O Estádio Marcos José Campagnaro e o futebol em Ibiraçu-ES

Passamos a virada de ano passeando pelo litoral do Espírito Santo.
O rolê se encerrou na capital Vitória onde assistimos a Super Copa Capixaba (Vitória 5×1 Rio Branco, veja aqui como foi), mas também passamos por Serra, onde passamos pelo Estádio Robertão.

Mas também passamos por outros locais como Ibiraçu, cidade pequena, tranquila, cercada de verde e com um ritmo que convida à observação.
Caminhar por suas ruas é perceber como se forma a cultura e identidade local misturando histórias que vão da gastronomia à espiritualidade, passando pelo nosso amado futebol.

O grande marco da cidade é, sem dúvida, o Buda Gigante, localizado no Mosteiro Zen no Morro da Vargem.
Acabei me perdendo um pouco pra chegar lá, mas no fim deu tudo certo.

Com mais de 30 metros de altura, ele se impõe de forma serena sobre a paisagem, criando um contraste poderoso com a natureza do entorno.
A visita ao Buda não é apenas turística, é contemplativa.
O silêncio, a vista e a sensação de acolhimento fazem do local um espaço de pausa e reflexão, ampliando ainda mais o entendimento de Ibiraçu como um lugar mágico…

Tão mágico que possui uma linda história no futebol capixaba.
E foi pra aprender um pouco mais desta história que visitamos o Estádio Marcos Jorge Campagnaro, o Marcão.

Estar aqui é um encontro que todo pesquisador apaixonado por futebol espera encontrar pelo caminho.
Não é apenas um campo de jogo: é um ponto de memória viva do futebol capixaba, cravado em uma cidade que já experimentou o auge da glória esportiva, com o Ibiraçu Esporte Clube (se você quer conhecer este e outros escudos de times, precisa visitar o site Escudos Gino que foi de onde tirei as 3 versões abaixo):

Fundado em 9 de outubro de 1959, o Ibiraçu Esporte Clube nasceu de uma fórmula conhecida: a fusão entre tradicionais equipes locais, no caso América e Vitória.
Se o local do nascimento foi o Salão Paroquial da Igreja Matriz, a casa onde o time tem passado sua vida é o Estádio Marcos José Campagnaro.

O Estádio Marcos José Campagnaro foi inaugurado em 1º de Abril de 1979, com uma partida entre Ibiraçu X Rio Branco, disputando o troféu José Ivo Secomandi, vencido por 1×0 pelo time visitante.

Em 1982, o Ibiraçu EC sagrou-se Campeão Capixaba da Série B.

Mas a grande conquista veio em 1988, com o título da 1ª divisão do Campeonato Capixaba, eternizando seu nome entre os grandes do futebol capixaba.

Assim, o Ibiraçu tornou-se o primeiro clube do Espírito Santo a disputar a Copa do Brasil, em 1989, enfrentando o Grêmio, que viria a ser o campeão daquele torneio.
E foi pra conhecer de perto essa história que fomos até o Estádio Marcos José Campagnaro.

Num primeiro momento, fiquei preocupado de que não conseguiria entrar, pois o portão principal estava fechado…

Quando isso acontece, a solução, normalmente, nasce dando uma volta no estádio e procurando vizinhos e um possível “caseiro” ou responsável pelo local.

Esse é a lateral do estádio:

E assim, acabei conhecendo o atual caseiro, ex atleta do time e que segue trabalhando no clube, que permitiu o nosso acesso!
Logo de cara, na parte interna existem diversas placas comemorativas que registram os feitos históricos do time.

A presença dentro do campo sempre é um momento especial para quem gosta de caçar estádios…

Um estádio com muita história e uma energia muito boa!

Talvez, essa boa energia venha em parte dessa natureza exuberante que se faz presente na cidade como um todo e em especial ali, literalmente ao lado do campo.

Só fiquei triste de não poder estar ali na arquibancada curtindo um dia de jogo pra sentir como é a vibração da torcida local.

O estádio possui até um sistema de iluminação que permite os jogos noturnos.
Ainda que uma das torres esteja ali sendo engolido pela mata.
Se você quer saber mais sobre o time, segue eles no Insta (clique aqui)!

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De volta ao Estádio Robertão, em Serra-ES em 2026

Estivemos várias vezes passeando pelo Espírito Santo.
Em 2020, graças ao amigo Thiago, pude ir até a cidade de Serra pra conhecer o Estádio Robertão, a casa do Serra FC (veja aqui como foi)

Porém, no final de 2025, tivemos a oportunidade de voltar ao estado e dar um rolê, passando por cidades como Vitória (onde inclusive assistimos à Super Copa Capixaba: Vitória 5×1 Rio Branco), Serra, Aracruz, São Mateus, Linhares, Conceição da Barra, João Neiva, Ibiraçu, e além de praias e lagoas, fui conhecer os Estádios locais.

Assim, começo contando como foi a nova visita ao Estádio Roberto Siqueira Costa (Robertão).

Se você nunca esteve no Estádio, conheça um pouco do entorno do Robertão.

Dessa vez, consegui adentrar ao Estádio e agradeço ao pessoal da gestão do time que não só liberou a minha entrada como me falou bastante sobre o dia a dia atual do clube.

Finalmente, aí está a parte interna do Robertão!

O Robertão não é um estádio moderno.
Caminhar por ali é sentir o futebol sem filtro.
O som do bairro, a montanha ao fundo, o campo logo ali, sem distância entre quem joga e quem assiste.
Não tem fachada imponente nem arquitetura moderna, mas tem identidade. Daquelas que não se copia.
Talvez nem seja muito “receptivo” para torcedores visitantes..

Dê uma olhada em como é estar pelo Estádio:

É um estádio raiz, cru e até hostil.
Cada detalhe do estádio parece contar uma história.
O concreto gasto, o placar manual, o distintivo na parede.
Tudo ali remete a um tempo em que o futebol era mais próximo, mais humano, e em que o clube fazia parte da rotina da cidade, não só do fim de semana.

Visitas assim lembram por que registrar estádios importa.
Porque mais do que jogos, eles guardam memória, pertencimento e resistência.

O Robertão segue ali, firme, esperando o próximo apito inicial e gente disposta a ocupar arquibancada, cantar e manter essa história viva.
Em resumo: adorei a visita!

Este é o meio campo, visto de quem está na arquibancada, lá ao fundo a montanha:

Acredito que aquela arquibancada do outro lado seja o espaço destinado aos torcedores visitantes.

Aqui, o gol da direita, e você pode perceber que o estádio fica literalmente no meio do bairro, ainda bastante horizontal.

E aqui o da esquerda:

Deve ser muito legal ver um jogo aqui.
E deve ser difícil bandeirar um jogo kkkk.

Além de tudo, ainda deu pra ver o elenco ali presente se preparando para o Campeonato Capixaba.

Bacana essa cor alternativa da camisa, né?

O distintivo do time na parede guarda a área dedicada aos materiais do time.

Ali estão pôsteres e troféus do time.

Pra terminar, ainda pude ver os materiais a venda como as camisas…

E o boné do time…

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O futebol da cidade de Serra-ES

A pandemia mexeu tanto com a gente, que quase acabamos deixando passar o registro do nosso último rolê “pré Covid-19”.

Foi durante o já distante carnaval de 2020, em um destino que estava se tornando uma tradição: Vitória, no Espírito Santo.

Pra quem acha que não dá pra voltar tantas vezes pra Vitória, vale ressaltar os principais pontos que nos fazem querer repetir cada vez mais esse rolê.
O primeiro é a diversidade de coisas pra se fazer, como curtir o centro histórico…

O Espírtio Santo é riquíssimo em se falando da história do Brasil, vale ler um pouco sobre Vasco Coutinho, o português que foi donatário da capitania que englobava este território.

A cidade de Vitória é cheia de praias super gostosas e que são de fácil acesso!

Outro rolê legal é admirar o rio Santa Maria em sua chegada ao mar.

Tem muitas praias próximas da cidade, e sempre se acha um cantinho bucólico pra se fazer uma foto no fim da tarde…

Sugiro uma visita ao MUCANE (Museu Capixaba do Negro), um centro estadual de referência à cultura negra.

A gastronomia local tem cada vez mais opções para os vegetarianos …
A gente foi nuns lugares mais chiques dessa vez 🙂

E essa moqueca capixaba vegetariana sempre conta na hora de decidir voltar pra Vitória…

E eles também são bons de pizza…

Nós já estivemos outras vezes por lá conferindo um pouco do futebol local, veja aqui como foi! Dessa vez, fui conhecer a loja de fábrica da Icone, que patrocina entre outros times o meu Ramalhão!

Po, um passeio que vc não pode deixar de fazer é um rolê até a Golias Discos, pra pegar algum vinil!

A escadaria Maria Ortiz homenageia uma filha de espanhóis que nasceu em 1603, no território que se tornaria Vitória.

Naquela época, a Holanda era inimiga mortal da Espanha e o Brasil vivia a época da “União Ibérica”, o que levou, em 1625, o capitão holandês Piet Pitersz Heyn chegou à vila para um ataque que teve como principal ponto a Ladeira do Pelourinho, onde vivia Maria Ortiz que surpreendeu os invasores com um verdadeiro banho de água fervendo. A vizinhança contribuiu atirando paus e pedras, a movimentação acabou chamando a atenção de outras pessoas que conseguiram impedir a invasão naquele momento. Maria Ortiz faleceu em 25 de maio de 1646.

Mas nosso passeio dessa vez não ficou apenas na capital do Espírito Santo, nosso amigo Thiago nos levou até a cidade de Serra, e ainda demos a sorte de ouvir um pouco da história da cidade contada pelo poeta, cantor, escritor e compositor serrano Teodorico Boa Morte!

Mas também queríamos conhecer um grande amor de todos os cidadãos de Serra: a Sociedade Desportiva Serra Futebol Clube!


O Serra Futebol FC surgiu em 24 de junho de 1930 e dedicou boa parte de sua existência ao futebol amador e tem como mascote a cobra coral!

Somente em 1997 a “Cobra coral” fez sua estreia no futebol profissional, disputando a Segunda Divisão do Campeonato Capixaba.

Após classificar-se em primeiro lugar na Chave Norte (ao lado de Botafogo, Canário e São Gabriel) jogou a 2a fase e chegou à final contra o Mimosense, sagrando-se campeão logo em seu primeiro ano, subindo para a 1a divisão.

Em 1999, viria o primeiro título da primeira divisão e no mesmo ano classificando-se para a série B do Campeonato Brasileiro tendo vencido o Fluminense, no Maracanã 2×1.

Em 2003, nova conquista do “Capixabão“, vencendo o Estrela do Norte na final, com direito à torcida invadindo o campo para comemorar com os jogadores.

Em 2004, vem o terceiro título estadual, com um 4 a 0 sobre o CTE Colatina.

Em 2005, conquista o seu terceiro título estadual consecutivo, fazendo a final contra o Estrela do Norte, com gol aos 45 minutos do segundo tempo do artilheiro Betinho.

O próximo título veio em 2008 e fez o Serra ser considerado o campeão do século XXI.

Entretanto, em 2012, o Serra é rebaixado para a Segunda Divisão e só alcança o acesso de volta à primeira em 2017, tornando-se bicampeão da segundona.

E no retorno à Série A do Capixaba, o time volta a fazer história conquistando novo título, na final contra o Real Noroeste.

Aproveitamos a carona do nosso amigão Thiago para conhecer o Estádio Municipal Roberto Siqueira Costa!

Mais uma bilheteria para a nossa coleção!

O nome do Estádio Municipal Roberto Siqueira Costa é uma homenagem ao goleiro que brilhou defendendo o time tricolor na década de 1980 e que depois foi funcionário do clube, e até técnico.

Vamos dar uma olhada no campo!

E um estádio como esse merece receber uma torcida apaixonada, correto?

Sim, eles fazem uma festa danada!

Está lá a arquibancada que tantas vezes viu o time campeão estadual. Uma pena não termos conseguido pegar um jogo aqui..

Em 2018, inauguraram-se os refletores do estádio.

Há um espaço coberto para a imprensa.

O placar é manual e bem antigo.

O distintivo do time pintado e meio à bancada ficou bem legal!

Encontrei um lote de cartões postais do estádio a venda pela Internet, com uma imagem aérea do estádio

Hora de voltar pra casa! Um grande abraço ao amigo Thiago, que mesmo torcedor da Desportiva, nos acompanhou até a casa do Serra FC!

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