O União dos Operários Futebol Clube

Com tantos roles pelo interior, as vezes sinto que registro pouco o futebol da capital, que, sem dúvida, tem uma história única no futebol brasileiro.
Assim, aproveitei um deslocamento pela cidade para registrar o Estádio e um pouco da centenária história do União dos Operários FC.

O União dos Operários FC foi inaugurado em 1º de maio de 1917, uma data cheia de significados para a cidade de São Paulo.
Pra entender o “caldo cultural” da sua fundação, precisamos voltar ao fim do século XIX, quando São Paulo passa a se industrializar e a receber milhares de operários vindos especialmente da Itália, Espanha e Portugal.
A foto abaixo registra a hospedaria dos imigrantes da época e onde funciona atualmente o Museu da Imigração / Memorial do Imigrante:

Muitos deles trouxeram consigo uma formação anarquista, com influência de pensadores como Bakunin, Kropotkin e Malatesta, que defendiam conceitos como a autogestão dos trabalhadores, ação direta (greves, boicotes, ocupações) como forma legítima de luta e a solidariedade de classe, sem depender de partidos políticos ou do Estado.

Tradicionalmente, no feriado de 1º de maio, sindicatos e associações operárias organizavam atos e comícios em São Paulo para reivindicar melhores condições de trabalho. Com a Primeira Guerra, houve um o aumento do custo de vida e do número de pessoas passando fome pelas periferias da capital, fazendo com que a manifestação de 1º de maio de 1917 não fosse apenas uma comemoração, mas um verdadeiro ato político, organizado em boa parte pelos sindicatos libertários e pelos grupos autônomos de trabalhadores. Foto do site do PCB:

Como sempre, o Estado reagiu e a forte repressão policial assassinou o operário Antonio Martinez.
Com isso, as reivindicações se transformaram em uma greve geral autogerida, levando mais de 50 mil pessoas às ruas da cidade.
Comitês de bairro, cozinhas coletivas e decisões tomadas em assembleias abertas tornaram-se parte do cotidiano da cidade.

Embora a greve tenha sido duramente reprimida, ela deixou marcas profundas, consolidando o 1º de maio como dia de luta, reforçando a presença do anarquismo no imaginário político brasileiro mostrando que era possível organizar trabalhadores sem partidos ou líderes hierárquicos.
Com a chegada do governo de Getúlio Vargas, e uma série de ações populistas, como a legislação sindical corporativa, o anarquismo perdeu espaço institucional.
Mas, o próprio União dos Operários fica como legado até os dias atuais.

A sede do clube e seu estádio ficam localizados no Belenzinho, próximo da Ponte de Vila Maria e nasceu idealizado por operários da região.

Com tanta história, dá até emoção de pisar em um campo que há mais de 100 anos está dedicado não só ao futebol como ao futebol operariado, oferecendo abertura aos trabalhadores que muitas vezes não tem essa oportunidade.

Além do campo, existe uma estrutura dedicada a outros esportes e ao social no clube, como se pode ver ali atrás do gol da direita:

Sua arquibancada de madeira é simples, mas muito charmosa. Me pergunto se algo dessa estrutura ainda é original…

Ao fundo do gol da esquerda, um estacionamento, item importante nos dias de hoje:

E aqui, o meio campo, com algumas belas árvores ao fundo.

Minha dúvida, ao ver o mapa de 1958, é que aparentemente não havia campo ali, mas haviam outros campos ali pra baixo:

Veja o mapa atual e perceba ue apenas o campo da Camisa 12 segue ali abaixo do Estádio do União dos Operários FC.

Um pouco do que rolou na mídia relacionado ao time, começando lá em fevereiro de 1921 quando o time se limitava aos amistosos e à várzea (detalhe importante é que o adversário AA Estrela de Ouro já disputava os campeonatos da FPD daquele ano):

Agora pra falar de sequência do time, vou usar como base as informações do livro “Esquecidos”, o velho testamento do futebol paulista.

No livro, entendi que após a fase de amistosos e disputas não oficiais, em 1927, o União dos Operários Futebol Clube passou a disputar a Série Principal da Segunda Divisão da LAF, vencendo 2 jogos (2×1 frente o CA Brasil, 2×1 no Húngaro Paulistano) e empatando em 2×2 frente o CA Tiradentes, antes de abandonar o campeonato se transferir para a APEA.

Assim, no ano seguinte, em 1928, passou a disputar a Divisão Municipal da APEA (acima dela estava a Divisão Especial, a 1ª e a 2ª divisão).

Em 1929, passa a disputar a Segunda Divisão da APEA:

Em 1930, teve uma boa participação na segunda divisão da APEA, terminando na 5ª colocação:

Em 1931, o União dos Operários foi vice campeão da segunda divisão da APEA!

Com a boa colocação, no ano seguinte em 1932, o União foi disputar a primeira divisão da APEA, que equivalia ao segundo nível do futebol paulista, não se confunda…
Ainda existia a Divisão Especial, onde o Palestra Itália sagrava-se campeão.

Campeonato de 1933:

O Campeonato de 1934 marca a despedida do União dos Operários dos campeonatos organizados pelas diferentes Federações.

Mas, fuçando um pouco pelos jornais, encontrei alguns registros de aventuras do time como aqui, em 1955, fazendo o jogo de abertura de um Portuguesa x Palmeiras:

Em 1957, o Palmeiras participou da celebração do aniversário do time:

Enfim… O mundo mudou, o time mudou, mas seu distintivo segue vivo no campo em que estivemos, que talvez nem seja o mesmo do seu início…
Mas a história dos operários segue viva no esporte!

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O Estádio Los Nogales e o Club Deportivo Ferroviários (Rolê pelo Chile – parte 6 de 9)

Janeiro de 2025.
Estivemos de rolê pelo Chile e já falamos sobre as aventuras futebolísticas em Viña del Mar, Valparaíso, Algarrobo, Curacaví, e o Estádio Municipal de La Cisterna, a casa do Palestino, em Santiago!
Agora é hora de falar sobre o CD Ferroviários e o Estádio Arturo Rojas Paredes, também conhecido como Estádio Los Nogales, onde manda seus jogos atualmente!

O rolê pelo Chile foi tão legal que não tem como voltar e não nos sentirmos parte do que vivemos. Realmente fronteiras são apenas linhas em um mapa… Somos todos latinos, fazemos parte disso tudo, desde muito tempo atrás…

O principal povo que viviam na região de Santiago era os Mapuches, grupo mais representativo do país. Esta é a bandeira deles:

Eram chamados de Araucanos pelos espanhóis, mas os próprios Mapuches consideram este termo pejorativo.

A Santiago atual é uma capital moderna e super desenvolvida e oferece muitas opções para diversão e cultura. Aqui, o Cerro Santa Lucía, que oferece um visual bem bacana!

Do outro lado da rua dele tem uma feirinha de bugigangas legal também!

Pra comer em Santiago sempre recomendamos o El Naturista, um restaurante vegetariano bem gostoso e no centro da cidade.

De sobremesa umas frutas nas ruas sempre cai bem!

Ou, um Mote com Huesillo, uma das melhores coisas que nasceram da união dos espanhóis com os povos locais.

A bebida é um suco de pêssego com grãos cozidos de trigo (contribuição dos espanhóis) com um pêssego em calda em cima pra dar um tchan! Eu adoro!

Muito bem alimentados, é hora de conhecer mais um time importante para a história do futebol chileno: o Club Deportivo Ferroviários de Chile.

O clube foi fundado em 14 de julho de 1916, por trabalhadores ferroviários no bairro San Eugenio e começou se dedicando às competições amadoras.
Na época, o time se denominava Unión Ferroviarios e mandava seus jogos no Estádio do próprio bairro, que hoje se encontra em demolição, como dá pra ver pela imagem do Google:

Em 1927, o CD Ferroviários passou a disputar a divisão de acesso da Asociación de Fútbol de Santiago, mas em 1933, como muitos dos clubes da Asociación abandonaram a entidade para formar a Liga Profesional de Fútbol, o Ferroviários passou a fazer parte da primeira divisão. Aqui a tabela do campeonato de 1934:

De 1935 a 1945, disputou o segundo nível do Campeonato Chileno. Olha o time de 1943:

Nesse período, mais especificamente em 14 de julho de 1941 foi inaugurado o Estádio Ferroviário Hugo Arqueros Rodríguez, também chamado de Estádio San Eugenio, a casa do time, no bairro “Estação Central” com incrível capacidade para 31 mil torcedores.

Infelizmente, assim como ocorreu no Brasil, no Chile, a Ferrovia acabou perdendo espaço e com o seu “esvaziamento” o estádio acabou sendo tomado do time…

Em 1947, fez parte dos 15 times que deram origem a Divisão de Acesso (depois Divisão de Honra Amadora – DIVHA), da qual saiu campeão em 1949 obtendo o acesso à Primeira Divisão.
Em 1950, o time funde-se com o Bádminton surgindo o Ferrobádminton.

O novo time teve sucesso e permaneceu na primeira divisão até 1964, quando cai para a “1ª B”, voltando para a 1ªA no ano seguinte.
Novamente desce para a 1ª B.
A união entre os dois times durou até 1969, quando voltaram a ter vidas independentes.

Assim, até 82, o Ferroviários permanece na divisão de acesso, a 1ªB, com destaque para o time de 72 que foi vice campeão, não obtendo vaga para a primeira divisão.

O time passa a disputar as divisões amadoras do Campeonato Chileno: 3ªA e 3ªB.
3ªA em 1983 e fica até 87, quando cai para a 3ªB.
Disputa a 3ª B até 1997, quando volta para a 3ªA.
Fica na 3ªA até o ano 2000, volta para a 3ªB e fica até 2003.
De volta à 3ª A permanece aí até 2008.
Disputa a 3ª B até 2018.
Em 2019 disputa sua última (até então) edição da 3ªA e fica até atualmente a 3ªB.

Esse é o grupo do time esse ano de 2025:

Atualmente o CD Ferroviários manda suas partidas no Estádio Arturo Rojas Paredes e fomos até lá pra registrar esse campo e para bater um papo com o Luís Tapia, um apaixonado pelo time!

Mais uma estádio incrível e construindo sua história no futebol chileno!

O Estádio é simples, mas bem aconchegante, se liga na arquibancada com 4 degraus, com uma exclusiva cobertura!

A arquibancada vista por baixo:

O recado é claro, mas eu tenho a permissão…

Dá um giro com a gente pelo campo!

O Estádio fica em um bairro residencial na região da Estación Central e é referência para os atletas da região, sendo a base para diversos projetos sociais e também sendo a casa do CD Ferroviários.

O estádio do CD Ferroviarios é muito mais do que um simples campo de futebol.
Ele carrega a história de um clube fundado por trabalhadores ferroviários em 1916, refletindo a tradição operária e a identidade de uma comunidade que cresceu ao redor das ferrovias.

Embora seja um estádio modesto, sem grandes arquibancadas ou infraestrutura luxuosa, ele mantém um ambiente intimista e acolhedor, onde a torcida fica próxima ao campo e cada jogo se torna uma celebração do futebol de verdade.
Los Nogales é um daqueles lugares onde o futebol ainda preserva seu espírito mais puro, onde os torcedores comparecem não pelo espetáculo, mas pelo amor à camisa e à tradição.

Olha aí a rapaziada da base do Ferroviários. Será que algum deles um dia fará história no futebol? Espero que sim!

No pós jogo apareceu até uma camisa do Santos ali…

O fim do treino foi marcado por uma preleção da comissão técnica.

E também surgiu uma camisa do Atlético Paranaense…

Esse é o gol do lado esquerdo:

Aqui o meio campo

E o gol do lado direito, onde existe um ginásio.
Mais do que um campo de futebol, o estádio é um símbolo de resistência.
Assim como o Ferroviarios luta para se manter vivo no futebol chileno, seu campo sobrevive como um refúgio do futebol romântico, onde o esforço supera os recursos e a história se mantém viva a cada partida disputada.

E aí está o homem que conduz o time e todas as ações do Ferroviários: Luis Tapia, o presidente!

Luis Tapia é um homem guiado pela paixão.
Primeiro, foi a ferrovia, onde dedicou anos de sua vida, vendo os trilhos cortarem o Chile como veias de um país em movimento.
Depois, veio o Club Deportivo Ferroviarios, um time que, assim como os trens que ele tanto admirava, segue firme no caminho, apesar dos desafios e dos obstáculos.

Algumas fotos históricas ilustram o escritório do time:

Mas o ponto alto são as camisas oficiais do time do coração do Luis, que ele guarda com muito carinho.

Hoje, como presidente do clube, Tapia comanda um time que batalha na 3ªB chilena, a sexta divisão do futebol nacional.
Para muitos, uma posição tão modesta poderia ser motivo de desistência, mas para ele, é apenas um detalhe.
Seu amor pelo Ferroviarios é romântico, daqueles que não dependem de glória ou grandes conquistas.
Ele vê no clube o reflexo da resistência e da história dos trabalhadores ferroviários que deram origem à equipe, e isso basta para continuar lutando.
Assim como um maquinista nunca abandona sua locomotiva, Luis Tapia segue à frente do Ferroviarios, com a mesma fé que um dia o fez acreditar na força das ferrovias.
Porque, no fim, mais importante do que a chegada é a jornada.
E Tapia seguirá nos trilhos desse amor, custe o que custar.

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The English Game – O início do futebol na Inglaterra

Há algum tempo que eu vi a chamada dessa série, mas estava com medo de ser aquela coisa muito estereotipada… Mas, como a quarentena oferece um pouco mais de tempo pra se dedicar, decidi dar uma chance e não me arrependo! The English Game A surpresa foi positiva! Um bom painel histórico sobre o fim do século XIX, e como o futebol surge, ainda amador, no dia a dia das pessoas, sejam elas aristocratas burgueses, donos das indústrias ou operários da periferia inglesa, que viam no esporte uma das poucas alegrias da sua vida. The English Game São apenas 6 episódios que contam muito mais do que a história do jogo… O “heroi” local é o escocês Fergus Suter, que se transfere para jogar na Inglaterra, pelo time operário do Darwen. The English Game O Darwen é o primeiro clube de operários a chegar nas quartas de final e acaba desclassificado num jogo bem desleal. Mas… o futuro de Fergus guarda surpresas… The English Game Mas mais do que jogar a Copa da Inglaterra ele se envolve no dia a dia dos operários, nas greves e dificuldades enfrentadas… E como os times do norte passaram a se unir e a se identificar para vencer os times dos “almofadinhas”. Enfim, sei que nem todo mundo tem acesso à Netflix, mas aquele que por acaso o tenha, não faça como eu, não postergue, comece a assistir hoje mesmo! Veja aí o trailer:

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101- Camisa do Argentinos Jrs

A 101ª camisa do blog vem novamente da Argentina (uma das principais fontes para o blog), da querida Buenos Aires.

O time dono da camisa é o Argentinos Juniors.

O Argentinos Juniors é daqueles times cuja história se mistura à vida política e social de seus fundadores e torcedores. O time nasceu da união de dois tradicionais clubes locais: o “Sol de la Victória” e o “Mártires de Chicago”, fundado no início do século XX por jovens socialistas que queriam homenagear os operários que conquistaram com a vida o dia do trabalhador. Não lembra disso? Veja o vídeo abaixo:

Essa união se oficializaria em 1904 e daria origem à Asociatión Atlética y Futebolística Argentinos Unidos de Villa Crespo, que desfilaria em campos portenhos com um uniforme vermelho em alusão aos movimentos socialistas e anarquistas. Em 1909, associaram-se a AFA e alguns anos mais tarde, em 1912 mostraria seu valor ao recusar um convite da Associação para disputar a Primeira Divisão, o time só subiria se conquistasse a vaga em campo. Somente en 1921, o time alcançaria a elite do futebol argentino. Em 1926 chegaria ao vice campeonato argentino, marcando positivamente a década de 20. Abaixo a foto do time de  1928:

Já a década de 30 culminaria com a queda para a segunda divisão. Somente na década de 40 o time conquistaria o direito de voltar à primeira divisão, mas segundo a AFA, o estádio recém construído (na foto abaixo, o dia de sua inauguração) não suportaria jogos da primeira divisão, o que manteve o time na segunda.

O time só retornaria à primeira divisão em 1955. Os anos 60 trouxeram grandes mudanças ao elenco do time e formaram equipes memoráveis, ainda que em 1969 tenham escapado do rebaixamento na última rodada. O time responsável foi o da foto abaixo:

Os anos 70 apresentaram ao futebol argentino uma equipe juvenil que faria historia e seria conhecida como “Los Cebollitas”.

O time tinha como craque, nada mais nada menos que Diego Armando Maradona, na época com pouco mais de 12 anos.

Maradona estreiaria na primeira divisão aos 15 anos num jogo contra o Talleres de Córdoba. Ali, joagaria por 4 anos e durante este período seria Campeão Mundial Juvenil, pela Argentina, em 1979 e levaria o Argentinos Jrs às finais do campeonato metropolitano.
A década de 80 foi o período de maiores glórias do time. Logo de cara, em 1980, foi vice campeão do metropolitano e chegou à semifinal do torneio nacional, com a formação:

Para tristeza de sua torcida, Maradona vestiria a camisa do time pela última vez em 1981, quando foi transferido para o Boca Juniores. Em 1984, Argentinos Jrs sagra-se campeão do Metropolitano, com o time abaixo:

No ano seguinte, vêm a conquista do Nacional e da Copa Libertadores.

O time de 1985:

Por ter sido campeão da Libertadores, disputou a final do Mundial Interclubes contra a Juventus em 85.
No tempo normal houve um empate por 2 a 2, e os italianos venceram nos pênaltis. Os anos 90 trouxeram a amargura do rebaixamento por mais de uma vez. Esse foi o time campeão da Segunda divisão em 96/97:

Em 2003, o time reinaugurou seu estádio no bairro “La Paternal” e somente em 2004 o time se estabilizou novamente na primeira divisão.
A alegria voltaria de vez ao bairro, com a conquista do torneio Clausura em 2010, com o time abaixo: 

E nós, estivemos por lá, conferindo o jogo contra o Newell´s Old Boys.
Leia aqui como foi aquele jogo!

O nosso “guia” foi o amigo “Checho”, dono de uma loja de discos focada na música undergound (Punk Rock, Hardcore, Psychobilly, Oi!, etc):

Fomos muito bem recebidos pela hinchada local, que lotou o estádio.

O outro lado era destinado à torcida visitante, que só chegou no fim do primeiro tempo.

 Os caras tem uma bela lojinha, no próprio Estádio! 

O estádio possui um belo museu.
Não pudemos visitá-lo pois era dia de jogo, mas pode se ver um pouco no site: www.argentinosjuniors.com.ar/museo.php
O site oficial do time é www.argentinosjuniors.com.ar
Mas um blog interessante para se obter maiores informações do time é o www.blog.teacordasbicho.com.ar .

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Rolê em Buenos Aires parte 2 – Argentinos Jrs

Bom, pra não perder o ritmo (até porque o futebol está a 200 km/hora esse ano), voltemos às nossas aventuras boleiras pela América do Sul.
O primeiro programa boleiro, logo na segunda feira em que chegamos a Buenos Aires, foi um jogo do Argentinos Jrs.

Vale lembrar que eu e a Mari já tínhamos feito um rolê nesse estádio há um ano, veja aqui como foi.

O nosso “guia” foi o amigo “Checho“, que além de torcedor e morador do bairro, é o responsável por uma loja que só vende punk rock, oi! e outros sonidos da rua.

A loja dele:

E a gente, mais punk, impossível…

O entorno do estádio mostra que a maior parte dos torcedores se conhecem, até porque são quase todos das redondezas. É o velho amor ao bairro que a gente tanto sente falta aqui no Brasil.

Ainda que as “grandes equipes” também estejam angariando o maior número de torcedores, o Argentinos Jrs mostrou que o sentimento de amor entre time-estádio-bairro-hinchas é muito forte.

O estádio é pequeno. Lembra um pouco a Javari, com alguns andares a mais.

Réplica da Camisa em frente o estádio: 35 pesos Ingresso para o jogo: 20 pesos Passar uma noite de segunda feira ao lado da namorada e dos amigos assistindo uma partida de futebol na Argentina… não tem preço!

Ah, fiz um vídeo pra você ter uma ideia do que é o Estádio Diego Armando Maradona por dentro:

https://www.youtube.com/embed/swBfUblmul8 Dentro do Estádio, o destaque vai para a loja do clube que vende uma infinidade de produtos relacionados ao time. Os vendedores são gente boa e dá a nítida impressão que é uma festa entre amigos.

A diferença podia ser menor com a realidade que vivemos no Brasil, não? É pedir demais ter uma dessa em cada estádio??

E muita gente da velha guarda lotando as arquibancadas do estádio que leva o nome do maior jogador do mundo, que defendeu as cores do “Bicho” (apelido do time) no início da carreira.

Dá pra ver o nome ali??

E dá lhe festa. Popular. Sem controle, sem comando. Festa de gente, feita pela gente, e pra gente…

A torcida do Newell Old Boys compareceu, mesmo estando há mais de 3 horas da capital. A banda só foi chegar no final do primeiro tempo

O estádio tem uma mística bem particular. Parece um pub, onde amigos se encontram e se divertem.

E alentam, cantam e embalam seus jogadores!

Mulheres e crianças bastante presentes (vale ressaltar que a barra do time fica atrás do gol, e eles cantam e pulam sem parar, por isso tem mais crianças na arquibancada lateral).

As árvores ao fundo dão um belo cenário pro estádio, não acha?

Essa é a barra do bicho:

O campo é tão perto, que as vezes parece que vc tá dentro dele (não falei que lembrava a Javari)…

E guarde registros e fotos e vídeos… Estar ali foi um momento inesquecível…

Aliás, veja como ficou o registro feito pelo Gui:

A Barra vista de frente…

Para nossa tristeza, o tempo começou a virar e um friozinho virou chuva, que virou tempestade que cancelou o jogo aos 20 minutos do segundo tempo e alagou a cidade. Eu queria ter dado uma volta no estádio ao fim do jogo pra mostrar todos os lados, e por isso não deu… Sorte que fiz essa foto antes do jogo:

Bom, foi esse o nosso rolê pelo jogo do Argentinos Jrs, dali ainda fizemos um rolê pela cidade inundada (o busão foi corajoso!) e fomos dormir. Ainda tínhamos muitas aventuras pra viver, né não Gui?

Ah, para quem quer mais informações sobre o time, o site oficial do Argentinos Jrs é www.argentinosjuniors.com.ar e o blog: www.elblogdelbicho.com.ar/ Abraços e que nos sirva de exemplo a relação do bairro com o time…

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58- Camisa do Radium de Mococa

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A 58ª Camisa de Futebol pertence ao Radium Futebol Clube.


A camisa acima eu comprei por R$ 50 dentro do próprio estádio, no intervalo da partida em que o time venceu por 3×0 o Sumaré, no dia 14 de junho (naquela mesma viagem eu ainda consegui a camisa da Guaxupé).
Já a camisa abaixo veio de presente do Léo Vieira, responsável pelo documentário que saiu lá em 2026 sobre o Radium.

Assiste aí o documentário:

https://www.youtube.com/watch?v=vUgT8rS4owM

Mococa é uma cidade bem próxima do sul de Minas, e ainda consegue manter uma cara de cidade de interior, bem mais tranquila que a correria que estou acostumado aqui no ABC ou em São Paulo.

mococa

O Radium FC é bem conhecido, mas confesso que briga de igual para igual com os deliciosos doces de leite para saber qual o “bem” mais importante da cidade.

doce de leite

No meu caso, Mococa é também a terra de um pessoal punk que era bem gente fina, quem sabe esse post chega até eles. Eu nunca mais tive noticias. Só lembro do nome de um deles, o “Joey“. (E pensar que anos depois, em 2022 fui reencontrar o Joey num jogo do União São João, confira aqui!!)

Mas falando do time, por que um time com esse nome tão diferente?
A resposta é simples, esse foi o jeito que os fundadores arrumaram para homenagear o elemento químico descoberto pela cientista francesa Marie Curie, que pressupunha força, potência e energia.

O Radium foi fundado em 1º de maio de 1919, e times fundados nessa data (dia do trabalhador), sempre possuem forte ligação operária, e provavelmente anarquista.
Manda seus jogos no Estádio Olímpico São Sebastião, com capacidade para aproximadamente 7 mil torcedores.

radium mococa

viagem estadios 255

Curta o clima do estádio em dia de jogo:

Destaque para a lojinha do time, dentro do estádio:

loja radium

Em 2009 o clube comemora 90 anos de existência, por isso existe uma série de produtos comemorando o feito, de camisas à cervejas e tiveram direito até à cobertura da mídia:

O time é bem acompanhado pelos moradores da cidade, tem até uma organizada, a Fúria Verde, nascida em 2008, em uma roda de bar em Mococa.

Furia_verde_do_radium

Disputa torneios profissionais desde 1949, o time daquele ano:

radium 1949

Teve seu auge no início dos anos 50, quando conquistou o Campeonato Paulista do Interior e a Série A2 em 1950 e disputando em 1951 e 1952 a primeira divisão.
Olha aí o time de 1952:

radium_1952

Após ficar o ano de 1953 sem competir profissionalmente, voltou em 1954 no então Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente a atual Série A2), competição que disputou até 1957.
Aqui, matéria de uma goleada de 1955:

Veja o time de 1957:

radium 1957

Olha essas matérias da Gazeta de 1957:

No ano seguinte, mais um período longe dos torneios profissionais, com o retorno em 1961 na Terceira Divisão Estadual.
De 1962 até 1976 o clube esteve mais uma vez longe dos campeonatos profissionais, voltando na “Terceirona” de 1977, divisão que permaneceu até 1979, quando ao lado do Amparo e do Lemense conseguiu o acesso à Segunda Divisão de 1980.
Ainda neste ano, realizou o primeiro amistoso internacional da história contra a Seleção da Arábia Saudita. Venceram por 4 a 1 . Essa imagem é de 78:

Radium Mococa 1978

Time de 1979:

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Em 1988 o clube de Mococa foi rebaixado e disputou por dois anos o Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente a atual Série A3).
Em 1990 novamente obteve o direito de subir uma divisão e chegar à Série Intermediária, competição que disputou por quatro temporadas.
Em 1994 disputou o Campeonato Paulista B1A, equivalente à quarta divisão do futebol estadual, e continuou nesta competição até 1996. Nas temporadas de 1997 e 1998 esteve ausente do profissionalismo e no ano seguinte, em 1999, disputou a Série B1B.
Do ano 2000 até 2003 participou do Campeonato Paulista da Série B2 e neste meio tempo, entre 2001 e 2003, esteve presente em três edições da Copa São Paulo de Juniores, sendo eliminado na primeira fase de todas.
Em 2005 passou a competir na Segunda Divisão Estadual.
Seu mascote é o Periquito e é também chamado de “Verdão da Mogiana”.

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Estivemos no Estádio São Sebastião acompanhando Radium FC x Sumaré, e o Radium venceu por 2×0.

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Um momento histórico, vista que atualmente (2023), o Radium está licenciado e seu estádio completamente abandonado.
O placar não conseguiu acompanhar os gols…

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Também, menos de um minuto e o Radium saiu na frente…

Para quem acha que rock e futebol não combinam, ainda mais no interior, se liga nas chamadas que os caras fizeram pros jogos desse ano, beeeeem roqueira!:

E a galera tem comparecido!

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A vista das arquibancadas revela um horizonte ainda típico do interior, com muito verde, árvores e montanhas…
Vendo isso eu me pergunto até quando eu aguento viver no meio de tanto prédio e poluição…

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Logo, o Radium ampliou para 2×0 para a alegria da sua torcida!

Mas teve ataque do Sumaré também…

Curta mais um alguns lances de jogo, que recuperei somente em 2023 e que, sabendo da atual situação do estádio São Sebastião, vale a pena ser relembrado:

Estou tentando conseguir o livro “Radium, o verdão da Mogiana“, para conseguir mais informações, mas por hora, quem quiser saber mais, acesse o site oficial do time é www.radiumfc.com.br

Existe também um blog muito legal falando sobre o time:www.radiumfc.blogspot.com/

Pra finalizar, que tal um rolê embaixo do bandeirão da torcida??

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