Alcans Park, a Arena do I9 Futebol Clube (Ribeirão Preto-SP)

Em setembro de 2026, estivemos em Sertãozinho para acompanhar uma partida da equipe local contra o Santo André pelo Campeonato Paulista sub20 (veja aqui como foi o rolê).

Como de costume, aproveitamos a oportunidade para conhecer outros estádios e assim, já no caminho de volta, demos uma parada na Alcans Park.

A casa do I9 Futebol Clube tem seu acesso em uma via marginal da Rodovia Abraão Assed, no Km 53,5 no chamado “Recreio Anhanguera”, ainda em Ribeirão Preto:

O Alcans Park é um dos símbolos desse novo futebol que ganha força principalmente no interior, um complexo esportivo voltado à formação de atletas, e que funciona como sede e centro de treinamento do I9 Futebol Clube.
Pelo Google Maps dá pra ver a estrutura do local, com um pequeno estádio e outros 4 campos, entre outros equipamentos:


Vem dar uma olhada e conhecer mais um capítulo do futebol do interior paulista:

O Alcans Park também recebe partidas das categorias de base e pelo que eu entendi passou a funcionar como um centro de eventos de entretenimento e outros esportes.

O I9 Futebol Clube foi fundado em 2019 como “I9 Football Tech” (sigla para Tecnologia – Educação – Comunidade – High Performance), sendo um projeto empresarial focado na formação de atletas, liderado pelo empresário Eduardo Perticarrari Mucci.

Buscando excelência na formação de jovens atletas, o I9 investiu em uma estrutura própria, metodologia educacional e planos de atuação internacional.
Para aguentar o tranco, o campo do seu estádio possui gramado sintético de última geração.

Aqui uma foto do Linkedin do próprio I9 mostrando o estádio logo depois da renovação do seu gramado artificial.

O I9FC passou a disputar as competições oficiais da Federação Paulista de Futebol em 2021.

Antes disso, em 2019, o Comercial Futebol Clube anunciou uma parceria com o I9 para a gestão de suas categorias de base, utilizando o Centro de Treinamento Santa Iria, anteriormente associado ao Olé Brasil, outro clube da cidade que nasceu com a proposta da formação de atletas (já falamos deste time anteriormente, veja aqui)

Sua primeira participação oficial nos Campeonatos Paulistas da Federação se deu em 2021, com as categorias Sub-15 e Sub-17.

Nosso tradicional registro do lado esquerdo do campo (ali ao fundo tem a estrutura dos alojamentos e cozinhas):

O meio campo:

E o gol da direita, por onde se entra no Alcans Park:

Em 2024 alcançou a terceira fase do Paulista Sub-15.
Em 2025, as quartas de final do Paulista Sub-15 e as oitavas do Sub-17.
Em 2026, disputa a Copa São Paulo…

Nesse ano, novamente alcança o mata-mata do Sub-17.
Além disso, o Alcans Park recebeu partidas do Brasileirão Feminino Sub-20.

O I9 divuga que já foram negociados mais de 70 jogadores com clubes como Bahia, Athletico-PR, Red Bull Bragantino, Coritiba e São Paulo, mas este abaixo não é nenhum deles, sou eu eternizando o momento.

Embora o I9 tenha alcançado relativo sucesso, ainda não tem planos para a disputa de competições profissionais, e mesmo se isso ocorrer, acho difícil as arquibancadas do Alcans Park receberem torcida, uma vez que o clube não tem grande relevância cultural nem mesmo geográfica com a população de Ribeirão Preto.

Mas pelo menos o I9 continua como a possibilidade de realização dos sonhos de dezenas de jovens que apostam no futebol como profissão.

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De volta ao Estádio Hudson Buck Ferreira, o “Ninho da Águia”

Sábado, 19 de abril de 2025.
Depois de alguns anos, voltamos ao Estádio Dr Hudson Buck Ferreira para acompanhar uma partida da SE Matonense válida pelo Campeonato Paulista sub 17.

A última vez que estivemos por aqui foi em 2010! Veja aqui como foi.

Os jogos da base não tem cobrança, mas vale a foto na bilheteria:

E já que não precisa ingresso, vamos ao campo!

Confesso que não tinha grandes expectativas em relação ao público por se tratar de uma competição de base, mas me surpreendi bastante com a boa presença de torcedores!

Se você nunca esteve no Estádio da Matonense, recomendo uma visita, porque ele é bastante peculiar.

As cabines de imprensa são um charme à parte.
As janelas e vitrais permitem a visualização do espaço onde os profissionais estão e mesmo aparentemente pequenas, certamente já abrigaram transmissões cheias de emoção.
A sensação é de que qualquer rádio AM que se preze já teve alguém narrando ali um “grande clássico regional”.

Degraus estreitos, arquibancadas relativamente altas, um forte tom azul com alguns detalhes em amarelo…
Seria exagero chamá-lo de “A Bombonera caipira“?

Essa é a vista do gol da esquerda, onde existe a sequência da arquibancada e que permite uma capacidade para mais de 12 mil torcedores.

Aqui, o meio campo, e é para onde está a maior parte da cidade.

E aqui, o gol da direita, onde não existe nenhuma arquibancada.

Olhando para a arquibancada principal, boa parte dela é coberta, oferecendo conforto aos torcedores e também dando uma característica visual ainda mais proprietária.

Na imagem abaixo dá para ver bem como as arquibancadas se juntam atrás do gol.

Entre tantos devaneios, lembranças e imaginações sobre quanta história já ocorreu neste estádio, quase acabei me esquecendo de prestar atenção na partida.
Mas o time do Rio Claro logo chamou minha atenção ao abrir o placar em um contra-ataque fulminante!

O time da Matonense sentiu o baque ao ter seu gol vazado tão cedo e estando nos seus domínios, mas logo os próprios atletas procuraram se tranquilizar e buscar o “recomeço” do jogo.

Mas o time do Rio Claro parecia motivado a sair com os 3 pontos, e seguiu lançando-se ao ataque.

As partidas do sub-17 de hoje em dia são bastante disputadas e os jogadores já se apresentam com um comprometimento tático e físico similar ao dos profissionais.

Cada canto abrigava um personagem: o adolescente sonhador com a camisa do time, a mãe que gritava o nome do filho em cada lance, o vendedor de pipocas sonhando com dias de melhores públicos…

Conforme o sol da manhã ia surgindo dentre as nuvens e iluminando as estruturas do estádio, revelando detalhes da pintura, as bandeiras e a simplicidade que só o tempo oferece.
Tudo ali parece ter parado para lembrar o que é o futebol raiz, mas muito bem cuidado!

Os meninos da SE Matonense foram guerreiros.
Mas o futebol não tem coração.
E não era o dia do time local…
O Rio Claro fez 7.
7×0…

Mas sinceramente? O resultado foi o que menos importou.
O importante foi reencontrar esse templo escondido do futebol paulista e registrar, mais uma vez, que os estádios também têm memória.
E que a Matonense ainda vive.

Alheias ao que ocorria no campo, as crianças jogavam sem pensar no amanhã…

O jogo foi chegando ao fim e claro que rolou um clima meio melancólico…

Com o apito final, ficou no ar aquela atmosfera que mistura silêncio, frustração e um certo carinho pela presença em mais um dia de vida do Estádio.
Era como se ao sair, o Dr. Hudson Buck Ferreira sussurrasse ao nosso ouvido: “Volte mais vezes, mesmo que o jogo não seja decisivo. O futebol sempre estará aqui.”

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