divisões de acesso do futebol paulista, mas é sempre bom poder ver iniciativas que registrem esse cenário em outros estados.
E pra quem gosta desse assunto e quer focar no Rio de Janeiro, esta é uma ótima oportunidade: Da lama à grama, do Kleber Monteiro.
Um retrato atual, próximo e real feito por quem vive e se diverte com a realidade (cada vez mais difícil) da Terceira Divisão do futebol carioca, onde o autor divide suas experiências acompanhando as partidas, desbravando estádio e apresentando personagens.
E se o autor vai pro lançamento do livro com a camisa do Discharge…. aí ficou imperdível mesmo!
O livro foi produzido pela Vilarejo Metaeditora, e ganhou uma grande ajuda na sua divulgação: uma cobertura feita pelo pessoal do Museu da Pelada!
Aos interessados em adquirir: contate o próprio autor (do it yourself, mano!) pelo WhatsApp (21) 997915589. O preço do livro é R$ 50 aos quais somar-se-ão os custos de envio.
Tremembé é uma cidade que sempre chamou minha atenção, embora eu não tenha nenhuma grande memória com o futebol local, mesmo sabendo, agora, de sua tradição.
Localizada na região Metropolitana do Vale do Paraíba, Tremembé é a casa de quase 40 mil pessoas.
Seu nome é de origem tupi: “Tirime’mbé”, que entre outros significados pode ser compreendido como “Escoar Molemente”, uma ligação com os vários rios e riachos presentes em seu território, com destaque para o Rio Paraíba.
Em 1877, a ferrovia chegou à região e a estação de Tremembé foi inaugurada em 1914, mas, teve vida curta… A linha entre Pindamonhangaba e Taubaté foi desativada em 1951, eliminando a estação de Tremembé, restando à população local a nova estação de Engenheiro Cotrim que ficava fora da cidade. Em 1970, o prefeito tentou derrubar a estação abandonada para construir o paço municipal, porém o povo não deixou e o prédio continuou ali, até hoje.
O futebol na cidade tem uma série de times que fizeram (e fazem) a alegria dos tremembeenses, mas dois times representam verdadeiros patrimônios para o futebol. Um deles é o Clube Atlético Tremembé, o “CAT”!
Fundado em 18 de julho de 1921, o CA Tremembé brilhou nas disputas municipais e regionais. Esse é um dos primeiros times da história do clube:
O CA Tremembé fez história ao disputar o Campeonato do Interior de 1942, no grupo da 24ª Região, que teve o EC Taubaté como campeão.
Vale reforçar que em 1942, o Maristela FC, também de Tremembé, participou do Campeonato do Interior. (Distintivo refeito por Victor Nadal):
Em 1943, o CA Tremembé jogou mais uma vez o Campeonato do Interior, e novamente teve o EC Taubaté como campeão do grupo.
Em 1944, novamente disputou a 24ª Região, com novas equipes, mas novamente com o EC Taubaté campeão.
O CA Tremembé também participou do campeonato de 45 e mais uma vez teve o EC Taubaté campeão!
Em 1946, o time não disputou o Campeonato do Interior, voltando apenas em 1947, quando disputou o Setor 2 da Zona 1, tendo como campeão a AE Guaratinguetá.
Pra quem gosta de boas imagens do passado, a Fanpage “Tremembé das antigas” disponibiliza uma série de fotos da cidade e também do time do CA Tremembé, como essa, justamente de 1947:
A mesma fanpage ainda disponibiliza (sem a menção à data) outras fotos lindas, do time.
E uma imagem de 1955, mostra que o futebol sabe ser “gente boa” quando quer 🙂
O CA Tremembé mandou e manda seus jogos no Estádio Amèrico Texeira Pombo, a “Arena Atlético Tremembé”!
Como a pandemia tirou o futebol do dia a dia, o estádio acabou um pouquinho descuidado, mas vale mostrar como eraa faixa antes desse período:
O Estádio fica no meio da cidade, na Rua André Geraldo da Silva e além da entrada mostrada nas fotos acima, também tem esse portão com o distintivo do clube.
O pequeno portão dá entrada a um mundo mágico, mas a pandemia parece nos impedir de conhecê-lo internamente…
A menos que… A vizinhança dê uma força para conhecer a “Arena Atlético” por dentro de seus muros.
Sem dúvida que a parte mais charmosa e que parece transparecer muita história é a arquibancada coberta!
A mensagem na arquibancada é clara: “Aqui é Atlético!“
Várias árvores ao redor das arquibancadas dão uma cara ainda mais legal pro campo e pra arquibancada.
Esse é o gol da entrada:
Ainda existe uma estrutura bem bacana de bar, vestiário e tudo o que precisa para seguir levando o futebol amador!
Esse é o gol do fundo, com vários eucaliptos dando uma refrescada pro goleiro:
Tem até uma área para a imprensa:
E aqui dá pra ver como o estádio é literalmente “colado” às casas da vizinhança:
Mas… Algumas pessoas do futebol local dizem que o Estádio Américo Texeira Pombo também teria participado do futebol profissional, graças a uma participação especial do segundo time da cidade na 3a divisão de 1957. Trata-se do CREIX!
Esse é o distintivo mais difundido, mas as fotos mostram que o distintivo usado pelo time era outro:
O Clube Recreativo e Esportivo da Indústria do Xisto foi um clube de vida efêmera na cidade de Tremembé, que nasceu para servir aos operários locais.
O time foi fundada em 1956 e disputou a série A3 de 1957.
Segundo nos contaram, embora o CREIX tivesse um campo de futebol, onde atualmente fica localizado o Fórum de Tremembé, eles teriam disputado algumas partidas da A3 de 57 em cidades vizinhas, como comprova a nota da Gazeta Esportiva que o amigo Ivan Gotardo localizou…
E aqui, o amigo e pesquisador do futebol de Taubaté, Moacir (autor do blog https://moataubate.com) me enviou uma matéria sobre o jogo entre o CREIX e a Ferroviária de Pindamonhangaba comprovando que o campo do CA Tremembé foi também a casa do time na série A3 de 1957!
Então… voltemos a olhar o Estádio Amèrico Texeira Pombo, agora dando lhe os devidos créditos de ter recebido jogos da série A3!!
Esse foi o time que disputou a A3 em 1957:
No ano seguinte, o CREIX voltou a disputar amistosos, como em 13/04/1958, quando venceu o Instituto de Reeducação por 3×0 (informação do incrível site História do Futebol.)
A fanpage “Tremembé das antigas” guarda outras fotos do time do CREIX, sem identificação da data:
Aqui uma foto da viagem do time do CREIX para Piquete:
Mais uma cidade com bastante história no futebol paulista que segue se mantendo no amadorismo mas que sem dúvida poderia voltar a se arriscar no profissional!
Finalmente a chance de poder registrar um dos estádios mais legais do lado leste do estado de São Paulo: o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Junior!
Se você não ligou o nome ao local, o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior é a casa da Associação AtléticaFerroviária de Pindamonhangaba!
Antes de falarmos sobre o futebol, vale informar que a cidade de Pindamonhangaba está situada na Região Metropolitana do Vale do Paraíba, às margens do Km 99 da Rodovia Presidente Dutra (passou da hora de propor um novo nome pra essa estrada hein?), há pouco mais de 140 km da capital paulista.
O nome da cidade vem do tupi e significa “lugar onde se fazem anzóis” e serve de casa para aproximadamente 170 mil pessoas.
Os registros de ocupação de Pindamonhangaba datam de 1643, mas oficializou-se 10 de julho de 1705 (dia de sua emancipação) como a data oficial da fundação da cidade.
A grande revolução começou em 18 de janeiro de 1877 quando foi inaugurada a Estrada de Ferro São Paulo – Rio de Janeiro, e em julho do mesmo ano, o trecho da estrada entre São Paulo e Cachoeira passou a funcionar.
Em 1890, com a Proclamação da República, a estrada de ferro seria encampada pelo governo federal, passando, no ano seguinte, a denominar-se Estrada de Ferro Central do Brasil e logo a cidade ganhou sua própria estação, que permanece por lá…
A cidade conseguiu aproveitar o ciclo do café no Brasil, transformando a cidade em um grande centro cafeeiro. Mas… com o fim da escravidão, não houve como sustentar a produção e a cultura cafeeira de Pindamonhangaba passa a diminuir até sumir em 1920, trazendo um momento de estagnação econômica. A arquitetura da época permanece por lá…
E foi da ferrovia que, em 12 de abril de 1930, surgiu o único time da cidade a disputar o Campeonato Paulista de Profissionais, com a união dos funcionários das ferrovias Campos do Jordão e Central do Brasil que passaram a jogar futebol nos cantos do terreno da Vila Nair (atual sede do INSS), como uma forma de lazer. Ali seria o primeiro campo da Ferroviária.
Alguns de seus distintivos na história:
O time estreiou em competições oficiais (ainda que na época não fosse considerado “profissional”) disputando o Campeonato da Divisão do Interior da FPF em 1934, e teve a Ferroviária como campeã do grupo que contava com a AA Aparecidense, o Cachoeira FC, o Commercial FC, também de Pindamonhangaba, o Cruzeiro FC e o Teciguará FC.
Com o título, a Ferroviária obteve o direito de disputar o Campeonato Estadual da FPF, que nada mais era do que um mata mata contra o campeão da FPF, que naquele ano fora o CA Fiorentino (que nada mais era do que o Juventus).
Foram dois jogos, sendo a decisão na Rua Javari:
Em 1935 foi comprado um terreno ao lado das oficinas da “Estradinha” onde foi construído o novo estádio.
Em 1942, mais uma participação no Campeonato Paulista do Interior e a Ferroviária sagra-se campeã da 9a região!
No mata mata, a Ferroviária acabou desclassificada ao perder por 5×3 pro Taubaté, fora de casa.
Em 1943, não conseguiu classificar-se às eliminatórias, jogando novamente a 9a região ao lado de:
Em 1943, houve a estreia de 2 outros times de Pindamonhangaba, o Commercial Mombaça FC e o Curupatuba FC:
Em 1944, mais uma vez disputa o Campeonato do Interior, e o título do grupo dessa vez vai pro Cruzeiro:
Mais uma vez um time de Pindamonhangaba fez sua estreia no campeonato: o São Paulo FC!
Aqui, o time de 1951, que usava o distintivo original, bem próximo do tricolor da capital:
Em 1945, foi a vez do Frigorífico de Cruzeiro ser campeão da 9a região:
Ainda em 1945, uma retificação dos trilhos da Estrada de Ferro acabou passando exatamente no campo da Ferroviária, o que parecia ser o fim do time… Tanto que em 1946 nem disputou o Campeonato, apenas em 1947, o setor 2 da zona 1:
Destaque para mais um time de Pindamonhangaba que participou dessa edição do Campeonato do Interior: a AE Industrial!
O time ainda seria campeão do Campeonato do Interior em 71 e 74.
Aqui, o time no amador de 1983 (já usando o novo distintivo):
A própria Central do Brasil ajudou o time a se reerguer e a Associação Atlética Ferroviária seguiu na disputava de torneios, amistosos e campeonatos amadores da cidade em seu campo novo, o atual Estádio, construído por meio de uma campanha popular.
O Estádio Dr. Pinheiro Júnior foi inaugurado oficialmente, em 1948, e alguns anos depois, a A.A. Ferroviária decide disputar o futebol profissional, e a partir de 1953, o time passa a jogar a Série A3 do Campeonato Paulista até 1957.
Esse foi o time que jogou a A3 de 1956:
Em 1958, o time jogou a série A2, mas fez uma campanha bem irregular, terminando em último no grupo azul.
Em 1959, mais uma disputa do segundo nível do futebol profissional paulista, uma campanha um pouco melhor, mas ainda sem se classificar. Pra piorar, houve uma reformulação no estadual, o que provocou o rebaixamento da Ferroviária à série A3 novamente.
Esse foi o time que jogou a A2 de 1959:
Em 1960, voltou a jogar a A3, e esse foi o time daquele ano:
Em 1961, faz sua última participação no futebol profissional, pela série A3. Algumas das partidas:
O clube estava enfrentando grandes dificuldades financeiras para se manter, e como o futebol exigia gastos que não estavam sendo recompensados com resultados mais expressivos, a diretoria encerrou as atividades do futebol profissional em 1962. Mas o time seguiu nas disputas amadoras, como esse time de 1970:
Pindamonhangaba ainda veria o Corinthians local, fundado em 1930, sagrar-se bicampeão do Campeonato do Interior (agora já sob o nome de “Amador do Estado”) em 1981 e 1982.
Aqui, o poster do título de 81:
E aqui, o time de 82:
Essa é a entrada do seu campo, o “Estádio do Cardosão“:
Pra saber mais sobre o futebol de Pindamonhangaba, não deixe de acessar o incrível trabalho do pessoal do “PindaFuteboldoPassado“.
Entretanto o clube segue de pé, tanto com sua belíssima sede social, quanto com o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Junior.
Ele fica localizado na rua Dra. Isaura e de Tolêdo Silva, 45.
Mais uma bilheteria para a nossa coleção!
E graças a ajuda do pessoal do clube, em especial o Anderson e o Zé Carlos, foi possível conhecer o estádio por dentro.
Agradecimentos também para o Leandro Matos (Presidente da Diretoria Executiva) e Júlio César Piorino (Vice-Presidente da Diretoria), por permitir a visita. Então, vamos lá?
O nome do Estádio é homenagem ao médico Dr. Pinheiro Júnior, o “Dr Tinoco”, que foi um dos entusiastas na campanha pela construção do estádio, além de atender a muitos dos trabalhadores da ferrovia.
E nós, em pleno 2020, 90 anos depois da fundação do time… Estamos aí!
O Estádio tem capacidade para cerca de 3 mil torcedores.
O campo segue muito bem cuidado, afinal o time ainda disputa competições amadoras. O gramado está muito bom!
Os bancos de reserva levam a gente numa volta ao passado!
Possui ainda arquibancadas cobertas em toda a lateral do campo:
Pra quem está nesta arquibancada, esse é o gol do lado esquerdo:
Aqui, o meio campo:
E esse o gol do lado direito:
E o que dizer do placar que já registrou tantos gols ?
Ao fundo, a cidade de Pindamonhangaba não fica parada e começa a se verticalizar.
Até um setor para a imprensa existe ali no meio das arquibancadas!
Mais do que uma pintura qualquer na parede, a força desse distintivo faz a gente sonhar com a volta do time e da cidade às competições da Federação…
Um último olhar antes de nos despedirmos de mais um templo do futebol do interior paulista!
E lá vamos nós, de volta à estrada… Antes, vale relembrar o time tri-campeão amador!
Para os dados desse post utilizei basicamente o livro “Os esquecidos – Arquivo de Futebol Paulista” e o “História da 2ª Divisão no Futebol Paulista” do Julio Bovi Diogo e Rodolfo Pedro Stella Jr.
Hora de conversarmos sobre Rafard, a cidade fundada em 1883 pelo bigodudo Júlio Henrique Raffard, de onde surgiu o seu nome.
Assim como vários municípios brasileiros, a história de Rafard está diretamente ligada à cana de açúcar, graças ao engenho da Usina Sociéte de Sucréries Brésillenes, uma sociedade anônima que pertencia a alguns franceses e empregava quase 1700 pessoas (dos quais cerca de 1200 eram estrangeiros).
O povoado passou a ser chamado de “Villa do Henrique Raffard” e logo “Villa Raffard”.
Com a vila ganhando importância, passou a ser um Distrito de Capivari e em 1964 conseguiram a emancipação, tornando-se o atual município de Rafard, onde hoje vivem quase 10 mil pessoas.
A cidade fica na região da Grande Campinas, próxima também de Piracicaba e de acesso tanto via Rodovia Castelo Branco, quanto pelo sistema Anhanguera / Bandeirantes.
Rafard ainda tem grande dependência da Usina Raifard (que agora pertence à Raízen).
Passamos por ali no mesmo dia em que visitamos Salto pra registrar o Estádio da AA Avenida.
O açúcar fez a cidade crescer e trouxe a estrada de feroo até Rafard, com a linha que ligava Itaici a Piracicab. O transporte de passageiros acabou em 1976 e os trens de carga continuaram trafegando até meados dos anos 1980. Por volta de 1990, os trilhos, já abandonados, foram retirados pela agora FEPASA.
A estação de Villa Rafard, inaugurada em 1884 para atender à Usina Rafard, ligando também dois ramais ferroviários de usinas locais.
Ainda existe uma lembrança da Estação Sorocabana com um trem da época gloriosa…
O futebol local movimentava a cidade e a região com vários times, entre eles, o Elite FC, fundado em 1928:
Não encontrei muitas informações sobre o time, apenas algumas fotos, como essa de 1928, do ano de fundação do time:
Aqui, o time de 1937:
Aqui, o de 1942, que disputou a 15ª Região (a Piracicabana) do Campeonato Paulista do interior daquele ano, ao lado de outros 39 times:
Outro time que disputou o Campeonato do Interior de 1942 foi o União Agrícola F.C. (Saltinho) formado nas fazendas do Engenho.
Existia ainda o União Rafardense Futebol Clube.
Da união do Elite FC com o União Rafardense FC, em 8 de dezembro de 1943, para o desgosto dos mais radicais, que curtiam a rivalidade do derbi, surgia o Rafard Clube Atlético, o RCA!
O time deu sequência à tradição da cidade e disputou o Campeonato Paulista do Interior, em 1946.
Além do campeonato do interior, o “RCA“, o time teve a ajuda da Usina e se profissionalizou-se em 1954, disputando a Série A3 do Campeonato Paulista em 1954 e 1959.
O Rafard CA mandava seus jogos no Estádio Usina, que ficava praticamente dentro da Usina Rafard e era inteiro murado, possuia alambrados entre a torcida e o campo, e a partir de 1956, passou a ser iluminado:
Encontrei algumas matérias falando sobre amistosos, como o de Maio de 1956, contra os cariocas do Olaria AC:
Outro carioca que “aterrissou” na estaçao ferrroviária da Vila Rafard foi o São Cristóvão:
Em 1956, mais uma vez participou do Campeonato Amador do Interior, pelo Setor 36:
Em 1957, novamente disputou o Campeonato Amador do Interior, e encontramos um resultado na Gazeta Esportiva:
O RCA participou ainda de muitos campeonatos municipais (quando ainda pertencia a Capivari), como lembra essa partida de 7 de setembro de 1958, contra o AA Cillo:
E esse flyer (cujo original pertence ao amigo André Stucchi), convidando a galera pro jogo?
Em 1958, mais uma edição do Campeonato Paulista do Interior, veja alguns dos jogos que consegui encontrar, pela primeira fase:
Aqui, um jogo contra o Santa Cruz, em 19 de setembro de 1958, pelo amador do estado:
Aqui, o penúltimo jogo contra o SE Floresta (time da Fazenda Forte):
O time acabou sagrando-se campeão da Série Carlos Rolim, graças à vitória contra o Santa Alice, em 27 de outubro, de 1958.
Aqui, ainda em 1958, uma reportagem em homenagem aos 15 anos do Rafard Clube Atlético:
E esse é o time de 1959:
O Raffard Clube Atlético jogaria ainda a Quarta Divisão (a atual “Série B“) do Paulista em 1960, 1961 e 1963. Aqui a campanha de 1960:
O Rafard Clube Atlético jogava de com uma camisa com listras verticais paralelas nas cores do clube, como pode se ver nessa foto celebrando a conquista de mais uma taça!
Por conta da emancipação, o seu maior rival era o Capivariano F.C da cidade de Capivari.
Aqui, outra imagem do time, no Estádio da Usina:
Aqui, o time do Rafard em 1962, foto da Gazeta Esportiva, enviada pelo amigo André Stucchi:
E uma rara imagem do estádio inundado pela enchente em 1970.
Após a nossa visita, o amigo Túlio, do “O Semanário“, enviou algumas fotos bacanas também, olha só, essa do Estádio:
E uma formação do time:
Aqui, o time juvenil:
E até uma do time de futebol de salão.
Atualmente, a área que recebia o estádio e suas proximidades seguem sob o controle da Usina.
Pra chegar até a área específica do Estádio, basta seguir o muro da Usina.
E se a sua imaginação foi boa, faça com que ela retire dali todo esse restolho de cana, e imagine que bem ali está o mítico estádio da Usina…
Era ali que o RafardCA fazia a alegria de toda uma cidade…
E não, vc sequer pode chegar perto…
A Usina segue a todo vapor…
Fiz um pequeno vídeo dela, com a ajuda do amigo Lúcio!
Já há algum tempo ela foi adquirida pela Raízen.
Mas mantém algumas coisas de antigamente como essa pequena capela…
A cidade chegou a construir um novo estádio, municipal que tem sido utilizado pelo time vizinho do Capivariano.
Fica aí o nosso registro do que um dia foi o Estádio da Usina, do poderoso Rafard Clube Atlético!
Quase 6 anos depois de termos visitado Salto pela primeira vez, quando conhecemos a cidade e registramos o Estádios da Associação Saltense, além do que restou do clube social do Guarani Saltense, do Estádio Municipal Amadeu Mosca e do campo do XV de Novembro, voltamos à cidade para completar nossa missão.
A cidade foi fundada por Antônio Vieira Tavares, sobrinho do bandeirante caçador de índios Antônio Raposo Tavares. Em 1698, ele ergueu uma capela em louvor a Nossa Senhora do Monte Serrat, dando origem ao que viria se tornar a cidade de Salto.Em 1936, a capela foi reformada dando origem à Igreja Matriz.
Atualmente existe um Monumento à Nossa Senhora do Monte Serrat, que permite uma linda vista da cidade.
Acreditando na promessa de despoluição do rio Tietê, a cidade tem investido no turismo ecológico, com parques e até mesmo uma linda ponte pênsil.
Essa construção histórica não só foi preservada como atualmente é ocupado pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP).
Nosso objetivo estava próximo, seguindo um pouco a frente contornando a igreja, chegamos num declive: a rua 24 de outubro, que vai até o rio Tietê!
Pra entender o lugar que fomos conhecer, vale olhar essa imagem do Google Maps e ver que se trata realmente de uma ilha em meio ao rio Tietê.
O rio ainda não está limpo, mas já é bem diferente do que os paulistanos estão acostumados.
Do outro lado (de onde ele vem), pode se ver ao fundo o prédio histórico que comentamos do CEUNSP.
E ao passar a ponte, chegamos à Ilha Grande, para enfim conhecer o Estádio Luiz Milanez.
O portão de entrada dá acesso ao estádio já na ilha.
Aqui, a visão logo após o portão:
Ali, os pássaros já começam a habitar o leito do rio, talvez também acreditando em sua futura despoluição.
O Estádio Luiz Milanez é a casa da Associação Atlética Avenida.
A A.A. Avenida foi fundada em 1º de janeiro de 1945, com o nome em homenagem a uma antiga avenida que cruzava toda a cidade, e segundo a placa no campo, esta é a data considerada como a fundação do próprio Estádio Luiz Milanez.
Olha que bacana o jogo de botão que um fã montou pra AA Avenida:
Antes do campo, você encontrará a sede social do Avenida.
Mas, vamos enfim conhecer o campo e suas arquibancadas.
O Estádio já teve arquibancadas de alvenaria, mas segundo o pessoal do Avenida, elas foram levadas em uma inundação causada pela cheia do Tietê, em 1983. Aliás, olhando o rio tranquilo como ele estava hoje (em época de extrema seca), é difícil acreditar no potencial destrutivo que ele possui, mas … vale ver as imagens abaixo…
Essa é de 1983, e existem muitas outras no blog: Históra Salto.
E esse ano, já teve uma inundação que virou notícia:
Mas vamos deixar todo esse aguaçeiro pra lá e dar uma olhada no campo:
Aqui, o gol da esquerda, visto da arquibancada:
Aqui, o gol da direita:
Aqui, a arquibancada em madeira, como tanto se via pelo interior de São Paulo:
Aqui, olhando do fundo para a entreada do estádio e da sede social:
E aqui, a vista pelo outro lado:
Ao fundo do gol da esquerda, mais um pequeno lance de arquibancada, cuidada com todo esmero por aqueles que ainda amam o futebol local e a AA Avenida!
Em 15 de maio de 1955, o time fez história ao se tornar o primeiro da cidade a disputar uma partida no Pacaembu contra o time de Cosmópolis (aliás, que time será esse? A Funilense??), e a equipe abaixo meteu logo uma goleada por 7×2:
Um registro histórico de um estádio que foi a casa da AA Avenida no Campeonato Paulista da série A3 em 1956, e a Série A2 de 1957 a 59.
Achei até o registro da Gazeta Esportiva de um amistoso contra o Corinthians de Santo André, disputado em 29 de abril de 1956:
Em 1956,jogou com a Portofelicense, o Guarani Saltense e a Ferroviária de Itú, ganhando 2 jogos, perdendo outros 2 e empatando 2, classificando para a fase seguinte, onde enfrentou a AA Saltense, o Elvira (Jacareí), o Aparecida, a Portofelicense e o Palmeiras de São João da Boa Vista, onde ganhou 3, empatou 6 e perdeu uma partida.
Em 1957, essa foi a tabela e a classificação da série A2:
Em 1957, ainda participou do Torneio Santos Dummont que tinha divulgação dos jogos na poderosa Gazeta Esportiva:
Aqui, a campanha da série A2, de 1958:
Esse é o time de 1958 (aliás, obrigado ao Valdir Líbero, por me passar essa e outras fotos, que ele pegou do livro História do Esporte Saltense, de autoria do jornalista Valter Lenzi:
E em 1959 houve uma melhoria nos resultados, com destaque para duas goleadas seguidas contra a Mogiana (7×3!!!) e contra o Bandeirantes (5×1).
O time que fez essa campanha de 1959 é esse:
Aqui, outra foto histórica do time também do final dos anos 50:
Voltando ao presente, as arquibancadas atuais não são as originais, porque segundo o pessoal que estava por lá, a enchente de 1983 levou as arquibancadas de alvenaria.
E fica aqui, meu agradecimento mais uma vez ao Lúcio que foi o companheiro de viagem 🙂
Um último olhar para o campo, sonhando com um improvável, mas nunca impossível retorno do futebol profissional à Ilha Grande…
As notícias recentes pelo menos mostram que existe uma esperança do retorno do futebol profissional a Salto (veja aqui, a notícia completa).
Recentemente escrevemos sobre o Estádio Cerecamp, a casa do EC Mogiana e, nos anos 80 do Gazeta e ao pesquisar, encontrei um vídeo incrível sobre essa história e por volta do minuto 3 do vídeo fiquei sabendo que o Gazeta de Campinas chegou a mandar seus jogos em outros dois estádios da cidade: o Campo do Náutico, no Jardim Leonor e o Campo do Souzas.
E, aproveitando a passagem pela cidade, decidi registrar um dos estádios citados, o Campo do Náutico, localizado até que próximo à Rodovia Anhanguera (pra quem quiser passar e dar uma rápida olhada).
O nome oficial do campo é Praça de Esportes Sarkis Salamene, e fica no Jardim Leonor.
Como o vídeo que me deu a referência era sobre o EC Mogiana, acabei me confundindo na hora de fazer o vídeo e dizendo que eles haviam jogado ali, mas na verdade, quem mandou algumas partidas nesse campo, foi o EC Gazeta de Campinas.
O lugar é muito bonito, parece um refúgio da natureza, tanto que fomos pegos de surpresa com a presença de micos nas árvores ao redor do campo:
Olhando do lado da arquibancada, esta é a visão do gol da direita:
O meio campo:
E o gol da esquerda:
Uma olhada lá do lado de baixo, vendo o gol e a arquibancada.
É muito loco imaginar que, em se comprovando a tese de que o Gazeta mandou alguns jogos aí, essa arquibancada recebeu a fanática torcida do Gazeta em jogos oficiais da Federação Paulista.
Sendo assim, mais um estádio histórico, dessa vez em Campinas!
Em 2016, pude acompanhar um acesso do Santo André, com sabor especial porque aconteceu em uma cidade que fica há mais de 400 km de distância e que também é apaixonada por futebol: Barretos!
Pra chegar lá e poder curtir um pouco da cidade, saímos bem cedo, tanto que pegamos até neblina no caminho.
Mas chegamos com um tempo agradável, que nos permitiu passear um pouco pela cidade, já que o jogo seria a noite. A primeira coisa a aprender foi que as avenidas são identificadas por números ímpares e as ruas por números pares.
Barretos é conhecida por sua ligação com o gado, e pelos rodeios, mas como não concordamos com esse tipo de cultura, que envolve sofrimento e morte animal, olhamos a cidade por um outro ângulo, rendendo-nos à natureza, e à história local, como por exemplo a Estação Ferroviária, que foi importantíssima para a cidade e a região.
Pelo que pudemos conversar com alguns torcedores locais, a cidade tem perdido um pouco do charme, com algumas ações de modernização, como a mudança de alguns equipamentos municipais, a demolição de antigos casarões dando lugar a prédios, verticalizando a cidade a cada dia. Quem luta para sobreviver em meio a esse caos moderno é o Cine Barretos.
Mas, as placa nos lembrava que o que nos levou até a cidade foi mesmo o futebol!
Pra escrever sobre a história do futebol profissional em Barretos, contei com a ajuda do site www.futebolbarretos.com.br, do blog Zé Duarte Futebol Antigo e do amigo Manolinho Gonçalves. O primeiro time profissional a se criar em Barretos foi o Fortaleza Esporte Clube, fundado em 15 de novembro de 1936.
O time alvi-verde, também conhecido como o “Periquito da rua 20” passou vários anos no amador, só estreando na Série A2 em 1955, no Setor Azul, terminando na última colocação.
Esse foi o time do Fortaleza que jogou a A2 de 1955:
Em 1956, terminaria em último lugar desta vez, na Série Cafeeira.
Em 1957, também não conseguiu uma boa campanha…
Em 1958, subiu mais algumas posições, mas ainda terminando em uma posição na parte de baixo da tabela…
Em 1959, termina a Série Geraldo Starling Soares na 6a colocação.
Jogaria ainda a série A3 em 60. Aqui algumas imagens antigas do time que o pessoal do Blog História do futebol encontrou na Revista Sport Ilustrado.
O Fortaleza EC mandou seus jogos no Estádio Fortaleza, que foi municipalizado em 1977, e em 1994 passou a ser chamado de “Antônio Gomes Martins – Tio Cabeça“, em homenagem ao ex-massagista de Barretos. É lá que o Barretos EC manda seus jogos, atualmente.
Esse é o tio Cabeça:
Peguei essa foto da entrada do Estádio no Google Maps!
E essa a gente fez durante uma visita ao estádio antes do jogo de 2016.
Mas se o Fortaleza EC foi o time mais antigo da cidade a disputar o profissionalismo, é hora de falarmos do Barretos FC, que embora fundado 2 anos depois, disputou os campeonatos da Federação Paulista antes!
O Barretos Futebol Clube foi fundado em 7 de julho de 1938 e jogou o amador por 9 anos. Aqui, um amistoso contra o Uberaba SC, em 1945:
O Barretos FC só estreou na série A2 em 1947, fazendo uma campanha bem irregular, assim como seria em 1948 também:
Em 1949, o time se licenciou, voltando a partir de 1950, ainda com campanhas bastante irregulares, mas ainda assim se transformando na alegria do futebol local!
Com esse início complicado, 0 time acabou se licenciando do profissionalismo em 1953 e só voltando à A2, em 1955.
Em 1955, houve a estreia do Dérbi de Barretos (6/11 – Fortaleza 1×1 Barretos e em 11/12 –Barretos 3×2 Fortaleza), no profissionalismo aqui, fotos do segundo jogo:
Vale lembrar que em 1944, já houvera o dérbi, mas pelo Campeonato do Interior de 1944, no qual o Barretos FC chegou até a semifinal, contra o Guarani que seria campeão. Em 1947, o Barretos voltou a disputou o Campeonato Profissional do Interior terminando em décimo e jogou também o amador. Em 1956, mais uma campanha mediana na “Série Pecuária“, mas em 1957, além de mais 2 dérbis (28/4 – Barretos 3×1 Fortaleza e 28/7 – Fortaleza 2×3 Barretos), o time terminou na terceira colocação da Série C.
Em 1958, parecia chegar a hora… O Barretos FC sagrou-se campeão do seu grupo, o Amarelo, além disso, mais dois dérbis: 8/6 – Barretos FC 4×0 Fortaleza e 19/10 – Fortaleza 0x3 Barretos FC.
Na segunda fase, o Barretos FC caiu no Grupo João Havelange, onde terminou na quarta colocação. O Corinthians de Presidente Prudente além de líder do grupo, seria campeão da A2 de 1958.
Em 1959, uma tragédia para a cidade, mesmo sem terminar na parte debaixo da tabela, no Grupo Geraldo Starling Soares, tanto Barretos FC quanto Fortaleza FC acabaram rebaixados para a Série A3. E 1959 acabou marcado como o ano dos últimos dérbis: 31/5 – Barretos 3×1 Fortaleza e 23/8 – Fortaleza 0x3 Barretos.
O Barretos FC ainda chegou a disputar a A3 em 1960, mas o Fortaleza FC abandonaria as competições profissionais da Federação Paulista.
Nessas competições, mandaram seus jogos no Estádio da Rua 32, em frente ao Recinto Paulo de Lima Correia, onde hoje é a Praça 9 de Julho e o Terminal Municipal de Ônibus Urbanos.
Segundo o amigo Manolinho, a Arquibancada Central era de madeira e idêntica a do Parque São Jorge.
E a cidade ainda teria um terceiro time: o Motoristas Futebol Clube, fundado em 6 de março de 1944.
Olha que bela flâmula do time:
O Motoristas FC disputou a série A2 em 1950, terminando na 10a colocação. Assim, a cidade ganhou 2 dérbis em 1950: 30/7 – Barretos 1×0 Motoristas e 22/10 – Motoristas 3×0.
Aqui algumas imagens do time já na época da volta ao amadorismo:
O Motoristas FC mandava seus jogos no Estádio Dr Adhemar de Barros Filho, ou o “Campo dos Motoristas da Avenida 21“.
Mas, infelizmente estes 3 times pertencem ao passado. O presente do futebol profissional da cidade de Barretos começou a ser escrito em outubro de 1960, quando o Barretos FC e o Fortaleza FC se uniram para formar o Barretos Esporte Clube.
Assim, em 1961, a cidade voltou a ter um time na Série A2 da época e na sua “estréia”, até que o Barretos EC foi bem. (tabela abaixo da Wikipedia):
Já em 62, o time foi mal e só escapou do rebaixamento num incrível mata-mata, contra o Elvira (de Jacareí), último colocado da Série “José Ermírio de Moraes Filho”, em 4 partidas: Barretos 7 x 1 Elvira (10/2/63), Elvira 2 x 1 Barretos (17/2/63), Barretos 1 x 1 Elvira (23/2/63 em Campinas)eBarretos 1 x 0 Elvira (2/3/63, em Campinas).
Em 1965 foi campeão da Série Carlos Joel Neli e fez a final contra o Bragantino, perdendo as duas partidas (jogadas no Pacaembú), o título e o acesso…
Em 1966, nova campanha de destaque! O Barretos FC ficou em 2º da Série João Mendonça Falcão, classificando-se para o quadrangular semifinal, terminando em 3º no grupo.
Em 1967, após liderar o seu grupo foi eliminado no mata mata pelo Paulista de Jundiaí.
Já em 1968, liderou seu grupo e classificou-se para a segunda fase (um outro grupo dessa vez com 8 times), terminando em quarto lugar e sendo desclassificado.
Em 1969, 70, 73 e 75 não passou da fase de grupos. Em 71, 72 e 74 foi desclassificado na segunda fase. Em 76, mais uma vez liderou seu grupo nos dois turnos da primeira fase, mas acabou em último lugar no quadrangular final (XV de Jaú sagrou-se campeão, Aliança, vice e o Santo André em terceiro).
Esse era o time daquele ano, e veja que linda a torcida ao fundo:
Em 77, mais uma vez liderou o gurpo da primeira fase e na fase final acabou na quarta colocação.
Em 78, num regulamento bem esquisito, o Barretos liderou o Grupo A, depois foi mal na 2ª e 3ª fase e acabou mais um ano na A2.
Em 79 e 80 o time não foi bem, parando na fase inicial, em 81 liderou a Série Amarela, mas ocupou a penúltima posição no grupo final, com o time:
Em 82, 83, 84, 85, 86 e 87, regulamentos ainda mais confusos acabaram fazendo com que o Barretos se limitasse à campanhas medianas e pra piorar, o time passou a jogar a série A3 a partir de 1988, onde ficou até 1990, quando voltou à A2, esse era o time daquele ano:
Permaneceu na A2 até 1993, quando caiu novamente para a A3. Em 1995, o pior momento: o time caiu para a Série B1A (o quarto nível do futebol da época). Em 1998 chegou perto de voltar, ao ser vice campeão do grupo inicial e vice do quadrangular final, mas apenas o Oeste consegiu o acesso.
Só em 2001, voltou à A3. Inicialmente só subiriam dois times, mas graças às mudanças do calendário, o acesso foi ampliado.
Sua volta à A3, em 2002, foi marcada com uma boa campanha, ficando de fora das finais por muito pouco!
Permaneceu na A3 até 2006, quando uma campanha bem ruim levou mais uma vez para o quarto nível do futebol paulista (agora a Segunda Divisão, ou série B).
De volta à segunda divisão, apenas em 2011 o time conseguiu o acesso (já nessa fase das 4 fases em grupos) à A3, mas foram apenas 2 anos e nova queda à série B, pra uma única disputa em 2014 e novo acesso à A3.
Em 2015, logo de cara, uma surpresa… Um acesso conquistado à série A2 (graças ao problema do Atibaia).
Permaneceu na A2 em 2016 e 2017, quando voltou pra A3, onde permaneceu até esse momento (em 2020, ainda sob risco de rebaixamento à A3). E foi em 2016, que tivemos a oportunidade de conhecer o Estádio Municipal Antônio Gomes Martins, também conhecido como “Fortaleza” em homenagem ao time da cidade.
Confesso que deu um pouco de aperto no coração, imaginar que estávamos ali pra impedir o inédito acesso do Barretos à série A1…
Aproveitei pra pegar um jornal local e ver se a torcida do Barretos estava esperançosa quanto à virada (o placar emSanto André foi 2×0 pro Ramalhão).
E até pra dar sorte pro Ramalhão, fiz questão de estar dentro de campo, antes do jogo!
Aproveitei pra pegar meu ingresso e não correr nenhum risco.
Fui conhecer também ocharmoso portão dos fundos por onde andaríamos.
E olha aí o portão olhando de dentro pra fora já na hora do jogo…
A noite estava muito bonita. A torcida local compareceu, pintando de verde, vermelho e amarelo as bancadas do Estádio Municipal Antônio Gomes Martins.
Oficialmente, o Estádio tem capacidade para 13 mil torcedores, mas pelo borderô oficial apenas 5 mil torcedores compareceram.
Quem foi, fez festa!
Mas engana-se quem pensa que o lado azul não compareceu… Era um jogo decisivo, lá estava a Fúria Andreense!
E a Esquadrão Andreense:
Foi um jogo super truncado com várias defesas milagrosas do nosso goleiro “Zé Carlos”, para o desespero da torcida local.
Foram 90 minutos de pressão do Barretos e o Santo André se segurando lá atrás… E a gente desesperado na arqubancada visitante.
Mas o Ramalhão também levou perigo em alguns lances.
E o Branquinho no escanteio…
O primeiro tempo terminou e a alegria parecia começar a se multiplicar nas arquibancadas visitantes.
Muitas bandeiras do Santo André decoraram a parte do estádio dedicado à nossa torcida.
Até um “mini bandeirão” apareceu…
Uma pena que a câmera não pode captar melhor o estádio, já que estava de noite, mas pelo menos ficou um registro de mais esse lugar histórico!
Ao final do jogo, festa entre torcida e o time que jogaram juntos todo o campeonato!
Zé Carlos até deu as luvas de presente a um torcedor (que mais tarde precisou devolvê-las para que o goleiro as usasse na final contra o Mirasssol).
A torcida local soube respeita a conquista do Santo André e ficou até o fim do jogo.
Um sentimento único! Conhecer um estádio lindo e cheio de histórias e ao mesmo tempo voltar à primeira divisão!
E lá se vão 5 anos desde um dos rolês mais legais que já fizemos! Em dezembro de 2015, fomos para a Espanha e conseguimos pegar um trem até a Estacion Abando Indalecio Prieto, porta de entrada de Bilbao!
No caminho, ainda passamos uns dias em Zaragoça (veja aqui como foi). O visual até Bilbao foi lindo… Paisagens que talvez a gente nem imagine quando pensa na Europa…
A minha espectativa em relação a Bilbao era enorme… Cresci escutando as bandas punks de lá, como o Eskorbuto.
Ou o Kortatu…
A cidade tem lugares muito bonitos…
Muito dessa beleza é graças ao “rio de Bilbao” (também conhecido como rio do Nervión ou do Ibaizábal), que atravessa Bilbao, dividindo a cidade em duas: à direita, o Casco Viejo ou Siete Calles (“Sete Rúas”) e, à esquerda, o Ensanche.
Aproveitamos pra conhecer um pouco dos museus da cidade.
Pra quem não sabe, o País Basco é considerado um país a parte da Espanha, tal qual se consideram os Catalães de Barcelona, e por isso, a arte local sempre foi muito influenciada por este sentimento de independência.
A arquitetura de Bilbao guarda muita coisa do passado.
Mesmo as coisas comuns ao nosso dia a dia aqui em Santo André ganham outro olhar quando a gente viaja…
A cidade de Bilbao sofreu grandes problemas ecológicos e sociais com a chegada das siderurgicas ainda no fim do século XIX, e pra tentar se reconstruir, passou a se investir muito em cultura, então em quase todo lugar você encontra intervenções artísticas.
O Museu que melhor representa esse renascimento da cidade é o Guggenheim.
Embora possua vários prédios, a cidade é bastante arborizada e tem um aspecto menos “sufocante” do que as tradicionais capitais.
Bilbao é a capital do território histórico da Biscaia e em 2019 tinha 346 843 habitantes.
A área metropolitana de Bilbau se estende ao longo do rio de Bilbao e do rio Nervión.
O principal núcleo urbano de Bilbao é rodeado por duas cadeias montanhosas, aliás, por estar no meio das montanhas alguns locais chamam carinhosamente a cidade de “o buraco”.
A cidade foi fundada no início de século XIV, e graças ao porto, logo se tornou um importante centro comercial e assim como quase toda a Europa, ao longo do século XIX teve as influências da revolução industrial.
A primeira povoação da cidade é o atual e charmoso bairro do “Casco Velho”.
Fomos caminhando pela cidade até esse charmoso bairro, o que nos permitiu conhecer diversos espaços da cidade, como a antiga estação.
O Casco Viejo é conhecido pelas “7 ruas” e pouco antes de chegar lá está a Igreja de São Nicolau (de 1756), em estilo barroco.
Existe toda uma discussão em torno da independência do país basco e sua traidcional bandeira é vista em diversos lugares, como forma de reforçar o orgulho basco!
O bairro mais legal da cidade é o Casco Viejo, um bairro medieval, com ruas estreitas cheias de bares e tavernas.
Existe uma forte politização dos jovens, refletida pelos adesivos espalhados pela cidade!
E os bares misturam comida, bebida, música…
A cidade é mesmo única!
Achei um LP do Penadas por La Ley, banda argentina que já tocou com a gente aqui no ABC!
A rua mais famosa do Casco Viejo é Barrenkale Barrena.
E foi ali que comecei a sentir um pouco do gosto do futebol local, com o restaurante da Pena Athletic (pena é o nome para “torcida” lá).
Comida boa e futebol eternamente.
Bandeiras nas janelas…
Fizemos um passeio meio doido caminhando por algumas horas até chegar num bazar alternativo. Foi bacana porquecruzamos boa parte da cidade.
Lá chegando já nos animamos ao ver em um muro um grafite em homenagem ao histórico militante Periko Solabarria.
E esse era o bazar!
Na volta do role ainda achei uma loja onde pude comprar um clássico do Eskorbuto em vinil!!!
Po, e achamos uma loja de boinas….
Mas… Também estávamos ali por uma paixão futeboleira: o time do Athletic Club Bilbao, cujo distintivo faz referências a 3 ícones bascos: 1) Árvore de Guernica (que sobreviveu aos bombardeios durante a Guerra Civil Espanhola), 2) Igreja de Santo Antão e 3) Ponte de Santo Antão, atravessada pelo rio Nervión.
O Athletic Club, também conhecido como Athletic Bilbao foi fundado em 1898 e junto com toda essa cultura que vimos pela cidade, colabora para a afirmação da identidade basca, pra se ter ideis, o time ainda não contrata atletas estrangeiros (nem mesmo espanhois). O mascote do clube é um leão.
E pra conhecermos mais do time fomos até o Estádio de San Mamés!
O “novo” Estádio San Mamés foi reconstruído, na área onde ficava o antigo estádio de mesmo nome (mas conhecido como La Catedral). Nele, cabiam 40.000 torcedores, mas foi demolido em 2013 e dele só restou seu arco, construído em 1953 como um marco da edificação original!
O time foi fundado por britânicos (por isso o nome é em inglês) e posicionou-se como reação à opressão franquista, nos tempos de guerra civil espanhol.
Pouca gente sabe, mas o Atlético de Madrid surgiu como uma filial da equipe basca na capital espanhola.
Voltando a Bilbao, infelizmente o estádio estava fechado para visitas internas.
Uma bilheteria a mais pra nossa conta!
O estádio tem uma vista incrível, localizado às margens do rio!
O Athletic Bilbao foi um dos últimos times a não contar com uniforme patrocinado.
Infelizmente não conseguimos uma visita ao estádio, mas deu pra curtir o visual!
O Athletic nunca caiu pra segunda divisão e só fica abaixo de Barcelona e Real Madrid em número de títulos.
Hey, dá pra ver um pouco da parte interna por aqui…
Mas vale pegar uma foto do site oficial do time, para se ter ideia do tamanho do Estádio San Mamés e sua capacidade de 53.289 torcedores.
Hora de ir embora.
Olha a decoração do muro nas proximidades do Estádio:
Um último registro e… voltemos à realidade da pandemia…
A notícia é triste e somente o portal futebolinterior.com.br conseguiu chegar perto do tom necessário:
O futebol é um esporte bem diferente dos demais… Nem melhor nem pior. Mas diferente.
E boa parte dessa diferença é devido a toda cultura que se cria ao seu redor.
E Luís Carlos Ferreira, o “Ferreirão” foi um dos personagens que ajudaram não só a manter acessa essa chama da cultura futebolística como incendiá-la um pouco mais.
Muito mais do que colecionar acessos (que provavelmente será o fato mais considerado pela imprensa esportiva), Ferreira criou um verdadeiro universo paralelo dentro do futebol profissional.
Não faltam causos, histórias e lendas em torno do seu nome.
Decisões e atitudes que jamais seriam aceitas ou pensadas no futebol profissional de hoje em dia.
Junto dos bons resultados e dos acessos, essas atitudes “fora da caixa” fez com que ele se tornasse um nome tão forte e conhecido no mercado, ao mesmo tempo em que jamais tenha conseguido chegar ao primeiro nível dos treinadores brasileiros.
Não vou ficar citando aquilo que você vai ler em qualquer site por aí… Vou apenas fazer minha homenagem baseada em 4 fatos / lembranças curiosas e importantes:
1) Em 1997, ele dirigia o time da Matonense (contando com o apoio da Predilecta e consequentemente da TV Bandeirantes e de Luciano do Vale) e ao final de um polêmico jogo contra o Santo André, cheio de expulsões onde eles ganharam por 4×2 (lembre aqui como foi) Ferreira mandou um recado para a torcida Ramalhina (já que dependeríamos diretamente do resultado de Matonense x Ituano), algo como “Eu queria dizer pro pessoal do Santo André que vão ao jogo de domingo e que o time faça sua parte, porque nós vamos jogar pra ganhar do Ituano, em Itú”. Eles empatariam em 1×1, mas o Santo André não conseguiu fazer sua parte, empatou também e acabamos fora da A1 98…
2) Em 2001, conquistamos o acesso da série A2 para a A1 sob o comando do bruxo Ferreira, com classificação vinda nos penaltys aos 48 do segundo tempo (num jogo contra o Ituano). Essa, na minha opinião foi a melhor passagem de Ferreira pelo time. A foto abaixo é de um momento após a carreata de comemoração pela cidade:
3) Em 2003, o Santo André chegou à última rodada da série C do Brasileiro precisando vencer a Campinense em Campina Grande para conquistar o acesso à série B, e mesmo antes do jogo começar, Ferreira armou um “quiprocó” com o jogador “Zinho” (que era seu amigo próximo), para desestabilizar o principal jogador adversário (o que aparentemente deu certo). O Santo André voltou da Paraíba com a histórica vaga para a série B.
4) Em 2008, o Santo André estava de volta à A2 e nosso jogo de estreia foi em Catanduva. Meu carro estava bem na frente do estádio e no fim do jogo a torcida local disse a nós e à polícia que não nos deixariam sair hehehehe. A solução da polícia foi incrível: “Coloque o seu carro dentro do estádio (na arquibancada mesmo) enquanto a torcida local vai embora”. Assim o fiz e para minha surpresa as últimas pessoas a irem embora do estádio era um grupo de senhores, entre eles… Ferreira! Ele foi solidário e ficou batendo um papo por uns 15 minutos enquanto aguardávamos.
Enfim, Ferreira fez parte da minha vida como torcedor nos últimos 25 anos… Foi um ícone para o futebol do interior e muito especial para o Santo André (ele mesmo disse isso por várias vezes). Mais especial ainda para alguns que viam sempre a “eterna” possililidade do seu retorno iminente, fosse para salver o time, fosse para alcançar um acesso.
Chegou-se ao fato de existirem “santinhos da sorte” do Ferreira para se guardar na carteira em jogos decisivos.
Nesse domingo, 13 de setembro de 2020, Luíz Carlos Ferreira faleceu, e com ele o futebol perdeu um pouco da magia e do inesperado e talvez seja um caminho mesmo sem volta, que ponha no lugar estatísticas, mega patrcoinadores, arenas pomposas e um distanciamento cada vez maior entre torcida e jogadores / treinadores.
Para os poucos que ainda acreditam no resgate de um futebol (e por que não de um mundo) melhor e menos idiota, seguiremos com a lembrança nos nossos corações e mentes desse que foi um grande treinador.
Até um próximo encontro, Ferreira! Sentiremos sua falta!
…
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