
São vários os fatos que levam uma pessoa a se apaixonar pelo futebol.
Pode ser a herança cultural familiar, pode ser simplesmente porque o cara é bom de bola, pode ser por morar perto do estádio, enfim… Diversos motivos.
Hoje, com 31 anos, eu paro e me pergunto…
“O que me fez viciar no detalhismo do futebol?”
Porque não falo de um gosto somente pelo “jogar”, mas pelo assistir, torcer, conhecer…
E foi remexendo na minha memória que lembrei de um fim de tarde onde meu pais chegando em casa trazendo 100 pacotinhos de figurinhas (uma remessa ousada pra é Claro, foi isso! As figurinhas!
Eram minha principal fonte de informação, muito mais que o jornal, que ainda soava adulto demais, e a Placar que eu não tinha tanto acesso.
Luís Carlos Tófolli, Cláudio André Mergen e Raimundo Nonato Tavares da Silva eram nomes fáceis pra qualquer criança de 10, 11 anos.
Nossos pais os conheciam apenas superficialmente por Gaúcho, Taffarel e Bobô, mas nós, os moleques do bairro sabíamos tudo.
O número da camiseta, a posição, onde nasceu, onde jogou, número da figurinha, ao lado de quem ficava no campo, no álbum, enfim…
Eram tempos mágicos. Por que mágicos?
Porque quase dava pra usar as figurinhas do ano anterior no álbum da época, tamanha era a manutenção dos atletas em seus clubes.
Lembro do goleiro Ademir Maria (só falta eu ter lembrado errado), que era o goleiro reserva do Inter… Ele ficou anos ali… na segunda página do Inter.
Jogou pouquíssimas partidas, mas era figurinha comum nos álbuns.

E as figurinhas especiais? Os distintivos? Os mascotes? Os técnicos? As figurinhas carimbadas….
Eram tempos mais divertidos.
Mais simples, menos arrogantes, menos business.
Hoje, os poucos álbuns que são lançados trazem informações que logo se alteram graças a jogadores que trocam de time ali, no meio do ano, sem contar os vários times que não participam (principalmente Atlético PR e Corinthians) por não conseguirem chegar a uma conclusão sobre os direitos de imagem.
Forçando um pouco a memória, acho que o primeiro álbum ligado ao futebol que eu colecionei foi o da Copa União de 1987 e o do Campeonato Paulista de 88, com figurinhas mais quadradas, um pouco diferente das que se tornaram tradicionais anos depois.
Tentei encontrar estes álbuns para comprar, mas…. nunca tive a oportunidade, um amigo me disse que mesmo se eu achar ainda vou pensar duas vezes porque além de tudo não são nada baratos.
A troca, o “bater bafo”, o “cata-deixa-não-se-queixa”, o “cachorro-louco”, os bolsos estufados dos “bolos”…
Existia todo um universo paralelo pra quem as colecionava.
Mas, como disse Paulo Machado de Carvalho numa entrevista que a TV Cultura reprisou esses dias…
“Certas coisas que aconteceram, nunca mais serão vistas. Nunca mais veremos um Pelé, um Maradona, nunca mais veremos um Golias (comediante), um Adoniran.” Nunca mais veremos essa cultura inocente e heroica das figurinhas.
