Mais uma aventura internacional, desta vez nas frias terras da Holanda, para conhecer o estádio do ADO Den Haag, o Kyocera Stadion.
Embora no fim de ano as ruas de Haia não transpirem futebol, deu pra ver que existem muitos fãs de futebol por lá. Existem vários adesivos espalhados pelas ruas. E o estádio do ADO é bem grande…
O cenário ao redor é bem bucólico, principalmente se estiver no inverno, como no dia em que estivemos por lá…
Mesmo nas placas informativas existem intervenções da torcida, nesse caso, divulgando o site www.originalcasual.com que vende materiais ligados ao universo do futebol.
Pra chegarmos ao estádio, tivemos que caminhar um pouco da estação de trem até lá.
E do lado de fora, parece uma lata gigante!
É sempre ruim ir visitar um estádio, principalmente quando se trata de uma arena, em um dia “normal”, sem jogo. Sempre fico com a impressão de que o lugar é morto, mesmo que existam um monte de interferências como que alertando que existe vida futebolística ali…
Mas sim, existe… Olha aí a galera cantando num dia de jogo:
Ah, a Mari pede pra lembrar que tava frio. Mas muito frio… Aliás, cheguei a conclusão que é por causa do frio que eu acabo não sentindo tanto a emoção do futebol nas ruas, pois é quase impossível andar de camisa de time. Só se usa capotes e mais capotes…
Falando um pouco do estádio, a Kyocera Stadion foi concluído em 1977, e tem capacidade para pouco mais de 15 mil torcedores.
Vale lembrar que embora seja uma grande cidade, o ADO ainda possui uma estrutura bem menor do que os vizinhos Ajax, Feyenoord e PSV Eindhoven. Mas a única lambreta adesivada que vi nesse rolê era do ADO HAAG!
Aqui, a parte interna do estádio, embaixo das arquibancadas.
O estádio é moderninho, tem câmeras de segurança instaladas que permitem gravar imagens de cada membro da platéia.
Vamos dar uma olhada nas arquibancadas?
Esse estádio substituiu o antigo estádio Zuiderpark do ADO que era menor. É o local para Jogos Mundiais de 1993 e 2014 da Copa do Mundo de Hóquei.
Infelizmente nossa máquina estava em um dia triste e as fotos saíram bem meia boca, mas já dá pra ter uma ideia, né?
O gramado estava impecável, mesmo com o tempo frio…
Todos os lugares do estádio possuem cadeirinhas…
Os jogadores entram pelo meio da arquibancada…
Antes de ir embora, a Mari achou umas bandeiras dos Ultras que estavam lá por baixo das arquibancadas… Claro que depois de se sentir uma ultra local, ela deixou tudo por lá, até porque o pessoal que cuida do estádio também parece ser ultra…
A 175a camisa de futebol do blog nos faz voltar à Bahia, desta vez a capital Salvador, para falar do Esporte Clube Vitória.
Aos playboys chatos de plantão, já deixo claro que sim, essa é mais uma camisa “não oficial”.
Como sempre reforço, nossa ideia é divulgar histórias e experiências ligadas ao futebol e não gastar o dinheiro que não temos comprando camisas.
O Vitória tem uma história de muita tradição no futebol. Nasceu em 1899, sendo assim o primeiro clube social fundado apenas por brasileiros e um dos primeiros clubes do Brasil a praticar o futebol.
Sua primeira de futebol foi disputada em 1901, contra um time formado por integrantes das tripulações dos navios ingleses atracados no porto e acabou em 3×2 para o então “Victória”.
Destacou-se no Brasileirão de 1993, onde terminou como vice-campeão, com Dida no gol e João Marcelo na zaga.
Em 1999, novamente ficou em 3° colocado, dessa vez no gol Fábio Costa!
Em 2010, foi vice campeão da Copa do Brasil.
Mas a história nos campos começou cedo, lá em 1908 com sua primeira conquista do estadual. O bicampeonato veio no ano seguinte.
De 1913 a 1919, não participou dos campeonatos organizados pela então federação, mas o Vitória conquistaria os títulos de 1926, 1941, 1942, 1943, 1944 e 1949.
O time sofreu muito com a falta de profissionalização e viu seu rival dominar o cenário estadual nessa época.
Na década de 60, veio um histórico bicampeonato, e nos anos 70, mais uma taça, a de 1972, conquistado pelo time abaixo:
Nos anos 80, vieram os títulos de 1980, 1985 e 1989.
A década de 1990 foi certamente uma reviravolta na história do Vitória, vieram 6 Campeonatos Baiano e o já citado vice-campeonato brasileiro, contra o milionário Palmeiras e, em 1999, no centenário do time, a 3ª colocação, sendo eliminado pelo Atlético Mineiro, nas semifinais.
A década de 2000 também começou promissora, com dois estaduais em 2002 e 2003, além da Copa do Nordeste de 2003.
Entretanto, em 2004, após ganhar o estadual e a a Taça Estado da Bahia, e chegar às semifinais da Copa do Brasil, o time foi rebaixado para a Série B.
Se as coisas pareciam ruins, no ano seguinte, mesmo após as conquistas da Taça Estado da Bahia e o tetracampeonato Baiano, de forma invicta, o Vitória caiu para a Série C.
De lá pra cá, o time soube dar a volta por cima e voltar para a série A, dentro de campo.
20 de dezembro de 2014. Um dos mais legais momentos ligados ao futebol que vivi. A soma de várias paixões: música, atitude, futebol, amigos…
Esse post mostra como a camaradagem, a amizade, a música e o engajamento social podem conviver com o futebol, mostrando que mais do que um esporte é uma verdadeira cultura, talvez mais vivida por quem torce do que por quem joga.
De verdade essa aventura começa ainda no Brasil, quando conhecemos o Marten (esse alemão doido de touca marrom, do lado da Mari na foto acima) e o convidamos para conhecer um pouco do ABC. Entre outras diversões, ele visitou o Estádio Bruno José Daniel e ainda bateu um papo com o até então capitão do Santo André, Junior Paulista.
E eis que no final do ano de 2014 conseguimos fazer um role para a Europa, e não podíamos deixar de enfim conhecer o Estádio Millerntor, a casa do St Pauli, um dos times mais punk do mundo!
O time do St Pauli é conhecido por sua postura politizada tanto entre torcedores quanto dirigentes e até jogadores, e também pelo seu carisma. Entretanto, em 2014 o time está em uma má fase, ocupando as últimas colocações da série B da Alemanha.
Mas… Se a fase dentro de campo parece ter problemas, nas arquibancadas o clima é indescritível… Punks, skinheads, rockeiros em geral, além de famílias, amigos e uma diversidade de gostos, roupas e pensamentos que mais parecia um festival alternativo.
O jogo que fomos assistir era contra o VFR Aalen!
E dá lhe punk rock, tocado nos alto-falantes do estádio e cantado pela torcida nas arquibancadas.
Pra quem ficou curioso, segue o link com o som original:
Ah, e não estamos falando de uma arquibancada com meia dúzia de gato pingado, não, são cheias e cantando a todo momento!
E a gente foi cantar junto!
Pra quem não tem ideia do que seja o St Pauli, saiba que a torcida e o time são declaradamente antifascistas e contra o nazismo, e eles fazem questão de deixar isso claro não só no Estádio, mas por toda a cidade. Entra no Translator do Google e veja o recado que eles espalharam pela cidade:
E falando mais sobre os “arredores” do estádio, o estabelecimento mais comum por ali são os pubs ligados ao time. Aliás, os caras bebem muita cerveja…
E mesmo a gente que não é tão fã de cerveja, entrou no clima e antes mesmo de chegar ao estádio já mandamos ver na AMSTEL, cerveja patrocinadora do time.
Agora, tem um negócio lá que eu achei muito louco e muito diferente do que temos aqui. Além dos tradicionais vendedores ambulantes de comida e bebida espalhados pela rua (lá, são tipo uns food trucks nas ruas próximas), eles tem uns espaços que lembram os centros contra culturais aqui do Brasil na parte inferior do estádio, chamados “Fanräume”.
E são vários espaços, que servem de ponto de encontro para a torcida e também acabam virando a sede de diversos movimentos sociais que nascem nas bancadas do estádio. Ali, você encontra muita cerveja, alguma comida (quase tudo vegano), muitos fanzines e muta gente legal. Lembra os shows punks dos anos 90, quando todo mundo estava eufórico para dividir angústias, experiências e celebrar a vitória do anarquismo frente à realidade, mesmo que só durante aqueles momentos.
Segundo nossos amigos locais, os diversos espaços geridos pela Fanladen são independente do clube e rolam até shows (o Los Fastidios iria tocar ali, dias depois do jogo). Mas, voltemos para o estádio…
A primeira diferença que percebe-se é o visual, tomado por grafites, bandeiras e interferências sempre politizadas no sentido do respeito à diversidade de pensamentos. Por exemplo, a relação com o público GLTS, que no Brasil ainda está caminhando, lá é encarado com super naturalidade.
Outra coisa que fica clara logo de cara é que lá, a cerveja é liberada na bancada. E mais do que isso, eles bebem bastante e numas canecas de plástico, temáticas do time (embora lindas, acredite ou não, ao final do jogo a maior parte do público as devolve para que sejam reutilizadas na próxima partida).
Essa teve que vir conhecer o Brasil…
O resultado de tanta cerveja é uma incrível narração em Português no meio da torcida alemã…
Outra coisa que lá ainda mantém-se fiel às origens do futebol, são as bandeiras com mastro. E além disso, mais bandeiras com dizeres políticos do que preocupadas em falar sobre o nome da torcida, como acontece aqui no Brasil.
E no meio do jogo ainda sobem mais e mais faixas para protestar enquanto se torce.
A cultura dos adesivos também é bem presente no estádio e pela cidade.
Eu queria ter registrado em vídeo os momentos mais emocionante do jogo, por exemplo quando o time entra ao som de Hell’s Bells, mas a emoção foi maior e eu preferi só viver o momento, só deu pra bater uma foto…
Antes do começo do jogo, o tradicional abraço coletivo do time com o “Vamo lá, vamos ganhar!”.
Mas… Para não dizer que eu não capturei nenhum momento mágico em vídeo, fica aí a comemoração do primeiro gol, ao som do Blur.
Pra quem não conseguiu ouvir ou não lembra, esse é o som que toca na hora do gol:
Enquanto isso, o time comemorava em campo!
Vale citar que a torcida visitante (do VfR AaLEN) também esteve presente, e embora segundo nossos amigos locais, eles tivessem certo teor de rivalidade, não houve nenhum tipo de incidente. Eles ficaram meio isolados ali no canto do estádio.
A história foi mágica. Talvez muitos não se identifiquem com o teor político / anarquista do time / torcida (e eu respeito, afinal, cada um pensa de um jeito), mas ao mesmo tempo, espero que entendam que para nós, que temos essa semente da liberdade plantada em nossos corações, essa experiência foi incrível…
Ah, e teve futebol também hehehehe. O time do St Pauli, que vinha numa má fase, fez seu melhor jogo do ano (segundo os torcedores), o que fez de nós brasileiros de boa sorte hehehe!
Tem também o papel picado, porém, lá, o papel é meio que picotado mecanicamente, bem direitinho hehehehe…
Como fazem falta as bandeiras com mastros nos nosso estádios, hein?
Mas, a felicidade nos corações dos torcedores… Essa é a mesma na Alemanha, no Brasil, na Argentina…
Vale lembrar um detalhe que não fica claro nas imagens calorosas. Estava frio. Muito frio. E pra piorar, antes do jogo, pegamos uma chuva na cabeça somada a um frio de uns 3 ou 4 graus… Só nos restava o calor humano! Por isso tem tanta comemoração usando cachecóis… Eles são peça indispensável no vestuário alemão!
Mas que fica legal essa imagem de todo mundo com os cachecóis a mostra, fica hein?
Hmmmm, não sei o que dizer dessa imagem que só depois de feita revelou um papai noel pulando a cerca!
Fim de jogo! FC St. Pauli 3×1 VfR AaLEN
Mas, não significa que é o fim da festa. Diferente da maioria dos times, assim que o jogo acaba, os jogadores voltam-se para cada setor do estádio saudando a torcida e comemorando juntos!
Ao menos, aparentemente, pareceu ser algo bem espontâneo, não uma regra que deve ser cumprida. Confesso que quero muito levar essa ideia para o Santo André.
Hora de dizer tchau… Ou quem sabe um “até breve” às arquibancadas punks de Hamburgo… St Pauli, obrigado pelos exemplos…
“Quando um estádio é demolido, morre um pouco da história e da alegria da cidade e das pessoas”.
25 de novembro de 2014. Foi com esse triste sentimento que nos dirigimos a Salto para fazer aquelas que poderiam se tornar as últimas fotos do Estádio Alcides Ferrari.
Salto é uma cidade riquíssima em história do futebol, desde o início do século XX, com times como o Team Salto Football Club – primeiro time da cidade, o Atlético Coritnhians, o Ítalo FC, entre outros… Mas mesmo assim, foi difícil convencer o porteiro a liberar nossa entrada na antiga casa da Associação Atlética Saltense, para registrar o estádio.
A AA Saltense foi fundada em 29 de março de 36. Essas são fotos da época da fundação:
E tanto tempo depois aí estamos nós na casa da Saltense!
Segundo os boatos, a especulação imobiliária falou mais alto, onde nasceram gols e alegria, serão levantadas torres residenciais…
Esse foi o time campeão da 23ª região de 1942! Não achei os resultados, mas pelo livro “Os esquecidos“, o time se classificou com 4 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Compunham o grupo 3 times de Porto Feliz: AA Portofelicense, EC Araraitaguaba e União FC, além do EC São Bento e São Roque AC (ambos de São Roque), o Comercial de Tietê e a AA Boituvense). Na 1ª eliminatória da fase final, bateu o Itapetininga e na 2ª eliminatória perdeu no saldo de gols pro Guarani.
Olha que linda foto do time em 1950:
Aqui o time de 1956, que disputou pela primeira vez o derbi com a AAAvenida, vencendo a peleja por 6×3:
Essa também parece ser da mesma época:
Em 1958, a AA Saltense foi campeã da “Série D” (o primeiro grupo regionalizado da série A3 daquele ano). Outra foto bacana, sem conseguir confirmar a data:
O time de 1966:
Aqui, o dia, ou melhor, a noite da inauguração do sistema de iluminação, em 1980:
O Estádio viu diversas partidas, como o dérbi de 76, entre a Saltense e o Guarani!
Aqui, outro dérbi contra o Guarani, com o estádio lotado, dessa vez pela A3 de 1987.
Aqui, o time de 87:
Muito triste ver o estádio sem suas arquibancadas, onde a torcida pode viver uma história que começou em março de 1936 e participou de 26 campeonatos estaduais.
Disputou a série A2 em 1959 e entre 1982 e 1987. Em 84, se classificou para a segunda fase, onde terminou em último no grupo.
Jogou também a série A3 por várias vezes: de 1954 a 58, de 1960 a 64, em 1976, em 1980, 1981, 1988 (é o time da foto abaixo), 1990,1991 e 1993.
Ainda disputaria a série B em 1977, 1979 e 2008 (num retorno pontual ao profissionalismo) e a quinta divisão em 1978. Aqui a classificação na fase 1 e 2 da série B de 2008:
O pessoal do Jogos Perdidos acompanhou vários jogos da Saltense naquele ano, confira um deles aqui, de onde eu peguei essa bela foto do time de 2008:
Desde então, o time está licenciado da Federação Paulista de Futebol e seu estádio, correndo risco…
O Estádio tinha capacidade para cerca de 3 mil pessoas.
O adesivo colado no vidro, que em pouco tempo virá ao chão relembra uma fase bacana do time.
Como nunca estivemos em Salto antes, aproveitamos para conhecer também o Guarani Saltense Atlético Clube, cujo estádio fora demolido anos atrás para a construção de um … Carrefour….
Como se vê, há muito da imagem do Guarani Saltense espalhado pela área!
O Guarani Saltense Atlético Clube foi fundado em 10 de fevereiro de 1938, mas hoje, encontra-se licenciado da Federação Paulista de Futebol.
Pudemos fazer amizade com o pessoal do clube que estava por lá.
E relembrar um pouco do passado glorioso do Guarani Saltense.
Seu campo era o Estádio João de Arruda (antigo Estádio Luiz Dias da Silva) e teve muitos dias de glória antes de ser demolido, em 2001. Essa era a fachada do campo:
O “Rubro-negro Saltense” jogou a A3 por 15 vezes: 1954, de 1956 a 59, 1962, 1963, de 1980 a82, de 1984, a 87 e 1992.
Aqui, o time de 1957, campeão da “Série 5”:
Não encontrei os resultados, mas seguem os adversários da Série 5 e da fase seguinte (onde estava o Expresso São Carlos, que seria campeão da A3) de 1957:
Além disso, foram 4 edições da Série B (o quarto nível do futebol paulista), de 1988 a 91, além de duas edições do quinto nível do futebol em 1978 e 1979.
Aqui, o time de 1973, na noite da inauguração do sistema de iluminação do Estádio João de Arruda:
Motivos de sobra pro Estádio ser considerado um importante ponto pro futebol paulista!
Aqui uma boa recordação de quando o estádio foi inaugurado.
E aqui, a placa comemorativa ao cinquentenário do Guarani Saltense.
Esse foi o time que disputou a 3a divisão de 1982:
E que tal essa imagem do dérbi saltense, de 1982?
Vale ressaltar a força do futebol amador da cidade. Existem, no mínimo dois grandes estádios, além do campo da Saltense e do Guarani que mereceram uma visita: o Estádio Municipal Amadeu Mosca.
O estádio chegou a receber vários jogos no passado.
Em 1992 houve um dérbi entre a Saltense e o Guarani, onde foi feita a foto abaixo:
E o tradicional campo do XV de Novembro, o Estádio Benedito Teixeira:
O XV de Novembro foi fundado em 30/05/1974 e nunca participou de nenhuma divisão profissional, mas fez (e ainda faz) parte da história do futebol de Salto. Olha o time de 1965:
E também um raro registro do Clube de Regatas Estudantes Saltenses, que disputou o Campeonato do Interior de 1944, 45 e 46 (a foto abaixo é de 49)
A 174a camisa de futebol do blog vem de Minas Gerais (de onde já mostramos a camisa da Caldense, do Vulcão e do Tupi).
Ela pertence ao América F.C., da capital mineira.
Embora venha da capital, eu comprei a camisa numa lojinha na cidade de Mariana, há alguns anos atrás, quando fomos de busão desbravar as cidades históricas de MG.
No fim de semana de 16 de agosto, estivemos em Assis para ver o VOCEM e o Assisense na Bezinha (vejam aqui como foi). Mas além dos jogos, também aproveitamos a oportunidade para dar uma volta pela cidade e rever alguns estádios que já marcaram presença no www.asmilcamisas.com.br.
Um deles é o Estádio Dr. Adhemar de Barros, onde a Associação Atlética Ferroviária de Assis (AAFA) fundada por funcionários da antiga Estrada de Ferro Sorocabana em 1927, mandava seus jogos.
O Estádio segue seus dias entre o abandono do poder público e o uso pelos que ainda amam o futebol. Infelizmente é quase nula a chance de um retorno do time da Ferroviária ao profissionalismo…
Mas a emoção e a história seguem no mesmo lugar. Nos gols, na arquibancada que aos poucos perde sua cobertura e sua pintura…
Falando da Ferroviária, também conhecida como a “Veterana”, o time atuou de 1949 até 1952, até ser rebaixada graças à criação de uma lei que exigia que as cidades tivessem um mínimo de 50.000 habitantes. Retornou à Segunda Divisão (atual A2) em 1958 e permaneceu até o ano seguinte.
A partir de 1960, disputou a terceira divisão, até 1976, quando encerrou suas atividades.
Seu estádio na Rua Brasil, por isso o apelido de “Vermelhinha da Rua Brasil” tem capacidade para pouco mais de 1.000 pessoas. E ele foi nascendo aos poucos; primeiro o campo, depois as arquibancadas, os vestiários, e por fim a iluminação. Foi nele que o time mandou seus jogos na sua fase profissional.
Os gols seguem lá… A espera dos chutes…
E a Mari até arriscou alguns…
E eu, com meu eterno espírito de goleiro, o defendi!
Para aqueles que gostam de colecionar camisas de futebol, a do VOCEM estava a venda (não sei até quando fica) no Supermercado amigão, por R$ 69,00.
Ah, antes de sairmos de Assis ainda demos uma passada no Estádio Aristeu de Carvalho, a casa do DERAC local:
Pra quem teve preguiça de acessar o post sobre o jogo que fomos ver entreVOCEM e Pirassununguense, seguem algumas fotos do “Tonicão“:
Antes de irmos pra Assis, demos uma parada em um posto de gasolina em Santa Cruz do Rio Pardo. Olha que legal o visual do posto (sim é um posto, não é uma estação de trem).
E se estamos pelo oeste paulista, a cultura do trem tem que estar viva a todo momento…. Eles resgataram uma bela locomotiva que percorreu no passado os trilhos entre SP e interior.
Tinha até uma foto da Santacruzense, em frente ao trem, na década de 40…
E enfim, voltando para Santo André, passamos por Salto Grande!
A cidade está às margens do rio Paranapanema e rola até um visual praiano, muito bacana!
Mas não fomos até lá para nadar, mas para conhecer o Estádio Municipal dos Expedicionários.
É aqui que o Clube Náutico Salto Grande mandava seus jogos.
Atualmente, no muro do estádio, eles tem um novo distintivo:
O time foi fundado em 1964, e fez sua estreia no profissionalismo no Campeonato Paulista da Terceira Divisão de 1986. Até hoje o “CN” de Clube Náutico está em seus portões.
O campo segue bem cuidado, ainda que meio desnivelado, a grama está verdinha…
Foi nesse estádio que foram vencidos times como o Piraju, Palmital e Chavantense… Nessas arquibancadas, hoje vazias, já houve festa da torcida local…
Sei que não é fácil manter um time de futebol, mas ainda sonho em ver um time em cada cidade deste país… Defendendo as cores e a cultura local, tendo seu estádio como ponto chave, e até turístico…
Seguindo nossa missão de buscar estádios perdidos por este mundo, lutando contra a ideia de que o futebol pareça morrer a cada dia, chegamos a bela cidade de Tatuí…
Aproveitamos para registrar o Estádio do São Martinho, time fundado pelos operários da Fábrica Têxtil São Martinho, no final da década de 1930.
E pra nossa surpresa, o Estádio Dr. Júnior do Amaral Lincoln não só está muito bem estruturado como mantém-se como sede do São Martinho nas disputas amadoras organizadas pela Federação Paulista.
Belo gramado e uma localização privilegiada, em uma movimentada avenida.
Não sei porque, mas adoro bilheterias…
Mas, nossa busca era pelo Estádio Dr. Gualter Nunes, que abrigou o time local, em suas aventuras pelo campeonato paulista, entre as décadas de 50 e 70.
Estamos falando da Associação Atlética XI de Agosto!
O Estádio mantém vivas as cores do time, que hoje ainda existe no futebol amador e como clube social.
Vale lembrar que o XI de Agosto nasceu, a partir de uma simples pelada disputada entre moradores da cidade. O nome é uma homenagem ao dia do aniversário da cidade.
O campo ainda está lá em perfeitas condições. Aliás, a cidade de Tatuí tem uma representatividade bem importante nas competições amadoras do estado, ou seja, eles tem usado bastante o campo!
A data oficial de fundação do time é 11 de agosto de 1929, apesar de ela já existir desde 14 de maio de 1916.
Mais uma bilheteria visitada pelo nosso blog!
O Estádio / Clube ocupa quase todo um quarteirão, essa é a rua lateral:
O Estádio Dr. Gualter Nunes começou como um campo de várzea. No mês de junho de 1930 o campo foi fechado com tábuas, para ser construída uma arquibancada.
O primeiro jogo ocorreu contra a Associação Atlética Pindorama, mas a inauguração oficial aconteceria em 1935 contra o Palestra Itália e teve como resultado um empate em 1X1
O clube parece reconhecer aqueles que fizeram parte da sua história. Esse é um quadro exposto nas dependências internas:
E outro grande achado que está em exposição no clube é essa camisa, da década de 60:
O time de 1958 sagrou-se bi-campeão do setor:
Esse é o time de 1978, que disputou a terceira divisão:
Dias depois da visita, encontrei essa foto pela Internet, do estádio nos anos 70:
Voltando ao momento atual, o último jogo parece ter sido uma boa goleada!
E lá fomos nós para dentro do campo, ver de perto mais esse templo do futebol do interior paulista.
Uma história bacana que contam por lá é que o time tem o apelido de Égua Vermelha, devido a uma égua avermelhada morta no centro da cidade, bem no dia de uma partida. Os torcedores adversários aproveitando a situação diziam: “A égua vermelha do XI vai morrer”.
16 de Agosto de 2014… E aí estamos nós, mais uma vez descendo na “estação Assis” para acompanhar o futebol há 500km da capital, onde ainda se podem ver as históricas casas de madeira construídas pelos ferroviários no século passado.
Os trilhos ainda estão pela cidade e para “forasteiros” como eu e a Mari, acordar as 5hs da manhã para ouvir o trem da manutenção passar por lá é um programão!
Estivemos em Assis para aproveitar o último final de semana com futebol profissional pela cidade. No sábado, o Assisense enfrentou o Atibaia em casa, no Tonicão pela Série B do Campeonato Paulista…
Em campo, o resultado não podia ser pior… O time, com 0 pontos na segunda fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão, levou 8×0 dos visitantes…
Uma pena o pequeno público presente…
Pra nós, é mais uma experiência boleira…
No sábado a noite ainda fomos conhecer um pub local chamado Dublin. Mas voltamos cedo, afinal, no domingo, as 10hs da manhã era um momento mágico, hora de ver o VOCEM ao vivo, no Tonicão!
O cartaz convida…
Bem vindo a mais uma partida da série B do Campeonato Paulista!
Estávamos em 3: eu, Mari e meu pai, ou seja… 3 ingressos a mais pro VOCEM!
Chegamos a tempo de ver os times em campo…
O Estádio Municipal Antônio Viana da Silva, vulgo Tonicão tem seus diferenciais, como por exemplo o caminhão de som que anima a galera do estádio!
Mas o domingo era dia de emoções fortes para o torcedor do “Esquadrão da Fé. O VOCEM precisava vencer para ter chances de classificação no último jogo, fora de casa contra o Primavera de Indaiatuba…
A torcida apreensiva…
E o jogo começou quente, com menos de 5 minutos, o VOCEM teve a chance de abrir o marcador, completando um cruzamento direto na trave!
A Torcida local tentou fazer sua parte, apoiando (tinha até um batuque feito pelo pessoal da Escola de Samba da Vila Operária) e pegando no pé dos adversários.
Em campo, o time fazia de tudo para tentar a vitória, mas o Pirassununguense era um adversário difícil…
Falando da gastronomia do estádio, a estrutura do Tonicão é muito melhor do que a maioria dos estádios, tem um bar bacana, uma churrasqueira que vende espetos (nada para vegetarianos) e a tradicional pipoca.
Mas, o campeão foi o sorvete de sagú…
O Estádio recebeu um público apenas razoável, perto dos quase 4 mil torcedores que foram ao estádio ver o Derby contra o Assisense na primeira fase.
Jogo duro e pra piorar para o torcedor local… Pirassununguense 1×0. Numa jogada pela direita em uma bola que o goleirão podia ter se esforçado mais…
Banho de água fria na torcida local…
Mas, nem tudo estava ruim. Pudemos conhecer 2 amigos que só tinhamos contato via Internet, o primeiro deles, torcedor do VOCEM e responsável pelo site do clube (clique aqui para visitar o site), Victorino.
O outro é uma figuraça, que assim como nós, acompanha o futebol por diversos estádios e ainda procura resgatar um pouco da história do futebol da sua cidade, apresentamos o amigo e torcedor do Paraguaçuense, Amarildo:
Também foi mais uma oportunidade para juntar minha família junto do futebol!
Para não desanimar totalmente, o VOCEM ainda chegou ao empate!
E assim, acabou o ano do VOCEM jogando profissionalmente, em casa… Agora só ano que vem…
Espero que a torcida siga apoiando como fez nesse ano da volta do time ao profissional e que o time possa continuar mantendo sua história tão importante não só do ponto de vista do esporte, mas também social e cultural.
Que as bancadas do Tonicão sigam quentes, como os corações daqueles que 500 km longe da capital acreditam no time da sua cidade…
“O tempo te ensina a valorizar mais a amizade, porque isso não se vende e tampouco se pode comprar”.
Foi com letras como essa que o TANGO 14, banda de “rock de rua” de Buenos Aires, decidiu cruzar a América do Sul em uma kombi e vir até o ABC, pra mostrar seu som e curtir um pouco do clima da Copa do Mundo.
Esse é a música que contém a citação acima:
Conhecemos o pessoal do TANGO 14 há alguns anos, em uma de nossas passagens pela Argentina, se não me engano, em 2009:
Quem diria que anos depois, estaríamos juntos aqui no ABC, conversando sobre a vida, o futebol, política e dia a dia… E claro, curtindo o som dos caras, graças ao esforço do pessoal da banda 88Não!!!
A mistura de viagem e turnê foi feita de maneira totalmente independente, sem patrocínio nenhum, só contando com a força da amizade entre pessoas que preferiram desprezar os preconceitos entre brasileiros e argentinos tão incentivado pela mídia e por um bando de idiotas.
Aqui no ABC, quem recebeu o pessoal e ofereceu a própria sede para que eles ficassem hospedados foi a rapaziada da Torcida Fúria Andreense:
O pessoal da Fúria Andreense foi muito responsa e conseguiu lugar para todos dormirem e ainda dividiram experiências, cervejas, histórias, comilança…
As aventuras desses 9 argentinos pelas estradas do Brasil foram muitas. Pra se ter uma ideia, eles saíram de Buenos Aires em 2 veículos, porém, chegando em Porto Alegre, um deles teve um problema com o motor e teve que ficar no conserto, a solução foi alugar uma kombi e fazer o percurso RS-SP nela. Ali no fundo dá pra ver a famosa kombi heehehe:
Com isso, eles acabaram chegando um dia depois do esperado e tendo que cancelar o primeiro show deles, que seria na Zona Norte de SP, numa sexta feira.
Enquanto isso, seguíamos “monitorando” a viagem via celular, Internet, Whatsapp e as vezes passávamos algumas horas sem contato, imaginando onde eles haviam se perdido hehehe.
Enfim, no sábado, depois de alguma espera, finalmente o TANGO 14 fez sua estreia em terras brasileiras…
Guillerme foi à loucura….
Eles puderam tocar quase todas as músicas de seu primeiro disco para um público que misturava punks, rockeiros e torcedores, como já de costume em seus shows!
O show contou ainda com a participação de bandas como 88Não, Chagas e até uma palhinha do Tercera Classe banda que eu tocava nos anos 90.
Mais do que um show, a presença do TANGO 14 no Sônia Maria, um lugar histórico para o Punk Rock do ABC foi um momento de união entre amigos!
Já era madrugada quando deixamos o pessoal na sede da Fúria Andreense, onde o pessoal da torcida ainda os aguardava para conversar…
No dia seguinte, foi a vez de tocarem em São Paulo, no Centro de Cultura Marginal e mais uma vez, show e clima inesquecíveis!
Pudemos participar de um momento incrível unindo TANGO 14 e 88Não! tocando um som do 2 minutos:
O role foi muito bacana por lá e novamente misturou punx e torcedores…
Como a banda é formada por gente que depende de seus trabalhos para viver o dia de amanhã, o Tango 14 teve que voltar cedo pra Buenos Aires, só o baterista Adrian pode ficar e deu sorte à seleção Argentina, no jogo da semifinal!
Despedimo-nos desse post mandando um forte abraço aos hermanos Tommy, Adrian, Neco, Fernandinho, Juanjo, Nicolas, Cuki (el capo de FerroCarril) e aos irmãos Ariel e Cesar Escalante.
É isso aí… Apoie o time da sua cidade, mas antes de mais nada, apoie seus amigos das arquibancadas e das ruas, sejam elas ou não da sua cidade…