O SC Atibaia completou 15 anos em dezembro passado, mas acaba de ganhar o melhor dos presentes: um livro apresentando a extensa pesquisa feita pelo nosso amigo, jornalista e um dos caras que mais gosta do futebol em todas as suas categorias: Mario Gonçalves.
O livro cobre toda a trajetória do clube dentro e fora do campo até a temporada 2020, contemplando suas participações em competições da Federação Paulista de Futebol, além de entrevistas e fotos inéditas de cada temporada de jogadores, técnicos, jornalistas e pessoas que participaram da história.
Para os interessados, existe uma campanha de crowdfunding, com a duração de 60 dias, com várias modalidades de recompensa para os colaboradores, com o objetivo de viabilizar a obra literária.
Olha, que boa surpresa! Percebi que nunca postei as fotos da aventura em Nice, na França, um rolê que fizemos no final de 2015, numa época em que ainda se podia viajar mundo afora sem medo de morrer de Covid…
Então vamos lá! Conhecer um pouco da cidade, que eu confesso que jamais havia pensado em conhecer.
Nice é uma baita cidade, a quinta mais populosa da França, com cerca de 1 milhão de pessoas.
Nice fica numa região litorânea chamada Costa Azul (Côte d’Azur), às margens do mar Mediterrâneo e é um lugar muito bonito.
Mas como você pode ver pelas fotos, faz bastante frio, mesmo quando sai sol.
No vídeo dá pra ter uma ideia melhor do lugar:
A água é de uma transparência única!
Mesmo com frio, não podia perder a oportunidade de entrar no Mar Mediterrâneo… Ainda que com uma bermudinha térmica bastante esquisita e que uso até hoje.
A região é habitada há mais de 400 mil anos, mas sua história moderna começa por volta de 350 A.C., quando os gregos de Marselha fundaram um povoado denominado por eles de Niceia, em homenagem a Nice, deusa da vitória. Atualmente, Nice é um lugar de europeu rico, lembro que só na época da viagem fui perceber que fica pertinho de Mônaco. A região acabou se tornando um ponto de viagem principalmente para ingleses, a partir de 1750. Daí surgiu a sua principal avenida beira-mar: a Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses).
Do alto do morro, dá pra ver melhor:
Estamos na chamada Colina do Castelo. Em tempos remotos, o nível do mar era bastante mais alto e a colina era uma ilha.
Mas estar no litoral também tem seus problemas, por exemplo, em 1543, Nice foi atacado pelo pirata turco Barbarroja que pilhou a cidade e ainda fez 2.500 escravos de seus habitantes.
Embora, como eu disse, seja uma cidade bem focada no turismo de gente endinheirada, ela oferece um monte de opções para gente com grana contada, como a gente, encontramos vários mercados e feiras de rua.
Pra quem é brasileiro e está acostumado com a nossa violência urbana, essas cidades turísticas europeias são uma coisa muito loca… Parece um mundo de faz de conta, onde você praticamente não vê nada de errado.
E existe uma baita cena cultural por lá. Teatros…
Quadrinhos…
Museus…
Aliás, o museu tem uma área externa aberta, que permite uma vista linda da cidade, e o fim do dia estava animal!
E muita feirinha de fim de ano, com comidas típicas…
Eles tem muitos doces de frutas cristalizadas…
Muitas verduras, legumes…
Queijos esquisitos…
Também tem muitos temperos diferentes…
Olha que pães lindos…
Olha a cor dessa toranja!
Embora aqui no Brasil a gente tenha um clima que permita a produção de muitas frutas, lá na gringa, os caras tem mais orgulho delas como alimento, sabe? É algo “chique, bacana e inteligente” comer uma maçazinha…
Uma coisa que na época chamou a atenção eram os caixas automáticos, onde o próprio cliente paga suas compras.
Aqui, a estação ferroviária de Nice!
Como herança dos gregos que ocuparam a região, ficou a paixão pelo azeite…
E tinha esse espelho d’água que fazia a alegria das crianças…
E aí, lá no meio dos comes e bebes… Um detalhe me fez lembrar que além de muita festa, a cidade de Nice também tem sua paixão pelo futebol!
Estamos falando do Olympique Gymnaste Club de Nice Côte d’Azur, ou simplesmente OGC Nice, ou apenas Nice.
O OGC Nice foi fundado em 9 de julho de 1904, e começou a ter futebol entre suas atividades a partir de 6 de julho de 1908. O time foi um dos membros fundadores da primeira divisão francesa (agora chamada de “Ligue 1“), e em 2021, segue nela. Se liga no naming rights da Ligue 1:
Da primeira temporada inaugural da Ligue 1 (1932-33) até hoje, muita coisa aconteceu, o mundo mudou, surgiu a Internet, a pandemia… Mas o clube escreveu seu nome na história ao conquistá-la 4 vezes lá nos anos 50 (nas temporadas 1950-51, 1951-52, 1955-56 e 1958-59). Veja o time de 1951 (todas as fotos abaixo estão no site Olympique de Marseille Forever), com o goleiro gordinho e tudo:
Aqui, o time de 1952, que conquistou o bicampeonato francês:
Esse foi o time de 1956:
E esse o time que conquistou o último título (ao menos até 2021):
Além disso, o OGC Nice conquistou a Copa da França por três vezes (1951-52, 1953-54 e 1996-97). Esse foi o time que conquistou em 1997 o seu último título expressivo:
Infelizmente, dias depois de ganhar a Copa da França, foi rebaixado pra segundona do francês, onde ficou até 2001… O time faz o “Derbi da Costa Azul” com o Cannes.
No centro da cidade encontrei uma loja do time, mas como podem imaginar, os preços inviabilizaram grandes aquisições e apenas uma flâmula veio pro Brasil…
Mas a loja oferece uma série de opções: camisas, cachecois e até ursinho de pelúcia…
E a loja também apresenta em suas paredes um pouco da história do rubro negro francês!
O ambiente da loja é bem bacana, quase como um museu do time…
Até um sofazinho pra um relax…
Mas já que estamos em Nice… Que tal um pulo até o Estádio do OGC Nice? Vamos dar uma olhada no mapa dos trens locais…
Pouco tempo depois, baixamos mais ou menos perto do Estádio Allianz Riviera, a casa atual do OGC Nice!
A Allianz Riviera foi construído para ser sede na UEFA Euro 2016.
Lembrando que a Euro daquele ano reservou um monte de quebra pau com ultras franceses, hooligans ingleses e principalmente russos. E Nice, infelizmente não ficou de fora, reunindo em uma mesma briga torcedores do OGC Nice, da Irlanda e da Polônia.
Mas até 2013, o OGC Nice mandava seus jogos no Stade du Ray, um estádio que devia ser maravilhoso, como dá pra ver pelas fotos do próprio site do OGC Nice.
Imagina nos anos 50, quando o OGC Nice papou aquele monte de títulos, como devia ficar a atmosfera do lugar…
E além de tudo era super diferente, olhas os aneis que se formavam abaixo da arquibancada!
Como dá pra ver, o Estádio ficava bem no meio da cidade… E provavelmente não resistiu à especulação imobiliária e acabou demolido em 2016.
Em seu lugar… Surge esse fantasma da modernidade… A arena.
A mudança não parece ter sido muito fácil para a torcida local, no jogo de estreia da arena a torcida local fez um mosaico com a expressão RIP (Rest In Peace), típica dos túmulos, nos cemitérios.
De qualquer forma, aí está mais uma bilheteria para a nossa coleção!
Também há uma loja oficial no entorno do estádio:
Dá uma olhada no seu entorno:
A verdade é que nem tem cara de estádio…
A capacidade da Allianz Riviera é de 35.624 torcedores.
Claro que sendo uma arena, a entrada fora de horários específicos é proibida…
Assim, só o que nos restou foi fazer algumas fotos da fachada do Estádio.
Ah, o estádio não é particular, pertence à Prefeitura de Nice. Junto a ele está o Museu Nacional do Esporte:
Assim, sem grandes emoções nos despedimos de mais um palco do futebol internacional.
Não podia deixar de lembrar que menos de um ano depois de termos visitado a cidade, Nice sofreu um atentado. Em 14 de julho de 2016, feriado da Bastilha, uma data super importante pros franceses, um caminhão atropelou uma multidão no momento da queima de fogos, matando 84 pessoas. Que o sol siga brilhando naquele lugar tão bonito…
Que tempos estranhos esses em que uma forma de vida tão pequena consegue modificar tanto a realidade do planeta… 2020 foi um ano com menos viagens e jogos, mas… tomando todos os cuidados possíveis e imagináveis, marcamos o fim de ano com um rolê rápido e muito mais simples do que imaginávamos há um ano atrás. Visitamos estádios de 4 cidades: Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, Avaré e Paranapanema. Comecemos por essa pequena cidade de nome comprido: Paranapanema.
A cidade é conhecida como “a Princesa do Vale” e está há 256 km de São Paulo sendo a casa de pouco mais de 20 mil pessoas. Logo na entrada da cidade, uma estátua relembra uma das armas contra a difusão do coronavirus: a máscara!
A cidade é pequena, mas muito charmosa e cheia de cuidados que surpreendem. Um exemplo é o Museu da Dona Guita, que guarda objetos, máquinas e lembranças relacionadas aos primeiros habitantes de Paranapanema, além de uma série de fotos antigas. O lugar é muito bonito e fica na rua Manoel Domingues Leite a uma quadra da Praça da Matriz.
A cidade é toda muito arborizada, e tem escolas lindas!
O centro é fácil de achar, tem até uma placa indicando que você chegou até lá…
Olha aí como é o clima de uma das principais avenidas da cidade:
Não podia faltar a igreja matriz da cidade.
Além disso, ela é banhada pela represa Jurumirim, a maior represa do Estado de São Paulo. Tem até uma praia de água doce: a ilha do Sol, situada a 7 km da sede do município, às margens da Represa Jurumirim. Veja mais sobre a cidade em seu site oficial (é só clicar aqui…).
A cidade nunca teve grande história no futebol, mas em 31/12/1999, no distrito de Holambra II foi fundado o Clube Atlético Montenegro, a “Águia do Vale“.
Pela primeira, vez o município de Paranapanema teve uma equipe profissional na cidade, mas… Não foi dessa vez que a cidade pode receber um jogo profissional, pois o Estádio Municipal Professor Pedro Sanches não apresentou as condições necessárias para sediar as partidas do time. Assim, a equipe alvinegra teve que buscar um outro local para mandar seus jogos na série B3 de 2001 (o equivalente ao sexto nível do futebol paulista) e o local escolhido foi o Estádio Dr. Paulo de Araújo Novaes, que pertence ao São Paulo FC de Avaré, e como estávamos perto da cidade fomos até lá, mas mais uma vez não consegui registrar a parte interna do Estádio… (já havíamos tentado registrá-lo em 2013 e em 2019).
Assim, o time jogou a série B3 em 2001, e terminou a primeira fase do campeonato em 3o lugar, no grupo B, garantindo sua classificação para a fase final e também o acesso à série B2, quando escrevi o post havia esta tabela na wikipedia:
Embora tenha sido eliminado nas quartas de final, o time acabou terminando em 4o lugar, e o Corinthians B seria o campeão. O leitor Júlio Cesar fez umas correções nos placares apresentados pela Wikipedia:
Com o acesso garantido, em 2002 o time fez sua estreia na Série B2 (o equivalente ao 5o nível do futebol paulista), mas por problemas administrativos acabou abandonando o torneio no fim do 1° turno, fazendo sua despedida contra o time da AD Guarujá, que venceu o esquadrão de Paranapanema por 2 x 1. Depois dessa derrota, o time nunca mais retornou ao futebol profissional e acabou sumindo até mesmo de qualquer disputa amadora. E não é que encontrei a imagem da camisa do time? O done delas é o amigo Frederico Carvalho Capacitor.
Mas… e quanto aos estádios de Paranapanema? Seguem por lá… E olha que não são poucos. Até estranhei ver uma placa que dizia “Estádios” (com “s” mesmo). Começamos registrando o Estádio Municipal Edivaldo Rodrigues de Arruda (sim, mais um estádio com o sobrenome da Mari…por isso a primeira foto é dela!):
Pra você que quer usar a foto sem ninguém, aí está:
Ele fica logo na entrada da cidade, mas pelo visto, já foi deixado de lado há algum tempo. Estava lá… aberto…
Se está aberto… Vamos conhecer o que um dia foi o Estádio Municipal Edivaldo Rodrigues de Arruda.
Já na bilheteria uma certa esquizofrenia… uma suástica mal desenhada ao lado de um A de Anarquia…
Lá dentro… Uma triste visão…
É… O campo virou pasto…
Restos de obras amontoados no que um dia foi a lateral do campo.
O sistema de iluminação também segue por ali, como uma recordação de tempos passados.
Ali, onde ficava um dos gols, com a cidade ao fundo.
O que sobrou dos vestiários:
A arquibancada ainda segue por lá.
Agora, com os cupinzeiros, além do gado, também se pode ver muitos pássaros pelo campo.
Mesmo não tendo recebido nenhum jogo oficial pelas competições da Federação Paulista, o Estádio fez a alegria da população local.
E ainda faz a alegria desses aí, que estão se deliciando com uma grama verdinha!
Aqui, um olhar de traz do que eram os vestiários.
Mas… Como eu disse, a cidade manteve o futebol vivo com outros estádios. Aqui na foto do próprio site da Prefeitura vc pode ver que não faltam campos!
E assim, chegamos ao atual Estádio Municipal de Paranapiacaba, o Estádio Municipal Professor Pedro Sanchez que deveria ter recebido os jogos do CA Montenegro.
Aqui, pra quem quer uma foto do estádio sem a minha incomoda presença:
Infelizmente esse estava fechado 🙁
Mas deu pra fazer umas fotos da parte interna e conferir as belas e verdejantes arquibancadas locais!
Uma pena o Estádio não estar apto na época pra receber os jogos do profissional, porque atualmente ele parece muito acertadinho.
E assim, nos despedimos de mais uma aventura “interior afora”. Valeu, Paranapanema!
Outubro de 2020, aproveitando o entorno da Via Dutra, paramos pra almoçar em Jacareí e fomos mais uma vez tentar registrar o EstádioStavros Papadopoulos, a casa do JAC!
A história de Jacareí está diretamente ligada à busca de ouro e metais preciosos no interior do Brasil, já que ficava no antigo caminho para as “minas gerais”, servindo de pousada para tropeiros.
A partir do século XVIII, viu o café ganhar espaço e movimentar a economia local. A Ferrovia também ganhou espaço pra movimentar cargas e pessoas.
O nome da cidade é uma referência aos jacarés nas lagoas e no Rio Paraíba do Sul, já que Jacareí em Tupi seria “Icare-ig” ou “Rio dos Jacarés”. O futebol fez parte da cultura local desde muito cedo, quando no ano de 1917, três funcionários da Fábrica de Meias Elvira montaram um time que viria a se oficializar em 27 de julho de 1920 como o alvi-rubro Esporte Clube Elvira.
Em sua “primeira fase”, além de vários amistosos e campeonatos locais o EC Elvira disputou desde 1921 o Campeonato Paulista do Interior e no ano de estreia não passou da primeira fase perdendo os dois jogos (18/12: Caçapavense 3×1 EC Elvira e 8/1: Taubaté 3×2 EC Elvira), assim como em 1922, ainda que aqui tenha realizado uma campanha melhor que no ano anterior:
Em 1923, foi ainda melhor, sendo vice campeão da Zona Central do Brasil.
Em 1924 o campeonato do interior não foi realizado, e em 1925, finalmente o EC Elvira consgeuiu sagrar-se campeão do seu grupo, a 5a região, indo pra fase final.
Em 1925, Jacareí viu mais um time participar do Campeonato Paulista do Interior: o Esperança FC.
O Esperança FC foi fundado em 1910 e chegou a ter seu estádio, que anos mais tarde seria o campo do Ponte Preta de Jacareí (falaremos deles na sequência). Aqui, uma imagem do campo, já na época do Ponte Preta:
Chegamos em 1926, um ano muito importante para o EC Elvira, pois ele sagrou-se campeão do Campeonato Paulista do Interior, em um campeonato meio bagunçado já que na fase final dois times deram WO.
Com o título, o EC Elvira disputou a Taça Competência contra o Palestra Itália (campeão da série A1). O Palestra havia sido campeão com 100% de aproveitamento e venceu fácil por 9×0, mas mesmo assim, o EC Elvira cravou seu nome na história.
Em paralelo ao Campeonato Paulista do interior da APEA, houve o Campeonato do Interior da LAF (Liga dos Amadores de Futebol) e quem estava lá era o EsperançaFC, que terminou em segundo da Região D (o Taubaté foi o campeão do grupo .
Em 1927, o EC Elvira não passou da primeira fase (que teve a AE Guaratinguetá como campeã do grupo).
E o Esperança FC seguiu jogando o Campeonato do Interior da LAF, sagrando-se campeão da seção, mas acabou entregando os pontos (não descobri o porquê) para o Hepacaré, num jogo que seria no dia 27/11.
Em 1928, o EC Elvira abandonou o Campeonato do Interior e só voltaria a disputar em 1930, e deu uma grande confusão no seu grupo (a 8a região). Havia a necessidade de um jogo desempate entre EC Elvira e a Caçapavense, mas esta se negou e por isso a APEA classificou o time de Jacareí. Na segunda fase, o EC Elvira bateu o Taubaté por 4×2. O time só acabou eliminado na semifinal em uma partida que foi batido por 5×2 pelo Paulista de Jundiaí.
Em 1931, sequer passou da primeira fase e só voltou a disputar o Campeonato em 1942, jogando a 24a regIão, que teve o Taubaté como campeão.
Esse ano teve como novidade a participação do (é “do” mesmo e não “da”) Ponte Preta FC!
O time nasceu em 1933, quando o Esperança F.C. fechou suas portas e pra não deixar a cidade sem futebol (lembrando que o EC Elvira nem vinha jogando o Campeonato do Interior nesse período) a população local se uniu e contando com o apoio de Alfredo Schurig fundaram o Ponte Preta Futebol Clube, herdando o estádio do Esperança FC. Em 1973, os herdeiros do Sr. Schurig, após uma grande batalha jurídica conseguiram “tomar” o campo. O time conseguiria um novo estádio com o apoio da Prefeitura.
Em 1943, novamente participaram do Campeonato do Interior o Ponte Preta FC e o EC Elvira (que decidiu a vaga para a fase final com o Taubaté, sendo derrotado por 2×0).
Em 1944 e 45 novamente o Taubaté foi o classificado do grupo da 24a região, que além de Ponte Preta FC e EC Elvira, teve a participação de uma outra equipe de Jacareí, o EC Pedra Santa! Em 1946, os 3 seguiram na disputa que teve o Cruzeiro FC como campeão do grupo, e em 47, seguiram na disputa que teve o União FC (Mogi) como classificado.
Ao chegarmos nos anos 50, 0 EC Elvira entra pra história do futebol profissional ao disputar a série A3 em 1956 (com o time abaixo), 57 e 60.
Graças às mudanças nos sistemas de disputa, o EC Elvira chegou ainda a jogar a A2 em 1958, 59, 61 e 62, sempre com campanhas abaixo da média.
A partir daí o time se manteve apenas em disputas do amador.
O EC Elvira mandava seus jogos no seu Estádio Antonio Jordão Mercadante, inaugurado em 13 de abril de 1924, num amistoso contra o Palestra Itália da Capital (1×1).
Embora tenha sido demolido em 2014 o pessoal do Jogos Perdidos esteve por lá em 2005 e fez um incrível registro desse lindo estádio:
A cidade só voltaria a ter um representante nas competições profissionais da FPF com o Jacareí Atlético Clube.
O Jacareí Atlético Clube foi fundado em 27 de outubro de 1980 e nasceu de um jeito muito louco, quando os apresentadores da Rádio Clube Jacareí lançaram a ideia de um novo clube e os primeiros ouvintes que ligaram se tornaram conselheiros do clube. Logo, o time passou a jogar a série A3 do Campeonato Paulista, já em 1981. Ficou na série A3 até 1988, quando sagraram-se campeões subindo para a série A2:
Em 89 a campanha foi bastante irregular e acabou rebaixando o time de volta à série A3,
Eram 2 grupos (que se denominavam série A e série B) que jogavam dentro de cada um e entre eles, terminando com a seguinte classificação:
O JAC permaneceu na série A3 até 94, quando foi rebaixado para a série B (a quarta divisão) e a partir daí oscilou chegando até a sexta divisão (que já não existe mais). Durante todo esse tempo, o Jacareí Atlético Clube mandou seus jogos no Estádio Antonio Jordão Mercadante até 2001, quando um novo estádio foi construído, em outro local, pela Sports International, que geriu o clube até 2005. Trata-se do Estádio Stavros Papadopoulos, cujo nome homenageia um dos empresários da Sports International, e como disse no início do post, nossa missão era finalmente fotografar a casa do JAC!
O Estádio Stavros Papadopoulos foi inaugurado em 27 de maio de 2001 em um 1×1 entre o Jacareí AC e OSAN (Indaiatuba).
Mais uma bilheteria para a nossa conta!
A capacidade do Estádio Stavros Papadopoulos é de cerca de 4.500 torcedores.
Ainda que mais uma vez não tenhamos conseguido entrar no Estádio, foi possível uma mínima visão de suas arquibancadas.
Além de toda a história ligada ao futebol, o Estádio temum charme a mais: dizem que é mal assombrado! As pessoas (atletas e funcionários) dizem ouvir barulhos estranhos e ver vultos no local. Alguns dizem que isso é porque o estádio foi construído em cima de um sítio arqueológico indígena. Nós estivemos por lá sozinhos e não vimos ou ouvimos nada de anormal.
Fica pelo menos o registro, e prolongada a nossa missão de adentrar ao estádio…
O Estádio possui arquibancadas nas duas laterais do campo.
Os últimos anos do Jacareí AC foram tristes, uma vez que permaneceu disputando as divisões inferiores, sem grandes campanhas, até que em 2014 a Prefeitura (responsável pela administração do estádio desde a saída da Sports International) interditou o local, após uma briga entre torcedores do São José (que utilizava o estádio pela série A2) e do Guarani evidenciarem a necessidade de melhorias.
O JAC teve que mandar seus jogos nas cidades vizinhas e decidiu pedir liçensa das disputas profissionais até que consigam arrumar o Estádio.
Tremembé é uma cidade que sempre chamou minha atenção, embora eu não tenha nenhuma grande memória com o futebol local, mesmo sabendo, agora, de sua tradição.
Localizada na região Metropolitana do Vale do Paraíba, Tremembé é a casa de quase 40 mil pessoas.
Seu nome é de origem tupi: “Tirime’mbé”, que entre outros significados pode ser compreendido como “Escoar Molemente”, uma ligação com os vários rios e riachos presentes em seu território, com destaque para o Rio Paraíba.
Em 1877, a ferrovia chegou à região e a estação de Tremembé foi inaugurada em 1914, mas, teve vida curta… A linha entre Pindamonhangaba e Taubaté foi desativada em 1951, eliminando a estação de Tremembé, restando à população local a nova estação de Engenheiro Cotrim que ficava fora da cidade. Em 1970, o prefeito tentou derrubar a estação abandonada para construir o paço municipal, porém o povo não deixou e o prédio continuou ali, até hoje.
O futebol na cidade tem uma série de times que fizeram (e fazem) a alegria dos tremembeenses, mas dois times representam verdadeiros patrimônios para o futebol. Um deles é o Clube Atlético Tremembé, o “CAT”!
Fundado em 18 de julho de 1921, o CA Tremembé brilhou nas disputas municipais e regionais. Esse é um dos primeiros times da história do clube:
O CA Tremembé fez história ao disputar o Campeonato do Interior de 1942, no grupo da 24ª Região, que teve o EC Taubaté como campeão.
Vale reforçar que em 1942, o Maristela FC, também de Tremembé, participou do Campeonato do Interior. (Distintivo refeito por Victor Nadal):
Em 1943, o CA Tremembé jogou mais uma vez o Campeonato do Interior, e novamente teve o EC Taubaté como campeão do grupo.
Em 1944, novamente disputou a 24ª Região, com novas equipes, mas novamente com o EC Taubaté campeão.
O CA Tremembé também participou do campeonato de 45 e mais uma vez teve o EC Taubaté campeão!
Em 1946, o time não disputou o Campeonato do Interior, voltando apenas em 1947, quando disputou o Setor 2 da Zona 1, tendo como campeão a AE Guaratinguetá.
Pra quem gosta de boas imagens do passado, a Fanpage “Tremembé das antigas” disponibiliza uma série de fotos da cidade e também do time do CA Tremembé, como essa, justamente de 1947:
A mesma fanpage ainda disponibiliza (sem a menção à data) outras fotos lindas, do time.
E uma imagem de 1955, mostra que o futebol sabe ser “gente boa” quando quer 🙂
O CA Tremembé mandou e manda seus jogos no Estádio Amèrico Texeira Pombo, a “Arena Atlético Tremembé”!
Como a pandemia tirou o futebol do dia a dia, o estádio acabou um pouquinho descuidado, mas vale mostrar como eraa faixa antes desse período:
O Estádio fica no meio da cidade, na Rua André Geraldo da Silva e além da entrada mostrada nas fotos acima, também tem esse portão com o distintivo do clube.
O pequeno portão dá entrada a um mundo mágico, mas a pandemia parece nos impedir de conhecê-lo internamente…
A menos que… A vizinhança dê uma força para conhecer a “Arena Atlético” por dentro de seus muros.
Sem dúvida que a parte mais charmosa e que parece transparecer muita história é a arquibancada coberta!
A mensagem na arquibancada é clara: “Aqui é Atlético!“
Várias árvores ao redor das arquibancadas dão uma cara ainda mais legal pro campo e pra arquibancada.
Esse é o gol da entrada:
Ainda existe uma estrutura bem bacana de bar, vestiário e tudo o que precisa para seguir levando o futebol amador!
Esse é o gol do fundo, com vários eucaliptos dando uma refrescada pro goleiro:
Tem até uma área para a imprensa:
E aqui dá pra ver como o estádio é literalmente “colado” às casas da vizinhança:
Mas… Algumas pessoas do futebol local dizem que o Estádio Américo Texeira Pombo também teria participado do futebol profissional, graças a uma participação especial do segundo time da cidade na 3a divisão de 1957. Trata-se do CREIX!
Esse é o distintivo mais difundido, mas as fotos mostram que o distintivo usado pelo time era outro:
O Clube Recreativo e Esportivo da Indústria do Xisto foi um clube de vida efêmera na cidade de Tremembé, que nasceu para servir aos operários locais.
O time foi fundada em 1956 e disputou a série A3 de 1957.
Segundo nos contaram, embora o CREIX tivesse um campo de futebol, onde atualmente fica localizado o Fórum de Tremembé, eles teriam disputado algumas partidas da A3 de 57 em cidades vizinhas, como comprova a nota da Gazeta Esportiva que o amigo Ivan Gotardo localizou…
E aqui, o amigo e pesquisador do futebol de Taubaté, Moacir (autor do blog https://moataubate.com) me enviou uma matéria sobre o jogo entre o CREIX e a Ferroviária de Pindamonhangaba comprovando que o campo do CA Tremembé foi também a casa do time na série A3 de 1957!
Então… voltemos a olhar o Estádio Amèrico Texeira Pombo, agora dando lhe os devidos créditos de ter recebido jogos da série A3!!
Esse foi o time que disputou a A3 em 1957:
No ano seguinte, o CREIX voltou a disputar amistosos, como em 13/04/1958, quando venceu o Instituto de Reeducação por 3×0 (informação do incrível site História do Futebol.)
A fanpage “Tremembé das antigas” guarda outras fotos do time do CREIX, sem identificação da data:
Aqui uma foto da viagem do time do CREIX para Piquete:
Mais uma cidade com bastante história no futebol paulista que segue se mantendo no amadorismo mas que sem dúvida poderia voltar a se arriscar no profissional!
Há algum tempo que eu vi a chamada dessa série, mas estava com medo de ser aquela coisa muito estereotipada… Mas, como a quarentena oferece um pouco mais de tempo pra se dedicar, decidi dar uma chance e não me arrependo!
A surpresa foi positiva! Um bom painel histórico sobre o fim do século XIX, e como o futebol surge, ainda amador, no dia a dia das pessoas, sejam elas aristocratas burgueses, donos das indústrias ou operários da periferia inglesa, que viam no esporte uma das poucas alegrias da sua vida.
São apenas 6 episódios que contam muito mais do que a história do jogo… O “heroi” local é o escocês Fergus Suter, que se transfere para jogar na Inglaterra, pelo time operário do Darwen.
O Darwen é o primeiro clube de operários a chegar nas quartas de final e acaba desclassificado num jogo bem desleal. Mas… o futuro de Fergus guarda surpresas…
Mas mais do que jogar a Copa da Inglaterra ele se envolve no dia a dia dos operários, nas greves e dificuldades enfrentadas… E como os times do norte passaram a se unir e a se identificar para vencer os times dos “almofadinhas”.
Enfim, sei que nem todo mundo tem acesso à Netflix, mas aquele que por acaso o tenha, não faça como eu, não postergue, comece a assistir hoje mesmo!
Veja aí o trailer:
A 192ª camisa de futebol apresentada no As Mil Camisas veio do nosso rolê pelo leste europeu, e é uma camisa “celebrativa” da Bulgária. comprei pensando que fosse ao menos uma réplica da camisa da seleção, mas sequer possui o distintivo da Federação Búlgara e sim o brasão do país.
Já escrevemos sobre nosso rolê por Sófia e o futebol local (clique aqui e leia se tiver curiosidade).
Além de toda história do futebol local, a seleção búlgara marcou a minha geração (quem nasceu no fim dos anos 70) com o time de 1994, que chegou em 4º lugar na Copa do Mundo.
Na época, o mundo todo se apaixonou por Hristo Stoitchkov, que terminou como artilheiro da Copa do Mundo.
Mas a seleção da Bulgária tem ainda uma outra relação comigo, é que em 1976, eles estiveram no Brasil e jogaram um amistoso contra o EC Santo André, que terminou em 0x0.
Enfim, aí estão os “demônios da Europa”!!
O ano era 2009, e em um rolê aleatório pelo sul de Minas Gerais, nos levou à cidade de Guaranésia!
Quase 20 mil pessoas vivem em Guaranésia, e vivem da indústria, da pecuária e do comércio. E parte da diversão das pessoas, está ligada ao futebol por meio do Guaranésia FC.
O Guaranésia Futebol Clube foi fundado em 9/9/1929 e mandava seus jogos no Estádio do Clube Operário Recreativo (CORE), um campo localizado no centro da cidade, onde hoje é a Fábrica de Tecidos Santa Margarida. Acabou “desalojados” pela fábrica, e passaram a mandar os jogos no Estádio Mario Ribeiro Lima Filho, hoje o Campo do Cruzeiro. Até que em 1937, a prefeitura doou o terreno para a construção do Estádio Francisco Lopes, o atual campo do Guaranésia.
É um estádio modesto, mas com muita história no futebol amador da região.
Na época da visita, ainda havia ali uma sede social do Guaranésia FC.
Aqui, uma imagem aérea disponível no site da prefeitura:
O excelente blog Guaranésia em Memória também apresenta fotos do Guaranésia Futebol Clube de antigamente.
“Se o mundo é mesmo parecido com o que eu vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito.” Então, nesse 11 de agosto de 2019, a estrada logo cedo nos levou a um estádio que ocupa lugar especial no meu coração: Décio Vitta, em Americana, a casa do Rio Branco, o tigre da paulista!
Como sempre, tá aí a nossa parte pra apoiar o futebol local!
O Décio Vitta é um estádio muito bacana e só depois de passar a catraca e “descer o morro” é que se chega às arquibancadas.
E se não bastasse toda história, estrutura e tradição… Ta aí o bar, com seus quitutes mais que especiais!
Outro diferencial é a loja do Tigre, dentro do estádio e vendendo não só a camisa oficial mas uma série de outros itens, como esse moleton muito louco!
Embora o jogo fosse decisivo pra equipe local, a cidade estava recebendo vários eventos (de encontro de carros antigos a passeio ciclístico) e o público ficou um pouco abaixo do que o de costume para uma equipe de tanta tradição, como o Rio Branco EC.
Vamos dar uma olhada geral no estádio!
Reforço o carinho que será eterno por esse amigo que nos deixou tão cedo e que era tão querido por todo mundo. Valeu Rogérião!
Mas, mesmo sem seu eterno presidente e amigo, a Malucos do Tigre segue apoiando o Rio Branco, mesmo nesta tão dolorosa 4a divisão estadual.
Fica um alô especial para os amigos de bancada e de som!
Vale lembrar que a Malucos tem esse nome em referência a Raul Seixas e é uma das poucas torcidas que nasceu focada muito mais no rock do que em outros ritmos.
Começo de jogo com todo cerimonial exigido pela Federação, da entrada dos times ao hino nacional.
O jogo começa quente e muito corrido, como acontece em quase todos os jogos da série B do Paulista, que é na verdade, uma competição sub-23.
Se não dá pra entrar em campo, na bancada, embaixo de sol, a Malucos faz sua parte e canta o tempo todo, sonhando com dias melhores, em outra divisão.
Do outro lado, a valente Torcida Força Jovem do AD Guarulhos esteve presente com suas faixas e apoio ao time da grande São Paulo. Forte abraço ao Rapha “Cabelo” e demais amigos que compareceram. Futebol sem torcida visitante não tem graça.
E se o jogo estava quente, pegou fogo, ainda no primeiro tempo quando o Rio Branco começou a garantir sua presença na terceira fase com o gol de Thiago, numa cabeçada que matou o goleiro visitante, ainda na metade do primeiro tempo.
Festa em Americana nas cobertas e nas numeradas, que também receberam um bom público para os padrões da série B, mas ainda abaixo do potencial da torcida do Rio Branco.
O segundo tempo apresentou oportunidades para os dois lados, mas sabendo da sua condição de classificação como um dos 4 melhores terceiros, o AD Guarulhos não demonstrou muita preocupação em buscar o empate, o que não significa que não criou chances para isso.
Assim, o jogo foi se encaminhando para o seu final, com a vitória magra, mas suficiente por 1×0 e só nos restava registrar a nossa presença mais uma vez neste templo do futebol do interior paulista que é o Estádio Décio Vitta.
Finalmente o técnico Marcos Campangnollo conseguiu ter um pouco de sossego e agora terá 6 jogos para decidir o futuro do Rio Branco.
Apita o árbitro…
Antes de ir, um último olhar para a faixa da Malucos, e a certeza de que nessa vida, tudo o que vale são as amizades e aquilo que construímos com nossas atitudes.
Lembrei de 2012, quando estivemos aqui celebrando o título e que emocionado, registrei o Rogérião falando sobre o título.
Boas lembranças para nos motivar a seguir nessa caminhada de cada um, enfrentando nossos desafios. Pra torcida do Rio Branco, vitória garantida, hora de ir pra casa e comemorar o dia dos pais, já sonhando com a próxima fase, que contará com adversários cada vez mais complicados. A mesma coisa serve para os meninos do AD Guarulhos.
Mais uma vez, obrigado ao pessoal da Malucos do Tigre por nos receber tão bem! Abraços e vida longa à torcida!
Ah, nada como curtir um tempo na praia… Ainda mais quando dá pra integrar esse tipo de lazer a um local tão importante na história do Brasil, e que não tem o reconhecimento merecido. Hoje, vamos falar da história e do futebol de Peruíbe, cidade onde vivem mais de 67 mil pessoas.
Primeiro, pra quem não sabe, Peruíbe é uma cidade no litoral sul de São Paulo, entre Itanhaém e Iguape há pouco mais de 130 km de São Paulo. Dá uma olhada no Google Maps pra ver como é próxima de Santos:
Além da fama das praias, muitos conhecem Peruíbe pela questão ecológica graças à incrível reserva da Jureia e também ao seu potencial místico, onde seria possível contatar diferentes formas de vida e também alienígenas, graças a energia do lugar.
Falando em energia, nos anos 80, a cidade esteve muito perto de receber uma usina nuclear, fruto da mente dos militares, mas a população local conseguiu barrar essa loucura, como se pode perceber na matéria do Jornal Globo da época:
Mas Peruíbe vai além dessa conceituação inicial.
O termo Peruíbe, como a maioria dos termos indígenas, tem várias possibilidades de significado. A mais aceita é que nasce da união dos termos tupis: iperu (tubarão) + ‘y (rio) + pe (em): Iperuype, que significaria “no rio dos tubarões”.
A história desse lugar é mágica.
Primeiro porque fora ocupada há séculos, muito antes da invasão europeia do século XVI. Aí viviam várias aldeias indígenas tupi-guaranis (os tupis lutaram desde a era cristã pela ocupação do litoral brasileiro). Atualmente, ainda resistem indígenas vivendo por ali. Existe inclusive um projeto de integração e vivência que pode ser conhecido por esse vídeo:
Ainda nas primeiras décadas (nos anos 30) do século XVI, a região faria parte da Capitania de São Vicente, cujo donatário era Martim Afonso de Sousa.
Me chama a atenção o fato de que este foi um dos primeiros lugares onde se deu as relações entre europeus e indígenas, por meio dos jesuítas.
Os registros históricos indicam que em 1549, já havia a presença de um padre conhecido como Leonardo Nunes (apelidado pelos indígenas de Abaré-bebé (“Padre Voador“, já que ele costumava viajar muito) a frente da Igreja de São João Batista, que atualmente ainda existe e pode ser visitada!! Quer dizer… o que sobrou dela, é chamada de Ruínas do Abarebebê. Nós estivemos por lá pra conhecer e recomendamos o passeio pelo valor histórico!
Vale lembrar que nesta época, essa região era conhecida como Aldeia de São João Batista e fazia parte do povoado que daria início à Vila da Conceição de Nossa Senhora, futura Itanhaém. Anos mais tarde, após sofrerem uma série de ataques de outros índios, os jesuítas e índios que aí viviam se mudaram para a atual localização da cidade de Itanhaém. Peruíbe só conquistaria sua emancipação política, séculos depois, em 1958, tornando-se um município independente, graças a ação de vários políticos, entre eles, João Bechir.
Para que essa lembrança não fosse facilmente apagada, o então vereador dá atualmente, nome ao estádio municipal da cidade!
Pois é… Sempre reclamei do litoral sul ter pouca atividade quanto ao futebol profissional, Mas… Acabamos colaborando com esse “descaso”, já que não assistimos a um jogo sequer do Peruíbe Futebol Clube, que teve uma breve vida no futebol profissional, em 2016.
O Peruíbe FC nasceu em 2014, ainda dentro do futebol amador, mas com a criação da Taça Paulista, organizada pela Liga de Futebol Paulista, o time teve a oportunidade de se profissionaliza, nessa que seria uma “federação paralela” à Federação Paulista de Futebol, criada pela advogada Gislaine Nunes.
A Taça Paulista foi a primeira competição organizada por eles e contou com 34 times (entre equipes até então amadoras e profissionais licenciados) e teve como camepão o time da Ranchariense ( já estivemos por lá, clique aqui e veja como foi):
A liga ainda existe, e atualmente se apresenta como “Liga Nacional de Futebol“.
Pois bem, embora a campanha do Peruíbe FC não tenha sido das melhores, o time levou o nome da cidade até uma competição profissional pela primeira vez.
O Peruíbe FC manteve sua atuação na Liga Paulista em 2017 e 2018, embora nesses anos, o time tenha mandado seus jogos em outras cidades, já que infelizmente a diretoria do clube e a Prefeitura Municipal não conseguiram chegar em um acordo e o Estádio João Bechir parece ter se despedido das disputas profissionais.
Sendo assim, vale um olhar para o Estádio, torcendo por dias melhores.
Incrível como a história se repete, dessa vez nos esportes… Uma cidade e sua população sem valorizar a cultura local, perde o time que até então defendia as cores e o nome de Peruíbe.
A nós, resta observar como as coisas vao se ajeitando, uma vez que os atuais proprietários do clube tornaram-se proprietários do Real Cubatense, time de Cubatão que disputa o São Paulo Cup (outra nova competição profissional).