A 232ª camisa do nosso site pertence à Associação Atlética São Mateus, e embora eu a tenha há bastante tempo, só lembrei que não havia postado sua foto depois que estive na cidade de São Mateus (veja aqui como foi), e claro que aproveitei para conhecer sua casa, o Estádio Manoel Moreira Sobrinho, o “Sernamby“!
O Centro Educativo Recreativo Associação Atlética São Mateus, também chamado de “Associação” ou apenas “São Mateus” é um dos clubes mais tradicionais do futebol capixaba e um dos grandes representantes do norte do Espírito Santo.
Sua fundação, em 13 de dezembro de 1963, faz lembrar a história do VOCEM de SP. Assim como o time paulista, a então Associação Atlética Paroquial surge por meio dos seminaristas da Congregação Mariana e do Padre Antônio Pianca. Em 1971, passou a se chamar Associação Atlética Desportiva, até chegar a seu nome atual: Centro Educativo Recreativo Associação Atlética São Mateus. Em 1975, a Associação conquistou o Campeonato do Norte do Estado, credenciando-se a disputar seu primeiro Campeonato Capixaba no ano de 1976, ficando na terceira colocação. Olha a torcida que o acompanhou naquele ano:
O time adotou o azul e o branco como suas cores oficiais, em referência ao manto de Nossa Senhora e ao longo de sua história, tornou-se uma referência no futebol do interior do estado, conquistando espaço entre as principais equipes capixabas. Uma de suas importantes conquistas foi o título da segunda divisão estadual de 1987:
Em 1994, a Associação foi vice-campeã capixaba, podendo disputar a série C do Campeonato Brasileiro do ano seguinte, mas em 2008 e 2019, conquistou o título da segundona capixaba.
E o “SAMA” ainda chegou ao título da primeira divisão capixaba em 2009… (foto e história da confusão incrível na final, disponível no incrível “Memória futebol capixaba”):
Desde 2025, o São Mateus não disputa em qualquer competição profissional, seja na Série A ou Série B do Campeonato Capixaba. E em 2026, surge um novo time na cidade, o Audax São Mateus. Será o fim da Associação? Ou o início de uma nova era?
O ano já corre a mil por hora e faltou postar aqui um detalhe do nosso rolê por Ribeirão Preto. Além do Estádio Palma Travassos, do Comercial…
E do Estádio Santa Cruz, do Botafogo…
Também aproveitamos para dar um rolê pela cidade…
E Ribeirão Preto ainda tem muitos prédios históricos de pé, principalmente na região central.
E quando falamos do mundo do futebol, uma obra histórica que segue de pé é o Estádio Costa Coelho:
O Estádio Costa Coelho nasceu como Campo da Mogiana, e não foi um empresário rico que resolveu construir um estádio, quem sonhava com ele e colocou a mão na massa foram cerca de 800 ferroviários da Companhia Ferroviária Mogiana, que queriam um clube recreativo.
Um dos líderes desse movimento era o engenheiro Antônio da Costa Coelho, que depois se tornaria o primeiro presidente do Esporte Clube Mogiana de Ribeirão Preto, fundado em 27 de julho de 1938. Muita gente acha que o Mogiana de Ribeirão e o de Campinas eram clubes totalmente independentes. Na verdade, ambos pertenciam ao universo da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. O Brasão abaixo eu peguei no incrível Arquivos Futebol Brasil.
Esse contexto explica por que o estádio tem um caráter quase operário. Enquanto muitos clubes paulistas nasceram ligados à elite cafeeira ou às colônias de imigrantes, o EC Mogiana era profundamente ligado à ferrovia. E o bairro onde ele foi construído também conta uma história: o então chamado Bairro da República, atual Vila Virgínia, na época era uma periferia de Ribeirão Preto, uma área mais próxima às oficinas da companhia ferroviária.
O campo existia antes do estádio. Até 1954, o local era apenas um campo utilizado pelo futebol amador. Sem arquibancadas, sem grande estrutura. Era simplesmente o “Campo da Mogiana”.
Quem transformou o campo em estádio foi… o Comercial Essa talvez seja a parte mais curiosa. Quando o Comercial voltou ao futebol em 1954, não tinha casa e pra resolver isso, a diretoria comercialina alugou o campo da Mogiana. Foi o próprio Comercial que instalou arquibancadas de madeira, ampliando a capacidade para cerca de 12 mil pessoas. Pelo que entendi, as arquibancadas ficavam ao lado desta pequena área ainda coberta.
Ou seja… O Costa Coelho, como estádio, é praticamente uma obra conjunta de dois clubes: patrimônio do Mogiana, mas estrutura viabilizada pelo Comercial. Sem o Costa Coelho, talvez o Comercial tivesse muito mais dificuldade para voltar ao futebol profissional. Foi ali que aconteceu a reconstrução do clube e o vice da Segunda Divisão em 1954 e o título da Segunda Divisão Paulista em 1958. Em certo sentido… O Costa Coelho é o berço do Comercial moderno.
Era conhecido como “Brinco de Madeira“. Essa expressão aparece em relatos antigos. As arquibancadas eram totalmente de madeira, o que dava um ambiente muito diferente dos estádios atuais.
Quem viveu aquela época conta que o barulho da torcida fazia literalmente a arquibancada vibrar. Venha dar uma olhada em como o local está atualmente:
Pelé jogou aí… Santos, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Portuguesa, Ponte Preta e Guarani também… O último jogo comercialino ocorreu em setembro de 1964, contra o América-RJ em um amistoso para arrecadar dinheiro para terminar o Palma Travassos. É quase como se um estádio estivesse ajudando a construir o outro. Depois veio o silêncio, quando o Comercial saiu… O Mogiana também praticamente abandonou o futebol. As arquibancadas foram desmontadas. O espaço virou clube recreativo, com bocha e malha. Mas o gramado nunca desapareceu. Essa talvez seja a parte mais bonita. Mesmo sem estádio, o campo continuou recebendo futebol amador e servindo como clube social durante décadas. Atualmente… Parece que o futebol chegou ao fim e que só estão esperando alguma coisa pra por abaixo toda essa história.
Só pra concluir o rolê também passamos pelo local onde ficava o antigo Estádio da Rua Tibiriça…
E pelo Estádio Luís Pereira, primeiramente chamado de Campo da Vila Tibério, surgiu junto com o Botafogo Futebol Clube.
Aqui pelo menos dá pra ter ideia de como segue a arquibancada, em uma foto aérea que peguei desse bom vídeo:
Durante a tour do As Mil Camisas pelo Espírito Santo, entre o fim de 2025 e o começo de 2026 tivemos a oportunidade de conhecer João Neiva, localizada na região central do Espírito Santo, e que traduz bem o encontro entre tradição, natureza e desenvolvimento.
Cercada por áreas de Mata Atlântica, rios e paisagens rurais, o município também preserva uma forte influência da imigração italiana, presente na arquitetura, na gastronomia, nas festas típicas e no jeito acolhedor de sua população.
Com pouco mais de 16 mil habitantes, João Neiva cresceu mantendo características de cidade do interior, onde a vida comunitária e o sentimento de pertencimento continuam fazendo parte da rotina. E essa identidade também se reflete no futebol, tendo como principal personagem a Associação Atlética Ferroviária.
O time nasceu com uma ideia muito além do esporte, nasceu pra fortalecer os laços entre famílias dos trabalhadores da Ferrovia.
O clube foi fundado em 1º de janeiro de 1968 com a fusão do Sul América, Independente e Clube Nolasco.
Em 1973, o ônibus que transportava a delegação bateu de frente com um caminhão boiadeiro carregado, um episódio que abalou profundamente a cidade de João Neiva e a deixou em luto. Apesar da tragédia, a Ferroviária seguiu na disputa do Campeonato Estadual até o ano de 1974. A partir de 1975, o clube passou a disputar o Campeonato do Norte, não retornando mais à elite do futebol capixaba.
A última participação no profissionalismo foi na Segunda Divisão Capixaba de 1993. Um detalhe curioso é que seu elenco contou com a participação do padre Carlos Bascaran.
A Ferroviária mandava seus jogos no Estádio Artêmio Sarcinelli que homenageia o jogador nascido em João Neiva e que também jogou no São Paulo e Flamengo, além de ser o treinador da Desportiva Ferroviária no Campeonato Brasileiro de 1973.
Se a Ferroviária anda sumida, o Estádio ainda segue lá. Movimentando o futebol local e ajudando a preservar aquelas histórias que dificilmente aparecem nos grandes centros. É justamente essa conexão entre território, memória e comunidade que faz do futebol do interior um patrimônio cultural tão importante quanto qualquer outro símbolo da cidade. Então, vem com a gente conhecer o Estádio Artêmio Sarcinelli!
As arquibancadas ainda são modestas e os muros antigos. Detalhes que o tempo foi desgastando.
Mas também uma atmosfera difícil de explicar. Parece que o tempo resolveu esperar. Como se o estádio ainda aguardasse o próximo grande domingo de futebol.
Me pergunto sobre quantas histórias foram vividas ali. A movimentação dos dias de jogo… o torcedor chegando, o barulho vindo da arquibancada, o nervosismo antes da bola rolar, o cheiro de chuva misturado com grama e concreto quente… Existe uma beleza melancólica nesses lugares.
Eles resistem ao tempo mesmo quando tudo em volta muda. E talvez seja justamente isso que a gente tanto tenta registrar nessas viagens: não apenas estádios, mas memórias vivas do futebol brasileiro.
Porque antes das arenas, dos camarotes e dos gramados perfeitos, o futebol nasceu em lugares assim. E lugares assim jamais deveriam ser esquecidos.
E se o campo e as bancadas ainda estão ali, sempre temos a esperança de que o futebol volte a florescer na cidade, e por isso saímos dali com o coração cheio!
Ok, o estômago também não saiu tão solitário graças aos deliciosos Bejuzinhos que compramos na Casa Brasil…
No começo de 2026 tive a oportunidade de fazer um rolê bem bacana pelo litoral do Espírito Santo, o que nos levou à cidade de Conceição da Barra, já no no extremo norte do estado.
Ali, o mar, os rios e a cultura popular se encontram de forma única.
Conhecida por suas praias extensas, dunas, áreas de restinga e pela foz do Rio São Matheus (também conhecido como rio Cricaré), a cidade preserva um ritmo próprio, marcado pela pesca, pelas tradições culturais e pela forte ligação de seus moradores com o território.
É um daqueles lugares onde a paisagem ajuda a contar a história da comunidade.
Estivemos na histórica Igreja Nossa Senhora da Conceição:
Pra quem consegue viajar, vale a pena sair da cidade e ir até a vila de Itaúnas e nadar no rio homônimo que é sensacional!
Só não caia no erro de querer ir perto desta chaminé, pra tirar uma foto do que parece ser (ou ter sido) uma olaria ali na saída da cidade… O nosso carro atolou e perdemos algumas horas embaixo de um sol de 40º na cabeça até conseguir sair… Mas, tudo faz parte da história!
Vale reforçar que Conceição da Barra é muito mais do que um destino de verão.
Assim como suas praias e seu patrimônio cultural, o futebol também faz parte da identidade local, tendo o Sul América Futebol Clube como o representante da cidade, desde sua fundação, em 13 de fevereiro de 2005.
Mais recentemente, houve uma tentativa de disputar a segunda divisão de 2018, que acabou não se concretizando, mantendo o clube apenas nos campeonatos amadores e de categoria de base. O Sul América FC manda seus jogos no Estádio Gastão Kock da Cunha, um símbolo de pertencimento que atravessa gerações e mantém viva a relação entre a comunidade e suas tradições.
Existem estádios que vivem de grandes públicos. Outros, de grandes títulos. E existem aqueles que vivem de algo ainda mais valioso: o pertencimento.
Em Conceição da Barra, o Estádio Municipal Gastão Kock da Cunha é esse lugar: mais do que a casa do Sul América Futebol Clube, ele é o ponto de encontro da memória esportiva de uma cidade que aprendeu a cultivar sua identidade longe dos holofotes, mas nunca longe da paixão pelo futebol.
Ao longo de sua trajetória, o Sul América carregou o nome de Conceição da Barra para as competições profissionais do futebol capixaba, disputando por 3 vezes a Série B do Capixaba (a segunda divisão estadual) em 2005, 2006 e 2008.
Em um cenário onde o futebol do Espírito Santo ainda enfrenta preconceitos e é frequentemente ignorado por quem acompanha apenas os grandes centros do país, clubes como o Sul América cumprem uma missão que vai muito além das quatro linhas: preservar tradições, movimentar comunidades e manter viva a relação entre o futebol e o território que o sustenta.
E talvez seja justamente essa uma das maiores riquezas do futebol capixaba.
Aqui, o nosso tradicional registro do gol da direita:
O gol da esquerda:
E o meio campo:
O que ficou da nossa visita é a sensação de que aquele estádio pertence à cidade e que a cidade também pertence a ele. Em tempos de futebol cada vez mais globalizado, lugares como a casa do Sul América lembram que o verdadeiro valor de uma camisa continua sendo a capacidade de representar uma comunidade inteira.
No início de 2026, colocamos o pé na estrada para mais uma tour pelo Espírito Santo com direito a muita estrada, histórias, encontros e rolês por várias cidades carregadas de memória, cultura e futebol. Assim, chegamos em São Mateus onde o tempo pareceu andar mais devagar.
Foi emocionante estar a beira do rio São Mateus, conhecido como Rio Cricaré que passa pela cidade e deságua no Oceano Atlântico em Conceição da Barra (ES). O rio teve papel crucial desde os primeiros habitantes, principalmente os Guarani e os Aratu sendo uma via natural de locomoção, fonte de água, pesca e subsistência para essas comunidades.
Fundada em 1544, São Mateus é a segunda cidade mais antiga do Espírito Santo e durante os séculos XVIII e XIX, seu Porto foi um dos maiores pontos de desembarque de navios negreiros do Brasil, direcionando os escravizados para o interior de Minas Gerais e para as lavouras da região.
Outro ícone desta época foi a Igreja Velha, que teve sua construção iniciada em meados do século XIX.
Falando sobre o futebol local, escondido entre lembranças, concreto envelhecido e saudade, existe um lugar que ainda pulsa no coração da cidade: o Estádio Manoel Moreira Sobrinho, o eterno Estádio do Sernamby.
O Estádio, embora seja municipal, ficou marcado como a casa da AA São Mateus.
Fundada em 1963, a Associação Atlética São Mateus nasceu no bairro Sernamby a partir de um projeto comunitário liderado por moradores, religiosos e voluntários, simbolizando a ideia de união popular. O time é um dos maiores representantes do futebol do norte capixaba, conquistando os Campeonatos Capixabas de 2009…
Além destes títulos, a AA São Mateus se tornou o maior campeão da Série B do Espírito Santo, tornando o time conhecido como “O Gigante do Norte” e também “Pit Bull do Norte” e fazendo do Sernamby, a extensão da identidade da cidade e da paixão de sua torcida.
O estádio foi inaugurado em 5 de março de 1965, e atualmente já não recebe multidões como antes. Mas o local ainda carrega as marcas do tempo.
E o silêncio que hoje mora ali, onde antes estava a arquibancada lateral, parece impossível de combinar com a história gigantesca daquele lugar.
Olha como era essa arquibancada:
Ao pisar no Sernamby dá pra sentir que aquilo nunca foi apenas um estádio de futebol. Foi mesmo um sonho da comunidade. Enquanto caminhávamos pelos arredores do estádio, tentando imaginar o barulho que um dia tomou conta daquele lugar, dava para sentir que cada pedaço de concreto guardava uma memória diferente.
Mas o Estádio Sernamby não era só a casa da Associação Atlética São Mateus. Era (e é) parte da alma de São Mateus.
E a esperança ainda segue viva, assim como a outra arquibancada lá atrás do gol. Segundo matéria de maio (veja aqui), finalmente houve a assinatura da escritura definitiva do Estádio Municipal Sernamby.
Pouca gente de fora entende esse tipo de sentimento, né? Incrível como supermercados e farmácias são sempre mais valorizados do que escolas, estádios e espaços públicos… O Sernamby nasceu muito antes das grandes partidas, dos refletores e das arquibancadas lotadas e também indo muito além do futebol: cursos gratuitos, encontros e um espaço onde nasciam ideias para transformar o bairro.
O estádio carregava até no nome uma história de generosidade. Manoel Moreira Sobrinho foi delegado, líder religioso e professor voluntário de português para crianças pobres da região. É como se o estádio tivesse herdado essa essência: servir às pessoas. E serviu.
Serviu como palco de tardes inesquecíveis. De títulos, de rivalidades históricas. De domingos em família. De crianças vendo o gramado pela primeira vez e acreditando que dali poderia nascer um futuro.
Ali teve suor de jogador, voz rouca de torcedor, vendedor atravessando arquibancada, rádio de pilha no ouvido e aquele nervosismo típico do futebol do interior, onde cada jogo parece assunto da cidade inteira durante a semana. O Sernamby cresceu junto com o povo.
Vieram os muros, o alambrado, as arquibancadas. Veio a famosa “Campanha do Cimento” em 1996, quando torcedores, empresários e lideranças locais se uniram para ampliar o estádio.
Vieram os refletores em 1998. Vieram noites iluminadas que pareciam grandes demais para uma cidade do interior, mas que cabiam perfeitamente na paixão daquele povo.
E talvez seja exatamente por isso que dói tanto vê-lo fechado, ferido e parcialmente demolido pelo tempo.
Porque estádio de verdade não é feito só de estrutura. É feito de pertencimento.
Enquanto observávamos aquelas arquibancadas vazias, dava para imaginar os fantasmas bonitos do passado ainda vivendo ali: o eco de um gol, o grito vindo da geral, o apito do juiz, a explosão da torcida do São Mateus.
Parecia que o estádio ainda estava esperando alguma coisa. Talvez mais uma partida. Talvez mais uma multidão. Talvez a chance de respirar novamente.
E no fundo, é isso que emociona. Mesmo abandonado durante anos, o Sernamby nunca saiu do coração da cidade. Porque lugares assim ultrapassam sua função original. Eles viram memória coletiva.
Por isso tanta gente sonha com sua volta. Não é apenas sobre reformar um estádio. É sobre recuperar histórias. É sobre devolver identidade. É sobre impedir que uma parte da memória de São Mateus desapareça junto com o concreto envelhecido.
E saímos dali entendendo uma coisa: alguns estádios jamais morrem completamente.
O Estádio do Sernamby é um deles, e por isso tão importante. Espero que dias melhores possam vir…
Mas também passamos por outros locais como Ibiraçu, cidade pequena, tranquila, cercada de verde e com um ritmo que convida à observação. Caminhar por suas ruas é perceber como se forma a cultura e identidade local misturando histórias que vão da gastronomia à espiritualidade, passando pelo nosso amado futebol.
O grande marco da cidade é, sem dúvida, o Buda Gigante, localizado no Mosteiro Zen no Morro da Vargem. Acabei me perdendo um pouco pra chegar lá, mas no fim deu tudo certo.
Com mais de 30 metros de altura, ele se impõe de forma serena sobre a paisagem, criando um contraste poderoso com a natureza do entorno. A visita ao Buda não é apenas turística, é contemplativa. O silêncio, a vista e a sensação de acolhimento fazem do local um espaço de pausa e reflexão, ampliando ainda mais o entendimento de Ibiraçu como um lugar mágico…
Tão mágico que possui uma linda história no futebol capixaba. E foi pra aprender um pouco mais desta história que visitamos o Estádio Marcos Jorge Campagnaro, o Marcão.
Estar aqui é um encontro que todo pesquisador apaixonado por futebol espera encontrar pelo caminho. Não é apenas um campo de jogo: é um ponto de memória viva do futebol capixaba, cravado em uma cidade que já experimentou o auge da glória esportiva, com o Ibiraçu Esporte Clube (se você quer conhecer este e outros escudos de times, precisa visitar o site Escudos Gino que foi de onde tirei as 3 versões abaixo):
Fundado em 9 de outubro de 1959, o Ibiraçu Esporte Clube nasceu de uma fórmula conhecida: a fusão entre tradicionais equipes locais, no caso América e Vitória. Se o local do nascimento foi o Salão Paroquial da Igreja Matriz, a casa onde o time tem passado sua vida é o Estádio Marcos José Campagnaro.
O Estádio Marcos José Campagnaro foi inaugurado em 1º de Abril de 1979, com uma partida entre Ibiraçu X Rio Branco, disputando o troféu José Ivo Secomandi, vencido por 1×0 pelo time visitante.
Em 1982, o Ibiraçu EC sagrou-se Campeão Capixaba da Série B.
Mas a grande conquista veio em 1988, com o título da 1ª divisão do Campeonato Capixaba, eternizando seu nome entre os grandes do futebol capixaba.
Assim, o Ibiraçu tornou-se o primeiro clube do Espírito Santo a disputar a Copa do Brasil, em 1989, enfrentando o Grêmio, que viria a ser o campeão daquele torneio. E foi pra conhecer de perto essa história que fomos até o Estádio Marcos José Campagnaro.
Num primeiro momento, fiquei preocupado de que não conseguiria entrar, pois o portão principal estava fechado…
Quando isso acontece, a solução, normalmente, nasce dando uma volta no estádio e procurando vizinhos e um possível “caseiro” ou responsável pelo local.
Esse é a lateral do estádio:
E assim, acabei conhecendo o atual caseiro, ex atleta do time e que segue trabalhando no clube, que permitiu o nosso acesso! Logo de cara, na parte interna existem diversas placas comemorativas que registram os feitos históricos do time.
A presença dentro do campo sempre é um momento especial para quem gosta de caçar estádios…
Um estádio com muita história e uma energia muito boa!
Talvez, essa boa energia venha em parte dessa natureza exuberante que se faz presente na cidade como um todo e em especial ali, literalmente ao lado do campo.
Só fiquei triste de não poder estar ali na arquibancada curtindo um dia de jogo pra sentir como é a vibração da torcida local.
O estádio possui até um sistema de iluminação que permite os jogos noturnos. Ainda que uma das torres esteja ali sendo engolido pela mata. Se você quer saber mais sobre o time, segue eles no Insta (clique aqui)!
Estivemos várias vezes passeando pelo Espírito Santo. Em 2020, graças ao amigo Thiago, pude ir até a cidade de Serra pra conhecer o Estádio Robertão, a casa do Serra FC (veja aqui como foi)
Porém, no final de 2025, tivemos a oportunidade de voltar ao estado e dar um rolê, passando por cidades como Vitória (onde inclusive assistimos à Super Copa Capixaba: Vitória 5×1 Rio Branco), Serra, Aracruz, São Mateus, Linhares, Conceição da Barra, João Neiva, Ibiraçu, e além de praias e lagoas, fui conhecer os Estádios locais.
Assim, começo contando como foi a nova visita ao Estádio Roberto Siqueira Costa (Robertão).
Se você nunca esteve no Estádio, conheça um pouco do entorno do Robertão.
Dessa vez, consegui adentrar ao Estádio e agradeço ao pessoal da gestão do time que não só liberou a minha entrada como me falou bastante sobre o dia a dia atual do clube.
Finalmente, aí está a parte interna do Robertão!
O Robertão não é um estádio moderno. Caminhar por ali é sentir o futebol sem filtro. O som do bairro, a montanha ao fundo, o campo logo ali, sem distância entre quem joga e quem assiste. Não tem fachada imponente nem arquitetura moderna, mas tem identidade. Daquelas que não se copia. Talvez nem seja muito “receptivo” para torcedores visitantes..
Dê uma olhada em como é estar pelo Estádio:
É um estádio raiz, cru e até hostil. Cada detalhe do estádio parece contar uma história. O concreto gasto, o placar manual, o distintivo na parede. Tudo ali remete a um tempo em que o futebol era mais próximo, mais humano, e em que o clube fazia parte da rotina da cidade, não só do fim de semana.
Visitas assim lembram por que registrar estádios importa. Porque mais do que jogos, eles guardam memória, pertencimento e resistência.
O Robertão segue ali, firme, esperando o próximo apito inicial e gente disposta a ocupar arquibancada, cantar e manter essa história viva. Em resumo: adorei a visita!
Este é o meio campo, visto de quem está na arquibancada, lá ao fundo a montanha:
Acredito que aquela arquibancada do outro lado seja o espaço destinado aos torcedores visitantes.
Aqui, o gol da direita, e você pode perceber que o estádio fica literalmente no meio do bairro, ainda bastante horizontal.
E aqui o da esquerda:
Deve ser muito legal ver um jogo aqui. E deve ser difícil bandeirar um jogo kkkk.
Além de tudo, ainda deu pra ver o elenco ali presente se preparando para o Campeonato Capixaba.
Bacana essa cor alternativa da camisa, né?
O distintivo do time na parede guarda a área dedicada aos materiais do time.
Ali estão pôsteres e troféus do time.
Pra terminar, ainda pude ver os materiais a venda como as camisas…
Estivemos no Espírito Santo na passagem de 2025 para 2026 e além de conhecer um pouco das maravilhas do litoral capixaba também fomos registrar estádios e… de presente extra, acompanhamos nosso 1º jogo do ano.
E não poderia ser melhor: a Supercopa Capixaba, valendo taça, no Estádio Salvador Venâncio da Costa.
Ainda fora do Estádio, o clima era de festa pela torcida do Vitória!
Além da partida em si, o torcedor do Vitória aproveitou pra renovar o armário e adquirir a nova camisa do time.
A Torcida Sangue Azul fez a sua parte e não parou de cantar um minuto mesmo muito antes da bola rolar…
E como o jogo não foi oficializado pela Federação Capixaba (um grande lapso da Federação, na minha opinião), a pirotecnia pode rolar solta!
Muitas faixas e bandeiras também deram ao Estádio cara de decisão!
E olha o time do Vitória entrando em campo!
Noite inesquecível para as crianças que entraram em campo com os atletas!
E com certeza, as crianças que estiveram apoiando na arquibancada mesmo…
Cerimonial de abertura em dia e em alta emoção…
Os bares faturaram alto também… Afinal era uma noite quente, na capital capixaba.
E lá do outro lado, inaugurando as novas arquibancadas do Estádio, a torcida do Rio Branco também não deixou barato! É lotação máxima!
O clima de jogo foi aumentando conforme o seu início se aproximava e foi incrível como teve gente chegando até os 20 minutos de jogo.
E se liga no clima que estava o pessoal da Sangue Azul!
E começa a decisão!!!
O Vitória veio com tudo pra cima!
Mas o time do Rio Branco logo equilibrou o jogo e passou a criar boas chances que acabaram em más finalizações ou em defesas do goleiro Paulo Henrique. Mas a torcida local não desanimou e foi apoio total!!!
Mas, aos 19 minutos, o Capa-Preta viu o seu bom início de jogo ir por água abaixo, quando Tony Ribeiro fez Vitória 1×0!
O gol deu ânimo ao time do Vitória que começou a pressionar para ampliar o placar…
O Rio Branco reagiu e voltou a criar chances, animando sua torcida.
Aos 32″ do primeiro tempo, empatou em um golaço de Breno Melo, com um lindo chute de fora da área no ângulo, sem chances para o goleiro.
Mas a torcida local estava mesmo inspirada e parecia empurrar o time…
E nesse embalo, aos 37, Carlos Vitor colocou o Vitória à frente, novamente.
Já nos acréscimos do primeiro tempo, Gustavo Tonoli marcou o terceiro após passe de Carlos Vitor, em lance inicialmente anulado e validado posteriormente pelo VAR.
No segundo tempo, o Vitória ainda ampliou, aos 22 minutos, com Tony, de Penalty.
Aos 32, Gustavo ainda marcou o 5º gol, transformando a vitória em goleada.
A torcida foi à loucura…
E aí rolou o tradicional “Olé”, mesmo faltando mais de 20 minutos pro fim do jogo…
O Rio Branco ainda perdeu pênalti para delírio da torcida do Vitória…
Torcida Sangue Azul começa o ano comemorando titulo!!!
Em tese, o jogo já acabou, falta só o árbitro apitar, por isso o público e aglomera ali no alambrado…
Fim de jogo e o Vitória leva a Taça da Supercopa pra casa!
Os jogadores vieram comemorar com a torcida!!!
É campeão!!!
Aqui, a foto de Henrique Montovanelli para o site da Globo, mostrando melhor o time levantando a taça!
Agradeço a boa recepção dos torcedores, em especial do amigo Leidimar!
Todo carnaval tem seu fim… Mas o carnaval de 2021 ainda não tinha terminado, já que até hoje eu não havia postado as fotos sobre esse rolê até o Estádio Kleber Andrade, em Vitória-ES!
Como sempre, o carnaval foi mais regado à praia do que à samba…
E salve o bloco dos lagartos!
Pra quem não conhece Vitória, Vila Velha e a região metropolitana, não sabe o que está perdendo. É um rolê barato e muito legal!
Ok… Rolou um sambinha na avenida sim kkk
Mas nosso foco também era conhecer outros estádios capixabas, e hoje vamos falar do nosso rolê até o Estádio Estadual Kleber José de Andrade, ou simplesmente Kleber Andrade, localizado no bairro Rio Branco, em Cariacica, na Região Metropolitana da Grande Vitória. O nosso guia local foi o amigão Thiago!!!
Inaugurado em 1983, o Estádio era a casa do Rio Branco Atlético Clube.
Em 1972, o Rio Branco vendeu o seu estádio original (o Estádio Governador Bley), onde seria construída a Escola Técnica Federal do Espírito Santo (atual Instituto Federal do Espírito Santo). Foto abaixo do site GE da Globo:
Assim era necessário um novo campo e pra isso, o Rio Branco adquiriu um terreno no bairro de Campo Grande em Cariacica. O nome é uma homenagem ao ex-presidente Kleber José de Andrade. A inauguração parcial do Estádio foi no ano de 1983, em um amistoso entre Rio Branco e Guarapari. Foto da A Gazeta:
O maior público registrado foi em uma partida entre o Rio Branco e o Vasco da Gama-RJ, válida pelo Campeonato Brasileiro da Série A de 1986 e vencida pelo time capixaba por 1 a 0, com 32.328 pagantes e público presente estimado extraoficialmente em mais de 50 mil pessoas. Foto do site A Gazeta:
Foi campo de treinamento para a seleção de Camarões durante a Copa do Mundo, o que permitiu uma ampliação de sua capacidade para 21 mil torcedores.
As arquibancadas do estádio foram inspiradas em obras de Piet Mondrian, como Composition II in Red, Blue, and Yellow. Chique né?
Em 2008, o estádio foi vendido por aproximadamente 7 milhões de reais para o governo do Estado do Espírito Santo, devido às dívidas do Rio Branco. Assim, o Governo realizou uma série de reformas e pensando na Copa, foi reinaugurado em 3 de junho de 2014.
Aqui, uma foto da partida entre os Estados Unidos e Senegal durante a Copa do Mundo FIFA Sub-17 de 2019.
A nós, cabe apenas um último olhar e um… “até logo”… Quem sabe?