No início de dezembro de 2025, estivemos na estrada para uma viagem até Brodowski com a missão de acompanhar a final do Amador do Estado entre o CA Bandeirante e União FC de Atibaia com os amigos Mário e Brasileiro (veja aqui como foi a conquista do 5º título do Band).
Mas, além da partida, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade.
A Antiga Estação Ferroviária guarda um pouco da memória de quando os trens conectavam Brodowski com o mundo.
A placa explica um pouco da importância da ferrovia à época. Incrível a gente ter perdido tudo isso não é mesmo?
A Estátua que antes homenageava as despedidas e a saudade dos que se vão pelas linhas do trem, hoje, pra mim, representa a falta que a própria ferrovia faz… Ela partiu e sabe lá quando volta…
Interessante eles manterem exposto um canhão usado na segunda guerra para lutar contra os nazistas! Nunca é bom esquecer essas coisas.
A praça em frente à estação guarda muitas lembranças também. O que dizer desse banco, com a propaganda da Casa Macchetti? Olha o número do telefone: 66. E mais nada.
Ali está também o Coreto da cidade! É algo simples mas que combina demais com a cultura local.
Brodowski também é muito conhecida por ser a cidade natal de Portinari e sua casa se tornou um museu que recebe muitos turistas!
Algumas construções sobreviveram ao tempo até hoje…
Falando do sagrado, essa é a igreja matriz da cidade…
Mas, falando sobre o profano… A versão local da carreta furacão também arrebata corações por lá!
Como já dissemos, o futebol na cidade é mais que um esporte, é mesmo uma cultura que faz a cabeça de quem vive por lá. Até o Portinari entrou nessa fita!
Mesmo com times novos surgindo, a rivalidade local fica mesmo por conta do clássico entre o CA Bandeirante e o Brodowski FC, e como já falamos bastante do primeiro, é hora de falar sobre o time mais antigo da cidade…
O Brodowski FC foi fundado em 15 de setembro de 1920, e tem uma história cheia de mistérios, visto que não existem muitos documentos sobre essa primeira fase do time.
O Brodowski sagrou-se também campeão-amador setorial, em 1970, 1971 e 1976 e ainda em 1981, 1982 e 1983, e vice-campeão estadual no ano de 1983. Em 1986, é campeão amador do estado!
Fomos conhecer o seu Estádio, o “Zé Turquim”.
Pelo que entendi, conversando com os moradores, mesmo antes de ser um estádio, o campo do Brodowski sempre foi ali, desde 1920.
Infelizmente não conseguimos entrar no campo, então demos um jeitinho… Acabamos fazendo amizade com o pessoal que mora bem ao lado do estádio (aliás, um abraço a vocês!!!) e, do quintal deles pudemos registrar o campo!
Ali dá pra ver a arquibancada coberta e o gol do lado esquerdo:
20 de setembro de 2025. Celebramos o aniversário da Mari com um rolê pelo tradicional Circuito das Águas Paulistas, e aproveitei para conhecer 3 estádios. Os dois primeiros deles foram em Socorro: o Estádio Nego, a casa da AA Socorrense e o Estádio João Orlandi Pagliusi. Você pode ver o post sobre estes dois estádios aqui!
E agora, chegamos ao terceiro deles: o Estádio Municipal Pedro Torteli, em Lindóia.
Não encontrei nenhuma informação oficial sobre quais eram os povos indígenas que ocupavam a área antes da chegada dos portugueses, mas sabe-se que no geral, a região foi habitada por diversas etnias naquele como os Tupi, Tamoio, Tupiniquim entre outros. A formação da atual cidade se deu por estar no caminho entre o litoral e as minas de Goiás.
No início, o pequeno povoado tinha o nome de Brotas do rio do Peixe. Com a construção do ramal férreo da Cia. Mogiana, de Serra Negra em 1890, a região adquiriu um canal para escoamento de sua produção agrícola. Em 1938, foi criada a “Estância Hidromineral de Lindóia“, futura Águas de Lindóia, e a partir de 1953, se tornou sede de cidade, enquanto Lindóia passou a ser apenas Distrito de Paz. Em 1965, Lindóia adquiriu a sua emancipação Política Administrativa O futebol surgiu na cidade ainda nas primeiras décadas do século XX mas nunca se aventurou pelo profissionalismo. Mesmo assim, mantém desde 1972 o lindo Estádio Municipal Pedro Torteli, a casa do futebol local, e assim, lá fomos nós conhecer e registrá-lo!
Olhando das arquibancadas, este é o lado esquerdo. Lá ao fundo, temos uma linda quadra de bocha.
A quadra segue em uso contínuo!
Aqui, o gol do lado direito:
E aqui, o meio campo:
O singelo Estádio tem capacidade para 2 mil torcedores.
Vamos dar um rolê para conhecer:
É sempre uma aventura cheia de aprendizados estar em mais um Estádio do interior de SP!
Pra quem pergunta quais times utilizam este estádio, conheça alguns deles:
Aqui, uma imagem de um time posado com uma camisa identificando-o como EC Lindoia.
Bacana o lugar, não?
O Estádio Pedro Torteli não é apenas um espaço esportivo, mas um ponto de encontro comunitário, onde famílias se reúnem, jovens têm seu primeiro contato com o futebol e assim, mantém viva a tradição do esporte como ferramenta de integração social, fortalecendo o vínculo entre o passado e o presente de Lindóia.
E, como em tantos outros estádios do interior, sua importância vai além do placar ou das competições: ele representa a identidade de uma cidade que, mesmo pequena, encontra no futebol um motivo de orgulho.
Visitar o Pedro Torteli é testemunhar a resistência da cultura esportiva local e valorizar a memória de quem construiu essa história, sempre lembrando da importância de apoiar e preservar o time e o campo da sua cidade.
Mais um patrimônio do futebol do interior paulista registrado!
24 de outubro de 2020. É dia de conhecer mais um templo do futebol do interior de São Paulo: o Estádio Municipal Massud Coury, na cidade de Rio das Pedras!
A cidade fica bem próxima de Piracicaba e se você perceber, ela tem uma guardiã logo na entrada…
Uma simpática coruja que nos deu as boas vindas a este lugar tão importante para o interior de São Paulo.
Andar por essas bandas é reviver a história de locais por onde viviam, num primeiro momento, os povos indígenas e, na sequência, tropeiros e bandeirantes em busca de pedras preciosas e também na tentativa de escravizar os povos originários locais. Esse é um assunto pouco falado no Brasil, que merece sempre uma lembrança, usando essa pintura de Jean-Baptiste Debret:
Como tudo era feito na caminhada, locais para descanso eram estratégicos, e logo a casa de uma família de lavradores ficaria conhecida como “Pouso do Rio das Pedras“. Mas o tempo é o senhor da vida e tão rápido quanto os indígenas locais foram expulsos, escravizados ou exterminados, o progresso chegou materializado na Ferrovia. Nascia a Estação Rio das Pedras que segue por lá…
A estação colaborou para a chegada de mais pessoas criando um povoado que daria origem à Freguesia do Senhor Bom Jesus de Rio das Pedras, porque além de eliminar a cultura indígena, nosso povo sempre deu um jeito de incluir a religião na história. Essa é a Paróquia Senhor Bom Jesus De Rio Das Pedras:
A qualidade das terras trouxe a cafeicultura para a região, e com ela africanos escravizados num primeiro momento e imigrantes (principalmente italianos), a partir da proibição da escravização. O crescimento populacional fez a freguesia se tornar distrito do Município de Piracicaba, depois, elevado à Vila de Rio das Pedras, e finalmente à categoria de cidade em 19 de dezembro de 1894. O declínio do café trouxe a cana de açúcar como acultura dominante da região para atender as Usinas que ali se estabeleceram (Usina São José, Usina Nova Java e Usina Santa Helena). Claro que a Raizen já chegou por ali e dominou a produção local.
Atualmente, além das usinas, novas empresas tem se estabelecido na região, como a Hyundai. Assim, a cidade segue seu rumo ao futuro… Sem esquecer do seu passado.
E um olhar pro passado não pode ser feito sem deixar de se lembrar do futebol local. Passaram pela cidade 5 times usando o nome “Riopedrense“. O primeiro deles a Associação Atlética Riopedrense foi fundada na década de 20.
O time jogou diversas competições municipais e também com times da região. Encontrei essa foto na Fanpage “Rio das Pedras antiga”. Seria do time de 1934:
Nestas primeiras décadas de existência, jogadores como o goleiro Civolani e o zagueiro Dito Boi (nos anos 20), Lio Roncato (nos anos 30) e Luis Paris e Osvaldo Miori (nos anos 40) entraram para a história local. Esse foi o time de 1940:
A partir de 1942 passou a disputar a 15ª região do Campeonato do Interior, até 1944. O time nunca chegou a se classificar para a segunda fase, já que essa era uma das regiões mais difíceis, visto que jogavam os times de Piracicaba, Santa Bárbara do Oeste, Capivari e Indaiatuba. Só nos anos 50 o time realizou campanhas expressivas, como o bicampeonato da “Liga de Capivari”, a “Ituana“, que era a primeira fase, regional do Campeonato do Interior, de 1953 e 1954:
Em 1954, após ser campeão da “Ituana”, foi jogar a final da região com o XI de Agosto de Tatuí e sagrou-se campeão na melhor de 3 partidas (derrota por 4×1 em Tatuí, vitória de 3×1, em Rio das Pedras e 2×0 no jogo decisivo, dia 4 de abril de 1954). Destaque para os jogadores Áureo, Rugia e Joãozinho Migriolo e Antonio Furlan. Leia mais sobre essa época no site de Luiz Barrichelo, um apaixonado pela cidade pelo time! Outra boa matéria sobre a época saiu na “Revista Nossa“, lá de Rio das Pedras mesmo.
Mas, a AA Riopedrense acabou fechando suas portas e o time a representar a cidade no futebol a partir de 24 de junho de 1968, passou a ser o Clube Recreativo e Esportivo e Social da Usina Sao Jorge.
Era o time formado pelo pessoal da própria Usina São Jorge, que hoje se encontra em ruínas…
Mais do que manter o futebol ativo, o time da Usina São Jorge levou a cidade ao futebol profissional pela primeira vez na história, disputando a série A3 em 1975 e 76. O amigo Roberto (pesquisador do time do Primavera de Indaiatuba) nos enviou um belo registro do empate em 1×1 entre o São Jorge contra o Primavera de Indaiatuba, em Indaiatuba, pelo campeonato de 76:
Ainda segundo as pesquisas do Roberto, o resultado do jogo de volta, em Rio das Pedras, no dia 3/10 foi um novo empate: Usina São Jorge 0 x 0 Primavera. O resultado mais desastroso foi: A.E. Laranjalense 7×1 Usina São Jorge. Assim, compunha o seu grupo:
Com o fim do Clube Recreativo e Esportivo e Social da Usina São Jorge, surge o segundo time homônimo: a Associação Atlética Riopedrense.
Se por um lado, os dois times homônimos não guardam nenhuma relação entre eles, a população local acabou abraçando de coração esta segunda agremiação, fundada em 7 de junho de 1977, por Antenor Soave. Iniciou sua história disputando o Torneio Alfredo Metidieri, naquele mesmo ano de 1977.
A então “refundada” Associação Atlética Riopedrense também levou a cidade ao futebol profissional! A sua estreia aconteceu no quarto nível do futebol paulista (a atual série B) de 1977, que teve o Primavera de Indaiatuba como campeão. Aliás, obrigado ao Roberto e ao Michael por passarem os resultados:
No ano sequinte jogou o quinto nível do Campeonato Paulista de 1978. Este campeonato era chamado de “Terceira Divisão“, mas acima dela existiam 4 outros níveis: o Campeonato Paulista de Futebol, a Divisão Intermediária, o Campeonato Paulista da Primeira Divisão e o Campeonato da Segunda Divisão. Veja como foi a boa participação na estreia do time:
Classificado para o octogonal decisivo (o Dracena foi eliminado), o time terminou em 3º lugar!
Nesse ano, a rivalidade com a Saltense foi elevada à décima potência, já que a vitória sobre eles no último jogo, quando lideravam o Grupo, deu o título ao Cruzeiro. Olha que bela história contada por um torcedor da época:
“O primeiro jogo foi em Salto, e junto ao time, uma pequena torcida se deslocou para aquela cidade. A torcida da Saltense, pra ajudar o time, naquele dia humilhou e maltratou o nosso time e também a nossa pequena caravana de torcedores voltamos derrotados e humilhados a Rio Das Pedras. Jogo de volta, o troco. Sem ninguém combinar nada, a cidade se uniu em dar uma recepção melhor a que tínhamos recebido lá em Salto. Dia do Jogo!!!!!!!!!!Horas antes do jogo, o povo de RdP já estava em peso na frente do Estádio. E sem nenhum líder, fez um grande corredor Polonês a espera de “nossos convidados”. E eles todos chegaram, o time e mais de dez ônibus de torcedores, isso fora uma caravana de automóveis, seguramente mais de 400 pessoas. Pois bem…..Hora do troço……….Conforme iam chegando, tinham que passar pelo corredor montado pelos Riopedrenses, e aí uma chuva de tapas e tabefes e alguns chutes no bum-bum. Apanharam, antes, durante e depois do jogo, em que o Cacique da Ituana (a AA Riopedrense) saiu vencedor. Terminado o jogo, os torcedores da Saltense se recusaram a sair do Estádio, pois o corredor novamente estava a sua espera, e somente com a chegada do Batalhão de Choque e do Canil da PM de Piracicaba, enfim deixaram o Campão em segurança, e lógico que com alguns pneus furados e algumas portas amassadas. Nem o Riopedrense e nem a Saltense, se sagraram campeãs naquele ano, mais o jogo entrou para a história. O TROCO FOI DADO.”
Em 1979, mais uma disputa da quinta divisão, classificando-se para a 3a fase!
Chegamos a 1980 e as mudanças na estrutura do futebol paulista levam a AA Riopedrense a disputar o terceiro nível do futebol paulista.
Em 21 de novembro, ainda foi disputado um amistoso: AA Riopedrense 1×4 Comercial (Ribeirão Preto). Jogou a A3 ainda em 1981, que teve o Cruzeiro FC como campeão. Mais uma vez as pesquisas do amigo Roberto e do Michael nos ajudaram a dividir com você, os resultados:
Em 1982, mais uma A3, com o Barra Bonita campeão. E a AA Riopedrense realizou uma boa campanha! Chegou a disputar a segunda fase do campeonato…
E em 1983, com o CAL Bariri campeão, a AA Riopedrense termina aí sua participação no futebol profissional.
Além das 2 AA Riopedrense, outros 3 times mais recentes resgatam o nome e o futebol local. Este é o Clube Atlético Riopedrense, fundado em 10/07/2013 e que tem jogado o amador.
Outro, também dedicado ao futebol amador é o Clube Riopedrense de futebol.
E por fim a Associação Olímpica Riopedrense:
E a casa do futebol local em Rio das Pedras desde tempos antigos até hoje é o Estádio Municipal Massud Coury!
Mais uma bilheteria pra nossa conta!
O Estádio segue muito bem cuidado, com sua bela arquibancada coberta!
Pra se ter ideia geral do campo, olhando da arquibancada, esse é o gol esquerdo:
Aqui o meio campo, onde podemos perceber o sistema de iluminação.
E aqui, o gol do lado direito:
Vamos experimentar um role entrando no estádio desde a rua:
Aqui, uma visão do lado oposto, para se admirar a lindíssima arquibancada coberta!
A visita a um estádio como esse dá uma sensação muito bacana…
Muita energia boa envolvida, muitas imaginações e imagens vêm à minha cabeça, como eu costumo dizer “saudades do que eu não vivi”.
E ao mesmo tempo me sinto honrado em poder estar num estádio que teve tanta história no passado e que ainda tem feito a alegria de quem gosta de futebol em Rio das Pedras.
Olha os bancos de reserva ali atrás, que bacana!
Tentei registrar o estádio no maior número de ângulos possíveis pra tentar dividir com quem não conseguiria viajar até Rio das Pedras, mas que adoraria saber como é andar por ali…
Aqui, eu estou atrás do gol, e se você estivesse ali e se virasse para olhar pra traz, veria que ao fundo do estádio está o ginásio de esportes da cidae, que aliás estava em reforma.
Ali, aparentemente estão os vestiários em azul.
Enfim, só nos resta admirar a vista do Estádio Municipal Massud Coury, sonhando com alguma iniciativa meio doida de levar novamente o futebol da cidade ao profissionalismo. Quem sabe com um dos times que jogam por lá atualmente…
Vamos embora, levando no coração e na memória um pouco de tudo isso que ouvimos, que vimos e que lemos…