O futebol em Tremembé!

Tremembé é uma cidade que sempre chamou minha atenção, embora eu não tenha nenhuma grande memória com o futebol local, mesmo sabendo, agora, de sua tradição.

Clube Atlético Tremembé - Tremembé-SP

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Localizada na região Metropolitana do Vale do Paraíba, Tremembé é a casa de quase 40 mil pessoas. Seu nome é de origem tupi: “Tirime’mbé”, que entre outros significados pode ser compreendido como “Escoar Molemente”, uma ligação com os vários rios e riachos presentes em seu território, com destaque para o Rio Paraíba. Rio Paraíba Em 1877, a ferrovia chegou à região e a estação de Tremembé foi inaugurada em 1914, mas, teve vida curta… A linha entre Pindamonhangaba e Taubaté foi desativada em 1951, eliminando a estação de Tremembé, restando à população local a nova estação de Engenheiro Cotrim que ficava fora da cidade. Em 1970, o prefeito tentou derrubar a estação abandonada para construir o paço municipal, porém o povo não deixou e o prédio continuou ali, até hoje.

Estação de trem - Tremembé

Estação de trem - Tremembé

O futebol na cidade tem uma série de times que fizeram (e fazem) a alegria dos tremembeenses, mas dois times representam verdadeiros patrimônios para o futebol. Um deles é o Clube Atlético Tremembé, o “CAT”!

CA Tremembé
Fundado em 18 de julho de 1921, o CA Tremembé brilhou nas disputas municipais e regionais. Esse é um dos primeiros times da história do clube:

Clube Atlético Tremembé 1921

O CA Tremembé fez história ao disputar o Campeonato do Interior de 1942, no grupo da 24ª Região, que teve o EC Taubaté como campeão.

Campeonato do interior 1942

Vale reforçar que em 1942, o Maristela FC, também de Tremembé, participou do Campeonato do Interior. (Distintivo refeito por Victor Nadal):
Maristela FC - Tremembé
Em 1943, o CA Tremembé jogou mais uma vez o Campeonato do Interior, e novamente teve o EC Taubaté como campeão do grupo.

Campeonato do Interior 1943

Em 1944, novamente disputou a 24ª Região, com novas equipes, mas novamente com o EC Taubaté campeão.

Campeonato do Interior 1944

O CA Tremembé também participou do campeonato de 45 e mais uma vez teve o EC Taubaté campeão!

Campeonato do Interior de 1945

Em 1946, o time não disputou o Campeonato do Interior, voltando apenas em 1947, quando disputou o Setor 2 da Zona 1, tendo como campeão a AE Guaratinguetá.

Campeonato do Interior 1947

Pra quem gosta de boas imagens do passado, a Fanpage “Tremembé das antigas”  disponibiliza uma série de fotos da cidade e também do time do CA Tremembé, como essa, justamente de 1947:

CA Tremembé 1947

A mesma fanpage ainda disponibiliza (sem a menção à data) outras fotos lindas, do time.

CA Tremembé

CA Tremembé - Tremembé-SP

CA Tremembé - Tremembé-SP

E uma imagem de 1955, mostra que o futebol sabe ser “gente boa” quando quer 🙂

CA Tremembé - Tremembé-SP

O CA Tremembé mandou e manda seus jogos no Estádio Amèrico Texeira Pombo, a “Arena Atlético Tremembé”!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Como a pandemia tirou o futebol do dia a dia, o estádio acabou um pouquinho descuidado, mas vale mostrar como eraa faixa antes desse período:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Clube Atlético TRemembé

O Estádio fica no meio da cidade, na Rua André Geraldo da Silva e além da entrada mostrada nas fotos acima, também tem esse portão com o distintivo do clube.

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

O pequeno portão dá entrada a um mundo mágico, mas a pandemia parece nos impedir de conhecê-lo internamente…

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

A menos que… A vizinhança dê uma força para conhecer a “Arena Atlético” por dentro de seus muros.

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé Sem dúvida que a parte mais charmosa e que parece transparecer muita história é a arquibancada coberta!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

A mensagem na arquibancada é clara: “Aqui é Atlético!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Várias árvores ao redor das arquibancadas dão uma cara ainda mais legal pro campo e pra arquibancada.

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Esse é o gol da entrada:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Ainda existe uma estrutura bem bacana de bar, vestiário e tudo o que precisa para seguir levando o futebol amador!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Esse é o gol do fundo, com vários eucaliptos dando uma refrescada pro goleiro:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Tem até uma área para a imprensa:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

E aqui dá pra ver como o estádio é literalmente “colado” às casas da vizinhança:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Mas… Algumas pessoas do futebol local dizem que o Estádio Américo Texeira Pombo também teria participado do futebol profissional, graças a uma participação especial do segundo time da cidade na 3a divisão de 1957. Trata-se do CREIX!

CREIX - Tremembé Esse é o distintivo mais difundido, mas as fotos mostram que o distintivo usado pelo time era outro: CREIX O Clube Recreativo e Esportivo da Indústria do Xisto foi um clube de vida efêmera na cidade de Tremembé, que nasceu para servir aos operários locais. CREIX - Tremembé O time foi fundada em 1956 e disputou a série A3 de 1957. CREIX Tremembé Segundo nos contaram, embora o CREIX tivesse um campo de futebol, onde atualmente fica localizado o Fórum de Tremembé, eles teriam disputado algumas partidas da A3 de 57 em cidades vizinhas, como comprova a nota da Gazeta Esportiva que o amigo Ivan Gotardo localizou… CREIX E aqui, o amigo e pesquisador do futebol de Taubaté, Moacir (autor do blog https://moataubate.com) me enviou uma matéria sobre o jogo entre o CREIX e a Ferroviária de Pindamonhangaba comprovando que o campo do CA Tremembé foi também a casa do time na série A3 de 1957! CREIX x Ferroviária de Pindamonhangaba Então… voltemos a olhar o  Estádio Amèrico Texeira Pombo, agora dando lhe os devidos créditos de ter recebido jogos da série A3!!

Esse foi o time que disputou a A3 em 1957: CREIX No ano seguinte, o CREIX voltou a disputar amistosos, como em 13/04/1958, quando venceu o Instituto de Reeducação por 3×0 (informação do incrível site História do Futebol.) Jogador do Creix A fanpage “Tremembé das antigas” guarda outras fotos do time do CREIX, sem identificação da data: CREIX - Tremembé CREIX Tremembé Aqui uma foto da viagem do time do CREIX para Piquete: CREIX Tremembé Mais uma cidade com bastante história no futebol paulista que segue se mantendo no amadorismo mas que sem dúvida poderia voltar a se arriscar no profissional!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

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O Estádio “Dr. Adhemar Pereira de Barros em São Manuel

São Manuel

Seguimos na estrada… Desta vez a cidade visitada foi São Manuel!

São Manuel

Pra quem conhece um pouco o interior de São Paulo, a cidade fica próxima a Botucatu, cerca de 270 km da capital.

São Manuel

Ruas ainda pacatas, características de cidades do interior, por onde circulam os quase 50 mil habitantes.
Estão aí, a tradicional igreja e o coreto da praça!

São Manuel
São Manuel

Nossa missão era de conhecer e registrar o Estádio “Dr. Adhemar Pereira de Barros”, onde a Associação Atlética Sãomanoelense mandava seus jogos.

Distintivo da AA Sãomanuelense

A Associação Athletica Sãomanoelense foi fundada em 21 de junho de 1919.
No site O Debate regional encontrei a imagem abaixo, do início dos anos 20, numa época em que nem arquibancadas ainda existiam por lá.

Estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros - Associação Atlética Sãomanoelense - São Manuel

Em 1921, recebeu o time do EC Sorocabano não só para um jogo, mas para uma vivência na cidade:

Em 1922, houve um amistoso com o Santos:

Já em 1923, passou a disputar o Campeonato do Interior!

CAmpeonato do Interior 1923
CAmpeonato do Interior 1923

E também encontrei essa matéria do jornal “A Cigarra” de 1924 sobre um amistoso com o SC Corinthians.

Disputou novamente o Campeonato do Interior em 1942, com o EC Bandeirante, também de São Manuel.

Campeonato do interior em 1925

Em 43 e 44 mais uma vez a região teve a Ferroviária de Botucatu como campeã.

Campeonato do interior em 1943

Em 45, o campeão do setor foi a Botucatuense e em 47, o Noroeste.
O time dessa época (foto do site Tempodebola)

AA Sãomanuelense - setor 26

Aqui, notícias sobre o Campeonato de 1948:

Em 1957 rolou até um amistoso com o Palmeiras:

Seus anos de glórias foram a década de 60. Logo em 1961, um amistoso contra o São Paulo.

Depois, a AA Sãomanoelense foi campeã, em 1968, da quarta divisão.

AA Sãomanuelense

Dá pra ver as suas tradicionais cores (vermelho e preto) na foto abaixo, do time dos anos 80 (também do site Tempo de Bola):

AA Sãomanuelense

Aqui, o time de 1990:

Mas, o tempo do futebol profissional se foi e o Estádio “Dr. Adhemar Pereira de Barros acabou ficando para o futebol amador, mas ainda muito bem conservado.

Estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros - Associação Atlética Sãomanoelense - São Manuel

O Estádio recebeu 12 participações no Campeonato Paulista de Futebol.

Estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros - Associação Atlética Sãomanoelense - São Manuel

Infelizmente o clube não resistiu às mudanças do futebol e principalmente aos altos custos e acabou licenciando-se da Federação Paulista, deixando ainda mais órfã a região (que já possuiu clubes em Botucatu, Lençóis Paulista, Avaré, entre outras cidades).

A atual capacidade do estádio não passa de 2.000 torcedores, e mesmo sabendo que para disputar o profissional, seriam necessárias obras de expansão, esse tema vive sendo discutido entre os boleiros da cidade.

Estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros - Associação Atlética Sãomanoelense - São Manuel
Estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros - Associação Atlética Sãomanoelense - São Manuel

Falando em boleiros da cidade, taí uma parte deles que ainda frequentam o estádio (que tem um bar anexado, onde rola a tradicional sinuca).

AA Sãomanuelense

Um último olhar sob a arquitetura antiga da cidade, e como o sol se vai… Nós também vamos…

São Manuel

Obrigado, futebol!

São Manuel

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Em busca do Estádio Perdido em Pederneiras

Pra quem gosta de estádios escondidos, taí um que a gente achou e que pouca gente conhece ou já ouviu falar.
Fica na bonita e simpática cidade de Pederneiras, ali numa saída da estrada que liga Bauru a Jaú.

Trata-se do Estádio Antonio Ruiz Romero, projetado por Wilson Ruiz Fernandes e pelos engenheiros João Silveira Filho e Celso Antonio Rugai, inaugurado em 24 de abril de 1955.

A cidade nunca teve um time nas disputas profissionais, e o estádio servia aos campeonatos amadores para times como a Associação Atlética Pederneiras:

Aqui, o time de 1946:

Veja a matéria da Gazeta Esportiva, sobre o bom momento no Campeonato do Interior de 1955, um ano mágico que já tinha visto a inauguração do estádio:

Mas a AA Pederneiras havia nascido muito antes, em 25 de dezembro de 1933 e disputou por muitos anos o Campeonato Amador do Estado, sagrando-se campeão do seu setor em 1956.

O Estádio Antonio Ruiz Romero foi construído para substituir o antigo estádio da cidade.
O antigo estádio da rua 15 de Novembro era chamado de Dr. Joaquim Cortegoso, desde 1941 e acabou incorporado a uma importante indústria cerâmica, que em troca doou recursos para a construção de um novo estádio, o Estádio Antonio Ruiz Romero.

Na inauguração do Estádio aconteceu a partida entre a seleção dos Veteranos Paulistas, da Federação Paulista de Futebol e a equipe da Associação Atlética Pederneiras.

Outros times da cidade que também utilizara o estádio: Corinthians Pederneiras Futebol Clube, Ford Futebol Clube, Esporte Clube Comercial e Paulista Futebol Clube.

Aqui, um detalhe que eu acho muito bacana dos estádios do interior, a bilheteria com as grades formando o brasão do time!

Não foi fácil fotografar o estádio, uma vez que o mesmo estava fechado…

Mas, no fim das contas, terminamos mais uma visita… em paz!

Uma olhadinha final nas arquibancadas que foram a casa de tantos torcedores locais…

Detalhe do muro de tijolinhos, muito bem cuidado.

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Estádios do Oeste Paulista: 14- Rancharia (SP)

Ah, que rolê incrível! Pra quem acha que o futebol de verdade neste ano de 2013 é a Copa das Confederações, recomendo uma voltinha pelo interior paulista.

Rancharia

É muita história, muitos times e muitos estádios. Saímos de Regente Feijó e fomos para Rancharia!

Rancharia

Rancharia é uma cidade com pouco mais de 30 mil habitantes.

Rancharia

A cidade foi fundada em 1916 e está a pouco mais de 520 km de São Paulo.

Rancharia

Rancharia tem na produção agropecuária e no Algodão suas principais atividades econômicas, e como toda boa cidade do interior, tem uma igreja ali no centro!

Igreja - Rancharia

Eu não imaginava, mas Rancharia é o 6º maior município do estado de São Paulo, e tem como motivo de orgulho o Estádio Francisco Franco, na Rua Adhemar de Barros, 750, onde a A.A. Ranchariense mandava seus jogos!

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Você pode estar se perguntando por que eu estava olhando para o lado. A resposta está aí embaixo: um novo amigo do blog, ainda que em forte momento alcoólico, fez questão de sair na foto!

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Outro amigo foi a Mari que fez!

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Vamos dar uma olhada na parte interna do estádio!

O Estádio Francisco Franco tem capacidade para mais de 4.600 pessoas.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

O futebol em Rancharia teve seu auge nos anos 40, quando surgem a A.A. Ranchariense e a A.A. Matarazzo, para disputar o Campeonato do Interior da Federação Paulista.

AA Matarazzo - Rancharia
AA MAtarazzo - Rancharia

O time do Ranchariense só foi se profissionalizar em 1978 .

AA Ranchariense

Olha aqui a campanha da Ranchariense na 5a divisão de 1979:

Campeonato Paulista - 5a divisão - 1979
Campeonato Paulista - 5a divisão - 1979
Campeonato Paulista - 5a divisão - 1979

Aqui, uma outra bela campanha do time, dessa vez, pela Terceira Divisão de 1985:

Terceira Divisão 1985
Terceira divisao 1985 - grupo laranja

Olha aí que presente do amigo e leitor do blog Fabio Teixeira: fotos de 1988, contra a Chavantense:

Ranchariense

Rancharia tem mesmo uma relação bem apaixonada com o futebol!

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

O gramado está em perfeitas condições!

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Belas arquibancadas que viram desde 1978 a equipe da Ranchariense representar a cidade no Campeonato Paulista de Futebol.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia
Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

No momento da nossa visita, um rachão com cara de peneira entre uma molecada da cidade rolava no campo.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

O Estádio está em obra na arquibancada atrás do gol.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

A arquibancada é aquelas de cimento, old school.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Junto do estádio tem uma pequena estrutura com algumas salas.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Homenagem ao pessoal do Juventus!

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

E dá lhe a molecada jogando!

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Uma visão de dentro do campo.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Aí está um time que eu gostaria muito de ver jogar…

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

Mais uma vez, ficamos orgulhosos de poder entrar em um estádio que está na história o futebol brasileiro.

Estádio Francisco Franco - A.A. Ranchariense - Rancharia

E aqui o time de 2007:

Hora de voltar a estrada!

Rancharia

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O Estádio Silvano Ribeiro Diróz e o futebol em Mongaguá (SP)

Setembro de 2009. (com imagens e vídeos atualizados em 2025)
Com o sol nos animando, seguimos para o litoral sul buscando um pouco de descanso e um rolê tranquilo. Domingo (6 de setembro) o Santo André jogaria em casa contra o Atlético MG, ou seja, nossa viagem tinha data de volta já acertada.
Sábado, tivemos um dia perfeito, com sol, praia, caminhada e corrida, trilhas, comida gostosa na beira do Rio Itanhaém, mas… Faltava algo… Já que estávamos ali, por quê não visitar um estádio ainda desconhecido?
E lá fomos nós, para Mongaguá conhecer o Estádio Silvano Ribeiro Diroz.

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Quem já foi para o litoral sul de São Paulo (Mongaguá, Itanhaém ou Peruíbe), com certeza já passou em frente ele, afinal o Estádio fica na beira da estrada Padre Manoel da Nóbrega.

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Eu achei que o Estádio estivesse abandonado há alguns anos, mas para minha surpresa uma partida estava sendo disputada.

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O time mandante era o tradicional o “Mongaguá Praia Clube“, fundado em 26 de março de 1946, na época com o nome de “Praia Grande FC” (até 1959, quando foi emancipado, Mongaguá, pertencia à Praia Grande), como mostra o Jornal de Santos, de 1969:

Somente em 1991, o time adotou o nome de Mongaguá Praia Clube.

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O time é conhecido como “Praia” e já conquistou o campeonato municipal da 1ª Divisão por 10 vezes, além de ter levantado o título da Série Padre José de Anchieta (Litoral) do Campeonato Amador do Interior por 3 vezes (65/66/67), ainda com o nome de Praia Grande.
Aqui, matéria do Jornal A Tribuna de 1965, falando da final daquele ano contra o São Paulo de Itanhaém:

E aqui, o time campeão daquele ano:

Por uma outra matéria, fica registrado que a torcida do time comparecia!

Matéria falando da final (que pelo visto teve encrenca hehehe):

O Jornal de Santos de 1968 cita uma homenagem aos campeões de 1967:

Ok, o campo tem seus buracos, falta grama aqui e acolá, mas lembre que se trata de um Estádio para o futebol amador, de uma cidade litorânea, que sequer possui um time profissional, ou seja… Excelente!

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Eu e a Mari, como sempre, não resistimos a eternizar nossa passagem por mais um templo perdido do futebol nesse Brasil tão grande e tiramos uma foto nossa em frente à cancha…

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A Mari me chamou a atenção para a faixa colocada na frente do estádio convocando os jovens para participar do time.
Depois, já em casa, comentei com meu pai sobre como falta a essa região do litoral um clube disputando a série B do Paulista.

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Ao fundo do campo, o belo morro que esconde índios, rios e muitas lendas que correm por Mongaguá e pelo litoral.
O Estádio Silvano Ribeiro Diroz fica no bairro Pedreira, e tem capacidade para 3.300 torcedores e possui sistema de iluminação.

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E já começando a dar o ar da graça a Neblina, anunciando o frio e a chuva que chegaria à região, no dia seguinte.

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E seguindo os passos dos amigos fotógrafos, agora eu comecei a buscar ângulos diferentes de arquibancadas…E deu nisso:

7setembro 114

Ah, o prazer de estar em um estádio pela primeira vez e ainda poder acompanhar ao fundo uma partida da equipe local… Não tem comparação, é quase que uma coleção de imagens e momentos que ficam em minha mente e que tento reproduzir e compartilhar com vocês aqui no blog.

7setembro 117

Um último olhar no estádio, no campo, no jogo… E até uma próxima vez!

7setembro 115

Aqui, o time de 2022 (da fanpage do Jornal Bola na Rede) que conquistou a 1ªdivisão do amador da cidade:

Finalizando a viagem, voltei para Itanhaém, e depois para Santo André, onde acompanhei a derrota do Ramalhão para o Galo.
Em 2025, voltei à Mongagua para rever o Estádio e fiquei feliz de ver como as coisas estão.

O tradicional registro do meio campo mostra um gramado bem cuidado, muito melhor do que vimos há 16 anos atrás.

O gol da esquerda permite ainda ver como o morro ao fundo segue bem preservado,

Compare com a foto de 2009:

7setembro 104

E aqui, o gol da direita:

A arquibancada também parece em dia, inclusive com aquele corrimão ali no meio, que tanta dor de cabeça já deu pra times profissionais.

Sempre bom registrar a presença em um estádio bacana do litoral sul do estado de São Paulo e que teria condições de ao menos aderir às disputas das categorias de base.

Bonita a arquibancada alvi verde, não?

Olha aí o banco de reserva:

Pudemos ver a área dos vestiários e refeitórios ali ao fundo do estádio.

Uniformes sendo lavados e olha que bonito está o shorts do time:

E a camisa:

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39- Camisa da Ferroviária de Assis

Camisa da AA Ferroviária de Assis

39ª camisa da coleção é uma das que considero especiais. Acho até que pessoalmente, é a de maior valor histórico das que eu tenho.

Pertence à já extinta Associação Ferroviária de Assis:

Distintivo da AA Ferroviária de Assis

E a considero histórica, primeiro porque, embora seja o uniforme número 2 (o número 1 é vermelho com os destaques em branco) é uma camisa oficial e foi usada em partidas oficiais na década de 70, pelo time da cidade de Assis, onde meu pai passou boa parte da infância.

Além disso, como parte da família trabalhava na Estrada de Ferro Sorocabana, meu tio “Zé”, na época conhecido como Alemão, jogou na equipe.  Olha ele aí numa “clássica” 3×4:

Zé "Alemão"- AA Ferroviária de Assis

Olha ele aí agachado (o 3º da direita pra esquerda):

A Associação Atlética Ferroviária de Assis (AAFA) foi fundada em 1927, sendo mais uma linda história de amor entre o futebol e a ferrovia. Miguel Belarmino de Mendonça foi o primeiro presidente do clube.

Até o início dos anos 40, o time se manteve na disputa de amistosos e de torneios regionais, sempre jogando com a casa cheia!

Mas em 1942, fez sua estreia no Campeonato do Interior, sendo campeã da 13a região e chegando até a 2a eliminatória (equivalente às quartas de final).

Campeonato do Interior 1942

Uma ajuda da inteligência artificial pra vermos um cenário colorido e umas aletaoriedades kkk:

Em 1943, a Vermelhinha novamente foi campeã da 13a região e chegou à 3a eliminatória (também equivalente às quartas de final), sendo eliminada pelo Noroeste, que seria campeão:

Campeonato do interior 1943

Chegou 1944 e a AA Ferroviária se consolidou como força da região sendo campeã pelo terceiro ano consecutivo da sua região e avança até a fase inter regional do campeonato, sendo eliminada pela Ferroviária de Botucatu:

Campeonato do interior 1944

Adivinha o que houve em 1945? Mais uma vez a AA Ferroviária vence o seu grupo! Mas mais uma vez um time de Botucatu elimina a vermelhinha…

Campeonato do Interior 1945

Chegamos a 1946 e como já esperado a AA Ferroviária sagrou-se campeã do seu grupo, classificando-se para a próxima fase, que também foi um grupo e mais uma vez, sendo vencido pela Botucatuense.

Campeonato do Interior 1946

Aliás, vasculhando pelas redes sociais da cidade de Assis, achei uma foto muito bonita do time, de 1946:

Em 1947, disputou novamente o Campeonato do Interior, novamente chegando até a fase regional e sendo eliminado pela Botucatuense.

Campeonato do Interior 1947

Por conta do endereço de seu estádio e da cor da sua camisa, o time era apelidado de “a vermelinha da Rua Brasil“.

O nome oficial do estádio é Dr. Adhemar de Barros e sua construção foi gradativa: primeiro o campo, depois as arquibancadas, os vestiários e por fim a iluminação. (Veja maiores detalhes do estádio no post sobre minha visita recente à Assis).

Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

Aqui, o estádio nos anos 50:

Por fim, o acolhedor e ao mesmo tempo intimidador Estádio Dr. Adhemar de Barros estava pronto, como podemos ver nessa foto do site www.umdoistres.com.br, de Assis:

Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

Foi nele que o time mandou seus jogos e até hoje, ele segue ali na Rua Brasil, não muito diferente do que era na época.

Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

Esta é a charmosa arquibancada, parcialmente coberta que fez parte da infância e da juventude de quem amava futebol nos anos 50 e 60…

Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

Sua capacidade era de pouco mais de mil torcedores que ali estiveram para apoiar times como esse:

Aqui, o gol do lado da Rua Brasil:

DSC00162Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

E o “gol dos fundos”:

Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

Deu até pra gente bater uma bola…

DSC00164Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

Lembrando que essas traves já foram defendidas por ninguém menos que o goleiro Jefferson, que chegou a atuar pela seleção brasileira, mas ficou famoso jogando pelo Botafogo do RJ.

Estádio Dr. Adhemar de Barros - AA Ferroviaria de Assis - A vermelhinha da rua Brasil

Também conhecida como a “Veterana“, o time da Ferroviária marcou época e entrou pra história ao disputar a série A2 de 1949 até 1952, quando foi rebaixada pela lei que exigia que as cidades tivessem um mínimo de 50.000 habitantes.

Essa foi sua campanha em 1949, quando não passou da primeira fase, a “Série Preta”:

Série A2 - série preta - 1949
Série A2 - série preta - 1949

Aqui, a campanha de 1950, e mais uma vez, não passou da primeira fase, a “2a Série”:

Série A2 - 1950
Campeonato Paulista Série A2 - 1950

Aqui, a campanha de 1951:

Série A2 - 1951
Série A2 - 1951

E esta a de 1952:

A2 - 1952
A2 1952

Disputou a série A3 de 1953 até 1957, com destaque para o empate conquistado em 1957 contra o Tricolor Paulista que visitou Assis sem grandes pretensões, mas não conseguiu vencer a vermelhinha!

Retornou à segunda divisão em 1958 e 1959. Em 1958 fez uma campanha bem ruim, terminando em último do Grupo Verde:

Série A2 - Grupo Verde - 1958
Série A2 - Grupo Verde 1958

Em 1959 mais uma campanha ruim…:

Campeonato Paulista - Série A2 - 1959
Campeonato Paulista - Série A2 - 1959

Voltou a jogar a A3, a partir de 1960, aqui, uma foto do time dessa época:

AA Ferroviária Assis

Mesmo em alta, o time via-se atolado em dívidas, o que obrigou o presidente da época, Joãozinho Maldonado a tentar vender “Mingo” o maior de seus craques à Portuguesa.

Pra piorar, a Lusa achou que o valor era alto demais e não comprou o jogador que preferiu ficar trabalhando na Estrada de Ferro.

Infelizmente, em 1967, o clube perde uma partida decisiva em Marília e licencia-se, iniciando-se uma crise, que foi agravada ainda mais com a ascensão de outro time da cidade, o VOCEM (veja a camisa dele aqui).
Foto do amigo Luciano Mendes, que lembrou que nesse ano a equipe disputou com Palmital, Bauru AC, Dracena, Garça, Piraju, Veracruzense, Guarani de Adamantina e São Bento de Marília:

E assim como a Estrada de Ferro começava a perder a atenção para as grandes autopistas, em 1976Ferroviária disputa seu último campeonato profissional, em detrimento do futebol moderno e caro.

Mesmo fim de muitos times importantes do interior fizeram e ainda estão fazendo hoje em dia. Uma prova viva do desinteresse cada vez maior do brasileiro pelo futebol. Mas aí vão mais algumas fotos do passado para quem sabe calentar os corações que podem ter se congelado:

Time de 1975:

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