Só esses dias percebi que ainda não havia dividido com você a nossa aventura deste ano em terras portenhas, um dos poucos lugares da América do Sul onde existem Vans adesivadas com milanesas de Soja!!! A alegria dos vegetarianos!
Trata-se da nossa segunda casa, Buenos Aires.
Aliás, cada vez mais me considero um cidadão do mundo. Por mais que eu morra de amores por Santo André, não tem como negar que Buenos Aires tem um pedaço do meu coração.
E em Buenos Aires, 2 bairros tem minha preferência, um é Floresta (que foi minha “porta de entrada” na cidade). O segundo é San Telmo, bairro que nos acolhe há mais de 5 anos.
E como não poderia deixar de ser, San Telmo também tem o seu time, El Club Atlético San Telmo!
Eu sou o típico cara anti consumista. Não gosto de shoppings, muito menos de gastar, mas não nego que ao chegar em Buenos Aires, um pequeno sentimento de “gaste o que tem” brota em mim, ao adentrar as lojas de camisas de futebol…
Aproveitamos para ir ao show do Bulldog, em La Plata.
Ainda que eles tenham mudado um pouco em relação à temática e ao som, os caras foram gente boa e ficaram trocando uma ideia com a gente!
Mas nem só de punk rock se faz Buenos Aires… A cidade estava bem florida!
Aproveitamos para encontrar os amigos Martin e Gabriela. E fizemos alguns roles de metrô pela cidade…
Pasta e Vino…
Esse é o mercado de San Telmo, onde você encontra de tudo!
A noite, o role era pelos bares e pubs da cidade…
De manhã, demos um rolê de turista pelo micro centro.
Entre lojas de roupas “Barra brava”, alfajores e lojas de música, pudemos encontrar alguns amigos.
Esse ano, além de visitar o Estádio e amigos de Floresta, torcedores do All Boys, fomos acompanhar um jogo do River Plate, já que nunca havíamos pego uma partida no Monumental, e meu amigo… Que estádio!
Era um jogo contra o Velez e lá estava a torcida visitante.
Mas a torcida local faz uma festa muito grande…
Vale a pena eternizar o momento (aqui, ainda antes do sol cair).
O jogo foi emocionante, mas eu confesso que gastei mais tempo olhando as arquibancadas do que vendo o jogo heheheh Era muita coisa pra observar!
Muitas cores, muita gente e muita festa.
Se você nunca esteve em Buenos Aires para ver o futebol local… não sabe o que está perdendo…
A cidade viveu dias de glória com o futebol e o futsal. Mas, nem mesmo com muita reza na Paróquia São José, as coisas se sustentaram 🙁
A cidade de Orlândia fazia parte de Batatais até 1890, e sua história tem muito a ver com a produção agrícola da cidade e com o fato da Cia Mogiana de Estradas de Ferro permitirem seu escoamento para outros mercados.
A cidade foi planejada para colaborar com a circulação dentro dela, por isso, existem várias avenidas largas, nem sempre comuns nas cidades do interior.
E é possível encontrar diversas lembranças arquitetônicas do passado da cidade!
E aí você se pergunta: Por que estávamos em Orlândia? Simples, por causa da Associação Atlética Orlândia.
A Associação Atlética Orlândia foi fundada em 5 de Maio de 1920 e mandava os seus jogos no Estádio Municipal Virgílio Ferreira Jorge, o “Virgilhão”.
Essa já não é a atual cara da entrada do estádio (e aí começamos a desenrolar a triste história do futebol local). Se você for até lá hoje, encontrará a seguinte imagem:
Pois é, já não tem a placa indicando o nome do Estádio e nem sequer uma entrada… Está tudo bem fechado. E o motivo? R$ 3 milhões de motivos… Que fizeram o terreno ser agora da propriedade do Grupo Colorado.
Pra quem não conhece a história de sucesso do time local, vale lembrar que a AA Orlândia disputou 27 Campeonatos Paulistas entre a A2 (de 1949 a 52, 1967, 1969, de 1971 a 74, 1976, de 1982 a 84 e 1986). E pela terceirona, foram 11 disputas (de 1961 a 66 e depois de 1977 a 1981).
Um pouco do registro fotográfico desses times encontra-se em fotos aqui e acolá distribuídas pela Internet, a começar por um time da década de 60 (que tinha no gol, Carlão, que jogou aqui no Santo André, também):
Olha o Carlão em uma bela imagem da época:
Essas são do site do Milton Neves, da seção “Que fim levou”. O jogador em destaque é José Augusto Lopes da Silva, o Zé Augusto (ou Guto).
É , a AA Orlândia tem mesmo um passado glorioso, com destaque para o título do Torneio Matheus Marinelli, de 1982 e o título de 1994, da Quinta Divisão (campanha abaixo):
O campeonato foi decidido em um hexagonal final e a AA Orlânidia sagrou-se campeã!
Mas, seu presente é uma lacuna…
Logo após o título de 1994, o clube se licenciou e hoje, o estádio aguarda o início de sua demolição… Que tal uma espiada?
Ao fotografar o lado externo fomos orientados por um morador que evitasse demonstrar muito interesse, porque segundo ele, a Polícia Militar e a segurança privada do local costumava ser um tanto rígida ao não permitir qualquer registro sobre o local.
Respeitamos o conselho e obviamente não adentramos à área do estádio, agora particular, mas pelo menos as fotos da bilheteria, foram feitas!
Decidimos dar uma volta ao redor do quarteirão para ver se ao menos alguma fresta permitiria um registro mínimo da parte interna do estádio.
E encontramos! Um furo no portão permitiu trazer luz a um dos campos mais misteriosos da atualidade. Ele segue lá! Mas… E aquele ônibus?? O que faz lá?
A arquibancada coberta resiste, como que implorando uma segunda chance…
Encontrei uma foto que parece ser dessa mesma arquibancada, alguns anos atrás:
Aqui, uma imagem do gol:
E consegui fazer uma foto dos fundos da arquibancada coberta.
Ainda encontrei algumas imagens da parte de dentro do Estádio Municipal Virgílio Ferreira Jorge:
Mas o registro mais marcante é o que foi feito pelo artista Nuno Ramos, em sua performance “Placar final”, de 2007, que parecia antever um triste futuro da cidade, enterrando o futebol profissional…
E além disso, contamos com a ajuda dos nossos amigos que seguem acompanhando o blog, e graças ao Naressi, torcedor do CAP (Pirassununguense) da Malucos do Vale, conseguimos algumas imagens internas:
Acho que mesmo sem conseguirmos entrar, deu pra ter uma ideia da grandiosidade do estádio e sua importância pro futebol local.
Uma última olhada via buraco…
Ah, e pra quem se pergunta por quê a tristeza também no futsal, é que o time que outrora teve Falcão como principal jogador / embaixador, acabou vendo o final dessa parceria deixando a cidade órfã.
A cidade nasceu da doação de um terreno (feita por dona Maria Pires de Araújo) para a construção de uma capela, com o tempo, o povoado que surgiu em torno dela começou a ser chamado de São Bento do Cajuru (nome que os povos originários que habitavam o lugar o chamavam à época da chegada dos tropeiros: ka’îuru, que significa “boca do mato”).
A chegada da estrada de ferro acelerou o desenvolvimento da cidade…
18 de agosto de 1866 é considerada a data de fundação definitiva de Cajuru, onde encontram-se cachoeiras e quedas d’água, criando um amplo potencial turístico. Mas… Cá estamos para conhecer o Estádio Municipal Dr Guião.
O Estádio Municipal Dr Guião foi a casa do Clube Recreativo Cajuruense na disputa da terceira divisão em 1986, em sua única participação em campeonatos oficiais organizados pela Federação Paulista.
Oficialmente, o C.R. Cajuruense foi fundado em 1950, mas suas origens vêm da década de 30, e esta matéria da Gazeta de 1931 comprova a tese, anunciando naquele ano partida entre a então Associação Atlética Cajuruense o União Mogyana FC.
O time já contou em sua linha com um jogador que ficaria famoso como diretor de um grande clube: trata-se de Juvenal Juvêncio!
Em 1949 fez história disputando o Amador do Interior:
A cidade que no passado foi uma região das mais produtivas do café, com dezenas de fazendas faturando com a produção do chamado “ouro verde”, graças ao uso da mão de obra escravizada no século XIX teve que se reinventar com o passar do tempo. Primeiro substituindo os escravizados pela mão de obra imigrante (principalmente italiana) e pela própria presença dos estrangeiros como proprietários de novas terras. Aqui a cidade em 1910:
A religião se mostra presenta na cidade por meio de várias igrejas, conseguimos fotografar a Igreja Matriz de São Roque (estilo romano,segundo a Mari) e inaugurada em 1942. Atualmente abriga os monges da ordem Cistercienses e fica na praça Monsenhor Arnold:
Foi em São José do Rio Pardo que Euclides da Cunha escreveu “Os Sertões“, uma das obras mais importantes sobre a história do nosso país: a sangrenta e trágica Guerra dos Canudos. Mate sua saudade sobre a história de Antonio Conselheiro e seu povo autogerido:
A cidade foi servida por ferrovia entre 1884 e 1989, quando os trilhos foram retirados e no local foi construído uma avenida, fizemos uma foto de um local em que provavelmente serviu de estação:
Mas, nosso foco futeboleiro era conhecer as casas de dois times da cidade, comecemos pela Associação Atlética Riopardense!
A AA Rioperdense foi fundada em 1º de janeiro de 1930, e a partir de 1948 passou a disputar as competições oficiais da Federação Paulista jogando a segunda divisão até 1951, quando se licenciou.
Aqui, o time de 1943:
Em 1982, o time voltou ao profissionalismo para uma única disputa da terceira divisão. Desde então, dedica-se ao futebol amador.
Muitas pessoas tratam o estádio apenas de “Estádio da AA Riopardense“. Mesmo se você buscar pela Internet é difícil achar o nome verdadeiro do Estádio. Até porque como o estádio fica dentro do clube, as coisas se misturam.
Mas, logo dentro do clube, existe uma placa que esclarece os mistérios e mostra o real nome do local: Estádio Moacyr de Ávila Ribeiro.
O pessoal do clube foi bem bacana em permitir que a gente entrasse pra fazer umas fotos!
A essa altura do campeonato estávamos na estrada há várias horas e o calor era absurdo… Então imagina como ficamos ao ver esse visual…
Mas, há que se manter o foco. O nosso desafio era registrar o Estádio, que agora sabíamos, se chamar “Moacyr de Ávila Ribeiro“, e pra chegar lá, era necessário atravessar a quadra!
Atravessou? Então vamos lá! É hora de conhecer mais um campo histórico do futebol de São Paulo!
É impossível olhar para esse visual e não sentir uma mágica volta ao tempo… Olha que lindo essa arquibancada coberta!
E olha como tudo começou…
Naquela época, a entrada do estádio era pela rua Mossoró.
Ao fundo, o crescimento da cidade começa a aparecer, com direito até a arranha-céu…
Aqui o time rival da cidade, o Rio Pardo FC, em 1948, posando no campo da Associação:
Olha o “arquitetônico” banco de reservas.
O Estádio possui um sistema de iluminação que permite partidas noturnas (coisa que o meu Ramalhão até 2017 estava sem).
Detalhe para o setor das “cadeiras cobertas” no estádio, denominado “Camarote Tricolor”.
Mas o estádio tem também a ala do rock! Olha só essa parte atrás do gol com menções aos Stones, Marcelo D2, Pink Floyd e até uma foto/grafite do Chorão…
Dá vontade de não ir embora né? Mas a cidade é grande o suficiente para ter um segundo time, então é hora de nos despedimos do Estádio Moacyr de Ávila Ribeiro, a Associação Atlética Riopardense!
Assim, andamos um pouco e logo estávamos em frente ao Rio Pardo Futebol Clube!
O Rio Pardo Futebol Clube foi fundando em 2 de abril de 1909 e entrou pra história ao disputar quatro edições do campeonato paulista da segunda divisão (de 1948 a 51).
Aqui o time de 1951:
Pra quem gosta dessas fotos históricas, tem aí outras imagens de fases diferentes:
Mas o Rio Pardo FC também disputou três edições da quarta divisão (1963, 1964 e 1967) e mandavam seus jogos aqui! Na sede do clube:
Mas assim como no caso da Riopardense, as pessoas constumavam se referir a ele como o “Estádio do Rio Pardo FC”, mas… existe um nome! E ele é… Estádio Lupércio Torres.
No lugar em que esta placa está, parece que existia um tipo de pórtico de entrada:
E aí estamos nós!
Um pouco depois há um outro possível pórtico!
O clube é cercado por um muro e em várias partes dele existe o distintivo pintado na parede.
Aqui é a entrada do clube atualmente:
Vamos dar uma olhada na parte interna pra ficar triste?
É… Chegamos tarde…. As necessidades práticas do clube falaram mais alto que a memória histórica (e é claro que essa é uma decisão válida, uma vez que o clube segue vivo).
Pelo que entendi era aqui que ficava o campo:
Curiosamente, veja essa foto do time rival (Associação Atlética Riopardense) no próprio campo do Rio Pardo FC:
Bom, deu pra conhecer um pouco do estádio. Valeu a pena!
Assim como vale a pena ler a descrição encontrada no site www.cidadelivredoriopardo.com.br a descrição sobre o dia de um derbi: “O campo da Associação está repleto. Arquibancadas e gerais são redutos discriminatórios. Dois grandes grupos antagônicos se formam. As torcidas não se misturam. Nas arquibancadas e gerais daquele lado espremem-se os apaixonados da Associação, os “estegomias”. Na metade oposta, nos barrancos e laterais, os “bexigas-pretas”, torcedores do Rio Pardo. Gritos ofensivos cruzam o campo vazio. Mulheres, com roupas de festa, são sopranos e contraltos dos coros gritantes das torcidas, com urras, piquepiques, quadrinhas, “slogans”, hinos dos clubes, insultos, vaias… Guarda-chuvas, sombrinhas e muitos eucaliptos sombreiam o contorno do campo.” E por aí vai a história, leia lá no http://cidadelivredoriopardo.com.br.
Ah, antes de ir embora ainda deu pra cruzar com o Estádio do time local do Vasco da Gama (limitado ao futebol amador).
O time, embora se limite ao futebol amador, é bastante tradicional!
No caminho para a nossa próxima parada (a cidade de Cajuru) ainda pudemos pirar com o visual do Rio Pardo (eu nem sabia da existência da barragem lá…).
A sétima parte do nosso rolê nos levou à bela cidade de Vargem Grande do Sul, terra do amigo Felipe Oliveira, que trabalha comigo na RINO COM.
Mas se você gostaria de saber como foi que chegamos até aqui, confira os demais posts em que registramos os estádios de Pirassununga, Descalvado, Santa Rita do Passa Quatro, Tambaú, Santa Rosa de Viterbo e Santa Cruz das Palmeiras.
Atualmente, cerca de 42 mil pessoas vivem em Vargem Grande do Sul, mas isso não significa que a população local tenha aberto mão de velhos hábitos como o dominó na rua…
E se o medo afugenta as pessoas da rua nas grandes cidades, em Vargem Grande do Sul as pessoas se sentem protegidas por saber que lá no alto da cidade, o tradicional “Cristo Redentor” tá de olho em tudo que acontece.
A cidade nasceu de um antigo povoado, surgido às margens da antiga estrada Boiadeira percorrida pelos Bandeirantes no século XVII, em busca das minas de ouro de Goiás.
No fim do século XIX e início do século XX começaram a chegar os imigrantes que iriam formar a sua população.
O nome de Vargem Grande do Sul foi dado ao município em 1944. “Vargem” é o nome português que se dá à várzea dos rios e a cidade é cortada pelos rios Jaguari Mirim, Fartura e Verde.
Nosso objetivo nessa visita era registrar o Estádio Municipal Dr. Gabriel Mesquita.
O Estádio foi a casa da Associação Atlética Vargeana.
O time foi fundado em 26 de fevereiro de 1945.
Essa é a entrada do estádio.
Acho muito legal quando os estádios usam o portão pra valorizar o time, normalmente com as iniciais do time. No caso do EstádioDr. Gabriel Mesquita, acredito que as iniciais sejam referências a “Estádio Municipal”.
O Estádio está muito bem cuidado, mas infelizmente estava fechado… Mesmo assim, a salvadora escada que meu pai emprestou e colocou no porta malas do carro me permitiu fazer algumas fotos de dentro do campo.
Achei uma foto na Internet que mostra mais detalhes desse lado do gol:
Achei esse belo registro do time dos anos 40:
Depois de muito disputar os campeonatos amadores, a Vargeana decidiu encarar o profissional e em 1986 disputou sua única edição de um Campeonato Paulista jogando a terceira divisão daquele ano.
Esse é o time que disputou a terceirona de 86 (a foto foi gentilmente enviada pela Emily da Secreteria de Esportes de Vargem Grande do Sul):
Repare que no gol, temos a presença de um jovem que futuramente seria conhecido por outra profissão, falamos de Cléber Abade:
Ele parou em 2011, relembre como foi seu último jogo:
Recebemos da Emily uma outra foto, mas infelizmente a resolução está muito baixa:
Vamos conhecer o estádio por dentro? (ou melhor por cima…)
O estádio possui uma arquibancada coberta e uma descoberta na lateral do campo.
Aqui o gol da direita (pra quem olha de dentro da arquibancada coberta):
Olha que lindo o banco de reservas (dá pra ver como o gramado está bem cuidado):
Aqui uma visão do campo com a cidade ao fundo.
Esse é o time atual da AA Vargeana, que disputa os campeonatos amadores:
Assim, nos despedimos da cidade de Vargem Grande do Sul e voltamos à estrada para a próxima fase!
Caso você tenha interesse em ter uma camisa retrô, o site Só futebol oferece dois modelos das camisas da Vargeana. (clique aqui e confira).
Dando sequência ao nosso rolê, após termos registrado os estádios de Pirassununga, chegou a hora de conhecermos a cidade de Descalvado, onde meu avô Antonio Gimenez Penessor nasceu.
Descalvado possui uma população de cerca de 32 mil pessoas. É uma região que tem somado às tradicionais atividades agrícolas (principalmente a cultura de cana de açúcar e laranja) as indústrias, destaque para os produtos “Pet” e para a tradicional Usina Ipiranga, na foto abaixo.
A história de Descalvado também tem a ver com os bandeirantes que abriam caminho para fazendeiros plantarem milho, cana e café, entre outras culturas. E assim como na maior parte do Brasil, também existiu a mão de obra escravizada na produção de café (em 1878, Descalvado era o terceiro maior produtor de café do país). Veja o anúncio de 1867 da Gazeta
Para manchar ainda mais a história, havia um mercado de escravos, a Fazenda Babilônia, na região limite entre Descalvado e São Carlos. Em tempos atuais, parece que as pessoas querem esquecer esse fato e acho essencial relembrar que o Brasil teve (ou tem?) o trabalho escravo levantando as bases do país.
Logo, Descalvado recebeu os trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro o que colaborou para o desenvolvimento da região (a foto abaixo é do site www.estacoesferroviarias.com.br que reúne fotos históricas de estações de trem).
Pra quem lê isso hoje, talvez não entenda, mas costumo dizer que a chegada da estação de trem era como a chegada da Internet. Ela abria possibilidades, trazia produtos, permitia interação entre pessoas etc. Provavelmente, foi o trem quem trouxe as primeiras bolas de futebol para a cidade. E daí, surge nosso interesse: conhecer o Estádio Felisberto Bortoletto casa do CERD (Clube Esportivo e Recreativo Descalvadense).
O time foi fundado em 03 de dezembro de 1940 e começou jogando as competições amadoras. Esse é o time dos anos 60:
Em 1975, o time passou a disputar as competições profissionais da Federação Paulista de Futebol. Foram 6 passagens pelo campeonato da 3ª Divisão (1975, 1976, 1981, 1982, 1985 e 1986). E o grande momento do CERD foi o título da terceira divisão em 1986, deixando pra traz várias equipes tradicionais, com o time abaixo:
Porém, o título acabou se transformando em problema, uma vez que por falta de um estádio com capacidade mínima exigida pela Federação Paulista de Futebol, acabou tirando o Descalvadense da A-2 de 1987 e dessa forma fez com que desistisse para sempre do profissionalismo.
Mas, enfim… Senhoras e senhores, bem vindos ao Estádio Felisberto Bortoletto!
É sempre emocionante poder se ver em um lugar que marcou a história no futebol de tantas pessoas que vivem em Descalvado…
Tempo para nossa tradicional foto na bilheteria que 30 ano atrás recebia filas e mais filas para ver a final da terceirona!
Atualmente, o CERD possui um fantástico clube social recreativo!
O distintivo está espalhado pelo clube…
Mas manteve lá, o campo de futebol que assistiu a tantas glórias e conquistas!
Que tal uma olhada lá dentro?
Pois é…. Dessa vez quase não dá pra ver o campo direito, com tantos aparelhos sendo preparados para o show do Raimundos!
Quer dar uma volta pelo campo? Gire com a Mari!
O gramado está muito bonito!
Fico me perguntando há quanto tempo aquelas árvores estejam ali… Acompanhando o andamento de cada momento do clube…
Quantas histórias e lembranças devem estar guardados em cada degrau, cada lugar dessa arquibancada…
Quem sabe um dia acordaremos com a notícia da volta do CERD ao profissionalismo?
Por hora, dá tempo de um último olhar, antes de seguirmos viagem…
Ainda está lá, firme e forte, uma arquibancada coberta, com capacidade para cerca de 1000 pessoas.
Aqui, o gol do lado direito.
Detalhe para os bancos de reserva:
Pra se ter uma ideia do campo, esse é o gol da esquerda:
Olhando o meio campo, com detalhe para as árvores do lado de fora.
O Estádio é mais que um aparelho de esportes para a cidade, deu pra perceber que ele é um ponto de encontro entre os jovens e também as pessoas mais velhas.
Hora de ir embora, dando sequência a nossa viagem, sonhando com mais uma cidade cheia de potencial para se organizar e voltar ao profissionalismo.
Só depende das pessoas…
É engraçado viver as diferentes possíveis realidades que a vida nos oferece. Enquanto assisto à partida entre Espanha e Rússia (que nesse momento empatam em 1×1) pelas oitavas de final da Copa do Mundo, escrevo sobre uma cidade onde vivem cerca de 15 mil pessoas: Tupi Paulista, onde nesse mesmo momento, provavelmente muitos estejam assistindo a mesma partida.
Nosso objetivo na cidade era conhecer e registrar o Estádio Municipal Belmar Ramos:
O Estádio Municipal Belmar Ramos foi a casa do Tupi Esporte Clube em suas 5 aventuras pelo Campeonato Paulista.
O Tupi Esporte Clube foi fundado em 1948 e disputou três edições da terceira divisão (1971, 73 e 74) e duas da quarta divisão (1966 e 67) Aqui, o time na fase amadora, em 1953 (a foto faz parte do acervo da fanpage Eu amo Tupi Paulista:
Esta outra foto também é de algum time local, mas que não consegui identificar:
Então vamos ver como o Estádio está em tempos atuais, onde pode se ver que ao menos o nome do time segue preservado:
O Estádio Belmar Ramaos fica num nível acima da rua, pra entrar no campo você tem que subir até ele.
Mais uma bilheteria para a nossa coleção!
A placa falando sobre a data do estádio é de 1999, mas sua inauguração ocorreu muito antes, provavelmente na década de 50.
Bom, e aqui estamos nós, relembrando mais um templo histórico do futebol paulista, que atualmente é utilizado pelo futebol amador, principalmente pelas categorias de base.
Vamos entender o que é essa “subida” que eu me referi acima:
E aí estamos nós, conhecendo a arquibancada coberta do estádio de Tupi Paulista.
O gramado está bem cuidado (soubemos que tem muitos jogos das categorias dente de leite acontecendo aqui!).
Ao fundo, a torre que caracteriza o campo há tantos anos…
Aqui uma foto de uma equipe que eu não consegui identificar com certeza se é o Tupi EC, mas é o Estádio Belmar Ramos, já que dá pra ver a torre ao fundo:
Aqui, o gol da esquerda:
Olhando do gola da esquerda para a lateral sem arquibancada:
Uma olhada geral no lado esquerdo:
No meio campo:
Ficamos mais uma vez muito felizes e orgulhosos em poder pisar em solo sagrado, de mais um templo do futebol paulista.
Atualmente, pouco mais de 21 mil pessoas vivem em Lucélia.
A cidade soube manter importante parte de sua arquitetura, tornando-a um lugar muito interessante para visitar.
E a cidade tem uma forte ligação com o futebol, afinal o futebol society, foi idealizado em Lucélia no ano de 1966, por Hamilton Di Stéfano e Paschoal Milton Lentini. Desta idealização, surgiu o esporte que hoje é praticado em todos os Estados do Brasil.
Mas nosso objetivo era conhecer e registrar o Estádio Municipal José de Freitas Cayres.
Mais uma bilheteria para a nossa coleção de fotos.
Olha aí que bela arte ilustra a entrada do estádio:
E que tal dar uma volta lá dentro?
O Estádio Municipal José de Freitas Cayres era a casa do Lucélia Futebol Clube (brasão no site Gino Escudos).
O time foi fundado em julho de 1943, o que faz o time ser mais antigo que a própria cidade (emancipada em 1944). O Lucélia FC já participou de 7 disputas de Campeonato Paulista entre a segunda e a quarta divisão, mandando seus jogos neste belo estádio!
O campo ainda possui sistema de iluminação:
Em 1950, o Lucélia FC se filiou à Federação Paulista de Futebol.
Em 1952, a equipe disputou a segunda divisão da época, enfrentando Linense, São Paulo de Araçatuba, Tupã, Bandeirante, Penapolense, 9 de Julho de Getulina e AA Adamantina.
A partir deste ano, muitos times vieram jogar amistosos em Lucélia para colaborar com a preparação do time, entre eles XV de Jaú, Marília, Noroeste, Ponte Preta, Palmeiras e o Corinthians do goleiro Gilmar dos Santos Neves.
Anos depois, o time disputou duas edições da terceira divisão (1958 e 1959) e três da quarta divisão (1960, 1964 e 1965). Aqui, o time de 1962:
Olha como ficava lotada a arquibancada do Municipal:
Aqui mais fotos atuais do estádio, da nossa visita:
O gol segue lá, como maior objetivo de tantos artilheiros das ruas dessa pequena cidade…
O estádio tem seu nome em homenagem ao primeiro presidente do Lucélia FC: Manoel de Freitas Cayres.
A arquibancada coberta ainda aguarda o dia de reunir centenas de moradores locais gritando o nome do time da cidade!
O gramado sofre nessa época do ano com a seca, mas está muito bem cuidado.
E ainda possui um lance de arquibancada na lateral do campo.
Antes de irmos embora, descobrimos que o time (e a cidade) do Lucélia FC tem uma grande rivalidade com o time (e a cidade) do Rinópolis FC, graças à Copa Amnap (Copa da Associação de Municípios da Alta Paulista) de 2013 (que só foi acabar em 2014). O primeiro jogo da final, terminou 1 a 0 para Lucélia, mas não foi realizado na casa dos rinopolenses, mandantes da partida, e sim em Piacatu (SP), por um veto do Corpo de Bombeiros ao estádio do município. Já a segunda partida seria disputada com portões fechados, pois a organização alegou que havia indícios de briga entre as torcidas. A diretoria do time rinopolense não concordou com a decisão e disse que não compareceria à partida. E assim, esse foi o time campeão, que ganhou a final por WO:
Dando sequência ao nosso rolê, após falarmos sobre nossa visita à Lençóis Paulista (veja aqui como foi) vamos descrever como foi conhecer a cidade de Agudos!
A cidade é vizinha a Lençóis Paulista, então foi bem fácil chegar lá!
Nossas boas vindas foram dadas via placas e também com as ruas floridas!
Também deu tempo pra dar uma olhada nas ruas do centro…
Vale lembrar que em Agudos vive uma população estimada em 38 mil pessoas.
Os tapetes de rua, típicos do feriado de Corpus Christie também estavam presentes em frente à Igreja matriz:
Mas nosso objetivo era conhecer e registrar o Estádio Municipal São José!
Uma bilheteria a mais em nossa coleção!
O estádio fica na Rua José Salmen, na região central de Agudos.
O Estádio São José é a casa do Agudos EC, o Fantasma do interior.
O Agudos Futebol Clube foi fundado em 1 de janeiro de 1911 e teve seu grande momento em 1958, quando disputou seu único campeonato paulista na 3° Divisão, chegando até as fases finais como mostra essa matéria da Gazeta Esportiva de 8 de dezembro daquele ano:
O Estádio São José é a casa do futebol amador em Agudos, atualmente.
Segundo a placa local, a capacidade do estádio é de apenas 580 pessoas
O time, que parecia estar extinto, me deu esperanças, pois durante nossa visita estava rolando uma partida das categorias de base e dá uma olhada na camisa do menino:
O estádio está muito bem cuidado, dê uma conferida geral:
A arquibancada coberta, mantém um charmoso estilo oldschool!
O gramado um pouco seco pela falta de chuva, mas também bem cuidado.
Vale lembrar que além da disputa no profissional de 1958, em 1953, o time foi vice campeão do Campeonato Paulista do Interior Amador (perdeu a final para o EC Santa Sofia, de Pedreira).