O Ramalhão e sua emocionante despedida de 2021…

18 de setembro de 2021. Aniversário do EC Santo André e por coincidência, dia da partida decisiva na série D, o “16 avos” de final, contra o Esportivo do Rio Grande do Sul.

A vitória fora de casa já havia sido conquistada, e como a esperança pelo acesso à série C era grande, a torcida decidiu dar um apoio presencial no momento em que o time estivesse saindo para o jogo (disputado em Diadema, já que a Prefeitura de Santo André não consegue terminar a obra há meses…).

Assim, a torcida se reencontrou depois de tanto tempo com o Brunão, com os atletas e com os demais torcedores… É muito bom poder reencontrar as pessoas ali naquele espaço que para nós é tão importante!

O ônibus do Santo André é lindo demais! E esse aí embaixo falando com o motorista é o Marques. Uma grande figura das nossas arquibancadas que acompanha de perto a base do nosso Ramalhão!

Assim como também são lindas as bandeiras com mastro há tanto tempo banidas do futebol paulista como se fossem o principal causador da violência nos estádios…

Claro que não consegui uma foto decente dessa bandeira que tem um significado especial, já que carrega a imagem da Dona Lourdes, que faleceu mês passado…

E eis que surge o time. O som, a fumaça, as bandeiras, a presença dos amigos de arquibancada há tanto distantes… A emoção foi grande. Não que isso sirva de desculpa para muitos terem comparecido sem usar as máscaras, essenciais em tempos de COVID-19…

Acho que aqueles poucos minutos conseguiram sintetizar um monte de sentimentos, bons e maus, angústias, felicidade… E fez tudo virar música de apoio ao Ramalhão… E enquanto aquela fumaça saia e nos intoxicava, nos deixava sem ver, também levantava nosso sonho de ver o time voltar à série C, e gradativamente recuperar o lugar que é merecido.

Muitos outros queriam estar ali, alguns ainda não tomaram a segunda dose da vacina, outros trabalhavam… Mas quem pode comparecer teve uma verdadeira carga de energia ao rever os amigos e cantar junto a eles o nosso amor ao Santo André.

Até o pessoal da Osasco Chopp apareceu por lá! Muito bacana ver o futebol se capaz de reunir pessoas de cidades diferentes em torno de um mesmo rolê. Até dá pra esquecer que tem também um monte de treta envolvida nessa paixão. Quem sabe um dia tudo fica nesse clima bacana como foi a manhã de hoje.

Os atletas puderam sentir um pouco dessa boa energia, mas… Agora, quando escrevo essas mal escritas linhas… Já horas mais tarde, a emoção foi oposta…

O time infelizmente saiu derrotado no tempo normal por 1×0, e acabou eliminado nos penaltys. Triste fim de dia para o time e para a torcida, principalmente para o pessoal da Fúria que está terminando as obras em sua sede.

Ao menos o Ramalhão permanece com calendário cheio em 2022, com Copa SP de futebol Júniores, Campeonato Paulista da Série A1 e novamente a Série D do Campeonato Brasileiro. Mas pra quem começou o dia tão confiante e tão feliz com o reencontro, esse início de noite não poderia ser mais amargo… Torcer para um time de futebol é uma coisa que não dá pra exlicar… A eliminação deixou tudo cinza, estragou o fim de semana, a semana, o role… Mesmo assim, temos de ter serenidade para equilibrar bem as coisas, agradecer à diretoria que montou um time competitivo, aos moleques que vieram da base e honraram a camisa, aos que chegaram pra completar o time…. E saber que não se ganha sempre… Ainda não nos despedimos de 2021, porque temos os meninos do sub 20 para acompanhar.

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O futebol profissional em Severínia-SP

Dando sequência ao rolê de 2021, após passarmos por Monte Alto, Guariba, Bebedouro e Monte Azul Paulista, é hora de conhecer um pouco da cidade de Severínia!

Severínia surgiu em 1914 com terras doadas por um criador de porcos chamado José Severíno de Almeida (daí o nome da cidade). Sua ideia era apostar no café, e para isso criou a fazenda “Bagagem”. Aos poucos a cidade foi crescendo até que a estrada de ferro chegou na cidade, porém, no dia da inauguração, para surpresa de todos, mudaram a placa indicativa da localidade e o nome passou a ser Luís Barreto.

A própria cidade passou a se chamar Luis Barreto por quase oito anos quando voltou a se denominar Severínia.

Atualmente a população de Severínia é de pouco mais de 17 mil pessoas, que vivem basicamente da agricultura e dos empregos gerados pela Usina Guarani, pelo comércio e pela Prefeitura Municipal.

E Severína tem também seu destaque no esporte, mais particularmente no futebol graças à Associação Atlética Severínia, time que conseguiu chegar a disputar o Campeonato Paulista de Futebol (distintivo do site História do Futebol).

A Associação Atlética Severínia foi fundado no dia 2 de janeiro de 1987 e 3 anos depois estreiou na Quarta Divisão do Campeonato Paulista de 1990, com o time abaixo:

O campeonato contou com poderosas equipes do interior paulista:

Naquele no mágico até a categoria de base se movimentou!

Achei curioso o fato do distintivo da camisa ser diferente daquele tradicional… Ainda estou pesquisando pra saber o motivo, mas por hora, vamos dar um pulo no Estádio Municipal de Severínia!

E mais uma vez vamos registrar um estádio que foi palco das divisões de acesso do futebol paulista!

Aqui uma foto da entrada no dia da inauguração em 17 de outubro de 1976 (foto do site Onda do Esporte):

E nessa época, quem mandava aí seus jogos nos campeonatos amadores era o EC Severínia, que inclusive perdeu o jogo de inauguração do estádio por 5×1 para o Rio Preto (distintivo do site História do Futebol).

Vale lembrar que antes do Esporte Clube, houve ainda um outro time, o Severínia FC.

Segundo a placa na entrada, o nome oficial é “Estádio Municipal Jovelino José Lopes“.

Mais uma bilheteria para nossa coleção!

Um breve olhar em vídeo, por favor, desconsidere pois não sei porque eu disse que o Severínia foi campeão quando quis dizer que disputou as competições de acesso hehehehe. É a emoção do momento, faz parte!

O forte calor da região somado ao tempo seco deixou o gramado em condições prejudicadas, mas mesmo assim, nota-se que a prefeitura tem cuidado do estádio e do campo.

Aparentemente haviam feito a poda da grama naqueles dias.

O campo ainda possui alambrado e sistema de iluminação.

E uma mini estrutura na lateral para banco de reservas e de arbitragem,

A impressão é que essa área na lateral onde existe a maior parte da arquibancada foi coberta no passado. Provavelmente se deteriorou e acabaram a retirando

O que provavelmente deverá acontecer em breve com os alambrados de traz do gol.

Para quem gosta de ter uma ideia geral do campo, seguem as 3 tradicionais imagens, começando pelo meio campo:

O gol da esquerda:

E o gol da direita:

Sem dúvidas um estádio que está registrado eternamente na história do futebol paulista e que merece ser preservado até para que possibilite num futuro, o retorno do time ao profissionalismo.

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As Mil Camisas de volta a Monte Azul Paulista

Depois de registrar os estádios e um pouco da história de Monte Alto, Guariba e Bebedouro, a estrada nos levou de volta à Monte Azul Paulista (11 anos atrás estivemos por lá, veja aqui como foi aquela visita. ).

No caminho, lindos ipês brancos…

A história da cidade de Monte Azul Paulista está ligada à imigração italiana que chegou ao Brasil para trabalhar nas lavouras de café do fim do século XIX.

Embora mantenha seu ar de cidade do interior, Monte Azul Paulista tem crescido bastante, pelo menos nós que ficamos 11 anos sem andar por ali percebemos a diferença.

O calor é grande por aqui… Dá até vontade de por os pés na fonte da praça…

A Mari curtiu esse espaço dedicado às crianças!

A Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus fica no lugar onde a cidade nasceu. Foi ali que colocaram uma cruz em uma imensa árvore e em seu entorno foi surgindo a povoação.

Mas Monte Azul Paulista, mesmo tendo pouco mais de 18 mil habitantes, tem um grande tesouro…um time que não só disputou o profissionalismo como chegou à série A1: o Atlético Monte Azul!

O Atlético Monte Azul foi fundado em 28 de abril de 1920 com a união dos times que já existiam na cidade. Esse é o time de 1922 (fonte: site do Atlético Monte Azul).

E esse o distintivo do período inicial do time:

O Monte Azul teve uma primeira etapa focada em competições locais, mandando seus jogos no “Campo velho” (onde hoje está o Fórum),​ mas a partir de 1940, com a filiação na Federação Paulista e a disputa do Campeonato do Interior a partir de 1944, o time passa a mandar seus jogos no “campo novo”.

Esse foi o grupo do Campeonato do Interior de 45:

E esse o de 1946:

E esse o grupo de 1947 (todos retirados do livro “Os esquecidos“):

Vale lembrar que nesse ano, ainda aconteceu um amistoso contra o Corinthians (os paulistanos ganharam de 2×1) perante mais de 3 mil torcedores.:

A partir de 1950, o Atlético Monte Azul passa a disputar a segunda divisão do Campeonato Paulista.

O Atlético Monte Azul disputa a segunda divisão por 3 anos com campanhas medianas e se licencia. Essa foi a campanha de estreia no segundo nível do futebol paulista:

O Atlético Monte Azul volta ao futebol profissional apenas em 1961, na terceira divisão, onde fica até 1966, quando ocorre outra parada. Esse, o time de 1964:

O time só voltou ao profissionalismo em 1975 numa aparição relâmpago disputando a terceira divisão daquele ano e de 76, com o time abaixo:

O “AMA” fica longe do profissionalismo durante toda a década de 80 e em 1990 a volta se dá na quarta divisão que teve naquele ano uma final curiosa: Cortinhians de Presidente Venceslau (o campeão) x Palmeiras de Franca. A partir de 91, o Atlético Monte Azul volta à terceira divisão, esse é o time de 1992:

Em 1993, acabou rebaixado para a quarta divisão, retornando em 1995 para a terceira, graças ao título de 1994:

Entre altos e baixas, o time voltaria a ser campeão da quarta divisão 10 anos depois, em 2004.

Em 2007, sagra-se vice campeão da A3, voltando à série A2 depois de mais de 50 anos.

Os dois anos seguintes foram mágicos. O retorno à série A2 e logo a despedida… Mas dessa vez, a despedida foi positiva, o título inédito da A2 levou o Atlético Monte Azul à série A1!

Tudo bem que foi apenas um ano na série A1, mas foi incrível… E a campanha nem foi tão ruim… Foram poucas derrotas e partidas inesquecíveis…

De volta à série A2, o Monte Azul acabou rebaixado em 2016 para a série A3, de onde retornou com o vice campeonat ode 2019.

Assim, nossa missão na cidade de Monte Azul Paulista era registrar o Estádio que foi palco de tantas histórias!

Trata-se do Estádio Otacília Patrício Arroyo que até 2009 era chamado de Estádio Ninho do Azulão, ou Estádio do Atlético Monte Azul.

O Estádio foi inaugurado em 6 de agosto de 1944, numa derrota de 1×0 para o Barretos.

Em 2010, o estádio passou por uma ampliação, para atender a capacidade exigida pela Federação (15 mil lugares).

Nosso tradicional registro do campo (onde aqueciam as equipes sub 17 do Atlético Monte Azul e do Batatais, que se enfrentariam na sequência.

A torcida do Monte Azul já havia deixado suas faixas em campo!

O Estádio possui uma pequena parte de sua linda arquibancada coberta, onde ficam as cabines de imprensa.

É sempre uma grande honra poder registrar nossa presença em estádios com tamanha história e tradição! Agradeço ao Galo, da diretoria do Monte Azul pela liberação da nossa entrada para o registro!

O estádio lembra um pouco os do futebol argentino, com arquibancadas em ambas as laterais e atrás dos gols.

Placar tradicional, presente!

Abaixo das arquibancadas ficam os vestiários e estrutura do time.

Abraço a equipe técnica da base do Atlético Monte Azul!

E também ao pessoal do Batatais!

Na hora de ir embora, é impossível não ler a inscrição que lembra o título da A2 de 2009 e tudo pelo qual aquele estádio passou na série A1 de 2010…

Um último olhar para as arquibancadas singelas, mas cheias de atitude, de um time que ousou desafiar a lógica e trouxe praticamente todos os times do estado de São Paulo a sua casa.

E nós… Voltamos à estrada!

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As Mil Camisas de volta a Bebedouro

Olha a gente aí de novo! 11 anos depois de nossa primeira visita à cidade (veja aqui e confira como foi o rolê) estamos de volta a Bebedouro, após passar por Guariba e Monte Alto em um rolê que cortou o noroeste paulista em busca de estádios!

Já conhecíamos a cidade, mas dessa vez pudemos aproveitar um pouco mais os detalhes, visitar o Sebo da Cultura e simplesmente relaxar passeando pelo centro…

Dei uma passada na praça onde está o Monumento aos construtores de Bebedouro, onde pude conversar um pouco sobre a Inter com o pessoal da velha guarda que se reúne ali.

A estação ferroviária já se encontra desativada há um bom tempo, mas pelo menos transformou-se em uma área de cultura.

Assim como as demais cidades do Noroeste paulista, Bebedouro tem sua história ligada à expansão da Cultura do café e à chegada da Ferrovia.

Como nossa última visita a Bebedouro foi quase que exclusivamente dedicada ao Estádio Sócrates Stamato, dessa vez arrumei um jeito de ir até o antigo “Estádio da Rua Valim“, depois chamado de Estádio Arnoldo Bulle, que em 2021 completa seu centenário!

O Estádio Arnoldo Bulle foi a primeira casa da Associação Atlética Internacional. (Distintivos do site escudos Gino):

A AA Internacional foi fundada em 11 de junho de 1906 (o que faz com que muitos a considerem o time mais antigo do interior de São Paulo) e se filiou à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) em 1909.

O Estádio Arnoldo Bulle foi criado em 1921, na época como o “Estádio da Rua Valim” ou ainda como “O Estádio da Internacional“. Aqui, uma foto rara (do site Campeões do futebol) do estádio nos seus tempos de “século XX”:

A página Bebedouro Arts comparou a imagem do antigo estádio com a atual área que faz parte do centro esportivo da UNIFAFIBE, faculdade referência na região:

Com a construção do estádio, logo a Inter deixou de se dedicar apenas a amistosos e a partir de 1924 começou a disputar as competições amadoras até 1947, quando adentrou ao profissionalismo. Aqui, o grupo da 1a região do Campeonato do Interior de 1930 (foto do livro “Os esquecidos”):

A Inter jogaria ainda o Campeonato do Interior de 1942 , 43, 44, 45, 46 quando chegou à fase Inter-regional e em 47 quando foi campeão do seu setor.

Nesse período enfrentou outros times de Bebedouro: o Botafogo FC, o EC Paulista, o EC São Paulo – Goiás, o Santa Cruz FC, o Vasco da Gama entre outros. O distintivo abaixo é do Escudos Gino:

Em 1948, passou a disputar o Campeonato Paulista profissional na segunda divisão, relembre (graças ao livro História da 2a Divisão no Futebol Paulista, de Júlio Bovi Diogo e Rodolfo Pedro Stella Jr) a campanha da Inter no primeiro campeonato:

Foram 36 temporadas disputadas aí, com destaque para a campanha de 1956, quando a AA Internacional sagrou-se campeã da Série Pecuária, sendo eliminada apenas na segunda fase. O presidente deste ano era o senhor Arnoldo Bulle, que daria nome ao estádio.

Em 1960, acabou disputando a 3a divisão, onde sagrou-se campeão da Série Paulo Machado de Carvalho e retornou à segunda divisão em 1961.

O site do Milton Neves “Que fim levou?” apresenta uma foto do atleta Willian Gamboni em 1973:

Em 1982, a AA Internacional esteve perto de chegar à elite mas perdeu a decisão do grupo vermelho para o CA Taquaritinga, na melhor de 3 jogos: 1×1 em casa, 2×2 em Taquaritinga e derrota de 4×2, em campo neutro (Ribeirão Preto, no Estádio Santa Cruz). Foto do facebook da Inter:

A Inter mandaria seus jogos no Arnoldo Bulle até 1990, mas mesmo 31 anos depois, passeando pelo entorno, ainda é possível encontrar vestígios dos seus tempos de glória.

O pessoal da UNIFAFIBE foi muito gente boa ao nos receberem e mostrarem o quanto conheciam da história do lugar!

Essa é a imagem do meio campo, em 2021:

O gol do lado direito:

E o do lado esquerdo (ali ao fundo um incrível ginásio esportivo da faculdade):

E existe um detalhe importantíssimo nesse estádio: foi o primeiro estádio do interior a receber sistema de iluminação (permanece lá até hoje):

Ali na lateral, a arquibancada que ainda resiste ao tempo e que tantas glórias acompahou, entre elas o amistoso contra o Penarol, do Uruguai.

Do outro lado pode se ver parte importante da estrutura da UNIFAFIPE.

Se for pro gol, me chama que eu vou! Fiquei muito feliz de poder registrar

Claro que não resistimos e demos um pulinho no Estádio Sócrates Stamato…

Como gostaríamos de comprar um ingresso e assistir um jogo da Inter….

Que baita estádio… Capacidade para mais de 15 mil torcedores.

O estádio foi inaugurado em 9 de fevereiro de 1956 no jogo Internacional 2×1 XV de Jaú.

O Estádio conta com uma pequena área das arquibancadas cobertas bastante charmosa.

E olha aí o novo reforço da Inter!!!

Atualmente a Inter está disputando a Segunda Divisão do Campeonato Paulista que equivale à quarta divisão estadual (no momento em que escrevo esse post a Inter vence o América de Rio Preto por 4×0!!!).

A torcida local apoia bastante o time, dentro e fora de casa (já assistimos a Inter como visitantes contra o São Carlos e contra o São Vicente).

Antes de ir embora, vale citar um rolê que fizemos lá, no “Guerreiro offline” uma lanchonete que mistura lanches e petiscos deliciosos com a cultura de jogos de tabuleiro!

E se até o sol termina seu ciclo, nos despedimos de Bebedouro para quem sabe um dia retornar para assistir uma partida da Inter…

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As Mil Camisas em Monte Alto

Dando sequência no rolê de setembro de 2021, a segunda cidade visitada depois de passarmos por Guariba (veja aqui que role legal!) foi Monte Alto!

Monte Alto nasceu de um sonho de um cara chamado Pórfiro Luiz de Alcântara Pimentel que viria a criar também a cidade de Monte Aprazível, aliás, veja aqui como é a história do futebol por lá!).

No sonho, depois de muito sofrimento ele chegaria a uma terra especial (daí o apelido de “cidade do sonho”) e ao conhecer a região, não teve dúvidas: comprou algumas terrras e em 15 de maio de 1881, fundou “Bom Jesus de Pirapora de Monte Alto das Três Divisas”. Logo, a ocupação foi crescendo, graças à cultura do café e o distrito acabou se tornando o Município de Monte Alto.

Mas o que o sonho não mostrou é que a região guardava outro tesouro: um incrível sítio paleontológico e arqueológico, descobertos nos anos 20, durante a construção da estrada de ferro! Monte Alto está literalmente “recheada” de fósseis e resquícios de uma aldeia indígena (Kaingang) que habitou a região por volta do século XV. Tamanha riqueza deu origem a um centro cultural formado por três museus (Histórico, Arqueológico e o Paleontológico), que você precisa visitar! Se não puder ir até lá, vale a pena fazer a visita virtual (é só clicar aqui!).

Uma coisa que deve agitar crianças e demais entusiastas pelo tema foi o cenário que eles recriaram na parte externa do Museu com a fauna local, do período Cretáceo.

Os dinossauros e a aldeia dos Kaingang infelizmente não existem mais, porém seguem sendo parte do dna da cultura local que precisa ser valorizada e resgatada a cada dia, assim como outro aspecto cultural importante da história de Monte Alto: o futebol! E é por isso que vamos recordar sua história, começando pelo time mais antigo que conseguiu disputar o Campeonato Paulista: a Sociedade Esportiva Montealtense (o distintivo está lá no excelente Escudos do Gino!

O alviverde de Monte Alto foi fundado em 1962 e teve uma única participação no Campeonato Paulista de 1963, disputando a 3ª série da Terceira Divisão daquele ano. Alguns jogos daquele campeonato histórico:

Há muito pouco material sobre a SE Montealtense, mas encontrei alguns amistosos que foram disputados em 1964, quando provavelmente o time se licenciou, encontrando se extinto atualmente.

Mas Monte Alto não podia ficar sem um time de futebol nas competições e ainda em 1963 (em 20 de novembro), surgiu o Monte Alto Atlético Clube (o distintivo abaixo veio do site História do futebol).

Em seu ano de estreia (1964), segundo o jornal Correio da Manhã, o Monte Alto AC disputou alguns amistosos: em 5 de abril contra o Volkswagen Clube, de São Bernardo, 12 de abril contra o XV de Jaú, além de um 2×2 contra o Jaboticabal, em 17 de maio e uma derrota de 1×0 para o Orlândia em 31 de maio.

Mas a grande alegria é que com o Monte Alto AC, a cidade volta a ter um time no futebol profissional e em seu ano de estreia disputou a 4a série da Terceira Divisão, com outras 10 equipes como mostra a tabela da RSSSF Brasil:

Aqui, a foto do time de 1965:

O time era conhecido como “Galo do Triângulo” por ser o rei das disputas com os vizinhos Jaboticabal e Taquaritinga.

O Monte Alto AC disputou a terceira divisão até 1967, quando se licenciou pela primeira vez.

Mas em 1974, o Monte Alto AC volta a disputar a Terceira divisão até 1976. Em 1977, joga o quarto nível do Campeonato Paulista e ao fim do ano, se licencia mais uma vez.

O Monte Alto AC retornaria por duas vezes para disputar a terceira divisão em 1983 e 1985, quando infelizmente fecha suas portas.

No momento da primeira paralização do Monte Alto AC, surgiu o terceiro time da cidade: o Botafogo Futebol Clube, em 1º de janeiro de 1973.

Aqui, o time de 1976 que foi campeão da Copa Arizona de Futebol Amador:

O Botafogo FC fez história no futebol amador da região e acabou conhecido como o “Tigre da Araraquarense”. Logo tamanha força ficou grande demais para limitar-se ao amadorismo e passou a disputar o futebol profissional começando pela Quinta divisão em 1978 e 79

Nos anos 80, passou a disputar a Terceira divisão do Campeonato Paulista de 1980 a 82. Infelizmente, o Botafogo FC também acabou afastando-se do futebol profissional, passando sua inscrição na Federação Paulista para o Monte Alto AC e hoje segue como time amador. (foto do time de 82 do amigo Manolinho)

Assim, a cidade que respirou o futebol com tamanha intensidade se via sem um time para as disputas oficiais. E é aí, que em 28 de julho de 2016, um grupo de empresários se uniu para encaminhar o retorno do futebol profissional à cidade. Nascia o Montealtense Atlético Clube (distintivo está lá no Escudos do Mundo Inteiro).

O primeiro desafio veio em 2017 na disputa da Taça Paulista, terminando em 3º lugar na categoria sub-19 e também na categoria profissional (onde contou ainda com o artilheiro da Taça: Léo, com 7 gols).

Em 2018, chegou a final, mas acabou perdendo o título para o Corinthians de Presidente Prudente mas chegando invicto até a final. Foto do time no site do Jornal O Imparcial:

E o local sagrado para as partidas de todos os times de Monte Alto em quaisquer que sejam suas competições é o Estádio Municipal Edmar Morgado, o “Morgadão”.

O Estádio nasceu com o nome de Estádio Municipal José Pizarro.

Mas em 1995, um dos presidentes do Monte Alto Atlético Clube, o advogado de grande importância para o esporte local “Dr. Edmar Morgado“acabou dando seu nome ao Estádio.

Esse é o gol da direita para quem olha da entrada do estádio:

O meio campo:

E o gol da esquerda:

A arquibancada possui uma linda estrutura em madeira como já não se faz mais nesse mundo moderno e besta, que nem sabe tampouco o quanto era legal jogar fliperama.

Em suas paredes ainda se encontra o distintivo do último representante do futebol montealtense: o Montealtense Atlético Clube.

As arquibancadas seguem na solidão do isolamento causado pela pandemia de Covid-19, sedentas pelo retorno do público.

Público que vinha comparecendo pra apoiar o MAC em suas disputas da Taça Paulista.

E que tal comparar o estádio dos dias atuais com sua estrutura de 50 anos atrás:

O banco de reservas segue bem cuidado!

O gol com o apoio do supermercado Savegnago:

E as charmosíssimas arquibancadas laterais que sobreviveram ao tempo e ao Covid…

Um último olhar no campo, antes de nossa próxima parada em Bebedouro!

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As Mil Camisas em Guariba – SP

Aqui começa a descrição do rolê feito no feriado de 7 de setembro de 2021, que percorreu 24 cidades (veja aqui o post comentando todos os locais por onde passamos) tendo como primeira parada Guariba!

A história de Guariba está ligada a 2 fatores principais do fim do século XIX: a cultura do café e à estrada de ferro que colaboram para a expulsão definitiva dos indígenas que por venutura ainda viviam nas cercanias da então “Sesmaria da Cachoeira“. A foto abaixo (do incrível site Estações Ferroviárias) é da estação que durante décadas serviu a cidade:

Mas somente em 1918, Guariba tornou-se município (antes foi distrito de Jaboticabal). O nome da cidade vem de uma espécie de macaco (o “Bugio Alouatta Guariba”) que vivia pela região e que hoje é uma espécie em extinção… A foto abaixo é do Blog da UNICAMP:

Com a crise do café (reflexo da crise de 29 dos EUA), Guariba passou por dias difíceis e só conseguiu se recuperar com a chegada de outra monocultura: o açúcar. E foi nesse cenário do agronegócio, que em 1984, heróicos boias-frias tiveram coragem de cruzar os braços por melhores condições de emprego. Houve grande repercussão e também grande reação da polícia militar que pos fim ao movimento. Ao menos ficou como legado o chamado “Acordo de Guariba” responsável por mudanças da lei trabalhista rural. Vale assistir a uma matéria da época, resgatada pelo Museu do Trabalhador do Campo:

Em meio a toda essa agitação, o futebol profissional também se fez presente na história do município a partir dos anos 70, com o Juventus Esporte Clube (o distintivo abaixo foi disponibilizado pelo site História do Futebol.)

O Juventus Esporte Clube foi fundado em 1º de Março de 1971 em homenagem ao time homônimo da capital e disputou quatro edições da Terceira Divisão (1974, a 1976 e 1980), uma edição da Quarta Divisão (1977) e duas da Quinta Divisão (1978 e 79).

Confira abaixo a campanha do Juventus EC na Terceira Divisão de 1979 (Fonte: Arquivos Futebol Brasil):

Mais algumas imagens deste time que inaugurou o futebol profissional em Guariba:

Esse foi o time que disputou a Terceira Divisão em 1974 (Caseri, Jair, Lilito, Léo, Pagito e Fefeu. Mangueira, Paulinho, Cláudio, Wilson Carrasco e Fiapo). A foto é do amigo Manolinho, mais um apaixonado pelo futebol do Interior.

Esse foi o time que disputou a Quarta Divisão em 1977:

E olha o estádio lotado ao fundo assistindo ao grená de Guariba!

E uma faixa de campeões de 1973… De qual certame seria? Fotos da Fanpage Guariba ontem, hoje e sempre:

Embora tenha feito história na região, o Juventus disputa em 1980 o seu último campeonato profissional. Nesse mesmo ano, o time se une ao seu rival, o tradicional time do Java FC para um novo momento do futebol da cidade.

Dessa fusão nasce o Guariba Esporte Clube!

Assim, o Guariba EC assume a vaga do Juventus não só no coração da torcida local, mas também no Campeonato Paulista da Terceira Divisão, o qual disputa pela primeira vez em 1981, depois em 82, 84 e 86. Ainda em 1989, depois de 2 anos licenciado, disputou a 4a divisão.

E não foi apenas nos anos 80 que o time ficou nessa de se licenciar e voltar. Nos anos 90, o Guariba EC só disputou o campeonatos de 91 e 91 (na terceira divisão) e os de 94 e 95 (na 5a divisão). Aqui uma foto do time jogando de verde (da FanPage Guariba ontem, hoje e sempre)… Curiosa, não?

Depois, só em 2006 o time voltou a aparecer no profissional disputando o campeonato do quarto nível do futebol paulista, até 2014, quando se licenciou novamente.

Ainda nos anos 2000, mais precisamente em 2007, o clube conquistou a 2a divisão do Campeonato Paulista Sub-20.

Mais recentemente, o time preferiu adotar um novo distintivo que dá mais visibilidade ao seu mascote: “a cobra canavieira”.

O time de 2011 ainda recebeu a cobertura do pessoal do Jogos Perdidos na partida contra o Olímpia!

Aqui, o time de 2013, no jogo de estreia:

Em 2016, o time ainda deu as caras na “Taça Paulista de Futebol” organizada pela Liga de Futebol Nacional do Brasil (formada por times que estavam extintos ou licenciados e por novas equipes que ainda não tinham condições de disputar o campeonato estadual da FPF.

Desde 2019 o time tem tentado voltar ao profissional, mas a COVID 19 deve ter atrapalhado um pouco seus planos…

A boa notícia é que as camisas que estão sendo vendidas pelo Facebook do time (e pelo WhatsApp: +55 14 98232-6685) voltaram com o distintivo original:

E nossa ida até Guapira foi para registrar o Estádio Municipal Domingos Baldan, a casa tanto do Juventus EC quanto do Guapira EC em suas aventuras pelo futebol profissional!

Para quem quiser umas fotos mais neutras:

Aliás, vale comparar a atual fachada do estádio com a que existia antigamente (a foto abaixo é do Jogos Perdidos, da partida contra o José Bonifácio, em 2007)

E infelizmente nosso rolê começou difícil… Quem disse que dava pra entrar no Estádio? O jeito foi apelar pros buracos…

Deu até pra pegar um pouco do clima do campo, mas … Não é a mesma coisa que estar lá dentro…

Mas, dando uma ajeitada nas fotos aqui e acolá, pelo menos dá pra ver que a tradicional arquibancada do Estádio Municipal Domingos Baldan segue por ali!

Sua capacidade é de pouco mais de 5 mil torcedores.

Mais um vídeo (da fanpage do Guariba EC) que dá pra ter uma visão completa do estádio:

Aqui uma vista do outro lado (foto do Facebook do Guariba EC):

O vídeo abaixo do “União Mania (do União São João de Araras)” mostra um pouco da festa nas arquibancadas!

Além do grande lance lateral, existe arquibancadas atrás do gol dos fundos.

Na outra lateral do campo, há menos espaço pois existe um ginásio esportivo.

Porém, dá pra ver pela foto que o gol da entrada também possui um lance de arquibancadas.

Hora de ir embora…. Dar uma última olhada nas construções ali próximas do estádio…

E pegar a estrada… Nosso rumo agora é Monte Alto, a casa do Botafogo FC, Monte Alto AC, SE Montealtense e Montealtense AC!

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Rolê pelos estádios – Setembro/2021

Nos próximos dias vou dividir por aqui o rolê que eu e a Mari fizemos registrando os estádios do Noroeste Paulista nesse feriado de 7 de setembro de 2021, quando saímos de Santo André e fomos até a cidade de Selvíria, no Mato Grosso do Sul, na outra margem do rio Paraná, que você vê aí abaixo, no lado paulista, na margem de Ilha Solteira.

Foram 24 cidades visitadas para terem seus estádios registrados. Pela ordem da viagem, nós passamos em 1) Guariba, 2) Monte Alto, 3) Bebedouro, 4) Monte Azul, 5) Severínia, 6) Riolandia, 7) Cardoso, 8) Votuporanga, 9) Fernandópolis, 10) Palmeira D’oeste, 11) Aparecida D’oeste, 12) Ilha Solteira, 13) Selvíria-MS, 14) Pereira Barreto, 15) Auriflama, 16) Araçatuba, 17) Guararapes, 18) Buritama, 19) Promissão, 20) Guaiçara (o Estádio Municipal Virgilio Zanotto – da foto abaixo – entrou como bônus por ser o único que não recebeu ao menos uma edição do Campeonato Paulista profissional, independente da divisão), 21) Getulina, 22) Lins, 23) Cafelandia e 24) Pirajuí.

Essa é uma viagem que planejávamos há anos e, como sempre, não envolveu apenas futebol, mas também um pouquinho da cultura e da história de cada cidade e também as belezas naturais do interior paulista, como essa praia em pleno rio Tietê na cidade de Buritama.


No final das contas deu tudo certo, pudemos conhecer gente nova, muitos lugares legais e misturar o futebol nesses montes de quilometros que rodamos

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