O Estádio Municipal “José Antônio Rossi” e o futebol em Iacanga

Iacanga talvez não seja lembrada, à primeira vista, como uma cidade de futebol.
Conhecida nacionalmente pelo histórico Festival de Águas Claras, onde Raul Seixas fez um show beeem improvisado…

Também reconhecida por suas belas represas, praias de água doce e atividades náuticas, Iacanga é um verdadeiro refúgio para quem busca natureza e tranquilidade no interior paulista.

Porém, quando falamos em futebol, a história é diferente. Até hoje (2026), nenhum clube de Iacanga disputou competições profissionais da Federação Paulista de Futebol.
Ainda assim, a cidade resolveu apostar no esporte como ferramenta de desenvolvimento e passou a construir seu próprio capítulo nessa história e em 2019 nasceu o União Futebol Clube, voltado principalmente à formação de atletas.

O time tem como mascote o “leão do Tietê”…

O União FC se filiou à Federação Paulista em 2020 e ganhou projeção ao representar Iacanga na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2022.

E foi assim que o Estádio Municipal José Antônio Rossi tornou-se a sede do Grupo 9 reunindo União Iacanga, Grêmio Novorizontino, Santa Cruz-PE e União ABC-MS, e levando para uma cidade de pouco mais de 12 mil habitantes clubes e torcedores de diferentes regiões do país.

Fiquei curioso ao encontrar essa placa no estádio que menciona o antigo time Iacanga FC que mandou seus jogos no estádio e que foi fundado em 1942.

O sucesso na organização da primeira fase da copinha foi tamanho que a Federação Paulista escolheu Iacanga para receber uma partida da segunda fase, entre Grêmio Novorizontino e Castanhal-PA.

Depois da Copinha, o Estádio José Antônio Rossi continuou recebendo competições oficiais da Federação Paulista, tornando-se casa das equipes Sub-11 e Sub-13 do Grêmio Novorizontino no Campeonato Paulista de Base.

Infelizmente o clube se desligou da FPF e simplesmente sumiu.
Mas mesmo com tão pouco tempo de existência, valeu pra reforçar que o futebol também vive em cidades onde não exista um clube profissional disputando as divisões do Paulistão.

Vive na vontade de construir um projeto, de abrir espaço para os jovens e de fazer com que uma pequena cidade seja lembrada em todo o Brasil por meio da bola.

Registrar a cultura do futebol é contar sobre times cheios de conquistas como falamos na semana passada do Avaí, mas também é contar histórias como a de Iacanga, onde o esporte encontrou nas águas calmas do interior paulista um ambiente perfeito para sonhar.

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229 – Camisa do Bauru Atlético Clube, o “Baquinho”

A 229ª camisa do site nos leva de volta a uma cidade que já visitamos algumas vezes e que sempre nos recebe de braços abertos: Bauru, no interior de São Paulo.

E ela representa um dos clubes mais tradicionais da história esportiva da cidade, o querido Bauru Atlético Clube, eternizado pelo apelido carinhoso de Baquinho.

Impossível passar por Bauru e não lembrar das histórias que o futebol deixou espalhadas pela cidade.
Uma delas está justamente em um lugar que muita gente frequenta sem imaginar o que existia ali antes: onde hoje funciona um supermercado, ficava o antigo Estádio Antonio Garcia, ou Estádio Lusitana, a casa do Bauru Atlético Clube, palco de jogos, encontros e memórias que marcaram gerações de torcedores.

O Estádio é daqueles lugares em que o concreto substituiu as arquibancadas, mas não conseguiu apagar a história.
Ao menos, o mercado manteve esse lindo mural na entrada.

O Baquinho foi um dos clubes mais importantes do interior paulista durante boa parte do século passado.
Fundado em 1º de maio de 1919 com o nome de Luzitana Futebol Clube, carregou o nome de Bauru para diversas competições e ajudou a construir a identidade esportiva da cidade.

Mais do que resultados, o clube se tornou um patrimônio afetivo de seus torcedores, daqueles times que representam uma época inteira da vida de uma comunidade.

E quando falamos da história do Bauru Atlético Clube, existe um personagem que conecta o Baquinho à maior lenda do futebol mundial.
Foi no clube que atuou João Ramos do Nascimento, o Dondinho, pai de Pelé. Antes de o Rei nascer para o futebol, seu pai já deixava sua marca nos gramados do interior paulista, vestindo a camisa do Bauru Atlético e ajudando a escrever um capítulo importante da família que mais tarde mudaria a história do futebol.

O próprio rei chegou a vestir sua camisa!

Por isso, esta camisa carrega muito mais do que cores e escudo.
Ela representa uma cidade apaixonada por futebol, um clube centenário e uma ligação direta com uma das maiores histórias já contadas dentro das quatro linhas.

É uma lembrança de que o futebol brasileiro não foi construído apenas pelos grandes clubes das capitais, mas também por equipes do interior que formaram atletas, reuniram comunidades e alimentaram sonhos.

Guardar uma camisa do Baquinho é preservar um pedaço dessa memória.

A camisa serve pra lembrar dos estádios que já não existem mais, das histórias contadas pelos mais velhos, das viagens por cidades do interior e da certeza de que o futebol vive não apenas nos grandes títulos, mas principalmente nas lembranças que permanecem vivas muito depois do apito final.

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