato do Norte, não retornando mais à elite do futebol capixaba.

A última participação no profissionalismo foi na Segunda Divisão Capixaba de 1993.
Um detalhe curioso é que seu elenco contou com a participação do padre Carlos Bascaran.

A Ferroviária mandava seus jogos no Estádio Artêmio Sarcinelli que homenageia o jogador nascido em João Neiva e que também jogou no São Paulo e Flamengo, além de ser o treinador da Desportiva Ferroviária no Campeonato Brasileiro de 1973.

Se a Ferroviária anda sumida, o Estádio ainda segue lá.
Movimentando o futebol local e ajudando a preservar aquelas histórias que dificilmente aparecem nos grandes centros.
É justamente essa conexão entre território, memória e comunidade que faz do futebol do interior um patrimônio cultural tão importante quanto qualquer outro símbolo da cidade.
Então, vem com a gente conhecer o Estádio Artêmio Sarcinelli!

As arquibancadas ainda são modestas e os muros antigos.
Detalhes que o tempo foi desgastando.

Mas também uma atmosfera difícil de explicar.
Parece que o tempo resolveu esperar.
Como se o estádio ainda aguardasse o próximo grande domingo de futebol.

Me pergunto sobre quantas histórias foram vividas ali.
A movimentação dos dias de jogo… o torcedor chegando, o barulho vindo da arquibancada, o nervosismo antes da bola rolar, o cheiro de chuva misturado com grama e concreto quente…
Existe uma beleza melancólica nesses lugares.

Eles resistem ao tempo mesmo quando tudo em volta muda.
E talvez seja justamente isso que a gente tanto tenta registrar nessas viagens: não apenas estádios, mas memórias vivas do futebol brasileiro.

Porque antes das arenas, dos camarotes e dos gramados perfeitos, o futebol nasceu em lugares assim.
E lugares assim jamais deveriam ser esquecidos.

E se o campo e as bancadas ainda estão ali, sempre temos a esperança de que o futebol volte a florescer na cidade, e por isso saímos dali com o coração cheio!

Ok, o estômago também não saiu tão solitário graças aos deliciosos Bejuzinhos que compramos na Casa Brasil…

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Oitavas de final da Bezinha: Paulínia FU x Itaquá AC

Domingo, 28 de junho de 2026.
É hora de acompanhar o mata-mata da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, a charmosa “Bezinha“.
Vamos assistir a partida de ida das oitavas de final, em Paulínia.
E a torcida visitante também teve a mesma ideia, se liga no pessoal do Comando Itaquá:

O Estádio Luís Perissinotto merece voltar a receber partidas importantes como já ocorreu no passado.

O público local ainda não empolgou como no passado e a bancada ficou abaixo do que eu esperava ver, mas… Tinha sim clima de jogo!

O Paulínia, agora “Futebol Universitário” acaba de voltar ao futebol profissional e é compreensível que as arquibancadas precisem de um tempinho para o retorno do torcedor, como outrora.

Se você quiser entender um pouco sobre a realidade do clube, acompanhe a entrevista que fizemos com o executivo de futebol do time:

Aliás, se quiser saber mais sobre o Itaquá, também batemos um papo com os caras no ano passado:

E no começo desse ano ainda conseguimos uma palavra com o presidente, lá na Federação:

Dava pra sentir que seria uma partida digna de mata-mata.

Várias pessoas com a camisa do clube, transformando o jogo em um reencontro entre amigos que se preparam para a mesma batalha.

Times em campo… Cerimonial e hino em dia…

É um ambiente bem diferente do que nos acostumamos a ver nas atuais arenas sempre cheias e tão impessoais.
O sol é mais que um participante da partida!

Aliás, aproveitemos para registrar o campo do Estádio Luíz Perissinotto, começando pelo gol do lado esquerdo:

É ali que fica a parte destinada para os torcedores visitantes.

O lado direito:

E o meio campo:

Em Paulínia, o futebol ainda preserva esse lado comunitário, onde o estádio continua sendo um espaço de convivência e de apoio mútuo em torno do time da cidade!

Nesse contexto, fiquei muito feliz em reencontrar o amigo Richard, um apaixonado pelo time e pela cidade de Paulínia!

Até essa partida, nenhum mandante conseguiu vencer seus jogos nesse mata-mata e me surpreendi em ver o Paulínia propondo jogo e indo pra cima do Itaquá, dono da melhor campanha geral da primeira fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão.

Vale reforçar a presença da torcida visitante que só deixou o jogo ainda mais importante!

Com tanta insistência, aos 34 minutos, Cauê, de Pênalti, fez 1×0 para o time local!

Festa pra turma do Richard!

Andar pelo Estádio Luís Perissinotto permite observar pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos por quem acompanha apenas o resultado final.

As bandeiras, as conversas, as expectativas e frustrações de quem acreditava que aquela poderia ser uma tarde histórica para o Paulínia Universitário.

São essas imagens que ajudam a contar a verdadeira história do futebol.
E o gol de Cauê fez parecer que o roteiro estava escrito para uma grande tarde dos donos da casa.

Mas o futebol gosta de desafiar certezas.

Ainda antes do intervalo, o Itaquá encontrou o empate também em uma cobrança de pênalti.

O silêncio tomou conta de parte da arquibancada, enquanto os visitantes comemoravam como se estivesse em casa. Era o sinal de que a decisão ainda estava completamente aberta.

Claro que a torcida local sentiu o golpe…

Afinal, era Sansão x Golias e o Paulínia vinha mostrando que dava pra acreditar, mas…
O gol de empate acabou esfriando time e torcida…

O time ainda esboçou alguma reação principalmente tentando utilizar as bolas paradas.

Mas, o primeiro tempo se encerrou com o empate em 1×1, agora para a tristeza da turma do Richard…

Na volta para o segundo tempo, o Itaquá mostrou a força da campanha construída na primeira fase: bastaram poucos minutos para Guilherme virar a partida e obrigar o Paulínia a correr atrás do prejuízo.

O gol tão cedo acabou tirando um pouco da graça da partida…
A torcida local desanimou…

Os visitantes sentiram-se mais tranquilos vendo a materialização da até então superioridade matemática.

O Paulínia pressionou, criou oportunidades e tentou encontrar o empate, mas encontrou pela frente uma defesa muito bem organizada fazendo cair ao chão suas expectativas de um bom resultado…

O IAC passou a mandar na partida.

Mesmo perdendo o autor dos dois gols (Guilherme), o Itaquá soube impor o seu jogo até o fim e, já nos acréscimos, aproveitou um contra-ataque para ampliar o placar com Arthur Igor (aos 51 minutos) e assim, criar uma vantagem importante para o jogo de volta.

Um golpe duro para o torcedor local que esteve no Luís Perissinotto sonhando com um resultado que encaminhasse a sequência do time no campeonato.

Ao final da partida, ficou a sensação de que o placar conta apenas uma parte da história. O Itaquá segue como favorito, mas a cidade de Paulínia pode dormir tranquila sabendo que o futebol está de volta à cidade (lembrando que o rival citadino Paulinense, também está nesta fase da competição, tendo vencido o São Carlos, lá em São Carlos).

As campanhas passam. Mas a paixão de quem continua ocupando uma arquibancada em uma tarde de domingo permanece.
E é justamente essa paixão que seguimos buscando por onde passamos.

Ao fim da partida, o time do IAC foi saudar sua torcida que começa a fazer história em seu primeiro ano de existência.

Abraços ao amigo Richard!

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O Estádio Municipal Gastão Kock da Cunha, casa do Sul América FC em Conceição da Barra-ES

No começo de 2026 tive a oportunidade de fazer um rolê bem bacana pelo litoral do Espírito Santo, o que nos levou à cidade de Conceição da Barra, já no no extremo norte do estado.

Ali, o mar, os rios e a cultura popular se encontram de forma única.

Conhecida por suas praias extensas, dunas, áreas de restinga e pela foz do Rio São Matheus (também conhecido como rio Cricaré), a cidade preserva um ritmo próprio, marcado pela pesca, pelas tradições culturais e pela forte ligação de seus moradores com o território.

É um daqueles lugares onde a paisagem ajuda a contar a história da comunidade.

Estivemos na histórica Igreja Nossa Senhora da Conceição:

Pra quem consegue viajar, vale a pena sair da cidade e ir até a vila de Itaúnas e nadar no rio homônimo que é sensacional!

Só não caia no erro de querer ir perto desta chaminé, pra tirar uma foto do que parece ser (ou ter sido) uma olaria ali na saída da cidade… O nosso carro atolou e perdemos algumas horas embaixo de um sol de 40º na cabeça até conseguir sair… Mas, tudo faz parte da história!

Vale reforçar que Conceição da Barra é muito mais do que um destino de verão.

Assim como suas praias e seu patrimônio cultural, o futebol também faz parte da identidade local, tendo o Sul América Futebol Clube como o representante da cidade, desde sua fundação, em 13 de fevereiro de 2005.

Mais recentemente, houve uma tentativa de disputar a segunda divisão de 2018, que acabou não se concretizando, mantendo o clube apenas nos campeonatos amadores e de categoria de base.
O Sul América FC manda seus jogos no Estádio Gastão Kock da Cunha, um símbolo de pertencimento que atravessa gerações e mantém viva a relação entre a comunidade e suas tradições.

Existem estádios que vivem de grandes públicos.
Outros, de grandes títulos.
E existem aqueles que vivem de algo ainda mais valioso: o pertencimento.

Em Conceição da Barra, o Estádio Municipal Gastão Kock da Cunha é esse lugar: mais do que a casa do Sul América Futebol Clube, ele é o ponto de encontro da memória esportiva de uma cidade que aprendeu a cultivar sua identidade longe dos holofotes, mas nunca longe da paixão pelo futebol.

Ao longo de sua trajetória, o Sul América carregou o nome de Conceição da Barra para as competições profissionais do futebol capixaba, disputando por 3 vezes a Série B do Capixaba (a segunda divisão estadual) em 2005, 2006 e 2008.

Em um cenário onde o futebol do Espírito Santo ainda enfrenta preconceitos e é frequentemente ignorado por quem acompanha apenas os grandes centros do país, clubes como o Sul América cumprem uma missão que vai muito além das quatro linhas: preservar tradições, movimentar comunidades e manter viva a relação entre o futebol e o território que o sustenta.

E talvez seja justamente essa uma das maiores riquezas do futebol capixaba.

Aqui, o nosso tradicional registro do gol da direita:

O gol da esquerda:

E o meio campo:

O que ficou da nossa visita é a sensação de que aquele estádio pertence à cidade e que a cidade também pertence a ele.
Em tempos de futebol cada vez mais globalizado, lugares como a casa do Sul América lembram que o verdadeiro valor de uma camisa continua sendo a capacidade de representar uma comunidade inteira.

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O Estádio Municipal Sernamby, em São Mateus-ES

No início de 2026, colocamos o pé na estrada para mais uma tour pelo Espírito Santo com direito a muita estrada, histórias, encontros e rolês por várias cidades carregadas de memória, cultura e futebol.
Assim, chegamos em São Mateus onde o tempo pareceu andar mais devagar.

Foi emocionante estar a beira do rio São Mateus, conhecido como Rio Cricaré que passa pela cidade e deságua no Oceano Atlântico em Conceição da Barra (ES).
O rio teve papel crucial desde os primeiros habitantes, principalmente os Guarani e os Aratu sendo uma via natural de locomoção, fonte de água, pesca e subsistência para essas comunidades.

Fundada em 1544, São Mateus é a segunda cidade mais antiga do Espírito Santo e durante os séculos XVIII e XIX, seu Porto foi um dos maiores pontos de desembarque de navios negreiros do Brasil, direcionando os escravizados para o interior de Minas Gerais e para as lavouras da região.

Outro ícone desta época foi a Igreja Velha, que teve sua construção iniciada em meados do século XIX.

Falando sobre o futebol local, escondido entre lembranças, concreto envelhecido e saudade, existe um lugar que ainda pulsa no coração da cidade: o Estádio Manoel Moreira Sobrinho, o eterno Estádio do Sernamby.

O Estádio, embora seja municipal, ficou marcado como a casa da AA São Mateus.

Fundada em 1963, a Associação Atlética São Mateus nasceu no bairro Sernamby a partir de um projeto comunitário liderado por moradores, religiosos e voluntários, simbolizando a ideia de união popular.
O time é um dos maiores representantes do futebol do norte capixaba, conquistando os Campeonatos Capixabas de 2009…

E de 2011…

Além destes títulos, a AA São Mateus se tornou o maior campeão da Série B do Espírito Santo, tornando o time conhecido como “O Gigante do Norte” e também “Pit Bull do Norte” e fazendo do Sernamby, a extensão da identidade da cidade e da paixão de sua torcida.

O estádio foi inaugurado em 5 de março de 1965, e atualmente já não recebe multidões como antes.
Mas o local ainda carrega as marcas do tempo.

E o silêncio que hoje mora ali, onde antes estava a arquibancada lateral, parece impossível de combinar com a história gigantesca daquele lugar.

Olha como era essa arquibancada:

Ao pisar no Sernamby dá pra sentir que aquilo nunca foi apenas um estádio de futebol. Foi mesmo um sonho da comunidade.
Enquanto caminhávamos pelos arredores do estádio, tentando imaginar o barulho que um dia tomou conta daquele lugar, dava para sentir que cada pedaço de concreto guardava uma memória diferente.

Mas o Estádio Sernamby não era só a casa da Associação Atlética São Mateus.
Era (e é) parte da alma de São Mateus.

E a esperança ainda segue viva, assim como a outra arquibancada lá atrás do gol.
Segundo matéria de maio (veja aqui), finalmente houve a assinatura da escritura definitiva do Estádio Municipal Sernamby.

Pouca gente de fora entende esse tipo de sentimento, né?
Incrível como supermercados e farmácias são sempre mais valorizados do que escolas, estádios e espaços públicos…
O Sernamby nasceu muito antes das grandes partidas, dos refletores e das arquibancadas lotadas e também indo muito além do futebol: cursos gratuitos, encontros e um espaço onde nasciam ideias para transformar o bairro.

O estádio carregava até no nome uma história de generosidade.
Manoel Moreira Sobrinho foi delegado, líder religioso e professor voluntário de português para crianças pobres da região.
É como se o estádio tivesse herdado essa essência: servir às pessoas.
E serviu.

Serviu como palco de tardes inesquecíveis.
De títulos, de rivalidades históricas.
De domingos em família.
De crianças vendo o gramado pela primeira vez e acreditando que dali poderia nascer um futuro.

Ali teve suor de jogador, voz rouca de torcedor, vendedor atravessando arquibancada, rádio de pilha no ouvido e aquele nervosismo típico do futebol do interior, onde cada jogo parece assunto da cidade inteira durante a semana.
O Sernamby cresceu junto com o povo.

Vieram os muros, o alambrado, as arquibancadas.
Veio a famosa “Campanha do Cimento” em 1996, quando torcedores, empresários e lideranças locais se uniram para ampliar o estádio.

Vieram os refletores em 1998.
Vieram noites iluminadas que pareciam grandes demais para uma cidade do interior, mas que cabiam perfeitamente na paixão daquele povo.

E talvez seja exatamente por isso que dói tanto vê-lo fechado, ferido e parcialmente demolido pelo tempo.

Porque estádio de verdade não é feito só de estrutura.
É feito de pertencimento.

Enquanto observávamos aquelas arquibancadas vazias, dava para imaginar os fantasmas bonitos do passado ainda vivendo ali: o eco de um gol, o grito vindo da geral, o apito do juiz, a explosão da torcida do São Mateus.

Parecia que o estádio ainda estava esperando alguma coisa.
Talvez mais uma partida.
Talvez mais uma multidão.
Talvez a chance de respirar novamente.

E no fundo, é isso que emociona.
Mesmo abandonado durante anos, o Sernamby nunca saiu do coração da cidade. Porque lugares assim ultrapassam sua função original.
Eles viram memória coletiva.

Por isso tanta gente sonha com sua volta.
Não é apenas sobre reformar um estádio.
É sobre recuperar histórias.
É sobre devolver identidade.
É sobre impedir que uma parte da memória de São Mateus desapareça junto com o concreto envelhecido.

E saímos dali entendendo uma coisa: alguns estádios jamais morrem completamente.

O Estádio do Sernamby é um deles, e por isso tão importante.
Espero que dias melhores possam vir…

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De volta ao campo do União Lyra Serrano, em Paranapiacaba

Em 2023, a Prefeitura de Santo André efetuou o restauro do campo do União Lyra Serrano, mas somente agora em 2026 consegui voltar até lá para registrar o resultado deste investimento.

Já estivemos por lá várias vezes, veja aqui como foram as outras visitas, pra você comparar com o atual estado.
Confesso que, visualmente, não percebi mudanças tão significativas.

Estádio do Serrano Atlético Clube - Paranapiacaba

Acabei me esquecendo de visitar o Memorial Charles Miller, espaço com várias fotos e objetos que contam a importância da vila inglesa para o futebol. Na entrega do memorial, Giovana Miller, bisneta de Charles, esteve presente.

O restauro foi além do campo e chegou à arquibancada, que é feita de madeira, e vinha bem prejudicada pelas avarias do tempo.

Além da arquibancada, os trilhos de trem que servem como base para o alambrado também foram recuperados e construídos dois novos vestiários.
Os recursos vindos do PAC Cidades Históricas foram da ordem de R$ 3,9 milhões.

E por que é tão importante esse campo, justificando tamanho investimento?
É que embora oficialmente a primeira partida de futebol no Brasil teria ocorrido no Brás, em 14 de abril de 1895, entre as equipes da Companhia de Gás de São Paulo e a Companhia Ferroviária de São Paulo, a Vila Inglesa de Paranapiacaba já abrigava seu campo, sendo assim, o primeiro campo com medidas oficiais do Brasil.

O campo era usado pelo Serrano Atlhetic Club, time formado por ferroviários da São Paulo Railway e chegou a enfrentar grandes times do futebol paulista como Santos e Corinthians.
Em 1936, o Serrano A.C. se uniu à Sociedade Recreativa Lyra da Serra, formando o Clube União Lyra Serrano.
Se você ainda não conhece o campo ou a vila, é hora de mudar isso, venha para Paranapiacaba!

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