Estádio Olímpico do Ibirapuera “Ícaro de Castro Melo”

Muito antes de São Paulo ser conhecida pelos grandes estádios particulares e pelas modernas arenas multiuso, o esporte da cidade tinha um endereço público, democrático e aberto à convivência. E não, não me refiro ao Pacaembu, mas sim ao Estádio Ícaro de Castro Melo, um estádio de futebol no coração do Ibirapuera, que acompanhou, por mais de sete décadas, a transformação da capital paulista.

Inaugurado em 1954, nas comemorações do IV Centenário da cidade, o estádio nasceu em uma São Paulo que ainda se expandia para além do centro histórico.
Ao seu redor, a metrópole cresceu, ganhou avenidas, edifícios, novos bairros e milhões de habitantes.
O que antes era uma cidade em construção tornou-se uma das maiores metrópoles do mundo.
E o Ibirapuera permaneceu ali, testemunhando silenciosamente essa mudança até que a privatização do Pacaembu, fez com que a prefeitura lembrasse do velho estádio.

Em 2025, passei por ali e pude fazer algumas imagens da grande reforma que estava sendo feito para que o Estádio volte a ser um palco não só do futebol mas de diversos esportes da capital paulista, quem sabe aumentando sua atual capacidade para mais do que os atuais 13 mil lugares.

Ao longo dos anos, seu gramado recebeu partidas oficiais de futebol, enquanto sua pista formou gerações de atletas.
Em 1996, por exemplo, enquanto a Vila Belmiro era reformada, o Santos encontrou no Ibirapuera uma casa provisória e fez uma campanha marcante.
O Corinthians também utilizou o estádio como mandante, mostrando que, às vezes, um estádio empresta sua identidade para ajudar a escrever a história de outros clubes.

Por isso é tão bacana acreditar que o Estádio pode voltar a ser um palco do futebol e outros esportes.

Além de atletas olímpicos, jogadores de rugby, equipes de futebol americano e milhares de torcedores, o estádio também recebeu diversos shows históricos de artistas como Black Sabbath, Elton John, Bon Jovi e Scorpions.
Poucos lugares em São Paulo conseguiram reunir, com tanta naturalidade, esporte, música, cultura e convivência.

As grandes arenas substituíram muitos dos antigos estádios, e São Paulo tornou-se uma cidade ainda mais vertical, veloz e intensa.
O Ícaro de Castro Melo, porém, continua lembrando que nem toda transformação precisa apagar o passado.
Há lugares que sobrevivem justamente porque preservam a memória de diferentes gerações.
E talvez esse seja o maior patrimônio do Estádio do Ibirapuera: mostrar que, assim como as cidades, os estádios também contam histórias.
Basta olhar com atenção para perceber que, muito antes das arenas e dos naming rights, já existia ali um palco onde São Paulo aprendia a celebrar o esporte, a cultura e a própria vida.

O Estádio acaba de ser reinaugurado, e veja como ficou:

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Juventus 1×2 Flamengo (série A3-2011)

20 de março de 2011.
Um domingo aprazível só pode ser melhorado com uma manhã de futebol, e assim lá fomos nós para a Mooca acompanhar Juventus e Flamengo de Guarulhos pela série A3 do Campeonato Paulista.

Saí tarde de casa mas cheguei a tempo de comprar os deliciosos canoles tão característicos da Javari.
O estádio não estava cheio, mas sem dúvida o Juventus conseguiu formar uma legião de seguidores fiéis e consequentemente transformou a ida à Javari em um rolê cultural, muito interessante (pra alguns virou hipster demais…).

A torcida do Flamengo, também esteve presente, afinal, Guarulhos é bem próximo da Moóca.

Ambos os times estavam em situações intermediárias correndo tanto o risco de cair para a série B, quanto de se classificar entre os 4 do grupo que vão para a segunda fase, em busca do acesso para a série A2.

O Juventus tratou de alegrar sua torcida e fez 1×0, com bom domínio do jogo.
Parecia que era a tarde do Moleque Travesso.

Mas o que se viu na sequência do segundo tempo foi uma queda de rendimento e muitos erros dentro de campo.
E fora também, após ser expulso e ter que ouvir algumas da torcida, o atacante Rafinha arremessou um copo d´água em direção à torcida Juventina, levando os grenás à loucura…

A consequência foi a festa da torcida do Flamengo e a virada do jogo para 2×1 para o time de Guarulhos.

O time da capital até que tentou correr atrás do empate, mas já não havia tempo.

A proximidade com que a torcida assiste os jogos na Javari cria uma relação diferente entre torcida e time. Uma relação que vai além da admiração e da torcida.
O que se via na Javari era revolta não com a derrota momentânea, mas com o processo pelo qual o time vem passando.

O clima amistoso, descontraído e muito agradável foi substituído pela tristeza, inconformismo e chateação.
O time segue na mão de empresários que alegam estar fazendo o possível para melhores resultados mas…
A verdade é que há anos o time grená vem sofrendo sem que o retorno à série A1 pareça concreto.

Por outro lado, o Flamengo de Guarulhos, conseguiu sobrevida na luta pelo acesso, para a alegria de seus jogadores e sua torcida.

Do lado grená sobraram reclamações…
Mais uma derrota leva o time à zona de rebaixamento para a série B.

Ao final do jogo a policia precisou intervir para retirar do estádio a inconformada torcida juventina.

Mais do que uma derrota ou até mesmo o rebaixamento, a situação do Juventus, uma das poucas equipes que consegue manter-se como “time do bairro”, é uma clara prova de que o futebol moderno está vencendo. Qual será nosso futuro, ó torcedor?

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