Copa Paulista 2026: 6ª rodada – EC Santo André 1×0 EC São Bernardo

Sábado, 22 de agosto de 2026.
Última rodada da Copa Paulista.
Vamos começar pelo fim?
Porque as coisas terminaram bem, ou pelo menos todo mundo com o coração repleto.
Olha que cena mágica: por do sol com a galera apaixonada pelo time com o coração dividido entre a desclassificação e o sentimento de estarem juntos mais uma vez na arquibancada no jogo de despedida do ano.

Agora voltando lá pro começo, antes mesmo de a bola rolar no Estádio Bruno José Daniel, a torcida do Ramalhão tinha algo importante para dizer.

Dois dias antes, o EC Santo André havia sido punido pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo com a perda de 10 pontos na Copa Paulista, em razão da utilização irregular do atacante Alexiel Gonçalves dos Santos em duas partidas da primeira fase.

Com a punição o Ramalhão acabou eliminado da competição e perdendo a possibilidade de continuar lutando por uma vaga na Copa do Brasil ou na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027.

E aí veio a revolta de quem não teve absolutamente nada a ver com o erro: a torcida.
Assim, antes da última partida da primeira fase, torcedores se reuniram em frente ao Portão J do Bruno José Daniel para um protesto pacífico cobrando explicações e responsabilidade da diretoria pelo erro administrativo que praticamente jogou fora toda a campanha realizada dentro de campo.

O movimento foi organizado pelo Coletivo Andreense, reunião de projetos e torcidas ligados ao Ramalhão, e contou com faixas e manifestações contra a administração do clube.
E talvez seja justamente isso que mais incomode.
Perder faz parte do futebol.
Um chute pode bater na trave, um goleiro pode falhar, um adversário pode simplesmente jogar melhor.
Mas ser eliminado por um erro administrativo é muito mais difícil de aceitar.

Principalmente porque havia um objetivo enorme em jogo.
A Copa Paulista poderia recolocar o Santo André em uma competição nacional em 2027 e representar mais um passo na tentativa de reconstrução esportiva do clube, que está próximo da oficialização da sua SAF.
Por isso, a cobrança foi pesada pedindo a saída do atual diretor de operações.

Dentro de campo, ainda houve espaço para uma última resposta: horas depois do protesto, o Santo André venceu sua última partida, já eliminado por 1×0, com gol de Thierry Henry, despedindo-se de forma melancólica da Copa Paulista.

Ficou aquele sentimento amargo para quem acompanha um clube de futebol…
E até por isso, os protestos seguiram na parte interna do Estádio…

Em campo, o time fez pontos suficientes para continuar.
A torcida esteve presente.
Mas um erro fora das quatro linhas encerrou o campeonato.
E foi justamente por entender que quem ama e acompanha o clube também tem o direito de cobrar responsabilidade de quem o administra que parte da torcida andreense resolveu se manifestar naquele sábado no Bruno Daniel.
Porque apoiar o time da sua cidade também é isso: estar ao lado quando ganha, quando perde e cobrar quando quem deveria cuidar dele falha.

Mas o dia foi além de protestos e maus sentimentos.
Teve espaço pra despedida do ano dos amigos de bancada…

Gente que aprendeu a se reencontrar no estádio…
E que faz do Bruno José Daniel um dos poucos espaços em que jovens, adultos e o pessoal mais velho conviva lado a lado em torno de uma mesma paixão.

Destaque mais que especial para os quase mil torcedores que compareceram a um jogo que no fim, valeu pela cobrança, pela união e pela amizade.

Mas o mais bacana foi constatar que mesmo em meio a este mal momento, nossa bancada se renova continuamente e nos dá esperança para dias melhores.
Se liga nesses vídeos que fizemos com as famílias que tem preparado nossa nova geração de torcedores:

Sem dúvidas, vale ainda um alô ao pessoal da Esquadrão que veio lá de São Bernardo pra acompanhar o jogo!

E também obrigado aos amigos de bancada…

Gente que faz qualquer resultado ficar em segundo plano…

É fim de jogo… Mais um ano que se encerra, e pelo menos com uma vitória.

É ou não é Luiz?

Obrigado ao plantel de 2026…

Se pudermos ouvir algo da torcida pra relembrar o que foi esse ano, aí está…

APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!

O Estádio Municipal Sernamby, em São Mateus-ES

No início de 2026, colocamos o pé na estrada para mais uma tour pelo Espírito Santo com direito a muita estrada, histórias, encontros e rolês por várias cidades carregadas de memória, cultura e futebol.
Assim, chegamos em São Mateus onde o tempo pareceu andar mais devagar.

Foi emocionante estar a beira do rio São Mateus, conhecido como Rio Cricaré que passa pela cidade e deságua no Oceano Atlântico em Conceição da Barra (ES).
O rio teve papel crucial desde os primeiros habitantes, principalmente os Guarani e os Aratu sendo uma via natural de locomoção, fonte de água, pesca e subsistência para essas comunidades.

Fundada em 1544, São Mateus é a segunda cidade mais antiga do Espírito Santo e durante os séculos XVIII e XIX, seu Porto foi um dos maiores pontos de desembarque de navios negreiros do Brasil, direcionando os escravizados para o interior de Minas Gerais e para as lavouras da região.

Outro ícone desta época foi a Igreja Velha, que teve sua construção iniciada em meados do século XIX.

Falando sobre o futebol local, escondido entre lembranças, concreto envelhecido e saudade, existe um lugar que ainda pulsa no coração da cidade: o Estádio Manoel Moreira Sobrinho, o eterno Estádio do Sernamby.

O Estádio, embora seja municipal, ficou marcado como a casa da AA São Mateus.

Fundada em 1963, a Associação Atlética São Mateus nasceu no bairro Sernamby a partir de um projeto comunitário liderado por moradores, religiosos e voluntários, simbolizando a ideia de união popular.
O time é um dos maiores representantes do futebol do norte capixaba, conquistando os Campeonatos Capixabas de 2009

E de 2011

Além destes títulos, a AA São Mateus se tornou o maior campeão da Série B do Espírito Santo, tornando o time conhecido como “O Gigante do Norte” e também “Pit Bull do Norte” e fazendo do Sernamby, a extensão da identidade da cidade e da paixão de sua torcida.

O estádio foi inaugurado em 5 de março de 1965, e atualmente já não recebe multidões como antes.
Mas o local ainda carrega as marcas do tempo.

E o silêncio que hoje mora ali, onde antes estava a arquibancada lateral, parece impossível de combinar com a história gigantesca daquele lugar.

Olha como era essa arquibancada:

Ao pisar no Sernamby dá pra sentir que aquilo nunca foi apenas um estádio de futebol. Foi mesmo um sonho da comunidade.
Enquanto caminhávamos pelos arredores do estádio, tentando imaginar o barulho que um dia tomou conta daquele lugar, dava para sentir que cada pedaço de concreto guardava uma memória diferente.

Mas o Estádio Sernamby não era só a casa da Associação Atlética São Mateus.
Era (e é) parte da alma de São Mateus.

E a esperança ainda segue viva, assim como a outra arquibancada lá atrás do gol.
Segundo matéria de maio (veja aqui), finalmente houve a assinatura da escritura definitiva do Estádio Municipal Sernamby.

Pouca gente de fora entende esse tipo de sentimento, né?
Incrível como supermercados e farmácias são sempre mais valorizados do que escolas, estádios e espaços públicos…
O Sernamby nasceu muito antes das grandes partidas, dos refletores e das arquibancadas lotadas e também indo muito além do futebol: cursos gratuitos, encontros e um espaço onde nasciam ideias para transformar o bairro.

O estádio carregava até no nome uma história de generosidade.
Manoel Moreira Sobrinho foi delegado, líder religioso e professor voluntário de português para crianças pobres da região.
É como se o estádio tivesse herdado essa essência: servir às pessoas.
E serviu.

Serviu como palco de tardes inesquecíveis.
De títulos, de rivalidades históricas.
De domingos em família.
De crianças vendo o gramado pela primeira vez e acreditando que dali poderia nascer um futuro.

Ali teve suor de jogador, voz rouca de torcedor, vendedor atravessando arquibancada, rádio de pilha no ouvido e aquele nervosismo típico do futebol do interior, onde cada jogo parece assunto da cidade inteira durante a semana.
O Sernamby cresceu junto com o povo.

Vieram os muros, o alambrado, as arquibancadas.
Veio a famosa “Campanha do Cimento” em 1996, quando torcedores, empresários e lideranças locais se uniram para ampliar o estádio.

Vieram os refletores em 1998.
Vieram noites iluminadas que pareciam grandes demais para uma cidade do interior, mas que cabiam perfeitamente na paixão daquele povo.

E talvez seja exatamente por isso que dói tanto vê-lo fechado, ferido e parcialmente demolido pelo tempo.

Porque estádio de verdade não é feito só de estrutura.
É feito de pertencimento.

Enquanto observávamos aquelas arquibancadas vazias, dava para imaginar os fantasmas bonitos do passado ainda vivendo ali: o eco de um gol, o grito vindo da geral, o apito do juiz, a explosão da torcida do São Mateus.

Parecia que o estádio ainda estava esperando alguma coisa.
Talvez mais uma partida.
Talvez mais uma multidão.
Talvez a chance de respirar novamente.

E no fundo, é isso que emociona.
Mesmo abandonado durante anos, o Sernamby nunca saiu do coração da cidade. Porque lugares assim ultrapassam sua função original.
Eles viram memória coletiva.

Por isso tanta gente sonha com sua volta.
Não é apenas sobre reformar um estádio.
É sobre recuperar histórias.
É sobre devolver identidade.
É sobre impedir que uma parte da memória de São Mateus desapareça junto com o concreto envelhecido.

E saímos dali entendendo uma coisa: alguns estádios jamais morrem completamente.

O Estádio do Sernamby é um deles, e por isso tão importante.
Espero que dias melhores possam vir…

APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!

227- Camisa do Futebol Clube de Alverca

A 227ª camisa de futebol do nosso site vem de Portugal, presente da amiga Elisama que agora vive por lá, em Alverca do Ribatejo.

O time que defende as cores da cidade de Alverca do Ribatejo, e dono da camisa de hoje é o Futebol Clube de Alverca.

O FC Alverca foi fundado em 1º de Setembro de 1939, coincidentemente, no dia do início da Segunda Guerra Mundial.
A cidade tinha ainda outros times, como o Alverca Futebol Clube (de 1922) e o Sporting Clube de Alverca (1930).
Quer saber um pouco da história do FC Alverca, veja aí:

O time cresceu integrado à história de Alverca do Ribatejo.

Ate a década de 40, o time se limitava às competições não oficiais da região mas, a partir de 1942, integrou a Associação de Futebol de Santarém, e depois a Associação de Futebol de Lisboa disputando os campeonatos destes grupos.

O FC Alverca começa a conquistar títulos regionais e nacionais, com destaque para o acesso à segunda divisão em 1988. Foto do site Glórias do Passado.

Na temporada 1997/98, o FC Alverca fez uma sensacional campanha conquistando o acesso à primeira divisão!

Assim, na temporada seguinte (1998/99) debutam na primeira divisão!

Lá permaneceu até 2002, mas retornando em 2003/04 para mais uma temporada na elite do futebol português.

Depois de altos e baixos, a partir da temporada 2021/22, passou a integrar a Liga 3 e assim reiniciando sua caminhada rumo à primeira divisão.
Na temporada 2024/25 retorna à Segunda Liga e na temporada seguinte, volta à Primeira Liga após 21 anos.
Em 2025, Vinícius Júnior adquiriu 80% da SAD do clube.

Manda seus jogos no Complexo Desportivo FC Alverca com capacidade para 6.900 torcedores.

APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!

XV de Julho FC x Ouro Verde Popular FC: 1ª divisão da Liga de Santo André

Domingo, 25 de maio de 2025
Mais uma aprazível manhã de outono em Santo André.
Com o fim da Divisão Especial, a 1ª divisão ganha visibilidade e foi pra registrar um embate bem interessante que nos dirigimos à Arena Colorado.

Seja bem vindo a mais um campo de várzea de Santo André!

A Arena Colorado está muito bem organizada, com seu bar, e uma seção dedicada à memória do time.

Aqui você pode ver alguns dos troféus que estão lá exibidos.
Vale a pena a visita e no nosso caso, vamos tentar voltar para ver uma partida do Colorado jogando “em casa”.

A partida de hoje traz dois times muito bacanas: de um lado, o XV de Julho Futebol Clube, um time até que jovem, fundado em 15/07/1990 e apoiado por sua torcida: XV Loucos.

Olha aí o pessoal do XV de Julho fazendo aquela fotona com a torcida:

Do outro lado, um time tradicional e com uma história muito bonita: o Ouro Verde Popular Futebol Clube, fundado em 5 de fevereiro de 1950, no bairro Santa Terezinha, e que levou para o futebol a identidade das famílias que moravam nas casas populares construídas no bairro naquela mesma época e que até hoje estão ali.

E lá estão as faixas de sua torcida, principalmente aquela que lembra seu presidente Zé Luís.

E a rapaziada do Ouro Verde Popular estava presente, lá em cima do morro que margeia o campo, ainda que não tenham levado a bateria pra fazer aquela tradicional “cantoria”.

Lá de cima do morro, pude fazer o registro do campo do Colorado, começando pelo gol do lado esquerdo, onde ao fundo erguem-se os bairros vizinhos, como a Vila Suiça.

Aqui, você pode ver o meio campo, e lá atrás está a Vila Luzita:

É ali que está a sede social do Colorado:

O gol do lado direito, onde ao fundo estão bairros como o Jardim Silvania.

E vamos para o jogo!

Com a bola rolando, a torcida do XV de Julho tratou de cantar e fazer o time se sentir em casa!

A pressão surtiu efeito e o XV chegou ao seu primeiro gol (você pode ver o gol aqui no Insta do XV), mas o time do Ouro Verde alegou que a bola havia saído no lance que origina o gol e foi tanta reclamação que seu goleiro acabou expulso.
A festa do pessoal do XV Loucos só aumentou!

Por um infortúnio do mundo do futebol, o goleiro que assumiu o posto do titular e que deu até uma acelerada nas saídas de jogo, acabou errando uma destas bolas e entregou o segundo gol para o XV de Julho.

O XV ainda teve chances de ampliar o placar, mas faltou o detalhe final.

Assim, o primeiro tempo terminou em 2×0 para o XV de Julho.
Aproveitei o intervalo para conversar com um torcedor de cada time, registrando suas opiniões sobre a importância da várzea e dos seus respectivos times, o resultado foi esse:

O segundo tempo começou, o sol apareceu e o cenário parecia perfeito para quem quer curtir uma partida!

A comissão técnica do XV de Julho trouxe o time pro segundo tempo pensando em rapidamente marcar o 3º gol pra matar o jogo.

Isso deixou o jogo ainda mais animado porque o Ouro Verde é um time forte e levava muito perigo nos contra ataques.

E se alguém esperava que, mesmo com um homem a menos, o Ouro Verde se entregaria, é porque não conhece a história e a importância deste time para o pessoal das Casas Populares.
O Ouro Verde não só passou a dificultar a partida, impedindo um placar maior, como a se arriscar no ataque buscando diminuir a vantagem.
Mesmo com XV de Julho mantendo o apoio sem parar!

Os atletas do Ouro Verde corriam tanto que em determinados momentos nem dava pra lembrar que o time jogava com um a menos.
Era uma verdadeira guerra em campo!

E pro cenário ficar ainda mais divertido – pelo menos para quem como eu estava ali apenas assistindo a partida sem torcer por nenhum dos dois times- o Ouro Verde encontrou o seu gol para a alegria do pessoal do time que acompanhava o jogo lá de cima do morro.

Mas, a matemática é fria e com um jogador a mais, finalmente o XV de Julho aproveitar os espaços e o cansaço do adversário e encontrou o seu 3º gol,

Por fim, o XV de Julho ainda marcou seu 4º gol determinando o placar final.

Mas, mais do que um placar, fica a experiência de um novo estádio e de dois times que representam seus bairros com muito orgulho e valor.
Festa pra torcida vencedora que vê seu time na liderança do grupo e muita preocupação para o pessoal do Ouro Verde, que termina a rodada na última posição…

Fiquemos com a festa da bateria do XV Loucos e aguardemos as cenas dos próximos capítulos

APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!