A 227ª camisa de futebol do nosso site vem de Portugal, presente da amiga Elisama que agora vive por lá, em Alverca do Ribatejo.
O time que defende as cores da cidade de Alverca do Ribatejo, e dono da camisa de hoje é o Futebol Clube de Alverca.
O FC Alverca foi fundado em 1º de Setembro de 1939, coincidentemente, no dia do início da Segunda Guerra Mundial. A cidade tinha ainda outros times, como o Alverca Futebol Clube (de 1922) e o Sporting Clube de Alverca (1930). Quer saber um pouco da história do FC Alverca, veja aí:
O time cresceu integrado à história de Alverca do Ribatejo.
Ate a década de 40, o time se limitava às competições não oficiais da região mas, a partir de 1942, integrou a Associação de Futebol de Santarém, e depois a Associação de Futebol de Lisboa disputando os campeonatos destes grupos.
O FC Alverca começa a conquistar títulos regionais e nacionais, com destaque para o acesso à segunda divisão em 1988. Foto do site Glórias do Passado.
Na temporada 1997/98, o FC Alverca fez uma sensacional campanha conquistando o acesso à primeira divisão!
Assim, na temporada seguinte (1998/99) debutam na primeira divisão!
Lá permaneceu até 2002, mas retornando em 2003/04 para mais uma temporada na elite do futebol português.
Depois de altos e baixos, a partir da temporada 2021/22, passou a integrar a Liga 3 e assim reiniciando sua caminhada rumo à primeira divisão. Na temporada 2024/25 retorna à Segunda Liga e na temporada seguinte, volta à Primeira Liga após 21 anos. Em 2025, Vinícius Júnior adquiriu 80% da SAD do clube.
Manda seus jogos no Complexo Desportivo FC Alverca com capacidade para 6.900 torcedores.
E hoje chegamos à 224ª camisa do acervo com uma estreia ilustre: a seleção nacional de Malta!
A camisa foi presente do amigo Rafa, que por tantos anos morou por lá e agora está de volta ao Brasil, muito obrigado!!! Malta é um país pequeno, uma ilha com visuais inacreditáveis… Veja onde fica, no mapa abaixo, ali no meio do mar Mediterrâneo:
O país possui uma história futebolística que vale a lembrança. A seleção maltesa estreou nos gramados internacionais em 1957, em um jogo contra a Áustria, e só dois anos depois filiou-se oficialmente à FIFA.
Sabe quem esteve no país em 1975? Pelé!
Na época, ele estava viajando como embaixador do futebol em nome da Pepsi e ele chegou a comandar uma sessão de treinos, no Empire Stadium, em Gzira, um campo que, devido à escassez de água na região, não era de grama, mas sim de areia e cascalho, o que resultava em frequentes lesões.
A visita de Pelé a Malta deixou um legado que perdura até hoje e que fortaleceu os laços entre a população maltesa e o futebol brasileiro. Malta nunca disputou uma copa do mundo, mas tem sido presença constante nas eliminatórias.
Esse ano segue na disputa das eliminatórias levando sua torcida à loucura a cada mínima conquista como o empate frente a Lituania.
Assim, embora um país importante e muito bonito, é uma seleção “azarona”, cuja camisa acabou se transformando em símbolo de resistência, paixão e orgulho de uma torcida que acredita em dias melhores, mesmo contra os gigantes da bola. Lembrando que esse orgulho nacional tem representatividade histórica já que o arquipélago passou boa parte da sua história sob o domínio dos outros povos.
Destaco duas coisas na camisa: a cor vermelha, que dá sentido ao apelido da seleção “Os Vermelhos” e a Cruz de Malta, essa cruz de oito pontas, baseada em desenhos das Cruzadas, que simboliza a ordem de São João, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários, e a própria ilha de Malta.
A camisa da seleção de Malta representa um pedaço da história de um país pequeno, mas cheio de paixão e representa o amor pelo futebol que resiste, mesmo sem títulos ou glórias, mas com orgulho e identidade.
Em 2014, tivemos uma oportunidade incrível de passar uma virada de ano, em Colônia, na Alemanha!
Colônia é uma cidade super antiga, conhecida pela sua Catedral de estilo gótico, construída a partir de 1248, sendo hoje a quinta igreja mais alta do mundo e patrimônio da humanidade desde 1996.
Ali atrás da catedral passa o rio Reno, que percorre a Europa por mais de 1.233 km de sul a norte, até desaguar no mar do Norte, chegando ao Oceano Atlântico. O rio faz parte da história da humanidade desde sempre.
Durante a noite de reveillon os alemães ficam meio loucos e declaram uma espécie de guerra, tendo como armas garrafas e fogos de artifício, que são atirados na catedral, nos barcos que estão parados no rio Reno e entre eles, levando dezenas de pessoas aos hospitais.
Outro ponto curioso desse rolê é que eles tem uma igreja dedicada a Santo André e fomos visitá-la:
Depois de participar das festividades de fim de ano, fomos conhecer e registrar um pouco do futebol local visitando o estádio local, o “Rheinenergie-Stadion“.
O Rheinenergie-Stadion (que nome hein…) é a casa do 1. Fussball-Club Köln mais conhecido como 1. FC Köln, ao qual chamamos aqui no Brasil, simplesmente de Colônia.
O time foi fundado em 13 de fevereiro de 1948 e nasceu da fusão dos clubes: Köln BC 01 e SpVgg Sülz 07 e foi campeão alemão três vezes, e quatro vezes da Copa da Alemanha.
Em 1986, o FC Köln foi vice-campeão da Copa da UEFA em 1986.
A cultura ultras parece bem presente nos arredores do estádio pelos adesivos que encontramos:
O FC Köln é membro fundador da Bundesliga e primeiro campeão, na temporada 1963-64.
Seu maior rival é o Borussia Mönchengladbach.
Esse estádio foi inaugurado em 1923, na época sob o nome de Müngersdorfer Stadion.
O RheinEnergieStadion é uma dessas grandes arena, e infelizmente estava tudo fechado, impossibilitando nossa entrada.
Quem sabe um dia a gente cola no estádio pra pegar um jogo?
Mesmo existindo um boato sobre uma greve dos ferroviários, como os trens custam barato nessa época do ano, decidimos arriscar e conhecer a histórica cidade de Porto, e um pouco do futebol local.
Os trens são bem rápidos, nesse momento da foto, estava a 220 km/hora.
E assim, chegamos, na estação Campanhã, em Porto!
Claro que aproveitamos pra conhecer os lugares legais da cidade que tem uma história milenar, com origem num povoado celta, antes mesmo da chegada dos romanos. Quando da ocupação romana passou a ser chamado de Cale ou Portus Cale (de onde surgiria o nome Portugal). No ano de 711 d.C. os muçulmanos ocupam a Península Ibérica, liderados por Táriq Ibn Ziyad, que daria origem a uma série de desenvolvimentos tecnológicos utilizados nas grandes navegações e outras ações. Um período mágico para a região!
Como você deve imaginar, Porto é uma cidade litorânea e portuária hehehe.
Essa é a Ponte de D. Luís I, construída no século XIX por um aluno de Gustave Eiffel (que projetou a Torre Eiffel), que conecta Porto e Vila Nova de Gaia, por cima do rio Douro.
Quando D Pedro I voltou a Portugal viveu momentos complicados por ali na luta contra seu irmão.
A praia em Porto tem uma pegada bem diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil.
Além disso, estava bastante frio e eu ainda não tava acostumado a usar as roupas certas pra essa temperatura, acreditando que o bom e velho bermudão daria conta…
Aqui, o “Molhe de Carreiros” que seria a base para o Porto de Carreiros.
As imagens são bem bonitas, e o mar bem arredio, ainda mais em um dia de vento e chuva.
Só faltou um futebol na praia, mas…. eis que um garoto e uma bola aparecem bem a tempo de matar a saudade!
Falando em água, na época, a água estava bem barata por lá… 16 centavos de euro!
Porto é o quarto município mais populoso de Portugal, e por lá vivem quase 250 mil pessoas, mas por conta da data e da greve eminente, as ruas estavam vazias…
Eu gosto quando a arquitetura de um lugar é inesperada, ou ao menos fora do que estamos acostumados a ver…
O centro da cidade também é muito bonito e bem antigo… Me sentia em meio às páginas de um livro de história.
Falando um pouco sobre o futebol local, existem 3 clubes que merecem destaque, começando pelo Sport Comércio e Salgueiros.
O Sport Comércio e Salgueiros foi fundado em 8 de dezembro de 1911 e fica na freguesia de Paranhos. O clube é um símbolo da resistência antifascista por suas ações na época do governo salazarista.
Disputou 24 ediç˜ões da 1ª Liga Portuguesa além de uma histórica presença na Taça da UEFA, na temporada 1990/91. Atualmente manda seus jogos no Complexo Desportivo de Campanhã, depois de vários anos jogando em Matosinhos e na Maia.
O segundo time da cidade que chama a atenção pela sua história e principalmente pelo seu presente é o Futebol Clube do Porto!
Fomos até o Estádio do Dragão para conhecer mais de perto sua história!
O FC Porto foi fundado em 1893, e teve um começo modesto, mas logo se estabeleceu como uma força dominante no futebol português.
Nos anos 1980, sob o comando do lendário José Mourinho, o FC Porto conquistou sucesso nacional e internacional, ao venceram a Liga dos Campeões da UEFA em 1987.
E desafiaram todos os prognósticos vencendo-a novamente em 2004.
Essas conquistas colocaram o FC Porto no mapa como um dos principais clubes europeus.
O FC Porto possui um impressionante histórico de sucesso na liga portuguesa, com vários títulos, tornando-se uma das equipes mais importantes de Portugal.
Durante a ditadura de Salazar, o clube também foi visto como um símbolo de oposição ao regime autoritário. Os seus torcedores, conhecidos como “Super Dragões”, sempre demonstraram uma paixão fervorosa pelo clube e uma fidelidade inabalável.
Encontrei um adesivo do pessoal da Resaca Castellana colado no estádio!
Fiquei anos sem publicar esse post porque não tinha fotos da parte interna do Estádio, mas com o primo Gustavo morando por lá, finalmente chegou a hora de oficializar o post!
Por fim, o terceiro time que quero destacar nesse post é o Boavista Futebol Clube.
O Boa Vista foi fundado em 1º de agosto de 1903, e, pra mim, tem uma das camisas mais bonitas do mundo… A era “quadriculada” se inicia em 29 de Janeiro de 1933 e é considerada como um segundo batismo do time. Na estreia da nova camisa, o Boavista bateu o Benfica por 4×0.
O Boa Vista FC manda seus jogos no Estádio do Bessa e lá fomos nós tentar conhecer mais esse templo do futebol…
O Boa Vista FC é o quarto time com mais títulos nacionais profissionais , atrás apenas de Porto, Benfica e Sporting. Esse foi o seu distintivo até 1933.
Infelizmente o estádio também estava fechado e se mostrou impenetrável!
Originalmente inaugurado em 1972, o Estádio do Bessa foi reconstruído em 2003, por isso é chamado de “Estádio do Bessa século XXI“.
O Estádio do Bessa possui lugares para 30 mil torcedores.
A cultura dos adesivos é muito forte entre as torcidas da europa…
E aí está Mari, em frente à porta 2!
E olha a pantera negra (símbolo do time) escalando o obelisco!!
Foi um role inesquecível e que merece uma segunda visita para conhecer a parte interna do estádio!
Mais uma camisa e uma história resgatada do nosso baú! É do fim de 2016, quando nos planejamos o ano todo para fazer um rolê que começaria pela Itália e acabou nos levando até a Eslovênia e à Croácia. Em terras italianas, pudemos conhecer a mágica cidade de Veneza.
Mesmo sabendo que se trata de uma cidade em meio às águas, confesso que eu achava que ia andar de busão e trem por lá, mas a realidade era mesmo outra…
Bom, pra quem, como nós até então, nunca esteve em Veneza, posso dizer que andar pela cidade é no mínimo desconcertante…
São vielas, pontes, canais e um verdadeiro labirinto que transforma em aventura tentar chegar a qualquer lugar, até você se acostumar. Principalmente a noite.
Como tínhamos poucos dias (como sempre) aproveitávamos todo o tempo possível andando pelas ruelas da cidade e registrando os lugares mais marcantes.
É um lugar mágico que quebra o pensamento padrão que temos sobre as coisas, principalmente sobre a relação com a água.
No dia seguinte, voltamos à praça da Igreja Basílica, principal praça da cidade.
As pixações na cidade mostram que a questão política também está nas ruas de Veneza!
Assim, entendemos que pra cruzar as distâncias maiores, é necessário usar o transporte coletivo, os barcos no caso…
As gôndolas que todo mundo sonha também estão lá, mas… É um rolê de turista que tem grana pra esbanjar…
A gente ficou nos barcos “Vaporetto” mesmo (e ainda assim usamos poucas vezes, porque também não é tão barato).
As águas dividem a ilha em várias partes, mas existem sim ruas e calçadas para se caminhar por Veneza.
Mas… Não foi pra ver os canais nem as gôndolas que viemos a Veneza, e sim para obter a 186ª camisa da nossa coleção e aproveitar para conhecer o Estádio onde manda seus jogos.
Ah, estamos falando do Venezia Football Club.
O Venezia Foot Ball Club foi fundado em 1907 (completando no ano passado seu centenário).
Conquistou a Copa da Itália na temporada 1940–41, esse foi o time da conquista:
Na temporada 1990-91, passou a se chamar Associazione Calcio Venezia 1907, mas em decorrência de problemas financeiros, o Venezia, que havia caído para a Série B na temporada 2004/05, foi expulso da competição no mesmo ano. E esse foi o time rebaixado:
Refundou-se como Società Sportiva Calcio Venezia, disputou a Série C2, sendo promovido à C1 em 2006.
Ao final da Lega Pro Prima Divisione de 2008–09, os problemas financeiros do Venezia fizeram com que novamente fosse expulso da competição, remanejando para a Série D, sob o nome de Foot Ball Club Unione Venezia.
Em 2011-12, voltou à Lega Pro Seconda Divisione, mas novamente por problemas financeiros, não se inscreveu para a edição 2015-16 e acabou rebaixado outra vez à Série D, adotando o nome atual. Ao menos, em 2016,garantiu o acesso à Série B nacional, com o 1º lugar no grupo 1 da Lega Pro (atual Serie C).
Bom, e que tal conhecer o estádio onde o dono da nova camisa manda seus jogos? Vamos então ao Pierluigi Penzo!
Nossa tradicional foto na bilheteria!
Uma das características mais comuns do futebol europeu são os adesivos colados ao redor do estádio, e lá estão eles em Veneza.
O Estádio Pierluigi Penzo é um dos mais antigos da Itália, inauguado em 1913, e atualmente tem capacidade para 7.450 torcedores.
Estivemos lá em uma manhã beeeem gelada…
Não havia absolutamente ninguém por lá… Então… decidimos entrar. Vamos lá?
Chegou a receber 26 mil torcedores, em 1966 quando o Venezia enfrentou o Milan.
O Estádio Pierluigi Penzo tem esse nome graças a um aviador da época da primeira guerra mundial.
Li em alguns sites algumas críticas à estrutura do estádio, chegando a dizer que o Venezia teria mandado alguns de seus jogos fora dele, mas confesso que não entendi o motivo. O estádio está muito bem organizado.
Gramado muito bem cuidado, arquibancadas seguras, espaço para imprensa… Tá tudo aí!
Até o banco de reservas nós testamos!
É um cenário bem diferente. O mar está ali poucos metros depois do estádio (até pensei que os zagueiros já devem ter mandado várias bolas navegarem…).
As arquibancadas não tem nada de modernas. Aliás essas atrás do gol são dessas que dá pra montar e remontar, mas ao invés de madeira são chapas de metal.
Aqui dá pra ver o mar, mais ao fundo.
Do outro lado, cenário bucólico de prédios baixos onde a população local mora.
Homenagem ao amigo Jão e sua família “Borghetti” presente no estádio.
Missão cumprida! Hora de voltar para a região central da cidade.
Um último registro do cartaz indicando a partida do time local…
E seguimos mundo a fora… (pagando as contas até hoje desse rolê kkkkk).
20 de dezembro de 2014. Um dos mais legais momentos ligados ao futebol que vivi. A soma de várias paixões: música, atitude, futebol, amigos…
Esse post mostra como a camaradagem, a amizade, a música e o engajamento social podem conviver com o futebol, mostrando que mais do que um esporte é uma verdadeira cultura, talvez mais vivida por quem torce do que por quem joga.
De verdade essa aventura começa ainda no Brasil, quando conhecemos o Marten (esse alemão doido de touca marrom, do lado da Mari na foto acima) e o convidamos para conhecer um pouco do ABC. Entre outras diversões, ele visitou o Estádio Bruno José Daniel e ainda bateu um papo com o até então capitão do Santo André, Junior Paulista.
E eis que no final do ano de 2014 conseguimos fazer um role para a Europa, e não podíamos deixar de enfim conhecer o Estádio Millerntor, a casa do St Pauli, um dos times mais punk do mundo!
O time do St Pauli é conhecido por sua postura politizada tanto entre torcedores quanto dirigentes e até jogadores, e também pelo seu carisma. Entretanto, em 2014 o time está em uma má fase, ocupando as últimas colocações da série B da Alemanha.
Mas… Se a fase dentro de campo parece ter problemas, nas arquibancadas o clima é indescritível… Punks, skinheads, rockeiros em geral, além de famílias, amigos e uma diversidade de gostos, roupas e pensamentos que mais parecia um festival alternativo.
O jogo que fomos assistir era contra o VFR Aalen!
E dá lhe punk rock, tocado nos alto-falantes do estádio e cantado pela torcida nas arquibancadas.
Pra quem ficou curioso, segue o link com o som original:
Ah, e não estamos falando de uma arquibancada com meia dúzia de gato pingado, não, são cheias e cantando a todo momento!
E a gente foi cantar junto!
Pra quem não tem ideia do que seja o St Pauli, saiba que a torcida e o time são declaradamente antifascistas e contra o nazismo, e eles fazem questão de deixar isso claro não só no Estádio, mas por toda a cidade. Entra no Translator do Google e veja o recado que eles espalharam pela cidade:
E falando mais sobre os “arredores” do estádio, o estabelecimento mais comum por ali são os pubs ligados ao time. Aliás, os caras bebem muita cerveja…
E mesmo a gente que não é tão fã de cerveja, entrou no clima e antes mesmo de chegar ao estádio já mandamos ver na AMSTEL, cerveja patrocinadora do time.
Agora, tem um negócio lá que eu achei muito louco e muito diferente do que temos aqui. Além dos tradicionais vendedores ambulantes de comida e bebida espalhados pela rua (lá, são tipo uns food trucks nas ruas próximas), eles tem uns espaços que lembram os centros contra culturais aqui do Brasil na parte inferior do estádio, chamados “Fanräume”.
E são vários espaços, que servem de ponto de encontro para a torcida e também acabam virando a sede de diversos movimentos sociais que nascem nas bancadas do estádio. Ali, você encontra muita cerveja, alguma comida (quase tudo vegano), muitos fanzines e muta gente legal. Lembra os shows punks dos anos 90, quando todo mundo estava eufórico para dividir angústias, experiências e celebrar a vitória do anarquismo frente à realidade, mesmo que só durante aqueles momentos.
Segundo nossos amigos locais, os diversos espaços geridos pela Fanladen são independente do clube e rolam até shows (o Los Fastidios iria tocar ali, dias depois do jogo). Mas, voltemos para o estádio…
A primeira diferença que percebe-se é o visual, tomado por grafites, bandeiras e interferências sempre politizadas no sentido do respeito à diversidade de pensamentos. Por exemplo, a relação com o público GLTS, que no Brasil ainda está caminhando, lá é encarado com super naturalidade.
Outra coisa que fica clara logo de cara é que lá, a cerveja é liberada na bancada. E mais do que isso, eles bebem bastante e numas canecas de plástico, temáticas do time (embora lindas, acredite ou não, ao final do jogo a maior parte do público as devolve para que sejam reutilizadas na próxima partida).
Essa teve que vir conhecer o Brasil…
O resultado de tanta cerveja é uma incrível narração em Português no meio da torcida alemã…
Outra coisa que lá ainda mantém-se fiel às origens do futebol, são as bandeiras com mastro. E além disso, mais bandeiras com dizeres políticos do que preocupadas em falar sobre o nome da torcida, como acontece aqui no Brasil.
E no meio do jogo ainda sobem mais e mais faixas para protestar enquanto se torce.
A cultura dos adesivos também é bem presente no estádio e pela cidade.
Eu queria ter registrado em vídeo os momentos mais emocionante do jogo, por exemplo quando o time entra ao som de Hell’s Bells, mas a emoção foi maior e eu preferi só viver o momento, só deu pra bater uma foto…
Antes do começo do jogo, o tradicional abraço coletivo do time com o “Vamo lá, vamos ganhar!”.
Mas… Para não dizer que eu não capturei nenhum momento mágico em vídeo, fica aí a comemoração do primeiro gol, ao som do Blur.
Pra quem não conseguiu ouvir ou não lembra, esse é o som que toca na hora do gol:
Enquanto isso, o time comemorava em campo!
Vale citar que a torcida visitante (do VfR AaLEN) também esteve presente, e embora segundo nossos amigos locais, eles tivessem certo teor de rivalidade, não houve nenhum tipo de incidente. Eles ficaram meio isolados ali no canto do estádio.
A história foi mágica. Talvez muitos não se identifiquem com o teor político / anarquista do time / torcida (e eu respeito, afinal, cada um pensa de um jeito), mas ao mesmo tempo, espero que entendam que para nós, que temos essa semente da liberdade plantada em nossos corações, essa experiência foi incrível…
Ah, e teve futebol também hehehehe. O time do St Pauli, que vinha numa má fase, fez seu melhor jogo do ano (segundo os torcedores), o que fez de nós brasileiros de boa sorte hehehe!
Tem também o papel picado, porém, lá, o papel é meio que picotado mecanicamente, bem direitinho hehehehe…
Como fazem falta as bandeiras com mastros nos nosso estádios, hein?
Mas, a felicidade nos corações dos torcedores… Essa é a mesma na Alemanha, no Brasil, na Argentina…
Vale lembrar um detalhe que não fica claro nas imagens calorosas. Estava frio. Muito frio. E pra piorar, antes do jogo, pegamos uma chuva na cabeça somada a um frio de uns 3 ou 4 graus… Só nos restava o calor humano! Por isso tem tanta comemoração usando cachecóis… Eles são peça indispensável no vestuário alemão!
Mas que fica legal essa imagem de todo mundo com os cachecóis a mostra, fica hein?
Hmmmm, não sei o que dizer dessa imagem que só depois de feita revelou um papai noel pulando a cerca!
Fim de jogo! FC St. Pauli 3×1 VfR AaLEN
Mas, não significa que é o fim da festa. Diferente da maioria dos times, assim que o jogo acaba, os jogadores voltam-se para cada setor do estádio saudando a torcida e comemorando juntos!
Ao menos, aparentemente, pareceu ser algo bem espontâneo, não uma regra que deve ser cumprida. Confesso que quero muito levar essa ideia para o Santo André.
Hora de dizer tchau… Ou quem sabe um “até breve” às arquibancadas punks de Hamburgo… St Pauli, obrigado pelos exemplos…
A viagem rumo a Berlin começou com um imprevisto… Graças a um atraso do avião que nos levou à Barcelona, perdemos nossa conexão para Berlin e tivemos que passar a noite na capital Catalã. E já que eu não visitei nenhum estádio desta vez, vou apresentar um que visitamos ano passado e até o momento não havia postado aqui, o Estádio Nou Sardenya.
É mais um estádio pra quebrar a ideia de que em Barcelona só existe o poderoso Barça, e seu rival Espanyol. Lembrando que já mostramos aqui o estádio e o time do Sant Andreu (veja aqui como foi).
O Estádio fica no bairro da Gracià na esquina da rua Sardenya com a Ronda del Guinardó.
Demos a sorte de poder acompanhar um treino dos caras!
O Club Esportivo Europa nasceu em 1907, e é um dos fundadores da Liga Espanhola de Futebol, tendo vencido a Copa da Espanha em 1923.
O legal é que o Estádio é no meio do bairro. Olha o que tem de prédio do lado…
O treino começa igual aqui… Vamos correr, rapaziada! Mas repara como as arquibancadas estão bacaninhas. É que embora o time seja antigo, o Estádio é dos anos 90 e nele cabem cerca de 7 mil torcedores.
Não sei se dá pra reparar, mas a grama é artificial! E dizem que está será uma tendência muito utilizada no Brasil.
Deve ser bacana ver jogo ali, atrás do goleiro rival…
Alguém ficou de castigo, tendo que treinar sozinho hehehehe
Mais um belo estádio visitado de perto, com muito respeito e orgulho.
Porém, Barcelona tem ainda um outro estádio, além dos 4 já mostrados aqui.
Trata-se do Estádio Olímpico Luís Companys, também conhecido como Estádio Olímpico de Montjuic, construído para a Exposição Internacional de Barcelona de 1929, e reconstruído em 1989 para os Jogos Olímpicos de Verão de 1992.
Vamos dar uma olhada:
Confesso que não me agradam os estádios que não atendem ao time (ou times) da cidade, parece-me que eles acabam sendo estádios sem alma… E depois que o Espanyol construiu seu estádio, este ficou apenas para a seleção.
Ainda que sejam muito bonitos e bem arranjados, sinto falta da energia que só o dia a dia de um clube pode oferecer.
O próprio nome já é “espinhento” para mim, já que Luís Companys Jover era um político da cidade.
O estádio tem capacidade para 56 000 torcedores.
O estilo é dos grandes. Arquibancadas espaçosas e distantes do campo.
Equipamentos de tecnologia de ponta, iluminação e cadeiras individuais.
E tem até um ar mais “artístico e cultural” que dificilmente encontramos em outros campos.
De Barcelona rumamos a Berlin, mas aí já é assunto para o próximo post…
A 150a camisa da coleção vem da Alemanha e foi presente da amiga Júlia. Essa camisa vermelha deixou de ser usada na temporada atual, após se tornar a mais tradicional. Agora jogam com a bordô ou a branca.
O time dono da camisa é o “1. FC Nuremberg”, da cidade de Nuremberg, na Alemanha, onde aconteceram os julgamentos dos oficiais nazistas após a segunda guerra mundial.
O time foi fundado em maio de 1900, quando um grupo de jovens tiveram a ideia de criar um clube de futebol após lerem sobre o assunto em uma revista.
O mascote do time é um cavaleiro:
O time fez sua primeira partida oficial contra o Bayern de Munique, em 1901.
Aqui, o time de 1902:
Durante as primeiras décadas de existência, o 1FCN não chegou a ter tantas conquistas e reconhecimento pois disputava o campeonato do sul da Alemanha.
Porém, após a Primeira Guerra Mundial, o time conseguiu fazer história ao permanecer invicto entre 1918 e 1922, ficando 104 jogos sem perder, ganhando o apelido de “Der Club” (O clube).
O primeiro título no pós guerra, veio contra o Spielvereinigung Greuther Fürth na temporada 1919/1920.
A década de 20 seria o período mágico do time. Mais quatro títulos nacionais viriam. Aqui, o time na final de 1921:
Aqui, o time de 1927:
Na década de 30 chegaria a mais uma final em 1933/1934, perdendo para o Schalke 04.
Outro título viria na temporada 1935/1936, além das duas primeiras Copas da Alemanha, em 1935 e 1939.
Aqui o time que conquistou a Copa de 1935:
Durante a segunda guerra, os campeonatos foram suspensos, mas logo que voltaram a ser disputados, o 1FC Nueremberg sagrou-se campeão na temporada 1947/1948. Aqui, o time entrando para a disputa da final:
O próximo título nacional viria na temporada 1960/1961. Aqui, uma cena da final:
Em 1962, outra Copa foi conquistada. Mais que isso, os bons resultados garantiram o time na disputa da Bundesliga, que iniciou em 1963.
Sua última conquista nacional se daria em 1967/1968.
No ano seguinte, o clube enfrentaria seu primeiro rebaixamento.
Pra piorar, o rival Schalke 04 tornava-se um time forte e cada vez mais popular, tornando as brigas entre seus torcedores cada vez mais constante.
O time permaneceu entre quedas e acessos, tendo 1988, como o melhor ano na época.
Na temporada 1995/1996, o time acabou rebaixado para a terceira divisão.
A partir daí o time passou a se recuperar até voltar à primeira divisão em 1998/1999.
Em 2006, após um longo jejum, o time conquistou mais uma Copa da Alemanha.
Porém em 2008 o time voltou à segunda divisão, recuperando-se e voltando à primeira, onde está até então (2013).
O time manda seus jogos no Estádio Frankenstadion, com capacidade para mais de 45 mil torcedores.
Pra celebrar mais um time conhecido, que tal uma cerveja do clube:
Saiba mais sobre o time em: www.fcn.de
Fechamos o ano de 2012 e abrimos 2013 com chaves de ouro. Tivemos a oportunidade de conhecer dois países da Europa que ainda não havíamos visitado: Portugal e Espanha.
Assim, nosso último jogo do ano, foi pela segunda divisão de Portugal (a segunda liga), no mítico Estádio da Tapadinha.
O jogo foi entre o time local, o Atlético Clube de Portugal e o Club Desportivo de Tondela, da cidade de Tondela, que fica há pouco mais de 250 km de Lisboa.
O Atlético jogou de azul escuro e amarelo e o Tondela de azul claro.
Aí está o ônibus do CD Tondela, para o meu amigo Anderson, de Curitiba, que curte esse lado “logístico” do futebol!
Preciso confessar, que embora eu já estivera na Europa antes, esse foi o primeiro jogo que assisti no Velho Continente.
E mesmo sendo uma experiência tão nova, a sensação não era muito diferente dos jogos pelas divisões de acesso no Brasil.
Havíamos chegado pela manhã, em Lisboa e a tarde fomos para o jogo. O Estádio da Tapadinha não é na região central, mas está há poucos quilometros dali, situado no Bairro de Alcântara. Essa é uma das ruas do bairro:
Outra coisa que acho bacana, são portas antigas e o bairro está cheio delas!
O Estádio fica numa região residencial.
Pegamos um metro até o lugar mais próximo do estádio e dali tomamos um taxi até o Estádio.
O Atlético Clube de Portugal foi um dos principais times o país até a década de 70. De lá pra cá, manteve o apoio do bairro, porém disputando a divisão de acesso.
Pelo que ouvimos dos torcedores locais, o Estádio da Tapadinha nasceu como campo de pelada, e era chamado como “Campo da Tapadinha”, por estar localizado junto à Tapada da Ajuda e no início nem grama tinha.
Com o tempo, o local passou por várias obras e melhorias até que em 1945, era inaugurado o Estádio da Tapadinha, num jogo entre o Atlético Clube e o Sporting, que terminou em 6×0 para os visitantes.
De lá pra cá, o estádio foi palco de muitas histórias de amor e dor, como são comuns ao futebol.
Neste dia em que estivemos presentes, o Atlético amargou mais uma derrota em casa, pô 1×0, com gol de um brasileiro, Carlos Eduardo…
O Estádio comporta 10.000 torcedores e não tem iluminação.
Uma experiência gratificante e única, sem dúvida. E o povo português mostrou-se bacana em relação ao time do bairro. Deu pra conversar com alguns torcedores e ver que o futebol de bairro está sofrendo assim como no Brasil…
Um detalhe que merece ser destacado é a ausência de fosso ou de qualquer grande obstáculo entre a arquibancada e o campo.
A Polícia está presente, mas apresenta-se de forma muito discreta, sem encheção de saco, mesmo com a presença da torcida visitante.
Falando rapidamente sobre algumas coisas de Portugal, vegetarianos, animem-se! A quantidade de produtos ofertados nos supermercados é enorme e é tudo muito gostoso!
Uma outra coisa interessante é a ação dos gêmeos em Lisboa, são vários prédios grafitados!
Para mais informações sobre a “Liga 2”, sugiro o site O GOL.
De lembrança, trouxe um cachecol, já que a camisa estava um pouco cara…
Ok…
Esqueça tudo que você já viu sobre comemorações estranhas e prepare-se pra entrar no incrível mundo de Marcello Matrone.
Um cara que soube equalizar raça, atitude e dedicação com diversão na medida certa!
Pela internet conseguimos bater um papo com o jogador e entender um pouco do que passa na cabeça desse jogador que revolucionou a arte de comemorar gols no leste europeu.
1- Começamos perguntando um pouco sobre o seu histórico, quando e onde começou sua carreira e por quais clubes passou até chegar no HIK da Finlandia?
Ola Mauricio, eu vim novo aqui para a Europa, sou de Rio Verde-GO, onde comecei a jogar e depois já me transferi para um clube na Belgica (o GBA Antwerpen), depois fui para a Alemanha onde joguei 4 anos (Tus koblenz)…
Depois passei uma temporada no futebol de Marrocos (Husa Agadir) até que cheguei na Finlandia, onde estou no momento.
Aqui ja joguei na Primeira e Segunda Divisão (Honka e Hamennlinna) e agora estou no Hik (www.fchik.fi), há 2 temporadas e meia. Foi aqui onde começamos com a ideia das comemorações. Vim para o Hik em 2010, o clube estava passando por uma situacao dificil, quando me contraram estavam em ultimo lugar na tabela terminanos em 3º , fiz 25 gols em 11 jogos, uma marca historica aqui na Finlandia.
Depois renovaram meu contrato por mais 2 anos e em 2011 foram 22 gols e mais 24 em 2012 ( a temporada aqui ja acabou ).
2- A maior parte dos jogadores limita sua criatividade aos campos de futebol, e você desafia o “lugar comum” e leva a criatividade para o momento da comemoração, como foi que isso começou?
Eu sempre comemorei meus gols de uma forma meio engracada, como estava fazendo muitos gols aqui ja estava cansado de sambar, então decidimos fazer algo mais engraçado e foi onde surgiu a “Lady Gaga Goal Celebration” que foi um sucesso no mundo todo.
3- Embora tenha esse lado “divertido”, como fica o lado da dedicação ao time? Os torcedores do seu time o veem como um jogador esforçado, ou simplesmente como um ícone da brincadeira?
Para quem nao me conhece, tem que estar no estádio para ver o jogo…
Não gosto de perder, e fazer gols não é tão fácil assim, tem que treinar bastante e se dedicar muito, não treino para fazer comemoracoes e sim para fazer gols pois sem gols não tem vitórias e nem comemorações.
Para mim, o mais importante é a vitória do time. Se der para fazer comemoração, fazemos, se não, fica para depois..
Nunca fiz uma comemoração quando meu time esta perdendo.
Me dedico bastante durante os treinamentos, não tem brincadeiras, levo tudo a sério pois nos treinos é onde acumulo forças para o jogo.
E graças a Deus os gols tem aparecido juntamente com as vitórias.
4- Fale um pouco sobre o futebol finlandes. Como é o nível técnico atualmente? Quem é o grande craque finlandes na atualidade?
O futebol aqui não é muito facil, tem que estar bem fisicamente e ter força, tecnicamente está melhorando, mas pela forca física se parece um pouco com o futebol Inglês.
Atualmente o melhor jogador Finlandês é o Teemu Pukki que joga no FC Schalke 04.
5- Sobre as torcidas locais, existe muita violência no futebol daí? Ainda existem manifestações racistas?
As torcidas aqui sao da Paz, não gostam de violência, a Finlândia é um pais muito tranquilo, eles preferem beber uma cerveja do que ficar brigando nas arquibancadas.
6- E como é para uma pessoa carismática como vc viver num país frio, como aí?
Essa parte é realmente onde sinto mais saudades do Brasil.
O frio aqui é muito intenso, são 6 meses de frio, 3 mais “frescos” e 3 quentes.
O bom é que as casas são bem aquecidas, então o frio fica só do lado de fora mesmo.
Do carrro para o treino e do carro para casa, hehehe.
E é bom também ficar nos braços da namorada para esquentar um pouquinho 🙂
7- Pra terminar, além de agradecer, gostaria de passar nossa sugestao de próxima comemoração. Fizemos uma enquete entre os amigos aqui de Santo André-SP e a gostaríamos de sugerir a comemoração a la “ROCKY BALBOA”
A temporada aqui acabou pois ja esta chegando o inverno, seria bom se pintasse um clube aí no Brasil para sair um pouco deste frio aqui, e claro continuar fazendo mais gols e novas comemoraçõe…
Quem sabe vou fazer o “ROCKY BALBOA” aí no Brasil…