Olha a gente aí de novo! 11 anos depois de nossa primeira visita à cidade (veja aqui e confira como foi o rolê) estamos de volta a Bebedouro, após passar por Guariba e Monte Alto em um rolê que cortou o noroeste paulista em busca de estádios!
Já conhecíamos a cidade, mas dessa vez pudemos aproveitar um pouco mais os detalhes, visitar o Sebo da Cultura e simplesmente relaxar passeando pelo centro…
Dei uma passada na praça onde está o Monumento aos construtores de Bebedouro, onde pude conversar um pouco sobre a Inter com o pessoal da velha guarda que se reúne ali.
A estação ferroviária já se encontra desativada há um bom tempo, mas pelo menos transformou-se em uma área de cultura.
Assim como as demais cidades do Noroeste paulista, Bebedouro tem sua história ligada à expansão da Cultura do café e à chegada da Ferrovia.
Como nossa última visita a Bebedouro foi quase que exclusivamente dedicada ao Estádio Sócrates Stamato, dessa vez arrumei um jeito de ir até o antigo “Estádio da Rua Valim“, depois chamado de Estádio Arnoldo Bulle, que em 2021 completa seu centenário!
O EstádioArnoldo Bulle foi a primeira casa da Associação Atlética Internacional. (Distintivos do site escudos Gino):
A AA Internacional foi fundada em 11 de junho de 1906 (o que faz com que muitos a considerem o time mais antigo do interior de São Paulo) e se filiou à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) em 1909.
O Estádio Arnoldo Bulle foi criado em 1921, na época como o “Estádio da Rua Valim” ou ainda como “O Estádio da Internacional“. Aqui, uma foto rara (do site Campeões do futebol) do estádio nos seus tempos de “século XX”:
A página Bebedouro Arts comparou a imagem do antigo estádio com a atual área que faz parte do centro esportivo da UNIFAFIBE, faculdade referência na região:
Com a construção do estádio, logo a Inter deixou de se dedicar apenas a amistosos e a partir de 1924 começou a disputar as competições amadoras até 1947, quando adentrou ao profissionalismo. Aqui, o grupo da 1a região do Campeonato do Interior de 1930 (foto do livro “Os esquecidos”):
A Inter jogaria ainda o Campeonato do Interior de 1942 , 43, 44, 45, 46 quando chegou à fase Inter-regional e em 47 quando foi campeão do seu setor.
Nesse período enfrentou outros times de Bebedouro: o Botafogo FC, o EC Paulista, o EC São Paulo – Goiás, o Santa Cruz FC, o Vasco da Gama entre outros. O distintivo abaixo é do Escudos Gino:
Em 1948, passou a disputar o Campeonato Paulista profissional na segunda divisão, relembre (graças ao livro História da 2a Divisão no Futebol Paulista, de Júlio Bovi Diogo e Rodolfo Pedro Stella Jr) a campanha da Inter no primeiro campeonato:
Foram 36 temporadas disputadas aí, com destaque para a campanha de 1956, quando a AA Internacional sagrou-se campeã da Série Pecuária, sendo eliminada apenas na segunda fase. O presidente deste ano era o senhor Arnoldo Bulle, que daria nome ao estádio.
Em 1960, acabou disputando a 3a divisão, onde sagrou-se campeão da Série Paulo Machado de Carvalho e retornou à segunda divisão em 1961.
O site do Milton Neves “Que fim levou?” apresenta uma foto do atleta Willian Gamboni em 1973:
Em 1982, a AA Internacional esteve perto de chegar à elite mas perdeu a decisão do grupo vermelho para o CA Taquaritinga, na melhor de 3 jogos: 1×1 em casa, 2×2 em Taquaritinga e derrota de 4×2, em campo neutro (Ribeirão Preto, no Estádio Santa Cruz). Foto do facebook da Inter:
A Inter mandaria seus jogos no Arnoldo Bulle até 1990, mas mesmo 31 anos depois, passeando pelo entorno, ainda é possível encontrar vestígios dos seus tempos de glória.
O pessoal da UNIFAFIBE foi muito gente boa ao nos receberem e mostrarem o quanto conheciam da história do lugar!
Essa é a imagem do meio campo, em 2021:
O gol do lado direito:
E o do lado esquerdo (ali ao fundo um incrível ginásio esportivo da faculdade):
E existe um detalhe importantíssimo nesse estádio: foi o primeiro estádio do interior a receber sistema de iluminação (permanece lá até hoje):
Ali na lateral, a arquibancada que ainda resiste ao tempo e que tantas glórias acompahou, entre elas o amistoso contra o Penarol, do Uruguai.
Do outro lado pode se ver parte importante da estrutura da UNIFAFIPE.
Se for pro gol, me chama que eu vou! Fiquei muito feliz de poder registrar
Claro que não resistimos e demos um pulinho no Estádio Sócrates Stamato…
Como gostaríamos de comprar um ingresso e assistir um jogo da Inter….
Que baita estádio… Capacidade para mais de 15 mil torcedores.
O estádio foi inaugurado em 9 de fevereiro de 1956 no jogo Internacional 2×1 XV de Jaú.
O Estádio conta com uma pequena área das arquibancadas cobertas bastante charmosa.
E olha aí o novo reforço da Inter!!!
Atualmente a Inter está disputando a Segunda Divisão do Campeonato Paulista que equivale à quarta divisão estadual (no momento em que escrevo esse post a Inter vence o América de Rio Preto por 4×0!!!).
A torcida local apoia bastante o time, dentro e fora de casa (já assistimos a Inter como visitantes contra o São Carlos e contra o São Vicente).
E se até o sol termina seu ciclo, nos despedimos de Bebedouro para quem sabe um dia retornar para assistir uma partida da Inter…
No sonho, depois de muito sofrimento ele chegaria a uma terra especial (daí o apelido de “cidade do sonho”) e ao conhecer a região, não teve dúvidas: comprou algumas terrras e em 15 de maio de 1881, fundou “Bom Jesus de Pirapora de Monte Alto das Três Divisas”. Logo, a ocupação foi crescendo, graças à cultura do café e o distrito acabou se tornando o Município de Monte Alto.
Mas o que o sonho não mostrou é que a região guardava outro tesouro: um incrível sítio paleontológico e arqueológico, descobertos nos anos 20, durante a construção da estrada de ferro! Monte Alto está literalmente “recheada” de fósseis e resquícios de uma aldeia indígena (Kaingang) que habitou a região por volta do século XV. Tamanha riqueza deu origem a um centro cultural formado por três museus (Histórico, Arqueológico e o Paleontológico), que você precisa visitar! Se não puder ir até lá, vale a pena fazer a visita virtual (é só clicar aqui!).
Uma coisa que deve agitar crianças e demais entusiastas pelo tema foi o cenário que eles recriaram na parte externa do Museu com a fauna local, do período Cretáceo.
Os dinossauros e a aldeia dos Kaingang infelizmente não existem mais, porém seguem sendo parte do dna da cultura local que precisa ser valorizada e resgatada a cada dia, assim como outro aspecto cultural importante da história de Monte Alto: o futebol! E é por isso que vamos recordar sua história, começando pelo time mais antigo que conseguiu disputar o Campeonato Paulista: a Sociedade Esportiva Montealtense (o distintivo está lá no excelente Escudos do Gino!
O alviverde de Monte Alto foi fundado em 1962 e teve uma única participação no Campeonato Paulista de 1963, disputando a 3ª série da Terceira Divisão daquele ano. Alguns jogos daquele campeonato histórico:
Há muito pouco material sobre a SE Montealtense, mas encontrei alguns amistosos que foram disputados em 1964, quando provavelmente o time se licenciou, encontrando se extinto atualmente.
Mas Monte Alto não podia ficar sem um time de futebol nas competições e ainda em 1963 (em 20 de novembro), surgiu o Monte Alto Atlético Clube (o distintivo abaixo veio do site História do futebol).
Em seu ano de estreia (1964), segundo o jornal Correio da Manhã, o Monte Alto AC disputou alguns amistosos: em 5 de abril contra o Volkswagen Clube, de São Bernardo, 12 de abril contra o XV de Jaú, além de um 2×2 contra o Jaboticabal, em 17 de maio e uma derrota de 1×0 para o Orlândia em 31 de maio.
Mas a grande alegria é que com o Monte Alto AC, a cidade volta a ter um time no futebol profissional e em seu ano de estreia disputou a 4a série da Terceira Divisão, com outras 10 equipes como mostra a tabela da RSSSF Brasil:
Aqui, a foto do time de 1965:
O time era conhecido como “Galo do Triângulo” por ser o rei das disputas com os vizinhos Jaboticabal e Taquaritinga.
O Monte Alto AC disputou a terceira divisão até 1967, quando se licenciou pela primeira vez.
Mas em 1974, o Monte Alto AC volta a disputar a Terceira divisão até 1976. Em 1977, joga o quarto nível do Campeonato Paulista e ao fim do ano, se licencia mais uma vez.
O Monte Alto AC retornaria por duas vezes para disputar a terceira divisão em 1983 e 1985, quando infelizmente fecha suas portas.
No momento da primeira paralização do Monte Alto AC, surgiu o terceiro time da cidade: o Botafogo Futebol Clube, em 1º de janeiro de 1973.
Aqui, o time de 1976 que foi campeão da Copa Arizona de Futebol Amador:
O Botafogo FC fez história no futebol amador da região e acabou conhecido como o “Tigre da Araraquarense”. Logo tamanha força ficou grande demais para limitar-se ao amadorismo e passou a disputar o futebol profissional começando pela Quinta divisão em 1978 e 79
Nos anos 80, passou a disputar a Terceira divisão do Campeonato Paulista de 1980 a 82. Infelizmente, o Botafogo FC também acabou afastando-se do futebol profissional, passando sua inscrição na Federação Paulista para o Monte Alto AC e hoje segue como time amador. (foto do time de 82 do amigo Manolinho)
Assim, a cidade que respirou o futebol com tamanha intensidade se via sem um time para as disputas oficiais. E é aí, que em 28 de julho de 2016, um grupo de empresários se uniu para encaminhar o retorno do futebol profissional à cidade. Nascia o Montealtense Atlético Clube (distintivo está lá no Escudos do Mundo Inteiro).
O primeiro desafio veio em 2017 na disputa da Taça Paulista, terminando em 3º lugar na categoria sub-19 e também na categoria profissional (onde contou ainda com o artilheiro da Taça: Léo, com 7 gols).
Em 2018, chegou a final, mas acabou perdendo o título para o Corinthians de Presidente Prudente mas chegando invicto até a final. Foto do time no site do Jornal O Imparcial:
E o local sagrado para as partidas de todos os times de Monte Alto em quaisquer que sejam suas competições é o Estádio Municipal Edmar Morgado, o “Morgadão”.
O Estádio nasceu com o nome de Estádio Municipal José Pizarro.
Mas em 1995, um dos presidentes do Monte Alto Atlético Clube, o advogado de grande importância para o esporte local “Dr. Edmar Morgado“acabou dando seu nome ao Estádio.
Esse é o gol da direita para quem olha da entrada do estádio:
O meio campo:
E o gol da esquerda:
A arquibancada possui uma linda estrutura em madeira como já não se faz mais nesse mundo moderno e besta, que nem sabe tampouco o quanto era legal jogar fliperama.
Em suas paredes ainda se encontra o distintivo do último representante do futebol montealtense: o Montealtense Atlético Clube.
As arquibancadas seguem na solidão do isolamento causado pela pandemia de Covid-19, sedentas pelo retorno do público.
Público que vinha comparecendo pra apoiar o MAC em suas disputas da Taça Paulista.
E que tal comparar o estádio dos dias atuais com sua estrutura de 50 anos atrás:
O banco de reservas segue bem cuidado!
O gol com o apoio do supermercado Savegnago:
E as charmosíssimas arquibancadas laterais que sobreviveram ao tempo e ao Covid…
Um último olhar no campo, antes de nossa próxima parada em Bebedouro!
Aqui começa a descrição do rolê feito no feriado de 7 de setembro de 2021, que percorreu 24 cidades (veja aqui o post comentando todos os locais por onde passamos) tendo como primeira parada Guariba!
A história de Guariba está ligada a 2 fatores principais do fim do século XIX: a cultura do café e à estrada de ferro que colaboram para a expulsão definitiva dos indígenas que por venutura ainda viviam nas cercanias da então “Sesmaria da Cachoeira“. A foto abaixo (do incrível site Estações Ferroviárias) é da estação que durante décadas serviu a cidade:
Mas somente em 1918, Guariba tornou-se município (antes foi distrito de Jaboticabal). O nome da cidade vem de uma espécie de macaco (o “Bugio Alouatta Guariba”) que vivia pela região e que hoje é uma espécie em extinção… A foto abaixo é do Blog da UNICAMP:
Com a crise do café (reflexo da crise de 29 dos EUA), Guariba passou por dias difíceis e só conseguiu se recuperar com a chegada de outra monocultura: o açúcar. E foi nesse cenário do agronegócio, que em 1984, heróicos boias-frias tiveram coragem de cruzar os braços por melhores condições de emprego. Houve grande repercussão e também grande reação da polícia militar que pos fim ao movimento. Ao menos ficou como legado o chamado “Acordo de Guariba” responsável por mudanças da lei trabalhista rural. Vale assistir a uma matéria da época, resgatada pelo Museu do Trabalhador do Campo:
Em meio a toda essa agitação, o futebol profissional também se fez presente na história do município a partir dos anos 70, com o Juventus Esporte Clube (o distintivo abaixo foi disponibilizado pelo site História do Futebol.)
O Juventus Esporte Clube foi fundado em 1º de Março de 1971 em homenagem ao time homônimo da capital e disputou quatro edições da Terceira Divisão (1974, a 1976 e 1980), uma edição da Quarta Divisão (1977) e duas da Quinta Divisão (1978 e 79).
Confira abaixo a campanha do Juventus EC na Terceira Divisão de 1979 (Fonte: Arquivos Futebol Brasil):
Mais algumas imagens deste time que inaugurou o futebol profissional em Guariba:
Esse foi o time que disputou a Terceira Divisão em 1974 (Caseri, Jair, Lilito, Léo, Pagito e Fefeu. Mangueira, Paulinho, Cláudio, Wilson Carrasco e Fiapo). A foto é do amigo Manolinho, mais um apaixonado pelo futebol do Interior.
Esse foi o time que disputou a Quarta Divisão em 1977:
E olha o estádio lotado ao fundo assistindo ao grená de Guariba!
Embora tenha feito história na região, o Juventus disputa em 1980 o seu último campeonato profissional. Nesse mesmo ano, o time se une ao seu rival, o tradicional time do Java FC para um novo momento do futebol da cidade.
Dessa fusão nasce o Guariba Esporte Clube!
Assim, o Guariba EC assume a vaga do Juventus não só no coração da torcida local, mas também no Campeonato Paulista da Terceira Divisão, o qual disputa pela primeira vez em 1981, depois em 82, 84 e 86. Ainda em 1989, depois de 2 anos licenciado, disputou a 4a divisão.
E não foi apenas nos anos 80 que o time ficou nessa de se licenciar e voltar. Nos anos 90, o Guariba EC só disputou o campeonatos de 91 e 91 (na terceira divisão) e os de 94 e 95 (na 5a divisão). Aqui uma foto do time jogando de verde (da FanPage Guariba ontem, hoje e sempre)… Curiosa, não?
Depois, só em 2006 o time voltou a aparecer no profissional disputando o campeonato do quarto nível do futebol paulista, até 2014, quando se licenciou novamente.
Ainda nos anos 2000, mais precisamente em 2007, o clube conquistou a 2a divisão do Campeonato Paulista Sub-20.
Mais recentemente, o time preferiu adotar um novo distintivo que dá mais visibilidade ao seu mascote: “a cobra canavieira”.
O time de 2011 ainda recebeu a cobertura do pessoal do Jogos Perdidos na partida contra o Olímpia!
Aqui, o time de 2013, no jogo de estreia:
Em 2016, o time ainda deu as caras na “Taça Paulista de Futebol” organizada pela Liga de Futebol Nacional do Brasil (formada por times que estavam extintos ou licenciados e por novas equipes que ainda não tinham condições de disputar o campeonato estadual da FPF.
Desde 2019 o time tem tentado voltar ao profissional, mas a COVID 19 deve ter atrapalhado um pouco seus planos…
A boa notícia é que as camisas que estão sendo vendidas pelo Facebook do time (e pelo WhatsApp: +55 14 98232-6685) voltaram com o distintivo original:
E nossa ida até Guariba foi para registrar o Estádio Municipal Domingos Baldan, a casa tanto do Juventus EC quanto do Guariba EC em suas aventuras pelo futebol profissional!
Para quem quiser umas fotos mais neutras:
Aliás, vale comparar a atual fachada do estádio com a que existia antigamente (a foto abaixo é do Jogos Perdidos, da partida contra o José Bonifácio, em 2007)
E infelizmente nosso rolê começou difícil… Quem disse que dava pra entrar no Estádio? O jeito foi apelar pros buracos…
Deu até pra pegar um pouco do clima do campo, mas … Não é a mesma coisa que estar lá dentro…
Mas, dando uma ajeitada nas fotos aqui e acolá, pelo menos dá pra ver que a tradicional arquibancada do Estádio Municipal Domingos Baldan segue por ali!
Sua capacidade é de pouco mais de 5 mil torcedores.
Mais um vídeo (da fanpage do Guariba EC) que dá pra ter uma visão completa do estádio:
Aqui uma vista do outro lado (foto do Facebook do Guariba EC):
Mais uma história que escrevo graças à lembrança e ao acervo do amigo Amarildo, que poucos meses atrás ajudou o EC Paraguaçuense a trazer para casa o Troféu da série A2, conquistado em 1993 (veja aqui como foi essa história).
O desafio dessa vez foi lançado a ele graças a uma lembrança de uma história contada pelo meu tio Zé (conhecido como “Alemão” em seus tempos de Ferroviária de Assis). Olha ele aí com a gente assistindo um jogo do CA Assisense em 2011 (lembre aqui como foi esse rolê):
O tio Zé contava (ele já faleceu, infelizmente) que em meados dos anos 60, o time do ABC – Atlético Brasil Clube de Paraguaçu Paulista desafiar o poderoso time do Santos FC para um amistoso, e que foi montada uma verdadeira seleção da região e que ele havia participado do elenco.
Longe de mim querer desconfiar da história dele, mas… como historiador em formação, eu queria encontrar algum documento ou mesmo uma fonte para me relembrar essa história, e aí lembrei do amigo Amarildo (que também já trombamos em um jogo em Assis, em 2014. Veja aqui como foi):
E com o Amarildo, missão dada é missão cumprida! No mesmo dia que eu comentei com ele, chegaram fotos do jornal “A SEMANA“, da época do jogo, que comprova a história, com a data de 31/5/1964:
O jornal “A SEMANA” (que foi fundado em 1953 e existe até os dias de hoje) deixa claro que o time contou mesmo com atletas de outras equipes da região, em uma época em que cidades como Assis, Rancharia, Presidente Prudente e mesmo Paraguaçu Paulista contava com muitos jogadores de qualidade.
Ganhar daquele Santos não era nem cogitado pela equipe local, mesmo o Santos jogando sem Pelé, assim o placar de 4×1 para a equipe praiana foi até festejado pelo time local!
O ABC chegou a faze 1×1 para a festa nas arquibancadas, que, segundo o jornal local, contava com público de diversas cidades e até do Paraná.
Segundo o jornal “A SEMANA”, a equipe local jogou com Jardim, Baco, Gavião e Jaime; Nide e Dráuzio; Bolão (Betinho), Tarzino, Bene, Osvaldo e Colavite. O técnico era Tonico. Ainda falta saber se entre os jogadores que não jogaram, estava ou não o Alemão… o Tio Zé!
Essa história acabou indo parar nas páginas do livro “No meu tempo… Em Paraguaçu Paulista”, obra de Anizio Canola.
Tem até a foto do time que disputou aquela partida:
Mas a história que o tio Zé contava não termina aí. Ele diz que depois desse jogo houve um convite a ele e outros atletas para um teste no Santos FC, mas quem disse que o seo Tonico (pai dele, e consequentemente, meu avô) deixou…
Só pra não perder a oportunidade, segue matéria da Gazeta Esportiva de 9 de julho de 1957, de quando o ABC de Paraguaçu foi campeão do setor 45 do Campeonato amador do Estado
Pra quem acha que os clubes do interior paulista estão parados, o diretor de Marketing do CAT (Clube Atlético Taquaritinga) acabou de informar que, mesmo em meio a todas as dificuldades de se tocar um time de futebol em meio a essa Pandemia, eles seguem tentando se aproximar o torcedor.
E como amanhã, quarta-feira, dia 17 de março, o CAT completa 79 anos, eles vão fazer uma live pra celebrar e também para lançar o programa Sócio Torcedor.
Parabéns pela iniciativa, e tomara que a torcida abraçe a ideia!
O SC Atibaia completou 15 anos em dezembro passado, mas acaba de ganhar o melhor dos presentes: um livro apresentando a extensa pesquisa feita pelo nosso amigo, jornalista e um dos caras que mais gosta do futebol em todas as suas categorias: Mario Gonçalves.
O livro cobre toda a trajetória do clube dentro e fora do campo até a temporada 2020, contemplando suas participações em competições da Federação Paulista de Futebol, além de entrevistas e fotos inéditas de cada temporada de jogadores, técnicos, jornalistas e pessoas que participaram da história.
Para os interessados, existe uma campanha de crowdfunding, com a duração de 60 dias, com várias modalidades de recompensa para os colaboradores, com o objetivo de viabilizar a obra literária.
Embora seja muito grande, a chamada Região Metropolitana de São Paulo é algo que nos dá a idéia de proximidade… Mas são tantas as cidades que as vezes a gente acaba deixando pra depois e depois… Esse era o caso de Mairiporã, que finalmente tivemos a chance de conhecer!
Mairiporã é uma palavra que vem do Tupi e significa algo como “água bonita do franceses”, atualmente é a casa de cerca de 105 mil pessoas e está encravada na Serra da Cantareira (considerada Patrimônio da Humanidade). É ali que se encontra a linda represa de Mairiporã, alimentada pelo rio Juqueri!
A história da cidade se inicia no século XVII com a capela de Nossa Senhora do Desterro, que deu origem ao povoado de Juqueri, que servia de proteção à vila de São Paulo de Piratininga e de ponto de apoio às rotas para o interior. O povoado foi elevado à freguesia, e depois à Vila, adentrando o século XVIII como uma região agrícola, que ganharia impulso com a chegada de centenas de famílias japonesas formando uma importante colônia.
Um ano antes de sua emancipação, a São Paulo Railway construiu a Estação do Juqueri (atual Estação Franco da Rocha). Abaixo imagem do incrível site “Estações Ferroviárias” que se dedica à história das ferrovias do Brasil.
Entretanto a instalação do Hospital Psiquiátrico do Juqueri e os abusos que ocorreram lá dentro, caracterizado para alguns como um verdadeiro holocausto manicomial acabou tornando Juqueri um sinônimo desses maltratos. (Veja aqui uma das matérias, ou compre esse livro e veja o que foi esse absurdo).
Para evitar essa correlação negativa, em 24 de dezembro de 1948, foi aprovada a Lei Estadual nº 233, permitindo a mudança do nome do município para o atual “Mairiporã“. E lá estivemos para registrar o time que assim como a cidade, nasceu como como Juquery FC, em 6 de janeiro de 1922 (os escudos vieram do incrível blog: Escudos Gino), disputando nesse dia sua primeira partida.
Em 7 de abril de 1929 há, na ata do clube, o registro de um amistoso contra o Rosário F. C., e o Juquery FC perdeu o 2º quadro por 2×0 e venceu o 1º quadro por 1×0. O Juquery FC integraria os times do União Juqueriense FC e o “EC Juqueri“, adotando as cores laranja e azul como as cores oficiais do clube.
Aqui, alguns registros do time em ação:
Com a mudança do nome da cidade, em 15 de janeiro de 1949 o time fez o mesmo e passou a se denominar Esporte Clube Mairiporã.
Algumas fotos da fase inicial do time:
Em 1956 foi campeão do seu setor no Campeonato do Interior.
Aqui, o time de 1958:
O time chegou a jogar a final da região do Campeonato Paulista Amador, em pleno Pacaembú, perdendo por 3×0 para o São João FC de Atibaia, em 15/10/61.
Naquele ano, o Campeonato foi interrompido pela FPF, que declarou campeões os 18 clubes que permaneciam no torneio, naquela altura O EC Mairiporã poderia ser um deles…
Mas o destino guardava vôos mais altos, e em 1963, o EC Mairiporã passou a disputar a 3ª Divisão de Profissionais da Federação Paulista de Futebol, que apesar do nome, equivalia ao 4º nível do futebol paulista. Veja pela página da Wikipedia os times que participaram dessa edição que teve o Bandeirante de Birigui como campeão:
As fotos abaixo não tem confirmação de data, mas parecem ser da época da disputa do profissionalismo:
Em 1964 mais uma participação na 3a divisão, com o time abaixo:
A Wikipedia tem uma página que mostra os 45 participantes daquele ano, que teve o São José EC como campeão:
Em 1965, não disputou o campeonato, retornando em 1966 em sua última participação, que teve como campeão o Ferroviário de Itú:
O time chegou a liderar sua série, como se pode ver nesse lindo cartaz divulgando um jogo da época, contra o Cachoeira:
Em nossa visita fomos até a sede do clube, onde ficava o seu campo de futebol.
Seja bem vindo ao Esporte Clube Mairiporã!
Conseguimos entrar no clube para conhecer sua atual estrutura.
Ali está estampado, pra todo mundo ver: fundado em 1922!
O clube tem uma sede muito bonita, com direito a uma grande piscina!
O sol estava se pondo quando acabei de atravessar a área do clube e cheguei ao atual campo de futebol, que já não ocupa a mesma área, mas ainda está ali ao lado do rio:
Sem dúvida, um lugar incrível e histórico pra quem ama futebol. Aqui dá pra ver melhor o atual campo.
Aqui, a máscara impede a compreensão, mas sou apenas eu explicando que o campo mudou de lado cedendo área para a sua sede social.
Ali fica o bar e os vestiários.
A cidade já está bem próxima, como se pode ver por traz do muro azul que rodeia o campo:
Mais uma vez agradecidos pela oportunidade, nos despedimos de Mairiporã e do EC Mairiporã.
Mais uma parte do nosso rolê de fim de ano de 2020, seguindo os protocolos de segurança na esperança de que dias melhores virão para acabar com a pandemia de Coronavirus…
Dessa vez, estivemos em Capão Bonito, uma linda cidade, cheia de áreas verdes, onde vivem cerca de 50 mil pessoas atualmente.
Pena que a gente não tenha visitado nenhum dos parques estaduais…. Eu gostaria muito de voltar para conhecer o Parque Estadual Nascentes do Paranapanema, se você não o conhece, acesse o site deles aqui!.
Mas, demos um rolê pela cidade em si, que é bastante receptiva.
Pra quem gosta de história, a região possui registros de ocupação humana que datam de cerca de 10 mil anos atrás, além de uma grande quantidade de sítios arqueológicos associados à Tradição Tupiguarani, de cerca de 2000 anos atrás.
De acordo com as pesquisas, o vale do Rio Paranapanema seria um dos principais eixos de expansão dos Tupis e Guaranis em direção ao sul.
Além disso outras etnias, como os Kaingang (Guaianazes) passaram a ocupar a região a partir do século XVI até o século XIX, com a chegada de outra perigosa epidemia: a do colonizador português, junto das bandeiras que descobriram ouro na região de Apiaí. O Portal D. Moto apresenta uma foto atual do local:
Aí… já imaginou né? A febre do ouro levou muitas pessoas (ainda que bem menos se comparado às expedições a Goiás ou Minas Gerais) à região, fundando a “Freguesia Velha“, em 1746 às margens do rio Pananapanema.
Além disso, o local era caminho entre o sul e a vila de Sorocaba (onde se criavam as mulas que acompanhavam os exploradores), dando origem a cidades como Itapetininga.
Mas, com o tempo, a Freguesia Velha (que muitos queriam chamar de Nossa Senhora da Conceição do Paranapanema pela capela erguida em seu nome) viu acabar o ouro do aluvião, encerrando o “ciclo do ouro” nessa região.
A consequência é que os moradores que ficaram (cerca de 5 mil pessoa) decidiram transferir o povoado para outra região (a “nova” freguesia), rebatizada com o nome da fazenda que lá existia: Capão Bonito do Paranapanema, tendo como data oficial de fundação o dia 24 de janeiro de 1843 (curiosamente no mesmo dia em que escrevo esse post). Seria ainda elevada à condição de vila em 2 de março de 1857, e atualizando o seu nome para o atual em 27 de dezembro de 1921.
Se você pensa em conhecer a cidade e a região, recomendamos o Hotal Baguassu, onde ficamos hospedados, praticamente sozinhos.
Com exceção do bichano que vez ou outra dava as caras:
E até uma bela piscina pra dar um relax!
A cidade tem uma estrutura bem bacana, e ótimas opções pra comer, destaque para a Pizzaria Vitória.
Só não podemos garantir a companhia da lua cheia, como a que esteve na cidade conosco…
Mas nossa presença na cidade se deu por outro motivo.
É que em 6 de maio de 1944 era fundado o Ipiranga Atlético Clube, mais um time de futebol a surgir na cidade e disputar os campeonatos amadores da região.
Como dá pra imaginar vendo o distintivo, o time homenageava o tricolor paulista, mas tinha uniformes diferentes, como se pode ver na foto abaixo, do time de 1949.
Aqui, mais algumas fotos sem datação comprovada, mas possivelmente do fim dos anos 40 ou início dos 50, pela similariedade do uniforme.
Nos anos 50 o time chegou a usar um uniforme com listras horizontais:
E um outro modelo também muito bacana:
Até chegar no uniforme similar ao tricolor da capital.
Esse modelos perdurou até os anos 60:
E foi justamente nos anos 60, mais precisamente em 1962, que o time fez história ao disputar a 3ª divisão do Campeonato Paulista (que devido as denominações das competições, equivalia ao 4o nível do campeonato) frente a tradicionais times do interior paulista.
Esse é um campeonato do qual encontra-se muito pouca informação gerando algumas confusões. Por exemplo, existe uma matéria sobre ex atletas do Ipiranga AC onde eles lembram que o jogo decisivo desse ano foi contra a equipe do Fronteira de Itararé, mas … segundo a maioria das fontes, o Fronteira só jogaria a 3a divisão anos depois…
Após esta aventura no profissional, o time voltou ao amador e fechou as portas em 1965.
Pra não deixarem o futebol em baixa, os esportistas locais se organizaram e em seu lugar, foi fundado o Esporte Clube Capão Bonito, em junho de 1966 e que herdaria as cores e até o estádio do Ipiranga AC.
O tricolor capãobonitense era chamado de “Esporte“, esse é o time de 1969, quando sagram-se campeões do Campeonato Amador regional, promovido pela Federação Paulista tendo o jogo do título no campo do DERAC de Itapetininga, contra a Associação Desportiva Angatubense, com vitória do EC Capão Bonito por 2×1:
O time está na memória da população local até atualmente, mas não chegou a disputar nenhuma competição profissional da Federação Paulista.
Ambas as equipes mandavam seus jogos no Estádio da Rua Bernardino de Campos, que acabou também sendo chamado de “Estádio do Ipiranga” e depois como “Estádio do Capão Bonito“, ou “Estádio do Esporte“.
E sua fachada imponente segue lá!
Como suas caracerísticas arquitetônicas são bastante icônicas, eu recomendo que vc olhe novamente as fotos dos dois times acima, e perceba que muitas delas mostram a fachada, mas do lado de dentro.
O estádio ocupa uma importante área na região central, tendo sua entrada, na Rua Bernardino do Campos e sua lateral “murada” na Rua Altino Arantes.
No dia da nossa visita, a entrada principal estava fechada.
Uma mão por dentro do portão garante algumas imagens iniciais do campo!
Em busca de uma entrada, recorremos aos fundos do estádio, que além de ceder parte de sua área para operárioa de uma obra próxima, também se encontrava fechada…
Até deu pra fazer mais algumas fotos ali, mas ainda não nos permitia a entrada…
Pelo menos dava pra ver que o gramado estava bem conservado, ainda que sem suas demarcações em cal.
Uma rápida olhada no mapa do local, ofereceu mais uma opção…
Essa entrada lateral era numa rua sem saída que terminava quase dentro do estádio, mas que também possuia um muro e um portão, ambos fechados.
Alguns vizinhos ao me ver observando o portão fechado disseram que quando querem jogar bola é por ali que entram.
Mensagem captada, amigos vizinhos! Lá vamos nós pra dentro do Estádio!
Aí sim, deu pra registrar como gostamos de fazer: as três fotos do campo… Seu gol da esquerda:
O meio campo:
E o gol da direita:
Além de um registro frente ao campo e com um espaço minimamente coberto que serve de recordação para a linda arquibancada coberta, toda de madeira que foi destruída em um incêndio, décadas atrás.
Pelo que eu entendi a arquibancada era exatamente acima desse espaço.
Depois de tantas voltas, era hora de seguir com o rolê pela cidade, pois ainda existia um verdadeiro templo do futebol a ser visitado, o Estádio Municipal Doutor José Sidney da Cunha, que ficava não muito longe dali (até porque a cidade não é muito grande) e que serve de casa para um verdadeiro patrimônio da atual Série B do Campeonato Paulista (o equivalente ao quarto nível do futebol): o EloSport Capão Bonito!
Talvez muitos nem reconheçam o distintivo acima, porque ele é relativamente novo, o tradicional usado sempre foi esse abaixo, que já trazia a “corrente”, simbolizando a união que o time tem como principal filosofia:
O time nasceu em 10 de maio de 1993, finalmente abandonando o tricolor que marcara por tantas décadas o futebol da cidade, adotando o azul e verde como cores oficiais.
Seu apelido, e consequentemente mascote é o “Galo do Sul“.
No início de sua trajetória, o time se limitou às competições amadoras, sendo campeão da Liga de Tatuí e da Liga de Sorocaba, mas em 1997, era hora de levar novamente o nome da cidade ao futebol profissional e o Elosport foi disputar a Série B1B (equivalente na época à 5a divisão do futebol paulista).
O Elosport jogou a B1B até 2001, quando o futebol paulista passou por mudanças que acabaram a levar o time para a Série B3 (equivalente à Sexta Divisão), quando conquistou o acesso para jogar a Série B2 em 2002, terminando em 8o lugar:
Aqui as demais equipes que completaram aquele campeonato e suas respectivas colocações:
No ano seguinte, o time acabou rebaixado e licenciando-se do Campeonato Paulista, retornando apenas em 2007, já dentro de uma nova formulação do Campeonato, na Série B, equivalente à quarta divisão.
Infelizmente, sua história nessa divisão não teve grandes destaques. Desde 2012, curiosamente o time sempre fica a um passo da conquista da classificação para as próximas fases na maioria das edições. Veja como foi o grupo de 2012:
2013:
2014:
2015:
2016:
2017:
2018:
E desde 2019, tem ficado em último:
2020:
Como destaque, vale lembrar que o Elosport sagrou-se campeão do Sub-20 da 2ª Divisão em 2009.
Em 2010, a gente acompanhou um jogo deles (clique aqui e veja como foi):
Como disse anteriormente, o Elosport manda seus jogos no Estádio Dr José Sidney da Cunha, e lá fomos nós conhecê-lo:
O Estádio Municipal Doutor José Sidney da Cunha é administrado pelo Elosport, num sistema de comodato, por isso existe toda uma sinalização com o nome do time, como se fosse um estádio particular.
O time se define nas paredes do estádio, como o “Orgulho de Capão Bonito”.
Diz a lenda que um torcedor mirim mandou um desenho para o Jornal O Expresso chamando o time de “O Galo do Sul”. Aí teria surgido o mascote do time que também se faz presente no estádio.
Olha aí os bancos de reserva:
Nossa visita foi feita naquele típico dia de verão com calor e uma possível chuva se formando acima de nós…
Olha, eu confesso que só fiquei triste por não ter visto (ainda) um jogo do Elosport aí no estádio… Mas fica o orgulho de pelo menos ter conhecido de perto um campo que tantas vezes foi utilizado no futebol profissional.
Vamos dar uma olhada por dentro:
Aqui o gol do lado direito (e a chuva chegando):
O meio campo:
E o gol da esquerda:
Vale mais uma olhada, né?
A arquibancada que ajuda o estádio a ter uma capacidade para mais de 6 mil torcedores.
Não acredita? Olha aí:
Além da estrutura pro torcedor, o estádio possui uma boa área para a imprensa:
É arquibancada pra tudo que é lado…
E assim, dentro do campo, pisando na mesma grama que tantos atletas da série B pisaram esses últimos anos, encerramos nosso registro…
Aliás, encerramos também os rolês de 2020, que venha um 2021 com vacina para todos!
Feliz ano novo, irmãos e irmãs!
Que tempos estranhos esses em que uma forma de vida tão pequena consegue modificar tanto a realidade do planeta… 2020 foi um ano com menos viagens e jogos, mas… tomando todos os cuidados possíveis e imagináveis, marcamos o fim de ano com um rolê rápido e muito mais simples do que imaginávamos há um ano atrás. Visitamos estádios de 4 cidades: Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, Avaré e Paranapanema. Comecemos por essa pequena cidade de nome comprido: Paranapanema.
A cidade é conhecida como “a Princesa do Vale” e está há 256 km de São Paulo sendo a casa de pouco mais de 20 mil pessoas. Logo na entrada da cidade, uma estátua relembra uma das armas contra a difusão do coronavirus: a máscara!
A cidade é pequena, mas muito charmosa e cheia de cuidados que surpreendem. Um exemplo é o Museu da Dona Guita, que guarda objetos, máquinas e lembranças relacionadas aos primeiros habitantes de Paranapanema, além de uma série de fotos antigas. O lugar é muito bonito e fica na rua Manoel Domingues Leite a uma quadra da Praça da Matriz.
A cidade é toda muito arborizada, e tem escolas lindas!
O centro é fácil de achar, tem até uma placa indicando que você chegou até lá…
Olha aí como é o clima de uma das principais avenidas da cidade:
Não podia faltar a igreja matriz da cidade.
Além disso, ela é banhada pela represa Jurumirim, a maior represa do Estado de São Paulo. Tem até uma praia de água doce: a ilha do Sol, situada a 7 km da sede do município, às margens da Represa Jurumirim. Veja mais sobre a cidade em seu site oficial (é só clicar aqui…).
A cidade nunca teve grande história no futebol, mas em 31/12/1999, no distrito de Holambra II foi fundado o Clube Atlético Montenegro, a “Águia do Vale“.
Pela primeira, vez o município de Paranapanema teve uma equipe profissional na cidade, mas… Não foi dessa vez que a cidade pode receber um jogo profissional, pois o Estádio Municipal Professor Pedro Sanches não apresentou as condições necessárias para sediar as partidas do time. Assim, a equipe alvinegra teve que buscar um outro local para mandar seus jogos na série B3 de 2001 (o equivalente ao sexto nível do futebol paulista) e o local escolhido foi o Estádio Dr. Paulo de Araújo Novaes, que pertence ao São Paulo FC de Avaré, e como estávamos perto da cidade fomos até lá, mas mais uma vez não consegui registrar a parte interna do Estádio… (já havíamos tentado registrá-lo em 2013 e em 2019).
Assim, o time jogou a série B3 em 2001, e terminou a primeira fase do campeonato em 3o lugar, no grupo B, garantindo sua classificação para a fase final e também o acesso à série B2, quando escrevi o post havia esta tabela na wikipedia:
Embora tenha sido eliminado nas quartas de final, o time acabou terminando em 4o lugar, e o Corinthians B seria o campeão. O leitor Júlio Cesar fez umas correções nos placares apresentados pela Wikipedia:
Com o acesso garantido, em 2002 o time fez sua estreia na Série B2 (o equivalente ao 5o nível do futebol paulista), mas por problemas administrativos acabou abandonando o torneio no fim do 1° turno, fazendo sua despedida contra o time da AD Guarujá, que venceu o esquadrão de Paranapanema por 2 x 1. Depois dessa derrota, o time nunca mais retornou ao futebol profissional e acabou sumindo até mesmo de qualquer disputa amadora. E não é que encontrei a imagem da camisa do time? O done delas é o amigo Frederico Carvalho Capacitor.
Mas… e quanto aos estádios de Paranapanema? Seguem por lá… E olha que não são poucos. Até estranhei ver uma placa que dizia “Estádios” (com “s” mesmo). Começamos registrando o Estádio Municipal Edivaldo Rodrigues de Arruda (sim, mais um estádio com o sobrenome da Mari…por isso a primeira foto é dela!):
Pra você que quer usar a foto sem ninguém, aí está:
Ele fica logo na entrada da cidade, mas pelo visto, já foi deixado de lado há algum tempo. Estava lá… aberto…
Se está aberto… Vamos conhecer o que um dia foi o Estádio Municipal Edivaldo Rodrigues de Arruda.
Já na bilheteria uma certa esquizofrenia… uma suástica mal desenhada ao lado de um A de Anarquia…
Lá dentro… Uma triste visão…
É… O campo virou pasto…
Restos de obras amontoados no que um dia foi a lateral do campo.
O sistema de iluminação também segue por ali, como uma recordação de tempos passados.
Ali, onde ficava um dos gols, com a cidade ao fundo.
O que sobrou dos vestiários:
A arquibancada ainda segue por lá.
Agora, com os cupinzeiros, além do gado, também se pode ver muitos pássaros pelo campo.
Mesmo não tendo recebido nenhum jogo oficial pelas competições da Federação Paulista, o Estádio fez a alegria da população local.
E ainda faz a alegria desses aí, que estão se deliciando com uma grama verdinha!
Aqui, um olhar de traz do que eram os vestiários.
Mas… Como eu disse, a cidade manteve o futebol vivo com outros estádios. Aqui na foto do próprio site da Prefeitura vc pode ver que não faltam campos!
E assim, chegamos ao atual Estádio Municipal de Paranapiacaba, o Estádio Municipal Professor Pedro Sanchez que deveria ter recebido os jogos do CA Montenegro.
Aqui, pra quem quer uma foto do estádio sem a minha incomoda presença:
Infelizmente esse estava fechado 🙁
Mas deu pra fazer umas fotos da parte interna e conferir as belas e verdejantes arquibancadas locais!
Uma pena o Estádio não estar apto na época pra receber os jogos do profissional, porque atualmente ele parece muito acertadinho.
E assim, nos despedimos de mais uma aventura “interior afora”. Valeu, Paranapanema!
Já estivemos algumas vezes em Atibaia, mas nos limitamos a visitar e registrar o Estádio Salvador Russani, até pelo surgimento e desenvolvimento do Sport Club Atibaia.
Mas, o Grêmio Esportivo Atibaiense é um time com uma história que merece e precisa ser lembrada e reforçada. O time foi fundado em 21 de novembro de 1934 por funcionários da Companhia Têxtil Brasileira, ainda sob o nome de Associação Atlética Cetebê. (O distintivo veio do site História do Futebol):
Além de fazer história no futebol amador da região e no Campeonato do Interior, jogando o setor 10 da zona 2, o time decide disputar as competições profissionais da Federação Paulista, na 4a divisão, a partir de 1963. A partir de 1964, o Cetebê mudou seu nome para Grêmio Esportivo Atibaiense. Jogou ainda as edições de 1964, 65 e 67. Veja como a Gazeta Esportiva trata o time e seu rival citadino em 1965:
Jogou também 4 edições da Série A3, em 1981, 82, 86 e 87.
Aqui, a relação dos jogos de 1981:
Voltou à 4a divisão em 1988, jogando mais 4 edições até 1991, quando fez sua última participação no futebol profissional. Uma das histórias mais bacanas do time é que ele foi o último time de Muricy Ramalho como atleta e sua primeira experiência como treinador:
Com o fim do futebol profissional, desenvolveu o seu clube social transformando-se em uma grande potência local. Mas, o futebol nunca foi esquecido. E eis que por meio de uma parceria, o clube surpreendeu a todos e celebrou o seu aniversário realizando um Festival de futebol com equipes sub-11, sub-15, feminina e veteranos.
O festival foi realizado no tradicionalíssimo Estádio Luiz Passador, o que representou a “desculpa ideal” para dar um novo rolê por Atibaia!
O Estádio foi construído no mesmo ano em que o clube nasceu: 1934 e seu nome é uma homenagem a um entusiasta do futebol que trabalhava na Companhia Têxtil Brasileira.
Mais uma bilheteria para a nossa coleção!
O estádio ocupa uma área enorme, com muita possibilidade de se expandir, caso um dia isso seja necessário!
O convite para o evento foi feito pelo amigo Mário que ainda jogou o festival na partida dos veteranos!
O estádio possui uma arquibancada para cerca de 1.500 torcedores, como se pode ver nas fotos abaixo:
Aqui, olhando o estádio das arquibancadas, o meio campo:
Aqui, o gol da esquerda:
Ali, os bancos de reserva:
Vamos ouvir o Mário explicar a ideia do evento:
Pra nós, sempre uma honra pisar em solo futeboleiro sagrado!
Olha aí o pessoal do EC Votoran de Botucatu, adversário histórico da época do amador:
O time visitante saiu vitorioso no sub 15.
Foi emocionante acompanhar também o time dos veteranos do Grêmio Esportivo Atibaiense:
Alguém até levou uma foto de 25 anos atrás onde eles estavam reunidos jogando pelo mesmo Grêmio Atibaiense:
Vale lembrar que a cidade ainda teve o time do Boavista FC, fundado em 1961 e que participou da Quarta Divisão do Campeonato Paulista em 1962 e 1963.
Outro time que também jogou o futebol profissional do Campeonato Paulista foi o São João FC (distintivo disponibilizado no site História do futebol):
O São João FC foi fundado em 2 de fevereiro de 1930, em homenagem ao padroeiro da cidade e disputou o Campeonato Paulista do Interior e a Quarta Divisão do Campeonato Paulista em 1963 e 65.
Demos um pulo na sede do clube, onde antes ficava também o Estádio do time. Vale lembrar que desde 1971, o clube mudou seu nome para São João Tenis Clube:
Infelizmente pela quarentena, a gente não pode entrar no clube pra fazer umas fotos de onde ficava o Estádio, mas encostamos no portão lateral pra Mari fazer umas fotos do atual campo de futebol que atende os sócios.
E aí está o atual campo de futebol:
O clube é uma beleza! Mas o futebol profissional está definitivamente esquecido…