17 de agosto de 2026. Em plena segunda feira às três horas da tarde, o Santo André foi até o Estádio Anacleto Campanella para enfrentar os donos da casa: o São Caetano.
Horário ruim… Pouquíssima gente em ambos os lados…
Mas, do lado andreense, o time nunca joga sozinho!
Se você nunca esteve no Estádio Anacleto Campanella talvez nunca tenha visto o cantinho dedicado ao passado do time e à torcida Bengala Azul…
https://www.youtube.com/watch?v=vFWIPEUbwEs
Torcida do Ramalhão animou o jogo cantando sem parar…
E lá vem os times para o jogo!
O Ramalhão começou pressionando e criou muitas chances…
Mas… não conseguia converter as oportunidades em gol para o desespero do torcedor Ramalhino…
Muito devido ao goleiro do São Caetano, Fernando Caixeta, que fez uma partida realmente memorável.
Pato marcou o único gol da partida, para a festa da torcida visitante!
Esse resultado colocou, em teoria, o Ramalhão na repescagem para as quartas de final e, de quebra, eliminou o rival com uma rodada de antecedência. O clássico do ABC tem dessas coisas, vai além do jogo em si… Tem uma rivalidade que leva em conta o histórico dos confrontos e todos esses contornos extras como a eliminação do Azulão, nesse caso.
Duas camisas tradicionais. Duas histórias que já viveram grandes momentos no futebol paulista e nacional. E uma rivalidade que continua escrevendo novos capítulos independentemente da divisão ou do campeonato.
Porque quem gosta de futebol sabe: a camisa nunca entra em campo sozinha. Ela carrega tudo o que veio antes.
Faz parte de quem joga: ganhar ou perder… E quem ganha, tem o direito de uma mínima sacanagem né?
O time fez questão de vir celebrar com sua torcida e mantém viva a esperança do título para o torcedor do Ramalhão!
A 229ª camisa do site nos leva de volta a uma cidade que já visitamos algumas vezes e que sempre nos recebe de braços abertos: Bauru, no interior de São Paulo.
E ela representa um dos clubes mais tradicionais da história esportiva da cidade, o querido Bauru Atlético Clube, eternizado pelo apelido carinhoso de Baquinho.
Impossível passar por Bauru e não lembrar das histórias que o futebol deixou espalhadas pela cidade. Uma delas está justamente em um lugar que muita gente frequenta sem imaginar o que existia ali antes: onde hoje funciona um supermercado, ficava o antigo Estádio Antonio Garcia, ou EstádioLusitana, a casa do Bauru Atlético Clube, palco de jogos, encontros e memórias que marcaram gerações de torcedores.
O Estádio é daqueles lugares em que o concreto substituiu as arquibancadas, mas não conseguiu apagar a história. Ao menos, o mercado manteve esse lindo mural na entrada.
O Baquinho foi um dos clubes mais importantes do interior paulista durante boa parte do século passado. Fundado em 1º de maio de 1919 com o nome de Luzitana Futebol Clube, carregou o nome de Bauru para diversas competições e ajudou a construir a identidade esportiva da cidade.
Mais do que resultados, o clube se tornou um patrimônio afetivo de seus torcedores, daqueles times que representam uma época inteira da vida de uma comunidade.
E quando falamos da história do Bauru Atlético Clube, existe um personagem que conecta o Baquinho à maior lenda do futebol mundial. Foi no clube que atuou João Ramos do Nascimento, o Dondinho, pai de Pelé. Antes de o Rei nascer para o futebol, seu pai já deixava sua marca nos gramados do interior paulista, vestindo a camisa do Bauru Atlético e ajudando a escrever um capítulo importante da família que mais tarde mudaria a história do futebol.
O próprio rei chegou a vestir sua camisa!
Por isso, esta camisa carrega muito mais do que cores e escudo. Ela representa uma cidade apaixonada por futebol, um clube centenário e uma ligação direta com uma das maiores histórias já contadas dentro das quatro linhas.
É uma lembrança de que o futebol brasileiro não foi construído apenas pelos grandes clubes das capitais, mas também por equipes do interior que formaram atletas, reuniram comunidades e alimentaram sonhos.
Guardar uma camisa do Baquinho é preservar um pedaço dessa memória.
A camisa serve pra lembrar dos estádios que já não existem mais, das histórias contadas pelos mais velhos, das viagens por cidades do interior e da certeza de que o futebol vive não apenas nos grandes títulos, mas principalmente nas lembranças que permanecem vivas muito depois do apito final.
Data histórica para a pequena, mas ainda apaixonada torcida do Santo André.
Foi uma noite de festa no Museu Municipal de Santo André (veja mais sobre o museu aqui), na inauguração da Exposição “Tuas Cores nos encantam”.
Para animar a festa, tivemos a presença da Banda Lira, de Santo André (veja aqui, mais sobre a banda) e da bateria da torcida Fúria Andreense.
A exposição reuniu camisas do Santo André de 1968 até os dias de hoje e foi organizada exclusivamente por torcedores do Ramalhão.
Para ser 100% “Ramalhina” a festa teve como “mestre de cerimônia” o torcedor e profissional da rádio (atualmente na Rádio Estadão ESPN) e Internet Vladimir Bianchini, que conduziu a festa devidamente caracterizado com a camisa do Santo André.
Aliás, não foi só ele que estava com uma camisa histórica do time. Vários torcedores lembraram um pouco da história e deixaram a exposição ainda mais completa!
A exposição mostrou como torcedores de um time podem fazer a diferença em se tratando de resgatar e fortalecer a memória do seu time. Sugiro que quem esteja lendo esse post, pense seriamente sobre a possibilidade de fazer um evento parecido em sua cidade.
Não é tão difícil quanto parece, e o mais legal é que na hora se reencontram amigos e torcedores que há tempos não se viam e que graças ao futebol podem se reencontrar. Fora as camisas exclusivas que aparecem também…
Essa aqui é a réplica da época que o time nem usava o brasão da cidade como distintivo.
Teve até quem lembrasse das camisas que levavam o patrocínio da COOP, parceira do time por tantos anos…
Além de torcedores, também estiveram presentes alguns ex-jogadores como Fernandinho e o Cite, um dos jogadores do primeiro time do Ramalhão, que me deu a honra de sair na foto abaixo.
Além dele, Anísio, grande ídolo e que mantém um enorme carinho pelo time e pela cidade.
Outro pessoal que compareceu e ajudou a organizar o encontro foi o pessoal da Ramalhonautas, aqui, na foto com o eterno ídolo Arnaldinho.
E deu tempo para encontrar os amigos que não temos encontrado nos jogos de Araras.
Pra quem ainda não foi, dá tempo de conferir a exposição, até o fim de Agosto no Museu de Santo André, de segunda a sexta, das 8h30 às 16h30 e aos sábados, das 9h às 14h30.
Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa
Rua Senador Fláquer, 470 – Centro – Santo André
(11) 4438-9111 (administração) e (11) 4436-3457 (biblioteca)
E-mail: museu@santoandre.sp.gov.br
Estacionamento para visitantes: Rua Dona Gertrudes de Lima, 499 – Centro
Entrada gratuita
Pra terminar, o momento mais emocionante da noite…
Após 6 dias para consolar meu coração amargurado com o futebol pelo jogo Santos 2×3 Santo André, enfim voltei a pisar em um estádio para assistir futebol. Fomos ver um jogo da Série B do Campeonato Paulista, que começou semana passada. Como estávamos em Cosmópolis, escolhemos o grupo 4, que é o mais próximo, e fomos até Jaguariúna assistir o time local jogar contra o Capivariano.
Jaguariúna vive dias de euforia graças ao triste e banal espetáculo que insistem em manter em pleno século XXI, o rodeio. Mesmo após as mortes que aconteceram na edição do ano passado, o público jovem da região ainda prefere os shows sertanejos e a exploração animal, ao futebol. Na foto abaixo, a área onde acontece o rodeio fica ali no canto esquerdo superior.
Ideologias a parte, chegamos ao fantástico Estádio Municipal Alfredo Chiavegato.
Mas o Estádio é realmente muito diferenciado. Melhor e maior do que muitos estádios da série A1!
O engraçado é que se você porocurar no site futebolinterior.com.br (referência nas divisões de acesso do futebol paulista), o jogo que fomos assistir seria Jaguariúna x Capivariano. Porém, ao olhar os times, vi que a camisa do até então Jaguariúna era nossa conhecida. Fui até o placar para conferir e…
Pois é… Não foi desta vez que a cidade de Jaguariúna teve suas cores defendidas por uma equipe local, na série B. Quem jogava era o Desportivo Brasil, de Porto Feliz que decidiu adotar a cidade como sede nesta série B. É… Tenho que concordar que um Estádio como esse não merecia ficar sem clube no Paulista…
Mas, claro que seria mais legal ter um time que representasse a cidade e consequentemente trouxesse algum público para ver o jogo. Ao menos teremos um estádio de fácil acesso para vermos novos times na série B do Paulista.
Com a ausência do público torcendo para o time local, o Capivariano deixou de lado a estrutura do Desportivo Brasil e fez um primeiro tempo de igual par igual com o time local (que no fundo também é visitante).
Confira nas fotos o que eu quero dizer com ausência de público…
Com as arquibancadas vazias, deu pra gente andar por todo lado e tirar fotos tranquilamente…
Confira na foto abaixo que até tinha uma galera ali, mas vale ressaltar que tinha mais diretores e atleta do que torcedores. Até a dupla Dario Pereyra e Pita que coordenam o Desportivo Brasil estava por ali.
O mais legal é que no meio dessa galera tinha mais um “maluco do mundo do futebol”. O Manoel, que também coleciona camisas de futebol nos reconheceu, e aí já viu… Muito papo sobre camisas, regado a consulta no Almanaque do Campeonato Paulista…
Outro detalhe é que se você reparar nas colunas atrás das cabines, verá que tem uns vergalhões saindo delas, dando a impressão que o estádio ainda pode crescer, ou quem sabe, ganhar uma cobertura…
E por falar nas cabines, haviam duas rádios de Capivari transmitindo o jogo!
Ah, pra quem gosta de participar do jogo, o campo fica bem próximo da torcida, ou seja dá pra brincar de ser técnico…
Durante o intervalo, fomos até as cabines conhecer os diretores do Capivariano, que são muito gente boa! Já fica nossa promessa de visitar o Capivariano no seu campo!
E tão gente boa quanto os diretores, foi o Bira, da rádio Cacique (1550Khz AM) , de Capivari!
E o pessoal do Capivariano que estava animado ao final do primeiro tempo, acabou se decepcionando no final do jogo. Motivo? O Desportivo Brasil mostrou porque é um dos favoritos ao acesso e conseguiu fazer 4×0.
Deu pra perceber que o time do Desportivo Brasil tem um preparo físico diferenciado!
Só fico chateado com a questão do público, que não compareceu mesmo com os portões abertos (grátis mesmo…). Por outro lado, pensei no que a população de Votorantim passou recentemente… Foram se apegando a um time “cigano” e quando estavam apaixonados, o Votoraty simplesmente deixou a cidade e foi para Ribeirão Preto, deixando órfãos milhares de torcedores.
Mas… Esse é o modelo adotado pelo Desportivo Brasil, e que deve se tornar comum aqui no Brasil, ou seja, pode se preparar para jogos com mais gente dentro do campo do que fora.
Até breve “Alfredo Chiavegato“…
APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!
Mas… O que fazer quando um time invade sua cidade??
A 58ª Camisa de Futebol pertence ao Radium Futebol Clube.
A camisa acima eu comprei por R$ 50 dentro do próprio estádio, no intervalo da partida em que o time venceu por 3×0 o Sumaré, no dia 14 de junho (naquela mesma viagem eu ainda consegui a camisa da Guaxupé). Já a camisa abaixo veio de presente do Léo Vieira, responsável pelo documentário que saiu lá em 2026 sobre o Radium.
Assiste aí o documentário:
https://www.youtube.com/watch?v=vUgT8rS4owM
Mococa é uma cidade bem próxima do sul de Minas, e ainda consegue manter uma cara de cidade de interior, bem mais tranquila que a correria que estou acostumado aqui no ABC ou em São Paulo.
O Radium FC é bem conhecido, mas confesso que briga de igual para igual com os deliciosos doces de leite para saber qual o “bem” mais importante da cidade.
Mas falando do time, por que um time com esse nome tão diferente? A resposta é simples, esse foi o jeito que os fundadores arrumaram para homenagear o elemento químico descoberto pela cientista francesa Marie Curie, que pressupunha força, potência e energia.
O Radium foi fundado em 1º de maio de 1919, e times fundados nessa data (dia do trabalhador), sempre possuem forte ligação operária, e provavelmente anarquista. Manda seus jogos no Estádio Olímpico São Sebastião, com capacidade para aproximadamente 7 mil torcedores.
Curta o clima do estádio em dia de jogo:
Destaque para a lojinha do time, dentro do estádio:
Em 2009 o clube comemora 90 anos de existência, por isso existe uma série de produtos comemorando o feito, de camisas à cervejas e tiveram direito até à cobertura da mídia:
O time é bem acompanhado pelos moradores da cidade, tem até uma organizada, a Fúria Verde, nascida em 2008, em uma roda de bar em Mococa.
Disputa torneios profissionais desde 1949, o time daquele ano:
Teve seu auge no início dos anos 50, quando conquistou o Campeonato Paulista do Interior e a Série A2 em 1950 e disputando em 1951 e 1952 a primeira divisão. Olha aí o time de 1952:
Após ficar o ano de 1953 sem competir profissionalmente, voltou em 1954 no então Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente a atual Série A2), competição que disputou até 1957. Aqui, matéria de uma goleada de 1955:
Veja o time de 1957:
Olha essas matérias da Gazeta de 1957:
No ano seguinte, mais um período longe dos torneios profissionais, com o retorno em 1961 na Terceira Divisão Estadual. De 1962 até 1976 o clube esteve mais uma vez longe dos campeonatos profissionais, voltando na “Terceirona” de 1977, divisão que permaneceu até 1979, quando ao lado do Amparo e do Lemense conseguiu o acesso à Segunda Divisão de 1980. Ainda neste ano, realizou o primeiro amistoso internacional da história contra a Seleção da Arábia Saudita. Venceram por 4 a 1 . Essa imagem é de 78:
Time de 1979:
Em 1988 o clube de Mococa foi rebaixado e disputou por dois anos o Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente a atual Série A3). Em 1990 novamente obteve o direito de subir uma divisão e chegar à Série Intermediária, competição que disputou por quatro temporadas. Em 1994 disputou o Campeonato Paulista B1A, equivalente à quarta divisão do futebol estadual, e continuou nesta competição até 1996. Nas temporadas de 1997 e 1998 esteve ausente do profissionalismo e no ano seguinte, em 1999, disputou a Série B1B. Do ano 2000 até 2003 participou do Campeonato Paulista da Série B2 e neste meio tempo, entre 2001 e 2003, esteve presente em três edições da Copa São Paulo de Juniores, sendo eliminado na primeira fase de todas. Em 2005 passou a competir na Segunda Divisão Estadual. Seu mascote é o Periquito e é também chamado de “Verdão da Mogiana”.
Estivemos no Estádio São Sebastião acompanhando Radium FC x Sumaré, e o Radium venceu por 2×0.
Um momento histórico, vista que atualmente (2023), o Radium está licenciado e seu estádio completamente abandonado. O placar não conseguiu acompanhar os gols…
Também, menos de um minuto e o Radium saiu na frente…
Para quem acha que rock e futebol não combinam, ainda mais no interior, se liga nas chamadas que os caras fizeram pros jogos desse ano, beeeeem roqueira!:
E a galera tem comparecido!
A vista das arquibancadas revela um horizonte ainda típico do interior, com muito verde, árvores e montanhas… Vendo isso eu me pergunto até quando eu aguento viver no meio de tanto prédio e poluição…
Logo, o Radium ampliou para 2×0 para a alegria da sua torcida!
Mas teve ataque do Sumaré também…
Curta mais um alguns lances de jogo, que recuperei somente em 2023 e que, sabendo da atual situação do estádio São Sebastião, vale a pena ser relembrado:
Estou tentando conseguir o livro “Radium, o verdão da Mogiana“, para conseguir mais informações, mas por hora, quem quiser saber mais, acesse o site oficial do time é www.radiumfc.com.br