Dando sequência aos Estádios visitados durante nosso rolê por Sergipe, agora vamos fazer 3 posts falando dos principais estádios da capital, Aracaju!
Vale reforçar que a cidade de Aracaju é um incrível passeio, uma das opções mais baratas do Nordeste e que possui uma orla bem diferente do que estamos acostumados. Graças ao cuidado especial com a proteção ambiental, a avenida beira mar é beeem longe da areia.
Além do mar, a cidade é cortada pelo rio Sergipe, o que dá uma dinâmica diferente já que o rio é grande, e praticamente corta a cidade formando o chamado bairro da Coroa do Meio, que por pouco não é uma ilha.
Aqui é o local do encontro do rio com o mar.
As praias mais bacanas ficam no litoral sul, e uma delas, a praia do Náufrago, guarda um fato curioso: um cemitério onde estão enterradas as pessoas que naufragaram após seus navios serem bombardeados por navios alemães nazistas.
O nome Aracaju pode ser compreendido como “cajueiro dos papagaios”, imagina o que era esse lugar antes da chegada dos europeus… Por aqui, viviam uma grande diversidade de povos: Tupinambás, Caetés, Xocós, Kiriri, Fulkaxó, Boimé, Karapotó, Kaxagó, Aramuru… Pedi uma ajuda pra Inteligência artificial criar uma imagem do que seria uma pessoa daquela época…
O desaparecimento destes povos se iniciou no início do século XVI (com a morte de importantes líderes locais como os caciques Serigy e Pacatuba que chegaram a se unir com os franceses para combater o invasor português) e se firmou no século XIX, devido à política indianista do Império do Brasil que publicou a Lei das Terras em 1850, declarando as Terras como de Domínio Público. Pra piorar, acabaram vítimas de um perverso apagamento histórico, como se a história de Sergipe se iniciasse com os povos brancos…
Aracaju nasce em 1855, por pressão dos produtores de açúcar que precisavam de um porto para escoar melhor seus produtos. Em 1914 chega a estrada de ferro, vinda de Salvador. (foto do site Capital do Agreste):
Aracaju foi uma das primeiras capitais planejadas já que teve que ser construída em uma área cheia de pântanos e charcos, que nasce na praça Fausto Cardoso e a partir daí tem as ruas construídas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, desembocando no Rio Sergipe.
Só nos anos 80 a cidade despertou para o potencial turístico, com novos hotéis e com a construção da Orla da praia de Atalaia, o principal cartão-postal da cidade. Mas antes disso, desde 1º de maio de 1936, já existia um motivo de orgulho para a cidade: a Associação Desportiva Confiança (já escrevemos sobre o time, veja aqui como foi).
Nosso rolê dessa vez nos permitiu ir até a casa do ADConfiança: o Estádio Proletário Sabino Ribeiro, nome que homenageia um dos fundadores do clube.
Olha que linda a imagem aérea disponível no site do time.
O Estádio Proletário Sabino Ribeiro fica no Bairro Industrial e tem capacidade para 5 mil torcedores. A foto abaixo é do site Info Net, uma vez que não tivemos permissão para fotografar a parte interna do estádio.
O Sabino já foi palco de vários jogos importantes na história do Dragão, desde 1955. Atualmente, o estádio virou Centro de Treinamento.
Confesso que já é desanimador quando não conseguimos entrar no Estádio, mas quando além disso os seguranças tratam a gente mal… É de perder qualquer boa vontade com o rolê…
Enfim… que os dirigentes possam entender que não há nenhum mistério na parte interna do estádio capaz de impedir uma visita…
Como dissemos no post sobre o Estádio André Avelino, o rio São Francisco divide os estados de Sergipe e Alagoas representados respectivamente pelas cidades de Canindé de São Francisco e Piranhas.
E é hora de conhecer um pouco sobre o lado alagoano do São Francisco!
Também dissemos no post sobre Canindé do São Francisco, que há milhares de anos esta região já era ocupada por povos de diferentes culturas, que buscavam a região pela facilidade que a proximidade com o rio oferecia. A peça abaixo está exposta no MAX – Museu de Arqueologia do Xingó, do outro lado do rio.
Com a chegada dos europeus, a vida local mudou e o século XVII viu surgir uma ocupação “moderna” que recebeu a denominação de Tapera e que depois foi mudada para Piranhas, graças a um tal riacho das Piranhas que eu não consegui encontrar…
Assim como muitas das cidades de São Paulo que visitamos cresceram, Piranhas também se desenvolveu graças à Ferrovia, que ligou Piranhas à Recife. Essa era a antiga estação, que hoje abriga o Museu da Cidade (que infelizmente está em reformas…) onde existem várias fotos de Lampião.
Mas a navegação também ajudou, conectando a cidade a Penedo, lá no litoral alagoano.
Piranhas é uma cidade mágica. Se eu não tivesse a conhecido, diria que é algo da imaginação de algum escritor do século XIX. Um verdadeiro paraíso no sertão alagoano, cortado pelo rio São Francisco.
Pouco mais de 25 mil pessoas vivem em Piranhas, mas a cidade recebe um grande número de turistas durante todo o ano, seja pra conhecer as atrações do rio São Francisco, seja para curtir a pacata cidade, única do Nordeste tombada como Patrimônio Histórico.
Outro importante ponto que eu quis visitar é a sede da Prefeitura da cidade. Talvez você não reconheça o local porque eles mudaram a escada de formato…
Mas foi nessa escadaria que as cabeças de Lampião e de parte da sua gangue ficaram expostas, depois de terem sido assassinados do outro lado do rio, já na cidade de Poço Redondo, na Gruta do Angico. O site Lampião Aceso coloriu a tradicional foto preto e branco desse episódio sádico.
Aliás, Piranhas é cenário de muitas histórias do Cangaço, e acabou se aproveitando disso vendendo artesanato e passeios pelo rio que levam até a trilha para a Grota de Angico.
E bem próximo das margens do rio São Francisco está um dos estádios da cidade, no centro histórico: o Estádio Barrancão.
Próximo ao Estádio fica a sede do Rocinha Futebol Família.
Segundo matéria do G1, o grande rival da Rocinha é a Mangueira, homenageando dois tradicionais morros do Rio de Janeiro.
Olha que visual incrível do campo, ali tão pertinho do rio…
Dando uma pesquisada, descobri que embora não exista uma equipe profissional em Piranhas, o Estádio Barrancão recebeu partidas do Campeonato Alagoano sub-20 de 2023, tendo o AD Força Jovem como mandante!
Talvez surja daí um novo time no profissional!
Graças ao Campeonato, o Estádio ganhou melhorias como um sistema de iluminação e reforma da arquibancada.
Um lugar tão lindo, merece um time que jogue um futebol assim bonito também, tomara que o futuro dos times locais seja de muito sucesso!
Voltando a falar do rolê que marcou o fim de 2023 e o começo de 2024, quando atravessamos o estado do Sergipe para conhecer a caatinga, o rio São Francisco, e claro alguns estádios, hoje vamos falar do Estádio André Avelino, na cidade de Canindé de São Francisco.
A cidade é conhecida por ser cortada pelas águas do rio São Francisco, ali onde fica a Usina Hidrelétrica de Xingó.
Além disso Canindé faz fronteira (dividida pelo rio São Francisco) com a cidade de Piranhas (já em Alagoas) e com Poço Redondo (onde fica a Grota de Angicos, lugar em que Lampião e boa parte de seu grupo de cangaceiros foram assassinados).
Ah, e tem os incríveis Cânions de Xingó, formados pela erosão das rochas pelo rio São Francisco ao longo de milhões de anos, em conjunto com o soerguimento tectonico da crosta terrestre.
O rio São Francisco é mágico… Um rio vivo, forte, imponente!
Poder ter nadado lá foi inesquecível…
A região tem seus doces detalhes, como as cocadas…
E tem ainda o MAX – Museu de Arqueologia de Xingó da Universidade Federal de Sergipe (UFS), inaugurado em abril de 2000 para colaborar com a preservação do patrimônio arqueológico do Baixo São Francisco, realizado pela UFS de 1988 à 97.
Normalmente falamos dos povos originários que viviam nas cidades visitadas, na época da chegada dos europeus, mas o MAX nos apresentou os povos que viviam nessa região há mais de 3 mil anos atrás!
Uma cidade tão especial merecia ter um time né? Então conheça o Clube Desportivo Canindé!
O Clube Desportivo de Canindé do São Francisco chamado apenas de “Canindé” foi fundado dia 22 de fevereiro de 2000.
O time fez sua estreia no profissionalismo em 2004, no Campeonato Sergipano da 2ª divisão, a atual série A2. Em 2007, terminou na 3ª colocação e no ano seguinte, acabou vice campeão, conquistando assim o acesso para a inédita primeira divisão!
Infelizmente, em 2009, o time terminou na 10ª colocação e retornou para a segunda divisão. Permaneceu ali até 2013, quando a 3ª colocação levou o time novamente à série A1. Em 2014, o time termina em 9º e volta para a segunda divisão, onde fica até os dias atuais. Este foi o time de 2021:
Em 2023, terminou na 3ª colocação, muito perto de um novo acesso que acabou não vindo, com o time:
Vale lembrar que o CD Canindé tem tradição em montar equipes femininas!
Após termos publicado esse post, o amigo e jornalista Luiz Fernando Gaspar mandou a foto da camisa que ele usou quando jogou pelo CD Canindé na A2 do Sergipano, em 2005.
O CD Canindé do São Francisco manda seus jogos no Estádio André Avelino, o “Andrezão”, e nós fomos até lá para conhecer e registrar mais um templo do futebol!
O Estádio pertence ao Governo Municipal e tem capacidade para 2.200 torcedores.
O Estádio possui esse detalhe bem diferente: o nome escrito no paredão de grama atrás do gol da esquerda:
Aqui, o meio campo:
E aqui, o gol da direita:
As duas cabines para transmissão bem na parte central do estádio:
Aqui, o lance de arquibancada que fica atrás do gol:
Nossa Senhora da Glória é conhecida pelos moradores e pelo povo sergipano como “Glória”, sendo o município mais populoso do sertão sergipano.
Vale reforçar que quando os europeus chegaram ao território brasileiro encontraram diversos povos que já viviam por aqui há milhares (sim, milhares) de anos. As terras do Sergipe eram habitadas por povos como os Tupinambás e os Caetés. Atualmente, o povo Xocó ainda permanece em diversos territórios.
A povoação surgiu por servir de parada aos que se dirigiam ao sertão, principalmente à cidade de Cotinguiba, popularizando a expressão “dormir na boca da mata” e dando nome à povoação de “Boca da Mata“. Foi se desenvolvendo uma economia pastoril, que acabou com a mata que dava nome e cobria o solo daquela região, e também surgiram plantações de mandioca, milho, feijão e algodão. Em 1922, a lei nº 835 constituiu o povoado “Boca da Mata” e em 1928, deu-se a Emancipação Política do município. O nome Nossa Senhora da Glória refere-se à santa homônima, consagrada pelo pelos religiosos do lugar. Atualmente, cerca de 41 mil pessoas vivem em Glória e tem uma galera que curte rock, dando origem ao Festival Rock Sertão, que em 2023, teve como participante os punks do Ratos de Porão!
Falando do futebol, além de diversos times amadores, a cidade conta com uma equipe disputando os Campeonatos Profissionais: a Associação Desportiva Atlético Gloriense, time fundado no dia 14 de janeiro de 2008, como mostra seu distintivo original:
O time estreou na série A2 do Campeonato Sergipano de 2008, e em seu primeiro ano terminou na 4ª colocação. Em 2009 e 2010, terminou em 5º e em 2011, em 6º. Em 2012, se licencia do profissionalismo e retorna apenas em 2019, agora com um novo distintivo.
Em 2019, termina em 3º lugar não obtendo o acesso, que vem no ano seguinte. Esse foi o time vice campeão da A2 de 2020 que levou o Atlético Gloriense à primeira divisão:
Em 2021, terminou sua primeira competição na elite do estadual em 7° colocado. E em 2022 e 23, termina na sexta posição. Chegamos em 2024, para finalmente conhecer a casa do AD Atlético Gloriense: o Estádio Municipal Editon Oliveira da Silva.
Grata surpresa ao adentrar no Estádio Municipal, pois ainda que o mesmo tenha uma pequena capacidade de público (suas arquibancadas comportam cerca de 2 mil torcedores), ele está muito bem cuidado!
Olha a arquibancada:
Estando na arquibancada, vemos aqui, o gol da direita:
O gol da esquerda:
O meio campo:
O Estádio possui sistema de iluminação, permitindo jogos noturnos!
E olha o gol!!!
A cidade foge do modelo tradicional de quem pensa em sertão, porque tem altas altitudes, baixas temperaturas (no inverno chega numa mínima de 11º) e no dia da nossa visita, estava com o céu até bem carregado!
O banco de reservas:
Ali atrás se desdobram os lances de arquibancada, por toda lateral do campo:
Sim, amigos, o Campeonato Paulistasérie A1 começou e sábado a noite fomos até o Morumbi para acompanhar a estreia do Ramalhão e do Tricolor.
Embora a chuva tenha caído o tempo todo, tivemos uma boa noite de futebol e festa nas arquibancadas!
E se os times vêm a campo, é hora de acabar com a garganta!!
Então, lá vamos nós a mais uma partida!
Aí o pessoal da Fúria Andreense!
Olha a Esquadrão!!
Pra quem torce para os times da capital, talvez sejamos motivo de piada. E não esquento a cabeça com isso… Mas é o time da nossa cidade, do nosso dia-a-dia, não tem como não estar na arquibancada feliz de mais um jogo ao lado do Santo André!
Em campo, o jogo nem começou e… penalty pro São Paulo, convertido por Lucas Moura:
A torcida do Ramalhão sabe como é e parece não se importar… Segue o apoio!
O Estádio do Morumbi é mesmo gigante…
E é necessário ressaltar a ótima presença de público da torcida local, e a festa fica com a Torcida Independente…
E com a Torcida Dragões da Real:
Mas se não somos os mais numerosos, nossos corações estão longe de serem frios!
A recompensa vem em campo: o Ramalhão empata com Cléo Silva!
É pra festejar mesmo embaixo de chuva!
Esqueça o amanhã! Eu só quero viver esse rolê!
Nossa felicidade dura pouco. Ainda no primeiro tempo, Luciano aos 38 e Diego Costa aos 41 dão números finais à partida: São Paulo 3×1.
Vamos lá, Marques! É apenas nosso primeiro jogo!
O Santo André criou outras chances…
Não acho que o time do Santo André tenha jogado mal. Tecnicamente, o São Paulo é melhor, mas taticamente o enfrentamento foi bem interessante. Só nos resta seguir em frente e como os demais times do interior, seguir lutando!
E quem disse que a bancada azul e branca desanima?
O técnico Fernando Marchiori levou o Santo André a campo com Luiz Daniel; Zé Mateus, Afonso, Walce (Luiz Gustavo), Igor Fernandes e Edimar (Geovane); Wellington Reis, Dudu Vieira (Marciel) e Felipe Ferreira; Lohan e Cléo Silva (Richard). E, com os seus valentes torcedores na bancada!
Na virada de 2023 para 2024, tivemos a oportunidade de conhecer melhor o Estado do Sergipe. Fomos de Aracaju até São Francisco de Canindé, para conhecer o Rio São Francisco, e seus canions, e posso dizer que foi incrível!
Em um post futuro ainda vou falar mais de Canindé do São Francisco, de suas belezas e do Estádio local, mas no caminho para lá, fizemos uma parada em Itabaiana para finalmente conhecer o estádio da Associação Olímpica de Itabaiana. O time esteve presente na minha infância graças aos jogos de futebol de botão:
A Associação Olímpica de Itabaiana foi fundado em 10 de julho de 1938 da união entre o Brasil Football Club e o Balípodo Club Santa Cruz. Inicialmente recebeu o nome de Botafogo Sport Club, mas três meses depois passou-se a chamar Itabaiana Sport Club. No início da década de 50 ocorre a mudança definitiva para Associação Olímpica de Itabaiana.
A primeira partida ocorreu em 14 de agosto de 1938, sob o nome de Botafogo Sport Club, contra o Guttemberg Football Club de Aracaju. Em 1960, estreia no profissionalismo e o primeiro título de campeão sergipano chega em 1969. A foto é da fanpage oficial do clube:
Em 1971, sagra-se campeão da Taça Nordeste, a fase regional do Campeonato Brasileiro da Série B de 1971. O segundo título estadual chegou em 1973, e na sequência chega o pentacampeonato de 1978, 79, 80, 81 e 82. Foto da matéria da Globo.com sobre a morte do centroavante Damião:
15 anos foram necessários até o próximo título em 1997, com direito a foto do poster da Placar:
Em 2005, outro título, dessa vez contra o Lagartense e pela primeira vez conquistado em seu estádio.
Em 2023 chega o 11° titulo! Deu pra ver a força do Itabaiana no futebol sergipano?
E lá fomos nós para conhecer o Estádio Etelvino Mendonça, o “Mendonção“!
O estádio foi inaugurado em 7 de março de 1971 num 0x0 contra o Grêmio-RS.
O estádio fica no centro da cidade, entre a Praça Etelvino Mendonça e a Avenida Manuel Francisco Teles.
Importante ressaltar que até 2016, o nome do estádio homenageava um militar envolvido no golpe de 64 e por isso foi renomeado com o nome do antigo estádio, onde jogaram até 1971. Etelvino Mendonça foi tabelião, vereador e prefeito de Itabaiana e trabalhou no incentivo ao esporte do município, tendo levado a primeira bola de couro ao município.
Entre 2009 e 2010 o estádio passou por uma grande reforma e atualmente também está em obras (até por isso mandou o jogo de estreia em Aracaju, no Batistão).
Pelo visto vem aí um gramado novinho!
Olha aí o gol do lado direito:
Aqui, o gol da esquerda:
E o meio campo:
E olha a parte “minimamente” coberta e também os espaços dedicados à imprensa:
Pô, muito legal poder estar aqui! Uma pena não dar pra pegar um jogo…
Olha que lindo o escudo do time ali atrás do gol!
O pessoal estava trabalhando a toda!
Um último olhar antes de voltar à estrada rumo ao sertão sergipano!
Bem vindo a Cravinhos, uma cidade que há muito tempo não tem um time disputando os campeonatos oficiais da Federação Paulista e que aproveita a Copa São Paulo para matar a saudade do futebol. A foto acima é do Estádio João Domingos Martins (já havíamos estado por lá em 2012, veja aqui como foi!!!), mas há alguns anos, passaram a utilizar o Estádio Municipal Prefeito José Vessi como sede da Copinha.
Foi para visitar esses dois estádios e acompanhar um mata-mata da Copinha que pegamos a estrada mesmo com chance de enfrentar uma daquelas tradicionais chuvas de verão… Mas só choveu na estrada mesmo, lá foi tudo seco!
A primeira parada foi no Estádio JD Martins, a casa do CAC – Clube Atlético Cravinhos.
Este é o atual distintivo, que reforça a tradição do time, fundado em 12 de julho de 1906:
Como já escrevemos sobre a história e resultados do CAC no post anterior (veja aqui!!), só apresentamos a seguir fotos novas (de 2024) do Estádio, que pra mim é charmoso demais!!
O Estádio foi inaugurado em 1926, após o CAC (Clube Atlético Cravinhos) ter jogado em outros campos da cidade. Então vamos a ele!
O primeiro campo do CAC ficava na rua Prudente de Moraes, depois mandou os jogos onde hoje está a escola João Nogueira, depois, na rua 14 de Julho. Em 1917 foi jogar em um campo na rua Rui Barbosa, em 1919 jogou no terreno onde foi construída a fábrica de meias, e em 1924 na Avenida Fagundes, num estádio com arquibancada para 500 torcedores. Mas o JD Martins segue por lá, firme e forte, aguardando um novo respiro do CAC.
Atualmente, o Estádio tem capacidade para 3.200 torcedores. Esse é o gol do lado direito, com um bom lance de arquibancada ali atrás.
Olhando do outro lado do campo, veja que existe uma estrutura coberta ali em cima da arquibancada:
Existe ainda uma arquibancada central maravilhosa, com cobertura antiga, quase como um telhado de uma casa:
Veja como ficava essa arquibancada nas edições anteriores da Copa SP:
E aqui o gol da esquerda:
Ficamos felizes de rever o velho (e charmoso) Estádio JD Martins, mas nos apressamos para o Estádio MunicipalJosé Vessi, o campo do Bela Vista, esse sim, ainda desconhecido para nós e que recebe novamente uma edição da Copa São Paulo.
Em campo, duas equipes geograficamente distantes, mas com um sonho em comum: Chapecoense (SC) e Tiradentes (PI). Aliás, olha aí a camisa do Tiradentes:
É muito interessante o cuidado que eles tiveram em criar uma área coberta na arquibancada do outro lado. Uma ideia simples que melhorou absurdamente o bem estar de quem está lá! Esse é o meio campo:
Aqui, o gol da esquerda:
Nesse mesmo lado, existe uma série de arquibancadas coloridas que dão uma cara bem divertida ao lugar!
E aqui, o gol da direita:
Ainda que a Chape tenha começado com tudo, o Tiradentes saiu na frente, com um gol de contra ataque!
Mas, o time da Chape soube aguentar o tranco e buscou a virada… Aqui, momento da celebração do gol catarinense!
E até que tinha um pessoal com camisa da Chapecoense por ali!
A Chapecoense seguiu apertando…
O time catarinense não dava sossego aos meninos do Piauí e logo o placar marcava 3×1:
O jogo parecia definido, e fui registrar o estádio, pois Cravinhos não é assim tão perto, então sabe-se lá quando voltaremos…
Essa é a visão das arquibancadas cobertas:
Lá do outro lado, uma pequena estrutura dedicada aos jornalistas:
Ali, o ginásio da cidade se apresenta imponente!
Ali nas cobertas, um momento de festa: gol do time do Tiradentes, celebrado pelos atletas que não foram relacionados para o jogo! Não perca as contas: 4×2.
Já no segundo tempo, mais um registro em vídeo do campo:
Calor monstruoso, ainda bem que existia um filtro com água gelada dentro do estádio.
O time da Chapecoense tentou cadenciar o jogo, mas o Tiradentes estava com “sangue nos olhos”.
E o que era apenas uma visita para registro do estádio acabou se transformando em uma partida inacreditável…
Nem mesmo o treinador do Tiradentes podia acreditar… Mais um gol… 4×3
Vale a pena ver o resumo do jogo com todos os gols para você entender como acabou essa história:
E não é que 2023 vai chegando ao fim? E se não há mais tantos jogos para registrarmos, ainda existe uma lista de rolês que fizemos e que ainda precisam ser postados aqui… Falemos então da visita relâmpago que fizemos à “Arena Castelão“, ou Estádio Governador Plácido Castelo, atualmente a principal casa do futebol cearense.
Embora seja um estádio no estilo moderno (“Arena”), o Castelão foi inaugurado em 1973 sendo reformado em 2002, e mais recentemente, completamente remodelado em 2012, por conta da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações 2013.
Sua capacidade é de até 63.904 espectadores, o que faz do Castelão um dos 60 maiores estádios do mundo, quarto maior do Brasil e o maior do Norte/Nordeste. Fotos abaixo do site da prefeitura de Fortaleza:
O estádio foi inaugurado em 11 de novembro de 1973, com um clássico rei, que terminou em um 0x0 para mais de 70 mil torcedores.
A nova arena foi reinaugurada em 16 de dezembro de 2012, com um show do Fagner…
A gente esteve lá já na nossa volta pra casa, a caminho do aeroporto. Aliás, só achei que o estádio fica meio fora de mão… De resto… é mais uma arena. Eu particularmente não gosto e não vejo charme nesse novo modelo de estádio.
O Estádio foi inaugurado em 31 de maio de 1953 e é a casa do Guarani Futebol Clube e possui uma arquitetura linda e vários detalhes, como esse grafite que mistura heavy metal e o futebol (obrigado ao pessoal do Memórias de Arquibancada por fazer a foto pra nós!).
Outro detalhe incrível é o busto em homenagem a Carlos Alberto Silva, relembrando sua passagem como treinador do time em 1978.
Pra quem não lembra, esse foi o esquadrão comandando por Carlos Alberto Silva que conquistou o Campeonato Brasileiro daquele ano.
Sim, senhores e senhoras… Aí estamos nós em mais um estádio brasileiro!
Hora de dar um giro pra dividir a experiência com quem nunca esteve aqui:
As arquibancadas e o estádio como um todo tem um design diferente, obra de dois arquitetos modernistas: Oswaldo Corrêa Gonçalves e Ícaro de Castro Mello. Será que eles imaginavam, o quanto um projeto deles seria importante para tantas pessoas?
O Estádio foi inaugurado em 1953, e quem deu sua atual denominação como “Brinco de Ouro da Princesa” foi o jornalista João Caetano Monteiro Filho já que Campinas tinha a alcunha de cidade “Princesa D’Oeste“.
Palmeiras e Fluminense foram os convidados para as partidas de inauguração, em maio de 1953.
Sua capacidade atual segundo a CBF é de 29.130 torcedores, mas no passado o Brinco recebeu muito mais gente. Tanto que o seu recorde de público é de 52.002 presentes no jogo contra o Flamengo em 1982.
Em 1978, o estádio ganhou sua primeira e mais importante melhoria: o Tobogã (a arquibancada superior).
Mesmo com tanta história, em 2015, o estádio passou por um péssimo momento: foi posto a leilão para que o Guarani pagasse suas dividas. Muito se diz que tudo não passou de uma manobra para gerar visibilidade, pois inicialmente não houve compradores, porém, algumas semanas depois de aberto o leilão, o Grupo Zaffari arrematou o estádio por R$ 105 milhões. Desde então, o clube tenta reverter o leilão por considerar o valor muito abaixo do mercado imobiliário.
Estivemos no Brinco de Ouro por várias vezes, como torcida visitante, pelo Santo André.
Aí está a torcida do Guarani nas bancadas do Brinco de Ouro em dia de jogo:
A organizada do Guarani é a Fúria Independente:
Mas o time também possui uma grande parcela de torcedores autônomos, que se identificam exclusivamente com o clube e não pertencem à organizadas.
Olha aí o banco de reservas do bugre!
Aqui, o placar eletrônico do Estádio:
Aqui, o registro de uma falta perigosa para o Guarani…
O Guarani tem também um projeto de sócio torcedor bem bacana:
5a feira, feriado de 12 de outubro de 2023. O rolê de hoje é por Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, muito conhecida pela produção de hortaliças em uma área de cultivo estimada em mais de 7.100 hectares.
A região era densamente ocupada muito antes da chegada dos portugueses. Vários povos como os Tupis, Guaianás, Carijós e os Tupiniquim, do qual fazia parte o cacique Tibiriça, pai de Bartyra com quem o misterioso João Ramalho se casaria.
Em torno de 1560, é registrada a primeira entrada de um bandeirante na região de Mogi das Cruzes, em busca de ouro: Braz Cubas, registrado abaixo por Benedito Calixto, séculos depois:
Outro bandeirante, Gaspar Vaz, foi quem abriu o primeiro acesso a Mogi, facilitando a formação do povoado, elevado à Vila de Sant’Anna de Mogi das Cruzes em 1611. Aqui, a igreja matriz de Mogi retratada em bico de pena por Tunico de Paula sobre aquarela de Thomas Ender:
Atualmente, a cidade é constituída por 8 distritos: distritos: Mogi das Cruzes, Biritiba-Ussu, Brás Cubas, Cezar de Souza, Jundiapeba, Quatinga, Sabaúna e Taiaçupeba. Estivemos lá há 10 anos, em 2013, para acompanhar um jogo entre o Atlético Mogi e o Jacareí pela Segunda Divisão. Clique aqui e veja como foi.
Somente em 2023 pudemos voltar com mais calma para visitar o Estádio e entender um pouco mais da história do futebol na cidade.
O livro cita um artigo do jornal “O Diário de Mogi”, de 1957, que indica o responsável pela introdução do futebol em Mogi das Cruzes: o sapateiro Alfredo Cardoso, mais conhecido como Alfredão (foto retirada do livro e creditada ao Acervo Glauco Ricciele).
O livro esclarece que a primeira partida de futebol de Mogi das Cruzes envolveu um time de “camisas brancas” contra o de “camisas azuis”, em 6 de maio de 1906. O registro de uma partida em 30 de junho de 1911, apresenta o Operário Futebol Clube como o primeiro clube da cidade. A partir da década de 20, surgem outros clubes e já uma primeira grande rivalidade: de um lado, o Mogi Futebol Clube, que jogava de vermelho e do outro, o Falena Futebol Clube (que teve o Operário FC como origem), que jogava de branco e era o time do Alfredão. As partidas eram disputadas em um terreno próximo ao antigo convento que ficava na rua Campo Santo, atualmente rua Otto Unger. E foi ele quem propôs a unificação dos dois times, dando origem, no dia 7 de setembro de 1913 a um clube que agregaria o futebol mogiano como um todo: o União Futebol Clube. Evolução do distintivo vindo do site Gino Escudos:
O União Mogi começou jogando no campo do Parque, atualmente Rua Major Pinheiro Franco. Segundo o livro Os Esquecidos, depois de partidas amistosas, fez sua estreia no Campeonato do Interior da APEA em 1928, sendo desclassificado em uma polêmica partida desempate com a Caçapavense, um 3×2 com arbitragem duvidosa. Como consequência, os dirigentes do União mandaram um ofício à APEA pedindo desligamento da entidade. Rolou até um “enterro simbólico” da associação reunindo cerca de duas mil pessoas. O time retorna às competições oficiais em 1942, e nesse ano, nada menos do que 6 times da cidade disputaram a 24ª região do Campeonato do Interior (contando o AA Poaense, já que na época, Poá era um distrito de Mogi das Cruzes).
Destes, a AA Comercial, fundada em 14 de abril de 1931, ainda está viva disputando o amador e com seu Estádio em funcionamento.
Achei uma única foto do pessoal do MogytexFC:
Do Santo Angelo FC, que representava o distrito de Jundiapeba encontrei uma foto dos anos 70:
A AA Poasense ainda mantém se na ativa, com uma bonita sede própria.
Do São JoãoFC eu não encontrei nada, mas o Vila Santista teve uma importante história que resumiremos daqui a pouco.
Voltando à história do time do UniãoMogi, destaque para o Campeonato do Interior de 1947, quando vence o Setor 1 da Zona 1 com o time abaixo:
Este é o Estádio Francisco Ferreira Lopes, na Rua Casarejos:
Em 1951, o União se profissionaliza. Time daquele ano:
Em seu primeiro ano, disputa o Campeonato Paulista da Segunda Divisão e licencia-se no ano seguinte. Retorna em 1955, quando disputou mais uma vez a Segunda Divisão, onde permaneceu por outros quatro anos. Aqui,o time do União em partida contra o Vila Santista, pela segunda divisão paulista de 1958, no estádio da Rua Francisco Franco, do Vila. O jogo terminou em empate por 2×2.
Em 1960, o clube pediu licença mais uma vez, ficando fora por quase duas décadas. O União retorna em 1979, no Campeonato Paulista da Terceira Divisão, até 1981, quando foi promovido à Segunda Divisão. Permanece na segunda até 1993.
Em 1998, o clube mudou seu nome para União Mogi das Cruzes Futebol Clube. Em 2002, a equipe foi rebaixada à Série B1. A partir de 2004, passa a disputar a Segunda Divisão, da qual sagra-se campeão em 2006, retornando à Série A3. O pessoal do Jogos Perdidos esteve cobrindo a final (veja aqui como foi), as fotos abaixo são do Fernando Martinez:
Em 2008, o clube volta ao nome União Futebol Clube. Em 2009, passa por dificuldades financeiras e faz uma má campanha na A3, ficando em último lugar, voltando para a “Série B”. Em 2011, além d crise financeira, o União Mogi acaba acusado (por conta de atos de seu treinador) de estelionato, injúria, difamação e até assédio moral e sexual. Em 2023, o União Mogi foi rebaixado para a quinta divisão paulista de 2024.
O time manda seus jogos no Estádio Municipal Francisco Ribeiro Nogueira, o “Nogueirão”, inaugurado em 31 de maio de 1995. Para viver um pouco desta história na prática, fomos até lá conhecê-lo.
Vamos ao campo!
A história do Estádio está ligada à da própria cidade, já que toda essa área pertencia à empresa Mineração Geral do Brasil desde 1942. Ali foi construída uma usina siderúrgica, 550 moradias para seus funcionários e… um campo de futebol que serviu de base para o time do Esporte Clube Mineração Geral do Brasil, organizado pelos trabalhadores da usina. Em 1957, o campo passa a ser denominado Estádio Cavalheiro Nami Jafet, ganhando estruturas ligadas a outros esportes.
Dá uma oilhada como está o campo hoje em dia:
Atualmente a capacidade do estádio é de 10.000 torcedores.
A siderúrgica entra em concordata, em 1965 e foi incorporada a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), em 1967. Em 1973, o Estádio Nami Jafet foi municipalizado e incorporado ao patrimônio público da Prefeitura de Mogi das Cruzes.
Esse grafite com a indústria de fundo é uma área bem característica do Estádio!
As cadeiras na área coberta deixaram o estádio realmente bem bonito!
Aqui, o gol da esquerda:
Aqui, o gol da direita:
Aqui, o meio campo:
Dê uma olhada nas demais arquibancadas, atrás dos dois gols:
Alguns vídeos para ilustrar o rolê:
E ali fica o placar:
E como estávamos em Mogi das Cruzes, importante falarmos também do Vila Santista Futebol Clube, fundado em 14 de julho de 1919:
O Vila Santista FC homenageia o bairro próximo do centro da cidade, e iniciou sua história disputando amistosos com times da cidade e da região. Em 1922, inaugura-se seu Estádio, na atual Rua Francisco Franco.
O presidente do clube era Ângelo Pereira Passos, que viria a dar nome ao campo.
Com a criação da Federação Paulista de Futebol (FPF) em 1941, o Vila Santista passa a disputar o Campeonato Paulista do Interior. Aqui, o time de 1949:
Em 1957, o Vila Santista segue o caminho do União e disputa o Campeonato Paulista da Terceira Divisão. Na primeira fase, seu grupo contava com apenas outros 2 times: o Elvira, e o E.C. São José e o Vila classifica-se para a segunda fase em um novo grupo com Velo Clube, Expresso São Carlos, Guarani Saltense, Legionário (Bragança Paulista), São José, Ferroviária de Pindamonhangaba e o E.C. Aparecida, do qual apenas um time se clasificou: o Expresso São Carlos, tendo o Vila Santista terminado em 2º lugar. O Expresso São Carlos alcança o acesso à segunda divisão, mas decide abandonar o profissionalismo, deixando sua vaga ao próprio Vila! O time disputa a segundona de 1958 e 59, quando volta à terceira. Em 1960, cai para a quarta divisão e em 61 faz ali sua última participação no futebol profissional.
Outro time de Mogi das Cruzes, surgiu em 1952: o CA Ypiranga.
Ninguém sabe direito a história do CA Ypiranga se foi inspirado no time da capital ou se foi até mesmo uma filial em Mogi das Cruzes. Aqui, o time dessa primeira fase pré profissional:
O que se sabe é que o CA Ypiranga disputou a quarta divisão paulista em 1964, no grupo chamado “6ª Série”, ao lado do General Motors E.C. (São Caetano do Sul), o C.A. Pirelli (Santo André) e o Expulancex F.C.,de Cruzeiro, times que aproveitaram os benefícios para empresas que criaram seus times profissionais. No grupo, ainda estava o Atlético Vila Alpina e o E.C. São José. O time de Mogi terminou em penúltimo lugar, e acabou extinto.
Mas, já no século XXI, a cidade de Mogi das Cruzes viu o surgimento de um novo time: o Clube Atlético Mogi das Cruzes de Futebol, fundado em 19 de abril de 2004, na época como “Mogi das Cruzes Futebol Limitada”.
O time foi fundado por Joaquim Carlos Paixão Filho, um mogiano apaixonado por futebol que tentou fazer uma parceria com o União sem conseguir o que esperava. Assim, em 2005, estreia no Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Mas se licencia em 2008 retornando em 2009, aí sim com o nome de Clube Atlético Mogi das Cruzes. Em 2011 e 2015 novamente esteve licenciado das disputas. Recentemente, o Clube Atlético Mogi passou por uma péssima fase, conquistando a alcunha de o “Pior Time Do Mundo” ao bater a terrível marca de 56 partidas sem vitórias, que até então pertencia ao Íbis!
O time ficou 62 jogos sem vitórias até que em 27 de Maio de 2023, venceu o Guarulhos por 1×0. Mais um estádio, e uma cidade com muita história no futebol