Mais uma dica de passeio para quem vive em São Paulo e gosta de futebol.
Há pouco mais de 100 km da capital fica a cidade de Porto Feliz.

Uma cidade tranquila mas com uma vida agitada quando se fala em futebol.

As cores que representam ou representaram a cidade em campo, pelas competições da Federação Paulista são várias. Comecemos pelo Esporte Clube União de Porto Feliz.

O Esporte Clube União foi fundado em 3 de setembro de 1916 ainda como “União Football Club” e disputou duas edições do campeonato paulista da terceira divisão, em 1958 e 1959.

Seu primeiro campo ficava na Estrada do Pinheirinho, atual Rua Santa Cruz, mas na década de 30 se mudaram para o atual do Estádio Dr José Esmédio Paes de Almeida, na Rua Tristão Pires, bem no centro da cidade.


Vamos dar uma olhada?
Os alambrados só viriam em 1958, para poder disputar a Terceira Divisão do Campeonato Paulista. Nesse campo, o União teve partidas histórias: da vitória em cima do São Paulo F.C. (ainda que um time mixto) por 4 x 1, tendo como árbitro Arthur Friedenreich, ou a vitória em cima do Palmeiras por 4 x 3 (em 1938).

O time comemorou seu centenário em 2016, e ainda deixou nos muros do estádio essa lembrança.

O campo está muito bem cuidado, pelo que deu pra ver.

O estádio possui uma pequena área de arquibancadas cobertas.
Encontrei algumas fotos do estádio nas redes sociais do clube.

Aqui, matéria de 1957 sobre a inauguração da iluminação de suas arquibancadas:



Outro time que marcou a história da cidade no profissionalismo e que ainda é uma verdadeira sensação nos campeonatos amadores é a Associação Atlética Portofelicense.

A Associação Atlética Portofelicense foi fundada em janeiro de 1943 e disputou 18 edições do Campeonato Paulista.

O time nasceu por meio da união dos funcionários da Usina de Açúcar de Porto Feliz, que fica literalmente ao lado do Estádio Dr. Julien Fouque. Veja nesta foto, ao fundo a usina e ao lado direito o Estádio.

Aliás… Que tal conhecê-lo?
O Dr. Julien Fouque foi um engenheiro francês (a usina é de origem francesa, chamada “Société Sucreries Bresiliennes”) apaixonado pelo futebol e que desde cedo foi um entusiasta da AA Portofelicense.
O carinho pelo time foi tanto, que após sua morte, o time mudou as cores originais (amarelo e preta) e adotou as cores da bandeira francesa em homenagem ao engenheiro francês. Aqui, o time em uma formação de 1948:

O campo não só está bem cuidado como tem sido bastante usado. E demos sorte de pegar um dia de jogo da própria AA Portofelicense.


Aqui, a vista da arquibancada coberta.


A arquibancada “elevada” permite uma melhor visualização do campo de jogo. Aqui, a vista do meio do campo.

Aqui, os gols da esquerda e da direita (para quem olha da arquibancada coberta):


O distintivo do time está impresso em diversos lugares do Estádio, a começar pelo bar!

A AA Portofelicense foi um dos clubes fundadores da Segunda Divisão dos Profissionais, em 1947 , o que permitiu jogos inesquecíveis no Estádio Dr. Julien Fouque, contra equipes tradicionais como Ponte Preta, Guarani, São Caetano Esporte Clube, Juventus entre outros lotando as arquibancadas que atualmente permitem a presença de 600 torcedores.

O time participou de todos os campeonatos oficiais da Federação Paulista de Futebol Amador, além de jogar a Segunda Divisão de 1948 a 1950, a Terceira de 1954 a 1959 e depois de 1964 a 1968, e a Quarta Divisão de 1960 a 1963.
Aqui, o time campeão da Copa Arizona de 1978:

Infelizmente, o time abandonou o profissionalismo e dificilmente conseguiria voltar a disputá-lo. Ao menos, mantém-se forte no amadorismo.

O outro time da cidade, e que segue jogando atualmente e defendendo as cores de Porto Feliz é o “polêmico” Desportivo Brasil, um time jovem, fundado em 2005 pela Traffic, tendo como principal diferencial o modelo de gestão profissional, levantando a velha discussão sobre os modelos de clube-empresa, quanto ao envolvimento dos torcedores frente a estes clubes.

Alheio à discussão e focado em suas metas, o time se desenvolveu priorizando a formação de novos jogadores, como foram os casos de Gustavo Scarpa, Lucas Evangelista,Matheus Sávio, o lateral da seleção brasileira Ismaily, entre outros. O time começou a disputar a segundona paulista (a quarta divisão) a partir de 2009 na época mandando seus jogos em Barueri, mas a partir de 2009, passou a mandar seus jogos no campo da Associação Atlética Portofelicense, o Estádio Dr. Julien Fouque em Porto Feliz. Esse é o time sub 20 de 2009 (foto do incrível Jogos Perdidos).

Assim, Porto Feliz se tornou a casa do Desportivo Brasil, mas, pensando em uma melhor estrutura, em 2011, o foi construído o Estádio Municipal Ernesto Rocco.

O Estádio conta com uma capacidade para cerca de 6 mil torcedores e fica numa região mais afastada do centro da cidade (Avenida Doutor Silvio Brand Corrêa, 2591 – próximo ao bairro Altos do Jequitibá).



Além de um campo sempre bem cuidado, o estádio municipal conta com uma pequena parte coberta.


Confesso que achei que fosse um certo exagero um estádio nessas proporções, mas aí encontrei fotos de um jogo recente e vi que o time tem levado um bom público!

Recentemente, o amigo Ricardo Pucci esteve por lá acompanhando um jogo do Juventus e fez algumas fotos do campo, aqui o gol do lado direito:

Aqui o da esquerda:

E aqui o meio campo:

Além disso, o Desportivo Brasil construiu sete campos para treinamento, além de alojamento para 144 atletas e toda a infra-estrutura para o desenvolvimento dos atletas. Em 2014, o clube foi comprado pelo Grupo Luneng, que é a fornecedora de elergia elétrica de Shandong, na China e é responsável pelo time Shandong Luneng Taishan FC. Atualmente, disputa a série A3, e neste exato momento, em fevereiro de 2019, é o líder da competição, mandando seus jogos no Estádio Municipal Ernesto Rocco.
Para fechar o tema do futebol profissional em Porto Feliz, é preciso falar deste “quase estrangeiro” Estrela Esporte Clube.

O Estrela EC nasceu em 1976 como um time amador da cidade de Itú, mas no seu aniversário de 10 anos, a diretoria do clube decidiu levá-lo ao profissionalismo, utilizando como casa o Estádio Álvaro de Souza Lima, conhecido como o Estádio da Baixada.

O time disputou neste campo os campeonatos da terceirona de 1986 até 1989. A cidade não se empolgara com o Estrela no profissional e para não fechar as portas, o time mudou-se para Porto Feliz, que não tinha um time profissional desde a participação da AA Portofelicense na terceira de 1969.
Assim, Porto Feliz pode respirar o futebol profissional de 1991 a 1995, com o Estrela jogando a terceira e a Quarta divisão no Estádio Dr. Julien Fouque.
Em 1995, o time se licenciou e só voltou em 1999, na Quinta Divisão estadual.
Porém, mais uma vez o time sentiu falta de apoio da prefeitura local e mudou-se, desta vez para Vinhedo, onde disputou seu último campeonato, em 2000.





























































Já no caminho de volta, e depois de percorrer 20 cidades e registrar seus estádios (
Ruas desertas (afinal era um domingo pós feriado)….
Deu pra conhecer a antiga estação ferroviária…
O coreto central faz a memória voltar a outros tempos…
As construções de tempos atrás fazem parte da realidade do dia-a-dia atual:
E lá está uma das igrejas da cidade:
Olha que diferente essa parte da cidade, uma rua larga, arborizada, lembra até as cidades históricas de Minas Gerais.
E assim, caminhando pela cidade, chegamos ao nosso objetivo: o Estádio João dos Santos Meira:
É… faltou uma sinalização deixando claro o nome do estádio, mas…. Aí está! Pelo que eu pesquisei, a entrada do estádio foi reconstruída, e infelizmente não encontrei nenhuma imagem de como era antigamente…
O Estádio também chamado de “Estádio Municipal da Mogiana“, foi a casa do EC Mogiana (que não chegou a disputar nenhuma competição profissional) e também do Esporte Clube Corinthians de Casa Branca.
O EC Corinthians foi fundado em 7 de março de 1958 e disputou cinco edições do campeonato paulista da série A3 (de 1980 a 84) e disputou duas edições do campeonato paulista da quinta divisão (1978 e 79). Aqui, uma imagem do time juvenil, na década de 60:
Atualmente o clube participa apenas de competições de futebol amadoras. Pesquisando pela Internet, vi que é possível
Vamos adentrar e conhecer um pouco mais do estádio:
Lá do outro lado, também existem dois lances menores de arquibancada ao lado do banco de reservas:
Esse é o gol do lado esquerdo:
Aqui, o gol da direita:
Essa é a arquibancada lateral. Poucos degraus, mas aparentemente foi refeita (cimento ainda tá claro).
Aqui, os bancos de reserva:
Ainda existe uma mini estrutura (aquelas duas casinhas a esquerda):
A molecada tava mandando uma disputa de penaltys na hora da nossa visita:
E com esse último olhar do estádio do EC Corinthians de Casa Branca, fechamos nosso rolê de independência.
21 cidades visitadas. Nem todas com estádios abertos à visitação, mas fizemos o possível para ao menos registrar algumas imagens.
Já temos novos assuntos pra postar por aqui, novos estádios, camisas e times… É só achar um tempo pra preparar todo esse material … Abraços!






































































































































A cidade abriga uma população de 41 mil pessoas.
Infelizmente chegamos tarde e já estava escurecendo…
Conseguimos apenas passar pelo Estádio do Complexo Esportivo Municipal, que não chegou a receber jogos pelas competições oficiais da Federação Paulista de Futebol…
A última brecha de sol…
Por sorte, o amigo Nagib Miguel Neto, conseguimos algumas fotos do campo, em tempos atrás, quando ele era
Uma pena, pois deveremos voltar para registrar melhor a casa da Associação Atlética Ituveravense, o “Tigre do Ramal” (o apelido era porque o time ganhava todos os torneios que aconteciam nas cidades por onde passavam os trens da mogiana). Na torre da entrada do campo da A.A.I havia um desenho de um tigre, retirado nos anos de 1970.
A Associação Atlética Ituveravense foi fundada em 25 de janeiro de 1926.
Chegou a montar grandes esquadrões, com destaque para o time de 1966 que chegou à final da A3 do Campeonato Paulista contra a Internacional de Limeira.
Esse era o time de 1966:
Mas, a final só foi realizada em 1967, então vale destacar o time deste ano:
Pude conversar com o ex jogador Antonio Carlos Milano, o goleiro Tomires, da foto acima (que depois jogaria por outros times como o Comercial de Ribeirão Preto).
Existe uma controvérsia a respeito dos jogos e ainda não encontrei nenhum documento que me responda quem venceu o jogo de volta.
O que se sabe é que a Ituveravense venceu o jogo de ida, e no site da Federação, ambos os times são apresentados como campeões daquele ano, ganhando o direito de disputar a série A2 de 1967.
Resta confirmar quem venceu o segundo jogo. Seo Tomires (o goleiro daquela partida) garante que eles venceram os dois jogos, enquanto a Inter cita na campanha do título uma incrível virada no segundo jogo.
Para a Ituveravense disputar a série A2 de 1967, o Estádio da Rua Victor Venerando da Fonseca, precisava ser ampliado para no mínimo 15 mil pessoas (quase a população da cidade na época).
E embora tenham tentado, o máximo que o “campo da Ituveravense” chegou foi à capacidade dos atuais 6 mil pessoas e assim, o time acabou se licenciando do Campeonato Paulista.
O amigo Nagib conseguiu mandar mais umas fotos desse belo estádio também:
O time voltaria a disputar a terceirona em 86 e 87 (antes disso já havia disputado de 1961 a 66), e a quarta divisão em 89, 90 e 91, sendo essa sua última participação no futebol profissional.
Aqui, o time que jogava o amador, com nome de Ituverava EC, em 1947:
Esse o time de 1963:
Aqui, a Ituveravense de 1964:
Essa é de data desconhecida:
A de 1968:
Atualmente o time segue disputando as competições amadoras na Liga Brodowskiana de Futebol.
Foi no clube da Ituveravense onde o nadador medalhista olímpico Gustavo Borges iniciou sua carreira.
Essa é sua sede:




























Guaíra é um município que faz limite com o Estado de Minas Gerais. Sua população atual está em torno de 43 mil pessoas.
Antes chamada de Nuporanga, o atual nome “Guaíra” é um topônimo que pode ser traduzido como “Águas correntes”. Olha que linda imagem do rio Sapucaí que passa pela cidade:
Uma esquina da pacata cidade…
E… aí está ele! O Estádio Municipal José Zuquim Nogueira.
Mais uma importante meta atingida pelo nosso blog!
O estádio fica numa rua sem saída, e a entrada estava fechada 🙁
A cidade de Guaíra teve dois times disputando as competições oficiais da Federação Paulista, o primeiro deles o Guaíra Esporte Clube.
O time foi fundado em 1961 e disputou a quarta divisão em 1964 e 1965.
O segundo time foi a Associação Atlética Guaraiense.
A Guairense foi fundado em 16 de junho de 1969, depois da extinção do Guaíra EC e em 1973, o time estreia na terceira divisão.
Sagrou-se campeão paulista da terceira divisão em 1976.
Em 1994 e 1995, disputou a Quarta Divisão licenciando-se do futebol profissional.
Vamos então conhecer o estádio?
Agora ficou melhor…
O Estádio Municipal José Zuquim Nogueira tem capacidade para 5 mil torcedores.
Achei essa foto no “
Aqui o gol da entrada (aquela mesma que estava fechada):
Mais uma olhada na linda arquibancada coberta.
O gol do “fundo”:
O placar segue funcionando:
A entrada, vista por dentro:
A arquibancada de cimento, que já viu a torcida local gritar “É campeão!!!”:
E com mais este registro, é hora de ir embora!!!

























