O Estádio Municipal Sernamby, em São Mateus-ES

No início de 2026, colocamos o pé na estrada para mais uma tour pelo Espírito Santo com direito a muita estrada, histórias, encontros e rolês por várias cidades carregadas de memória, cultura e futebol.
Assim, chegamos em São Mateus onde o tempo pareceu andar mais devagar.

Foi emocionante estar a beira do rio São Mateus, conhecido como Rio Cricaré que passa pela cidade e deságua no Oceano Atlântico em Conceição da Barra (ES).
O rio teve papel crucial desde os primeiros habitantes, principalmente os Guarani e os Aratu sendo uma via natural de locomoção, fonte de água, pesca e subsistência para essas comunidades.

Fundada em 1544, São Mateus é a segunda cidade mais antiga do Espírito Santo e durante os séculos XVIII e XIX, seu Porto foi um dos maiores pontos de desembarque de navios negreiros do Brasil, direcionando os escravizados para o interior de Minas Gerais e para as lavouras da região.

Outro ícone desta época foi a Igreja Velha, que teve sua construção iniciada em meados do século XIX.

Falando sobre o futebol local, escondido entre lembranças, concreto envelhecido e saudade, existe um lugar que ainda pulsa no coração da cidade: o Estádio Manoel Moreira Sobrinho, o eterno Estádio do Sernamby.

O Estádio, embora seja municipal, ficou marcado como a casa da AA São Mateus.

Fundada em 1963, a Associação Atlética São Mateus nasceu no bairro Sernamby a partir de um projeto comunitário liderado por moradores, religiosos e voluntários, simbolizando a ideia de união popular.
O time é um dos maiores representantes do futebol do norte capixaba, conquistando os Campeonatos Capixabas de 2009

E de 2011

Além destes títulos, a AA São Mateus se tornou o maior campeão da Série B do Espírito Santo, tornando o time conhecido como “O Gigante do Norte” e também “Pit Bull do Norte” e fazendo do Sernamby, a extensão da identidade da cidade e da paixão de sua torcida.

O estádio foi inaugurado em 5 de março de 1965, e atualmente já não recebe multidões como antes.
Mas o local ainda carrega as marcas do tempo.

E o silêncio que hoje mora ali, onde antes estava a arquibancada lateral, parece impossível de combinar com a história gigantesca daquele lugar.

Ao pisar no Sernamby dá pra sentir que aquilo nunca foi apenas um estádio de futebol. Foi mesmo um sonho da comunidade.
Enquanto caminhávamos pelos arredores do estádio, tentando imaginar o barulho que um dia tomou conta daquele lugar, dava para sentir que cada pedaço de concreto guardava uma memória diferente.

Mas o Estádio Sernamby não era só a casa da Associação Atlética São Mateus.
Era (e é) parte da alma de São Mateus.

E a esperança ainda segue viva, assim como a outra arquibancada lá atrás do gol.
Segundo matéria de maio (veja aqui), finalmente houve a assinatura da escritura definitiva do Estádio Municipal Sernamby.

Pouca gente de fora entende esse tipo de sentimento, né?
Incrível como supermercados e farmácias são sempre mais valorizados do que escolas, estádios e espaços públicos…
O Sernamby nasceu muito antes das grandes partidas, dos refletores e das arquibancadas lotadas e também indo muito além do futebol: cursos gratuitos, encontros e um espaço onde nasciam ideias para transformar o bairro.

O estádio carregava até no nome uma história de generosidade.
Manoel Moreira Sobrinho foi delegado, líder religioso e professor voluntário de português para crianças pobres da região.
É como se o estádio tivesse herdado essa essência: servir às pessoas.
E serviu.

Serviu como palco de tardes inesquecíveis.
De títulos, de rivalidades históricas.
De domingos em família.
De crianças vendo o gramado pela primeira vez e acreditando que dali poderia nascer um futuro.

Ali teve suor de jogador, voz rouca de torcedor, vendedor atravessando arquibancada, rádio de pilha no ouvido e aquele nervosismo típico do futebol do interior, onde cada jogo parece assunto da cidade inteira durante a semana.
O Sernamby cresceu junto com o povo.

Vieram os muros, o alambrado, as arquibancadas.
Veio a famosa “Campanha do Cimento” em 1996, quando torcedores, empresários e lideranças locais se uniram para ampliar o estádio.

Vieram os refletores em 1998.
Vieram noites iluminadas que pareciam grandes demais para uma cidade do interior, mas que cabiam perfeitamente na paixão daquele povo.

E talvez seja exatamente por isso que dói tanto vê-lo fechado, ferido e parcialmente demolido pelo tempo.

Porque estádio de verdade não é feito só de estrutura.
É feito de pertencimento.

Enquanto observávamos aquelas arquibancadas vazias, dava para imaginar os fantasmas bonitos do passado ainda vivendo ali: o eco de um gol, o grito vindo da geral, o apito do juiz, a explosão da torcida do São Mateus.

Parecia que o estádio ainda estava esperando alguma coisa.
Talvez mais uma partida.
Talvez mais uma multidão.
Talvez a chance de respirar novamente.

E no fundo, é isso que emociona.
Mesmo abandonado durante anos, o Sernamby nunca saiu do coração da cidade. Porque lugares assim ultrapassam sua função original.
Eles viram memória coletiva.

Por isso tanta gente sonha com sua volta.
Não é apenas sobre reformar um estádio.
É sobre recuperar histórias.
É sobre devolver identidade.
É sobre impedir que uma parte da memória de São Mateus desapareça junto com o concreto envelhecido.

E saímos dali entendendo uma coisa: alguns estádios jamais morrem completamente.

O Estádio do Sernamby é um deles, e por isso tão importante.
Espero que dias melhores possam vir…

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De volta ao campo do União Lyra Serrano, em Paranapiacaba

Em 2023, a Prefeitura de Santo André efetuou o restauro do campo do União Lyra Serrano, mas somente agora em 2026 consegui voltar até lá para registrar o resultado deste investimento.

Já estivemos por lá várias vezes, veja aqui como foram as outras visitas, pra você comparar com o atual estado.
Confesso que, visualmente, não percebi mudanças tão significativas.

Estádio do Serrano Atlético Clube - Paranapiacaba

Acabei me esquecendo de visitar o Memorial Charles Miller, espaço com várias fotos e objetos que contam a importância da vila inglesa para o futebol. Na entrega do memorial, Giovana Miller, bisneta de Charles, esteve presente.

O restauro foi além do campo e chegou à arquibancada, que é feita de madeira, e vinha bem prejudicada pelas avarias do tempo.

Além da arquibancada, os trilhos de trem que servem como base para o alambrado também foram recuperados e construídos dois novos vestiários.
Os recursos vindos do PAC Cidades Históricas foram da ordem de R$ 3,9 milhões.

E por que é tão importante esse campo, justificando tamanho investimento?
É que embora oficialmente a primeira partida de futebol no Brasil teria ocorrido no Brás, em 14 de abril de 1895, entre as equipes da Companhia de Gás de São Paulo e a Companhia Ferroviária de São Paulo, a Vila Inglesa de Paranapiacaba já abrigava seu campo, sendo assim, o primeiro campo com medidas oficiais do Brasil.

O campo era usado pelo Serrano Atlhetic Club, time formado por ferroviários da São Paulo Railway e chegou a enfrentar grandes times do futebol paulista como Santos e Corinthians.
Em 1936, o Serrano A.C. se uniu à Sociedade Recreativa Lyra da Serra, formando o Clube União Lyra Serrano.
Se você ainda não conhece o campo ou a vila, é hora de mudar isso, venha para Paranapiacaba!

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Final da série A4 2026: CA Penapolense é campeão ao empatar com a Internacional em Bebedouro

9 de maio de 2026. Sábado.
Faz uma tarde agradável de outono em Bebedouro.
Depois de duas visitas para registrar seus estádios (veja aqui como foi em 2010 e aqui como foi em 2022) estamos de volta para finalmente acompanhar uma partida.
E não é um jogo qualquer, estamos na finalíssima da série A4

A cidade de Bebedouro estaca em festa e colorida de vermelho!

A partida será disputada no Estádio Municipal Sócrates Stamato e pra quem nunca esteve lá eu recomendo o rolê…

É sem dúvida um dos estádios mais legais pra se acompanhar um jogo nos dias de hoje.
Olha que bacana a lojinha que tem dentro do estádio:

O que mais nos motivou a viajar mais de 5 horas até Bebedouro, aquela que, no passado, foi a maior produtora de laranjas do estado, foi termos entrevistado o presidente da Inter e perceber o quanto ele, a diretoria e a cidade tem batalhado para o crescimento do time e do sentimento de pertencimento.
Não acredita?
Ouça aí o presidente Thiaguinho:

Coincidentemente, logo na semana seguinte à partida, tivemos a oportunidade de entrevistar o presidente do CA Penapolense, que também é uma pessoa super engajada em torno do futebol local e da relação com a cidade de Penápolis, confira:

Mas, deixemos o papo de lado e vamos ao campo!

A Inter teve uma excelente média de público em 2026, mas a finalíssima superou todas as expectativas e teve capacidade total esgotada: 6237 torcedores!

A torcida presente gerou imagens lindas no “Stematão“:

Os poucos espaços vazios, láááá no fundo do estádio só existiram porque os bombeiros não liberaram a venda de ingressos para lotação de toda sua capacidade…

E também porque mesmo em grande número (quase 300 torcedores) a torcida visitante do CA Penapolense acabou não ocupando todo o seu espaço.

Mas aquele clima de jogo, de final, estava no ar!

E com a ótima campanha da Inter, não era difícil sonhar com a primeira estrela em seu distintivo!

E isso que deixa a partida e o rolê como um todo muito mais legal!

Aí o responsável pelo som no estádio, que animou a galera a partida toda!

Feliz por mais uma vez encontrar o amigo Brasileiro, lá de Serrana!

E aí, o Lobo Vermelho, mascote do time da casa!

E ele não ficou só lá no campo animando o pessoal não, veio pra arquibancada pra sair nas fotos do que poderia ser o momento mais importante da história da Internacional!

Mas ele não era a única fera presente no Estádio não, olha aí que figura:

Um destaque especial para a organização do estádio e para a gastronomia local.
Tinha sorvete, esfiha, pipoca, refrigerante…

Mas, sem dúvidas o mais legal era mesmo a presença da população na bancada…

Cada um abraçou o time da cidade como pode, e foi muito bonito registrar quantas diferentes gerações das mesmas famílias se fizeram presente nessa verdadeira mobilização!

A partida começou e era difícil se concentrar no jogo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo…

As duas torcidas faziam uma linda festa e o estádio realmente pulsava futebol como antigamente!

A Inter dependia da vitória para o título, então o time foi pra cima desde o começo do jogo e cada chance desperdiçada ou cada paralisação do juiz levava a torcida à loucura!

O Estádio Sócrates Stamato tem um detalhe que chama a atenção: em todo seu entorno, existem diversas bandeiras em branco e vermelho com o distintivo do clube.

Além de um lindo bandeirão que coloria o céu azul de vermelho…

A faixa indica que o pessoal da base também estava presente. Bacana ver esse envolvimento dos atletas e também de ver quantas categorias estão ativas hoje em dia.

E se o clima já era de aos 29 minutos, Loram fez o estádio explodir… Inter 1×0!

E foi muito bonito ver o sentimento que brotou na arquibancada local…

Assim, o primeiro tempo chegou ao fim trazendo um sentimento de alívio à torcida local, afinal… Ninguém ali estava preparado pra sair do estádio sem o título, mas… como vc bem sabe, o futebol não perdoa…

Assim, enquanto o sol foi se pondo, o segundo tempo reiniciou…

Teve até festa do celular…

E aos 19 do segundo tempo, Cadu fez 1×1 para o espanto e a tristeza da torcida da Inter…

A luz do sol vai embora e aos poucos parece que a torcida de Bebedouro realmente terá que se contentar com o acesso, aliás, fato a ser muito comemorado por si só!

O pessoal da Sangue do Lobo manteve o apoio o tempo todo!

É fim de jogo…
O empate leva a festa para o outro lado da arquibancada e as centenas de pessoas que viajaram de Penápolis até Bebedouro é que fazem a festa, sendo aplaudidos inclusive pelo público local em uma demonstração linda de respeito.

Parabéns aos atletas da Internacional pela incrível campanha e pelo acesso…

E parabéns aos campeões do CA Penapolense!!

Abraços aos amigos que reencontrei, Brasileiro, Mariano e o próprio Thiaguinho!

E que a Inter siga transformando os sonhos em conquistas… Espero poder voltar ao Estádio para uma partida na A3 2027!

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