Outubro de 2020, aproveitando o entorno da Via Dutra, paramos pra almoçar em Jacareí e fomos mais uma vez tentar registrar o Estádio Stavros Papadopoulos, a casa do JAC!

A história de Jacareí está diretamente ligada à busca de ouro e metais preciosos no interior do Brasil, já que ficava no antigo caminho para as “minas gerais”, servindo de pousada para tropeiros.
A partir do século XVIII, viu o café ganhar espaço e movimentar a economia local. A Ferrovia também ganhou espaço pra movimentar cargas e pessoas.

O nome da cidade é uma referência aos jacarés nas lagoas e no Rio Paraíba do Sul, já que Jacareí em Tupi seria “Icare-ig” ou “Rio dos Jacarés”. O futebol fez parte da cultura local desde muito cedo, quando no ano de 1917, três funcionários da Fábrica de Meias Elvira montaram um time que viria a se oficializar em 27 de julho de 1920 como o alvi-rubro Esporte Clube Elvira.


Em sua “primeira fase”, além de vários amistosos e campeonatos locais o EC Elvira disputou desde 1921 o Campeonato Paulista do Interior e no ano de estreia não passou da primeira fase perdendo os dois jogos (18/12: Caçapavense 3×1 EC Elvira e 8/1: Taubaté 3×2 EC Elvira), assim como em 1922, ainda que aqui tenha realizado uma campanha melhor que no ano anterior:


Em 1923, foi ainda melhor, sendo vice campeão da Zona Central do Brasil.


Em 1924 o campeonato do interior não foi realizado, e em 1925, finalmente o EC Elvira consgeuiu sagrar-se campeão do seu grupo, a 5a região, indo pra fase final.


Em 1925, Jacareí viu mais um time participar do Campeonato Paulista do Interior: o Esperança FC.

O Esperança FC foi fundado em 1910 e chegou a ter seu estádio, que anos mais tarde seria o campo do Ponte Preta de Jacareí (falaremos deles na sequência). Aqui, uma imagem do campo, já na época do Ponte Preta:

Chegamos em 1926, um ano muito importante para o EC Elvira, pois ele sagrou-se campeão do Campeonato Paulista do Interior, em um campeonato meio bagunçado já que na fase final dois times deram WO.


Com o título, o EC Elvira disputou a Taça Competência contra o Palestra Itália (campeão da série A1). O Palestra havia sido campeão com 100% de aproveitamento e venceu fácil por 9×0, mas mesmo assim, o EC Elvira cravou seu nome na história. Em paralelo ao Campeonato Paulista do interior da APEA, houve o Campeonato do Interior da LAF (Liga dos Amadores de Futebol) e quem estava lá era o EsperançaFC, que terminou em segundo da Região D (o Taubaté foi o campeão do grupo .

Em 1927, o EC Elvira não passou da primeira fase (que teve a AE Guaratinguetá como campeã do grupo).

E o Esperança FC seguiu jogando o Campeonato do Interior da LAF, sagrando-se campeão da seção, mas acabou entregando os pontos (não descobri o porquê) para o Hepacaré, num jogo que seria no dia 27/11.

Em 1928, o EC Elvira abandonou o Campeonato do Interior e só voltaria a disputar em 1930, e deu uma grande confusão no seu grupo (a 8a região). Havia a necessidade de um jogo desempate entre EC Elvira e a Caçapavense, mas esta se negou e por isso a APEA classificou o time de Jacareí. Na segunda fase, o EC Elvira bateu o Taubaté por 4×2. O time só acabou eliminado na semifinal em uma partida que foi batido por 5×2 pelo Paulista de Jundiaí. Em 1931, sequer passou da primeira fase e só voltou a disputar o Campeonato em 1942, jogando a 24a regIão, que teve o Taubaté como campeão. Esse ano teve como novidade a participação do (é “do” mesmo e não “da”) Ponte Preta FC!

O time nasceu em 1933, quando o Esperança F.C. fechou suas portas e pra não deixar a cidade sem futebol (lembrando que o EC Elvira nem vinha jogando o Campeonato do Interior nesse período) a população local se uniu e contando com o apoio de Alfredo Schurig fundaram o Ponte Preta Futebol Clube, herdando o estádio do Esperança FC. Em 1973, os herdeiros do Sr. Schurig, após uma grande batalha jurídica conseguiram “tomar” o campo. O time conseguiria um novo estádio com o apoio da Prefeitura.



Em 1943, novamente participaram do Campeonato do Interior o Ponte Preta FC e o EC Elvira (que decidiu a vaga para a fase final com o Taubaté, sendo derrotado por 2×0). Em 1944 e 45 novamente o Taubaté foi o classificado do grupo da 24a região, que além de Ponte Preta FC e EC Elvira, teve a participação de uma outra equipe de Jacareí, o EC Pedra Santa! Em 1946, os 3 seguiram na disputa que teve o Cruzeiro FC como campeão do grupo, e em 47, seguiram na disputa que teve o União FC (Mogi) como classificado. Ao chegarmos nos anos 50, 0 EC Elvira entra pra história do futebol profissional ao disputar a série A3 em 1956 (com o time abaixo), 57 e 60.

Graças às mudanças nos sistemas de disputa, o EC Elvira chegou ainda a jogar a A2 em 1958, 59, 61 e 62, sempre com campanhas abaixo da média.




A partir daí o time se manteve apenas em disputas do amador.

O EC Elvira mandava seus jogos no seu Estádio Antonio Jordão Mercadante, inaugurado em 13 de abril de 1924, num amistoso contra o Palestra Itália da Capital (1×1).

Embora tenha sido demolido em 2014 o pessoal do Jogos Perdidos esteve por lá em 2005 e fez um incrível registro desse lindo estádio:



A cidade só voltaria a ter um representante nas competições profissionais da FPF com o Jacareí Atlético Clube.

O Jacareí Atlético Clube foi fundado em 27 de outubro de 1980 e nasceu de um jeito muito louco, quando os apresentadores da Rádio Clube Jacareí lançaram a ideia de um novo clube e os primeiros ouvintes que ligaram se tornaram conselheiros do clube. Logo, o time passou a jogar a série A3 do Campeonato Paulista, já em 1981. Ficou na série A3 até 1988, quando sagraram-se campeões subindo para a série A2:

Em 89 a campanha foi bastante irregular e acabou rebaixando o time de volta à série A3,


Eram 2 grupos (que se denominavam série A e série B) que jogavam dentro de cada um e entre eles, terminando com a seguinte classificação:

O JAC permaneceu na série A3 até 94, quando foi rebaixado para a série B (a quarta divisão) e a partir daí oscilou chegando até a sexta divisão (que já não existe mais). Durante todo esse tempo, o Jacareí Atlético Clube mandou seus jogos no Estádio Antonio Jordão Mercadante até 2001, quando um novo estádio foi construído, pela Sports International, que geriu o clube até 2005. Trata-se do Estádio Stavros Papadopoulos, cujo nome homenageia um dos empresários da Sports International, e como disse no início do post, nossa missão era finalmente fotografar a casa do JAC!

O Estádio Stavros Papadopoulos foi inaugurado em 27 de maio de 2001 em um 1×1 entre o Jacareí AC e OSAN (Indaiatuba).


Mais uma bilheteria para a nossa conta!

A capacidade do Estádio Stavros Papadopoulos é de cerca de 4.500 torcedores.

Ainda que mais uma vez não tenhamos conseguido entrar no Estádio, foi possível uma mínima visão de suas arquibancadas!

Além de toda a história ligada ao futebol, o Estádio temum charme a mais: dizem que é mal assombrado! As pessoas (atletas e funcionários) dizem ouvir barulhos estranhos e ver vultos no local. Alguns dizem que isso é porque o estádio foi construído em cima de um sítio arqueológico indígena. Nós estivemos por lá sozinhos e não vimos ou ouvimos nada de anormal.

Fica pelo menos o registro, e prolongada a nossa missão de adentrar ao estádio…
O Estádio possui arquibancadas nas duas laterais do campo.

Os últimos anos do Jacareí AC foram tristes, uma vez que permaneceu disputando as divisões inferiores, sem grandes campanhas, até que em 2014 a Prefeitura (responsável pela administração do estádio desde a saída da Sports International) interditou o local, após uma briga entre torcedores do São José (que utilizava o estádio pela série A2) e do Guarani evidenciarem a necessidade de melhorias. O JAC teve que mandar seus jogos nas cidades vizinhas e decidiu pedir liçensa das disputas profissionais até que consigam arrumar o Estádio.

Por hora… Ficamos na torcida…



Em 1877, a ferrovia chegou à região e a estação de Tremembé foi inaugurada em 1914, mas, teve vida curta… A linha entre Pindamonhangaba e Taubaté foi desativada em 1951, eliminando a estação de Tremembé, restando à população local a nova estação de Engenheiro Cotrim que ficava fora da cidade. Em 1970, o prefeito tentou derrubar a estação abandonada para construir o paço municipal, porém o povo não deixou e o prédio continuou ali, até hoje.





















Sem dúvida que a parte mais charmosa e que parece transparecer muita história é a arquibancada coberta!









Esse é o distintivo mais difundido, mas as fotos mostram que o distintivo usado pelo time era outro:
O Clube Recreativo e Esportivo da Indústria do Xisto foi um clube de vida efêmera na cidade de Tremembé, que nasceu para servir aos operários locais.
O time foi fundada em 1956 e disputou a série A3 de 1957.
Segundo nos contaram, embora o CREIX tivesse um campo de futebol, onde atualmente fica localizado o Fórum de Tremembé, eles teriam disputado algumas partidas da A3 de 57 em cidades vizinhas, como comprova a nota da Gazeta Esportiva que o amigo Ivan Gotardo localizou…
E aqui, o amigo e pesquisador do futebol de Taubaté, Moacir (autor do blog
Então… voltemos a olhar o Estádio Amèrico Texeira Pombo, agora dando lhe os devidos créditos de ter recebido jogos da série A3!!
Esse foi o time que disputou a A3 em 1957:
No ano seguinte, o CREIX voltou a disputar amistosos, como em 13/04/1958, quando venceu o Instituto de Reeducação por 3×0 (informação do incrível site
A
Aqui uma foto da viagem do time do CREIX para Piquete:
Mais uma cidade com bastante história no futebol paulista que segue se mantendo no amadorismo mas que sem dúvida poderia voltar a se arriscar no profissional!

A surpresa foi positiva! Um bom painel histórico sobre o fim do século XIX, e como o futebol surge, ainda amador, no dia a dia das pessoas, sejam elas aristocratas burgueses, donos das indústrias ou operários da periferia inglesa, que viam no esporte uma das poucas alegrias da sua vida.
São apenas 6 episódios que contam muito mais do que a história do jogo… O “heroi” local é o escocês Fergus Suter, que se transfere para jogar na Inglaterra, pelo time operário do Darwen.
O Darwen é o primeiro clube de operários a chegar nas quartas de final e acaba desclassificado num jogo bem desleal. Mas… o futuro de Fergus guarda surpresas…
Mas mais do que jogar a Copa da Inglaterra ele se envolve no dia a dia dos operários, nas greves e dificuldades enfrentadas… E como os times do norte passaram a se unir e a se identificar para vencer os times dos “almofadinhas”.
Enfim, sei que nem todo mundo tem acesso à Netflix, mas aquele que por acaso o tenha, não faça como eu, não postergue, comece a assistir hoje mesmo!
Veja aí o trailer:
Já escrevemos sobre nosso rolê por Sófia e o futebol local (
Além de toda história do futebol local, a seleção búlgara marcou a minha geração (quem nasceu no fim dos anos 70) com o time de 1994, que chegou em 4º lugar na Copa do Mundo.
Na época, o mundo todo se apaixonou por Hristo Stoitchkov, que terminou como artilheiro da Copa do Mundo.
Mas a seleção da Bulgária tem ainda uma outra relação comigo, é que em 1976, eles estiveram no Brasil e jogaram um amistoso contra o EC Santo André, que terminou em 0x0.
Enfim, aí estão os “demônios da Europa”!!



































Primeiro, pra quem não sabe, Peruíbe é uma cidade no litoral sul de São Paulo, entre Itanhaém e Iguape há pouco mais de 130 km de São Paulo. Dá uma olhada no
Além da fama das praias, muitos conhecem Peruíbe pela questão ecológica graças à incrível reserva da Jureia e também ao seu potencial místico, onde seria possível contatar diferentes formas de vida e também alienígenas, graças a energia do lugar.
Falando em energia, nos anos 80, a cidade esteve muito perto de receber uma usina nuclear, fruto da mente dos militares, mas a população local conseguiu barrar essa loucura, como se pode perceber na matéria do Jornal Globo da época:
Mas Peruíbe vai além dessa conceituação inicial.
O termo Peruíbe, como a maioria dos termos indígenas, tem várias possibilidades de significado. A mais aceita é que nasce da união dos termos tupis: iperu (tubarão) + ‘y (rio) + pe (em): Iperuype, que significaria “no rio dos tubarões”.
A história desse lugar é mágica.
Primeiro porque fora ocupada há séculos, muito antes da invasão europeia do século XVI. Aí viviam várias aldeias indígenas tupi-guaranis (os tupis lutaram desde a era cristã pela ocupação do litoral brasileiro). Atualmente, ainda resistem indígenas vivendo por ali. Existe inclusive um projeto de integração e vivência que pode ser conhecido por esse vídeo:
Vale lembrar que nesta época, essa região era conhecida como Aldeia de São João Batista e fazia parte do povoado que daria início à Vila da Conceição de Nossa Senhora, futura Itanhaém. Anos mais tarde, após sofrerem uma série de ataques de outros índios, os jesuítas e índios que aí viviam se mudaram para a atual localização da cidade de Itanhaém. Peruíbe só conquistaria sua emancipação política, séculos depois, em 1958, tornando-se um município independente, graças a ação de vários políticos, entre eles, João Bechir.
Para que essa lembrança não fosse facilmente apagada, o então vereador dá atualmente, nome ao estádio municipal da cidade!
Pois é… Sempre reclamei do litoral sul ter pouca atividade quanto ao futebol profissional, Mas… Acabamos colaborando com esse “descaso”, já que não assistimos a um jogo sequer do Peruíbe Futebol Clube, que teve uma breve vida no futebol profissional, em 2016.
O Peruíbe FC nasceu em 2014, ainda dentro do futebol amador, mas com a criação da Taça Paulista, organizada pela Liga de Futebol Paulista, o time teve a oportunidade de se profissionaliza, nessa que seria uma “federação paralela” à Federação Paulista de Futebol, criada pela advogada
A Taça Paulista foi a primeira competição organizada por eles e contou com 34 times (entre equipes até então amadoras e profissionais licenciados) e teve como camepão o time da
A liga ainda existe, e atualmente se apresenta como “Liga Nacional de Futebol“.
Pois bem, embora a campanha do Peruíbe FC não tenha sido das melhores, o time levou o nome da cidade até uma competição profissional pela primeira vez.
O Peruíbe FC manteve sua atuação na Liga Paulista em 2017 e 2018, embora nesses anos, o time tenha mandado seus jogos em outras cidades, já que infelizmente a diretoria do clube e a Prefeitura Municipal não conseguiram chegar em um acordo e o Estádio João Bechir parece ter se despedido das disputas profissionais.
Sendo assim, vale um olhar para o Estádio, torcendo por dias melhores.
Incrível como a história se repete, dessa vez nos esportes… Uma cidade e sua população sem valorizar a cultura local, perde o time que até então defendia as cores e o nome de Peruíbe.
A nós, resta observar como as coisas vao se ajeitando, uma vez que os atuais proprietários do clube tornaram-se proprietários do Real Cubatense, time de Cubatão que disputa o















































































































