A 227ª camisa de futebol do nosso site vem de Portugal, presente da amiga Elisama que agora vive por lá, em Alverca do Ribatejo.
O time que defende as cores da cidade de Alverca do Ribatejo, e dono da camisa de hoje é o Futebol Clube de Alverca.
O FC Alverca foi fundado em 1º de Setembro de 1939, coincidentemente, no dia do início da Segunda Guerra Mundial. A cidade tinha ainda outros times, como o Alverca Futebol Clube (de 1922) e o Sporting Clube de Alverca (1930). Quer saber um pouco da história do FC Alverca, veja aí:
O time cresceu integrado à história de Alverca do Ribatejo.
Ate a década de 40, o time se limitava às competições não oficiais da região mas, a partir de 1942, integrou a Associação de Futebol de Santarém, e depois a Associação de Futebol de Lisboa disputando os campeonatos destes grupos.
O FC Alverca começa a conquistar títulos regionais e nacionais, com destaque para o acesso à segunda divisão em 1988. Foto do site Glórias do Passado.
Na temporada 1997/98, o FC Alverca fez uma sensacional campanha conquistando o acesso à primeira divisão!
Assim, na temporada seguinte (1998/99) debutam na primeira divisão!
Lá permaneceu até 2002, mas retornando em 2003/04 para mais uma temporada na elite do futebol português.
Depois de altos e baixos, a partir da temporada 2021/22, passou a integrar a Liga 3 e assim reiniciando sua caminhada rumo à primeira divisão. Na temporada 2024/25 retorna à Segunda Liga e na temporada seguinte, volta à Primeira Liga após 21 anos. Em 2025, Vinícius Júnior adquiriu 80% da SAD do clube.
Manda seus jogos no Complexo Desportivo FC Alverca com capacidade para 6.900 torcedores.
No início de dezembro de 2025, estivemos na estrada para uma viagem até Brodowski com a missão de acompanhar a final do Amador do Estado entre o CA Bandeirante e União FC de Atibaia com os amigos Mário e Brasileiro (veja aqui como foi a conquista do 5º título do Band).
Mas, além da partida, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade.
A Antiga Estação Ferroviária guarda um pouco da memória de quando os trens conectavam Brodowski com o mundo.
A placa explica um pouco da importância da ferrovia à época. Incrível a gente ter perdido tudo isso não é mesmo?
A Estátua que antes homenageava as despedidas e a saudade dos que se vão pelas linhas do trem, hoje, pra mim, representa a falta que a própria ferrovia faz… Ela partiu e sabe lá quando volta…
Interessante eles manterem exposto um canhão usado na segunda guerra para lutar contra os nazistas! Nunca é bom esquecer essas coisas.
A praça em frente à estação guarda muitas lembranças também. O que dizer desse banco, com a propaganda da Casa Macchetti? Olha o número do telefone: 66. E mais nada.
Ali está também o Coreto da cidade! É algo simples mas que combina demais com a cultura local.
Brodowski também é muito conhecida por ser a cidade natal de Portinari e sua casa se tornou um museu que recebe muitos turistas!
Algumas construções sobreviveram ao tempo até hoje…
Falando do sagrado, essa é a igreja matriz da cidade…
Mas, falando sobre o profano… A versão local da carreta furacão também arrebata corações por lá!
Como já dissemos, o futebol na cidade é mais que um esporte, é mesmo uma cultura que faz a cabeça de quem vive por lá. Até o Portinari entrou nessa fita!
Mesmo com times novos surgindo, a rivalidade local fica mesmo por conta do clássico entre o CA Bandeirante e o Brodowski FC, e como já falamos bastante do primeiro, é hora de falar sobre o time mais antigo da cidade…
O Brodowski FC foi fundado em 15 de setembro de 1920, e tem uma história cheia de mistérios, visto que não existem muitos documentos sobre essa primeira fase do time.
O Brodowski sagrou-se também campeão-amador setorial, em 1970, 1971 e 1976 e ainda em 1981, 1982 e 1983, e vice-campeão estadual no ano de 1983. Em 1986, é campeão amador do estado!
Fomos conhecer o seu Estádio, o “Zé Turquim”.
Pelo que entendi, conversando com os moradores, mesmo antes de ser um estádio, o campo do Brodowski sempre foi ali, desde 1920.
Infelizmente não conseguimos entrar no campo, então demos um jeitinho… Acabamos fazendo amizade com o pessoal que mora bem ao lado do estádio (aliás, um abraço a vocês!!!) e, do quintal deles pudemos registrar o campo!
Ali dá pra ver a arquibancada coberta e o gol do lado esquerdo:
Aproveitamos o feriado da consciência negra de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade para todos em nosso país. E é fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos antirracistas em todos os ambientes. Pra pensar um pouco mais sobre o tema, vale a pena entender o que é o racismo, e o GOG pode ajudar nessa ideia:
E já que você ouviu ele falar, ouve o que, pra mim, é um dos maiores cantores do nosso país e que devia ser ouvido nas escolas antes mesmo de lermos Machado de Assis.
Também aproveitamos o feriado para cair na estrada e fomos até Ribeirão Preto para finalmente registrar o Estádio Palma Travassos (veja aqui como foi).
No caminho para Ribeirão, aproveitei para fazer algumas paradas. A primeira delas, em Santa Cruz das Palmeiras, só pra rever o EC Palmeirense, clube fundado em 7 de setembro de 1908 e que segue com forte vida social e um belo campo de futebol (veja aqui como foi o rolê que fizemos por lá em 2018).
A terceira parada foi em Cajuru, para “completarmos” a visita que iniciamos em 2018, quando fomos até o Estádio Dr Guião, mas não conseguimos registrar seu interior. Relembre aqui como foi! E veja aqui, como foi o rolê este ano.
Finalmente em Ribeirão, além de registrar o Estádio do Comercial, também demos um rolê pela cidade, fomos conhecer o Mercadão.
Olha que lindo o prédio do Teatro Pedro II, ali no centro, pertinho, no mesmo quarteirão da famosa choperia Pinguim.
Também paramos na Sorveteria do Geraldo, um verdadeiro patrimônio de Ribeirão Preto!
Finalmente chegamos ao Estádio Santa Cruz…
O estádio foi inaugurado em 21 de janeiro de 1968, com um amistoso entre o Botafogo e a Seleção da Romênia, e o time da casa meteu logo um chocolate nos gringos: 6×2.
Animado em registrar um estádio com tantas histórias, fui correndo bater na porta para poder reencontrar a parte interna do Santa Cruz.
O Estádio é a casa do tradicional Botafogo de Ribeirão Preto!
Estive lá em 2014 acompanhando a final da Copa Paulista: Botafogo x Santo André.
Mesmo embaixo de forte chuva durante os 90 minutos, o público foi bem interessante.
E o Ramalhão ainda saiu campeão…
De lá pra cá algumas coisas mudaram… O Botafogo virou SAF e o Estádio, uma arena com nome de empresa. Na prática? Gente sem nenhuma conexão com o time trabalhando por lá, recebendo com muito mal humor quem, como eu, se interessa pelo Estádio. Que diferença de como fomos tratados no estádio do rival…
Perguntei se existia alguma maneira de pelo menos ver o campo e a resposta foi “nenhuma chance”. Me pergunto se a diretoria do Botafogo sabe quem cuida do estádio em dias “normais”. Eu prefiro acreditar que sempre existe um jeito e fui caminhar dando a volta no estádio.
Olha que legal a loja (ou as lojas?) do time:
Enfim… Dando a volta cheguei em dois restaurantes que ficam junto do estádio e, adivinhe, têm vista pro campo. Um deles é o Hard Rock Café, e, pô, rockeiros sempre se ajudam, mas… não hoje. A moça foi quase tão chata quanto o funcionário do Estádio. Sempre achei que por trás desse falso título de rock o tal Hard Rock Café fosse um nojo. A moça só comprovou.
E aí… Restava o Bar do Zeca Pagodinho… E os caras foram muito gente boa e me deixaram entrar para registrar o campo ali da parte de dentro do bar…
Não só me deixaram entrar como ao verem que eu estava tirando foto do campo, atrás da janela de vidro, me convidaram a acessar a área das arquibancadas… E assim, lá fomos nós…
Logo de cara já registrei o campo como tradicionalmente faço, aqui o gol da esquerda:
O gol da direita:
E o meio campo:
Claro que fiquei contente de poder registrar esse lindo estádio e acabei mais feliz do que chateado por achar que o funcionário do Botafogo que trabalha no estádio poderia no mínimo ter me dito “Tenta lá nos restaurantes”…
Mas fico me perguntando se esse cenário está mesmo correto… Se o clube não poderia explorar melhor o estádio como ponto turístico ou mesmo para ampliar a relação com sua torcida.
Vivenciar um rolê assim, conhecendo o estádio em um dia sem jogo é uma maneira diferente de se relacionar com o espaço, com o local, com o time…
Eu n˜ão consigo deixar de pensar que se eu fosse dar ouvidos ao cara que oficialmente trabalha no clube e deveria ser o mais interessado nisso, eu teria ido embora sem ver o sol brilhando no Estádio Santa Cruz…
E olha que linda a arquibancada tricolor! Foi muito bacana a experiência e agradeço demais o pessoal do Bar do Zeca Pagodinho, foram os mais boleiros do dia! Estádio não é só concreto e ferro, é memória, afeto e deveria ter gente que carrega o clube no peito.
Com tantos roles pelo interior, as vezes sinto que registro pouco o futebol da capital, que, sem dúvida, tem uma história única no futebol brasileiro. Assim, aproveitei um deslocamento pela cidade para registrar o Estádio e um pouco da centenária história do União dos Operários FC.
O União dos Operários FC foi inaugurado em 1º de maio de 1917, uma data cheia de significados para a cidade de São Paulo. Pra entender o “caldo cultural” da sua fundação, precisamos voltar ao fim do século XIX, quando São Paulo passa a se industrializar e a receber milhares de operários vindos especialmente da Itália, Espanha e Portugal. A foto abaixo registra a hospedaria dos imigrantes da época e onde funciona atualmente o Museu da Imigração / Memorial do Imigrante:
Muitos deles trouxeram consigo uma formação anarquista, com influência de pensadores como Bakunin, Kropotkin e Malatesta, que defendiam conceitos como a autogestão dos trabalhadores, ação direta (greves, boicotes, ocupações) como forma legítima de luta e a solidariedade de classe, sem depender de partidos políticos ou do Estado.
Tradicionalmente, no feriado de 1º de maio, sindicatos e associações operárias organizavam atos e comícios em São Paulo para reivindicar melhores condições de trabalho. Com a Primeira Guerra, houve um o aumento do custo de vida e do número de pessoas passando fome pelas periferias da capital, fazendo com que a manifestação de 1º de maio de 1917 não fosse apenas uma comemoração, mas um verdadeiro ato político, organizado em boa parte pelos sindicatos libertários e pelos grupos autônomos de trabalhadores. Foto do site do PCB:
Como sempre, o Estado reagiu e a forte repressão policial assassinou o operário Antonio Martinez. Com isso, as reivindicações se transformaram em uma greve geralautogerida, levando mais de 50 mil pessoas às ruas da cidade. Comitês de bairro, cozinhas coletivas e decisões tomadas em assembleias abertas tornaram-se parte do cotidiano da cidade.
Embora a greve tenha sido duramente reprimida, ela deixou marcas profundas, consolidando o 1º de maio como dia de luta, reforçando a presença do anarquismo no imaginário político brasileiro mostrando que era possível organizar trabalhadores sem partidos ou líderes hierárquicos. Com a chegada do governo de Getúlio Vargas, e uma série de ações populistas, como a legislação sindical corporativa, o anarquismo perdeu espaço institucional. Mas, o próprio União dos Operários fica como legado até os dias atuais.
A sede do clube e seu estádio ficam localizados no Belenzinho, próximo da Ponte de Vila Maria e nasceu idealizado por operários da região.
Com tanta história, dá até emoção de pisar em um campo que há mais de 100 anos está dedicado não só ao futebol como ao futebol operariado, oferecendo abertura aos trabalhadores que muitas vezes não tem essa oportunidade.
Além do campo, existe uma estrutura dedicada a outros esportes e ao social no clube, como se pode ver ali atrás do gol da direita:
Sua arquibancada de madeira é simples, mas muito charmosa. Me pergunto se algo dessa estrutura ainda é original…
Ao fundo do gol da esquerda, um estacionamento, item importante nos dias de hoje:
E aqui, o meio campo, com algumas belas árvores ao fundo.
Minha dúvida, ao ver o mapa de 1958, é que aparentemente não havia campo ali, mas haviam outros campos ali pra baixo:
Veja o mapa atual e perceba ue apenas o campo da Camisa 12 segue ali abaixo do Estádio do União dos Operários FC.
Um pouco do que rolou na mídia relacionado ao time, começando lá em fevereiro de 1921 quando o time se limitava aos amistosos e à várzea (detalhe importante é que o adversário AA Estrela de Ouro já disputava os campeonatos da FPD daquele ano):
Agora pra falar de sequência do time, vou usar como base as informações do livro “Esquecidos”, o velho testamento do futebol paulista.
No livro, entendi que após a fase de amistosos e disputas não oficiais, em 1927, o União dos Operários Futebol Clube passou a disputar a Série Principal da Segunda Divisão da LAF, vencendo 2 jogos (2×1 frente o CA Brasil, 2×1 no HúngaroPaulistano) e empatando em 2×2 frente o CA Tiradentes, antes de abandonar o campeonato se transferir para a APEA.
Assim, no ano seguinte, em 1928, passou a disputar a DivisãoMunicipal da APEA (acima dela estava a Divisão Especial, a 1ª e a 2ª divisão).
Em 1929, passa a disputar a Segunda Divisão da APEA:
Em 1930, teve uma boa participação na segunda divisão da APEA, terminando na 5ª colocação:
Em 1931, o União dos Operários foi vice campeão da segunda divisão da APEA!
Com a boa colocação, no ano seguinte em 1932, o União foi disputar a primeira divisão da APEA, que equivalia ao segundo nível do futebol paulista, não se confunda… Ainda existia a Divisão Especial, onde o Palestra Itália sagrava-se campeão.
Campeonato de 1933:
O Campeonato de 1934 marca a despedida do União dos Operários dos campeonatos organizados pelas diferentes Federações.
Mas, fuçando um pouco pelos jornais, encontrei alguns registros de aventuras do time como aqui, em 1955, fazendo o jogo de abertura de um Portuguesa x Palmeiras:
Em 1957, o Palmeiras participou da celebração do aniversário do time:
Enfim… O mundo mudou, o time mudou, mas seu distintivo segue vivo no campo em que estivemos, que talvez nem seja o mesmo do seu início… Mas a história dos operários segue viva no esporte!
A seleção de Cabo Verde se classifica para a Copa do Mundo 2026
Em outubro de 2025, o futebol teve mais um tabu quebrado: Cabo Verde, os “Tubarões Azuis”, entrou para o hall das seleções que garantiram vaga inédita para a Copa do Mundo de 2026.
Para termos ideia de como a notícia repercutiu entre o povo caboverdeano, fomos, eu, Artur e a Luca, até a sede da Associação Caboverdeana do Brasil, que fica em Santo André para conversar um pouco com o pessoal!
Pra começar, vamos conhecer o pessoal que nos recebeu tão bem lá na Associação:
A sede da ACB (Associação Caboverdeana do Brasil) é muito legal e cheio de imagens que resgatam um pouco da cultura do país.
Muitos não sabem, mas Cabo Verde foi colônia portuguesa e por isso tem como língua oficial o Português, mas ainda assim é muito pouco conhecido no Brasil. Porém, a vitória contra a seleção do Essuatíni, na última rodada das Eliminatórias fez com que as coisas mudassem demais!
E a gente entrou no clima!
Mas o pessoal da ACB tem muita história pra dividir com a gente, não só sobre o futebol mas como se deu a vinda dos caboverdeanos para o Brasil:
A presidente da Associação também esclareceu um pouco mais sobre a cultura caboverdeana e as semelhanças e diferenças com a cultura brasileira.
Também descobrimos que existe uma Associação em Santos:
E deu pra falar de futebol local também e aprender que o processo de imigração é a base da atual seleção de Cabo Verde
A conquista da seleção de futebol de Cabo Verde representa um dos capítulos mais inspiradores do futebol africano. O país, formado por um pequeno arquipélago no Atlântico, iniciou sua trajetória internacional em 1978, após a independência de Portugal. E você conhece esse arquipélago?
O papo rendeu, deu pra perguntar sobre questões mais difíceis como racismo…
E finalizamos o nosso papo ouvindo um pouco do dialeto crioulo!
Por décadas, Cabo Verde enfrentou limitações estruturais e econômicas, mas construiu uma identidade marcada pela garra e pelo talento de jogadores espalhados pelo mundo. O ponto de virada veio nos anos 2010, com a primeira participação na Copa Africana de Nações em 2013, quando surpreendeu o continente ao chegar às quartas de final.
Importante ressaltar que com a classificação para a Copa de 2026, Cabo Verde tornou-se a segunda menor nação a qualificar-se para uma Copa do Mundo, (população de pouco menos de 525.000 pessoas) superada apenas pela Islândia (cerca de 334.000 pessoas) que disputou a edição de 2018, na Rússia. Fica nosso agradecimento ao pessoal da ACB e um abraço especial pros jovens Artur e Luca que fizeram o rolê acontecer!
Essas últimas semanas temos visitado várias exposições e sempre encontro uma pitada de futebol nelas. Acabei me lembrando de quando o amigo Danilo “Mandioca” me apresentou esse cara da foto acima: Francisco Rebolo Gonsales, conhecido como “Rebolo“, nascido num já longínquo 22 de agosto de 1902 e falecido em 10 de julho de 1980. Francisco Rebolo começou sua carreira como atleta na Associação Atlética São Bento em 1917 e em 1922, foi para o Sport Club Corinthians Paulista. Em 1934 encerrou a carreira jogando pelo Ypiranga para dedicar-se mais intensamente à carreira de pintor e entre um monte de trabalhos legais, fez esse ícone que retrata não apenas o futebol paulista e brasileiro mas toca diretamente na questão do racismo ao retratar o negro como um dos protagonistas da cena retratada!
Rebolo fez parte do grupo conhecido como “artistas proletários”, dentro do movimento modernista. E sua ligação com o futebol e em especial com o SC Corinthians foi ainda mais profunda, já que no início dos anos 30 ele desenhou o escudo do Sport Club Corinthians Paulista, usado até hoje.
Hoje, sua obras são gerida pelo Instituto Rebolo, já que Rebolo morreu de infarto em 10 de julho de 1980. Quem disse que arte e futebol não podem andar junto?
É aí que ficava o Estádio Antônio Alonso, também conhecido como Estádio Antarctica Paulista, um marco histórico do futebol paulista.
Inaugurado em 1920 pela Companhia Antarctica Paulista, com capacidade para cerca de 5.000 torcedores, o campo foi o segundo estádio do São Paulo FC, mas antes, sediou o Antarctica FC .
Em 1915, o grêmio formado pelos trabalhadores da Companhia Antartica Paulista de Bebidas fundou o Antarctica FC. Foto do Site História do Futebol:
O time logo passou a disputar as divisões inferiores da APSA (Associação Paulista de Sports Athleticos) e a partir de 1926, filiou-se à LAF (Liga dos Amadores de Football), disputando a primeira divisão dessa liga até 1929. Com a extinção da LAF, o clube reintegrou-se a APSA, participando da Segunda Divisão da APEA tornando-se campeão da edição de 1930. Em 1933, fundiu-se com o Sport Club Internacional, dando origem ao Clube Atlético Paulista que passou a mandar aí os seus jogos.
O Atlético Paulista jogou três temporadas na primeira divisão estadual, e fundiu-se com o Clube Atlético Estudantes de São Paulo e depois CA Estudantes Paulista para formar Clube Atlético Estudantes Paulista.
Em 1938, o CA Estudantes acabou sendo incorporado pelo São Paulo FC.
E de 1938 a 1942, o São Paulo mandou ali os seus jogos:
Atualmente, o local é ocupado por edifícios residenciais, depois de ter abrigado por anos instalações da Ambev.
Hoje o papo foi com William Silva, presidente do ECUS de Suzano e ex-jogador com uma história marcante dentro e fora de campo.
Na conversa, ele relembrou sua trajetória como atleta, incluindo o momento difícil em que quase precisou deixar os gramados por um problema no coração, e falou sobre os desafios de comandar um clube tradicional da Série B do Paulista. Futebol, superação e amor ao Tricolor suzanense marcaram o tom do bate-papo.
Uma história de resistência, paixão e compromisso com o futebol raiz.
Participaram: Mau! (www.asmilcamisas.com.br) e Ruben (@1902futebol)
Hoje o papo foi com o presidente do CA Assisense, Fábio Mello — ex-atleta e apaixonado pelo clube que representa a cidade de Assis na Série B do Campeonato Paulista.
Na conversa, ele relembrou momentos marcantes da história do time, comentou os desafios enfrentados por quem vive o futebol fora dos holofotes e compartilhou sua visão para o futuro do Falcão do Vale.
Uma história de resistência, amor à camisa e dedicação ao futebol raiz.
Domingo, 25 de maio de 2025 Mais uma aprazível manhã de outono em Santo André. Com o fim da Divisão Especial, a 1ª divisão ganha visibilidade e foi pra registrar um embate bem interessante que nos dirigimos à Arena Colorado.
Seja bem vindo a mais um campo de várzea de Santo André!
A Arena Colorado está muito bem organizada, com seu bar, e uma seção dedicada à memória do time.
Aqui você pode ver alguns dos troféus que estão lá exibidos. Vale a pena a visita e no nosso caso, vamos tentar voltar para ver uma partida do Colorado jogando “em casa”.
A partida de hoje traz dois times muito bacanas: de um lado, o XV de Julho Futebol Clube, um time até que jovem, fundado em 15/07/1990 e apoiado por sua torcida: XV Loucos.
Olha aí o pessoal do XV de Julho fazendo aquela fotona com a torcida:
Do outro lado, um time tradicional e com uma história muito bonita: o Ouro Verde Popular Futebol Clube, fundado em 5 de fevereiro de 1950, no bairro Santa Terezinha, e que levou para o futebol a identidade das famílias que moravam nas casas populares construídas no bairro naquela mesma época e que até hoje estão ali.
E lá estão as faixas de sua torcida, principalmente aquela que lembra seu presidente Zé Luís.
E a rapaziada do Ouro Verde Popular estava presente, lá em cima do morro que margeia o campo, ainda que não tenham levado a bateria pra fazer aquela tradicional “cantoria”.
Lá de cima do morro, pude fazer o registro do campo do Colorado, começando pelo gol do lado esquerdo, onde ao fundo erguem-se os bairros vizinhos, como a Vila Suiça.
Aqui, você pode ver o meio campo, e lá atrás está a Vila Luzita:
É ali que está a sede social do Colorado:
O gol do lado direito, onde ao fundo estão bairros como o Jardim Silvania.
E vamos para o jogo!
Com a bola rolando, a torcida do XVde Julho tratou de cantar e fazer o time se sentir em casa!
A pressão surtiu efeito e o XV chegou ao seu primeiro gol (você pode ver o gol aqui no Insta do XV), mas o time do Ouro Verde alegou que a bola havia saído no lance que origina o gol e foi tanta reclamação que seu goleiro acabou expulso. A festa do pessoal do XV Loucos só aumentou!
Por um infortúnio do mundo do futebol, o goleiro que assumiu o posto do titular e que deu até uma acelerada nas saídas de jogo, acabou errando uma destas bolas e entregou o segundo gol para o XV de Julho.
O XV ainda teve chances de ampliar o placar, mas faltou o detalhe final.
Assim, o primeiro tempo terminou em 2×0 para o XV de Julho. Aproveitei o intervalo para conversar com um torcedor de cada time, registrando suas opiniões sobre a importância da várzea e dos seus respectivos times, o resultado foi esse:
O segundo tempo começou, o sol apareceu e o cenário parecia perfeito para quem quer curtir uma partida!
A comissão técnica do XV de Julho trouxe o time pro segundo tempo pensando em rapidamente marcar o 3º gol pra matar o jogo.
Isso deixou o jogo ainda mais animado porque o Ouro Verde é um time forte e levava muito perigo nos contra ataques.
E se alguém esperava que, mesmo com um homem a menos, o Ouro Verde se entregaria, é porque não conhece a história e a importância deste time para o pessoal das Casas Populares. O Ouro Verde não só passou a dificultar a partida, impedindo um placar maior, como a se arriscar no ataque buscando diminuir a vantagem. Mesmo com XV de Julho mantendo o apoio sem parar!
Os atletas do Ouro Verde corriam tanto que em determinados momentos nem dava pra lembrar que o time jogava com um a menos. Era uma verdadeira guerra em campo!
E pro cenário ficar ainda mais divertido – pelo menos para quem como eu estava ali apenas assistindo a partida sem torcer por nenhum dos dois times- o Ouro Verde encontrou o seu gol para a alegria do pessoal do time que acompanhava o jogo lá de cima do morro.
Mas, a matemática é fria e com um jogador a mais, finalmente o XV de Julho aproveitar os espaços e o cansaço do adversário e encontrou o seu 3º gol,
Por fim, o XV de Julho ainda marcou seu 4º gol determinando o placar final.
Mas, mais do que um placar, fica a experiência de um novo estádio e de dois times que representam seus bairros com muito orgulho e valor. Festa pra torcida vencedora que vê seu time na liderança do grupo e muita preocupação para o pessoal do Ouro Verde, que termina a rodada na última posição…
Fiquemos com a festa da bateria do XVLoucos e aguardemos as cenas dos próximos capítulos