Estádio em João Neiva-ES

Durante a tour do As Mil Camisas pelo Espírito Santo, entre o fim de 2025 e o começo de 2026 tivemos a oportunidade de conhecer João Neiva, localizada na região central do Espírito Santo, e que traduz bem o encontro entre tradição, natureza e desenvolvimento.

Cercada por áreas de Mata Atlântica, rios e paisagens rurais, o município também preserva uma forte influência da imigração italiana, presente na arquitetura, na gastronomia, nas festas típicas e no jeito acolhedor de sua população.

Com pouco mais de 16 mil habitantes, João Neiva cresceu mantendo características de cidade do interior, onde a vida comunitária e o sentimento de pertencimento continuam fazendo parte da rotina.
E essa identidade também se reflete no futebol, tendo como principal personagem a Associação Atlética Ferroviária.

O time nasceu com uma ideia muito além do esporte, nasceu pra fortalecer os laços entre famílias dos trabalhadores da Ferrovia.

O clube foi fundado em 1º de janeiro de 1968 com a fusão do Sul América, Independente e Clube Nolasco.

Em 1973, o ônibus que transportava a delegação bateu de frente com um caminhão boiadeiro carregado, um episódio que abalou profundamente a cidade de João Neiva e a deixou em luto.
Apesar da tragédia, a Ferroviária seguiu na disputa do Campeonato Estadual até o ano de 1974.
A partir de 1975, o clube passou a disputar o Campeonato do Norte, não retornando mais à elite do futebol capixaba.

A última participação no profissionalismo foi na Segunda Divisão Capixaba de 1993.
Um detalhe curioso é que seu elenco contou com a participação do padre Carlos Bascaran.

A Ferroviária mandava seus jogos no Estádio Artêmio Sarcinelli que homenageia o jogador nascido em João Neiva e que também jogou no São Paulo e Flamengo, além de ser o treinador da Desportiva Ferroviária no Campeonato Brasileiro de 1973.

Se a Ferroviária anda sumida, o Estádio ainda segue lá.
Movimentando o futebol local e ajudando a preservar aquelas histórias que dificilmente aparecem nos grandes centros.
É justamente essa conexão entre território, memória e comunidade que faz do futebol do interior um patrimônio cultural tão importante quanto qualquer outro símbolo da cidade.
Então, vem com a gente conhecer o Estádio Artêmio Sarcinelli!

As arquibancadas ainda são modestas e os muros antigos.
Detalhes que o tempo foi desgastando.

Mas também uma atmosfera difícil de explicar.
Parece que o tempo resolveu esperar.
Como se o estádio ainda aguardasse o próximo grande domingo de futebol.

Me pergunto sobre quantas histórias foram vividas ali.
A movimentação dos dias de jogo… o torcedor chegando, o barulho vindo da arquibancada, o nervosismo antes da bola rolar, o cheiro de chuva misturado com grama e concreto quente…
Existe uma beleza melancólica nesses lugares.

Eles resistem ao tempo mesmo quando tudo em volta muda.
E talvez seja justamente isso que a gente tanto tenta registrar nessas viagens: não apenas estádios, mas memórias vivas do futebol brasileiro.

Porque antes das arenas, dos camarotes e dos gramados perfeitos, o futebol nasceu em lugares assim.
E lugares assim jamais deveriam ser esquecidos.

E se o campo e as bancadas ainda estão ali, sempre temos a esperança de que o futebol volte a florescer na cidade, e por isso saímos dali com o coração cheio!

Ok, o estômago também não saiu tão solitário graças aos deliciosos Bejuzinhos que compramos na Casa Brasil…

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O Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica – ES

Mais um rolê em busca de estádios, histórias, amigos e memórias.
Dessa vez, embora frustrado por não poder acompanhar um jogo, fomos conhecer o Estádio da Desportiva Ferroviária de Cariacica, time que tenho ouvido muito falar, nos últimos anos, principalmente pelo amigo e torcedor Thiago Nunes Abikahir.

Cariacica é um município da “Grande Vitória”, mais ou menos como as cidades do ABC em relação a São Paulo.
Você nem percebe que saiu e já está lá.  
O nome da cidade vem da expressão “Cari-jaci-caá”, utilizada pelos índios para identificar o porto onde desembarcavam os imigrantes.
Sua tradução é “chegada do homem branco”.

E assim como no ABC, Cariacica também tem suas quebradas…

Estivemos lá no carnaval de 2013 e pudemos conhecer diversos Estádios da região de Vitória, e um deles foi o Estádio Engenheiro Alencar de Araripe, ou simplesmente Engenheiro Araripe, como é mais conhecido.

Atualmente este é o principal estádio do Espírito Santo, com capacidade para mais de 15 mil torcedores.

Enquanto não se termina o novo Estádio Estadual Kleber Andrade, o Engenheiro Araripe vai se consagrando como casa do futebol capixaba.

O Estádio também está passando por obras e melhorias nas arquibancadas atrás do gol.

Mas nada que interrompa a rotina de receber jogos.
Chegamos numa sexta feira de noite, quase sábado, e no final da tarde o campo já havia recebido mais um jogo da Desportiva Ferroviária.
Um estádio muito bacana, pra calar a boca de quem acha que o Espírito Santo não tem uma cultura futebolística interessante.

O Estádio foi fundado em 1966, e teve sua partida de estreia entre a Desportiva Ferroviária e o América do Rio de Janeiro, jogo vencido pelos cariocas por 3 a 0. Naqueles tempos a capacidade era de cerca de 28.000 torcedores.

O Estádio tem uma parte coberta bem grande e um anel de arquibancada descoberta que envolve todo o campo.

Encontramos uma relação dos jogadores que disputaram a partida da tarde anterior… Resquícios do futebol pré carnaval em terras capixabas…

Pra quem achava que o Espírito Santo não tinha uma cancha forte… Ta aí!

Ficamos satisfeitos pela oportunidade de conhecer esse Estádio e de poder apoiar um dos estados que, na minha opinião, teria que ser muito mais valorizado do que é.

Nesse momento em si, falamos da casa da Desportiva Ferroviária, mas esperamos, dentro da nossa humilde força e alcance, contribuir para o fortalecimento do futebol capixaba.

Vale contar que em 2011, a Desportiva Ferroviária conseguiu adiar o leilão do estádio para pagamento de dívidas acumuladas.

O Engenheiro Araripe recebeu o único jogo oficial da seleção brasileira, no estado do Espírito Santo, em 1996, na vitória contra a Polônia, por 3 a 1.

O estádio foi ainda o local de mando de jogo da Desportiva Ferroviária, no Brasileiro Série B de 1994.
Independente de resultados, a cultura da cidade e região merece seu valor!

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