Em plena quarta feira de cinzas do carnaval 2026 fomos até Taubaté para acompanhar de perto mais um capítulo dessa Série A2. Viagem, estrada, conversa sobre escalação, aquela expectativa que quem gosta de futebol do interior entende. Chegamos no Joaquinzão com o sentimento de que era jogo decisivo.
A entrada de visitantes tá meio caidinha…
Mas uma vez dentro do estádio não tem como não pensar que o futebol é mesmo mágico…
Olha lá o burro, mascote do time!
Bacana ver que mais gente teve a coragem de ir até lá para acompanhar a partida. Santo André nunca joga sozinho.
Times em campo…
O jogo começou elétrico e o Santo André parecia um time mais bem postado do que nas partidas anteriores. A gente mal tinha terminado de se acomodar e já estava comemorando no meio da arquibancada visitante: após um escanteio o Santo André abriu o marcador.
Só que futebol não é roteiro pronto. O Taubaté não sentiu o golpe. Foi pra cima. Pressionou. E o Santo André recuou… Aos 38 minutos, depois de um cruzamento pela esquerda, a bola sobrou e o empate aconteceu. Silêncio de um lado, explosão do outro. E a gente já sabia que a noite não seria tranquila.
A torcida do Taubaté é bem legal. Mantém viva a chama do futebol e da cultura caipira.
O primeiro tempo acabou e é hora de olhar a tabela e ver o que significa esse empate…
Lindas as árvores que cercam a arquibancada visitante.
O segundo tempo foi aberto, tenso, aquele jogo que ninguém quer perder.
O Santo André teve a chance de ouro aos 37 minutos. Daniel Davi passou pelo goleiro… e ali eu já estava levantando pra comemorar. Mas a finalização saiu fraca. A defesa tirou. Ficou aquela sensação de que escapou.
Na reta final, o Taubaté pressionou muito. O Joaquinzão empurrou. A defesa do Ramalhão segurou como deu até o apito final.
O empate não ajudou ninguém. Teve gosto amargo. O Taubaté segue ali, colado na zona de rebaixamento, com nove pontos. O Santo André, que começou a rodada no G-8, saiu da zona de classificação, agora está em nono, com 14 pontos.
Voltamos pra casa com aquela mistura de frustração e esperança. Porque foi um ponto fora, é verdade. Mas foi também um tropeço que custou caro na tabela.
Agora é virar a chave. Domingo tem São José no Bruno José Daniel. E a A2 não perdoa ninguém que relaxa.
Futebol do interior é isso: estrada, arquibancada, tensão e coração acelerado até o último minuto.
Pra quem estava acompanhando a saga do Santo André pela série A2 2026 e percebeu que o site deu uma parada, vou apenas compartilhar as fotos e vídeos dos jogos pra manter oficializado o registro do nosso dia-a-dia.
Manhã de domingo e, como diz a canção… “ela voltou de novo”: série A2 é emoção!
Assim, lá fomos nós, até a Mooca para acompanhar a partida entre o Santo André e Juventus!
Quem vê a gente feliz assim acompanhando o jogo não imagina quantos problemas tivemos que resolver para conseguir adentrar a partida. Só pra registrar, os principais problemas: 1) Bilheteria só abriu às 9h55. 2) Mesmo após aberta, o primeiro ingresso foi vendido às 10h20. 3) Ingressos comprados online não foram entregues, obrigando a comprar a versão física na bilheteria. 4) Cobrança de ingresso do público maior de 60 anos. 5) Banheiros em condições insalubres. 6) Total falta de comunicação entre a equipe terceirizada que atendia o público e a SAF. Enfim… Nem toda SAF entrega melhorias… Mas, vamos lá!!!
O Estádio da rua Javari estava bem cheio, tanto na parte local…
Quanto na visitante…
O jogo começou melhor para o Juventus que atacava mais, para a alegria da torcida grená.
Mas, aos 31 minutos, Élvis fez 1×0 pro Ramalhão! Festa na arquibancada visitante!
Que bacana poder curtir um rolê desses… Espero que você que está lendo esse texto tenha um time pra curtir esse tipo de aventura!
O Juventus empatou com Luan, mas aos 50 do primeiro tempo, Rafael Tanque fez 2×1!
Faz o T, que o Tanque tá na área!
A saudade dos amigos ainda é grande e o intervalo mal deu pra por a conversa em dia…. Quando vimos, era hora de recomeçar o jogo!
O 2º tempo seguiu quente, como a temperatura da manhã…
Mas aos 9 minutos Juan fez o terceiro gol do Santo André! 3×1.
E aí veio o sofrimento dos visitantes… Ou a loucura para a torcida local. Paulinho diminuiu aos 32…. E, já nos descontos Thomás empatou o jogo… É dura a vida do torcedor Ramalhino…
Escanteio pro Ramalhão…
A torcida juventina entendeu a importância do resultado e apoiou seu time até o final.
O 3×3 foi sofrido por ter sido construído a partir de um 3×1? Foi. Mas o time segue intenso e acreditando no acesso. Ao menos foi o que o Tanque veio nos dizer!
Outra coisa importante pra se ressaltar é que o Ramalhão tem contado cada vez mais com os jogadores da base, como Daniel Davi. E o Marques é um dos que sempre apoiou a nossa base e por isso fez questão dessa foto!
Como você viu em um post na semana passada, o CA Bandeirante de Brodowski conquistou o 5º título do Amador do Estado e foi uma festa absurda…
Como tivemos muito conteúdo naquele post, não deu pra apresentar ali uma das coisas mais legal que fizemos que foi a coleta de uma série de depoimentos de torcedores históricos do CA Bandeirante, que estiveram presentes nas arquibancadas do Estádio Mário Lima Santos. Então, aproveito este post para divulgar estes vídeos:
A seleção de Cabo Verde se classifica para a Copa do Mundo 2026
Em outubro de 2025, o futebol teve mais um tabu quebrado: Cabo Verde, os “Tubarões Azuis”, entrou para o hall das seleções que garantiram vaga inédita para a Copa do Mundo de 2026.
Para termos ideia de como a notícia repercutiu entre o povo caboverdeano, fomos, eu, Artur e a Luca, até a sede da Associação Caboverdeana do Brasil, que fica em Santo André para conversar um pouco com o pessoal!
Pra começar, vamos conhecer o pessoal que nos recebeu tão bem lá na Associação:
A sede da ACB (Associação Caboverdeana do Brasil) é muito legal e cheio de imagens que resgatam um pouco da cultura do país.
Muitos não sabem, mas Cabo Verde foi colônia portuguesa e por isso tem como língua oficial o Português, mas ainda assim é muito pouco conhecido no Brasil. Porém, a vitória contra a seleção do Essuatíni, na última rodada das Eliminatórias fez com que as coisas mudassem demais!
E a gente entrou no clima!
Mas o pessoal da ACB tem muita história pra dividir com a gente, não só sobre o futebol mas como se deu a vinda dos caboverdeanos para o Brasil:
A presidente da Associação também esclareceu um pouco mais sobre a cultura caboverdeana e as semelhanças e diferenças com a cultura brasileira.
Também descobrimos que existe uma Associação em Santos:
E deu pra falar de futebol local também e aprender que o processo de imigração é a base da atual seleção de Cabo Verde
A conquista da seleção de futebol de Cabo Verde representa um dos capítulos mais inspiradores do futebol africano. O país, formado por um pequeno arquipélago no Atlântico, iniciou sua trajetória internacional em 1978, após a independência de Portugal. E você conhece esse arquipélago?
O papo rendeu, deu pra perguntar sobre questões mais difíceis como racismo…
E finalizamos o nosso papo ouvindo um pouco do dialeto crioulo!
Por décadas, Cabo Verde enfrentou limitações estruturais e econômicas, mas construiu uma identidade marcada pela garra e pelo talento de jogadores espalhados pelo mundo. O ponto de virada veio nos anos 2010, com a primeira participação na Copa Africana de Nações em 2013, quando surpreendeu o continente ao chegar às quartas de final.
Importante ressaltar que com a classificação para a Copa de 2026, Cabo Verde tornou-se a segunda menor nação a qualificar-se para uma Copa do Mundo, (população de pouco menos de 525.000 pessoas) superada apenas pela Islândia (cerca de 334.000 pessoas) que disputou a edição de 2018, na Rússia. Fica nosso agradecimento ao pessoal da ACB e um abraço especial pros jovens Artur e Luca que fizeram o rolê acontecer!
Em novembro de 2025, resolvi celebrar meu aniversário reunindo a família na pacata cidade de Águas de Santa Bárbara, mas, como o interior é cosmopolita, aproveitei para dar um pulo na cidade de Óleo e em Manduri, onde aproveitei para registrar mais um estádio.
Já estivemos em Óleo e escrevemos sobre o futebol local, veja aqui, dessa vez aproveitei para rever a linda estrada que dá acesso à Fazenda Nova Niagara, onde meus avós viveram por alguns anos no início do século passado…
Guardando a entrada da Fazenda, uma família de lagartos…
Ah, que dia lindo para relembrar o passado…
O rolê serviu para conhecer e registrar Manduri, cidade no meio do caminho entre Águas de Santa Bárbara e Óleo, começando pela antiga estação de trem, onde meu avô costumava descer quando, morando em Indiana desejava visitar os amigos que viviam em Óleo. Ali em Manduri, um compadre que possuía um “carro de praça” (era assim que chamavam os taxis) o levava até a Fazenda Niagara…
Da estação ao Estádio Municipal Márcio José Cabral é um pulo! E esta é a sua fachada, em 2025.
Vamos ver a parte interna do Estádio?
Além de ser a atual casa do futebol amador da cidade, o campo também recebeu os jogos do Manduri AC, time fundado em 1954. O distintivo abaixo é do site Arquivos Futebol Brasil:, mas não parece com o da camisa nas fotos abaixo:
O site Acontece Botucatu trouxe uma foto com a seguinte formação do time que disputava a Liga de Futebol de Piraju: Vandinho, Flavião, Mané do Jango, Luiz Antonio, Cacá, Dito, Vantielli e o treinador Renê. Agachados: Passarelli, o mascote China, Pedro Arbex, Zé Airton e Zé Eugênio Almeida.
O pessoal do Diário de Manduri coloriu a foto:
A Gazeta Esportiva de 7 de outubro de 1955 traz uma notícia relacionada ao Setor 42, zona 12 do Campeonato Amador: a vitória do Manduri AC sobre o EC Ferroviário de Bernardino de Campos.
Também encontrei uma notícia sobre um amistoso de 1956, contra o Paulistinha:
E não é que o troco veio no ano seguinte?
Após publicado esse texto, recebi uma mensagem do José Eugênio, nascido em Manduri em 1945. Como testemunha ocular desse 2º jogo do Paulistinha em 1955, ele pediu para resgatar a verdadeira história deste jogo: “O responsável pelo time visitante era o manduriense Thirso Henrique Blanco. Como reforço de seu time estava Hélio Burini, então juvenil mas integrante da SE Palmeiras e responsável em grande parte pelo placar. Realmente o árbitro foi mal, dando um pênalti inexistente que nosso Dema chutou pra fora propositalmente a pedido de seu irmão Carlos Almeida (20 anos) que ficou fora do jogo proibido que foi pelo técnico adversário Thirso. E se isto não ocorresse, todos contemporâneos sabiam que a história do placar seria OUTRO. Carlinhos foi o maior jogador amador conhecido naquela época.”
Obrigado José Eugênio!
Somente em 14 de abril de 1957 é inaugurado o Estádio Municipal:
Em 1958 disputa novamente o Campeonato do Interior:
Outro time da cidade foi o Graminha FC, distintivo do site Escudos Gino:
Tudo isso, há apenas 60 anos atrás… O gol era objeto de respeito e continua bem cuidado!
Olha aí o banco de reservas!
O gol da direita mostra como o gramado está em perfeitas condições:
O gol da esquerda:
O meio campo:
Curta o clima do estádio!
As árvores mantém a arquibancada bastante fresca.
E dependendo do horário, até o goleiro curte uma sombrinha…
A 225ª camisa de futebol do nosso site veio lá de Rondônia, via o amigo Marcel Guariglia que roda o Brasil mapeando projetos de sustentabilidade. O dono da camisa é o Real Madrid Paiter, time do povo Paiter Suruí. E como os europeus se apropriaram de tantas coisas dos povos originários, nada melhor do que uma doce vingança: os Pater Suruí se apropriaram do nome, da coroa, do distintivo e da camisa do poderoso Real!
Aproveitamos a oportunidade para bater um papo com Oyniin Suruí, que hoje atua na comunicação do Real Madri Paiter, assista, e se não for inscrito no nosso canal do Youtube, faça isso e deixe seu like lá no vídeo pra que ele chegue organicamente a mais pessoas.
Atualmente, cerca de 1.900 pessoas vivem em 24 aldeias dentro da Terra Indígena Sete de Setembro e além do time de futebol o povo Paiter Suruí foi o fundador da primeira agência de turismo indígena do Brasil e tem se mostrado super atuante na produção cultural, como o livro que conta sua história:
Os Paiter Suruí relatam que seus antepassados migraram das proximidades de Cuiabá para Rondônia durante o século XIX, fugindo da perseguição dos brancos. E tudo ficou em paz até a década de 60, quando os conflitos com os não indígenas retornaram.
No dia 7 de setembro de 1969, funcionários da Funai tiveram o primeiro contato oficial com o povo Suruí. E dali em diante, a história se repetiu: vieram surtos de sarampo, gripe e tuberculose, que reduziu pela metade sua população. Pra piorar, os que sobreviveram viram seu território invadido por colonos que exploraram recursos naturais, como extração ilegal de madeira e mais recentemente a busca por minérios. Nem todo Agro é Pop.
Os Suruí de Rondônia se autodenominam Paiter, que significa “gente de verdade, nós mesmos”, e falam uma língua que pertence ao grupo Tupi da família Mondé.
Hoje, eles têm usado a internet para denunciar o avanço do desmatamento, mas ainda mantêm muito das suas tradições, tanto no que diz respeito à cultura material quanto aos aspectos cosmológicos. Para conhecer mais, vale visitar o site Paiter Suruí.
Falando sobre o Real Madrid Paiter, é preciso ressasltar que ele não é um clube profissional, surgiu nas aldeias da região de Cacoal, em Rondônia. O time disputa campeonatos locais como o “Ruralzão” e torneios indígenas.
O nome segue uma tradição de batizar seus coletivos com nomes ligados a projetos de sucesso. Além do Real Madrid, existe o “Barcelona Suruí”, e os dois fazem o “clássico” no Ruralzão de Cacoal.
Alguns atletas chegaram a jogar profissionalmente o Campeonato Rondoniense pelo União Cacoalense.
Recentemente, tivemos em Santo André uma feira de cultura do Afeganistão e eu achei incrível a oportunidade de poder conhecer um pouco do povo que nasceu tão longe e atualmente, por problemas sociais, políticos e até religiosos, está vivendo no nosso país. Olha que bacana!
Nova formação do Visitantes? Não, não, só um papo intercontinental sobre música.
E olha cada coisa gostosa…
Além de experimentar várias comidinhas deliciosas e de trocar um monte de ideia sobre cultura em geral, acabei registrando um papo sobre futebol com um dos afegãos que estiveram ali, se liga:
É difícil falar sobre o futebol sem tentar minimamente entender a história do país. Devido à sua localização estratégica ligando o Oriente Médio à Ásia Central e ao subcontinente indiano, o território do atual Afeganistão foi um ponto essencial para a rota da seda e para a migração humana, sendo ocupado por diversos povos.
Seu território sempre foi muito disputado desde a antiguidade até os dias atuais. A história moderna do Afeganistão começa em 1709, com a ascensão dos Pachtuns (ou “pastós”) ao poder em 1747. Em 1776, sua capital foi transferida de Candaar para Cabul. No final do século XIX, o Afeganistão acabou servindo de divisa “neutra” entre os impérios britânico e russo, por isso essa parte mais estreita, porém longa no lado leste do país.
O Reino do Afeganistão, por vezes referido como Reino de Cabul, foi reconhecido como um estado soberano pela comunidade internacional após a assinatura do Tratado de Rawalpindi em 1919. Mas provavelmente você já viu alguma coisa referente à história do país e nem lembra, como por exemplo o livro “O livreiro de Cabul”. Ou veja aqui uma lista de 10 filmes sobre o país.
Após a segunda guerra, a guerra fria teve um desdobramento importante no país: a União Soviética passou a se relacionar mais intensamente com o Reino. Em 1973, a monarquia foi derrubada pelo grupo do general Sardar Mohammad Daoud Khan (esse da foto abaixo), primo do rei Mohammad Zahir, e a URSS torna-se forte aliada da recém formada República com a promessa de maior democracia.
Porém, aos poucos, os EUA foram se reaproximando do governo o que culminou em um novo golpe, em 1978, dessa vez dado pelo partido comunista local, fazendo a URSS voltar a ter protagonismo no Afeganistão. E para evitar futuros problemas e a sensação de incerteza política, os soviéticos decidiram ocupar o país em 1979.
Nem toda a população local curtiu esse movimento, principalmente os grupos extremistas islâmicos que criou uma resistência armada por meio de guerrilhas, como o grupo Mu Jahedin.
E adivinha quem apareceu para apoiar estes guerrilheiros com armas, treinamentos e grana? Se você disse Estados Unidos da América, acertou! Aliás, um dos que receberam essa ajuda foi um cara chamado Bin Laden…
Para os americanos, tudo valia a pena desde que barrassem o crescimento da influência soviética no mundo. E acabou dando certo, pois em 1989, a União Soviética decide tirar suas tropas do Afeganistão, mas o que se viu na sequência foi uma verdadeira guerra civil.
Cara, que povo sofrido… É tiro de todo lado! Era um caos a situação pós União Soviética, mas as coisas ainda iriam piorar: um grupo miliciano dos Mu Jahedin formado por pachtuns conseguiu chegar ao poder em 1996. Era o nascimento do talibã e com ele um novo tipo de governo, legislado pela sharia, uma lei baseada em uma interpretação “beeem particular” do islamismo, bastante antidemocrático, fortemente bélico e que representaria um regresso no tipo de vida que o povo afegão vinha levando.
Só pra exemplificar e citando matéria e foto do G1 (veja aqui), o talibã proíbe música, maquiagem e que as meninas de 10 anos ou mais vão à escola.
Porém, as coisas iriam mudar drasticamente com o ataque às torres gêmeas nos EUA em 2001 pelo grupo Al-Qaeda. Os americanos declararam guerra ao terrorismo e o líder do grupo Osama Bin Laden tornou-se seu principal alvo, como mostrou a capa do “New York Post” de 18 de setembro de 2001:
Tentando fugir dos seus perseguidores, adivinha para onde fugiu Osama Bin Laden? Para o Afeganistão. Assim, dando sequência à “Guerra ao terror”, os EUA invadem o Afeganistão e retiram o talibã do governo.
Porém, assim como aconteceu com os soviéticos, os americanos passaram anos ocupando o país e enfrentando guerrilhas e atentados realizados pelo talibã.
O custo financeiro e também das vidas perdidas, fez com que, em 2014, o então presidente Barack Obama decidisse começar a retirar suas tropas do Afeganistão. Na sequência, Donald Trump iniciou negociações diretas com o próprio talibã para negociar o futuro do país com a saída do exército americano. Somente no governo de Joe Biden, em 2021, a saída das tropas se deu na prática. Imediatamente o talibã atacou o “governo” e voltou ao poder, para o desespero da população local que tentou de todas as maneiras fugir…
O país volta a se chamar Emirado Islâmico do Afeganistão.
Para um resumo de toda essa história, recomendo o vídeo abaixo
A atual retomada do poder pelo talibã, significa voltar um cenário desolador, prejudicando diversas atividades culturais, entre elas o futebol.
Contextualizando a história do futebol, chegou a existir uma seleção nacional ainda nos anos 20 (veja foto abaixo), e a Federação Afegã foi criada em 1922, filiada na FIFA em 1948, e na Confederação Asiática de Futebol desde 1954, sendo um dos seus membros fundadores.
O primeiro clube de futebol afegão foi o Mahmoudiyeh FC, fundado em 1934. Depois surgiu o Ariana Kabul FC, em 1941. De 1946 a 1955 existiu a Liga de Cabul (Kabul Premier League), que teve um único campeão em suas 10 edições: o Ariana Kabul FC. A Liga não foi disputada de 1956 a 1968, retornando na temporada 1968/69 com dois clubes (Habbibiya e Pas Cabul) e a partir de 1978 com 16 clubes. A partir de 1984, com a intervenção soviética não houve mais disputa. Depois, sob o domínio talibã, o futebol era permitido, mas a popularidade deste esporte foi explorada para espalhar propaganda, a ponto de usarem os estádios para realizar execuções públicas na frente de milhares de espectadores nos intervalos dos jogos.
O regime também proibiu mulheres de praticarem esportes, o que levou a protestos de muitas atletas e à saída do país da ex-capitã da seleção afegã, Khalida Popal, em 2011.
Com a queda do talibã em 2001, a Federação volta a atuar com afinco. A Seleção Afegã de Futebol vence o Campeonato da Confederação Sul-Asiática de Futebol (SAFF) de 2013.
Em 2012, uma nova Liga do Afeganistão foi fundada, a Afghan Premier League (APL), também conhecida como Roshan Afghan Premier League.
Sob ocupação dos EUA, o american way of life chegou ao futebol: um reality show chamado Maidan e Sabz definiu pelo público da tv os atletas que compuseram as oito equipes, cada uma representando uma região no Afeganistão, a disputar o Campeonato Nacional a partir de então. Veja um dos capítulos:
Então, vamos conhecer os 8 times, começando pelo Shaheen Asmayee FC. “Shaheen” significa falcão, enquanto “Asmayee” refere-se às majestosas Montanhas Asmaye que dominam o horizonte da capital, Cabul.
Shaheen Asmayee representa Cabul, a capital do país, onde vivem mais de 5 milhões de habitantes. Conquistou 4 títulos da Premier League Afegã (2013, 2014, 2016 e 2017), este é o time de 2013:
Outro time é o Toofan Harirod. Toofan significa “Tufão” e Harirod é o nome do rio com mais de 1.100 quilômetros de comprimento, que flui até a fronteira iraniana, dividindo os dois países.
Toofan Harirod representa a zona ocidental do país e foram os primeiros campeões da Afghan Premier League (APL) em 2012.
Encontrei até uma foto de uma torcedora no campo:
Falemos agora do Simorgh Alborz, que representa as províncias do norte. Simorgh é o nome de uma ave mítica e Alborz é o nome da cordilheira presente na região.
O Simorgh Alborz foi vice-campeão da APL de 2012 e 2013.
Já o Oqaban Hindukosh, tem seu nome em homenagem à cordilheira Hindukosh que serve de casa para as grandes águias do Afeganistão (Oqaban).
Mawjhai Amu representa o nordeste do Afeganistão. Amu é o nome do rio que se estende desde as montanhas de Pamir até o Mar Aral, fazendo fronteira com o Tajiquistão, Uzbequistão e Turquemenistão. Mawjhai significa “onda”.
Representando a região oriental do Afeganistão, temos o time do De Abasin Sape. Abasin é o nome Pashto do rio Indus, que alimenta muitos pequenos rios no Afeganistão. Sape é uma palavra de Pashto que significa ondas.
Representando as Montanhas Spinghar, as Montanhas Brancas, na parte oriental da cordilheira Hindukosh temos o Spinghar Bazan. Bazan significa falcões, muito comuns pelo Afeganistão, especialmente nos climas montanhosos mais frios.
A 8ª e última equipe, representa as províncias de Kandahar, Nimroz, Helmand, Zabul e Orozgan: De Maiwand Atalan. Seu nome vem de uma famosa aldeia no norte de Kandahar chamada “Maiwand”, conhecida pela Batalha de Maiwand, durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã e complementado com o “Atalan”, que significa “Campeões”.
Seria lindo acabar por aqui com você imaginando quanta pujança no Campeonato do Afeganistão, mas… A volta do talibã, em 2021 trouxe uma série de mudanças, a começar pelo nome do campeonato, que passou a ser Afghanistan Champions League.
Um fato triste é que um ex-jogador da seleção de base do Afeganistão, Zaki Anwari, que tentava fugir do país agarrado a um avião acabou morrendo…
Antigos clubes foram reativados no lugar daqueles criados durante a ocupação americana, e uma tentativa de usar o futebol como propaganda de que o talibã está menos agressivo. Será? Os times atuais são o Attack Energy:
O FC Sorkh Poshan…
O Istiqlal_FC…
E o Abu Muslim, entre outros…
Aqui, a classificação final do campeonato de 2022:
Mas se o talibã voltou, também temos viva a luta da eterna capitão do time feminino Khalida Popal! Vivendo como refugiada na Dinamarca, ela voltou a desafiar o sistema do talibã com o objetivo de resgatar meninas e mulheres atletas do próprio país.
Montou uma organização muito legal: a Girl power! (clica aí e confere) Ela escreveu um livro que eu ainda quero ler: My beautiful sisters
Eae? Você já sabia algo do Afeganistão? O post ajudou? Ou você nem chegou a ler essa última linha? O mundo é enorme!
Mas conhecer Luís Correia nos levou num contato ainda maior com a natureza por meio de suas praias, que são lindas e bem tranquilas, como esse visual na praia dos Coqueiros.
É incrível como poucas pessoas falam sobre o litoral piauiense… E de verdade, não é diferente das demais praias tão badaladas do nordeste.
Na Praia do Coqueiro, o mar é calmo e a paisagem convida a ficar ali, principalmente naquelas piscininhas naturais que ficam depois que a maré baixa…
Já a Praia do Macapá é uma formação diferente e bastante única…
O encontro do rio Camurupim com o mar cria um cenário bastante único…
Olha… É um rolê que vale muito a pena. E esse lugar de onde estamos tirando a foto é um restaurante muito bem estruturado a preços até que interessantes…
Exagero dizer que o lugar é mágico?
Sei que não é fácil guardar grana nos dias de hoje, mas se você conseguir investir em uma viagem, nossa sugestão é: visite o Piauí!!!
O destaque culinário local fica com as cocadas da Lúcia, que não tiveram tempo nem de ser fotografadas… Ela é daquele tipo cremosa e vem num recipiente beeeem farto…
Mesmo com tanta praia e natureza, guardamos um tempinho para registrar o futebol local por meio de uma visita ao Estádio Municipal Manoel Freitas Soares, o “Duduzão“.
Bem vindo ao Duduzão!
Parabéns à Prefeitura por manter uma joia dessas!
O portão da frente estava fechado mas conseguimos acessar o estádio pela porta lateral.
Pelo jogo de camisa no varal, ainda tem time mandando jogo aí!
Uma vez mais: obrigado futebol!
O nosso tradicional registro do meio campo:
Do gol da direita:
E o gol da esquerda:
Quem está aí? Outro gato!
O Estádio Duduzão foi a casa do Luís Correia Sport Clube.
O Luís Correia Sport Clube é um clube que colocou a cidade homônima na história do futebol piauiense ao disputar a Segunda Divisão do Campeonato Piauiense de 2005 terminando na segunda colocação e alcançando o acesso à primeira divisão de 2006. Participou ainda da Copa Piauí do mesmo ano, mas desde então encontra-se licenciado abandonando assim sua singela arquibancada…
Mas ainda há lugar para convidados especiais!
Atualmente o estádio atende às partidas amadoras.
A irrigação é obrigatória em um dia tão quente…
E olha que linda a parte coberta da arquibancada:
Montamos um vídeo só sobre esse rolê por Luís Correia, ao som do NOFX, se liga:
Segunda feira, 2 de junho de 2025. E quem disse que em plena segundona a gente não pode acompanhar uma partida de futebol? Fomos até o Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo para enfim registrar um jogo da série C do Campeonato Brasileiro de 2025.
Seja bem vindo ao Estádio Primeiro de Maio!
Em campo, dois times que tem lutado para estar no G8 e assim disputar os mata-matas que vão levar 4 equipes à série B. Apoiando o time da casa, o São Bernardo FC, estão os inabaláveis torcedores da Febre Amarela:
Ali no outro lado da bancada está ainda o pessoal da Guerreiros do Tigre e demais torcedores do time!
Do lado visitante, uma incrível presença dos torcedores de Alagoas, defendendo o time do CSA:
Uma noite fria de outono, mas que em campo se mostrou quente, principalmente para os torcedores visitantes, que logo aos 11 minutos viram o gol do São Bernardo ser anulado por impedimento e aos 19 minutos, Tiago Marques fazer 1×0 para o CSA!
A torcida do CSA fez bonito ao se fazer presente em uma partida em um estádio distante mais de 2 mil quilômetros de sua cidade natal!
Infelizmente, a torcida do São Bernardo vem passando por um momento difícil. Como disse um amigo, apenas os verdadeiros torcedores mantém-se fieis ao time, e diminuiu muito aquele clima de caldeirão que existia no Estádio e complicava a vida dos visitantes.
Talvez o clima gerado pela presença da torcida visitante tenha inspirado os jogadores do CSA e, em especial, Tiago Marques que fez a alegria da galera marcando o segundo gol dos alagoanos aos 27 minutos.
Como é que se explica o amor a um time?
Foi especial ver tantos azulinos nas arquibancadas, vindos de Maceió ou mesmo já radicados pela Grande São Paulo carregando em seus corações histórias e lembranças de desafios dessa nova realidade.
Foi mais do que futebol: a arquibancada deu lugar para reencontros, aventuras e saudade. Muitos que migraram para cá em busca de uma vida melhor puderam, por 90 minutos, se sentir de volta à infância, à cidade natal, às lembranças boas de casa. Aos que enfrentaram os 2 mil quilômetros de viagem… Foi como viver uma odisseia!
“Vai pra cima deles, Azulão”, cantavam os alagoanos:
O CSA em campo foi mais do que um time: foi o elo com as raízes, com a memória e com o coração.
Com os dois gols no placar, o CSA foi para o intervalo sabendo que o mais difícil já havia sido feito. Aproveitamos para ouvir um pouco daqueles que decidiram apoiar o time alagoano no ABC paulista.
Também fomos ouvir o pessoal da Mancha Azul, a organizada do CSA, sempre vibrante e sempre presente, ainda que a polícia militar tenha dificultado ao máximo a presença dos caras, impedindo a entrada das faixas e demais materiais.
Por outro lado, a torcida local mantinha seu apoio e acompanhava com dor o difícil momento.
Aos 20 minutos do segundo tempo, penalty para o CSA e Enzo marcou o terceiro e derradeiro gol.
Aos 26 o São Bernardo diminuiu com Felipe Azevedo que veio do banco de reservas para honrar minimamente o manto do São Bernardo!
Um pouco de pressão no final do jogo, com direito a algumas boas defesas do goleiro Gabriel Félix, mas o placar terminou nos 3×1 para os visitantes.
A preocupação da torcida do CSA agora é pensar no confronto com o Vasco pela Copa do Brasil, e quem sabe viver mais um feito histórico do time alagoano!
Parabéns aos azulinos alagoanos pela presença! Espero revê-los em breve!