
O futebol profissional em Guararapes

Mais uma cidade que é pouco citada quando falamos de futebol, mas que tem grande história dentro das competições profissionais da Federação Paulista! Depois de passar por Monte Alto, Guariba, Bebedouro, Monte Azul Paulista, Severínia, Riolândia, Cardoso, Votuporanga, Fernandópolis, Palmeira d’Oeste, Aparecida d’Oeste, Ilha Solteira, Pereira Barreto, Auriflama e Araçatuba, vamos conhecer Guararapes, seu estádio e seus times de futebol!

Enquanto escrevo este post, passamos por uma semana super chuvosa dentro da primavera (já no fim de outubro de 2021) e fico lembrando da secura que estava esse dia que passamos por Guararapes… Até o céu parecia empoeirado…

Guararapes tem um nome curioso, que nasce de um vocábulo indígena que significa “o caminho dos lobos”. O nome só foi adotado a partir de 1934, mas a ocupação surgiu em 1908, com uma primeira família (“Pinto de Oliveira”) que adquiriu terras na localidade.
Aos poucos novas famílias foram chegando, impulsionadas pelo avanço da Estrada de Ferro Noroeste e com o surgimento da Estação Ferroviária.

A estrada que liga Araçatuba à Guararapes estava bastante florida!

A igreja no centro da cidade:

A cidade pode se honrar em ter um Estádio Muncipal de Beisebol, o “Wilton Motomatsu“.

Nosso objetivo em Guararapes era conhecer e registrar o Estádio Municipal Adelmo Almeida, a casa do futebol profissional (e do amador também) da cidade! Essa é uma das entradas do Estádio:


O Estádio atualmente está sem identificação, o que é uma pena…

Só o pessoal da pixação que tem identificado seus nomes ali na bilheteria…

Essa é outra entrada, no lado da arquibancada:


Não encontrei (ainda) um documento que comprove a data da inauguração do Estádio Municipal Adelmo Almeida, mas vários sites dizem que o Estádio foi “pensado” pelo próprio senhor Adelmo Almeida, quando ele esteve na inauguração do Estádio do Pacaembu (abril de 1940). Aqui uma imagem de quando o campo ganhou cara:

Aqui, a arquibancada antiga do estádio:

E aqui, quando seu primeiro cercamento de madeira foi construído:

O estádio tem capacidade para quase 5 mil torcedores. Essa é sua principal arquibancada!

Esse é o gol do lado esquerdo:

Esse é o gol do lado direito:

Embora muito bem cuidado, a seca machucou o gramado… Mas é sempre um lindo visual, ver um gol e a arquibancada ali ao lado…

Vamos dar uma volta por ele, pra você poder conhecer melhor o visual do Estádio Municipal Adelmo Almeida.
Esse é o outro lado (por onde entrei):


Ao fundo, o detalhe da cidade ainda bastante horizontal, sem nenhum prédio para romper o céu empoeirado…

A pedra fundamental do campo trazia apenas uma informação sobre a iluminação do Estádio.

Aqui dá pra ver melhor a arquibancada e ao meu lado o banco de reservas:

Aliás, a arquibancada possui ainda uma estrutura dedicada à imprensa, naquelas cabines amarelas.

O entorno do campo é bastante utilizado pelas pessoas que gostam de caminhar ou correr e possui lindas e frondosas árvores.

Para falar da história do futebol profissional em Guararapes é necessário lembrar a trajetória de 3 times. O primeiro deles é o Grêmio 8 de dezembro, que nasceu em 1962, com uma ligação tão forte com a cidade que seu distintivo era o brasão da cidade e seu nome a data da emancipação da cidade!

O Grêmio 8 de dezembro defendeu a cidade em 2 edições do Campeonato Paulista da Quarta Divisão: 1963 e 64. E nesses mesmos 2 Campeonatos, não é que a cidade teve um outro participante? Tratava-se da Sociedade Esportiva Palmeiras, fundada em 1956 por torcedores do verdão, e que justo naqueles 2 anos decidiu participar do profissional.

Aqui, a classificação dos times em 1963:

Aqui, a classificação dos times em 1964:

Após o campeonato de 1964, as duas equipes acabaram se licenciando e para o seu lugar, surge o Guararapes Esporte Clube.

O time era um resgate ao seu homônimo que surgira anos atrás, da fusão do Star Futebol Clube e da Associação Atlética Brasil. Mas essa primeira tentativa, que ocorreu em 1960 acabou não dando certo.
Assim, o “novo” Guararapes Esporte Clube foi fundado em 2 de dezembro de 1964, para dar sequência à história do futebol profissional na cidade, e em 1965 passa a disputar a Quarta Divisão, terminando o campeonato na 4a colocação do seu grupo (a 6a série):

Em 1966, o time foi melhor e classificou-se para a segunda fase em 3º lugar do seu grupo:

O Gurarapes EC acabou desclassificado na segunda fase, terminando na segunda colocação .

Infelizmente as duas participações do time na quarta divisão acabaram não gerando as condições de manter o time no profissional e o Guararapes EC acabou se licenciando e deixando a cidade sem representante no futebol profissional.
O resgate do futebol em Guararapes se daria apenas em 1981, com o retorno do Guararapes EC disputando a série A3 daquele ano. Essa foi a primeira fase:

E essa a classificação da segunda fase:

O Guararapes EC disputou a Terceira Divisão até 1992, quandio novamente se licenciou.
Destaque para a campanha de 1991, quando esteve a um passo da fase final que garantiria o acesso. O time começou bem e liderou a primeira fase (jogavam contra os times da sua série (G) e de outras três séries que completavam o Grupo IV).

A segunda fase era um quadrangular com times das outras séries que completavam o Grupo IV.

A terceira fase reunia os campeões dos grupos e o time do Guararapes EC acabou perdendo a classificação para a fase final ao empatar em casa com o São Caetano.

Navegando pela fanpage dos fãs do time encontrei várias fotos dos times que disputaram estes campeonatos, infelizmente muitas delas sem a data, mas vale a pena conferir:





O “Lobo guará” ainda tentou um retorno ao futebol, para disputar a Quinta Divisão do futebol paulista (na época a série B2) de 1999 e a de 2000, mas… Aquele seria o último respiro do futebol profissional em Guararapes…
O urubu nas cabines mantém seu olhar para o campo, como se algo ali tivesse morrido… Será?

Uma cidade importante… Uma história tão rica no futebol… Será mesmo que nunca mais veremos o Guararapes EC em campo?































O autor já é figurinha carimbada aqui no blog: Kleber Monteiro, que recentemente lançou o “Da Lama à Grama”, sobre a terceira divisão do futebol carioca (
Em razão dos problemas economicos que o país atravessa, o Kléber já está realizando a pré compra das camisas, pois elas só serão feitas sob encomenda.
Não é necessário pagamento adiantado. O interessado escolhe quando recebê-la, no momento da entrega ou quando o livro sair (segundo semestre de 2021).
Pedidos e maiores informações através do WhatsApp: (21) 997915589 com o próprio Kleber Monteiro.
Já estivemos em Paraguaçu registrando seu estádio (
Nasciam as séries A1, A2 e A3, e uma inexplicável reorganizção dos times, obrigou o EC Paraguaçuense a disputar a série A2 e não a série A1, pela qual conquistou o direito, em campo.
O EC Paraguaçuense não tinha forças para bater de frente com a decisão da Federação Paulista e seguiu jogando a série A2 até 2002 quando acabou rebaixado para a série A3. Em 2007, decide abandonar o futebol profissional.
Mas… e o troféu? Porque no
Aqui, a equipe de repórteres da Rádio Marconi, da época que cobriam os jogos: Adauto Marinho, Bacca, Chico Carlos, Pedrinho Militino e o próprio Amarildo!
Aliás, o amigo Amarildo acabou representando a força da torcida ao colaborar com seus arquivos pessoais que reforçam e documentam a conquista.
A TV TEM (afiliada local da Rede Globo) até foi ao Estádio pra fazer uma matéria sobre a chegada do troféu!
Festa mais que merecida, e com direito a vários protagonistas dessa história! Aqui, com Arlindo Mazzi, “Pilão”, ex-zagueiro do EC Paraguacuense nos anos 90.
Aqui, o troféu com Nivaldo Francisco da Silva, o presidente que conquistou o título, em 1993 e o atual presidente Petrus Ricardo, que conseguiu buscar o troféu.
Esse é o motorista Tonanha, que transportava o time nos treinos, jogos por todo interior, e que é muito querido por todos:
Na foto abaixo, o Amarildo reuniu Nivaldo Francisco da Silva (o presidente de 1993), Elzinha Pacheco (Secretaria de Educação Esportes e Cultura), Gilberto (ex jogador anos 90), e Júlio Cesar (atual secretário do EC Paraguacuense):
Aqui: Chico Carlos (repórter da época), Pilão (jogador anos 90), Carlão (diretor nos anos 90), Bacca (repórter da época), Manga (goleiro reserva da época do título de 1993), Chaleira (goleiro nos anos 80), Dinho (dirigente da época), e Adauto Marinho (repórter da rádio Marconi da época de 1993).
Que a conquista possa representar um novo momento e quem sabe incentivar a volta do Paraguaçuense ao futebol profissional!
Como o próprio distintivo demonstra, a AA Avareense acaba de completar seu centenário (fundação em 5 de junho de 1920) em meio à pandemia do Coronavirus.
A camisa foi um presente da própria diretoria de futebol, quando estivemos em Avaré visitando o Estádio da Avareense.
Em 1942, jogou a 5a região ao lado do Cerqueira César FC, Piramboia FC (Anhembi), AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, além da AA Botucatuense, do Bandeirante FC (Botucatu) e da Ferroviária de Botucatu que se classificou para a sequência do Campeonato.
Em 1943, jogou a 5a região ao lado do Cerqueira César FC, CA Lençoense, AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, AE Laranjalense, além da AA Botucatuense e da Ferroviária de Botucatu que se classificou para a sequência do Campeonato.
Em 1944, jogou a 5a região ao lado do Cerqueira César FC, CA Lençoense, AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, além da Ferroviária de Botucatu, que se classificaria para a sequência do Campeonato.
Em 1945, disputou a 5a região, ao lado do CA Lençoense, AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, além da Ferroviária de Botucatu e a AA Botucatuense, que se classificaria para a sequência do Campeonato.
Em 1946, disputou a 4a zona ao lado dos times de Botucatu: Bandeirantes, Ferroviária e a AA Botucatuense, que se classificaria para a sequência do Campeonato.
E se os anos 40 foram animados, os anos 50 viram a AA Avareense passar a disputar o futebol profissional pela primeira vez em 1954, quando jogou a série A3.
Os anos 60 ainda viriam outras cinco edições do Campeonato Paulista da Série A3 (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965).
Atualmente, o departamento de futebol do clube se dedica apenas a competições amadoras.
Aqui, um vídeo com algumas entrevistas com figuras históricas do time:
Já escrevemos sobre nosso rolê por Sófia e o futebol local (
Além de toda história do futebol local, a seleção búlgara marcou a minha geração (quem nasceu no fim dos anos 70) com o time de 1994, que chegou em 4º lugar na Copa do Mundo.
Na época, o mundo todo se apaixonou por Hristo Stoitchkov, que terminou como artilheiro da Copa do Mundo.
Mas a seleção da Bulgária tem ainda uma outra relação comigo, é que em 1976, eles estiveram no Brasil e jogaram um amistoso contra o EC Santo André, que terminou em 0x0.
Enfim, aí estão os “demônios da Europa”!!
No dia seguinte, registramos o primeiro jogo do Ramalhão, tendo como adversário a Ponte Preta, jogando lé em Campinas, no Estádio Moisés Lucarelli.
Uma noite incomum pro verão paulista, com muita chuva e até certo frio foi o cenário de praticamente todos os 90 minutos de jogo.
Mas a nossa torcida topou aguentar essa água na cabeça e compareceu ao estádio da Macaca.
O nosso time estava completamente novo. Fomos a campo da seguinte maneira:
Fernando Henrique; Ricardo Luz, Luizão, Rodrigo e Julinho; Nando Carandina (Paulinho), Dudu Vieira, Vitinho (Rondinelly) e Branquinho (Guilherme Garré); Douglas Baggio e Ronaldo. Téc: Paulo Roberto Santos
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Foto de:
Nossa torcida também fez bonito e compareceu, entre organizadas e torcedores “autônomos”.
No segundo tempo a festa ficou maior pra nós! 2×1!!!
Mas nem deu tempo de comemorar muito e a Ponte empatou.
Já fazia tempo que o Santo André não ganhava da Ponte em Campinas, e o que parecia difícil, aconteceu.. Nosso terceiro gol!!
Que o Paulistão siga forte e cada dia melhor!
Da nossa parte, pode contar! Estarmos nas bancadas!
Valeu, Ramalhão!
O jogo aconteceu no Estádio António Coimbra da Mota, a casa do GD Estoril Praia.
Já o Feirense, foi fundado em 18/3/1918 e você pode saber mais sobre o time nesse vídeo celebrativo dos 100 anos do time:
Nem bem entramos no estádio e já nos sentimos em casa…
Deu até pra trombar o mascote do Estoril, o canarinho, que é uma homenagem ao…. Brasil sil sil!
Chamam a atenção as bandeiras de mastro, coisa que a gente aqui de São Paulo, não vê assim no meio da bancada há muitos anos…
Vamos sentir um pouco o clima do jogo:
Ah, o pessoal responsável pela festa na arquibancada local é o “Gruppo Estoril Supporters”.
Vamos ouví-los um pouco mais!
Ah, a torcida visitante também se fez presente por meio do pessoal do Civitas Fortíssima 1514.
Em campo, um jogo duro, como é o futebol das divisões de acesso de qualquer país.
Muitos lances de bola aérea e bola parada.
O time do GD Estoril tentava criar, mas a zaga do Feirense esteve bastante sólida e com jogadores mais fortes fisicamente.
Assim, o primeiro tempo entrava na sua fase final e o placar seguia inalterado.
Mas após um início mais disputado, a equipe visitante passou a se tornar mais ofensiva, levando grande perigo ao gol do GD Estoril.
Chegaram a perder um penalty…
Pelo que eu ouvi dos torcedores locais, ter muitos jogadores brasileiros na equipe já é uma tradição para o Estoril, mas confesso que não consegui reconhecer nenhum rosto entre os atletas da canarinho.

Do outro lado do campo, onde estão os visitantes, há mais um grande lance de arquibancada descoberta.
Ao fundo do gol esquerdo, também mais um lance de arquibancada.
Já no outro gol, existe uma estrutura de apoio do clube.
E com o fim do primeiro tempo, vale conhecer a lanchonete e a loja do time do Estoril Praia:
O segundo tempo começou com o torcedor local um pouco mais preocupado.
O treinador local tentou mexer no jogo trocando alguns jogadores (e olha que beleza os bancos de reserva…):
A torcida seguiu no apoio e no incentivo…
Mas, o empate não veio, e já nos acréscimos o Feirense fez 2×0 com Fábio Fonseca, para a tristeza do público local.
Pra nós, a possibilidade de começar o ano com um jogo na gringa foi sensacional! Valeu cada centavo economizado durante o ano! Que tenhamos todos um ótimo 2020, com muito futebol, justiça social e melhores dias do que os do ano passado.
O time acabou ficando conhecido do torcedor brasileiro porque é meio que “figurinha carimbada” na Copa Libertadores de América. Esse ano, o time enfrentou o Flamengo na fase de grupos!
O time foi fundado em 19 de março de 1942, dentro do acampamento dos mineiros que trabalhavam na “Mina São José”, infelizmente mais um lugar onde o trabalho abusa da saúde e das condições humanas. Parte dela, fica atualmente dentro de uma igreja e acabou virando ponto turístico.
O CD San Jose Manda seus jogos no Estádio Jesús Bermúdez, com capacidade para 39.000 torcedores.
Outra razão que fez o San José ficar bem conhecido foi por ser o time de Evo Morales (presidente da Bolívia desde 2006). Ele chegou até a jogar lá!
O time chegou a ser campeão boliviano por duas ocasiões, a primeira delas em 1995, com este time:
A segunda vez, em 2007, com o time abaixo:
Além destes títulos, o San Jose teve ainda dois vice campeonatos em 92 e 93.
No Brasil, o time ficou marcado por causa da “Tragédia de Oruro”, quando numa partida contra o Corinthians pela Libertadores de 2013, torcedores corintianos utilizaram de modo errado fogos de artifício e acabaram atingindo e levando à morte o jovem torcedor Kevin Beltrán Spada.