O Estádio José Spaus da Silva e o futebol profissional em Santo Anastácio

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê até Bataguassu-MS. Veja os posts já feitos sobre essa viagem:
1) Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo
2) Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju
3) Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos
4) Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes, em Ipaussu
5) Estádio do Clube Atlético Ourinhense e o Estádio Djalma Baia, em Ourinhos
6) Estádio Romeirão, em Ribeirão do Sul
7) Estádio Manoel Leão Rego e Estádio Miguel Assad Taraia, em Palmital
8) Estádio Francisco Guímaro, “O Pirangueiro“, em Presidente Epitácio
9) Estádio Municipal “João Pereira de Souza”, em Bataguassu (MS)
10) Estádio Municipal José Francisco Abegão (antigo Estádio Antônio J. Andrade), em Presidente Venceslau)

Já no caminho de volta, vamos conhecer um pouco da história do futebol em Santo Anastácio, e do Estádio José Spaus da Silva, o antigo Estádio da Vila Lunardi.

Então não perca a saída da Raposo e entre no trevo!

Santo Anastácio está na região oeste do estado com uma população de cerca de 25 mil pessoas e ainda guarda um pouco da tranquilidade comum no interior.

A região foi ocupada por séculos por indígenas Guaranis Kaiowás, Xavantes e Kaingangues que foram exterminados ou expulsos para as áreas ainda mais ao interior ocupando as matas virgens do Vale até chegar ao Mato Grosso do Sul.

A soma Agricultura (café e cana) + estrada de ferro impulsionou uma nova ocupação à região por brasileiros e muitos imigrantes.

Como era comum, as terras pertenciam a poucas pessoas, que logo passaram a vender lotes na área rural que davam direito a um lote na parte central, desenvolvendo a cidade ao mesmo tempo que a área rural crescia.

O povoado foi crescendo de forma planejada, com ruas e avenidas largas, passou a ser conhecida como “Vai e Vem”

Quando elevado à vila em 1921 por Washington Luís, passou a denominar-se distrito de paz de Santo Anastácio.

Em 1925 o distrito foi elevado à cidade e foi erguida a Paróquia Santo Anastácio.

Mas… Lembre que a nossa religião é o futebol, e que nosso objetivo em Santo Anastácio era conhecer e registrar o “Estadio Municipal José Spaus da Silva“, antigo “Estádio da Vila Lunardi“.

O futebol em Santo Anastácio se iniciou na década de 20, em um campo, que ficava na área onde está hoje o Grupo Escolar Enrico Bertoni.
Como fonte desse post, utilizei algumas informações do incrível site Osmar de amigos.
O primeiro time importante surgiu em 1929: a Associaçao Atlética Anastaciana, com sede na Avenida Dom Pedro II.

O time teve uma história curta, encerrando suas atividades em 1936, mas fez história nas disputas locais, incentivando o surgimento de outros times na cidade.

Em 1930, o time realizou um derbi contra um time de Ferroviários locais (décadas depois surgiria o União Ferroviária Anastaciana).

O segundo time a fazer história na cidade, seria fundado em 10 de maio de 1940: o FADA Futebol Clube.
Encontrei dois distintivos do clube:

O nome do time é uma sigla que significa “Federação Anastaciana de Desportos Atléticos“, mas a Federação Paulista de Futebol, não topou alegando que não poderia existir outra “Federação”.
Daí surge a ideia de nomear o time como “Fada Futebol Clube“.
Esse é o time de 1940:

Depois de partidas amistosas com times locais, estreou no Campeonato do Interior em 1942:

Não disputa em 1943, voltando em 44 (a AA Venceslauense sairia campeã do grupo):

Em 1945, o FADA foi campeão do seu grupo, derrotando a Associação Atlética Venceslauense por 7 a 1. Mas pegou a Ferroviária de Assis no mata mata, perdendo em Assis por 4×0 e vencendo em Santo Anastácio por 1×0, sendo eliminado.

Em 1946 o FADA conquistou mais uma vez a sua zona no Campeonato Amador Regional, ao empatar com o Palmeiras em Presidente Prudente por 2×2. Infelizmente na segunda fase (um quadrangular), perdeu a vaga para a AA Botucatuense.

Em 1947, o FADA não consegue se classificar, perdendo a vaga para o Paulista FC de Álvares Machado.

Esse foi o time que disputou o Amador daquele ano:

Em 1950, o FADA conquista mais uma vez o grupo do Campeonato Amador Regional vencendo na final o XV de Novembro, também de Santo Anastácio por 3 a 1. Após várias eliminatórias, o FADA alcança a fase final com o Candidomotense, Ourinhense, Pirajuí FC, Saltense e o campeão América de Ibitinga.

Este foi o time de 1951:

Em 1952 conquistou mais uma vez o título do grupo do Campeonato Amador Regional. Em 1954, uma campanha mediana, mas em 1955, o FADA aceita um novo desafio: disputar a 3ª Divisão do Campeonato Paulista.

É sem dúvida o maior momento do time, mesmo terminando o campeonato com uma campanha fraca. O FADA volta a disputar o Campeonato Amador conquistando o título do seu setor outras vezes. A Fanpage Esporte Total trouxe esta foto de 1963:

Em 1966 encerra suas aventuras no mundo do futebol sagrando-se campeão da região mais uma vez, como um presente de despedida para os anastacianos.

Após 12 anos de pausa, o Fada Futebol Clube tentou voltar ao mundo do futebol, disputando a quinta divisão do Campeonato Paulista de 1978.

O amigo Wesley Paula postou em sua página do Facebook esta foto incrível da camisa do FADA FC:

Na sequência dos times, em 1948, foi a vez do XV de Novembro aparecer. Aqui, uma foto do time em 1954:

Em 1952, surge o União Ferroviária Anastaciana, o “UFA“.

Além das disputas amadoras e vários derbis, em 1957 disputou a 3a divisão do Campeonato Paulista:

Em 1958 foi convidada a disputar a segunda divisão, mas não aceitou e pediu pra jogar a terceira e … acabou sem divisão kkk

Em 1954, é a vez do Grêmio Esportivo Casemiro de Abreu aparecer. Aqui, o time de 1956:

E se todos esses times tiveram uma história tão bonita, foi graças a este pedaço de chão que segue lá…

Se antes o Estádio era conhecido como Estádio da Vila Lunardi, desde1972 (segundo a placa no próprio estádio) o nome oficial é Estádio Municipa;l José Spaus da Silva.

O estádio preserva dois lances de arquibancadas na lateral do estádio, sendo uma delas coberta.

Do outro lado, se não há arquibancada, ao menos o “desenho do estádio” parece pronto para isso.

E aí, uma visão atrás do gol:

Vamos dar uma olhada no campo:

Olha a arquibancada vista de dentro do campo:

E a arquibancada descoberta ao lado dela:

E ali a entrada do estádio, de onde eu fiz as fotos iniciais:

Faltou contar uma parte importante da nossa ligação com a cidade: foi em Santo Anastácio que meu pai nasceu, então por mais que ele nem tenha nenhuma recordação da cidade, seria nesse campo que ele teria jogado e torcido!

Olha aí o placar manual:

Até o banco de reservas segue por lá com seu charme:

Até a polícia tem seu espaço ali…

O gol do fundo do estádio…

Que essas arquibancadas tenham a energia que merecem seja no futebol profissional ou amador!

Tem até um espaço para a imprensa ali no meio das arquibancadas:

O estádio é muito bonito e parece ter “brotado” em meio à natureza…

Um último olhar…

Hora de ir embora com a certeza de mais uma missão cumprida!

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O futebol profissional em Presidente Venceslau

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu-MS.
Veja os posts já feitos sobre as primeiras cidades dessa viagem:
1) Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo
2) Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju
3) Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos
4) Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes, em Ipaussu
5) Estádio do Clube Atlético Ourinhense e o Estádio Djalma Baia, em Ourinhos
6) Estádio Romeirão, em Ribeirão do Sul
7) Estádio Manoel Leão Rego e Estádio Miguel Assad Taraia, em Palmital
8) Estádio Francisco Guímaro, “O Pirangueiro“, em Presidente Epitácio
9) Estádio Municipal “João Pereira de Souza”, em Bataguassu (MS)

Vamos mostrar como foi o caminho de volta, começando pelo Estádio Municipal José Francisco Abegão, em Presidente Venceslau.

Presidente Venceslau é uma cidade do interior de São Paulo, distante 600 km da capital e com cerca de 40 mil habitantes.

Foi ocupada por muitos anos (talvez milhares) por indígenas Kaingangues, dizimados, primeiro pelos bandeirantes e depois pela estrada de ferro e a agricultura.

Nunca entendi porque depois de dizimar os indígenas locais as cidades decidem homenageá-los … Por muito tempo chamou-se o povoado de “Coroados” (um outro jeito de chamar o povo kaingangue), em memória ao povo que ali viveu. Também foi chamado de Perobal, por causa das grandes árvores de Peroba que existiam e que foram transformadas em trilhos para a Ferrovia Sorocabana.

Por fim… O nome da cidade acabou sendo homenagem a um dos presidentes do país: Wenceslau Brás, em 1921.

A cidade foi emancipada de Presidente Prudente ainda na década de 1920 e recebeu imigrantes alemães, depois italianos e espanhóis, mais tarde, japoneses, que desenvolveram a lavoura.
A Estrada de Ferro Sorocabana foi fundada em 1872, mas apenas em 1922 chegou ao rio Paraná, passando por Presidente Venceslau.

A cidade tem crescido, mas mantém muitas casas antigas como verdadeiro registro histórico.

E sim… Tá lá a igreja matriz!

Mas, por hora, esqueçam as orações… Nosso objetivo em Presidente Venceslau era registrar o Estádio Municipal José Francisco Abegão, e também relembrar os times que disputaram os Campeonatos Profissionais da Federação Paulista.

Infelizmente o Estádio Municipal José Francisco Abegão não possui mais nenhuma identificação na sua entrada…

Apenas essa inscrição em seu muro lateral.

O Estádio Municipal José Francisco Abegão tem capacidade para 14 mil torcedores.

Hora de dar um rolê e conhecer o campo:

Se atualmente o Estádio Municipal recebe partidas de competições da região, em 1942 ele era chamado de Estádio Antônio J. Andrade e era a casa da Associação Atlética Venceslauense!

A AA Venceslauense nasceu para representar a cidade no reconhecido Campeonato do Interior, que era a competição mais importante para os times do interior. Por ser o time mais antigo, era conhecida como a veterana”.
Aí está o seu grupo em 1942:

Não disputa em 1943, mas retorna em 1944, quando sagra-se campeão da 17ª região (muitos times consideravam isso um título!) e classifica-se para os mata-matas. Pena que logo de cara pega a forte Ferroviária de Assis e perde como visitante por 4×1 e em casa por 2×1:

Em 1945, o FADA (de Santo Anastácio) sagra-se campeão do grupo.

Em 1946, novamente o FADA sagra-se campeão:

Aqui, o grupo de 1947 que teve o Paulista de Álvares Machado como campeão.

A AA Venceslauense segue nas competições do interior, honrando seu manto, como o faz na foto abaixo o atleta “Toco”, Carlos Alberto dos Santos, em 1956!

Até torcida organizada eles tinham!

Em 1957, segundo a Gazeta Esportiva, o Estádio Antônio J. Andrade passou por uma grande reformulação:

Em 1966, a AA Venceslauense faz história e disputa o Campeonato Paulista da 4a divisão, sua única aventura no profissionalismo. 16 partidas inesquecíveis para a torcida local.

A AA Venceslauense volta ao amadorismo e por fim doa o terreno do clube e do então Estádio Antônio Andrade à Prefeitura para ser construído o “Centro Esportivo José Francisco Abegão.
Mas Presidente Venceslau teve outro importante time em sua história: o Esporte Clube Corinthians, fundado em 26 de novembro de 1946.

Claro… O time foi uma homenagem ao seu homônimo da capital, mas mesmo assim fez história, com 9 participações em Campeonatos Estaduais.

Junto à sua sede eles construíram um estádio que também homenageia o Corinthians paulistano: o Parque São Jorge.

O time começou disputando o Campeonato amador do Interior como em 1950:

Em 1957, organizou um torneio quadrangular:

No mesmo ano também houve a construção do. seu estádio:

Em 1965, foi vice campeão do quadrangular da cidade, jogando no Parque São Jorge.

Ainda em 1965, o EC Corinthians estreia na Quarta divisão com uma campanha mediana (5 vitórias, 5 derrotas e 2 empates).

Manteve-se na Quarta Divisão em 1966, quando se licenciou do profissionalismo.

Aqui o time de 77:

Volta ao profissionalismo em 1986, jogando a Terceira Divisão e novamente terminando na sexta colocação.

Na Terceira Divisão de 1987, termina em terceiro lugar do grupo.

E em 1988, joga a Quarta Divisão, classificando-se em terceiro lugar para a segunda fase.

A segunda fase é um triangular de onde apenas um time se classifica e a vaga acaba com o Riolândia.

Em 1989, mais uma vez o Corinthians se classifica para a segunda fase, dessa vez em segundo lugar.

Mais uma vez o time foi mal no triangular da segunda fase:

E eis que chega o momento mágico do time: o ano de 1990! E a primeira fase é mais uma vez ultrapassada, com a seguinte campanha:

1º turno
18 de março: EC Corinthians 0x2 Palmeiras (Franca)
25 de março: São Simão 2×2 EC Corinthians
1º de abril: EC Corinthians 2×1 Ituveravense
8 de abril: Monte Azul 1×4 EC Corinthians
15 de abril: EC Corinthians 0x0 Severínia
22 de abril: Cravinhos 0x2 EC Corinthians
29 de abril: EC Corinthians 1×0 Estrela da Boa Vista
6 de maio: Palmeirinha (Porto Ferreira) 0x1 EC Corinthians
12 de maio: Palmeiras (Franca) 3×1 EC Corinthians
20 de maio: EC Corinthians 1×1 São Simão
27 de maio: Ituveravense 0x1 EC Corinthians
3 de junho: EC Corinthians 1×0 Monte Azul
17 de junho: Severínia 0x0 EC Corinthians
24 de junho: EC Corinthians 2×0 Cravinhos
1 de julho: Estrela da Boa Vista 0x0 EC Corinthians
8 de julho: EC Corinthians 0x0 Palmeirinha (Porto Ferreira)

2º turno:
22 de julho: EC Corinthians 2×0 Nevense
29 de julho: José Bonifácio FC 0x4 EC Corinthians
5 de agosto: EC Corinthians 4×0 São Paulo (Avaré)
12 de agosto: Guariba 1×3 EC Corinthians
19 de agosto: EC Corinthians 1×0 Ranchariense
26 de agosto: Andradina FC 0x1 EC Corinthians
9 de setembro: Nevense 2×0 EC Corinthians
16 de setembro: EC Corinthians 3×0 José Bonifácio EC
23 de setembro: São Paulo (Avaré) 0x2 EC Corinthians
30 de setembro: EC Corinthians 4×0 Guariba
7 de outubro: Ranchariense 2×1 EC Corinthians
14 de outubro: EC Corinthians 2×0 Andradina FC

A segunda fase foi um quadrangular e o EC Corinthians terminou como líder, com a seguinte campanha:

11 de novembro: Palmeirinha (Porto Ferreira) 0x2 EC Corinthians
15 de novembro: EC Corinthians 3×2 Monte Azul
18 de novembro: São Paulo (Avaré) 1×0 EC Corinthians
24 de novembro: EC Corinthians 2×0 São Paulo Avaré)
2 de dezembro: Monte Azul 0x0 EC Corinthians
9 de dezembro: EC Corinthians 2×1 Palmeirinha (Porto Ferreira)

O Campeonato daquele ano não teve final, foram somados os pontos das duas fases e o líder (o EC Corinthians) sagrou-se campeão

Aí está o time campeão!

Com o título, em 1991 voltou para a Terceira Divisão, mas a diferença de nível técnico ficou clara e o time terminou em último lugar.

Por fim, faz sua última participação na Terceira Divisão em 1992, com uma campanha mediana, abandonando o profissionalismo.

Em 1994, até se anima para voltar ao profissional, mas desiste da 4a divisão antes do início do campeonato deixando o Estádio Municipal José Francisco Abegão com suas portas abertas apenas ao futebol amador…

Os bancos de reserva…

E aí, a visão do meio campo:

O gol da direita:

E o gol da esquerda:

E a linda (e receptiva) arquibancada:

A arquibancada coberta:

Sempre bom reforçar quando temos arquibancada atrás do gol.

E o grande charme do dia: a coruja que vive em pleno campo!

Um último registro do campo e….

Calmaaaa! Antes de nos despedirmos de Presidente Venceslau, vale a menção a um terceiro time que embora não tenha chegado ao profissional, mexeu com a cidade nos anos 60: a Sociedade Esportiva Mariana.

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O futebol profissional em Bataguassu-MS

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu-MS.
Veja os posts já feitos sobre as primeiras cidades dessa viagem:
1) Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo
2) Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju
3) Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos
4) Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes, em Ipaussu
5) Estádio do Clube Atlético Ourinhense e o Estádio Djalma Baia, em Ourinhos
6) Estádio Romeirão, em Ribeirão do Sul
7) Estádio Manoel Leão Rego e Estádio Miguel Assad Taraia, em Palmital
8) Estádio Francisco Guímaro, “O Pirangueiro“, em Presidente Epitácio

Vamos agora mostrar nossa visita à Bataguassu, a cidade do outro lado do rio Paraná, já no estado do Mato Grosso do Sul e o destino mais distante alcançado nesta viagem!

Estávamos a apenas 325 km da capital Campo Grande, que é um lugar que sonho conhecer!

Curta um pouco a sensação de passar por um verdadeiro gigante de água, quase 3 km entre as margens do Rio Paraná:

É uma experiência única ver esse rio gigante e vivo!

Passeando por este Brasil indígena, mais uma vez chegamos a um território densamente povoado pelos povos originários no passado e que acabou passando por uma grande e dolorosa mudança para se tornar o que é hoje.
Para conhecer mais sobre a presença indígena no Mato Grosso do Sul, vale ler o artigo “Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul” e assim sonhar com os Xaray, Ortues, como os Tiyue e os Yayna que viviam na região do rio Paraná. (Ilustração dos Xaray de Schmidel, 1903

As origens da cidade datam do início do século XX, quando Manuel Costa Lima decidiu explorar o sertão do Mato Grosso do Sul rumo à fronteira com o estado de São Paulo, atingindo as margens do rio Paraná, onde foi fundado o distrito de Porto XV de Novembro, conhecido atualmente por seus artesãos e artesãs.
Leia aqui um pouco sobre a história deles e descubra porque na verdade esse é o “novo” porto XV.

Naquela época, se atravessava o rio Paraná em canoas e havia uma balsa para transportar o gado, que surgiu do vapor “Carmelita”, até que em 1953 se inaugurou a estrada que liga Mato Grosso do Sul a São Paulo.
E é aí que o tcheco Jan Antonín Bata (o “rei do calçado” que veio ao Brasil fugindo dos nazistas) funda Bataguassu.
Bata em tcheco é sinônimo de energia, trabalho, cooperação e honra.

Ali, se construiram as primeiras casas, um armazém e um pequeno templo católico, no centro de onde hoje se encontra a Praça Jan Antonin Bata.

Estivemos lá e é um lugar simples mas bem cuidado, com algumas obras para lembrar às pessoas sobre a relação do estado com o pantanal.

Em 1953, o governador do estado de Mato Grosso, Fernando Correia da Costa visitou Bataguassu e prometeu sua emancipação política, elevando a vila foi elevada à Município. Em 1977, o governo militar oficializa um novo estado: o Mato Grosso do Sul e Bataguassu passa a fazer parte dele.

Com o desenvolvimento de Batagassu, o futebol aparece, inicialmente improvisado em gramados espalhados pela cidade e depois passando a organizar partidas e campeonatos amadores.

Vale lembrar que já estivemos em dois estádios no Mato Grosso do sul, um em Três Lagoas, o Estádio Benedito Soares Mota, conhecido como “Madrugadão” veja aqui como foi.

E outra em Aparecida do Taboado, no Estádio Municipal Pereira de Queiroz, mais conhecido como Pereirão, veja aqui como foi.

Mas falando do futebol de Bataguassu, nosso objetivo era conhecer e registrar o Estádio Municipal “João Pereira de Souza”, que foi a casa dos times da cidade que disputaram o campeonato profissional do Mato Grosso do Sul.

Inaugurado no início dos anos 80, na gestão do prefeito Adonel Elias Barbosa, um entusiasta pelo futebol, o estádio serviu de casa para o futebol amador e para os 3 times da cidade que disputaram as competições profissionais do Mato Grosso do Sul:

A Associação Atlética Bataguassuense foi o primeiro time da cidade a disputar a série B do Campeonato Sul-Matogrossense profissional.

Fundada em 1987, a AA Bataguassuense jogou a Série B do Campeonato Sul-Matogrossense do ano de sua estreia, veja os participantes:

Participou também da edição da segunda divisão sul-matogrossense de 1988.

Mas estas foram suas únicas participações no profissionalismo. Depois retornou ao futebol amador, onde em 1992, voltou a sagrar-se campeão:

Nos anos 90 foi a vez de um novo time surgir na cidade: o Esporte Clube Corinthians de Bataguassu.

Fundado em 14 de junho de 1991, o EC Corinthians fez história ao chegar às quartas de final do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 1999, sendo eliminado pelo Comercial de Campo Grande.
Veja as partidas dessa campanha (fonte: Futebol Nacional):

14 de março: EC Corinthians 2×1 Operário AC
21 de março: Ivinhema EC 1×2 EC Corinthians (O Ivinhema acabou desclassificado)
28 de março: EC Corinthians 2×2 Nova Andradina
4 de abril: Ubiratan 2×1 EC Corinthians
11 de abril: EC Corinthians 1×1 Independente
18 de abril: Maracaju 2×2 EC Corinthians
1 de maio: EC Corinthians 1×0 Maracaju
9 de maio: Nova Andradina 1×0 EC Corinthians
16 de maio: Operário AC 1×1 EC Corinthians
23 de maio: EC Corinthians 1×1 Ubiratan
30 de maio: Independente 1×7 EC Corinthians

Nas quartas de final enfrentou o forte Comercial e acabou desclassificado após 2 empates:

27 de junho: EC Corinthians 2×2 Comercial
4 de julho: Comercial 1×1 EC Corinthians

Olha aí o Betinho, goleiro do time de 1999:

Em 2000, mais uma incrível campanha (fonte: Futebol nacional):

19 de março: EC Corinthians1×0 Ladário
26 de março: Misto 0x1 EC Corinthians
2 de abril: EC Corinthians 0-0 Paranaibense
9 de abril: CENE 0x1 EC Corinthians
16 de abril: EC Corinthians 1×1 Riachuelo
29 de abril: Riachuelo 1×2 EC Corinthians
1º de maio: Ladário 2×1 EC Corinthians
7 de maio: EC Corinthians 3×1 Misto
14 de maio: EC Corinthians 5×1 CENE
21 de maio: Paranaibense 2×1 EC Corinthians

O time chegou às quartas de final contra o Moreninhas:
28 de maio: Moreninhas 2×1 EC Corinthians
4 de junho: EC Corinthians 2×0 Moreninhas

Assim, o EC Corinthians chegou à histórica semifinal contra o Ubiratan, quando perdeu a oportunidade de chegar à final:
11 de junho: Ubiratan 1×0 EC Corinthians
18 de junho: EC Corinthians 1×1 Ubiratan (esse jogo terminou em tumulto, mas não encontrei maiores detalhes).

Em 2001, não disputa o campeonato, voltando em 2002, novamente batendo de frente com os mais fortes do estado. (Fonte: bola na área).

Veja a campanha do Corinthians em 2002 (fonte: Bola Na Área):

03 de marçoEC Corinthians 3×1 Misto
10 de março – Paranaibense 2×1 EC Corinthians
17 de março – Chapadão 2×2 EC Corinthians
24 de março – EC Corinthians 1×1 Cassilandense
10 de abril: Misto 2×2 EC Corinthians
14 de abril: EC Corinthians1×1 Paranaibense
21 de abril: EC Corinthians 1×1 Chapadão
28 de abril: Cassilandense 7×0 EC Corinthians

E olha a camisa do time, que bonita! Fonte: Museu do futebol.

Essa foi a última participação do time no futebol profissional, e em 2006, surge um novo time para representar a cidade no futebol profissional: a Associação Atlética Bataguassu.

Participou do Campeotnao Sul-Matogrossense da segunda divisão de 2006 e 2007. Aqui a campanha daquele ano:

11/3 – Bataguassu 0x0 Misto
18/3 – União 2×1 Bataguassu
25/3 – Bataguassu 1×4 Camapuã
8/4 – Bataguassu 0x2 União
15/4 – Misto 6×0 Bataguassu
22/4 – Camapuã WOx0 Bataguassu

Atualmente, o time manda seus jogos no Estádio Municipal Sebastião Taboca, em Porto XV.

Mas os 3 times já tiveram como casa no futebol profissional o Estádio Municipal de Bataguassu. E olha que linda vista aérea, que encontrei no site da prefeitura:

Vamos dar uma olhada em seu entorno:

Beirando os seus 40 anos, o Estádio Municipal “João Pereira de Souza” recebeu algumas reformas, mas pelo que entendi ainda falta finalizar a fachada de entrada, veja como ela estava em 2022:

E aqui, a previsão de como ficará:

Em 2017, uma chuva levou sua cobertura:

Sua capacidade é de 5 mil torcedores.

No dia de nossa visita, a arquibancada coberta estava bem bonita, sem sinal dos problemas da chuva.

Mais uma imagem que reforça a reforma promovida pela prefeitura:

Aí o gol do lado direito:

O do lado esquerdo:

E o meio campo:

Olha os bancos de reservas:

E aqui, o segredo para fotos com portões fechados:

Ainda tem muita coisa que queremos conhecer no Mato Grosso do Sul, espero voltar um dia e com mais tempo…

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O Estádio "O Pirangueiro" e o futebol profissional em Presidente Epitácio

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu-MS.
Veja os posts já feitos sobre as primeiras cidades dessa viagem:
1) Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo
2) Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju
3) Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos
4) Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes, em Ipaussu
5) Estádio do Clube Atlético Ourinhense e o Estádio Djalma Baia, em Ourinhos
6) Estádio Romeirão, em Ribeirão do Sul
7) Estádio Manoel Leão Rego e Estádio Miguel Assad Taraia, em Palmital

Agora é a vez de conhecer o futebol de Presidente Epitácio, onde chegamos já de noite, depois de passarmos em Assis pra rever os parentes.

A ideia até era ter entrado em Regente Feijó e visitado novamente o Estádio Municipal Dr. Mário dos Reis (veja aqui como foi nossa primeira visita), mas a chuva antecipou a noite e impediu novos registros… Acabamos indo direto pra Presidente Epitácio onde passamos a noite para enfim conhecer o Rio Paraná na manhã seguinte.

Essa é a margem do rio em São Paulo. A cidade vem tentando transformar o local em uma verdadeira praia com foco no turismo e isso fica ainda mais nítido no Parque “O Figueiral” (dá uma olhada nas fotos do Trip Advisor).

Mas mesmo ali na margem próxima à ponte que liga o estado de São Paulo ao Mato Grosso do Sul você já se diverte!

A ponte merece um capítulo a parte… Tem quase 3 km passando por cima do rio Paraná…

A cidade conta ainda com uma orla cheia de restaurantes e boas opções para os visitantes e no dia em que fomos embora ainda ia rolar um show do IRA! E, claro, também tem a igreja matriz!

Mas nosso “turismo” tinha como objetivo conhecer e registrar o “Estádio Francisco Guímaro” mais conhecido como “O Pirangueiro“, inaugurado em 1953.

Uma pena que não tem nenhuma identificação com o nome do estádio… Veja como era até pouco tempo atrás:

Atualmente, uma placa de metal aguarda a nova sinalização. Aliás, você sabe o que significa “Pirangueiro“?? Segundo o o dicionário refere-se ao que é reles, desprezível… Triste né?

Olha que imagem bacana vendo o estádio láááá de cima:

Vamos dar uma olhada no entorno do estádio:

O Pirangueiro foi inaugurado em 1953 para receber os jogos da AA Epitaciana na disputa do Campeonato Amador, cujo setor foi organizado pela Liga Prudentina. O site Escudos Gino apresenta o distintivo do time:

Mas o futebol na cidade começa com outro time também: o EC Fluvial Porto Tibiriça.

Mas a AA Epitaciana acabou ganhando o nome por ter sido o primeiro a disputar o Amador do Estado, em 1953, e pra isso, contou inclusive com atletas do rival EC Fluvial, apesar da rivalidade entre eles.

Aqui, o time da AA Epitaciana em 1953 em jogo contra a Prudentina, pelo Campeonato do Interior:

A AA Epitaciana disputou o Campeonato do Interior por vários anos. Aqui, uma imagem dos anos 60:

E olha como ficava o Pirangueiro nos jogos decisivos da AA Epitaciana:

Olha aí a mesma arquibancada, nos dias atuais:

Caso queira conhecer mais sobre a história do time e do futebol em Presidente Epitácio, vale assistir o vídeo:

Em 1954, o EC Fluvial passa a fazer companhia à AA Epitaciana na disputa do amador:

Aqui, o EC Fluvial dos anos 60, Bi-Campeão Amador da Região da Alta Sorocabana.

Mas, mais uma vez a AA Epitaciana sai na frente e em 1970 disputa a Terceira Divisão do Campeonato Paulista.
Mas não realiza uma campanha capaz de classificá-lo para a segunda fase:

Encontrei 4 resultados daquele ano:
Nevense 4×3 AA Epitaciana
AA Epitaciana 2×1 Municipal de Paraguaçu
Rio Branco 3×0 AA Epitaciana
AA Epitaciana 2×2 Cafelandense

Esse foi o time que disputou a Terceira Divisão de 1970:

Ainda nos anos 50, um terceiro time vem se somar ao futebol de Presidente Epitácio: o Beira Rio Esporte Clube. Distintivo do site Escudos Gino:

E olha aí o grupo do Amador de 1958, dessa vez com a AA Epitaciana e com o Beira Rio EC:

Aqui, o time dos anos 70:

Em 1976, o EC Beira Rio faz sua estreia no futebol profissional, na Terceira Divisão, fazendo uma campanha mediana, tendo um bom segundo turno, mas não se classificando para a fase final.
Em 1977, joga a Quarta Divisão e faz uma boa campanha na primeira fase (Série Manoel Nunes), terminando na liderança do grupo.

Veio a segunda fase e o EC Beira Rio surpreendeu mais uma vez, classificando-se à final contra o Primavera:

Para definir o campeão foram necessários 3 jogos: o primeiro 2×0 para o EC Beira Rio e os dois seguintes, vitórias simples de 1×0 para o Primavera, que sagrou-se campeão, mas levando o time de Presidente Epitácio para a Terceira Divisão novamente.
Em 1978, termina em posição intermediária sem se classificar.
Já em 79, passa da primeira fase, mas não chega às finais

Uma imagem de 1979:

Em 1980, mais de 80 times disputaram a Terceira Divisão, divididos em 5 grupos. O Beira Rio EC terminou em 6º lugar do grupo Azul sem se classificar para a segunda fase.
Em 1981, fez uma primeira boa fase, classificando-se para a semifinal do seu grupo no primeiro turno e ficando em quinto no segundo turno, mas não se classificou para o grupo final (apenas o campeão de cada grupo o foi).

Em 1982, novamente se classifica para a segunda fase, mas não chega às finais:

Em 1983 o time não se classifica da primeira fase. Em 1984, passa para a segunda fase, mas não chega à final.

Esse foi o time daquele ano:

A campanha de 1984:

1a fase:
25 de março: Beira Rio 2×4 Mirassol
8 de abril: Nevense 1×0 Beira Rio
15 de abril: Beira Rio 2×1 Auriflama
22 de abril: Paulista de Nhandeara 1×2 Beira Rio
29 de abril: Beira Rio 1×0 José Bonifácio
6 de maio: Guararapes 0x0 Beira Rio
12 de maio: Mirassol 0x0 Beira Rio
26 de maio: Beira Rio 0x0 Nevense
3 de junho: Auriflama 0x3 Beira Rio
10 de junho: Beira Rio 3×0 Paulista de Nhandeara
17 de junho: José Bonifácio 1×0 Beira Rio
24 de junho: Beira Rio 2×0 Guararapes
2a fase:
1 de julho: Beira Rio 2×0 Pirajú
8 de julho: Ranchariense 2×0 Beira Rio
15 de julho: Beira Rio 1×1 Garça
22 de julho: Beira Rio 1×1 Cafelandense (Cafelândia), em Cafelândia
29 de julho: Beira Rio 0x1 Rio Branco (Ibitinga)
5 de agosto: Oeste 2×1 Beira Rio
12 de agosto: Beira Rio 1×0 Santacruzense
19 de agosto: Pirajú 1×1 Beira Rio
26 de agosto: Beira Rio 5×1 Ranchariense
2 de setembro: Garça 2×2 Beira Rio
9 de setembro: Beira Rio W0x0 Cafelandense
16 de setembro: Rio Branco (Ibitinga) 4×0 Beira Rio
23 de setembro: Beira Rio 2×2 Oeste
30 de setembro: Santacruzense 1×1 Beira Rio
3a fase:
7 de outubro: Mirassol 1×1 Beira Rio
18 de outubro: Beira Rio 0x0 José Bonifácio
21 de outubro: Beira Rio 0x0 Guararapes
24 de outubro: Guararapes 2×0 Beira Rio
28 de outubro: Beira Rio 1×0 Mirassol
4 de novembro: José Bonifácio 1×2 Beira Rio

Em 1985, mais uma vez passa de fase no primeiro grupo, mas não avança no segundo quadrangular.

Em 1986, não se classifica na primeira fase, nem em 87, levando-o a jogar a Quarta Divisão em 1988, e o Beira Rio passa da primeira fase mas morre na fase seguinte.

Em 1989, termina a primeira fase como líder do seu grupo.

Dessa vez, também liderou a segunda fase, só parando na terceira fase, num triangular com Jaboticabal e Operário de Tambaú.

Em 1990, o time abandona o profissionalismo. Em 1991, tenta voltar disputando a seletiva para a Terceira Divisão mas acaba não retornando.

E assim, chegamos aos dias de hoje, sem times disputando competições profissionais, mas com o querido Estádio O Pirangueiro de pé atendendo às competições amadoras…

Mais um estádio que tem “pedaços de trilhos de trem” em seu entorno:

Ao fundo, a natureza mostra sua cara…

O muro lateral do estádio:

O gol da esquerda:

O meio campo e sua arquibancada:

E o gol da direita:

De um lado, temos uma arquibancada bem estruturada que permite excelente visão do jogo:

Do outro lado, uma arquibancada descoberta e até algumas cabines para imprensa.

A sua solitária arquibancada bem no centro do campo, parece pedir uma sequência… Mas, será que um dia o futebol profissional voltará a exigir novas melhorias?

O estádio ainda tem uma boa área que pode receber novas arquibancadas, como essa parte atrás do gol:

Vale divulgar uma fanpage dedicada à memória da cidade: FanPage EC Fluvial Tibiriça e o Canal de Vídeos “Epitácio, minha história”.

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O futebol profissional em Palmital

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu-MS.
Veja os posts já feitos sobre as 6 primeiras cidades dessa viagem:
1) Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo
2) Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju
3) Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos
4) Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes, em Ipaussu
5) Estádio do Clube Atlético Ourinhense e o Estádio Djalma Baia, em Ourinhos
6) Estádio Romeirão, em Ribeirão do Sul

Agora é a vez de dividir a nossa passagem por Palmital, mas vale lembrar que já estivemos lá em 2010. Veja aqui como foi!

Vamos conhecer um pouco da cidade !

Durante muito tempo, a região do Paranapanema foi ocupada por indígenas Coroados, Cayuás, Xavantes e Kaingangues.
Vi uma publicação que descreve a descida do rio do Peixe, de onde tirei a imagem do xavante abaixo, leia mais clicando aqui.

No século XVII, chegam os bandeirantes para escravizar indígenas e só 2 séculos depois, começa a se estabelecer um povoado, pra isso, muito sangue indígena foi derramado.
Surgem cidades como Santa Cruz do Rio Pardo (1876) e Piraju (1880), com foco na plantação de café e cana de açúcar, no início do século XX, a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana ajudou a criar uma segunda onda de cidades como Ipauçu (1915), Assis (1917) e Palmital (1919).

Em 18 de dezembro de 1919, Palmital foi elevado à categoria de Município.

Nesses 101 anos, muita coisa mudou, mas ainda existe tempo pra um joguinho de dominó na praça da cidade…

A cidade ainda tem no agronegócio seu maior motor econômico, mas aos poucos se vê obrigada a investir na diversificação de serviços para seguir oferecendo possibilidades de emprego à sua população.

Hoje, Palmital tem várias possibilidades de lazer na região, mas por muito tempo, o xodó da cidade foi o futebol, e esse amor ganhou cara em 19 de dezembro de 1929, com a fundação do Operário Futebol Clube:

O Operário Futebol Clube incluiu a cidade nas competições que já incendiavam a região naquela época.
Em 1930, a diretoria comprou o terreno onde seria construído o Estádio Manoel Leão Rego.

A partir de 1942, o Operário FC passou a disputar o Campeonato do Interior, e disputou ainda em 44, 45 e 46.

O time de 1946 que jogou em Paraguaçu Paulista, contra o ABC:

Também disputou em 1949 e 50, mas em 1954, a cidade mal pode acreditar na notícia…
O Operário FC se inscreveu para a disputa da Terceira Divisão!!!
Ainda que não tenha sido uma campanha exemplar, valeu pela experiência de estrear no profissional.

O time acabou não disputando as edições seguintes, mas nesse período sagrou-se campeão amador regional em 1957 e 1959 e voltou à Terceira Divisão em 1958, com uma campanha próxima da realizada em 54.

A Gazeta Esportiva apresentou o time daquele ano:

Novamente o Operário FC se licencia do profissionalismo e passa a disputar os campeonatos amadores.
As partidas se transformam em uma verdadeira mobilização da cidade: a turma se reunia na sede social e caminhava até o estádio, sendo que os próprios jogadores tomavam parte da brincadeira, uniformizados em meio aos torcedores.
Em 1960, o primeiro portal de entrada do estádio foi inaugurado, na gestão de Miguel Assad Taraia (que daria nome ao futuro estádio).

Ainda no início dos anos 60, o estádio foi batizado de Manoel Leão Rego, prefeito daquela época, que dizem haver perdoado uma dívida do clube com ele, referente a um empréstimo para a construção da sede social. Vamos dar uma olhada na fachada nos dias de hoje:

É sempre bom poder estar em um lugar com tanta história e se conectar com isso diretamente.

Em uma das laterais, uma arquibancada descoberta.

Será que no passado ela foi maior?

Aparentemente o gramado está muito bem cuidado.

Aqui pode se ver as duas arquibancadas:

Voltando aos anos 60, o Operário FC volta ao profissionalismo em 1964 para a disputa da 4ª divisão do Campeonato Paulista e terminou a primeira fase como líder do seu grupo:

Na segunda fase terminou em terceiro no seu grupo e acabou eliminado das finais (o EC São José fez a final com a Associação Bancária de Esportes de Fernandópolis e foi campeão).

Novamente o disputa a Quarta Divisão em 1965 e mais uma boa primeira fase:

Na fase final, o Operário FC acabou perdendo a vaga na final por um pontinho…

Chegamos em 1966 e mais uma participação na Quarta Divisão (que era chamada de “Terceira Divisão, já que a primeira era a “Especial”).

Na segunda fase, apenas uma derrota!

Vem a fase final e… O Operário FC acaba sendo vice-campeão da quarta divisão.

Em 9 de maio de 1967, a diretoria decide mudar o nome do clube para Palmital Atlético Clube, homenageando a cidade e assim buscando maior identificação com a população, sendo carinhosamente chamado de “Galo do Planalto” e “PAC“.

Com o vice campeonato do ano anterior, e com seu novo nome, o Palmital AC disputa a Terceira Divisão em 1967, terminando a primeira fase em 4º lugar, sem se classificar para a fase final.

Em 1968, nova campanha ruim na primeira fase, mas há de se considerar que o time agora jogava uma divisão acima daquela que costumava jogar.

Começa o campeonato de 1969 e o Palmital AC simplesmente desiste da competição e se licencia do futebol profissional.
Durante quase 10 anos o time se ausenta e só retorna na Quinta Divisão de 1978, quando faz uma campanha terrível…

Disputa ainda a Quinta Divisão de 1979, com o time abaixo:

Mais uma campanha fraca:

Em 1980, a Federação resolve diminuir o número de divisões e com isso o Palmital FC volta à Terceira e mais uma campanha fraca…

Mais uma vez o time se licencia e só retorna em 1985 na terceira divisão, e faz uma campanha intermediária, assim como em 1986. Mas em 1987, sagra-se campeão do seu grupo na primeira fase…

E na fase final, chegamos a dois grupos, onde a Esportiva Sanjoanense venceu um (e acabou sendo considerada campeã da Terceira Divisão) e o Palmital AC venceu o outro.

Esse foi o time de 1987:

Porém, com a reformulação do Campeonato Paulista, o Palmital AC não recebe o acesso à segundona (nem a campeã Sanjoanense) e segue na terceira em 1988, se ausentando do profissionalismo em 1989.
Volta à Terceira Divisão em 1991, mas seu Estádio Mário Leão Rego encontra-se em condições ruins e para apoiar, o município reforma o Estádio Miguel Assad Taraia.

E lá fomos nós conhecer o segundo estádio do PAC!

Dá uma olhada como os dois estádios até que são próximos (o Miguel Taraia é o do canto esquerdo superior e o Mário Leão o da direita inferior) :

O Estádio Miguel Assad Taraia fica no final da cidade, já próximo à sua área rural, mas é sem dúvida um lindo estádio.

Olha que linda a parte coberta da arquibancada:

Os bancos de reserva compõe um lindo cenário a frente da arquibancada.

Vamos dar um role pelo estádio:

Pra quem olha da arquibancada, esse é o gol da esquerda:

Esse é o meio campo:

E aqui o gol da direita, nessa foto fica mais fácil ver que existe um lance grande de arquibancada que acompanha o campo:

Junto da outra arquibancada existe um painel homenageando o time.

Aliás, os painéis espalhados pelo Estádio Miguel Assad Taraia dão um caráter informativo e único ao local.

É sem dúvida o estádio que receberia os jogos de um time que fosse disputar o profissional, hoje.

E ali ao fundo existe o ginásio municipal, tornando o lugar o pólo esportivo da cidade.

Mas, voltemos no tempo à nossa história, quando em 1991 o PAC não passou da primeira fase, assim como em 92 e 93. Somando os maus resultados a uma nova mudança na configuração do Campeonato Paulista e temos o Palmital AC na Sexta Divisão (a série B2).
Pra piorar, o time abandona o campeonato pouco antes do seu início.
O retorno se dá em 97, na Quinta Divisão, em uma campanha decepcionante que selou a participação do time e da cidade no futebol profissional, pelo menos até hoje (2022).

Pra piorar, em 2004, um incêndio destruiu a sede social, que acabou desapropriada pela Prefeitura em 2012. O prédio foi demolido dando lugar à Farmácia Municipal em 2014.
Tanto o Estádio Manoel Leão Rego quanto o Estádio Miguel Assad Taraia seguem em ordem para competições amadoras.

Será que um dia Palmital voltará ao profissional?

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O Estádio Romeirão e o futebol em Ribeirão do Sul

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu-MS.
Veja os posts já feitos sobre as 5 primeiras cidades dessa viagem:
1) Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo
2) Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju
3) Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos
4) Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes, em Ipaussu
5) Estádio do Clube Atlético Ourinhense e o Estádio Djalma Baia em Ourinhos.

Agora é a hora de dividir um pouco sobre o futebol de Ribeirão do Sul!

A cidade surgiu de um povoado no entorno do rio Novo (afluente do Rio Paranapanema) conhecido no início do século XX como Ribeirão dos Pintos. Uma capela de madeira foi erguida em 1929, e logo foram surgindo novas famílias para trabalharem nas terras. Aliás, até os dias atuais, a agricultura é grande fonte de renda e emprego.

Em 1964, emancipou-se com o nome de Ribeirão do Sul. Como estávamos em Ourinhos, a BR-153 nos levou até a cidade. A rodovia também é conhecida como Transbrasiliana ou ainda Belém-Brasília.

A Transbrasiliana é a quinta maior rodovia do Brasil, ligando a cidade de Marabá (PA) ao município de Aceguá (RS), totalizando 3.585 quilômetros de extensão.

Peguei essa imagem do Google Maps porque achei curioso a rotatória no fim de uma baixada na estrada que me pareceu quase uma armadilha pra quem chega meio desatento hehehe.

A cidade guarda um ar de tranquilidade típico do interior.

Nosso objetivo na cidade era conhecer e registrar o Estádio Municipal Romeirão!

O Estádio Romeirão foi a casa do Grêmio Esportivo Ribeirão do Sul (o distintivo abaixo veio do incrível site Escudos Gino).

O time tem pouquíssimos registros sobre sua história e a coincidência da inauguração do estádio com o ano de fundação do clube (21 de março de 1986) leva a acreditar que provavelmente foi uma iniciativa da Prefeitura pra celebrar um ano esportivo.

Seja como for, naquele mesmo ano, o GE Ribeirão do Sul participou do futebol profissional, levando ao Estádio Municipal Romeirão a Terceira Divisão do Campeonato Paulista.

Ainda que não tenha realizado uma grande campanha, vários jogos devem ter sido inesquecíveis.

O time terminou nas últimas posições e abandonou o profissionalismo.

Mas pelo menos, o time apareceu em jornais como A Tribuna (Santos) tendo sua história eternizada!

Hora de conhecer mais um palco do futebol profissional.

Aqui é a visão do meio campo do Romeirão:

Aqui, o gol da direita:

E aqui, o gol da esquerda:

E aí a sempre charmosa arquibancada coberta:

Vale ressaltar que naquele dia da nossa visita, mais uma vez o futebol amador da cidade faria do Romeirão o seu palco. E aí fiquei pensando se as pessoas que iriam jogar dali a pouco ainda se lembravam daquele 1986 mágico, onde a cidade se viu em meio ao Campeonato Paulista.

Bom, enquanto a gente tiver oportunidade (e grana) pra visitar e registrar estádios como esse, prometo que a gente vai tentar manter a história viva!

Pra isso, a estratégia é simples e está ali no banco de reservas:

Pra terminar, um presente da natureza que lembra como é bom a liberdade… Um carcará pousou ali ao lado do carro.

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O futebol profissional em Ourinhos

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu-MS.
Veja os posts já feitos sobre essa viagem:
1) Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo
2) Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju
3) Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos
4) Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes, em Ipaussu

Agora é a hora de dividir um pouco sobre o futebol de Ourinhos!

Diferente dos posts anteriores, Ourinhos é uma cidade de maior porte, com mais de 115 mil habitantes. Surgiu na década de 1910 e seu nome é uma referência ao antigo município de Ourinho (atual Jacarezinho, no Paraná).

Ourinhos tem sua história muito próxima das demais cidades da região: até o fim do século XIX era habitada por indígenas kaingangues que de repente viram seus piores pesadelos se tornar viram realidade: foram invadidos pelos produtores de café e algodão.

A cidade também teve grande influencia da estrada de ferro (chegou em 1908), e mais uma vez apresento uma imagem da Estação do site Estações Ferroviárias

Atualmente, a cidade conta com um forte comércio e se tornou uma referência regional.

Assim como em outras cidades, também se encontram construções antigas que reforçam seu passado ferroviário.

Aliás, aproveitaram parte dos antigos galpões da ferrovia para construção de um espaço turístico com museu, uma locomotiva antiga aberta à visitação e assim um ambiente bem legal. Pena que no feriado a cidade estava mais vazia e essa estrutura fechada 🙁

Desce daí, garoto!

Falando um pouco do futebol da cidade, além de várias importantes equipes no futebol amador, Ourinhos teve 4 times disputando o futebol profissional:

Comecemos falando do mais tradicional: o Clube Atlético Ourinhense.

Dos times que disputaram o profissional, o Clube Atlético Ourinhense é o mais antigo, tendo sido fundado em 5 de junho de 1919, e há algumas décadas tem seu lindo estádio junto ao clube social.

Já estivemos por lá há 12 anos atrás (veja aqui como foi…):

Dessa vez, a primeira coisa a fazer foi registrar o pórtico de entrada do estádio, que esquecemos de fotografar na outra visita…

Infelizmente, parece que o clube social teve graves problemas financeiros piorados com a pandemia do Corona e … Não existe mais…. Restou apenas o campo, e com ele as lembranças …

Que sorte! Não apenas estava rolando um jogo como era do próprio CA Ourinhense!!!

O CA Ourinhense começou disputando tinha uma série de partidas amistosas (os times aproveitavam da estrada de ferro sorocabana para facilmente chegar à cidade) e o Campeonato Municipal (do qual seria campeão em 1942, 43, 48, 50 e 51). Veja a lista de jogos de 1939:

Divido algumas fotos que o blog “Ourinhos” apresenta como sendo dos anos iniciais do time:

A partir de 1942, o CA Ourinhense disputa o Campeonato do Interior, na 14ª região (Piraju), sendo campeão do grupo e sendo eliminado na fase seguinte pela Ferroviária de Botucatu (4×1, em Botucatu).

Em 1943, viu o outro time local participar do Campeonato, mas novamente sagrou-se campeão do grupo e perdeu a fase seguinte pra a Ferroviária de Botucatu (1×1, 1×1 e 2×0 no jogo desempate).

Neste ano, o Corinthians da capital veio a Ourinhos inaugurar uma sub sede e disputou um amistoso (com seus atletas amadores) do qual venceu por 2×0.

Não disputa a edição de 1944, e em 1945 vê o CA Farturense sagra-se campeão do grupo.

Em 46, também não se classificou para os mata-matas.

E novamente em 1947, não consegue ser o campeão do grupo.

A partir da edição de 1948, o Campeonato do Interior passa a ser amador, já que surge a segunda divisão, mas o CA Ourinhense segue disputando.

Em 1950, um amistoso com o XV de Piracicaba:

Em 1951, o CAO inaugura o seu estádio (antes dele, mandava seus jogos em um campo que ficava próximo do atual camelódromo da cidade):

Em 1952, um ato de grande ousadia de sua diretoria, o CAO se credencia a disputar a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, mas faz uma campanha fraca. Alguns resultados encontrados:
31/8- Bauru AC 3×3 CA Ourinhense
14/9- CA Ourinhense 0x1 São Bento
28/9– AA Ferroviária (Assis) 5×1 CA Ourinhense
12/10- CA Ourinhense 2×2 Noroeste
19/10- Garça EC 1×0 CA Ourinhense
2/11- CA Ourinhense 3×1 AA Ferroviária (Botucatu)
9/11- CA Ourinhense 4×1 Corinthians PP
23/11- CA Ourinhense 1×0 Bauru AC
7/12- São Bento 5×0 CA Ourinhense
21/12- CA Ourinhense 6×2 AA Ferroviária (Assis)
3/1- Noroeste 1×0 CA Ourinhense
11/1- CA Ourinhense 0x3 Garça EC
25/1- AA Ferroviária (Botucatu) 2×1 CA Ourinhense
1/2- Corinthians PP 2×5 CA Ourinhense

Ainda em 1952, o time recebeu o São Paulo em um amistoso perdendo por 4×0 (ainda que todos os gols tenham saído apenas no segundo tempo):

Em 53, o CAO não disputa o profissional, mas faz um amistoso com o Palmeiras, sendo derrotado pelos visitantes por 2×1:

Ainda em 53, incrível vitória contra o Fluminense em um quadrangular que constava ainda com Jacarezinho (venceu o CAO por 2×1) e com o Cambaraense.

O CA Ourinhense permanece nas disputas do amador do interior, e até ensaia um retorno à Terceira Divisão em 1955, mas acaba desistindo e só em disputa em 1961, fazendo uma boa primeira fase (série pecuária):

Já na fase dois, o time da Usina São João falou mais alto…

Em 1962, mais uma boa primeira fase:

A segunda fase foi levada pelos vizinhos de Santa Cruz do Rio Pardo…

Em 1963, mais uma primeira fase terminada na liderança!

Novamente o time da Usina São João levou a segunda fase…

Em 64 e 65 bate na trave e não se classifica para a segunda fase.

Em 1966, volta a se classificar na liderança do seu grupo.

A segunda fase foi, mais uma vez, decepcionante…

Em 1967 desiste do profissionalismo e desde então apenas utiliza seu lindo estádio para as competições amadoras, como essa que estava rolando no momento da nossa visita.

Ali no chão, encontrei uma pequena lembrança do dia-a-dia do clube. Hoje pode ser apenas um pedaço de papel, mas logo se tornará lembrança.

O Estádio está sem grandes cuidados, com exceção ao campo, que tem a grama bem aparada. Essa é o gol da esquerda, tendo ao fundo a linda arquibancada coberta:

Aqui, o meio campo. Vale lembrar que antigamente aquela arquibancada era beeeem vermelhinha e tinha o distintivo do clube pintado no meio dela.

E aqui o gol da direita, olha onde a arquibancada termina. Ali atrás, ficava o clube social, ainda mais para a direita.

Aqui é a lateral de onde eu estava, e dá pra ver um pouco do clube social à frente e à direita:

Aqui o banco de reservas.

A passarela ligava a entrada do clube social a vários salões (olha que linda a inscrição do inesquecível CAO!) e servia de arquibancada local.

Se fora de campo o futuro do CA Ourinhense parece tenebroso, em campo sua camisa segue sendo usada com respeito e orgulho pelo time dos veteranos.

Um detalhe que poderia passar desapercebido… A bandeira de escanteio!

Os tuneis para os vestiários parecem um pouco mais esquecidos…

E no céu, o sol… Na verdade é só o flash do celular porque fiz essa última foto já dentro do carro hehehehe

Seguindo pela idade, o segundo time mais antigo de Ourinhos é o EC Operário (o site História do Futebol produziu os antigos distintivos do time):

Segundo Euclides Rossignoli, no livro Ourinhos, Histórias e Memórias, o campo do Operário ficava entre as Ruas Duque de Caxias e Dr Antonio Prado, em frente o camelódromo.

Interessante que, atualmente, ao lado esquerdo existe um grande campo de futebol.

Antes do estádio atual, o campo do CA Ourinhense ficava bem próximo do campo do Operário. O site contratempo fez uma imagem mostrando os dois rivais nos anos 40:

Essa arquibancada foi inaugurada em 1926, mas caiu durante um vendaval nos anos cinquenta.

O nascimento do EC Operário foi quase uma resposta das camadas menos favorecidas da cidade (a turma que morava pro lado debaixo da linha do trem) ao surgimento do CA Ourinhense, a própria ideia do nome, remete à essa ideia.

E assim, logo começam os derbis, aqui, um noticiado em 1922:

O futebol tinha uma grande força local, na cidade mesmo, por isso os primeiros anos foram marcados por campeonatos locais. Já em 1939, os times da região passam a ser os adversários.

Esta e outras fotos podem ser encontradas no site do Jornal Biz.

Em 1943, faz sua estreia no Campeonato do Interior, no mesmo grupo do CA Ourinhense (que saiu campeão, como vimos antes), e em 1944, sagra-se campeão do grupo (perderia o primeiro mata-mata da Ferroviária de Botucatu).

Aqui, um dos times do início dos anos 40:

A questão de se chamar “Operário” sempre foi colocada como certo ruído entre time e a população de Ourinhos, por isso, em 1944, o time passa a adotar o nome de EC Olímpico e adota um novo escudo:

Assim, como EC Olímpico, disputa o Campeonato do Interior de 1945 (a Farturense ganha o grupo).

Em 1946, vence a “zona” (o grupo) mas perde as finais da região para a Botucatuense, que venceu a zona vizinha. Era tudo uma grande zona kkk

O dérbi daquele ano nem chega a terminar pelo quebra quebra em campo.

Em 1947, mais uma vez o EC Olímpico sagra-se campeão da sua zona:

Assim, vai disputar com os campeões de outras zonas próximas (AA Botucatuense, AA Ferroviária de Assis, A Prudentina de EA e Paulista FC de Álvaro Machado), e quem sai campeão é a AA Botucatuense.

Aqui, o time de 1949, com uma faixa de campeão, mas não encontrei a confirmação de qual campeonato seria:

Em 1950, os gestores do clube decidem retornar ao nome tradicional. Alguns anos depois, em 1954, o time se inscreve no futebol profissional e disputa a Terceira Divisão.

O time volta ao amadorismo por 3 anos e retorna à Terceira divisão em 1958.

Esse foi o time daquele ano.

Depois dessas atuações no profissional, o EC Operário volta ao amadorismo e… Desaparece…
Falemos então do terceiro time da cidade em ordem cronológica: o Esporte Clube Gazeta.

O time foi fundado em 7 de setembro de 1948 como homenagem a equipe de futebol do jornal A Gazeta Esportiva de São Paulo que foi até Ourinhos disputar uma partida amistosa com o E. C. Operário. Tomaz Mazoni (diretor da Gazeta Esportiva) topou colaborar com os uniformes do novo time com a condição de que o nome da equipe fosse “Esporte Clube Gazeta Esportiva” em homenagem ao jornal.

O time é conhecido como “O Líder das Excursões” graças às partidas disputadas fora de casa. Aqui, o time de 56:

Esse é o time de 1958:

Mas com a saída do Clube Atlético Ourinhense, do Esporte Clube Operário e do Esporte Clube União Barra Funda (já vamos falar deles abaixo) do profissionalismo, coube ao EC Gazeta disputar o Campeonato Paulista e em 1979, fez sua estreia na 5a divisão.

O time classifica-se para a fase seguinte, mas acaba eliminado nas quartas de final para a Jalesense.

Com a reorganização do futebol paulista passou a jogar a terceira divisão em 1980, mas não se classifica para a próxima fase:

Não se classifica também em 1981 nem em 82 e se licencia do profissionalismo. Volta apenas em 2000, na 5a divisão (série B2). Em 2001 e 2002, joga a 6a (série B3) com péssimas campanhas, afastando-se definitivamente do futebol profissional.

Por fim, o último time a ser fundado: o Esporte Clube União Barra Funda, fundado em 23 de março de 1972.

O time disputa o amador mas em 1978, disputa a 5a divisão do Campeonato Paulista.

Por fim, menção especial ao novo time da cidade, o Grêmio Esporte Clube de Ourinhos, fundado em 1 de Agosto de 2015.

O time jogou a Taça Paulista de Futebol, tem um perfil sempre atualizado no Insttagram (veja aqui) e tem trabalhado bem as categorias de base.

O Grêmio Esporte Clube de Ourinhos tem mandado alguns de seus jogos no Estádio Municipal Djalma Baía.

O nome é uma homenagem ao jogador nascido na cidade e que acabou indo para Portuguesa, e que faleceu em um acidente de carro, jovem ainda.

Esse já é um estádio mais novo, do início dos anos 90 e que além do Grêmio, tem atendido ao futebol amador da cidade.

Ainda que seja mais acanhado, tem uma ótima estrutura, esse é o gol do lado direito.

A arquibancada deste lado de onde faço as fotos é descoberta mas tem lindas árvores (entre elas uma mangueira) oferecendo boa sombra.

Aqui o lado esquerdo da arquibancada e o gol ao fundo.

E lá no meio campo, está a arquibancada coberta.

Fomos até lá pra também registrar mais este espaço.

Olhando lá da arquibancada coberta, esse é o gol da esquerda:

O meio campo:

E o gol da direita.

Até uma pequena cabine de rádio existe no estádio.

Ufa…. Quanta história, quanto futebol… Espero que o futuro possa desenhar novidades para o futebol de Ourinhos…

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O Estádio Arnaldo Borba de Moraes e o futebol em Ipaussu

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu, no Mato Grosso do Sul.
Entre as centenas de quilômetros percorridos, registramos 20 estádios que receberam partidas profissionais e amadoras em diferentes cidades.

Depois de registrar o Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo, o Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju e o Estádio Municipal Clube Ferroviário em Bernardino de Campos, é a vez de contar nossas aventuras por Ipaussu para registrar o Estádio Municipal Arnaldo Borba de Moraes.

Sempre ouvi meu irmão, Marcel, falar sobre as “praias de rio” de Ipaussu, como sendo as mais lindas do estado, e estava animado para enfim conhecer a cidade.

A região possui no rio Paranapanema seu maior atrativo, que também deve ter impulsionado a população indígena nos séculos anteriores à chegada dos Portugueses. Ali, até o século XIX, haviam aldeias dos chamados “coroados” (os kaingangs).

O “desaparecimento” dos indígenas se deu com a chegada dos europeus, ocupando as terras e estabelecendo o novo povoado, que daria origem à Ipaussu. E mais uma vez, a chegada da Estrada de Ferro (1908) deu grande apoio para o desenvolvimento local. A foto da estação é do mágico site Estações Ferroviárias.

Para decepção do meu irmão, não foi dessa vez que fomos conhecer a praia, mas acabei dando uma pesquisada pra ver umas imagens. Caso você queira ver mais, acesse o site da prefeitura de Ipaussu e conheça o incrível camping pra passar um tempo lá!

Atualmente, quase 14 mil pessoas vivem em Ipaussu, e embora não exista nenhum time disputando os campeonatos profissionais, a cidade possui um lindo espaço para o futebol: o Estádio Arnaldo Borba de Moraes.

Dando uma olhada em uma visita que o pessoal do Jogos Perdidos fez até Ipaussu, encontrei o antigo (e na minha opinião, muito mais charmoso) pórtico de entrada:

Após conferir essa suntuosa entrada, fomos conferir a parte interna do Estádio.

Assim como vimos no Estádio do Clube Ferroviário de Bernardino de Campos, olha aí os trilhos da extinta estrada de ferro sendo usados para segurar os alambrados:

Aqui, o meio campo (lá ao fundo a estrada que liga a cidade à Raposo Tavares):

O gol da esquerda:

Veja como logo após o gol já existe uma casa, impossibilitando qualquer ampliação daquela área.

E o gol da direita, com uma bela caixa d’água aparecendo lá ao fundo:

A arquibancada coberta é simples, mas dá uma beleza única ao Estádio Arnaldo Borba de Moraes.

Encontrei uma foto da banda da cidade posando na arquibancada em 1956, olha como era diferente:

Ali, ao fundo, no muro dos vestiários, percebe-se a sigla do clube que por anos defendeu (e pelo visto, ainda defende) as cores e o nome da cidade: o Clube Atlético Ipauçuense.

O Clube Atlético Ipauçuense foi fundado em 25 de março de 1938.

O time começou disputando amistosos e campeonatos amadores. A partir de 1944, o CA Ipauçuense passa a disputar o Campeonato do Interior.

Em 1949, o São Paulo FC foi até Ipauçu para um amistoso e venceu por 3×0.

E o CA Ipauçuense seguiu na disputa do Campeonato do Interior daquele ano goleando o CA Ourinhense.

Em 1956, a Gazeta Esportiva trouxe um especial sobre o time e o título da região:

Em 1957, o CA Ipauçuense dá um passo ousado e passa a disputar o futebol profissional e faz uma ótima estreia, terminando a primeira fase em primeiro lugar!

Ainda que não tenha sido campeão, o CA Ipauçuense termina o campeonato de maneira honrosa.

Encontrei algumas fotos supostamente do time que disputou a terceira divisão em 1957:

E essa que registra a “excursão” daquele ano até Monte Aprazível de avião!

Ainda em 57, o Corinthians jogou um amistoso em Ipaussu e perdeu por 7×0:

Em 1958, seu segundo campeonato e mais uma vez classificou-se para a segunda fase:

Porém nesse ano, sua participação na segunda foi bem pior…

O time se licenciou e voltou ao amador. Em 1959, empatou um amistoso com o Olaria do RJ.

Em 1966, uma nova tentativa de disputar o profissional, mas dessa vez sua participação foi muito abaixo do esperado e ali foi o fim do CA Ipauçuense no futebol profissional.

Aqui, uma imagem do time na década de 70:

O time de 1974:

Provavelmente uma criança que seja apaixonada por futebol no ano de 2022 jamais ouviu falar do nome do Clube Atlético Ipauçuense. E talvez não venha a ouvir jamais.
Porém, mesmo que os tempos atuais tentem esquecer o passado, cada foto, cada lembrança e principalmente, enquanto existirem esses estádios espalhados pelas cidades, toda essa história estará de pé.

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O Estádio Municipal Clube Ferroviário e o futebol em Bernardino de Campos

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu, no Mato Grosso do Sul. Entre as centenas de quilômetros percorridos, registramos 20 estádios que receberam partidas profissionais e amadoras em diferentes cidades.

Depois de registrar o Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo e o Estádio Gilberto Moraes Lopes, em Piraju nossa terceira parada foi em Bernardino de Campos para conhecer o Estádio Municipal Clube Ferroviário !

Bernardino de Campos tornou-se município, legalmente, em 9 de outubro de 1923, mas a história da região também passou pelas diferentes fases com ocupação indígena até a chegada dos portugueses, e depois uma aceleração com a chegada da ferrovia (Foto do site Estações Ferroviárias).

Encontrei esse galpão, achando que foi o que sobrou da estação.

Até o fim do século XIX, o local era um pequeno povoado conhecido como “Douradão”, que depois foi chamado de “Figueira” até finalmente se oficializar como “Bernardino de Campos” em homenagem ao político que presidiu o estado de São Paulo por duas vezes.

Bernardino de Campos tem como base da economia a agricultura e teve início com o café e o algodão, mas com o tempo, grande parte do cultivo foi dedicado a pastagens e canaviais. Atualmente, sua atuação está focada em gado de leite, gado de corte, cana-de-açúcar, milho e soja, além de um pequeno comércio e serviço.

Demos um rolê rápido pela cidade e deu pra sentir que o lugar ainda é bastante tranquilo. Por lá, vivem cerca de 12 mil pessoas.

Estivemos na cidade para conhecer e registrar o atual Estádio Municipal de Bernardino de Campos, que por muitos anos foi conhecido como o Estádio do Esporte Clube Ferroviário.

Fiquei triste de ver a pintura mal cuidada… No passado essa entrada era assim:

O Esporte Clube Ferroviário foi fundado em 16 de agosto de 1947, pelos funcionários da Estrada de Ferro Sorocabana.

Olha aí a imagem de um goleiro que defendeu o clube no passado.

Como a maioria dos times, o EC Ferroviário começou no futebol amador e nessa fase, seu principal adversário era o outro time da cidade: a Associação Atlética Bernardinense, fundado em 13/08/1925.

Já em 1931, os jornais noticiavam partidas da AA Bernardinense:

A AA Bernardinense disputou o Campeonato Paulista do Interior em 1947:

Aqui, o time juvenil de 1957:

E o principal do mesmo ano:

Em 1956 e 58, rolou o derbi pelo Amador do Estado daquele ano.

E a vitória foi da Associação, mesmo jogando no campo do Ferroviário!

E também no jogo de volta…

O campo da Associação fica na Av da Saudade. O Estádio foi construído no início dos anos 30!

Aqui, uma imagem da torcida do EC Ferroviário no campo da Associação em 1978:

Aqui, uma matéria na Gazeta Esportiva falando sobre um amistoso disputado em Palmital:

Mas, em 1965, desafiando a lógica, o EC Ferroviário fez sua estreia no futebol profissional na 4ª do Campeonato Paulista, terminando a primeira fase de grupos em 8º lugar.

O time manteve no profissional em 1966, novamente com uma campanha muito ruim, terminando na última colocação.

O EC Ferroviário volta às disputas amadoras.

Com a crise na Ferrovia, o clube também passou por problemas e em 1994 a Prefeitura assume a gestão do time e do estádio, mas a sua memória segue por lá, nas paredes…

Vamos dar uma olhada em mais este templo do futebol:

Aparentemente, o time voltou a usar o estádio jogando partidas amadoras.

Suas cores seguem na pintura da arquibancada.

E nos olhos sonhadores da molecada que segue frequentando o campo e jogando bola lá, sonhando em quem sabe ser um jogador, ou simplesmente curtir os seus 90 minutos de craque local.

A pequena arquibancada segue lá, na lateral do campo. Dá pra ver que ela é feita em tijolos, uma construção para durar muito tempo.

O gramado cresce bonito aproveitando os nutrientes da famosa “terra roxa”.

Antes de ir embora, o registro do meio campo, com destaque para um detalhe que eu aprendi a observar com o historiador “seo” Adalberto, aqui de Santo André: perceba o que está sendo usado para segurar o alambrado.

Veja aqui, o gol da direita enquanto eu te respondo o que são esses “falsos” postes: na verdade são pedaços de trilhos, que provavelmente sobraram nos depósitos da época da Ferrovia.

E o gol da esquerda:

Um grande orgulho poder pisar e registrar o Estádio do Clube Ferroviário e de ter conhecido a bela e pacata cidade de Bernardino de Campos.

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O Estádio Gilberto Moraes Lopes e o futebol em Piraju

No feriado de 15 de novembro de 2022, fizemos um incrível rolê de Santo André até Bataguassu, no Mato Grosso do Sul. Entre as centenas de quilômetros percorridos, registramos 20 estádios que receberam partidas profissionais e amadoras em diferentes cidades.

Depois de registrar o Estádio Municipal Tonico Lobeiro, na cidade de Óleo nossa segunda parada foi a cidade de Piraju!

Pirajú

Estivemos em Piraju em 2017 (veja aqui como foi) e deu pra curtir um pouco da cidade, uma estância turística que tem no rio Paranapanema seu maior atrativo. Dá uma olhada na chamada “garganta do diabo“, que lindo visual:

O nome Piraju tem origem tupi guarani e significa peixe (pira) amarelo (ju ou juva), por conta dos dourados encontrados no rio. O território indígena logo recebeu a visita dos europeus buscando terras para o café e em 1859, chega à região, a família que daria origem ao povoado: os Arruda. Somente em 1891, a cidade recebeu o nome de Piraju.

Em 1906, foi inaugurado o ramal ferroviário bancado pelos cafeicultores, o charmoso prédio foi construído por Ramos de Azevedo. Fotos do site Estações Ferroviárias:

A geada de 1975 arrasou o cafezal da cidade fez com que a cidade passasse a diversificar sua produção. Almoçamos por lá e aproveitamos para registrar algumas construções da época de ouro dos cafeicultores:

Em 2017 não conseguimos entrar no Estádio Municipal Gilberto Moraes Lopes

Estádio Municipal Gilberto Moraes Lopes

Pior que nesta visita de 2022, os cadeados no portão pareciam oferecer o mesmo destino…

O Estádio Municipal Gilberto Moraes Lopes foi a casa do Piraju FC, que durante sua existência teve 3 brasões em seu uniforme:

distintivo do piraju

O Piraju Futebol Clube foi fundado em 30 de junho de 1957 e em seu primeiro ano fez 21 jogos:

Vale reforçar que antes do Piraju FC, outros clubes fizeram sucesso na cidade como o A. A Timburiense, o Dom Bosco e o Comercial FC, que chegou a jogar o Campeonato do Interior de 1942 a 45.

O Comercial manda seus jogos no Estádio Celso Marques de Mattos :

Esse era o grupo da 14a região do Campeonato do interior de 1945, no qual o Comercial FC teve sua última participação:

Pra quem gosta de livros sobre futebol, vale ir atrás do livro “Os Anos Dourados do Futebol Pirajuense“:

Em 1958 seguinte, a Gazeta Esportiva noticiava a construção do novo campo do Piraju FC:

Aqui, o time de 1958:

Depois de aprontar no futebol amador, o Piraju FC se profissionalizou e em 1962 estreou na Terceira Divisão. Este ano ainda teve outro grande momento, quando o Piraju FC venceu por 2 a 1 um time misto do São Paulo FC, levando mais de 6 mil pessoas ao estádio!.

piraju fc 1962

Em 1964, foi a vez do Coritiba levar uma sapecada ao disputar um amistoso: 5×1 pro Piraju FC.

Ainda naquele ano o time fez uma excelente primeira fase na Terceira Divisão, terminando o grupo chamado de “3a série” na primeira colocação:

Fez ainda uma excelente campanha na fase final, sagrando-se vice campeão (empatado em número de pontos com o time da Volkswagen):

Esse foi o time daquele ano:

O Piraju FC permaneceu na Terceira Divisão até 1968, quando se licenciou do profissionalismo, mas ainda fez mais uma campanha bacana, em 1966, quando classificou-se em segundo na primeira fase:

Mas na fase final, parece que o time se perdeu…

Depois de passar toda a década de 70, o Piraju FC volta à disputa da Terceira Divisão em 1980, onde permanece até 1982, com três campanhas bastante fracas. Esse é o time de 1981:

Os maus resultados devem ter desanimado a turma de Piraju, pois ficam de fora da edição de 1983, retornando em 1984, terminando em 4º lugar no grupo “Hideraldo Luís Bellini“.

Novamente faz uma péssima segunda fase, dessa vez termina em último lugar, mas levou boa presença da torcida aos seus jogos. Este era o time de 1984, postado com Orlando, Edinho, Marquinhos, Zé Luiz, Cido e Éder, em pé, e agachados: Pradinho, Almir, Tarugo, Joãozinho e Zezito:

Acaba ficando de fora do campeonato seguinte (em 1985), retornando em 1986 e 1987, com campanhas bastante fracas.
Esse é o time de 1986:

Faz sua última participação no profissional disputando a Quarta Divisão em 1991 (que na verdade era um torneio seletivo para a segunda divisão de 1992) e … o time fez uma excelente primeira fase:

Veio a segunda fase e… Novamente terminou na liderança!

Assim, o Piraju mobiliza a cidade chegando `as semifinais contra o Beira Rio de Presidente Epitácio! Após uma derrota como visitantes (2×1), o time goleia em casa (4×1) e chega a final contra o José Bonifácio.

Infelizmente duas derrotas (1×0 em casa e 4×0 em José Bonifácio) acabaram com o sonho de gritar “É campeão!!“.

A partir daí, o Piraju FC voltou a disputar competições amadoras chegando nos dias de hoje. E lá estamos nós, frente a um incrível estádio, cheio de histórias e novamente trancado…
Já estava quase desistindo quando passou uma molecada que percebeu o que eu queria e me ensinou como a turma local entra no estádio tradicionalmente…
E lá fomos nós!

Ahhhh Finalmente, aí está a tão sonhada arquibancada coberta!

Como vimos na notícia da Gazeta Esportiva, o Estádio Municipal Gilberto Moraes Lopes foi construído em 1958.

O gramado segue bem cuidado e as árvores ao fundo do gol dão aquele visual de estádio do interior.

Aqui, o gol do lado esquerdo:

O meio campo:

E o gol da direita:

Quantas alegrias já foram vividas nessa arquibancada?

Olha aí a estrela do estádio… O gol!

Como sempre gosto de reforçar, a presença, mesmo que em tão pouco tempo, em um estádio como esse mexe com a ideia do passado e do futebol, ao mesmo tempo que questionam como será nossa sociedade do futuro, como o futebol se incluirá nela…

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