Pessoal, enquanto aguardamos a passada da quarentena, segue mais uma sugestão de livro para se estudar um pouco da história do futebol brasileiro.
Dessa vez, o foco está fora do eixo Rio-SP. Trata-se do livro: História do Campeonato Cearense 1915 – 1985, contendo mais de 70% de fichas técnicas completas, equipes participantes, classificações, relação de artilheiros.
A obra foi feita por David Barboza, Eugênio Fonseca, Júlio Bovi Diogo e Rodolfo Pedro Stella Jr.
São 201 páginas, no formato A4 (21cm x 29,7 com) em três colunas.
Interessados entrar em contato com Júlio Diogo pelo email – juliodiogo@litoral.com.br ou whatsapp – (13) 99108 8457, são poucos exemplares, então caso tenha interesse, seja rápido!
Os Estádios do Grêmio Mauaense e o futebol em Mauá

Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.

Para falar do Grêmio Mauaense é preciso contextualizar a cidade de Mauá, outrora um distrito de Santo André chamado “Pilar” (porque ficava no caminho que ligava São Bernardo à Igreja do Pilar, em Ribeirão Pires. E sim, esse caminho fazia parte do lendário Peabiru que chegava até o Perú…).

Embora possua uma grande área de mata Atlântica, a cidade não para de crescer, infelizmente muitas vezes com ocupações irregulares degradando o meio ambiente e a vida das pessoas.

Atualmente, quase 500 mil pessoas vivam na cidade, e um terço da área é ocupado por indústrias, entre elas, importantes players do setor petroquímico, que contribuíram para diversos problemas de saúde na população local (veja aqui matéria sobre isso)…

Além disso, como em outras regiões metropolitanas, tem muita gente vivendo em condições de pobreza e diversos problemas sociais, que contribuiram para que Mauá carregasse uma série de preconceitos e injustiças, como se a cidade e sua população se resumissem a esses problemas.

Na minha visão, tudo isso fez com que a cidade criasse uma identidade própria, que acabou se transformando em cultura principalmente por meio da cena punk.
Vejamos por exemplo, a banda punk/Oi! Garotos Podres que transformou em orgulho a vida no subúrbio…
Em 1988, surge o Subviventes que transformou as noites de domingo de quem vivia no Sônia Maria (praticamente ao lado das chaminés da Petroquímica) em celebração da luta contra tudo isso! O vídeo abaixo é de um show histórico no Bigato’s Bar, ponto de encontro dos punks locais, em especial dos Carniça, a maior gangue punk da nossa região.
Outras bandas nasceram nos anos 90 e ajudaram a manter a chama da rebeldia social e da tentativa de sobreviver com uma identidade própria em meio a todos os problemas da cidade, entre elas, o Senso Crítico, uma das mais que tinha grande potencial musical.
A partir dos anos 2000 a cena punk do Sônia Maria ganha uma nova representante: o 88não! formado pelo Daniel Miranda, ex baterista do Subviventes pra cantar o amor por Mauá e o ódio ao racismo e ao fascismo!
Com a banda, se fortaleceu a relação dos punks com o futebol de várzea ajudando a surgir uma série de times como o Autonoms FC, Celeste Proletária, Rosa Negra, Corote & Molotov e o União Lapa, entre outros.
Aqui, o time atual do EC Napoli, do Sonia Maria com o Daniel (baterista do 88Não!) e o Adeilton (ex vocal):

Esse post é uma homenagem a dois “Danieis” (esse seria o plural de Daniel?) que eu nem, sei se se conhecem, mas deveriam… Um é o Daniel Miranda, do 88Não! responsável por dezenas de shows da cena independente de Mauá.

O outro é o Daniel Alcarria, que também luta pela valorização da cultura local, em especial o futebol da cidade. A foto abaixo a gente fez num jogo entre o Mauaense e o Nacional, em 2010 (lembre aqui como foi):

Essa mesma injustiça que eu enxergo na cultura, também existe no futebol local, visto que mesmo tendo nascido cedo, ainda nos tempos do distrito, tem pouco reconhecimento da mídia. O Pilar Futebol Clube foi o primeiro time de Mauá, em 1919.

A foto abaixo é do time de 1922 e foi reproduzida do blog do Daniel Alcarria (clique aqui e conheça).

O Daniel Alcarria é o responsável pelo Almanaque Histórico do Grêmio Esportivo Mauaense. A gente esteve no lançamento do livro (lembre-se aqui como foi). Pra quem quiser adquirir, fale com ele: daniel.alcarria@gmail.com .

Falando sobre o Pilar FC, o time usava o campo próximo da atual Praça 22 de novembro, mas logo passou a usar o campo na região central, próximo aos fornos da olaria dos Perrella, onde fica o Mauá Plaza Shopping, atualmente.
Em 1938, o Pilar FC mudou de nome e passou a chamar Associação Esportiva Mauá.

Olha aí o time:

O distintivo deles evolui para este:

Outro time de Mauá do início do século era o Belo Horizonte FC, do bairro Pavoeiro, do qual muitos jogadores foram convidados para criar o Associação Atlética Industrial, fundado no dia 1º de outubro de 1921.

O time surgiu dentro da Fábrica de louças, chamada de a “Fábrica Grande” (no passado Mauá tinha grande tradição em louças), e desde 1919, já tinham um time de futebol rivalizando com o Pilar FC:

O primeiro jogo de futebol do Industrial foi frente ao Pilar FC, uma vitória de 3 x 0 para a festa na Fábrica Grande, já que o Pilar era considerado o grande time da cidade. O Ademir Medici escreveu um lindo livro sobre o time:

Nos anos 30, o AA Industrial passou a disputar a LEMS (Liga Esportiva Municipal Sambernardense). Aqui, o time de 1934, que bateu o Corinthians de Santo André (campeão naquele ano) por 2×1 e empatou com o Primeiro de Maio por 1×1. O time seria sempre uma pedra no caminho do Galo da Vila Alzira, vencendo também em 1935, por 1×0.:

Depois, o time migra pra Liga de Santo André e no dia 20 de julho de 1941 visita o Ribeirão Pires FC e perde por 2×0, jogando com Kafunga, Afonso e Santana; Cará, Élio e Constantino; Alfredo, Antonio Santos, Osvaldinho, Artemio e Valdir.
Em 1943, o time disputou o Campeonato do Interior pela Federação Paulista, num grupo mais que difícil, onde o Corinthians de Santo André se classificou para a fase seguinte:

Nessa época o Industrial não tinha campo e costumava jogar apenas como visitante, e em alguns momentos utilizando o Estádio Américo Guazzelli emprestado do Corinthians.
Em 1950, o A.A. Industrial seria campeão da Divisão Principal da Liga Santoandreense de Futebol, de forma invicta, com o time abaixo:

Depois viria o tricampeonato da Liga de Santo André em 1955, 1956 e 1957.
Em 1958, nasce a Liga de Mauá e o AA Industrial passa a disputá-la e torna-se o primeiro campeão da Liga.
O time seguiu montando bons esquadrões para disputar os campeonatos no ABC, como esse time de 69:

Em 89, o último título da Liga!

O mais legal é que eles ainda existem como clube, e você pode conhecer mais sobre eles via Facebook (clique aqui e visita a página deles).
Em 17 de abril de 1945, nasce um outro time na cidade: o Independente FC, pra apimentar ainda mais a rivalidade que antes ficava entre o Pilar FC e o AA Industrial.

Seu campo fica no Jardim Independência.

Seu primeiro grande título no futebol foi em 1946: Campeão da Segunda Divisão de Santo André.
E em 1950, veio o título de Campeão da Primeira Divisão da Liga de Santo André.
O Independente FC foi também campeão do centenário de 1953:

E essa foto recolorida no começo dos anos 60? Linda não?

Outros times como estes fizeram com que a Liga de Mauá fosse aos poucos se fortalecendo e sendo mais um motivo de orgulho da cidade!
Faltava só a presença de Mauá no profissionalismo, mas os dois times que vimos acima (Independente FC e o AA Industrial) não toparam se profissionalizar.
A oportunidade surgiu em 1981, quando o Presidente da Federação Paulista de Futebol (Nabi Abi Chedid) esteve na cidade para a premiação dos Campeões da Liga Mauaense e na empolgação da festa sugeriu que se criasse um time para jogar a série A3 do Campeonato Paulista, dizendo que se precisasse da Federação, ele ajudaria.

Assim, nasceu o Grêmio Esportivo Mauaense…

A data de 15 de dezembro de 1981 na verdade se deve a uma parceria com o Escolinha FC, um time que já existia na cidade e fez uma parceria com o Grêmio para que pudesse agilizar sua inscrição junto à Federação.
Nesse momento histórico da fundação do Grêmio Mauaense surge mais um cara que merece ser homenageado por este post: o Marrom (de vermelho na foto abaixo)!

Fizemos essa foto com ele na época em que os já falecidos Bellotti e Wilson Cricca, juntamente do Ale Bachega (o primeiro da esquerda, ao lado do Marrom) e eu (com a camisa do Santo André) passamos a entrevistar os jogadores do Santo André em busca de histórias!
Ele esteve presente desde o momento do convite para disputar o profisional e participou da montagem do primeiro time (quase que na totalidade com jogadores da várzea). O primeiro desafio foi representar a cidade de Mauá na Copa João Ramalho de 1981, de onde saíram com o vice campeonato.
A estreia do time oficial foi em um amistoso em 31 de janeiro de 1982, numa derrota de 3×0 para o Suzano Futebol Clube (atual União Suzano Atlético Clube).

Ainda não existia o Estádio Municipal, então a casa do Grêmio Mauaense foi o antigo campo do EC Cerâmica, e pra quem quer saber como era (já que atualmente o Poupatempo Mauá em seu lugar) e Daniel Alcarria nos enviou algumas fotos:

O Campo do Cerâmica serviu de casa para vários times amadores da cidade. Essa foto é do Clube Esportivo União na final de 1981, Marrom, o último a direita, viria a fazer história no futebol local.

O Estádio era conhecido por ter dimensões pequenas (precisou de uma mini reforma para receber a 3a divisão). Aqui, a final do Campeonato da Liga de 1980, com os jogadores do GE Jardim Anchieta comemorando o gol do título.

Dá pra ver que o campo ficava bem encostado na rua, mas mesmo assim, havia espaço para uma arquibancada na lateral, que vivia cheia… Olha aí a Seleção de Mauá campeã da Copa João Ramalho de 1983.

Olha que linda defesa foi fotografada nesse modesto, mas inesquecível estádio!

Assim, o Grêmio Mauaense disputou a série A3 de 1982 a 1984 no Estádio do EC Cerâmica.
Em 82, fez uma boa campanha, principalmente no 1º turno, quando foi “vice campeão” (o campeão foi a Funilense de Cosmópolis, não conhece o time, clique aqui e saiba mais!).



O formato do Campeonato era super confuso, agradeço ao Rodolfo Stella pela ajuda na compreensão!


Aí o time daquela época:

Em 1983 disputou mais uma vez a A3 e dessa vez uma fórmula bem louca com 4 turnos envolvendo os mesmos times… Marrom foi técnico e jogador neste ano, e ainda pode ajudar o time trazendo alguns atletas do Santo André pra reforçar o time.

O time que jogou foi esse:

E de 84, existem lindos registros que nos foram passados pelo Daniel Alcarria, do jogo Mauaense x Capivariano 1984. Em 84, o Marrom disputou como atleta a série A3, mas ao final do campeonato passou a supervisionar o futebol no Mauaense e por algumas vezes sendo o treinador.



Essa foto também é daquela época, mas sem conseguir identificar de qual jogo…

Batemos um papo com o Marrom sobre esse momento inicial do Grêmio e ele citou um momento especial: o jogo de estreia do Estádio Municipal “Pedro Benedetti“, em 8 de dezembro de 1984.

O Grêmio Mauaense fez uma partidaça contra o São Paulo Futebol Clube, e ainda que o placar tenha terminado 2×1 pra o tricolor paulista, o Grêmio deixou claro que seria um time duro de bater, em Mauá. Esse jogo detém o recorde de público do Estádio: mais de 15 mil torcedores.


É lindo ver o Estádio Pedro Benedetti lotado!

O Estádio Municipal Pedro Benedetti possui capacidade para 10.590 torcedo e seu nome homenageia o futebolista Pedro Benedetti que jogou no Independente Futebol Clube, Associação Atlética Industrial, Cerâmica Futebol Clube, entre outros times de Mauá.

Olha a imagem do projeto que o Daniel Alcarria enviou pra gente:

E a inauguração do Estádio parece ter dado sorte… Em 1985, chegou o grande momento do time. Após uma primeira fase com apenas uma derrota, o time classificou-se para as finais.

A segunda fase foi um quadrangular com o Paulista de Suzano, Jabaquara de Santos e o Jacareí, e o mais uma vez o time sofreu apenas uma derrota contra o Jabaquara, em Santos!

Veio então um triangular envolvendo a Esportiva de São João da Boa Vista e o Serra Negra EC, e o Mauaense passou invicto!

O grande momento chegou: a final do campeonato contra a equipe do Mirassol e uma vitória em Mauá e um empate em Mirassol garantiram o título e o acesso à série A2.

Olha aí o time campeão:

Assim, em 1986 disputou a série A2 e embora tenha ido muito bem na primeira fase, acabou em último do seu grupo da segunda fase…


Já em 1987, o time não passou da primeira fase, terminando em oitavo lugar…

Assim, o time voltou à série A3, campeonato que disputou de 1988 a 1991. Em 1987, conquistou o título da Copa Diário do Grande ABC.
Em 1992, o time se licenciou, retornando em 1993 na Quarta Divisão (a atual série B / Segunda Divisão). Esse é o time de 1993:

Aqui o time de 1994:

Em 1996, o Grêmio Mauaense foi Vice Campeão Paulista da Antiga Série B1.

Outro time dos anos 90:

Em 2003, o Mauaense conquistou seu último título, da B1.

E assim, desde 2008, o Mauaense disputa a 4ª Divisão, mais conhecida como Paulista da Série B. E pra quem pensou “O Marrom deve ter ficado feliz com o Grêmio Mauaense ter seguido na ativa”, olha ele aí na comissão do time de 2016:

As arquibancadas nunca mais tiveram sua lotação como nos primeiros anos, mas… a torcida segue viva!


Aqui, o time de 2019:

Mas, o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e quando menos se esperava, eis que surge um novo time em Mauá para disputar o profissional e assim, utilizar o Estádio Municipal Pedro Benedetti, trata-se do Mauá FC.

O Mauá Futebol Clube foi fundado em 23 de outubro de 2017 e estreiou na Segunda Divisão do Campeonato Paulista (a série B) em 2018. Aliás estivemos presente em um jogo deles contra a AA Itararé, pra conhecer de perto o novo time do ABC (veja aqui como foi).

Logo no seu primeiro campeonato, conseguiu se classificar para a segunda fase, ficando entre os 16 melhores clubes do estado na divisão disputada e ainda ganhou os dois clássicos contra o Grêmio Mauaense. Será que nasce um novo rival?
Atualmente, quem está por lá cuidando do futebol é…. O Marrom!
Pra fechar, vale lembrar que a Liga Mauaense de Futebol Amador seguiu evoluindo e se tornou a maior do estado de São Paulo com mais de 320 times filiados, 900 partidas por ano com um público total de aproximadamente 50 mil torcedores por ano, é mole?
Mauá é hoje uma baita cidade, e uma das mais apaixonadas por futebol do Brasil. Além disso tem melhorado dia após dia. É muito mais do que você imagina…

APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!
]]>O livro do CA Linense!
Em meio a essa quarentena, como não podemos viajar e registrar estádios, temos dedicado nosso tempo a ler e pesquisar mais sobre o futebol. Temos feito uma série de posts sobre os estádios do ABC, e sempre que possível intercalando com livros que ajudam a conhecer a história dos times.

O post de hoje é pra falar do livro “Clube Atlético Linense – O Elefante da Noroeste”, uma obra de Wanderley Frare Junior, que ficou 4 anos pesquisando, escrevendo, colhendo fotos, entrevistas e curiosidades sobre o time de Lins, cidade no interior de São Paulo que é apaixonada pelo clube.

Nós já falamos bem superficialmente sobre a história do time (veja aqui) e também chegamos a ver algumas partidas (veja aqui o jogo entre PAEC x Linense e aqui sobre um Santo André x Linense com portões fechados). Também já desafiamos a estrada e fomos até Lins para conhecer pessoalmente o Estádio do Linense – clique e veja, mas o trabalho do Wanderley vai muito além…

O autor também é apaixonado pelo clube, tanto que já foi ver jogos em muitas cidades na grande São Paulo, interior do estado e até a capitais distantes. Tudo pelo clube.

O livro foi lançado em 2015, durante o Campeonato Paulista daquele ano e tem 572 páginas coloridas, em papel de ótima qualidade, capa dura e sobrecapa.



O livro custa normalmente R$ 150,00, mas agora em JUNHO, mês de aniversário do Linense (completa 83 anos no próximo dia 12), o livro está numa promoção incrível, saindo pelo valor de R$ 100,00, incluindo as despesas de envio para qualquer lugar do Brasil.

O contato com o autor pode ser feito pelo whatsapp no número (11) 99905-3784. Aproveite, pois essa oferta é válida apenas até o dia 30 de junho de 2020.
APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!
Os Estádios do São Caetano Esporte Clube

Dando sequência aos posts sobre os Estádios do Grande ABC, é hora de falar da casa do São Caetano Esporte Clube.

Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.
O post de hoje é em homenagem ao Ademir Medici, outro apaixonado pela história do Grande ABC que além de escrever uma coluna sobre a memória da região no Diário do Grande ABC, ainda editou vários livros sobre os principais clubes da região, entre eles, o São Caetano Esporte Clube. O livro “Uma história de campeões” foi a principal fonte utilizada hoje.

Outra fonte importante para esse trabalho foi o livro “Os esquecidos“, realizado pelo DataToro / RedBull, com pesquisas de Antonio Ielo, Fernando Martinez, Júlio Diogo e Marcio Javaroni e editado pelo Rodolfo Kussarev.

O São Caetano Esporte Clube nasceu em 1º de Maio de 1914, da fusão do Rio Branco (que alguns dizem EC, enquanto outros FC) e do Clube dos Amigos. Nos seus primeiros anos, participou de vários campeonatos locais e amistosos, inclusive fazendo algumas viagens pra jogar de visitante.

Não encontrei registros fotográficos do primeiro campo do São Caetano EC, mas ele ficava em uma área da família Roveri, antes usada pelo Clube dos Amigos, onde a Fábrica de Louças Adelina se instalaria. O campo não oferecia condições de disputar jogos oficiais e por isso, era comum jogar em campos emprestados. Aqui, algumas imagens da fábrica:


O segundo campo (também não encontrei nenhuma foto, até porque estamos falando das primeiras décadas do século XX) ficava na rua Heloísca Pamplona, e foi usado até 1920, quando o local passou a abrigar o Grupo Escolar Senador Fláquer.

O terceiro campo, conhecido como “O Estádio da Rua 28 de Julho” marcou época.
Possuia arquibancadas em madeira, inclusive uma pequena parte coberta. Ficava no terreno de uma firma de montagem de pontes, e o São Caetano EC pode mandar seus jogos ali por um bom tempo, até que no início dos anos 30, as Indústrias Matarazzo requereram o terreno.

As arquibancadas em madeira, com uma área central coberta e todo cercado, o que dava um charme único! Aqui uma outra foto, também do livro do Ademir Medici!

Aqui dá pra se ter ideia de como era o outro lado do estádio:


Em 1919, o time passa a disputar o Campeonato Municipal organizado pela APSA, que equivale à série A3 do Paulista atualmente.
Jogaria a A3 também em 1920, 1922 (quando chegou à segunda eliminatória, perdendo para a AA Ordem e Progresso), 1923 (também foi até a segunda eliminatória, desta vez perdendo para a AA Estrela de Ouro), 1924 e 1925. Esse, o time de 1926, que só jogou amistosos e torneios locais:

Em 1927, disputa pela primeira vez o Campeonato Paulista do Interior, pela APEA.
Em 1928, por falta de condições de seu estádio, mandou seus jogos pelo Campeonato do Interior em Santo André (no campo do Primeiro de Maio FC) e em São Paulo (no campo do Silex e do Ipiranga), mas isso não impediu o São Caetano Esporte Clube de se tornar Campeão do Interior!



Com o título do Interior de 1928, em 1929 o São Caetano Esporte Clube volta a disputar a série A3 do Campeonato Paulista pela APEA (nessa época, chamada de 2a divisão, ficando abaixo da primeira e da especial).
O Estádio da Rua 28 de Julho passa por uma reforma para poder receber os jogos desta competição e logo de cara, o São Caetano Esporte Clube conquista o vice campeonato.

O campeão de 1929 seria a AA Ordem e Progresso (que havia sido campeão da Divisão Municipal da APEA em 1928).

Olha o time deles, em 1935:

Mas, em 1930 chega a hora da celebração maior! O São Caetano Esporte Clube se torna campeão da série A3 e assim passa a disputar a A2!

O time sofreu uma única derrota no campeonato!


Em 1931, disputou a série A2 e por 3 pontos não saiu campeão.


A partir de 1932, o time passou a adotar o seu distintivo, já que até então, era apenas um uniforme preto e branco.
A série A2 de 1932 foi mais enxuta e perdeu um pouco da força porque a APEA criou dois novos Campeonatos: o do Interior – Divisão Campineira (onde o Guarani foi campeão) e o do Interior – Divisão Santista (a Briosa levou o título). Foram apenas 7 jogos e uma campanha apenas regular.


Em 1933, surge a Federação Paulista de Futebol e com ela, o profissionalismo começa a surgir no futebol paulista.
O São Caetano EC segue no campeonato da APEA, na série A2, que ese ano era dividido em 2 grupos, onde os melhores de cada um fariam a final.
Jogando no grupo “Série 1”, termina empatado em primeiro lugar com o time das Fábricas Orion, mas perde a partida de desempate e assim fica de fora da final.


O Fábricas Orion foi pra final e levantou o título de campeão.

É o time desta fábrica:

Que embora tenha se mudado de endereço, segue dando nome ao prédio, agora abandonado, na esquina das ruas Joaquim Carlos e Behring, no bairro do Belenzinho…

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Orion acolheu muitos imigrantes alemães de origem judaica, que fugiram da Europa por causa de perseguições.

O São Caetano EC ainda disputou vários amistosos nesse ano, dos quais dois merecem destaque: um contra o Primeiro de Maio que terminou em pancadaria (a ponto dos times combinarem não realizar o jogo de volta) e outro contra a Portuguesa, da qual se tem esse registro (a Lusa venceu por 3×2):

Chegamos a 1934, e agora haviam 2 campeonatos, um pela APEA e outro pela Federação Paulista (do qual o CA Fiorentino – que nada mais era do que o Juventus, que se lincenciou das demais competições, momentaneamente- saiu campeão da série A1).

O São Caetano EC fez uma boa campanha e terminou em 3o lugar (de novo a AA Ordem e Progresso levou).



Naquele ano, o time disputou um amistoso com o Palestra Itália, no Estádio da rua 28 de julho. Esse foi o time daquele jogo:

Em 1935 é um momento especial para o São Caetano EC: o clube adquire um terreno entre as ruas Paraíba e Major Carlo Del Prete, uma vez que a área do Estadio da Rua 28 de Julho é requerida pelas indústrias Matarazzo. Como o clube não tinha recursos, foi necessário muitas ações e parcerias para a realização desse sonho. Mas estava lançada a pedra fundamental do que seria o “Estádio da Rua Paraíba“.
A outra boa notícia é o convite feito pela APEA para que o São Caetano EC dispute a sua série A1 de 1935. O time termina em 4o lugar e ainda vence a Taça Bellard contra outros times da região.
A despedida do velho Estádio da Rua 28 de Julho se faz na partida contra a AA Ordem e Progresso, na primeira rodada do campeonato ( o time joga de visitante praticamente todos os jogos).


Em 1936, dois campeonatos paulistas são disputados: um pela LPF (Liga Paulista de Futebol), do qual o Palmeiras (Palestra Itália, então) sagra-se campeão, jogando contra as equipes mais fortes do estado, como Corinthians, São Paulo, Santos, Juventus entre outros times. O São Caetano EC segue fiel à APEA, que começa a apresentar sinais de decadência e melhora sua performance, alcançando o 3o lugar.
O destaque fica para a goleada de 6×1 contra o Ordem e Progresso (até eu já peguei birra desse time de tanto jogo contra ele kkkkk) e para o “derby regional” com o Primeiro de Maio, tendo o São Caetano EC vencido as duas partidas.


Esse foi o time de 1936, que teve que jogar quase todos os jogos como visitantes, uma vez que o Estádio da Rua Paraíba não foi finalizado.

Chegamos a 1937 com uma grande notícia: o Estádio da Rua Paraíba finalmente está pronto, e recebe o nome de Estádio Conde Francisco Matarazzo, sendo inaugurado em 1/5/1937.
Essa é uma foto do dia da inauguração, que contou com um grande festival que teve como ponto principal um jogo entre o São Caetano EC e um selecionado da APEA (4×1 para os donos da casa):

A entrada principal era na Rua Paraíba, onde ficavam as bilheterias além de um escritório para controle das carterinhas dos sócios.
Ao lado esquerdo (onde ficava um dos gols), estava a Rua Margarido Pires (a atual Av Goiás), à direita, a indústria Brasiltex e logo adiante a Rua Baraldi.

Aqui outra foto do livro do Ademir Medici, percebe a distância da torcida ao campo (sim, era só essa singela cerca branca que separava a torcida dos jogadores). Esta arquibancada coberta tinha capacidade para 600 torcedores. Ela dava costas à Rua Major Carlo Del Prete, embaixo delas ficavam os vestiários. Pro lado de trás, havia um portão maior para a entrada dos carros e ônibus dos times visitantes.

Outros dois jogos, nas duas semanas seguintes fizeram parte das festividades de inauguração do novo estádio: uma derrota de 1×0 para o Ipiranga e outra por 3×1 para a Portuguesa.
O São Caetano EC toma outra decisão importante neste ano: afastar-se da APEA e inscrever-se na Liga Paulista de Futebol (que se tornaria a atual Federação Paulista), mas termina 1937 sem disputar nenhum campeonato, assim como 1938, mas rolam festivais e até um campeonato só com times de São Caetano.

Em 1939, a agora “Liga de Futebol do Estado de São Paulo (LFESP)” decide convidar o São Caetano EC a disputar a Divisão Intermediária, equivalente à série A2 do Paulista.
E esse campeonato foi especial para o Grande ABC: 5 times da região participaram: São Caetano EC, Primeiro de Maio, EC São Bernardo, Cerâmica e Corinthians de Santo André) e 4 terminaram nas primeiras posições, tendo o Corinthians de Santo André como campeão!


Aqui, o goleiro Ettore Manilli em ação:


Chega 1940, e vem a grande conquista da Divisão Intermediária – a série A2 da época!

Mais uma vez enfrentando vários times do ABC, tendo o Palestra Itália de São Bernardo como novidade.


Inacreditavelmente, o time campeão de 1940 não disputa nenhum campeonato em 1941, nem 42 ou 43… Apenas amistosos.


Em 1944, disputou o Campeonato do Interior, mas acabou eliminado pelo Taubaté, em 45 e 46 não passou da fase regional de grupo (quem se classificou em ambas foi o vizinho CA Rhodia, de Santo André) e em 47 também saiu na segunda fase. Esse é o time de 1945:

Em 1948, uma grande novidade: a disputa do campeonato paulista da Segunda Divisão (a série A2) profissional. Joga a série vermelha e termina empatado em número de pontos com o Rio Pardo. Era só empatar o último jogo contra o Ginásio Pinhalense numa partida cheia de histórias….

Como apenas um time iria pra fase final, houve uma partida para desempatar e o Rio Pardo FC venceu, em campo neutro, em Limeira, por 5×3. O São Caetano EC jogou com Zinho; Mosca e Neno; Sérgio, Ninim e Escovinha; Suli, Iube, Andó, Wilson e Enzo. Técnico: Francisco Marinotti.

Em 1949, uma participação mediana, em sétimo lugar.

Duas fotos do time frente ao estádio neste ano:


Em 1950, sagrou-se campeão da sua regional, mas acabou desclassificadoo da segunda fase.


A foto do time campeão da sua série.

Em 1951, mais uma campanha mediana na Segunda Divisão – a série A2 da época- não se classificando para a parte final da competição, o vizinho Corinthians de Santo André classificou-se em primeiro lugar (no jogo em Santo André, deu São Caetano EC 2×1 contra o Galo da Vila Alzira, em 22/7/51):

Em 1952, é anunciado a construção de um novo estádio que servirá não apenas ao time mas à cidade. Analisando a distância eu me pergunto se realmente era necessário, visto que o Estádio Conde Francisco Matarazzo parecia dar conta do recado, mas alguns depoimentos da época dizem que o estádio já era pequeno para as grandes partidas (além de disputar a A2, foi comum a presença de Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e Portuguesa disputando amistosos para casa cheia) e a própria Federação vinha reclamando das acomodações modestas.
O time que entra em campo para a A2 de 1952 é formado por novos rostos, convidados junto à várzea local, o que fez com que o início do campeonato fosse irregular, mas em determinado momento, parece que finalmente deu liga, como se pode notar nos resultados.



Como houve empate entre o São Caetano EC e o Taubaté foi marcado uma partida em local neutro (a Rua Javari) na qual o time do ABC bateu o burro da central por 4×2, com 3 gols do ponteiro Rino.
Infelizmente no chamado “Torneio dos finalistas”, o time perdeu a classificação para o CA Linense, que saiu campeão em cima da Ferroviária.

Time do CA Linense, campeão e que disputaria a série A1 de 1953:

Nessa época, independente da campanha do ano anterior, existia sempre uma expectativa para saber se o time seria convidado para a disputa da segundona e foi com muita alegria que o São Caetano EC confirmou presença em mais um campeonato, ao lado do vizinho Corinthians de Santo André.
Pra se ter ideia do tamanho do interesse, em 1953 é criada a Terceira Divisão (equivalente à A3 atual).
Aqui, o time de 1953:

Mais uma vez, os times são divididos em grupos e a campanha do São Caetano EC é apenas regular:

O ano de 1954 se inicia com as primeiras obras do que ser ia o novo estádio da cidade. Mas o que mexeria com as estruturas do futebol na cidade foi a fusão entre o São Caetano EC e o Comercial FC de São Paulo (que jogava a primeira divisão).

Dessa maneira surge a Associação Atlética São Bento, cujo nome e uniforme eram homenagens ao São Bento, clube paulistano campeão estadual em 1914 e 1925).


Como o Comercial já disputava a primeira divisão, a AA São Bento nasce na A1 de 1954!

Mas, contrariando as expectativas, faz uma campanha bem mediana, correndo até risco de rebaixamento…


Com o time disputando a principal divisão do estado (a série A1), o prefeito Anacleto Campanella se vê na obrigação de agilizar as obras do novo estádio.
Assim, 1955 se inicia de uma forma muito festiva: no dia 2 de janeiro, em um jogo válido ainda pelo campeonato de 1954 (veja na tabela acima) a AA São Bento inaugura o Estádio Anacleto Campanella, vencendo o XV de Piracicaba, por 1×0.


Pra quem nunca foi ao Anacleto, vale lembrar que ele fica num das partes mais elevadas da cidade e ná época não haviam arquibancadas ao seu redor como um todo, por isso, sofria uma grande ação dos ventos e isso rendeu ao estádio o apelido de “O Estádio do Morro dos Ventos Uivantes“.


Em 13 de janeiro, realiza-se uma partida celebrativa para a inauguração do Estádio Anacleto Campanella e o Corinthians é convidado como adversário e vence por 3×2.
E as arquibancadas se entopem de torcedores…

O time disputa toda a série A1 no Estádio Anacleto Campanella, mas nem a fusão nem o novo estádio servem de estímulo para uma campanha considerável no Paulistão de 1955…

O torcedor vê a AA São Bento terminar num modesto 11º lugar…


Os maus resultados estimulam as discussões sobre a real efetividade da fusão entre o São Caetano EC e o Comercial FC e a parceira chega em 1956 bastante questionada. Esse foi o time:

O campeonato de 1956 teve uma regra bem diferente, a primeira fase era um “torneio de classificação, onde todos jogavam contra todos num turno único.

Desse “torneio” o campeonato se dividiu em duas séries: azul (os 10 primeiros colocados) e branco (os 8 demais), sendo que só o azul disputaria o título. A AA São Bento conseguiu se classificar para a série azul, terminando o tal torneio em 6º lugar…

A torcida até que fez o seu papel, olha quanta gente ia apoiar…

Porém, frente aos times mais fortes, os resultados não vieram…

Dessa forma, a AA São Bento terminou a série azul em 1956, em último lugar…

Mesmo tendo se classificado para essa “série azul”, o fim do campeonato de 1956 gerou ainda mais barulho, principalmente entre os torcedores de São Caetano. Imagina a pressão na cabeça dos dirigentes, que tinham certeza que a fusão criaria um novo “time grande” para o estado. Dessa forma, o campeonato de 1957 se inicia com os nervos a flor da pele.
Mais uma vez tivemos o “Torneio de Classificação”, para dividir os times em dois grupos.

E pra piorar as condições, o time não consegue se classificar na série azul…

A AA São Bento acabou disputando a série branca, que não concorria ao título do Campeonato Paulista, apenas esse título “simbólico” da série branca, que sequer foi conquistado… O time acabou no 3º lugar…

Os resultados decepcionantes fizeram com que o projeto da fusão fosse ao chão… Dia 18 de dezembro de 1957, o conselho do clube se reúne e oficializa o fim da AA São Bento.
O São Caetano EC e o Comercial FC estão de volta, o time do ABC fica com o estádio, o da capital com a maioria dos jogadores. Ambos com dívidas e desconfiança quanto ao futuro.
Pra piorar o São Caetano EC não consegue o direito de seguir jogando a série A1 do Paulista e ainda tem que fazer muito trabalho de bastidor para conseguir sua inscrição na cada vez mais disputada segundona – série A2.
O campeonato dividiu os times em 4 grupos, e o São Caetano EC ficou no Azul, mas sequer se classificou para a segunda fase. Esse é o time de 1958

Em 1959, novamente na A2 e mais uma vez, uma campanha fraca, não se classificando em seu grupo, o “João Havalange”, onde ficou em quinto lugar.


Em 1960, o São Caetano EC fecha definitivamente suas portas para o futebol profissional e passa a se dedicar apenas ao clube social. Uma pena para a cidade, principalmente pra quem vive na região central que foi quem mais se apegou ao time.
Vale destacar outro time que fez história: o Cerâmica FC, fundado em 13 de maio de 1925 por operários da “Cerâmica Privilegiada” famosa pela produção de ladrilhos, telhas e tijolos refratários. O Cerâmica chegou a disputar a Divisão Intermediária da LFESP em 1939.


Time de 1954:

Como sabemos, a cidade ainda veria surgir novos times que chegariam ao profissional, como a TransAuto, o SAAD, a AD São Caetano
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O Estádio Américo Guazzelli – A casa do Corinthians de Santo André

Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.
O Estádio é a casa do Corinthians de Santo André.

Esse post é uma homenagem a dois grandes nomes do futebol de Santo André. O primeiro é o amigo de arquibancada “Seo” Nelson Cerchiari, figura importante na história do Corinthians e até hoje acompanha o futebol local, em especial o nosso Ramalhão.
Pra se ter ideia, a foto abaixo é lá de Mirassol (pertinho…) onde ele esteve acompanhando o tetra campeonato da A2 em 2016.

A segunda homenagem, infelizmente é póstuma. Trata-se de Paschoalino Assumpção, um cara com uma mente a frente do seu tempo, que soube colecionar dados e anotações, que acabaram virando 2 livros incríveis, que serviram de base para a pesquisa de hoje.


O mascote e apelido do time e que dé também nome a um dos livros do Paschoalino é “Galo Preto da Vila Alzira“:

O time é um verdadeiro marco da história do futebol do ABC, assim como o mitológico Estádio Américo Guazzelli.


O nome da equipe de Santo André não é em referência ao homônimo paulistano, mas ao original, o Corinthian Football Club, time inglês que excursionou pelo Brasil há mais de 100 anos atrás.

Assim, em 15 de agosto de 1912, nasceu o Corinthians Foot-Ball Club de São Bernardo.

Isso porque até 1938 toda a região do ABC era chamada de São Bernardo do Campo.

A evolução do distintivo do time é um verdadeiro registro histórico do Grande ABC. Com a emancipação de Santo André, o time passa a se chamar Corinthians Futebol Clube de Santo André, também conhecido carinhosamente como o “Corinthinha“.

A história do Corinthians se escreveu em paralelo à do futebol paulista, numa época em que as ligas do municipais organizavam campeonatos disputadíssimos, com outros fortes times da região, como o Primeiro de Maio FC, (seu grande rival), o Ribeirão Pires FC, o São Caetano EC, o Pilar (de Mauá), o Palestra, o Meninos e o EC São Bernardo entre outros times classistas como a Pirelli, Volkswagen ou o Clube Atlético Rhodia, dono do esquadrão abaixo, de 1948:

Segundo o livro “O galo preto da vila Alzira“, o Corintians começou mandando seus jogos em campos de outros times, primeiro em um que ficava bem no centro, entre as ruas Senador Fláquer, Gertrudes de Lima e a Abílio Soares, somente em 14 de agosto de 1925 adquiriram a área onde seria construído o seu campo, na Vila Alzira, perto do Ipiranguinha. Aliás, olha como era o bairro, antigamente:

Existem poucas imagens que registram o estádio Américo Guazzelli do começo do século XX. As que existem são essas fotografias granuladas, com pouca resolução e sem imaginar o tamanho da história que seria escrita nesse gramado.

Mas o que sobra dessa época são lembranças, histórias e títulos. Olha essa foto do time de 1921 (escrevo esse post em 2020, ou seja… a um ano do centenário dessa foto!!)

Em 1921, esse time foi campeão paulista pela FPD, ficando com a Taça Guaraná Espumante formada por times descontentes com a APSA, na época. Participaram também da competição: Antártica FC, AA Barra Funda, AA Estrela de Ouro, EC Jundiahyense, Federação Espanhola FC, Itália FC, Ruggerone FC, União Artística R. Cambucy, União Brasil FC, União Fluminense FC (um dos que provocaram a revolta e a criação do campeonato paralelo), União Lapa FC, Vila Clementino FC.
Em 1923, o Coritnhians FC disputou a Zona São Paulo Railway do torneio do Interior e acabou em 3º lugar. (Paulista de Jundiaí liderou seguido pelo Coritnhians Jundihayense, e depois Atibaiense e o Brasil de Santo André).
Em 1925, mais uma vez disputa o torneio do interior ao lado da Ponte Preta, Guarani, D’alva (Campinas) e do Paulista de Jundiaí, ficando novamente em 3º, atrás do Paulista e da Ponte Preta.


Em 1927, o futebol paulista passa por uma divisão em duas entidades: a APEA (Associação Paulista dos Esportes Atléticos, originalmente APSA – Associação Paulista de Sports Athleticos) e a LAF (Liga dos Amadores de Foot-ball), com isso, o Corinthians recebeu uma vaga para jogar a primeira divisão (que teve o Palmeiras – Palestra Itália, até então como campeão) e fez com que o time abandonasse o Campeonato do Interior da APEA:



Em 1928, o time buscou fortalecer-se realizando uma fusão com o maior rival, o Primeiro de Maio FC, dando origem ao Clube Atlético São Bernardo. Olha o time no seu jogo de estreia (6×1 contra a Portuguesa Santista):

Com este nome eles disputaram a “A2” da APEA naquele ano e obtiveram bons resultados e terminando em 3o lugar, mas aparentemente a parceria não deu certo e eles perdendo o último jogo contra a Alpargatas de WO.

Aqui, o time rival: o Primeiro de Maio FC jogando como visitante no Estádio do Corinthians FC, olha o público que comparecia!!

Em 1932, o time disputa a Segunda Divisão (o quarto nível do estadual). Aqui, o time de 1938:

Aqui, o time já em 1939 que seria reconhecido pelo título da “Divisão Intermediária“, o equivalente à série A2 do futebol paulista.

Esse foi o time responsável pela conquista:

Em 1940, novamente disputa a “intermediária”, mas termina na sexta colocação.

Em 1943, voltou a disputar o Campeonato do Interior, pela 16ª região, ao lado da AA Juqueri, CA Paulista, União Tietê FC, AA Industrial, Ribeirão Pires FC, EC São Bernardo, Palestra de SBC, São Caetano EC, Primeiro de Maio FC, CA Piratininga e do CA Democrata. Classificou-se para a segunda fase, onde parou no time do Enguaguaçu (2×2 fora de cas ae derrota de 2×1 em casa).
Em 1947, ganhou o título da Copa Inter-Corinthians.
Na sequência, o time disputou mais 8 edições da série A2 do Campeonato Paulista. Primeiro de 1949 a 1953, onde chegou a ser campeão da zona sul em 1951, com o time abaixo:


Em 1952, o estádio recebe melhorias e visando aumentar o público e consequentemente as rendas dos jogos do campeonato da segunda divisão foi construído um lance de Gerais e a inauguração se deu no dia 27 de julho com o amistoso contra o Palmeiras da capital. Esta, do lado da rua Cel Seabra.

E estas do lado da rua Manaus. e o Corinthians ganhou por 2 a 0, como mostra o outro livro de Paschoalino Assumpção “História do futebol em Santo André”.

Em 52, ainda empatou na Vila Belmiro contra o Santos FC.


No dia 14 de dezembro de 1953 a assembleia aprovou a denominação de Estádio Américo Guazelli em homenagem ao seu ex-presidente.
Muita gente fala sobre as “cadeiras cobertas” e eu encontrei algumas fotos bacanas que as retratam, uma do livro “Industrial de Mauá”, e é o registro de 1966, no torneio de saudade:

A outra foi postada pelo Ozires, na fanpage “Casa Branca FC“, onde ele sempre publica fotos de times do ABC. É, curiosamente, o time do Palmeirinhas no campo do Corinthians…

A terceira foi enviada pelo Ovídio (torcedor fanático do Ramalhão e que acompanhou a época de ouro desse estádio).

E essa de quando o Humaitá (time amador de Santo André) jogou por lá!

Aqui, o time do “Vila Húngara” presente no tradicional Estádio:

Outro fato que ajudou o Corinthians a ser reconhecido mundialmente no universo do futebol é que no dia 7 de setembro de 1956, o time recebeu no Estádio Américo Guazzelli o Santos FC e entre os jogadores visitantes estava um de apelido “Gasolina”, que entrou e marcou seu primeiro gol. Aquele que logo se tornaria um dos maiores jogadores do mundo: Pelé. E lembram no seo Cerchiari, lá do começo do post? Pois foi ele quem anotou o gol na súmula!

O goleiro do Corinthians era Zaluar, que ficou conhecido localmente por se apresentar com o título “Goleiro que levou o primeiro gol de Pelé”.


Olha ele aí no gol do Américo Guazzelli:

Aqui, uma visão aérea do Estádio Américo Guazzelli, em1958:

O Corinthinha disputou ainda 3 campeonatos da A2, em 1955, 56 e 1970.
Desta época, o livro do Paschoalino traz uma linda imagem do time de 1958:

Jogou também a série A3 do Campeonato Paulista em 1957 e 1961, retornando ao amadorismo em 62, com o time abaixo:

Aqui, o time de 1965:

E esse o time de 1970, com vários jogadores do Santo André FC (que decidiu não disputar o campeonato aquele ano abrindo a vaga para o Corinthians FC) entre eles o goleiro Carlão, que arrumou a foto:


Falando sobre outros times que mandaram seus jogos lá, em 1957, o CA Ypiranga apresentou a proposta de uma fusão para juntos disputarem a série A1. Embora a fusão não tenha dado certo (muito devido à pressão da imprensa e torcida local), o Ypiranga mandou seus jogos no Estádio Américo Guazzelli.

Essa foto acima e esta abaixo são da preparação do estádio para uma partida do CA Ypiranga contra o Corinthians da capital e quem as encontrou em uma Gazeta Esportiva de 1958, foi o Doug (Daniel Andrade) um aficcionado por fotos e imagens antigas.

Olha o Schank (que jogou no próprio Corinthians de Santo André) jogando pelo Ipiranga no Américo Guazzelli:

O Corinthians conseguiu enfrentar os 4 grandes de São Paulo no Estádio Américo Guazelli, além do Botafogo, CA Ypiranga, Ponte Preta, Portuguesa e o que se via era um estádio sempre cheio!
Em 1967, foi a vez do time Irmãos Romanos mandarem seus jogos no campo do Corinthians.

Esse era o time deles, alguns anos antes, em 1964 (foto do site História do Futebol):

Outro que fez do estádio sua casa foi o Santo André FC.

O primeiro jogo oficial do clube ocorreu na comemoração do aniversário da cidade (8 de abril) de 1968, em um amistoso contra o Santos.
E aqui, eu homenageio outro grande pesquisador do futebol de Santo André, Marcelo Bellotti, já falecido, que conseguiu as cópias das fotos do Diário do Grande ABC, desta partida.


Outra partida inesquecível do Canarinho (na época era este o apelido do Santo André FC, por conta do seu uniforme amarelo) foi um amistoso contra a seleção do Congo:

Mas vários outros jogos foram disputados ali até a inauguração do Estádio Municipal Bruno José Daniel.
A foto abaixo foi “recolorida” pelo amigo torcedor Roberto:

Aqui, outra formação:

No início dos anos 2000, quem aparece como presidente do Corinthians tentando resgatar o futebol do clube e levá-lo novamente ao profissionalismo? Nelson Cerchiari!!! Ele sonhava em disputar a série B3 do Paulista, com o departamento de futebol profissional tercerizado, mas acabou não dando certo.
Atualmente o Corinthias segue no mesmo endereço: Rua 7 de setembro, 248 – Vila Alzira.



Como o mundo dá voltas, décadas depois do primeiro gol do Pelé, agora o estádio possui uma escolinha do Santos.

Mas seu estádio não é o mesmo. Já não possui suas arquibancadas, nem o belo campo onde fez história, mas ainda existe um campo!



Depois de muitas ofertas e negativas a pressão imobiliária venceu e parte do que fora o campo (o local em que Pelé marcou seu primeiro gol) se transformou em um empreendimento imobiliário. Outra parte permitiu ao clube social crescer e manter-se vivo e ativo.

O futuro deste time centenário, que vivenciou todas as transformações da nossa cidade nos últimos 108 anos? Não sei. Vamos aguardar e ver quais surpresas aguardam o Corinthians de Santo André! Pra terminar uma foto especial com o amigo Mário, outro apaixonado pelo futebol e que me salvou com algumas foto antigas que fizemos em uma visita ao Corinthinha em 2019!

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]]>O Estádio do Grêmio Esportivo Taboão (São Bernardo do Campo)

Puxa, tanto que a gente viaja pra registrar estádios pelo Brasil e mundo afora e acabamos deixando de visitar os estádios, aqui do ABC. Por isso, o post de hoje começa a cumprir esta missão, por um estádio de São Bernardo do Campo.

São Bernardo do Campo é a cidade mais populosa do ABC, com cerca de 880 mil pessoas, e uma história muito importante pra região, já que inicialmente abrangia todas as atuais cidades do Grande ABC.
Neste mapa da região metropolitana dá pra ter ideia do que seria uma cidade única no ABC:

Vale lembrar que foi em São Bernardo que futebol, política, economia e sociedade se interligaram, durante as greves dos metalúrgicos, em pleno regime militar, o Estádio 1º de Maio (na época, Estádio Distrital da Vila Euclides) foi a sede do comício que reuniu milhares, colaborando diretamente com o movimento das “Diretas já“, tendo como uma das lideranças, o futuro presidente Lula.

O segundo fato relativo à cidade é a cena cultural formado pelas bandas de hardcore com sonoridade próxima das finlandesas (vai ouvir Rattus, ou Força Macabra, pra entender), das quais escolhi o Ulster para ilustrar, por se tratar de uma banda antiga (de 1979), importante e impacatante.
Mas poderíamos lembrar do Brigadas do Ódio, Ação Direta, Negative Control, F.D.S., entre outras.

O nome “Ulster” é uma referência à cidade irlandesa onde atuava o grupo terrorista IRA. Além do som rápido, agressivo e barulhento, eles tocam com um visual bem diferente, com rostos cobertos por um capuz negro.
Nosso foco hoje é falar do estádio de um dos times de São Bernardo do Campo que disputou o Campeonato Paulista Profissional: o Grêmio Esportivo Taboão.
Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.

O Grêmio Esportivo Taboão foi fundado em 20 de janeiro de 1969, mas na verdade o time deu sequência ao legado do Esporte Clube Taboão, fundado em 1947.
O time disputou seis edições da terceira divisão do Campeonato Paulista, de 1982 a 1987.
Aqui, os resultados de sua participação em 1984, da qual não passou da segunda fase:


Aqui, os resultados de 1985, quando o Grêmio Esportivo Taboão não passou da primeira fase:

Em 86, mais uma vez o time não passou da primeira fase da terceira divisão, com os resultados:

Alguns recortes de jornal fornecidos pelo Dagoberto, do atual time:


Além disso, o GE Taboão disputou três edições da quarta divisão, entre 1988 e 1990. Aqui, a tabela de jogos da 4ª divisão de 1989 (antes que você pergunte, não só a mídia, mas a própria federação chamava a 4a divisão de “Terceira” porque a primeira divisão era chamada de “especial”:



Aqui, uma foto do time:

Nessas competições o time teria utilizado algumas vezes o Estádio do Baeta, mas também mandou os jogos no seu Estádio.
E fomos até lá, no bairro do Taboão, conhecê-lo!


Aqui uma olhada no meio campo:

Aqui, o gol do lado esquerdo (pra quem está na arquibancada):


Aqui, o gol do lado direito:

O time ainda segue jogando no amador, como se pode ver:

Em suas arquibancadas, há capacidade para pouco mais de mil torcedores:

O belo distintivo do Grêmio Esportivo Taboão está ali na parede!

A foto é olhando pelo outro lado do campo, e fomos até lá conferir essa vista!
Os bancos de reserva:


Uma visão de dentro dos bancos:

Pode se perceber que o bairro do Taboão segue crescendo e se verticalizando…

É sempre bacana olhar o nome do time ali na parede.

O campo do Taboão segue no meio do bairro, entre uma parte mais urbanizada e um córrego, junto a um piscinão. Não é o cenário mais lindo do mundo. Mas, o futebol ajuda a mudar essa percepção.

O Grêmio Esportivo Taboão ainda é motivo de orgulho e alegria de um monte de gente envolvida com o time.

Mesmo que se sinta espremido por entre o bairro que insiste em crescer, o terrão e a arquibancada seguem firmes.

Pra não deixar a gente esquecer que tudo tem sua história. E, felizmente, tem futuro.

O futuro do Grêmio Taboão segue sendo escrito pelas ações dos atletas e do pessoal que coordena o time.

Talvez não vejamos o time de volta ao profissional. Mas o leão seguirá empunhando a bola, firme e forte.

E o campo seguirá resistindo ao cimento…


Um grande orgulho registrar esse estádio que levou o futebol do bairro do Taboão para a história do futebol profissional paulista!

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O Estádio Bruno José Daniel – A casa do EC Santo André
Dando sequência aos nossos posts sobre os Estádios da região, hoje vou falar do Estádio do meu time do coração, o EC Santo André!
Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.
Para esse post contei com a ajuda de várias pessoas, em especial do amigo e historiador do Ramalhão, Alexandre Bachega! Valeu, Ale!

O Estádio Municipal de Santo André foi construído pela Júlio Neves (até hoje eles citam o projeto no site deles) e inaugurado em 15 de novembro de 1969, com um amistoso entre o Santo André FC e o Palmeiras (na época, o campeão da Taça Roberto Gomes Pedrosa).

O Santo André FC, na época apelidade de “Canarinho” por conta de seu uniforme, prometia uma partida defensiva!

Olha aí a cor do uniforme:

O resultado não foi lá muito favorável para o time local, mas a festa valeu a pena!

Pra quem gosta de fichas técnicas, segue a desta partida, com 3.034 pagantes, embora muitos convidados entraram sem pagar…

Na preliminar deste jogo, houve uma partida entre duas forças do futebol amador da região: SE Humaitá 1×0 Vila Bela, com gol de João Carlos, o responsável pelo primeiro gol no Brunão.

O Chicão já nos levou ao Estádio pra descrever o gol do Humaitá, o primeiro gol do Estádio, veja:
A primeira parte a ser entregue foram as arquibancadas cobertas.


Ainda hoje, o bairro ao redor do estádio tem poucos prédios, mas, na foto abaixo é de uma época em que eram 100% casas!


Nunca houve um consenso sobre a capacidade exata do setor das numeradas do Brunão, porque além das cadeiras existiam alguns espaço comuns que em épocas de pouco controle, poderiam ser ocupados…

Mas na época da inauguração, a capacidade oficial era estimada em 6 mil torcedores.


Somente em 10 de outubro de 1973, o estádio mudaria seu nome, como homenagem a Bruno José Daniel, que foi goleiro do Primeiro de Maio FC, depois vereador e Prefeito de Santo André e que faleceu jovem, aos 51 anos, menos de um mês após a inauguração do estádio.

O passo seguinte para a ampliação do Estádio Municipal Bruno José Daniel foi a construção da imponente arquibancada descoberta!

Começaram a ser construídas em 1976 e foram inauguradas em 1977 em um amistoso entre o Santo André e a Seleção da Bulgária, que terminou em 0x0.


Um resumo das atuações na partida:


Mais do que o resultado dentro do campo, o que foi bom mesmo foia arquibancada…. Veja, que linda!


Não tive acesso a nenhum documneto oficial que comprove a capacidade da arquibancada descoberta, mas estima-se que suportava 16 mil pessoas na época. Dessa forma, a capacidade total do Estádio Bruno José Daniel era de 22 mil torcedores.
Um “recorte” de uma edição da Placar de 1994 sobre a capacidade do estádio ser de 21.740:

Mas, essa informação varia para mais (há quem diga em 24 mil) e para menos. Fato é que o recorde de público presente aconteceria em setembro de 1983, num 0x0 contra o Corinthians (último jogo de Zé Maria pelo alvinegro).
Foram 19.189 pagantes oficialmente, mas houve mais de 4 mil pessoas (entre menores e outros) que não pagaram ingresso totalizando um público de mais de 23 mil pessoas. Novamente a Placar, em uma edição de 1987, cita o tema:

Em 1980, veio a inauguração dos refletores do Estádio, num amistoso que perdemos de 2×1 para o Santos. Nesse jogo o Ramalhão contou com um grande reforço: o craque Ademir da Guia disputou o início da partida com a camisa Ramalhina!

O jornalista e torcedor do Ramalhão, Vladimir Bianchini fez uma entrevista com o “divino” sobre o fato:
O Santo André jogou com Milton; Zé Carlos, Luiz Cesar, Alemão e Roberto; Ademir da Guia (Mazolinha), Arnaldinho e Cunha (Neco); Volnei, Zezinho e Bona.Técnico: Luiz Carlos Fescina.
Dessa forma, o Estádio passou por um longo período sem grandes obras e acabou se tornando conhecido e querido não só pela torcida local como pelos visitantes.

Porém, nem o mais entusiasmado torcedor daqueles já distantes anos 80, iriam acreditar, mas em 2004, com a conquista da Copa do Brasil, o EC Santo André confirmava pela primeira vez na história sua participação na Copa Libertadores de América, como se pode ver nessa linda foto da Gazeta Press:

E fez se do Brunão, um caldeirão!

Mas para poder receber a disputa, o “Brunão” (o Estádio Bruno José Daniel já se fazia íntimo do torcedor há tempos) ganhou, temporariamente um aumento da sua capacidade. Na época, o amigo Thiago Fabri foi até o estádio assim que as arquibancadas ficaram prontas e fez essas fotos pros Ramalhonautas.


O cálculo da capacidade do Estádio nesse momento era difícil, porque haviam sido alterados os padrões e a capacidade inicial havia sido reduzida para 18 mil, estima-se que com as duas arquibancadas, chegou-se novamente a 20 mil lugares.

Essas arquibancadas nunca foram utilizadas. Foram feitas só pra cumprir uma obrigação.

E também pra segurar a faixa dos Ramalhonautas!


Assim que o Santo André saiu da Libertadores, as arquibancadas tubulares foram desmontadas, voltando ao “padrão” que todos haviam se acostumado.

Tudo estava em paz até que em 2011 um burocrata teve uma ideia: Vamos derrubar aquela marquise, porque aquilo deve estar perigo…

O então Prefeito de Santo André, Dr. Aidan Ravin (PTB), anunciou uma “grande reforma do Brunão”. E assim, começou o inferno da nossa torcida.
Nunca ficou provado que era tecnicamente necessária a demolição da marquise. Estivemos lá às escondidas para registrar a demolição e recolher alguns pedaços de recordação…
O Santo André precisou atuar em cidades vizinhas como: São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Mauá e até em Araras e dentro de campo as coisas também foram mal… seguidos rebaixamentos no campeonato brasileiro e no estadual.

A resposta do torcedor foi dada nas urnas, e Aidan, que vinha com grandes chances de se reeleger viu sua carreira política ruir, como ruiram nossas arquibancadas.
Até música o Visitantes (a banda rockeira do Santo André) fez sobre esse difícil momento:
Somente em 2013, o novo prefeito (Carlos Grana / PPT) reabre o estádio com a presença dos seus torcedores.

Aos poucos as obras trouxeram um novo Bruno José Daniel, no lugar da antiga e vistosa marquise, em 2015 conhecemos uma nova arquibancada descoberta.

Em abril de 2017, voltamos a ter um sistema de iluminação.

Agora, podemos ter jogos noturnos novamente!



Por fim, o último movimento do Estádio foi receber as tendas da Prefeitura e transformar-se em um hospital de Campanha durante a pandemia do Covid 19.

Pode se dizer que o Estádio Municipal Bruno José Daniel fez mais do que a sua parte na vida dos andreenses…

Atualização: após a pandemia, o Estádio Municipal Bruno José Daniel recebeu uma grande mudança: a troca do gramado natural por artificial. Dê uma olhada em como foi a época das obras:





E se você ficou curioso em ver o nosso novo gramado, agora sintético, dê uma olhada em como foi odia da inauguração, com a final da Copa Santo André 2021 (clique aqui e veja o post):



E aqui o vídeo:
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Uma volta pelos estádios portugueses em 2020 – Parte 8: Carvalhal da Azóia, Sintra e Estoril
último post sobre o nosso rolê por Portugal!
Já dividimos com você nossa passagem por Lisboa, Leiria, Coimbra, Aveiro, Santarém, Fátima, Vouzela e Viseu, Nazaré, Óbidos e Queluz, além de ter feito quase “ao vivo” um post sobre o jogo entre o Estoril e o Feirense.
Hoje vamos finalizar falando da nossa estadia em Carvalhal da Azoia, Sintra e Estoril!
O nosso rolê começou com um fato inusitado… O Rio Mondego teve uma grande cheia, impedindo sua travessia em alguns pontos. E não é que ao chegarmos ao povoado de Montemor o velho, já quase em Carvalhal da Azoia encontramos tudo parado?
Mas, para nossa alegria, o trânsio só estava suspenso momentaneamente por conta de uma visita especial…
Era água pra caramba…
Pouco tempo depois seguimos viagem e em menos de 15 minutos estávamos na casa do nosso amigo Vasco (se você segue o nosso blog há algum tempo, vai lembrar que o Vasco é filho de portugueses, vive na Alemanha e foi nosso guia, quando lá estivemos para conhecer um pouco do punk e do futebol de Dortmund!).
Dessa vez, como ele estava visitando os pais, em Carvalhal da Azoia, fizemos questão de conhecer a sua aldeia, que fica no concelho de Soure. O lugar é mágico e essencial pra quem quer tirar do coração toda a tristeza urbana das grandes capitais!
Embora seja um povoado bem pequeno, quem disse que não tem uma igreja histórica por lá? Essa é a Capela da Nossa Sr.ª dos Aflitos:
E desde já fica aí nosso agradecimento à família dele pela recepção 🙂
Passear por Carvalhal da Azoia significa um rolê de poucos minutos, até se caminhar por todas as ruas, como se você tivesse voltado ao século passado, quase sem carros, sem barulho, o ser humano interagindo diretamente com a natureza …
Só que o passeio acabou ficando muito mais longo porque, mesmo sendo poucas pessoas, todos (sim, todos) os moradores conhecem o Vasco e não o viam há muito tempo. A consequência foram taças e mais taças de vinho, em casas de pessoas que nunca tínhamos visto antes…
O fim do dia foi um verdadeiro espetáculo da natureza!
No dia seguinte, antes de irmos embora, o Vasco nos levou a Montemor-o-Velho para conhecer o Castelo que tem referências documentais desde o século IX.
Tempos depois, o Rei Fernando Magno de Leão entregou o castelo ao Conde Sesnando.
Não há futebol em Carvalhal da Azoia, mas tudo bem. A amizade e a natureza foram mais do que suficiente para que a felicidade enchesse nossos corações e nos levasse à próxima parada: a cidade de Sintra!
Lá, vale a pena destacar o rolê por dois lugares, o primeiro deles, o Palácio Nacional da Pena, construído no estilo romântico, já no século XIX.
Desde 1995, o Castelo é Património Mundial da UNESCO.
O Palácio da Pena é bem diferente dos castelos que acostumamos a ver. É colorido, multicultural, parece ter sido reconstruído várias vezes (e foi). Pode ser dividido em quatro partes: as muralhas, o castelo em si, o Pátio dos Arcos frente à capela, com a sua parede de arcos mouriscos e a a zona palaciana.
Se você olhar a foto acima, perceberá um detalhe meio sinistro… Trata-se de Tritão, monstro mitológico meio homem, meio peixe, sinistro hein?
Levei a bandeira do Ramalhão para mostrar que esteja onde estiver, sempre nos lembraremos de quem somos!
O outro lugar mágico de Sintra é o Castelo dos Mouros.
Na verdade, é um castelo em ruínas que fica no alto da Serra de Sintra, no meio da floresta.
O castelo foi contruído a partir do século VIII, época da invasão de Portugal pelos Mouros Muçulmanos do Norte da África, mas acabou abandonado com a reconquista cristã e restaurado no século XIX pelo Rei Fernando II.
Crónicas árabes dizem que Sintra era uma região muito rica em campos de cultivo e o Castelo dos Mouros foi um dos castelos mais importantes nesta região.
Quem recuperou o castlo foi o rei Afonso VI de Castela, em 1093 mas os muçulmanos o recuperaram nos anos seguinte. Depois, a segunda cruzada, em 1147 finalmente colocou o castelo nas mãos dos cristãos portugueses.
O Castelo dos Mouros estava destinado a ser esquecido até que o Rei Fernando II, um apaixonado pela Idade Média ordenou sua reconstrução.
E pra chegar lá é só subir a montanha, numa caminhada cansativa, mas prazeirosa.
Mas… Além dos castelos, Sintra também tem muito futebol. A começar pelo Sintra Football.
A história do time é muito louca!
O Club Sintra Football foi fundado por um jogador de futebol (Dinis Delgado, atual presidente do clube) e dois amigos, em 27 de agosto de 2007.
E mesmo sendo um time novo, já coleciona vitórias, sendo atualmente um dos clubes com mais acessos na última década e em Portugal, e por hora, sem nunca ter sido rebaixado!
Claro que o time enfrentou (e ainda enfrenta) mil e uma dificuldades de estrutura e financeira, como por exemplo, não ter seu Estádio.
Por enquanto, o Sintra joga no campo da AD Oeiras, o Estádio Municipal de Oreiras, mas já jogou também no Estádio 1º de Dezembro, e no Estádio do Real SC.
Normalmente o time joga para uma média de 300 torcedores, que é um ótimo público para as competições de acesso (eles já subiram do dsitrital para o Campeonato de Portugal), incluindo o Ultras 2007.
Outro time da cidade é o Sport União Sintrense.
Fundado em 7 de Outubro de 1911, o Sintrense também disputa as categorias de acesso do futebol português e manda seus jogos no seu próprio estádio (eles chamam de Estadio do Sport União Sintrense).
Veja algumas fotos do excelente site “O gol”, de Portugal.
Mais informações, você pode acessar o site deles: www.susintrense.pt
Por fim, a Sociedade União 1º Dezembro.
A Sociedade União 1º Dezembro foi fundada em 1 de Dezembro de 1880!!!!!! Um time do século XIX, é mole?
Já disputou a 3ª Divisão do nacional e atingiu a quarta eliminatória da Taça de Portugal contra o Sporting Clube de Portugal.
Mandam seus jogos Estádio Conde Sucena. Dá pra ver as fotos do Estádio novamente no site “O gol”
E asssim, chegamos à última cidade do nosso rolê: Estoril
Na verdade estivemos em Estoril e CasCais, que é a cidade vizinha, colada mesmo à Estoril e que também possui uma linda praia.
A gente só tem o fim de ano pra conseguir viajar, isso significa que só conhecemos o inverno europeu, por isso, ver o sol na praia é algo animador!
Tinha até uma galera pegando um mar…
É interessante essa mistura entre castelos e o litoral!
Em Estoril, uma das razões da cidade ser bem visitada é o “Casino Estoril“:
O litoral é bem diferente do Brasil, mas é muito bonito!
Essa é a piscina oceânica… Uma piscina formada pela água do mar. Pena que não tava tããão quente…
Deu até pra curtir um rolê romântico e pegar um por do sol…
Falando sobre o futebol e Estoril, a cidade é representada no profissionalismo pelo Grupo Desportivo Estoril Praia.
O Grupo Desportivo Estoril Praia foi fundado em 17 de Maio de 1939. Desde 2000, constituiu uma SAD (empresa de direito privado), tema que gera miuta polêmica entre os torcedores portugueses.
O time manda seus jogos no Estádio António Coibra da Mota.
E fizemos questão de visitá-lo num dia normal, sem partida. Mais uma bilheteria pra nossa coleção:
Olha que legal a pixação ao lado do estádio: “Apoia a tua equipa local”.
No dia da nossa visita encontramos alguns torcedores locais acompanhando o treino.
Aliás, graças a nossa visita ficamos sabendo que dias depois teria uma partida (a que a gente foi assistir).
O Estádio António Coimbra da Mota foi inaugurado em 1 de Janeiro de 1939 e tem capacidade para 8 mil torcedores.
O time do Grupo Desportivo Estoril Praia é chamado de “Canarinhos”, uma referência ao seu uniforme e homenagem à selecção brasileira.
O Estoril Praia já chegou a jogar a 1.ª divisão, a primeira vez, na temporada 1944/45, quando meteu um 8×1 no F.C. Porto, mas atualmente, após acessos e descensos, o clube vem jogando a segunda divisão de Portugal, para a alegria dos seus Ultras.
Mas o Estoril Praia chegou a jogar a Liga Europa da UEFA de 2013–14, jogando a fase de grupos ao lado do FC Slovan Liberec, o SC Freiburg e o Sevilla Fútbol Club. E na temporada seguinte , defrontando PSV Eindhoven, Panathinaikos e Dínamo de Moscovo.
Olha um dos adesivos deles lá no estádio, pra quem acha que tem espaço no futebol pra xenofobia…
Esse é o gol do lado direito.
Este o do lado esquerdo:
E o meio campo:
O estádio possui uma área central coberta e um grande anel descoberto em torno do campo.
Que golaço, essa visita!
Assim, prometemos que voltaríamos pro jogo e… dito e feito! Clique aqui e veja como foi.
Pudemos conhecer ao vivo os Ultras do Estoril!
E tem punk aê?
O amigo Calhal diz que sim!
Além do GD Estoril Praia, a cidade ainda conta com o União Recreativa e Desportiva de Tires (URD Tires).
O URD Tires foi fundado a 8 de Dezembro de 1962 e disputa o Distrital, quarto escalão da região de Lisboa. Manda seus jogos no Estádio Dr. A. F. Santos Neves, com capacidade para 600 torcedores.
Bom, pessoal, aqui chegamos ao fim do nosso rolê por Portugal.
Muitas experiências incríveis, estádios, natureza, um doce melhor que o outro, várias pessoas incríveis…
E agora seguimos no dia de hoje, 8 de Maio de 2020, em plena quarentena, sem previsão de quando poderemos fazer um role desses de novo.
Primeiro por conta do Coronavirus que nos obriga ao isolamento social (necessário para o controle da pandemia) e segundo porque sabe-se lá quando conseguiremos juntar o dinheiro necessário pra uma viagem dessas.
Assim, se por acaso você estiver lendo isso já no futuro, quando escaparmos dessa situação, faça aí o seu comentário sobre o que mudou e se já podemos viajar pra ver um jogo, nem que seja pra uma cidade pertinho…
Abraços a todos e em especial ao bom povo português!
APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!
]]>Novo livro importante!!!
Júlio Bovi Diogo e o Rodolfo Pedro Stella Jr gostam de desafiar a lógica de mercado, os conselhos dos amigos, a recomendação dos mais centrados e seguem apostando suas forças, grana e energia na publicação de livros…
Mas, cá entre nós… Que baita livro!
Trata-se da “História da 2a divisão no Futebol Paulista”, o segundo volume desta publicação que levanta dados essenciais para jornalistas, pesquisadores e torcedores mais fanáticos sobre a atual Série A2, nesse caso, de 1978 a 1990.
São fichas técnicas completas, equipes participantes, classificações, foto do time campeão em 320 páginas, no formato A4 (21cm x 29,7 com).
São poucos exemplares, por isso, os interessados entrar em contato com Júlio Diogo pelo email – juliodiogo@litoral.com.br.
APOIE AS INICIATIVAS DE QUEM CONSTRÓI!
]]>Uma volta pelos estádios portugueses em 2020 – Parte 7: Nazaré, Óbidos e Queluz
Lisboa, Leiria, Coimbra, Aveiro, Santarém, Fátima, Vouzela e Viseu, além de um post sobre o jogo entre o Estoril e o Feirense, agora é hora de falar um pouco sobre nosso rolê por Nazaré, Óbidos e Queluz.
Tivemos pouco tempo para essas cidades, e acredite o rolê por lá é muito legal… Então, confesso que dei muito pouca atenção e tempo ao futebol, mas nada que um pouco de pesquisa não nos ajude…
Começamos falando de Nazaré, a cidade conhecida como paraíso dos surfistas de ondas gigantes!
Mas nem só de ondas gigantes vive Nazaré, a cidade também tem um monte de coisas legais pra serem visitadas, como o Mercado Municipal.
O nuestro hermano Checho, de Buenos Aires iria quedar loco con essa Vespa:
Basciamente a praia de Nazaré é dividida em duas partes pelo Miradouro do Suberco, assim de um lado temos a praia de Nazaré, essa da foto abaixo (que tem ondas pequenas) e a praia do Norte (onde ficam as ondas gigantes):
Dá pra subir lá de carrro, ou pelo elevador turístico.
Uma vez lá em cima… Aproveite a vista!
Embora fosse inverno em Portugal, que é a época das ondas gigantes, achei que as que a gente viu, não eram aquelas assustadoras…
Olha a praia de Nazaré, lá do outro lado…
Aqui dá pra ver como o mar é dividido em duas praias:
Deu até pra fazer pose…
Lá em cima, tem ainda um museu do surfe (vários brazucas são lembrados ali).
Um visual único! Aqui dá pra ter ideia do tamanho delas comparadas a um surfista:
É um paredão d’ água….
E um paredão rochoso também…
Um lugar pra ficar na memória!
Mas Nazaré, também tem futebol! Conheça o Grupo Desportivo Nazareno!
Fundado em 03 de setembro de 1924, o Grupo Desportivo Nazareno manda seus jogos no Estádio Municipal da Nazaré.
O distintivo dos Nazarenos está ali reforçando o amor pelo time da cidade.
Atualmente, o time disputa o Campeonato distrital da Associação de Futebol de Leiria.
Este é o time que jogou a temporada de 2017/18:
O Estádio Municipal de Nazaré tem capacidade para quase 5 mil torcedores.
Vamos dar uma olhada no entorno do estádio, antes de irmos embora…
Nossa próxima parada (onde passamos a noite) foi a misteriosa cidade murada de Óbidos.
Na verdade, Óbidos é uma vila portuguesa, do distrito de Leiria e é um lugar mágico. A princípio a gente só ia passar por lá, mas decidimos dormir na cidade uma noite pra sentir o clima, e o hotel já ajudou a gente a entrar no clima:
Além dos apetrechos tinha um modelo de soldado das cruzadas.
Desde 2007, o Castelo de Óbidos é considerado um dos monumentos mais relevantes do património arquitetónico português. E não é por menos, se liga no visual:
O nome Óbidos não tem nada a ver com “óbitos”, mas sim “ópido”, que significa “cidadela”, ou “cidade fortificada”. E os muros não a deixam mentir…
O lugar esteve nas mãos dos Mouros até 1148, quando passou para as mãos dos cristãos e se tranformou, séculos depois nesse lugar turístico, praticamente adormecido no tempo.
Nosso hotel ficava fora da muralha (bem mais barato), mas da área externa podiamos ver o castelo.
Mas ainda restam lembranças dessa história…
Aqui, a diversão é andar pelas ruelas dentro das muralhas e tomar ginja (um licor de cerejas portuguesas que vem dentro de um copinho de chocolate).
Óbidos tem um monte de doces gostosos!
Em 2015, a UNESCO considerou Óbidos como cidade literária, e o resultado foram várias livrarias nos lugares mais doidos possíveis.
Assim, rolou a reabilitação de espaços degradados transformados em livrarias. Até a Igreja de Santiago se transformou em uma livraria!
Olha ela por fora:
Também passamos pela Igreja Santa Maria, a Matriz de Óbidos, cuja história se inicia láááá no período visigótico, sendo sido convertida em mesquita durante a época muçulmana e reconvertida para o cristianismo após D. Afonso Henriques ter conquistado a vila, em 1148.
Não deu tempo pra conhecer o estádio local, a casa do Óbidos Sport Clube.
O time foi fundado em 1925, este é o elenco de 2019:
Achei no Face deles mais umas imagens do time:
O Óbidos Sport Clube manda seus jogos no Estádio Municipal de Óbidos.
O estádio tem capacidade para 3 mil pessoas.
E fica numa área mais distante de onde estávamos:
Nossa próxima parada foi a cidade de Queluz, para conhecer o Palácio de Queluz:
Foi neste palácio, mais precisamente neste quarto (o quarto é chamado D Quixote) onde nasceu e morreu D Pedro I:
O Palácio é um verdadeiro museu, com diversos materiais e decorações do século XIX.
E fica numa área que é um verdadeiro parque.
O ambiente interno é realmente uma volta ao passado!
E as estátuas do lado de fora são no mínimo…. curiosas!
Eu estava lendo a biografia de D. Pedro I e por isso o passeio foi bem esclarecedor.
Por falar em D. Pedro I, olha ele aí!
E aqui, o pai dele, D João:
Também não tivemos como conhecer o futebol local e o time do Real Sport Clube, cujo nome é uma homenagem ao Palácio Real de Queluz, mas fica aí nossa homenagem a mais um time das divisões de acesso de Portugal.
O Real Sport Clube nasceu da fusão de dois times, em 1995: o Grupo Desportivo de Queluz (este fundado em 1951) e o Clube Desportivo e Recreativo de Massamá e manda seus jogos no Complexo Desportivo do Real Sport Clube, com capacidade para 3.600 torcedores, quem sabe numa próxima vez possamos conhecê-lo ao vivo!
