229 – Camisa do Bauru Atlético Clube, o “Baquinho”

A 229ª camisa do site nos leva de volta a uma cidade que já visitamos algumas vezes e que sempre nos recebe de braços abertos: Bauru, no interior de São Paulo.

E ela representa um dos clubes mais tradicionais da história esportiva da cidade, o querido Bauru Atlético Clube, eternizado pelo apelido carinhoso de Baquinho.

Impossível passar por Bauru e não lembrar das histórias que o futebol deixou espalhadas pela cidade.
Uma delas está justamente em um lugar que muita gente frequenta sem imaginar o que existia ali antes: onde hoje funciona um supermercado, ficava o antigo Estádio Antonio Garcia, ou Estádio Lusitana, a casa do Bauru Atlético Clube, palco de jogos, encontros e memórias que marcaram gerações de torcedores.

O Estádio é daqueles lugares em que o concreto substituiu as arquibancadas, mas não conseguiu apagar a história.
Ao menos, o mercado manteve esse lindo mural na entrada.

O Baquinho foi um dos clubes mais importantes do interior paulista durante boa parte do século passado.
Fundado em 1º de maio de 1919 com o nome de Luzitana Futebol Clube, carregou o nome de Bauru para diversas competições e ajudou a construir a identidade esportiva da cidade.

Mais do que resultados, o clube se tornou um patrimônio afetivo de seus torcedores, daqueles times que representam uma época inteira da vida de uma comunidade.

E quando falamos da história do Bauru Atlético Clube, existe um personagem que conecta o Baquinho à maior lenda do futebol mundial.
Foi no clube que atuou João Ramos do Nascimento, o Dondinho, pai de Pelé. Antes de o Rei nascer para o futebol, seu pai já deixava sua marca nos gramados do interior paulista, vestindo a camisa do Bauru Atlético e ajudando a escrever um capítulo importante da família que mais tarde mudaria a história do futebol.

O próprio rei chegou a vestir sua camisa!

Por isso, esta camisa carrega muito mais do que cores e escudo.
Ela representa uma cidade apaixonada por futebol, um clube centenário e uma ligação direta com uma das maiores histórias já contadas dentro das quatro linhas.

É uma lembrança de que o futebol brasileiro não foi construído apenas pelos grandes clubes das capitais, mas também por equipes do interior que formaram atletas, reuniram comunidades e alimentaram sonhos.

Guardar uma camisa do Baquinho é preservar um pedaço dessa memória.

A camisa serve pra lembrar dos estádios que já não existem mais, das histórias contadas pelos mais velhos, das viagens por cidades do interior e da certeza de que o futebol vive não apenas nos grandes títulos, mas principalmente nas lembranças que permanecem vivas muito depois do apito final.

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De volta ao campo do União Lyra Serrano, em Paranapiacaba

Em 2023, a Prefeitura de Santo André efetuou o restauro do campo do União Lyra Serrano, mas somente agora em 2026 consegui voltar até lá para registrar o resultado deste investimento.

Já estivemos por lá várias vezes, veja aqui como foram as outras visitas, pra você comparar com o atual estado.
Confesso que, visualmente, não percebi mudanças tão significativas.

Estádio do Serrano Atlético Clube - Paranapiacaba

Acabei me esquecendo de visitar o Memorial Charles Miller, espaço com várias fotos e objetos que contam a importância da vila inglesa para o futebol. Na entrega do memorial, Giovana Miller, bisneta de Charles, esteve presente.

O restauro foi além do campo e chegou à arquibancada, que é feita de madeira, e vinha bem prejudicada pelas avarias do tempo.

Além da arquibancada, os trilhos de trem que servem como base para o alambrado também foram recuperados e construídos dois novos vestiários.
Os recursos vindos do PAC Cidades Históricas foram da ordem de R$ 3,9 milhões.

E por que é tão importante esse campo, justificando tamanho investimento?
É que embora oficialmente a primeira partida de futebol no Brasil teria ocorrido no Brás, em 14 de abril de 1895, entre as equipes da Companhia de Gás de São Paulo e a Companhia Ferroviária de São Paulo, a Vila Inglesa de Paranapiacaba já abrigava seu campo, sendo assim, o primeiro campo com medidas oficiais do Brasil.

O campo era usado pelo Serrano Atlhetic Club, time formado por ferroviários da São Paulo Railway e chegou a enfrentar grandes times do futebol paulista como Santos e Corinthians.
Em 1936, o Serrano A.C. se uniu à Sociedade Recreativa Lyra da Serra, formando o Clube União Lyra Serrano.
Se você ainda não conhece o campo ou a vila, é hora de mudar isso, venha para Paranapiacaba!

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