O futebol profissional em Campo Largo – PR

Cansado de ler sobre equipes paulistas? Vamos mudar o foco e falar do futebol em uma cidade paranaense: Campo Largo, município da região metropolitana de Curitiba, onde vivem cerca de 130 mil pessoas.

Paramos na cidade, quando íamos de Curitiba até a Colônia Witmarsum.

Campo Largo serviu de lar para indígenas de diferentes etnias (principalmente Tinguis e Cabeludos) muito antes da chegada do europeu. A partir de 1531, surgiram expedições em busca de ouro, usando o Peabiru, caminho indígena que ligava o litoral brasileiro ao Peru.

Se atualmente a região ainda é muito bonita, no passado, os vastos campos e rios exuberantes deviam ser um verdadeiro paraíso. Não a toa foram surgindo povoamentos de apoio aos exploradores de ouro e tropeiros que seguiam para Sorocaba. Nessa época, já denominavam a região de “Campo Largo“, mas só em 1882 Campo Largo da Piedade foi elevado a cidade.

Na estrada que chega à cidade encontra-se o Monumento a Antônio Tavares, trabalhador rural, assassinado pela polícia, em maio/2000 durante uma manifestação do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) que se dirigia a Curitiba para reivindicar crédito e terra. Antônio Tavares tinha 38 anos e cinco filhos. Antonio Tavares presente. Agora e sempre!

Deixando essa triste memória de um país que ainda precisa entender sua história e fazer as pazes com seu passado, falemos um pouco do futebol da cidade, começando pelo Internacional Esporte Clube.

O Internacional Esporte Clube foi fundada em 30 de Maio de 1945 e manda seus jogos no Estádio Atílio Gionedis, o “Ticão”.

O Internacional passou a maior parte de sua história em disputas amadoras, mas no ano 2000 fez sua estreia na Terceira Divisão do Campeonato Paranaense, terminando a primeira fase na liderança do grupo B, mas sendo eliminado no mata-mata da segunda fase.

Infelizmente o time preferiu retornar ao futebol amador. O que não significa que sua torcida apaixonada tenha deixado de seguir o time, ao contrário! Essa é a Mancha Negra, principal organizada do Internacional!

E junto dos chamados “torcedores comuns (ou autônomos)”, seguem lotando o Estádio nas conquistas do time.

Uma das conquistas mais comemoradas foi a do Campeonato Amador Sul-Brasileiro de 2011, que reuniu os campeões estaduais amadores de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O representante de São Paulo era o União Vila Sá, aqui de Santo André! Foto abaixo do jornal Gazeta do Povo (leia mais sobre a conquista clicando aqui).

10 anos depois… cá estamos nós no mesmo estádio, para conhecer a casa do Internacional

Aí está a bilheteria do Estádio Atílio Gionedis:

Vamos dar uma olhada na parte interna:

Essa é a parte onde ficam os mesários.

Uma olhada no meio campo:

O gol da direita:

O gol da esquerda:

Olha que cuidado com a bandeira do escanteio do Estádio Atílio Gionedis:

A arquibancada em toda a lateral do campo, onde cerca de 3 mil torcedores podem se posicionar.

Os bancos de reserva:

Hora da entrevista?

O jogo que aconteceu logo após nossa visita não foi com o Internacional, mas sim: GRECAL 2×4 Paranavaí.

O gramado estava bem cuidado para receber o jogo na seguida!

Há um espaço para a torcida Visitante:

Se for pro gol, me chama que eu vou!

Assim, finalizamos o registro do Estádio Atílio Gionedis.

Hora de falar sobre outro time bastante tradicional no futebol de Campo Largo, o Fanático Futebol Clube.

O Fanático FC foi fundado em 29 de Dezembro de 1944, e orgulha-se dos títulos de campeão da Taça Paraná (a principal competição de futebol amador do estado) em 1968, 1976, 1978, 1979, 1983, 1986, 2015 (time da foto abaixo), 2016 e 2017.

O Fanáticos FC manda seus jogos no seu Estádio Angelo Antonio Cavalli.

Aí está a bilheteria do Estádio Angelo Antonio Cavalli.

O apelido do time é “o Leão da raça”.

Mesmo sendo atualmente um time amador da cidade, o Fanáticos tem uma incrível estrutura, junto do campo do futebol há uma quadra poliesportiva e por isso o local é chamado “Centro Esportivo Fanático“.

Em 2004, não consegui descobrir o que deu o acesso, mas o Fanático FC disputou a 2a divisão e teria se classificado para a segunda fase, mas acabou eliminado no “tapetão”:

Como se vê, o Fanáticos tem uma grande história e tradição no futebol local, mas o Estádio Angelo Antonio Cavalli é a casa de outros times que disputam o profissional, como o “GRECAL” – Grêmio Recreativo Esportivo Campo Largo.

O Grêmio Recreativo Esportivo Campo Largo foi fundado em 15 de junho de 2007, mas apenas em 2009 se filiou à Federação Paranaense. Em 2011, faz sua estreia no futebol profissional disputando a Terceira Divisão e embora não tenha conquistado o acesso em campo, a boa campanha o fez ser convidado a jogar a divisão de acesso em 2012 (mesmo ano que o Paraná Clube jogou).

Infelizmente, uma má campanha o levou de volta à Terceira Divisão onde ficou de 2013 até atualmente (2021). Esse foi o time de 2016:

E aqui 2018 (foto do site Do rico ao pobre):

E se você acha que o Estádio Angelo Antonio Cavalli já está bem movimentado, imagine que ainda existe um terceiro time mandando seus jogos lá: o Clube Andraus Brasil, o “CAB” (seria um Boca Juniores paranaense?).

O Clube Andraus Brasil foi fundado no dia 22 de maio de 2003 e embora tenha como grande objetivo revelar jogadores, em 2010 se filiou à Federação e passou a disputar a Terceira Divisão do Campeonato Paranaense.

Em 2014, conquistou o título da Terceira Divisão e desde então, passou a disputar a Segunda Divisão. Foto do site O tiro de canto:

Em 2018, caiu para a Terceira Divisão, mas logo em 2019 sagrou-se campeão e voltou para a Segunda divisão, onde está até hoje mandando seus jogos no Estádio Angelo Antonio Cavalli, aliás… Vamos dar uma olhada nele!

Essa é a visão do meio campo, com a arquibancada ao fundo!

Somando à capacidade dessa singela e linda arquibancada coberta os demais espaços, o estádio comporta cerca de 2 mil torcedores.

Esse é o gol da direita:

Esse, o gol da esquerda

Olha aí o banco de reservas!

Os “demais espaços” são esses dois lances de arquibancada descoberta na outra lateral do campo:

Como chama a atenção essa arquibancada hein?

Aqui, uma visão de traz do gol.

Agora, olhando do outro lado (de quem está na arquibancada coberta), esse é o gol da esquerda:

Este o gol da direita:

Perceba que ali ao fundo do gol também existe um espaço para se ver o jogo de pé.

Desde 2013, a arquibancada leva o nome de Marcos Kaminski, uma homenagem ao ex atleta e diretor do clube.

E é com esse 0x0 que a gente se despede da cidade de Campo Largo, muito contentes por termos conhecido dois novos estádios, dessa vez em terras paranaenses!

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A Arena Ibrachina na Copa São Paulo 2022

8 de janeiro de 2022, dia especial! Hoje conhecemos um novo estádio em plena capital paulista, e de quebra ainda pegamos 2 jogos pra começar bem o ano. Tudo isso graça à Copa São Paulo de Futebol Jrs, a nossa querida “Copinha“.

O Estádio escolhido para visitarmos foi a Arena Ibrachina!

A Arena Ibrachina fica ali na Mooca, mais precisamente na R. Borges de Figueiredo, 1247, próximo à estação de trem.

Quem manda seus jogos lá é o Ibrachina FC, time fundado em 16 de Setembro de 2020 pelos irmãos e empresários chineses Henrique e Thomas Law, e que tem como objetivo principal a integração cultural entre a China e o Brasil por meio do futebol.

Os irmãos são filhos de Law Kin Chong, conhecido por administrar shoppings na região da 25 de Março e que chegou a ser preso (clique aqui) por irregularidades nos negócios. Entretanto, Thomas Law seguiu um caminho diferente e é considerado um ícone da nova imagem que a China quer passar: moderna, tecnológica e eficiente. Ele mesmo apresenta a Arena em um vídeo institucional:

O Ibrachina FC começou disputando as categorias de base, torneios da Associação Paulista de Futebol e a Paulista Cup, mas desde junho de 2021 se inscreveu junto à FPF e agora estreia na Copa São Paulo. Se liga nas camisas oficiais do time:

Hora de adentrar e conhecer a Arena:

Percebeu que embora tenhamos sido impedidos de filmar lá de cima, fui abordado por um jovem que trabalha na arena e se ofereceu a fazer as fotos lá de cima, obrigado, pela ajuda! Ele fez a tradicional foto do meio campo:

Do gol da esquerda, onde fica o placar eletrônico e que tem como vizinho um antigo galpão, que lembra a Mooca de antigamente:

E o gol da direita:

Antes que você se confunda, essas várias faixas amarelas pintadas no gramado (sintético, aliás!), são as linhas de 4 campos de society que funcionam por ali em “tempos normais”.

Seguindo com o nosso vídeo, vamos dar uma olhada nessa arena tão diferente dos tradicionais campos que estamos acostumados a visitar:

A arquibancada na lateral do campo possui 4 lances de degraus (beeeem altas, diga-se de passagem) que oferecem lugar a cerca de 600 torcedores. O que atrapalha um pouco é a base construída para as equipes de filmagem (todos os jogos da Copinha estão sendo transmitidos pela Eleven Sports) bem no meio do campo…

Assim, o público foi se abrigando mais nas pontas das bancadas, e logo já tomavam conta de todo esse espaço.

Do outro lado, uma estrutura moderna que engloba vestiários, lanchonetes e até parece um shopping concentra o público convidado.

Embora não tenha arquibancadas, é possível assistir à partida dali:

Olha aí o “Sport Bar” que vende de açaí a porç˜ões e por preços até que interessantes.

Copão de açaí com 3 complementos por R$ 15!

Embora jovem, o time já possui até um memorial com suas taças e conquistas:

E já na chegada encontramos o Furlan e a Aline, de Santo André! Sempre bom assistir aos jogos om os amigo ao lado! Obrigado pela companhia!

O campo é todo cercado por um alambrado de mais de 7 metros de altura.

O visual acaba lembrando um desses clubes que a gente frequenta e que de repente… Tá recebendo uma edição da copinha!!!

O público contava com alguns torcedores da várzea paulistana (incluindo a bateria da “Nova Sapopemba”), muita gente com camisa do Ibrachina e diversos torcedores curiosos em acompanhar o novo “caçula” paulistano.

Opa… E aí vem o time do Ibrachina!!!

Ao fundo a imagem do bairro da Mooca, que não para de crescer e de se verticalizar…

O time adversário era o CA Serranense, fundado em 1930 com o nome Futebol Clube Betinense na cidade de Betim-MG, e que apenas em 2014 se profissionalizou, disputando a série B do Campeonato Mineiro. Em 2018, alegando falta de apoio da cidade, mudou-se para Nova Serrana-MG, alterando seu nome para Clube Atlético Serranense.

Em campo, o Ibrachina começou a mil por hora e logo fez 1×0.

O jogo terminaria 3×0 para o Ibrachina. Veja aqui os gols da partida no site do Globo Esporte.

Ao término da partida, há uma “troca” de torcida. Sai parte dos torcedores que acompanharam o Ibrachina 3×0 Serranense e entram os torcedores do Náutico e da Inter de Limeira.

O pessoal de Pernambuco compareceu e teve até faixa!

O pessoal de Limeira também se fez presente! Olha aí os feras da Inter Metal, que se faz sempre presente:

Olha a faixa dos caras aí!

Já que o campo é pequeno, eu e o Furlan fomos acompanhar a chegada do Timbú de perto!

E os times entram em campo para as fotos clássicas…

Aliás, a Copa São Paulo tem todo o cerimonial de abertura. A molecada vive realmente um dia de sonho!

Muita gente com a camisa do time pernambucano!

O jogo foi emoção pura! Após a Inter sair ganhando por 1×0, o Náutico empatou aos 45 e virou aos 48 do segundo tempo. Confira os gols no site do Globo Esporte (clique aqui!).

Pra nós o que mais valeu foi a possibilidade de registrar um novo estádio, e também uma nova forma de se fazer futebol… Veremos o que o futuro aguarda para o Ibrachina. Últimas fotos para não nos esquecermos da Arena!

Fiquemos com a alegria daqueles que compareceram nesse sábado feliz para acompanhar mais uma rodada da copinha!

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O futebol profissional em Araras – parte 1 de 2

Araras surgiu de um povoado formado por tropeiros na região do rio Mogi e do ribeirão das Araras. Os indígenas que ocupavam a região provavelmente foram mortos, escravizados e os sobreviventes acabaram fugindo para o interior. Em 1862, foi construída a capela de Nossa Senhora do Patrocínio das Araras, surgindo novas casas ao seu redor.

Em 1879, a vila foi elevada à cidade e se desenvolveu graças à lavoura de café, inicialmente com trabalho escravo e num segundo momento com a atuação dos imigrantes. Em 1877, a cidade viu a chegada da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, e quase 100 anos depois, a FEPASA. Foto do site Estações Ferroviárias:

O passar do tempo trouxe diversificação da produção agrícola, principalmente com a cana de açúcar, o crescimento do comércio e, já no século XX, a indústria. E todos esses passos se refletiram no futebol local…

Falar do futebol de Araras é sempre um prazer, já que várias vezes acompanhamos partidas do União São João (já escrevemos sobre a camisa do time, clique aqui e leia!). Também acompanhamos o Santo André jogando no Estádio Doutor Hermínio Ometto como mandante a Série C de 2012 (veja aqui o jogo contra o Vila Nova -GO e aqui contra o Oeste, na época, de Itápolis)

Dessa vez, nosso retorno à cidade se deu para registrar os outros estádios e assim falar um pouco da história do futebol profissional de Araras, mas como não conseguimos entrar em todos os estádios planejados, esse texto será dividido em dois posts. Neste primeiro, falaremos sobre dois estádios onde jogaram a Sociedade Esportiva Recreativa Usina São João, o próprio União São João e a Associação Atlética Ararense.

No post #2, vamos falar do Estádio Joel Fachini, onde os outros 3 times da cidade (o CA Atlético, o Comercial FC e o Araras CD) mandaram seus jogos nas disputas de Campeonatos profissionais. Aguardemos!

Comecemos então falando sobre o nosso rolê pelo time mais antigo de Araras, a Associação Atlética Ararense!

A Associação Atlética Ararense foi fundada em 16 de setembro de 1926 por trabalhadores da indústria de Araras. São 95 anos de história…

Devido à sua origem, o time foi fundado como Operário Futebol Clube. Os distintivos abaixo vieram do site “Escudos Gino“, o segundo foi adotado a partir de 1942:

O time mandava seus jogos em um campo cedido pelo dono da Fazenda São Joaquim onde mais tarde foi erguido o Estádio São Joaquim e a sede social do clube.

Após uma primeira fase de disputas regionais, em 1931, o Operário FC filia-se à APEA e passa a disputar o Campeonato do Interior, naquele ano cai no grupo da 5a região contra o Rio Claro, o Velo Clube, e a Inter de Limeira. Esse é o time de 1932, as fotos abaixo são do site UniãoMania:

Aqui, o time de 1942, nessa época havia forte rivalidade com outro time de Araras, o Comercial:

Em 1943, por pressão do governo e da sociedade em geral, o nome Operário foi mudado por ser muito “comunista”. Assim surge a “Associação Atlética Ararense“, que de alvinegra passou a ser grená.

O Operário FC despede-se da história conquistando o título da 16ª Região do Campeonato do Interior, em um grupo que contava com CA Pirassununguense, Independente FC de Pirassununga, Comercial FC (também de Araras), DER Descalvadense, EC Lemense, Inter de Limeira, Porto Ferreira FC e a AA Santa-Ritense. A final da região em 15 de agosto foi Operário 4×0 Porto Ferreira, mas o time de Araras iria cair no mata-mata após um empate em 0x0 em casa e uma derrota de 5×0 fora de casa para o Riopardense.

Em 1945, mais um time de Araras disputou o Campeonato do Interior: o CA Santa Cruz, conhecido como o “Búfalo da Zona Rural” e mandava seus jogos no Estádio Fábio da Silva Prado. O distintivo abaixo veio do site História do Futebol.

O grande ano veio em 1946, quando a AA Ararense conquistou o título de Campeão Amador da 4ª Zona da 7ª Região do Estado contra o Comercial de Araras, o Grã Clube e a Inter, ambos de Limeira, o CA Pirassununguense e o Porto Ferreira. Esse foi o time campeão:

Em 1948, venceu a Sub-zona B do 9º Setor do Campeonato Amador do Estado, com o time abaixo:

Em 1949 participa pela primeira vez do Campeonato Paulista da Segunda Divisão de profissionais (naquele ano só haviam 2 divisões no futebol paulista), ficando em penúltimo lugar no seu grupo.

Em 1950, além da melhor participação na segunda divisão, em 7 de maio, o time do Palmeiras foi para Araras para um amistoso vencido pelo time da capital por 2×0.

O time de 1950:

Depois da boa campanha no Campeonato Paulista de 1950, vem sua última participação no profissionalismo, ficando em último lugar no grupo “Zona Leste”.

A AA Ararense ainda ficou 10 anos em disputas amadoras, e em 1961 conquistou o Torneio Castilho Cabral, seu último título. A partir daí, o clube passou a se dedicar à sua sede social no local onde ficava o Estádio São Joaquim.

De volta aos dias atuais, vamos dar uma olhada em como está o campo atualmente? Ele fica dentro da linda sede social do clube:

Um olhar no meio campo por onde tantas histórias já passaram:

O gol da direita:

O gol da esquerda:

Mais um momento de felicidade por estar ali, num lugar histórico e tão importante para a cidade de Araras…

Os quase 100 anos que separam a estreia do estádio e o clube atualmente mudou muito o visual do local, mas a energia ainda está lá!

O gramado segue no mesmo lugar, e talvez algumas daquelas árvores frondosas ao fundo do gol tenham vivenciado aqueles dias…

A nós, cabe sonhar com um futuro impossível, que seria ver a nas disputas profissionais de novo…

O segundo estádio desse post é ainda mais emocionante e fica dentro da Usina São João!

Mais do que um estádio, estamos falando de um verdadeiro modo de vida alternativo ao que estamos acostumados hoje, com seus pontos positivos e negativos. A Usina São João foi fundada em 1944 e desde cedo reuniu seus trabalhadores ao redor da unidade fabril, a tradicional “colônia”.

A história da Usina está ligada à da família italiana Ometto (essa da foto abaixo). Em 1887, chegam ao Brasil Antônio e Caterina Ometto e logo passaram a cultivar cana-de-açúcar. Em 1944, seu filho, José Ometto comprou a Fazenda São João iniciando o que viria a ser o atual Grupo USJ, comandado atualmente pela quarta geração de José Ometto.

Infelizmente, li no site Cana Online que a usina possui uma dívida de R$2 bilhões, e apresentou um pedido de recuperação judicial, o que provavelmente facilitará sua venda para a Raízen, a gigante do setor que tem adquirido todas as antigas usinas do estado de São Paulo…

Em 1953, mais especificamente em 8 de janeiro, seguindo o modelo de outras usinas e empresas, a Usina São João decide fundar o seu time de futebol, a Sociedade Esportiva Recreativa Usina São João, tendo como cores o verde da cana, e o branco do açúcar.

Foram 8 anos disputando as competições amadoras, e o título do Campeonato Amador do Estado de 1960 em cima da AA Matarazzo da capital acabou animando Hermínio Ometto para um passo mais ousado: o futebol profissional!

Assim, em 1961, a Usina São João passa a disputar a 3ª Divisão do Campeonato Paulista, e logo em sua estreia faz uma incrível campanha terminando a 1a fase (a série Açucareira) em segundo lugar…

Na segunda fase, a Série Dr Waldemar Alves da Costa, só tinha time cascudo e mesmo assim, o time da Usina terminou como líder, chegando a final do campeonato…

O outro finalista era o time da Estrada de Ferro Sorocabana FC, de Sorocaba mesmo…

O campeonato daquele ano não considerava o saldo de gols, então mesmo após uma goleada, o Usina São João ainda forçou um terceiro jogo ao vencer a segunda partida. Mas, infelizmente perdeu a 3a partida e o título e o acesso ficaram com o Estrada…

Esse foi o time de 1961:

Em 1962, novamente uma ótima campanha na primeira fase, a Série João Havelange:

Mas desta vez, o time parou na segunda fase, não chegando às finais.

Chega 1963 e o time da Usina São João mostra que veio para se tornar uma nova força no futebol estadual. Mais uma vez, termina a primeira fase (a 4ª série) em primeiro lugar.

Lidera também a segunda fase, a série João Mendonça Falcão:

Mas, para a tristeza geral de Araras, o time perde o acesso por um miserável ponto…

Em 1964, o time tenta mais uma vez o acesso, mas não se classifica sequer para a segunda fase.

Vendo que o acesso não chegava, Hermínio Ometto propôe a fusão dos times da cidade, juntando a estrutura da Usina e as torcidas de Ararense e Comercial, mas o projeto não decolou e decidiram acabar com o time da Usina… Somente em 1981, em 14 de janeiro, é que surgiria finalmente o time que uniu a cidade: o União São João EC.

O União São João debuta na 3ª divisão, mas não consegue chegar à fase final do campeonato, mesmo com uma boa campanha no turno e returno…

A relação com a Federação é tão boa que o União é convidado a jogar a 2ª divisão de 1982, onde permaneceu com bons resultados até 1987, quando uma campanha maravilhosa (já sem a presença de Hermínio Ometto,que falecera em 1986), leva o time à primeira divisão.

O União São João liderou todas as fases…

Chegando à final contra o São José e vencendo os dois jogos.

O primeiro jogo da final, em Araras, ocorre no emblemático Estádio Engenho Grande, o campo da Usina

Confira o vídeo do jogo, onde mais de 4 mil pessoas estiveram presentes:

Fomos até lá registrar o Estádio Engenho Grande! Essa era a entrada e nesse muro a direita ficava o famoso cinema da usina.

Aqui, a parte do fundo do estádio:

Segure a emoção e venha comigo conhecer o Estádio Engenho Grande!

Na minha opinião, o grande charme do Estádio Engenho Grande é sua arquibancada coberta, uma verdadeira obra de arte!

Tem a áurea de um passado que muitos não queriam que tivesse ido embora…. É um sentimento mágico mesmo.

Faço questão de registrar esse momento para a minha memória futura também! Penso que se a Raízen acabar adquirindo a Usina, talvez nunca mais eu consiga entrar aí…

O campo também está muito bem cuidado! Durante a visita, estava sendo pintado novamente.

Aí estão os bancos de reserva, humildes, gastos pelo tempo, mas cheios de história e recordações.

Aqui, a visão de quem olha de cima da arquibancada coberta, ali ao fundo são escritórios da usina:

Do lado direito o galpão de estocagem de cana e parte da usina.

Essa é a visão de cima da arquibancada que fica atrás do gol. Olha que incrível… Tem uma quadra esportiva entre a bancada e o campo!

E o lance de arquibancada praticamente cerca todo o campo.

Aqui, olhando pela arquibancada descoberta, vê-se o gol da esquerda:

O da direita:

E o meio campo:

Mas, como tudo muda, em 1988, o União São João inaugura seu estádio, com nome em homenagem a Hermínio Ometto e o time obtém uma série de conquistas incríveis: a Série C do Brasileiro, o acesso à série A, a revelação do lateral Roberto Carlos (foto abaixo do site O Curioso do Futebol), a transformação em clube-empresa, entre outras.

Como tudo que sobe, desce… O União São João de Araras vive um período de quedas e problemas econômicos que leva o clube a se licenciar do futebol profissional. Em 2021, o time voltou a aparecer no cenário esportivo com participação no sub 15 e sub 17, quem sabe seja uma esperança para o torcedor…

Se você quiser saber mais sobre o União São João de Araras, clique aqui e conheça o incrível site do União Mania, obra do Marcelo Valem.

Fica a foto do time campeão em 87 para quem sabe inspirar novos vôos…

Ah, e um pequeno registro do “vilão” do nosso rolê, o Estádio Joel Fachini que manteve-se “impenetrável” em nossa visita e por isso, vai fazer a gente voltar à Araras para mais uma tentativa!

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SECI: Futebol amador de Santo André

Bem vindo / Bem vinda a mais um post sobre o futebol amador de Santo André, e dessa vez um time que se tornou um projeto, e que mantém um campo que até parece um castelo do mundo de faz de contas para a garotada que participa…

Vamos conhecer a história do Insituto SECI! Para quem quiser saber mais informações, clique aqui e conheça o site do projeto!


O atual Instituto SECI, cuja sigla significa Socioesportivo, Educacional, Cultural e Inovador na verdade nasceu em 1962 como um time da várzea, a “Sociedade Esportiva Cidade Imaculada” e apenas em 2020 adotou o atual modelo de gestão e a nova sigla. Quem começou tudo isso foi o Tatinha, ex jogador.

Os caras realmente levaram a sério a ideia de fazer do futebol um agente transformador da realidade social e cultural das crianças do Capuava (um bairro de Santo André). Olha que da hora o vídeo onde o atual presidente e a coordenadora do projeto explicam o momento atual deles

E nós estivemos por lá para conhecer o campo e consequentemente toda essa ideia por traz do projeto focado em cooperativismo.

O campo do SECI é mais um do amador de Santo André que recebeu o gramado artificial.

Aí o time adulto:

Além de tudo muito bem cuidado e organizado tem uma mini sede na mesma área.

Que tal um rolê pelo campo?

Nossa tradicional olhada no meio campo:

O gol da esquerda:

O gol da direita:

E lá está o distintivo do SECI no muro próximo ao banco de reserva!

Olha aí que da hora a camisa e até a bombeta do time!

O SECI Social é o projeto esportivo de Futebol Educativo que oferece via futebol oportunidades para aprender e superar desafios. Tem também um projeto de Futebol Bilíngue que integra o ensino do Esporte à Língua Inglesa para turmas do futebol feminino.

Essas e outras fotos você vê na Fanpage dos caras!

Uma iniciativa única para o pessoal do bairro e de certa maneira para toda a cidade.

Dá uma olhada em mais uma matéria sobre o time:

Que a molecada tenha muitas e muitas vitórias no campo e na vida!

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Postado em camisa de futebol on 24 de dezembro de 2021 – 14:23 | Comentários (0)

Novo rolê por Americana – parte 2 de 2

Bom, essa é a parte 2 desse post que acabou ficando gigante graças a tanta história que Americana tem no futebol. Se você ainda não leu a parte um, que fala sobre a história dos times que defenderam a cidade, é só clicar aqui.

Esse post é dedicado ao registro atual dos clubes e estádios que receberam partidas profissionais e agradeço o amigo Gabriel Pitor Oliveira.

O Gabriel é autor do genial site do Vasquinho (clique aqui e conheça o lindo trabalho dele!), por toda a ajuda, dicas e respostas. O cara sabe tudo sobre o futebol de Americana.

Então, comecemos nosso rolê batendo na porta do pessoal do Flamengo Futebol Clube!

O time que disputou 2 edições da terceira divisão, chegou a construir um estádio em sua sede pensando em atender as exigências da Federação Paulista, mas infelizmente o estádio foi inaugurado quando o clube já havia desistido do profissionalismo.

Entretanto, os sócios ganharam um estádio lindo e que foi dividido em 4 campos de futebol, com iluminação e uma arquibancada capaz de abrigar 5 mil torcedores!

A arquibancada de cimento tem 20 degraus e acompanha toda a lateral dos campos.

Acho que aqui dá pra ver os dois campos lado-a-lado (e são mais dois à esquerda destes).

Aqui, o outro lado:

São 4 campos com um gramado impecável. E pensar que essa área era um brejo em Americana… Imagina o trabalho que tiveram para conseguir transformar em um gramado tão retinho…

E claro, não pode faltar o distintivo do clube estampado lá em cima na arquibancada!

Olhando da arquibancada, esse é o gol (ou no caso, os gols) do lado esquerdo:

Esse os do lado direito:

E aqui…. seria o meio campo do campo original…

Do lado oposto à arquibancada ainda existe um lance único de arquibancada

Como mostramos no post anterior, fui presenteado com um livro incrível que conta a história do Flamengo FC.

E no livro, muitas vezes falou-se do tal “Bar do Flamengo” e consegui dar um pulo até lá para conhecer o lugar.

Infelizmente o bar estava fechado.

Embora o estádio dentro do clube seja lindo, não foi lá que o Flamengo mandou seus jogos pelo Paulista da Terceira divisão de 67 e 68, e fomos até o Estádio Victório Scuro em busca de respostas. Estivemos lá há algum tempo (veja aqui como foi), mas é sempre bom rever as arquibancadas de um estádio clássico como o Victório Scuro, também conhecido como “Caldeirão do Dragão” ou “Vovô”.

O Victório Scuro foi a casa do EC Vasco da Gama em suas competições profissionais e amadoras. Mas vale lembrar que o Vaquinho chegou a ter um outro campo lá na Vila Galo, onde hoje é a Rua Dom Pedro II

O Estádio Victório Scuro foi construído em um terreno cedido pela prefeitura em 1959, por um comodato de 10 anos. O responsável pela construção do estádio foi Ítalo Scuro (o nome do estádio homenageia seu pai), dono de uma indústria têxtil e a inauguração ocorreu em abril de 1960 como celebração do aniversário de 10 anos do time. Na partida preliminar, o CRS Carioba venceu o Recreativo Sumaré por 3×2, mas a partida que fez a alegria da torcida local foi EC Vasco 3×0 XV da Lapa (SP). O Vasco mandou seus jogo aí até 1977, quando o Americana EC (antigo Vasco) acabou trocando o Victório Scuro pelo atual Estádio Décio Vitta.

O Victório Scuro ainda seria utilizado pelo Sete de Setembro, mas vale lembrar que em 1984, o próprio Rio Branco chegou a mandar jogos ali.

Atualmente o Estádio Victório Scuro é a sede de um projeto focado em crianças e adolescentes, gerido pelo Colorado, um tradicional time de futebol amador da cidade que parecia caminhar para o seu fim, mas que ganhou nova vida com essa molecada!


Quem coordena o projeto atualmente é Rogério Panhoca junto do “Zé Pulga”, uma figura super tradicional no futebol da região.

Aliás, foi ele quem resolveu a charada de onde o Flamengo mandou seus jogos na Terceira Divisão de 1968 e 69. Aliás, ele contou mais um monte de histórias, confere aí:

O papo foi ótimo, mas a missão em Americana ainda não tinha acabado. Era necessário registrar a Praça de Esportes Milton Fenley Azenha, também chamado de “Centro Cívico”.

O complexo é formado por uma série de equipamentos esportivos, e o Estádio de futebol recebeu diversos jogos das categorias de base do Rio Branco .

E no ia da nossa visita, conseguimos pegar as oitavas de final da Copa Inter de futebol amador de Americana.

Ainda que as nuvens estivessem no céu, estava quase 40 graus de calor em campo…

Em campo jogavam o Malucos da Praia e o Descubra (se me informaram correto, o placar final foi Descubra 4 x 0 M.D.P.).

Poucas pessoas acompanhavam a partida nas arquibancadas do Centro Cívico.

Mas olha que bela imagem do meio campo:

O gol da esquerda:

O gol da direita:

Vale até ver um gol:

Já cansou? Porque ainda faltam 2 estádios para fechar nossa missão. Um deles é o Estádio Eugenio Cia (ok, ok, a “praça de esportes” Eugenio Cia), inaugurado em 1979 e que fica localizado na Avenida Bandeirantes, 4100, na Vila Cordenonsi.

O Campo Municipal Eugênio Cia nasceu de uma escola de samba, a Sociedade Recreativa Folclórica Esportiva Unidos da Cordenonsi, cujos integrantes aproveitaram o antigo Ninho do Gavião, campo do Sete de Setembro e fizeram uma nova praça de futebol em mutirão. Vamos conhecê-lo?

As bilheterias ainda estão por ali…

O campo fica numa região bastante arborizada, e muito bonita.

Estava rolando mais uma partida pelas oitavas de final da Copa Inter de futebol amador da cidade, e dessa vez, duas equipes tradicionais lotaram o Eugenio Cia: Cantareira x Cidade Jardim.

Tinha gente torcendo por todos os lados do campo…

Aliás, essa linda arquibancada veio do campo do SCR Carioba que havia sido desativada e foi desmontada e remontada degrau a degrau no campo da Cordenonsi.

Olha o detalhe de como são os degraus:

O gramado muito bem cuidado permitiu uma boa partida!

E a arquibancada coberta foi providencial pra dar uma fugida do sol e do calor.

Daqui aproveito pra registrar o gol esquerdo:

O meio campo:

E o gol da direita:

E dentro de campo, a bola seguia num jogo bem disputado, mas que parecia se resolver para o time do Cidade Jardim, que ia vencendo por 2×0.

Mais uma vez é muito bacana poder estar presente pra registrar não só o campo, mas a força do futebol amador, dessa vez, em Americana!

O banco preocupado porque o time do Cantareira fez seu gol. 2×1.

Olha que visual incrível. Espero que em 2047 alguém olhe essa foto e diga “olha como o mundo era louco naquele longínquo 2021″…

O jogo seguia para o fim, e as próximas duas equipes estavam prontas para entrar em campo (aliás, o jogo seguinte foi uma goleada do time que seria o campeão da Copa, o São Jerônimo/Bruxela por 9×0 contra Jardim América II

Fim de jogo, 3×1 para a festa do time do Cidade Jardim!

Hora de seguir para a última parte desse rolê pelos campos de Americana, o Estádio Parque Dona Albertina , o campo do Carioba!

Segundo os conselhos do amigo Gabriel, acessar o ainda existente campo do Carioba não seria missão fácil por estar dentro do terreno do DAE (Departamento de Águas e Esgotos de Americana), já no fim da vila Carioba. Mas, lá fomos nós na esperança de acessar o campo!

O rolê pela Vila Carioba é uma volta ao passado, com certa dor no coração pelas imagens do presente. Embora a natureza ainda seja exuberante, o que se vê das antigas indústrias têxteis e da arquitetura da época, mostra que em algum momento as coisas deram errado.

A indústria têxtil acabou prejudicando demais a vila… Em vários documentários (veja esse, ou este por exemplo) que contam sobre a vida na vila no início do século XX mostram que havia toda uma vida em colônia em torno das fábricas que sofreu com isso.

Mas o visual vale o rolê…

E ali ao fundo, após cruzar o rio (é o rio Piracicaba!! Ainda menorzinho…) chegamos ao antigo campo do SCR Carioba!

Logo em seguida, o rio se junta a outro afluente e recebe maior vazão de águas.

Na verdade, atualmente não se chega ao antigo Estádio Parque Dona Albertina mas sim ao DAE-Americana.

Realmente a entrada no campo não foi tarefa fácil. Foram necessárias diversas ligações do responsável pela segurança até obter uma autorização para nossa entrada (rápida) para realização do registro desse campo tão histórico! Pena que o antigo pórtico já não existe mais…

Então liguemos a nossa máquina do tempo para mais este registro incrível da história do fuebol de Americana…

Ainda há um lindo bosque acompanhando a lateral do campo, que já não tem mais um gramado impecável…

Ali, no gol dos “fundos” (já que entramos pelo lado do outro gol), existe uma construção que parece ser uma caixa d’água.

Ainda resiste um alambrado separando o espaço do campo do resto do terreno.

Ao lado do campo, uma área onde possivelmente ficava a antiga arquibancada de madeira.

Aqui, a alegria dos atletas… o equipamento que permite a alegria maior do esporte, o gol!

Encontrei essa estrutura em um dos vitrais da construção ao lado do campo. Tentei enxergar um possível distintivo desenhado ali ao meio, mas não se parece em nada com o distintivo conhecido do SCR Carioba.

Incrível como a combinação natureza + futebol parece combinar tão bem…

Quantas partidas, quantas histórias, quantas pessoas terão passado por aqui e marcado em sua memória a lembrança deste campo…

Com a sombra em meu rosto, um sentimento de orgulho e missão cumprida, ao mesmo tempo em que tantas lacunas, saudades e até um pouquinho de tristeza se misturam ao comparar o passado e o presente, pensando no futuro de campos como esse do Carioba, vendo a velocidade com que o progresso atropela toda a nossa história…

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Novas aventuras em Curitiba – A Vila Olímpica do Paraná

Em um desses feriados frios e chuvosos que passamos em 2021, aproveitamos a folga no trampo para dar um pulo em Curitiba. Vale lembrar que já estivemos lá para registrar o Eco Estádio Janguito Malucelli (veja aqui como foi) e também para registrar os estádios dos grandes times da capital e também do Rio Branco de Paranaguá (veja aqui como foi).

Curitiba é uma cidade muito bacana e que tem uma história de futebol giganteeee. Sem contar na própria história do Estado… Pra quem se interessa pelo tema, eu peguei um livro bacana lá, do Ruy Wachowicz, se liga:

Dessa vez, eu pra dar mais um rolê pela cidade, um pulinho no museu:

Um rolê pelo centro e pelas áreas tradicionais, como a Rua Riachuelo:

Todos sabem o quão louco eu sou por um sebo…

E como também admiro a cultura árabe, fomos conhecer o Monumento a imigração árabe no Paraná, homenagem aos imigrantes sírio-libaneses.

A noite que estivemos lá foi muito importante, era a volta do público aos estádios e o Coritiba receberia o Cruzeiro. Infelizmente além de estar caro (R$ 200) era necessário fazer o teste rápido de COVID e eu preferi não arriscar.

Como odeio estar em partidas e o time que “me recebe” perder, fiquei menos triste de não ir ao jogo, já que o Cruzeiro meteu logo um 3×0 em pleno Couto Pereira…

Mas, como dissemos anteriormente, já havíamos visitado o Couto Pereira e a meta dessa visita à Curitiba era conhecer e registrar o Estádio Érton Coelho Queiroz, mais conhecido como Vila Olímpica do Boqueirão, o antigo estádio do Esporte Clube Pinheiros.

Vale lembrar que o Paraná Clube nasceu em 1989, da fusão do Esporte Clube Pinheiros ao Colorado Esporte Clube:

Infelizmente, atualmente o estádio não só está desativado como depois de muitas idas e vindas, acabou vendido e provavelmente será demolido.

Em 2013, surgiu um boato de que o Paraná iria reformar a Vila Olímpica e transformá-la na Arena Boqueirão, mas o projeto acabou não se tornando realidade.

O amigo André Martins lembrou que houve um time nascido no próprio estádio e que disputou uma edição da Segunda Divisão do futebol paranaense, trata-se do Pavoc (Parque Aquático Vila Olímpica Clube).

Esse foi o time de 1979 que jogou a segundona do Paraná (foto do site História do futebol):

O site História do futebol trouxe a campanha do time:

22.07.1979 Pavoc 1x1 Tabu (Clevelândia), em Curitiba 
29.07.1979 Pavoc 1x0 Comercial (Terra Roxa), em Terra Roxa 05.08.1979 Pavoc 0x0 Cascavel (Cascavel), em Curitiba
12.08.1979 Pavoc 0x2 União (Francisco Beltrão), em Francisco Beltrão
19.08.1979 Pavoc 2x2 União (Francisco Beltrão), em Curitiba
2.09.1979 Pavoc 1x2 Cascavel (Cascavel), em Cascavel
9.09.1979 Pavoc 1x1 Tabu (Clevelândia), em Clevelândia
15.09.1979 Pavoc 4x1 Comercial (Terra Roxa), em Curitiba
30.09.1979 Pavoc 0x2 União (Francisco Beltrão), em Francisco Beltrão 06.10.1979 Pavoc 2x0 Tabu (Clevelândia), em Curitiba
13.10.1979 Pavoc 1x1 Cascavel (Cascavel), em Curitiba
21.10.1979 Pavoc 3x2 Tabu (Clevelândia), em Clevelândia
03.11.1979 Pavoc 1x1 União (Francisco Beltrão), em Curitiba
18.11.1979 Pavoc 0x2 Cascavel (Cascavel), em Cascavel

O time terminou em 3º lugar e embora sediado em São José dos Pinhais, mandou suas partidas no Estádio Joaquim Américo, em Curitiba.

O estádio foi construído na área da antiga fazenda do Boqueirão pelo então presidente do clube Érton Coelho, daí o nome do estádio.

Pra quem quer usar a foto, mas não quer minha cara feia:

O Estádio foi inaugurado em 7 de setembro de 1983 com a partida Pinheiros 1×0 Coritiba e apesar da chuva, mais de 5 mil torcedores se fizeram presentes.

O Estádio possui capacidade para 10 mil torcedores. Como não pudemos entrar, segue a foto do site do Globo Esporte

O “Érton” chegou a receber as finais do Paranaense de 1984, 86, 87, 94 e 97 (quando a torcida do Paraná estabeleceu o recorde de público com 17.926 torcedores, no jogo Paraná 3×0 União Bandeirante.

Olha quanta história pintada em seu muro…

As bilheterias ainda seguem por lá… Até quando? Não sei… Uma pena a gente perder esse espaço tão lindo e tão importante para a história do futebol paranaense… Enquanto ainda está de pé… há chance..

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Final da Copa Santo André 2021

O esperado dia chegou… Sábado, 11 de dezembro de 2021, a grande final da Copa Santo André entre o EC União do Morro e o EC Jardim Sorocaba. Entre no clima, pegue uma carona no bonde da torcida do União do Morro e venha curtir esse rolê incrível pelo futebol amador de Santo André!

A data merecia o bom público que compareceu, afinal, além da final a partida marcou também a reestreia do Estádio Municipal Bruno José Daniel, depois de quase 2 anos fechado…

No primeiro tempo, ficamos juntos da torcida do União do Morro.

Do lado da “antiga arquibancada” a torcida do Sorocaba também marcou presença!

Muitos amigos torcedores do Santo André compareceram também à partida!

Não houve qualquer policiamento presente, e assim, as arquibancadas puderam se reencontrar com as bandeiras com mastros! Olha que visual bacana!

Rolou até vários sinalizadores e fogos de artifício na entrada dos times!

E rolou bandeirão? Rolou sim!

E que venham os times!

E lá vem o União do Morro saudar sua torcida:

E se você ficou curioso em ver o nosso novo gramado, agora sintético, dê uma olhada no gol da esquerda:

No meio campo:

E no lado direito:

Então, sejam bem vindos ao novo Estádio Bruno José Daniel.

Agora, vamos dar um pouco de espaço para os jogadores responsáveis pelo espetáculo maior do campeonato:

Vale até ver um lance, na cobrança da falta…

E mais jogadores!

Olha aí a rapaziada no banco de reservas!

O primeiro tempo encerrou em 0x0, e aproveitamos para mudar de arquibancada e acompanhar um pouco a festa no lado da torcida do Sorocaba.

Deu até para acompanhar o papo dos jogadores no intervalo.

Também foi possível fazer umas fotos das faixas da torcida do EC União do Morro.

Vale a pena também registrar o gramado e o campo do lado de cá. Aqui o gol esquerdo:

Aqui, o direito:

E aqui o meio campo:

E a molecada já entrando de cabeça no amor ao time da quebrada? Não tem preço!

E até o papai noel do Sorocaba apareceu por lá…

Tensão total… Termina o jogo em 0x0 e é hora dos times se reunirem para se prepararem para a disputa por penaltys.

Concentração total…

4 penaltys convertidos para cada time… Acompanhe um deles:

Mas um time tinha que sair vitorioso e graças à cobrança perdida pelo time do Sorocaba, o prêmio de R$ 13 mil ficou para o União do Morro!

E teve trofeuzão também! Até o drone chegou ali perto pra dar uma sacada neles!

Muita festa entre os jogadores do União!

E muita festa na arquibancada também!

Por outro lado… a desolação de perder a final depois de ter feito uma campanha tão bacana, mas temos certeza que o Sorocaba sabe que escreveu seu nome na história na tarde de hoje…

Já a torcida do União decidiu estrear o gramado e fazer sua festa dentro do campo!

E o Marcelão foi lá entrevistar a galera!

Pra nós, uma grande honra em poder assistir tudo isso!

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