Tremembé é uma cidade que sempre chamou minha atenção, embora eu não tenha nenhuma grande memória com o futebol local, mesmo sabendo, agora, de sua tradição.
Localizada na região Metropolitana do Vale do Paraíba, Tremembé é a casa de quase 40 mil pessoas.
Seu nome é de origem tupi: “Tirime’mbé”, que entre outros significados pode ser compreendido como “Escoar Molemente”, uma ligação com os vários rios e riachos presentes em seu território, com destaque para o Rio Paraíba.
Em 1877, a ferrovia chegou à região e a estação de Tremembé foi inaugurada em 1914, mas, teve vida curta… A linha entre Pindamonhangaba e Taubaté foi desativada em 1951, eliminando a estação de Tremembé, restando à população local a nova estação de Engenheiro Cotrim que ficava fora da cidade. Em 1970, o prefeito tentou derrubar a estação abandonada para construir o paço municipal, porém o povo não deixou e o prédio continuou ali, até hoje.
O futebol na cidade tem uma série de times que fizeram (e fazem) a alegria dos tremembeenses, mas dois times representam verdadeiros patrimônios para o futebol. Um deles é o Clube Atlético Tremembé, o “CAT”!
Fundado em 18 de julho de 1921, o CA Tremembé brilhou nas disputas municipais e regionais. Esse é um dos primeiros times da história do clube:
O CA Tremembé fez história ao disputar o Campeonato do Interior de 1942, no grupo da 24ª Região, que teve o EC Taubaté como campeão.
Vale reforçar que em 1942, o Maristela FC, também de Tremembé, participou do Campeonato do Interior. (Distintivo refeito por Victor Nadal):
Em 1943, o CA Tremembé jogou mais uma vez o Campeonato do Interior, e novamente teve o EC Taubaté como campeão do grupo.
Em 1944, novamente disputou a 24ª Região, com novas equipes, mas novamente com o EC Taubaté campeão.
O CA Tremembé também participou do campeonato de 45 e mais uma vez teve o EC Taubaté campeão!
Em 1946, o time não disputou o Campeonato do Interior, voltando apenas em 1947, quando disputou o Setor 2 da Zona 1, tendo como campeão a AE Guaratinguetá.
Pra quem gosta de boas imagens do passado, a Fanpage “Tremembé das antigas” disponibiliza uma série de fotos da cidade e também do time do CA Tremembé, como essa, justamente de 1947:
A mesma fanpage ainda disponibiliza (sem a menção à data) outras fotos lindas, do time.
E uma imagem de 1955, mostra que o futebol sabe ser “gente boa” quando quer 🙂
O CA Tremembé mandou e manda seus jogos no Estádio Amèrico Texeira Pombo, a “Arena Atlético Tremembé”!
Como a pandemia tirou o futebol do dia a dia, o estádio acabou um pouquinho descuidado, mas vale mostrar como eraa faixa antes desse período:
O Estádio fica no meio da cidade, na Rua André Geraldo da Silva e além da entrada mostrada nas fotos acima, também tem esse portão com o distintivo do clube.
O pequeno portão dá entrada a um mundo mágico, mas a pandemia parece nos impedir de conhecê-lo internamente…
A menos que… A vizinhança dê uma força para conhecer a “Arena Atlético” por dentro de seus muros.
Sem dúvida que a parte mais charmosa e que parece transparecer muita história é a arquibancada coberta!
A mensagem na arquibancada é clara: “Aqui é Atlético!“
Várias árvores ao redor das arquibancadas dão uma cara ainda mais legal pro campo e pra arquibancada.
Esse é o gol da entrada:
Ainda existe uma estrutura bem bacana de bar, vestiário e tudo o que precisa para seguir levando o futebol amador!
Esse é o gol do fundo, com vários eucaliptos dando uma refrescada pro goleiro:
Tem até uma área para a imprensa:
E aqui dá pra ver como o estádio é literalmente “colado” às casas da vizinhança:
Mas… Algumas pessoas do futebol local dizem que o Estádio Américo Texeira Pombo também teria participado do futebol profissional, graças a uma participação especial do segundo time da cidade na 3a divisão de 1957. Trata-se do CREIX!
Esse é o distintivo mais difundido, mas as fotos mostram que o distintivo usado pelo time era outro:
O Clube Recreativo e Esportivo da Indústria do Xisto foi um clube de vida efêmera na cidade de Tremembé, que nasceu para servir aos operários locais.
O time foi fundada em 1956 e disputou a série A3 de 1957.
Segundo nos contaram, embora o CREIX tivesse um campo de futebol, onde atualmente fica localizado o Fórum de Tremembé, eles teriam disputado algumas partidas da A3 de 57 em cidades vizinhas, como comprova a nota da Gazeta Esportiva que o amigo Ivan Gotardo localizou…
E aqui, o amigo e pesquisador do futebol de Taubaté, Moacir (autor do blog https://moataubate.com) me enviou uma matéria sobre o jogo entre o CREIX e a Ferroviária de Pindamonhangaba comprovando que o campo do CA Tremembé foi também a casa do time na série A3 de 1957!
Então… voltemos a olhar o Estádio Amèrico Texeira Pombo, agora dando lhe os devidos créditos de ter recebido jogos da série A3!!
Esse foi o time que disputou a A3 em 1957:
No ano seguinte, o CREIX voltou a disputar amistosos, como em 13/04/1958, quando venceu o Instituto de Reeducação por 3×0 (informação do incrível site História do Futebol.)
A fanpage “Tremembé das antigas” guarda outras fotos do time do CREIX, sem identificação da data:
Aqui uma foto da viagem do time do CREIX para Piquete:
Mais uma cidade com bastante história no futebol paulista que segue se mantendo no amadorismo mas que sem dúvida poderia voltar a se arriscar no profissional!
Finalmente a chance de poder registrar um dos estádios mais legais do lado leste do estado de São Paulo: o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Junior!
Se você não ligou o nome ao local, o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior é a casa da Associação AtléticaFerroviária de Pindamonhangaba!
Antes de falarmos sobre o futebol, vale informar que a cidade de Pindamonhangaba está situada na Região Metropolitana do Vale do Paraíba, às margens do Km 99 da Rodovia Presidente Dutra (passou da hora de propor um novo nome pra essa estrada hein?), há pouco mais de 140 km da capital paulista.
O nome da cidade vem do tupi e significa “lugar onde se fazem anzóis” e serve de casa para aproximadamente 170 mil pessoas.
Os registros de ocupação de Pindamonhangaba datam de 1643, mas oficializou-se 10 de julho de 1705 (dia de sua emancipação) como a data oficial da fundação da cidade.
A grande revolução começou em 18 de janeiro de 1877 quando foi inaugurada a Estrada de Ferro São Paulo – Rio de Janeiro, e em julho do mesmo ano, o trecho da estrada entre São Paulo e Cachoeira passou a funcionar.
Em 1890, com a Proclamação da República, a estrada de ferro seria encampada pelo governo federal, passando, no ano seguinte, a denominar-se Estrada de Ferro Central do Brasil e logo a cidade ganhou sua própria estação, que permanece por lá…
A cidade conseguiu aproveitar o ciclo do café no Brasil, transformando a cidade em um grande centro cafeeiro. Mas… com o fim da escravidão, não houve como sustentar a produção e a cultura cafeeira de Pindamonhangaba passa a diminuir até sumir em 1920, trazendo um momento de estagnação econômica. A arquitetura da época permanece por lá…
E foi da ferrovia que, em 12 de abril de 1930, surgiu o único time da cidade a disputar o Campeonato Paulista de Profissionais, com a união dos funcionários das ferrovias Campos do Jordão e Central do Brasil que passaram a jogar futebol nos cantos do terreno da Vila Nair (atual sede do INSS), como uma forma de lazer. Ali seria o primeiro campo da Ferroviária.
Alguns de seus distintivos na história:
O time estreiou em competições oficiais (ainda que na época não fosse considerado “profissional”) disputando o Campeonato da Divisão do Interior da FPF em 1934, e teve a Ferroviária como campeã do grupo que contava com a AA Aparecidense, o Cachoeira FC, o Commercial FC, também de Pindamonhangaba, o Cruzeiro FC e o Teciguará FC.
Com o título, a Ferroviária obteve o direito de disputar o Campeonato Estadual da FPF, que nada mais era do que um mata mata contra o campeão da FPF, que naquele ano fora o CA Fiorentino (que nada mais era do que o Juventus).
Foram dois jogos, sendo a decisão na Rua Javari:
Em 1935 foi comprado um terreno ao lado das oficinas da “Estradinha” onde foi construído o novo estádio.
Em 1942, mais uma participação no Campeonato Paulista do Interior e a Ferroviária sagra-se campeã da 9a região!
No mata mata, a Ferroviária acabou desclassificada ao perder por 5×3 pro Taubaté, fora de casa.
Em 1943, não conseguiu classificar-se às eliminatórias, jogando novamente a 9a região ao lado de:
Em 1943, houve a estreia de 2 outros times de Pindamonhangaba, o Commercial Mombaça FC e o Curupatuba FC:
Em 1944, mais uma vez disputa o Campeonato do Interior, e o título do grupo dessa vez vai pro Cruzeiro:
Mais uma vez um time de Pindamonhangaba fez sua estreia no campeonato: o São Paulo FC!
Aqui, o time de 1951, que usava o distintivo original, bem próximo do tricolor da capital:
Em 1945, foi a vez do Frigorífico de Cruzeiro ser campeão da 9a região:
Ainda em 1945, uma retificação dos trilhos da Estrada de Ferro acabou passando exatamente no campo da Ferroviária, o que parecia ser o fim do time… Tanto que em 1946 nem disputou o Campeonato, apenas em 1947, o setor 2 da zona 1:
Destaque para mais um time de Pindamonhangaba que participou dessa edição do Campeonato do Interior: a AE Industrial!
O time ainda seria campeão do Campeonato do Interior em 71 e 74.
Aqui, o time no amador de 1983 (já usando o novo distintivo):
A própria Central do Brasil ajudou o time a se reerguer e a Associação Atlética Ferroviária seguiu na disputava de torneios, amistosos e campeonatos amadores da cidade em seu campo novo, o atual Estádio, construído por meio de uma campanha popular.
O Estádio Dr. Pinheiro Júnior foi inaugurado oficialmente, em 1948, e alguns anos depois, a A.A. Ferroviária decide disputar o futebol profissional, e a partir de 1953, o time passa a jogar a Série A3 do Campeonato Paulista até 1957.
Esse foi o time que jogou a A3 de 1956:
Em 1958, o time jogou a série A2, mas fez uma campanha bem irregular, terminando em último no grupo azul.
Em 1959, mais uma disputa do segundo nível do futebol profissional paulista, uma campanha um pouco melhor, mas ainda sem se classificar. Pra piorar, houve uma reformulação no estadual, o que provocou o rebaixamento da Ferroviária à série A3 novamente.
Esse foi o time que jogou a A2 de 1959:
Em 1960, voltou a jogar a A3, e esse foi o time daquele ano:
Em 1961, faz sua última participação no futebol profissional, pela série A3. Algumas das partidas:
O clube estava enfrentando grandes dificuldades financeiras para se manter, e como o futebol exigia gastos que não estavam sendo recompensados com resultados mais expressivos, a diretoria encerrou as atividades do futebol profissional em 1962. Mas o time seguiu nas disputas amadoras, como esse time de 1970:
Pindamonhangaba ainda veria o Corinthians local, fundado em 1930, sagrar-se bicampeão do Campeonato do Interior (agora já sob o nome de “Amador do Estado”) em 1981 e 1982.
Aqui, o poster do título de 81:
E aqui, o time de 82:
Essa é a entrada do seu campo, o “Estádio do Cardosão“:
Pra saber mais sobre o futebol de Pindamonhangaba, não deixe de acessar o incrível trabalho do pessoal do “PindaFuteboldoPassado“.
Entretanto o clube segue de pé, tanto com sua belíssima sede social, quanto com o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Junior.
Ele fica localizado na rua Dra. Isaura e de Tolêdo Silva, 45.
Mais uma bilheteria para a nossa coleção!
E graças a ajuda do pessoal do clube, em especial o Anderson e o Zé Carlos, foi possível conhecer o estádio por dentro.
Agradecimentos também para o Leandro Matos (Presidente da Diretoria Executiva) e Júlio César Piorino (Vice-Presidente da Diretoria), por permitir a visita. Então, vamos lá?
O nome do Estádio é homenagem ao médico Dr. Pinheiro Júnior, o “Dr Tinoco”, que foi um dos entusiastas na campanha pela construção do estádio, além de atender a muitos dos trabalhadores da ferrovia.
E nós, em pleno 2020, 90 anos depois da fundação do time… Estamos aí!
O Estádio tem capacidade para cerca de 3 mil torcedores.
O campo segue muito bem cuidado, afinal o time ainda disputa competições amadoras. O gramado está muito bom!
Os bancos de reserva levam a gente numa volta ao passado!
Possui ainda arquibancadas cobertas em toda a lateral do campo:
Pra quem está nesta arquibancada, esse é o gol do lado esquerdo:
Aqui, o meio campo:
E esse o gol do lado direito:
E o que dizer do placar que já registrou tantos gols ?
Ao fundo, a cidade de Pindamonhangaba não fica parada e começa a se verticalizar.
Até um setor para a imprensa existe ali no meio das arquibancadas!
Mais do que uma pintura qualquer na parede, a força desse distintivo faz a gente sonhar com a volta do time e da cidade às competições da Federação…
Um último olhar antes de nos despedirmos de mais um templo do futebol do interior paulista!
E lá vamos nós, de volta à estrada… Antes, vale relembrar o time tri-campeão amador!
Para os dados desse post utilizei basicamente o livro “Os esquecidos – Arquivo de Futebol Paulista” e o “História da 2ª Divisão no Futebol Paulista” do Julio Bovi Diogo e Rodolfo Pedro Stella Jr.
Hora de conversarmos sobre Rafard, a cidade fundada em 1883 pelo bigodudo Júlio Henrique Raffard, de onde surgiu o seu nome.
Assim como vários municípios brasileiros, a história de Rafard está diretamente ligada à cana de açúcar, graças ao engenho da Usina Sociéte de Sucréries Brésillenes, uma sociedade anônima que pertencia a alguns franceses e empregava quase 1700 pessoas (dos quais cerca de 1200 eram estrangeiros).
O povoado passou a ser chamado de “Villa do Henrique Raffard” e logo “Villa Raffard”.
Com a vila ganhando importância, passou a ser um Distrito de Capivari e em 1964 conseguiram a emancipação, tornando-se o atual município de Rafard, onde hoje vivem quase 10 mil pessoas.
A cidade fica na região da Grande Campinas, próxima também de Piracicaba e de acesso tanto via Rodovia Castelo Branco, quanto pelo sistema Anhanguera / Bandeirantes.
Rafard ainda tem grande dependência da Usina Raifard (que agora pertence à Raízen).
Passamos por ali no mesmo dia em que visitamos Salto pra registrar o Estádio da AA Avenida.
O açúcar fez a cidade crescer e trouxe a estrada de feroo até Rafard, com a linha que ligava Itaici a Piracicab. O transporte de passageiros acabou em 1976 e os trens de carga continuaram trafegando até meados dos anos 1980. Por volta de 1990, os trilhos, já abandonados, foram retirados pela agora FEPASA.
A estação de Villa Rafard, inaugurada em 1884 para atender à Usina Rafard, ligando também dois ramais ferroviários de usinas locais.
Ainda existe uma lembrança da Estação Sorocabana com um trem da época gloriosa…
O futebol local movimentava a cidade e a região com vários times, entre eles, o Elite FC, fundado em 1928:
Não encontrei muitas informações sobre o time, apenas algumas fotos, como essa de 1928, do ano de fundação do time:
Aqui, o time de 1937:
Aqui, o de 1942, que disputou a 15ª Região (a Piracicabana) do Campeonato Paulista do interior daquele ano, ao lado de outros 39 times:
Outro time que disputou o Campeonato do Interior de 1942 foi o União Agrícola F.C. (Saltinho) formado nas fazendas do Engenho.
Existia ainda o União Rafardense Futebol Clube.
Da união do Elite FC com o União Rafardense FC, em 8 de dezembro de 1943, para o desgosto dos mais radicais, que curtiam a rivalidade do derbi, surgia o Rafard Clube Atlético, o RCA!
O time deu sequência à tradição da cidade e disputou o Campeonato Paulista do Interior, em 1946.
Além do campeonato do interior, o “RCA“, o time teve a ajuda da Usina e se profissionalizou-se em 1954, disputando a Série A3 do Campeonato Paulista em 1954 e 1959.
O Rafard CA mandava seus jogos no Estádio Usina, que ficava praticamente dentro da Usina Rafard e era inteiro murado, possuia alambrados entre a torcida e o campo, e a partir de 1956, passou a ser iluminado:
Encontrei algumas matérias falando sobre amistosos, como o de Maio de 1956, contra os cariocas do Olaria AC:
Outro carioca que “aterrissou” na estaçao ferrroviária da Vila Rafard foi o São Cristóvão:
Em 1956, mais uma vez participou do Campeonato Amador do Interior, pelo Setor 36:
Em 1957, novamente disputou o Campeonato Amador do Interior, e encontramos um resultado na Gazeta Esportiva:
O RCA participou ainda de muitos campeonatos municipais (quando ainda pertencia a Capivari), como lembra essa partida de 7 de setembro de 1958, contra o AA Cillo:
E esse flyer (cujo original pertence ao amigo André Stucchi), convidando a galera pro jogo?
Em 1958, mais uma edição do Campeonato Paulista do Interior, veja alguns dos jogos que consegui encontrar, pela primeira fase:
Aqui, um jogo contra o Santa Cruz, em 19 de setembro de 1958, pelo amador do estado:
Aqui, o penúltimo jogo contra o SE Floresta (time da Fazenda Forte):
O time acabou sagrando-se campeão da Série Carlos Rolim, graças à vitória contra o Santa Alice, em 27 de outubro, de 1958.
Aqui, ainda em 1958, uma reportagem em homenagem aos 15 anos do Rafard Clube Atlético:
E esse é o time de 1959:
O Raffard Clube Atlético jogaria ainda a Quarta Divisão (a atual “Série B“) do Paulista em 1960, 1961 e 1963. Aqui a campanha de 1960:
O Rafard Clube Atlético jogava de com uma camisa com listras verticais paralelas nas cores do clube, como pode se ver nessa foto celebrando a conquista de mais uma taça!
Por conta da emancipação, o seu maior rival era o Capivariano F.C da cidade de Capivari.
Aqui, outra imagem do time, no Estádio da Usina:
Aqui, o time do Rafard em 1962, foto da Gazeta Esportiva, enviada pelo amigo André Stucchi:
E uma rara imagem do estádio inundado pela enchente em 1970.
Após a nossa visita, o amigo Túlio, do “O Semanário“, enviou algumas fotos bacanas também, olha só, essa do Estádio:
E uma formação do time:
Aqui, o time juvenil:
E até uma do time de futebol de salão.
Atualmente, a área que recebia o estádio e suas proximidades seguem sob o controle da Usina.
Pra chegar até a área específica do Estádio, basta seguir o muro da Usina.
E se a sua imaginação foi boa, faça com que ela retire dali todo esse restolho de cana, e imagine que bem ali está o mítico estádio da Usina…
Era ali que o RafardCA fazia a alegria de toda uma cidade…
E não, vc sequer pode chegar perto…
A Usina segue a todo vapor…
Fiz um pequeno vídeo dela, com a ajuda do amigo Lúcio!
Já há algum tempo ela foi adquirida pela Raízen.
Mas mantém algumas coisas de antigamente como essa pequena capela…
A cidade chegou a construir um novo estádio, municipal que tem sido utilizado pelo time vizinho do Capivariano.
Fica aí o nosso registro do que um dia foi o Estádio da Usina, do poderoso Rafard Clube Atlético!
Quase 6 anos depois de termos visitado Salto pela primeira vez, quando conhecemos a cidade e registramos o Estádios da Associação Saltense, além do que restou do clube social do Guarani Saltense, do Estádio Municipal Amadeu Mosca e do campo do XV de Novembro, voltamos à cidade para completar nossa missão.
A cidade foi fundada por Antônio Vieira Tavares, sobrinho do bandeirante caçador de índios Antônio Raposo Tavares. Em 1698, ele ergueu uma capela em louvor a Nossa Senhora do Monte Serrat, dando origem ao que viria se tornar a cidade de Salto.Em 1936, a capela foi reformada dando origem à Igreja Matriz.
Atualmente existe um Monumento à Nossa Senhora do Monte Serrat, que permite uma linda vista da cidade.
Acreditando na promessa de despoluição do rio Tietê, a cidade tem investido no turismo ecológico, com parques e até mesmo uma linda ponte pênsil.
Essa construção histórica não só foi preservada como atualmente é ocupado pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP).
Nosso objetivo estava próximo, seguindo um pouco a frente contornando a igreja, chegamos num declive: a rua 24 de outubro, que vai até o rio Tietê!
Pra entender o lugar que fomos conhecer, vale olhar essa imagem do Google Maps e ver que se trata realmente de uma ilha em meio ao rio Tietê.
O rio ainda não está limpo, mas já é bem diferente do que os paulistanos estão acostumados.
Do outro lado (de onde ele vem), pode se ver ao fundo o prédio histórico que comentamos do CEUNSP.
E ao passar a ponte, chegamos à Ilha Grande, para enfim conhecer o Estádio Luiz Milanez.
O portão de entrada dá acesso ao estádio já na ilha.
Aqui, a visão logo após o portão:
Ali, os pássaros já começam a habitar o leito do rio, talvez também acreditando em sua futura despoluição.
O Estádio Luiz Milanez é a casa da Associação Atlética Avenida.
A A.A. Avenida foi fundada em 1º de janeiro de 1945, com o nome em homenagem a uma antiga avenida que cruzava toda a cidade, e segundo a placa no campo, esta é a data considerada como a fundação do próprio Estádio Luiz Milanez.
Olha que bacana o jogo de botão que um fã montou pra AA Avenida:
Antes do campo, você encontrará a sede social do Avenida.
Mas, vamos enfim conhecer o campo e suas arquibancadas.
O Estádio já teve arquibancadas de alvenaria, mas segundo o pessoal do Avenida, elas foram levadas em uma inundação causada pela cheia do Tietê, em 1983. Aliás, olhando o rio tranquilo como ele estava hoje (em época de extrema seca), é difícil acreditar no potencial destrutivo que ele possui, mas … vale ver as imagens abaixo…
Essa é de 1983, e existem muitas outras no blog: Históra Salto.
E esse ano, já teve uma inundação que virou notícia:
Mas vamos deixar todo esse aguaçeiro pra lá e dar uma olhada no campo:
Aqui, o gol da esquerda, visto da arquibancada:
Aqui, o gol da direita:
Aqui, a arquibancada em madeira, como tanto se via pelo interior de São Paulo:
Aqui, olhando do fundo para a entreada do estádio e da sede social:
E aqui, a vista pelo outro lado:
Ao fundo do gol da esquerda, mais um pequeno lance de arquibancada, cuidada com todo esmero por aqueles que ainda amam o futebol local e a AA Avenida!
Em 15 de maio de 1955, o time fez história ao se tornar o primeiro da cidade a disputar uma partida no Pacaembu contra o time de Cosmópolis (aliás, que time será esse? A Funilense??), e a equipe abaixo meteu logo uma goleada por 7×2:
Um registro histórico de um estádio que foi a casa da AA Avenida no Campeonato Paulista da série A3 em 1956, e a Série A2 de 1957 a 59.
Achei até o registro da Gazeta Esportiva de um amistoso contra o Corinthians de Santo André, disputado em 29 de abril de 1956:
Em 1956,jogou com a Portofelicense, o Guarani Saltense e a Ferroviária de Itú, ganhando 2 jogos, perdendo outros 2 e empatando 2, classificando para a fase seguinte, onde enfrentou a AA Saltense, o Elvira (Jacareí), o Aparecida, a Portofelicense e o Palmeiras de São João da Boa Vista, onde ganhou 3, empatou 6 e perdeu uma partida.
Em 1957, essa foi a tabela e a classificação da série A2:
Em 1957, ainda participou do Torneio Santos Dummont que tinha divulgação dos jogos na poderosa Gazeta Esportiva:
Aqui, a campanha da série A2, de 1958:
Esse é o time de 1958 (aliás, obrigado ao Valdir Líbero, por me passar essa e outras fotos, que ele pegou do livro História do Esporte Saltense, de autoria do jornalista Valter Lenzi:
E em 1959 houve uma melhoria nos resultados, com destaque para duas goleadas seguidas contra a Mogiana (7×3!!!) e contra o Bandeirantes (5×1).
O time que fez essa campanha de 1959 é esse:
Aqui, outra foto histórica do time também do final dos anos 50:
Voltando ao presente, as arquibancadas atuais não são as originais, porque segundo o pessoal que estava por lá, a enchente de 1983 levou as arquibancadas de alvenaria.
E fica aqui, meu agradecimento mais uma vez ao Lúcio que foi o companheiro de viagem 🙂
Um último olhar para o campo, sonhando com um improvável, mas nunca impossível retorno do futebol profissional à Ilha Grande…
As notícias recentes pelo menos mostram que existe uma esperança do retorno do futebol profissional a Salto (veja aqui, a notícia completa).
Em 2016, pude acompanhar um acesso do Santo André, com sabor especial porque aconteceu em uma cidade que fica há mais de 400 km de distância e que também é apaixonada por futebol: Barretos!
Pra chegar lá e poder curtir um pouco da cidade, saímos bem cedo, tanto que pegamos até neblina no caminho.
Mas chegamos com um tempo agradável, que nos permitiu passear um pouco pela cidade, já que o jogo seria a noite. A primeira coisa a aprender foi que as avenidas são identificadas por números ímpares e as ruas por números pares.
Barretos é conhecida por sua ligação com o gado, e pelos rodeios, mas como não concordamos com esse tipo de cultura, que envolve sofrimento e morte animal, olhamos a cidade por um outro ângulo, rendendo-nos à natureza, e à história local, como por exemplo a Estação Ferroviária, que foi importantíssima para a cidade e a região.
Pelo que pudemos conversar com alguns torcedores locais, a cidade tem perdido um pouco do charme, com algumas ações de modernização, como a mudança de alguns equipamentos municipais, a demolição de antigos casarões dando lugar a prédios, verticalizando a cidade a cada dia. Quem luta para sobreviver em meio a esse caos moderno é o Cine Barretos.
Mas, as placa nos lembrava que o que nos levou até a cidade foi mesmo o futebol!
Pra escrever sobre a história do futebol profissional em Barretos, contei com a ajuda do site www.futebolbarretos.com.br, do blog Zé Duarte Futebol Antigo e do amigo Manolinho Gonçalves. O primeiro time profissional a se criar em Barretos foi o Fortaleza Esporte Clube, fundado em 15 de novembro de 1936.
O time alvi-verde, também conhecido como o “Periquito da rua 20” passou vários anos no amador, só estreando na Série A2 em 1955, no Setor Azul, terminando na última colocação.
Esse foi o time do Fortaleza que jogou a A2 de 1955:
Em 1956, terminaria em último lugar desta vez, na Série Cafeeira.
Em 1957, também não conseguiu uma boa campanha…
Em 1958, subiu mais algumas posições, mas ainda terminando em uma posição na parte de baixo da tabela…
Em 1959, termina a Série Geraldo Starling Soares na 6a colocação.
Jogaria ainda a série A3 em 60. Aqui algumas imagens antigas do time que o pessoal do Blog História do futebol encontrou na Revista Sport Ilustrado.
O Fortaleza EC mandou seus jogos no Estádio Fortaleza, que foi municipalizado em 1977, e em 1994 passou a ser chamado de “Antônio Gomes Martins – Tio Cabeça“, em homenagem ao ex-massagista de Barretos. É lá que o Barretos EC manda seus jogos, atualmente.
Esse é o tio Cabeça:
Peguei essa foto da entrada do Estádio no Google Maps!
E essa a gente fez durante uma visita ao estádio antes do jogo de 2016.
Mas se o Fortaleza EC foi o time mais antigo da cidade a disputar o profissionalismo, é hora de falarmos do Barretos FC, que embora fundado 2 anos depois, disputou os campeonatos da Federação Paulista antes!
O Barretos Futebol Clube foi fundado em 7 de julho de 1938 e jogou o amador por 9 anos. Aqui, um amistoso contra o Uberaba SC, em 1945:
O Barretos FC só estreou na série A2 em 1947, fazendo uma campanha bem irregular, assim como seria em 1948 também:
Em 1949, o time se licenciou, voltando a partir de 1950, ainda com campanhas bastante irregulares, mas ainda assim se transformando na alegria do futebol local!
Com esse início complicado, 0 time acabou se licenciando do profissionalismo em 1953 e só voltando à A2, em 1955.
Em 1955, houve a estreia do Dérbi de Barretos (6/11 – Fortaleza 1×1 Barretos e em 11/12 –Barretos 3×2 Fortaleza), no profissionalismo aqui, fotos do segundo jogo:
Vale lembrar que em 1944, já houvera o dérbi, mas pelo Campeonato do Interior de 1944, no qual o Barretos FC chegou até a semifinal, contra o Guarani que seria campeão. Em 1947, o Barretos voltou a disputou o Campeonato Profissional do Interior terminando em décimo e jogou também o amador. Em 1956, mais uma campanha mediana na “Série Pecuária“, mas em 1957, além de mais 2 dérbis (28/4 – Barretos 3×1 Fortaleza e 28/7 – Fortaleza 2×3 Barretos), o time terminou na terceira colocação da Série C.
Em 1958, parecia chegar a hora… O Barretos FC sagrou-se campeão do seu grupo, o Amarelo, além disso, mais dois dérbis: 8/6 – Barretos FC 4×0 Fortaleza e 19/10 – Fortaleza 0x3 Barretos FC.
Na segunda fase, o Barretos FC caiu no Grupo João Havelange, onde terminou na quarta colocação. O Corinthians de Presidente Prudente além de líder do grupo, seria campeão da A2 de 1958.
Em 1959, uma tragédia para a cidade, mesmo sem terminar na parte debaixo da tabela, no Grupo Geraldo Starling Soares, tanto Barretos FC quanto Fortaleza FC acabaram rebaixados para a Série A3. E 1959 acabou marcado como o ano dos últimos dérbis: 31/5 – Barretos 3×1 Fortaleza e 23/8 – Fortaleza 0x3 Barretos.
O Barretos FC ainda chegou a disputar a A3 em 1960, mas o Fortaleza FC abandonaria as competições profissionais da Federação Paulista.
Nessas competições, mandaram seus jogos no Estádio da Rua 32, em frente ao Recinto Paulo de Lima Correia, onde hoje é a Praça 9 de Julho e o Terminal Municipal de Ônibus Urbanos.
Segundo o amigo Manolinho, a Arquibancada Central era de madeira e idêntica a do Parque São Jorge.
E a cidade ainda teria um terceiro time: o Motoristas Futebol Clube, fundado em 6 de março de 1944.
Olha que bela flâmula do time:
O Motoristas FC disputou a série A2 em 1950, terminando na 10a colocação. Assim, a cidade ganhou 2 dérbis em 1950: 30/7 – Barretos 1×0 Motoristas e 22/10 – Motoristas 3×0.
Aqui algumas imagens do time já na época da volta ao amadorismo:
O Motoristas FC mandava seus jogos no Estádio Dr Adhemar de Barros Filho, ou o “Campo dos Motoristas da Avenida 21“.
Mas, infelizmente estes 3 times pertencem ao passado. O presente do futebol profissional da cidade de Barretos começou a ser escrito em outubro de 1960, quando o Barretos FC e o Fortaleza FC se uniram para formar o Barretos Esporte Clube.
Assim, em 1961, a cidade voltou a ter um time na Série A2 da época e na sua “estréia”, até que o Barretos EC foi bem. (tabela abaixo da Wikipedia):
Já em 62, o time foi mal e só escapou do rebaixamento num incrível mata-mata, contra o Elvira (de Jacareí), último colocado da Série “José Ermírio de Moraes Filho”, em 4 partidas: Barretos 7 x 1 Elvira (10/2/63), Elvira 2 x 1 Barretos (17/2/63), Barretos 1 x 1 Elvira (23/2/63 em Campinas)eBarretos 1 x 0 Elvira (2/3/63, em Campinas).
Em 1965 foi campeão da Série Carlos Joel Neli e fez a final contra o Bragantino, perdendo as duas partidas (jogadas no Pacaembú), o título e o acesso…
Em 1966, nova campanha de destaque! O Barretos FC ficou em 2º da Série João Mendonça Falcão, classificando-se para o quadrangular semifinal, terminando em 3º no grupo.
Em 1967, após liderar o seu grupo foi eliminado no mata mata pelo Paulista de Jundiaí.
Já em 1968, liderou seu grupo e classificou-se para a segunda fase (um outro grupo dessa vez com 8 times), terminando em quarto lugar e sendo desclassificado.
Em 1969, 70, 73 e 75 não passou da fase de grupos. Em 71, 72 e 74 foi desclassificado na segunda fase. Em 76, mais uma vez liderou seu grupo nos dois turnos da primeira fase, mas acabou em último lugar no quadrangular final (XV de Jaú sagrou-se campeão, Aliança, vice e o Santo André em terceiro).
Esse era o time daquele ano, e veja que linda a torcida ao fundo:
Em 77, mais uma vez liderou o gurpo da primeira fase e na fase final acabou na quarta colocação.
Em 78, num regulamento bem esquisito, o Barretos liderou o Grupo A, depois foi mal na 2ª e 3ª fase e acabou mais um ano na A2.
Em 79 e 80 o time não foi bem, parando na fase inicial, em 81 liderou a Série Amarela, mas ocupou a penúltima posição no grupo final, com o time:
Em 82, 83, 84, 85, 86 e 87, regulamentos ainda mais confusos acabaram fazendo com que o Barretos se limitasse à campanhas medianas e pra piorar, o time passou a jogar a série A3 a partir de 1988, onde ficou até 1990, quando voltou à A2, esse era o time daquele ano:
Permaneceu na A2 até 1993, quando caiu novamente para a A3. Em 1995, o pior momento: o time caiu para a Série B1A (o quarto nível do futebol da época). Em 1998 chegou perto de voltar, ao ser vice campeão do grupo inicial e vice do quadrangular final, mas apenas o Oeste consegiu o acesso.
Só em 2001, voltou à A3. Inicialmente só subiriam dois times, mas graças às mudanças do calendário, o acesso foi ampliado.
Sua volta à A3, em 2002, foi marcada com uma boa campanha, ficando de fora das finais por muito pouco!
Permaneceu na A3 até 2006, quando uma campanha bem ruim levou mais uma vez para o quarto nível do futebol paulista (agora a Segunda Divisão, ou série B).
De volta à segunda divisão, apenas em 2011 o time conseguiu o acesso (já nessa fase das 4 fases em grupos) à A3, mas foram apenas 2 anos e nova queda à série B, pra uma única disputa em 2014 e novo acesso à A3.
Em 2015, logo de cara, uma surpresa… Um acesso conquistado à série A2 (graças ao problema do Atibaia).
Permaneceu na A2 em 2016 e 2017, quando voltou pra A3, onde permaneceu até esse momento (em 2020, ainda sob risco de rebaixamento à A3). E foi em 2016, que tivemos a oportunidade de conhecer o Estádio Municipal Antônio Gomes Martins, também conhecido como “Fortaleza” em homenagem ao time da cidade.
Confesso que deu um pouco de aperto no coração, imaginar que estávamos ali pra impedir o inédito acesso do Barretos à série A1…
Aproveitei pra pegar um jornal local e ver se a torcida do Barretos estava esperançosa quanto à virada (o placar emSanto André foi 2×0 pro Ramalhão).
E até pra dar sorte pro Ramalhão, fiz questão de estar dentro de campo, antes do jogo!
Aproveitei pra pegar meu ingresso e não correr nenhum risco.
Fui conhecer também ocharmoso portão dos fundos por onde andaríamos.
E olha aí o portão olhando de dentro pra fora já na hora do jogo…
A noite estava muito bonita. A torcida local compareceu, pintando de verde, vermelho e amarelo as bancadas do Estádio Municipal Antônio Gomes Martins.
Oficialmente, o Estádio tem capacidade para 13 mil torcedores, mas pelo borderô oficial apenas 5 mil torcedores compareceram.
Quem foi, fez festa!
Mas engana-se quem pensa que o lado azul não compareceu… Era um jogo decisivo, lá estava a Fúria Andreense!
E a Esquadrão Andreense:
Foi um jogo super truncado com várias defesas milagrosas do nosso goleiro “Zé Carlos”, para o desespero da torcida local.
Foram 90 minutos de pressão do Barretos e o Santo André se segurando lá atrás… E a gente desesperado na arqubancada visitante.
Mas o Ramalhão também levou perigo em alguns lances.
E o Branquinho no escanteio…
O primeiro tempo terminou e a alegria parecia começar a se multiplicar nas arquibancadas visitantes.
Muitas bandeiras do Santo André decoraram a parte do estádio dedicado à nossa torcida.
Até um “mini bandeirão” apareceu…
Uma pena que a câmera não pode captar melhor o estádio, já que estava de noite, mas pelo menos ficou um registro de mais esse lugar histórico!
Ao final do jogo, festa entre torcida e o time que jogaram juntos todo o campeonato!
Zé Carlos até deu as luvas de presente a um torcedor (que mais tarde precisou devolvê-las para que o goleiro as usasse na final contra o Mirasssol).
A torcida local soube respeita a conquista do Santo André e ficou até o fim do jogo.
Um sentimento único! Conhecer um estádio lindo e cheio de histórias e ao mesmo tempo voltar à primeira divisão!
Já é quase setembro de 2020… Ainda sob efeito da pandemia do COVID 19, e tomando todos os cuidados mais que necessários, aproveitei o fim de semana e dei um pulo na cidade de Monte Mor, para conhecer e registrar o Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães.
Vale lembrar que a área onde hoje fica a cidade era um local ocupado pelos índios Tupi-Guarani e muitos vestígios da época (como fragmentos de cerâmica e até uma urna funerária com cerca de 1000 anos de idade) foram encontrados em escavações nos sítios Tapajós e Rage Maluf, na década de 70. Após os índios serem dizimados pelos bandeirantes, o homem branco chegou, e usava a região de parada dos que passavam por ali e logo as primeiras famílias se estabeleceram ali dando origem a núcleos que se tornaram Freguesia e, em 1871 elevada à Vila de Monte Mor. No século seguinte, a cidade veria nascer o seu time de futebol, o Esporte Clube Monte Mor!
Destaque para a Cruz Orbicular (Cruz Templária) em seu distintivo, que era usada pelos Templários portugueses e pela Ordem de Cristo. O Esporte Clube Monte Mor mandava seus jogos no Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães e lá fomos nós registrar mais um estádio, dessa vez tendo o “Tio” Lúcio como guia!
O rubronegro EC Monte Mor foi fundado em 2 de maio de 1957 e disputou a Quinta Divisão em 1978 e 1979. Veja a campanha de 1978:
O amigo e leitor do blog José Alves Borges, treinador de futebol profissional na Ásia há mais de 20 anos, enviou uma foto do time de 1978:
Aqui, a campanha de 1979:
O EC Monte Mor também chegou a jogar a série A3 em 1980 e 1982. Esse foi o time de 1980:
Da esquerda para direita, em pé: Helio Jalbut (Técnico), goleiro reserva, Renatão, Chiquinho, Edson, Caetano, Zé Luiz, Louca (Goleiro), Alemão e Joãozinho Jalbut (Presidente). Agachados: Dimas, Mimi, ??, Ademir, Celso, José Antonio, Benê e João.
Graças ao amigo Jamil Lisboa, conseguimos algumas fotos do time dessa época.
As fotos são de um amigo dele, o Adhemar Alves, e fica aqui nosso agradecimento por poder dividir com outros apaixonados pelo futebol!
Mais do que algumas fotos quaisquer, elas registraram um dia na vida do EC Monte Mor:
Especificamente, do último jogo da fase classificatória de 1980, no dia 28 de setembro, contra o Cruzeiro do Vale do Paraíba (veja aqui nossa visita ao estádio deles!). O Cruzeiro dependia do resultado deste jogo para se classificar e não a toa, a torcida do time do Vale do Paraíba trouxe nada menos que 6 ônibus para Monte Mor!!!
Estádio lotado e com direito a transmissão pela Rádio de Cruzeiro e transmitida, com um telão colocado no centro da cidade de Cruzeiro, pela Tv de São José dos Campos!
Embora a data nas fotos seja de 1982, esse jogo foi mesmo pela A3 de 1980, uma vez que em 81, o EC Monte Mor não disputou o campeonato e em 1982, o Cruzeiro estava na série A2, justamente por ter sido campeão do ano anterior!
O placar final foi 2×2.
O centroavante Celso marcou um dos gols do time da casa:
Tem até o lance do gol dele:
E não é que até foto do trio de arbitragem (modelo padrão…) apareceu? Árbitro Antonio de Pádua Sales!
Mas a festa teve um final um pouco triste para a torcida local, já que no ano seguinte o EC Monte Mor não disputaria campeonato algum, retornando apenas em 1982 para fazer sua despedida oficial da série A3 e do futebol profissional… Ao menos, seu estádio segue por lá!
Aliás, pelo que pudemos ver, o Estádio Municipal “José Maria de Freitas Guimarães” está passando por reformas…
Aqui o gol do lado esquerdo, para quem está acomodado na arquibancada coberta.
O meio campo:
E o gol da direita:
O sistema de iluminação deixou de funcionar há alguns anos, devido ao furto dos cabos de energia.
O amigo Stuchi ainda nos passou essa foto de uma vista aérea do Estádio:
O convênio com o Governo Federal liberou cerca de R$ 360 mil para obras de revitalização do Estádio, mas pelo que eu entendi esse acordo é antigo e deveria recuperar o sistema de iluminação, os vestiários, alambrados e outras dependências do estádio.
Que tal uma olhada no estádio como um todo?
Ah, e antes que você me pergunte como eu consegui as fotos e vídeos, em uma época em que o estádio está fechado, fica aí o nosso segredo:
Mas também busquei outras fotos no Facebook da Prefeitura, até pra ter uma vista da arquibancada, e olha aí o que achamos:
Esse é um time amador de muita força na cidade, o Santa Cruz:
E ainda achei alguns lance de partidas amistosos:
E, principalmente, uma visão da arquibancada coberta:
É isso aí…. Mais uma linda história do futebol paulista…
Dando sequência aos estádios do ABC, vamos falar do extinto Estádio do Primeiro de Maio FC (já falamos sobre o time, clique aqui pra ler), também conhecido como o Estádio da Rua Brás Cubas, na cidade de Santo André.
Lembrando que o futebol do ABC tem outros times, estádios e histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal. Pra falarmos do histórico Estádio da Rua Brás Cubas é preciso voltar à Santo André dos anos 20… Quando pouca coisa havia ali no centro ao redor do campo…
E pra isso, vamos contar com a ajuda do Grupo Santo André Ontem e Hoje, relembrando alguns visuais daquela época, como a “Venda da Menotta Domenica DellAntonia“, mãe de Pedro DellAntonia.
Outro importante ponto da época era Fabrica Kowarick, onde hoje fica o Assaí atacadista, ali ao lado da Estação Ferroviária.
Aquele era um tempo de grandes esperanças. Tudo era novo, o futuro estava a ser escrito e se as indústrias começaram a se tornar a principal característica da região. Logo, os operários encontraram no futebol uma das formas preferidas de diversão e a cidade de Santo André via surgir grandes times, entre eles o Primeiro de Maio FC. Para quem se interessar, vale a leitura do livro “História do Futebol em Santo André” (clique aqui e compre na Estante Virtual):
E em 1º de maio de 1923, o Primeiro de Maio FC inaugurava o seu estádio, na Rua Brás Cubas, a poucos passos de onde hoje está a Catedral do Carmo, na época ainda em construção.
Para a inauguração, foi convidado o time do Paulistano, que na época era um baita time e foi muito legal em topar vir inaugurar o Estádio. Podiam ter pego mais leve no campo…. Venceram o jogo por sonoros 5×2. Essa é a foto do dia do jogo, do dois times juntos:
As poucas fotos que consegui resgatar do Estádio da Rua Brás Cubas vem do livro do Ademir Medici e mostram ao fundo um centro de Santo André ainda bem diferente do que conhecemos atualmente.
Poucas casas, no máximo uns sobrados. Os prédios ainda demorariam décadas até chegar a nossa cidade.
No siteMeu Timão (dedicado ao Corinthians) encontrei o registro de um amistoso disputado ali em 1926:
A foto abaixo, de 1939, quando foi disputada uma partida em apoio às vítimas do terremoto no Chile.
Além de ser usado pelo time principal, o campo também era usado em outros momentos pelos sócios do clube.
O Primeiro de Maio FC não só fez história no futebol como viu a história da nossa cidade acabar com a natureza e também com o seu campo. O centro ficou muito “urbano” para conter um estádio, e o futebol acabou deixando de ser uma prioridade para o clube.
Mas a sede do Primeiro de Maio FC segue no centro da cidade, e pelo menos mantém na memória imagens como essas, que nunca…. nunca mais voltarão…
Enfim, num domingo, em 9 de junho de 1940, o Primeiro de Maio FC fez sua estreia no Campeonato Intermediário da Liga de Futebol do Estado de São Paulo, contra o time do Tramway da Cantareira FC (o “Estrada de FerroCantareira“).
O placar foi de festa! 5×2 para o Primeiro de Maio FC, para a festa da torcida, mas… Aquele ficaria marcado como o última ano do time no Estádio da Rua Brás Cubas… 17 anos de história que tiveram que dar lugar à expansão da cidade. Ainda em 1940, em abril, já com a notícia certa da perda da área do estádio, o time recebeu o São Paulo e levou uma goleada de 8×0… Mas para não terminar a história no Estádio da Rua Brás Cubas de forma melancólica, o juvenil do Primeiro de Maio FC recebeu, em outubro, o Juventus da Mooca e deixou um 10×1 de presente. O campeonato daquele ano terminaria seria jogado no Estádio do Corinthians de Santo André.
Para falar do Grêmio Mauaense é preciso contextualizar a cidade de Mauá, outrora um distrito de Santo André chamado “Pilar” (porque ficava no caminho que ligava São Bernardo à Igreja do Pilar, em Ribeirão Pires. E sim, esse caminho fazia parte do lendário Peabiru que chegava até o Perú…).
Embora possua uma grande área de mata Atlântica, a cidade não para de crescer, infelizmente muitas vezes com ocupações irregulares degradando o meio ambiente e a vida das pessoas.
Atualmente, quase 500 mil pessoas vivam na cidade, e um terço da área é ocupado por indústrias, entre elas, importantes players do setor petroquímico, que contribuíram para diversos problemas de saúde na população local (veja aqui matéria sobre isso)…
Além disso, como em outras regiões metropolitanas, tem muita gente vivendo em condições de pobreza e diversos problemas sociais, que contribuiram para que Mauá carregasse uma série de preconceitos e injustiças, como se a cidade e sua população se resumissem a esses problemas.
Na minha visão, tudo isso fez com que a cidade criasse uma identidade própria, que acabou se transformando em cultura principalmente por meio da cena punk.
Vejamos por exemplo, a banda punk/Oi! Garotos Podres que transformou em orgulho a vida no subúrbio…
Em 1988, surge o Subviventes que transformou as noites de domingo de quem vivia no Sônia Maria (praticamente ao lado das chaminés da Petroquímica) em celebração da luta contra tudo isso! O vídeo abaixo é de um show histórico no Bigato’s Bar, ponto de encontro dos punks locais, em especial dos Carniça, a maior gangue punk da nossa região.
Outras bandas nasceram nos anos 90 e ajudaram a manter a chama da rebeldia social e da tentativa de sobreviver com uma identidade própria em meio a todos os problemas da cidade, entre elas, o Senso Crítico, uma das mais que tinha grande potencial musical.
A partir dos anos 2000 a cena punk do Sônia Maria ganha uma nova representante: o 88não! formado pelo Daniel Miranda, ex baterista do Subviventes pra cantar o amor por Mauá e o ódio ao racismo e ao fascismo!
Aqui, o time atual do EC Napoli, do Sonia Maria com o Daniel (baterista do 88Não!) e o Adeilton (ex vocal):
Esse post é uma homenagem a dois “Danieis” (esse seria o plural de Daniel?) que eu nem, sei se se conhecem, mas deveriam… Um é o Daniel Miranda, do 88Não! responsável por dezenas de shows da cena independente de Mauá.
Essa mesma injustiça que eu enxergo na cultura, também existe no futebol local, visto que mesmo tendo nascido cedo, ainda nos tempos do distrito, tem pouco reconhecimento da mídia. O Pilar Futebol Clube foi o primeiro time de Mauá, em 1919.
A foto abaixo é do time de 1922 e foi reproduzida do blog do Daniel Alcarria (clique aqui e conheça).
O Daniel Alcarria é o responsável pelo Almanaque Histórico do Grêmio Esportivo Mauaense. A gente esteve no lançamento do livro (lembre-se aqui como foi). Pra quem quiser adquirir, fale com ele: daniel.alcarria@gmail.com .
Falando sobre o Pilar FC, o time usava o campo próximo da atual Praça 22 de novembro, mas logo passou a usar o campo na região central, próximo aos fornos da olaria dos Perrella, onde fica o Mauá Plaza Shopping, atualmente.
Em 1938, o Pilar FC mudou de nome e passou a chamar Associação Esportiva Mauá.
Olha aí o time:
O distintivo deles evolui para este:
Outro time de Mauá do início do século era o Belo Horizonte FC, do bairro Pavoeiro, do qual muitos jogadores foram convidados para criar o Associação Atlética Industrial, fundado no dia 1º de outubro de 1921.
O time surgiu dentro da Fábrica de louças, chamada de a “Fábrica Grande” (no passado Mauá tinha grande tradição em louças), e desde 1919, já tinham um time de futebol rivalizando com o Pilar FC:
O primeiro jogo de futebol do Industrial foi frente ao Pilar FC, uma vitória de 3 x 0 para a festa na Fábrica Grande, já que o Pilar era considerado o grande time da cidade. O Ademir Medici escreveu um lindo livro sobre o time:
Nos anos 30, o AA Industrial passou a disputar a LEMS (Liga Esportiva Municipal Sambernardense). Aqui, o time de 1934, que bateu o Corinthians de Santo André (campeão naquele ano) por 2×1 e empatou com o Primeiro de Maio por 1×1. O time seria sempre uma pedra no caminho do Galo da Vila Alzira, vencendo também em 1935, por 1×0.:
Depois, o time migra pra Liga de Santo André e no dia 20 de julho de 1941 visita o Ribeirão Pires FC e perde por 2×0, jogando com Kafunga, Afonso e Santana; Cará, Élio e Constantino; Alfredo, Antonio Santos, Osvaldinho, Artemio e Valdir.
Em 1943, o time disputou o Campeonato do Interior pela Federação Paulista, num grupo mais que difícil, onde o Corinthians de Santo André se classificou para a fase seguinte:
Nessa época o Industrial não tinha campo e costumava jogar apenas como visitante, e em alguns momentos utilizando o Estádio Américo Guazzelli emprestado do Corinthians.
Em 1950, o A.A. Industrial seria campeão da Divisão Principal da Liga Santoandreense de Futebol, de forma invicta, com o time abaixo:
Depois viria o tricampeonato da Liga de Santo André em 1955, 1956 e 1957.
Em 1958, nasce a Liga de Mauá e o AA Industrial passa a disputá-la e torna-se o primeiro campeão da Liga.
O time seguiu montando bons esquadrões para disputar os campeonatos no ABC, como esse time de 69:
Em 17 de abril de 1945, nasce um outro time na cidade: o Independente FC, pra apimentar ainda mais a rivalidade que antes ficava entre o Pilar FC e o AA Industrial.
Seu campo fica no Jardim Independência.
Seu primeiro grande título no futebol foi em 1946: Campeão da Segunda Divisão de Santo André.
E em 1950, veio o título de Campeão da Primeira Divisão da Liga de Santo André.
O Independente FC foi também campeão do centenário de 1953:
E essa foto recolorida no começo dos anos 60? Linda não?
Outros times como estes fizeram com que a Liga de Mauá fosse aos poucos se fortalecendo e sendo mais um motivo de orgulho da cidade!
Faltava só a presença de Mauá no profissionalismo, mas os dois times que vimos acima (Independente FC e o AA Industrial) não toparam se profissionalizar.
A oportunidade surgiu em 1981, quando o Presidente da Federação Paulista de Futebol (Nabi Abi Chedid) esteve na cidade para a premiação dos Campeões da Liga Mauaense e na empolgação da festa sugeriu que se criasse um time para jogar a série A3 do Campeonato Paulista, dizendo que se precisasse da Federação, ele ajudaria.
Assim, nasceu o Grêmio Esportivo Mauaense…
A data de 15 de dezembro de 1981 na verdade se deve a uma parceria com o Escolinha FC, um time que já existia na cidade e fez uma parceria com o Grêmio para que pudesse agilizar sua inscrição junto à Federação.
Nesse momento histórico da fundação do Grêmio Mauaense surge mais um cara que merece ser homenageado por este post: o Marrom (de vermelho na foto abaixo)!
Fizemos essa foto com ele na época em que os já falecidos Bellotti e Wilson Cricca, juntamente do Ale Bachega (o primeiro da esquerda, ao lado do Marrom) e eu (com a camisa do Santo André) passamos a entrevistar os jogadores do Santo André em busca de histórias!
Ele esteve presente desde o momento do convite para disputar o profisional e participou da montagem do primeiro time (quase que na totalidade com jogadores da várzea). O primeiro desafio foi representar a cidade de Mauá na Copa João Ramalho de 1981, de onde saíram com o vice campeonato.
A estreia do time oficial foi em um amistoso em 31 de janeiro de 1982, numa derrota de 3×0 para o Suzano Futebol Clube (atual União Suzano Atlético Clube).
Ainda não existia o Estádio Municipal, então a casa do Grêmio Mauaense foi o antigo campo do EC Cerâmica, e pra quem quer saber como era (já que atualmente o Poupatempo Mauá em seu lugar) e Daniel Alcarria nos enviou algumas fotos:
O Campo do Cerâmica serviu de casa para vários times amadores da cidade. Essa foto é do Clube Esportivo União na final de 1981, Marrom, o último a direita, viria a fazer história no futebol local.
O Estádio era conhecido por ter dimensões pequenas (precisou de uma mini reforma para receber a 3a divisão). Aqui, a final do Campeonato da Liga de 1980, com os jogadores do GE Jardim Anchieta comemorando o gol do título.
Dá pra ver que o campo ficava bem encostado na rua, mas mesmo assim, havia espaço para uma arquibancada na lateral, que vivia cheia… Olha aí a Seleção de Mauá campeã da Copa João Ramalho de 1983.
Olha que linda defesa foi fotografada nesse modesto, mas inesquecível estádio!
Assim, o Grêmio Mauaense disputou a série A3 de 1982 a 1984 no Estádio do EC Cerâmica.
O formato do Campeonato era super confuso, agradeço ao Rodolfo Stella pela ajuda na compreensão!
Aí o time daquela época:
Em 1983 disputou mais uma vez a A3 e dessa vez uma fórmula bem louca com 4 turnos envolvendo os mesmos times… Marrom foi técnico e jogador neste ano, e ainda pode ajudar o time trazendo alguns atletas do Santo André pra reforçar o time.
O time que jogou foi esse:
E de 84, existem lindos registros que nos foram passados pelo Daniel Alcarria, do jogo Mauaense x Capivariano 1984. Em 84, o Marrom disputou como atleta a série A3, mas ao final do campeonato passou a supervisionar o futebol no Mauaense e por algumas vezes sendo o treinador.
Essa foto também é daquela época, mas sem conseguir identificar de qual jogo…
Batemos um papo com o Marrom sobre esse momento inicial do Grêmio e ele citou um momento especial: o jogo de estreia do Estádio Municipal “Pedro Benedetti“, em 8 de dezembro de 1984.
O Grêmio Mauaense fez uma partidaça contra o São Paulo Futebol Clube, e ainda que o placar tenha terminado 2×1 pra o tricolor paulista, o Grêmio deixou claro que seria um time duro de bater, em Mauá. Esse jogo detém o recorde de público do Estádio: mais de 15 mil torcedores.
É lindo ver o Estádio Pedro Benedetti lotado!
O Estádio Municipal Pedro Benedetti possui capacidade para 10.590 torcedo e seu nome homenageia o futebolista Pedro Benedetti que jogou no Independente Futebol Clube, Associação Atlética Industrial, Cerâmica Futebol Clube, entre outros times de Mauá.
Olha a imagem do projeto que o Daniel Alcarria enviou pra gente:
E a inauguração do Estádio parece ter dado sorte… Em 1985, chegou o grande momento do time. Após uma primeira fase com apenas uma derrota, o time classificou-se para as finais.
A segunda fase foi um quadrangular com o Paulista de Suzano, Jabaquara de Santos e o Jacareí, e o mais uma vez o time sofreu apenas uma derrota contra o Jabaquara, em Santos!
Veio então um triangular envolvendo a Esportiva de São João da Boa Vista e o Serra Negra EC, e o Mauaense passou invicto!
O grande momento chegou: a final do campeonato contra a equipe do Mirassol e uma vitória em Mauá e um empate em Mirassol garantiram o título e o acesso à série A2.
Olha aí o time campeão:
Assim, em 1986 disputou a série A2 e embora tenha ido muito bem na primeira fase, acabou em último do seu grupo da segunda fase…
Já em 1987, o time não passou da primeira fase, terminando em oitavo lugar…
Assim, o time voltou à série A3, campeonato que disputou de 1988 a 1991. Em 1987, conquistou o título da Copa Diário do Grande ABC.
Em 1992, o time se licenciou, retornando em 1993 na Quarta Divisão (a atual série B / Segunda Divisão). Esse é o time de 1993:
Aqui o time de 1994:
Em 1996, o Grêmio Mauaense foi Vice Campeão Paulista da Antiga Série B1.
Outro time dos anos 90:
Em 2003, o Mauaense conquistou seu último título, da B1.
E assim, desde 2008, o Mauaense disputa a 4ª Divisão, mais conhecida como Paulista da Série B. E pra quem pensou “O Marrom deve ter ficado feliz com o Grêmio Mauaense ter seguido na ativa”, olha ele aí na comissão do time de 2016:
As arquibancadas nunca mais tiveram sua lotação como nos primeiros anos, mas… a torcida segue viva!
Aqui, o time de 2019:
Mas, o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e quando menos se esperava, eis que surge um novo time em Mauá para disputar o profissional e assim, utilizar o Estádio Municipal Pedro Benedetti, trata-se do Mauá FC.
O Mauá Futebol Clube foi fundado em 23 de outubro de 2017 e estreiou na Segunda Divisão do Campeonato Paulista (a série B) em 2018. Aliás estivemos presente em um jogo deles contra a AA Itararé, pra conhecer de perto o novo time do ABC (veja aqui como foi).
Logo no seu primeiro campeonato, conseguiu se classificar para a segunda fase, ficando entre os 16 melhores clubes do estado na divisão disputada e ainda ganhou os dois clássicos contra o Grêmio Mauaense. Será que nasce um novo rival?
Atualmente, quem está por lá cuidando do futebol é…. O Marrom!
Pra fechar, vale lembrar que a Liga Mauaense de Futebol Amador seguiu evoluindo e se tornou a maior do estado de São Paulo com mais de 320 times filiados, 900 partidas por ano com um público total de aproximadamente 50 mil torcedores por ano, é mole?
Mauá é hoje uma baita cidade, e uma das mais apaixonadas por futebol do Brasil. Além disso tem melhorado dia após dia. É muito mais do que você imagina…
O post de hoje é em homenagem ao Ademir Medici, outro apaixonado pela história do Grande ABC que além de escrever uma coluna sobre a memória da região no Diário do Grande ABC, ainda editou vários livros sobre os principais clubes da região, entre eles, o São Caetano Esporte Clube. O livro “Uma história de campeões” foi a principal fonte utilizada hoje.
Outra fonte importante para esse trabalho foi o livro “Os esquecidos“, realizado pelo DataToro / RedBull, com pesquisas de Antonio Ielo, Fernando Martinez, Júlio Diogo e Marcio Javaroni e editado pelo Rodolfo Kussarev.
O São Caetano Esporte Clube nasceu em 1º de Maio de 1914, da fusão do Rio Branco (que alguns dizem EC, enquanto outros FC) e do Clube dos Amigos. Nos seus primeiros anos, participou de vários campeonatos locais e amistosos, inclusive fazendo algumas viagens pra jogar de visitante.
Não encontrei registros fotográficos do primeiro campo do São Caetano EC, mas ele ficava em uma área da família Roveri, antes usada pelo Clube dos Amigos, onde a Fábrica de Louças Adelina se instalaria. O campo não oferecia condições de disputar jogos oficiais e por isso, era comum jogar em campos emprestados. Aqui, algumas imagens da fábrica:
O segundo campo (também não encontrei nenhuma foto, até porque estamos falando das primeiras décadas do século XX) ficava na rua Heloísca Pamplona, e foi usado até 1920, quando o local passou a abrigar o Grupo Escolar Senador Fláquer.
O terceiro campo, conhecido como “O Estádio da Rua 28 de Julho” marcou época.
Possuia arquibancadas em madeira, inclusive uma pequena parte coberta. Ficava no terreno de uma firma de montagem de pontes, e o São Caetano EC pode mandar seus jogos ali por um bom tempo, até que no início dos anos 30, as Indústrias Matarazzo requereram o terreno.
As arquibancadas em madeira, com uma área central coberta e todo cercado, o que dava um charme único! Aqui uma outra foto, também do livro do Ademir Medici!
Aqui dá pra se ter ideia de como era o outro lado do estádio:
Em 1919, o time passa a disputar o Campeonato Municipal organizado pela APSA, que equivale à série A3 do Paulista atualmente.
Jogaria a A3 também em 1920, 1922 (quando chegou à segunda eliminatória, perdendo para a AA Ordem e Progresso), 1923 (também foi até a segunda eliminatória, desta vez perdendo para a AA Estrela de Ouro), 1924 e 1925. Esse, o time de 1926, que só jogou amistosos e torneios locais:
Em 1927, disputa pela primeira vez o Campeonato Paulista do Interior, pela APEA.
Em 1928, por falta de condições de seu estádio, mandou seus jogos pelo Campeonato do Interior em Santo André (no campo do Primeiro de Maio FC) e em São Paulo (no campo do Silex e do Ipiranga), mas isso não impediu o São Caetano Esporte Clube de se tornar Campeão do Interior!
Com o título do Interior de 1928, em 1929 o São Caetano Esporte Clube volta a disputar a série A3 do Campeonato Paulista pela APEA (nessa época, chamada de 2a divisão, ficando abaixo da primeira e da especial).
O Estádio da Rua 28 de Julho passa por uma reforma para poder receber os jogos desta competição e logo de cara, o São Caetano Esporte Clube conquista o vice campeonato.
O campeão de 1929 seria a AA Ordem e Progresso (que havia sido campeão da Divisão Municipal da APEA em 1928).
Olha o time deles, em 1935:
Mas, em 1930 chega a hora da celebração maior! O São Caetano Esporte Clube se torna campeão da série A3 e assim passa a disputar a A2!
O time sofreu uma única derrota no campeonato!
Em 1931, disputou a série A2 e por 3 pontos não saiu campeão.
A partir de 1932, o time passou a adotar o seu distintivo, já que até então, era apenas um uniforme preto e branco.
A série A2 de 1932 foi mais enxuta e perdeu um pouco da força porque a APEA criou dois novos Campeonatos: o do Interior – Divisão Campineira (onde o Guarani foi campeão) e o do Interior – Divisão Santista (a Briosa levou o título). Foram apenas 7 jogos e uma campanha apenas regular.
Em 1933, surge a Federação Paulista de Futebol e com ela, o profissionalismo começa a surgir no futebol paulista.
O São Caetano EC segue no campeonato da APEA, na série A2, que ese ano era dividido em 2 grupos, onde os melhores de cada um fariam a final.
Jogando no grupo “Série 1”, termina empatado em primeiro lugar com o time das Fábricas Orion, mas perde a partida de desempate e assim fica de fora da final.
O Fábricas Orion foi pra final e levantou o título de campeão.
É o time desta fábrica:
Que embora tenha se mudado de endereço, segue dando nome ao prédio, agora abandonado, na esquina das ruas Joaquim Carlos e Behring, no bairro do Belenzinho…
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Orion acolheu muitos imigrantes alemães de origem judaica, que fugiram da Europa por causa de perseguições.
O São Caetano EC ainda disputou vários amistosos nesse ano, dos quais dois merecem destaque: um contra o Primeiro de Maio que terminou em pancadaria (a ponto dos times combinarem não realizar o jogo de volta) e outro contra a Portuguesa, da qual se tem esse registro (a Lusa venceu por 3×2):
Chegamos a 1934, e agora haviam 2 campeonatos, um pela APEA e outro pela Federação Paulista (do qual o CA Fiorentino – que nada mais era do que o Juventus, que se lincenciou das demais competições, momentaneamente- saiu campeão da série A1).
O São Caetano EC fez uma boa campanha e terminou em 3olugar (de novo a AA Ordem e Progresso levou).
Naquele ano, o time disputou um amistoso com o Palestra Itália, no Estádio da rua 28 de julho. Esse foi o time daquele jogo:
Em 1935 é um momento especial para o São Caetano EC: o clube adquire um terreno entre as ruas Paraíba e Major Carlo Del Prete, uma vez que a área do Estadio da Rua 28 de Julho é requerida pelas indústrias Matarazzo. Como o clube não tinha recursos, foi necessário muitas ações e parcerias para a realização desse sonho. Mas estava lançada a pedra fundamental do que seria o “Estádio da Rua Paraíba“.
A outra boa notícia é o convite feito pela APEA para que o São Caetano EC dispute a sua série A1 de 1935. O time termina em 4olugar e ainda vence a Taça Bellard contra outros times da região.
A despedida do velho Estádio da Rua 28 de Julho se faz na partida contra a AA Ordem e Progresso, na primeira rodada do campeonato ( o time joga de visitante praticamente todos os jogos).
Em 1936, dois campeonatos paulistas são disputados: um pela LPF (Liga Paulista de Futebol), do qual o Palmeiras (Palestra Itália, então) sagra-se campeão, jogando contra as equipes mais fortes do estado, como Corinthians, São Paulo, Santos, Juventus entre outros times. O São Caetano EC segue fiel à APEA, que começa a apresentar sinais de decadência e melhora sua performance, alcançando o 3olugar.
O destaque fica para a goleada de 6×1 contra o Ordem e Progresso (até eu já peguei birra desse time de tanto jogo contra ele kkkkk) e para o “derby regional” com o Primeiro de Maio, tendo o São Caetano EC vencido as duas partidas.
Esse foi o time de 1936, que teve que jogar quase todos os jogos como visitantes, uma vez que o Estádio da Rua Paraíba não foi finalizado.
Chegamos a 1937 com uma grande notícia: o Estádio da Rua Paraíba finalmente está pronto, e recebe o nome de Estádio Conde Francisco Matarazzo, sendo inaugurado em 1/5/1937.
Essa é uma foto do dia da inauguração, que contou com um grande festival que teve como ponto principal um jogo entre o São Caetano EC e um selecionado da APEA (4×1 para os donos da casa):
A entrada principal era na Rua Paraíba, onde ficavam as bilheterias além de um escritório para controle das carterinhas dos sócios.
Ao lado esquerdo (onde ficava um dos gols), estava a Rua Margarido Pires (a atual Av Goiás), à direita, a indústria Brasiltex e logo adiante a Rua Baraldi.
Aqui outra foto do livro do Ademir Medici, percebe a distância da torcida ao campo (sim, era só essa singela cerca branca que separava a torcida dos jogadores). Esta arquibancada coberta tinha capacidade para 600 torcedores. Ela dava costas à Rua Major Carlo Del Prete, embaixo delas ficavam os vestiários. Pro lado de trás, havia um portão maior para a entrada dos carros e ônibus dos times visitantes.
Outros dois jogos, nas duas semanas seguintes fizeram parte das festividades de inauguração do novo estádio: uma derrota de 1×0 para o Ipiranga e outra por 3×1 para a Portuguesa.
O São Caetano EC toma outra decisão importante neste ano: afastar-se da APEA e inscrever-se na Liga Paulista de Futebol (que se tornaria a atual Federação Paulista), mas termina 1937 sem disputar nenhum campeonato, assim como 1938, mas rolam festivais e até um campeonato só com times de São Caetano.
Em 1939, a agora “Liga de Futebol do Estado de São Paulo (LFESP)” decide convidar o São Caetano EC a disputar a Divisão Intermediária, equivalente à série A2 do Paulista.
E esse campeonato foi especial para o Grande ABC: 5 times da região participaram: São Caetano EC, Primeiro de Maio, EC São Bernardo, Cerâmica e Corinthians de Santo André) e 4 terminaram nas primeiras posições, tendo o Corinthians de Santo André como campeão!
Aqui, o goleiro Ettore Manilli em ação:
Chega 1940, e vem a grande conquista da Divisão Intermediária – a série A2 da época!
Inacreditavelmente, o time campeão de 1940 não disputa nenhum campeonato em 1941, nem 42 ou 43… Apenas amistosos.
Em 1944, disputou o Campeonato do Interior, mas acabou eliminado pelo Taubaté, em 45 e 46 não passou da fase regional de grupo (quem se classificou em ambas foi o vizinho CA Rhodia, de Santo André) e em 47 também saiu na segunda fase. Esse é o time de 1945:
Em 1948, uma grande novidade: a disputa do campeonato paulista da Segunda Divisão (a série A2) profissional. Joga a série vermelha e termina empatado em número de pontos com o Rio Pardo. Era só empatar o último jogo contra o Ginásio Pinhalense numa partida cheia de histórias….
Como apenas um time iria pra fase final, houve uma partida para desempatar e o Rio Pardo FC venceu, em campo neutro, em Limeira, por 5×3. O São Caetano EC jogou com Zinho; Mosca e Neno; Sérgio, Ninim e Escovinha; Suli, Iube, Andó, Wilson e Enzo. Técnico: Francisco Marinotti.
Em 1949, uma participação mediana, em sétimo lugar.
Duas fotos do time frente ao estádio neste ano:
Em 1950, sagrou-se campeão da sua regional, mas acabou desclassificadoo da segunda fase.
A foto do time campeão da sua série.
Em 1951, mais uma campanha mediana na Segunda Divisão – a série A2 da época- não se classificando para a parte final da competição, o vizinho Corinthians de Santo André classificou-se em primeiro lugar (no jogo em Santo André, deu São Caetano EC 2×1 contra o Galo da Vila Alzira, em 22/7/51):
Em 1952, é anunciado a construção de um novo estádio que servirá não apenas ao time mas à cidade. Analisando a distância eu me pergunto se realmente era necessário, visto que o Estádio Conde Francisco Matarazzo parecia dar conta do recado, mas alguns depoimentos da época dizem que o estádio já era pequeno para as grandes partidas (além de disputar a A2, foi comum a presença de Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e Portuguesa disputando amistosos para casa cheia) e a própria Federação vinha reclamando das acomodações modestas.
O time que entra em campo para a A2 de 1952 é formado por novos rostos, convidados junto à várzea local, o que fez com que o início do campeonato fosse irregular, mas em determinado momento, parece que finalmente deu liga, como se pode notar nos resultados.
Como houve empate entre o São Caetano EC e o Taubaté foi marcado uma partida em local neutro (a Rua Javari) na qual o time do ABC bateu o burro da central por 4×2, com 3 gols do ponteiro Rino.
Infelizmente no chamado “Torneio dos finalistas”, o time perdeu a classificação para o CA Linense, que saiu campeão em cima da Ferroviária.
Time do CA Linense, campeão e que disputaria a série A1 de 1953:
Nessa época, independente da campanha do ano anterior, existia sempre uma expectativa para saber se o time seria convidado para a disputa da segundona e foi com muita alegria que o São Caetano EC confirmou presença em mais um campeonato, ao lado do vizinho Corinthians de Santo André.
Pra se ter ideia do tamanho do interesse, em 1953 é criada a Terceira Divisão (equivalente à A3 atual).
Aqui, o time de 1953:
Mais uma vez, os times são divididos em grupos e a campanha do São Caetano EC é apenas regular:
O ano de 1954 se inicia com as primeiras obras do que ser ia o novo estádio da cidade. Mas o que mexeria com as estruturas do futebol na cidade foi a fusão entre o São Caetano EC e o Comercial FC de São Paulo (que jogava a primeira divisão).
Dessa maneira surge a Associação Atlética São Bento, cujo nome e uniforme eram homenagens ao São Bento, clube paulistano campeão estadual em 1914 e 1925).
Como o Comercial já disputava a primeira divisão, a AA São Bento nasce na A1 de 1954!
Mas, contrariando as expectativas, faz uma campanha bem mediana, correndo até risco de rebaixamento…
Com o time disputando a principal divisão do estado (a série A1), o prefeito Anacleto Campanella se vê na obrigação de agilizar as obras do novo estádio.
Assim, 1955 se inicia de uma forma muito festiva: no dia 2 de janeiro, em um jogo válido ainda pelo campeonato de 1954 (veja na tabela acima) a AA São Bento inaugura o Estádio Anacleto Campanella, vencendo o XV de Piracicaba, por 1×0.
Pra quem nunca foi ao Anacleto, vale lembrar que ele fica num das partes mais elevadas da cidade e ná época não haviam arquibancadas ao seu redor como um todo, por isso, sofria uma grande ação dos ventos e isso rendeu ao estádio o apelido de “O Estádio do Morro dos Ventos Uivantes“.
Em 13 de janeiro, realiza-se uma partida celebrativa para a inauguração do Estádio Anacleto Campanella e o Corinthians é convidado como adversário e vence por 3×2.
E as arquibancadas se entopem de torcedores…
O time disputa toda a série A1 no Estádio Anacleto Campanella, mas nem a fusão nem o novo estádio servem de estímulo para uma campanha considerável no Paulistão de 1955…
O torcedor vê a AA São Bento terminar num modesto 11º lugar…
Os maus resultados estimulam as discussões sobre a real efetividade da fusão entre o São Caetano EC e o Comercial FC e a parceira chega em 1956 bastante questionada. Esse foi o time:
O campeonato de 1956 teve uma regra bem diferente, a primeira fase era um “torneio de classificação, onde todos jogavam contra todos num turno único.
Desse “torneio” o campeonato se dividiu em duas séries: azul (os 10 primeiros colocados) e branco (os 8 demais), sendo que só o azul disputaria o título. A AA São Bento conseguiu se classificar para a série azul, terminando o tal torneio em 6º lugar…
A torcida até que fez o seu papel, olha quanta gente ia apoiar…
Porém, frente aos times mais fortes, os resultados não vieram…
Dessa forma, a AA São Bento terminou a série azul em 1956, em último lugar…
Mesmo tendo se classificado para essa “série azul”, o fim do campeonato de 1956 gerou ainda mais barulho, principalmente entre os torcedores de São Caetano. Imagina a pressão na cabeça dos dirigentes, que tinham certeza que a fusão criaria um novo “time grande” para o estado. Dessa forma, o campeonato de 1957 se inicia com os nervos a flor da pele.
Mais uma vez tivemos o “Torneio de Classificação”, para dividir os times em dois grupos.
E pra piorar as condições, o time não consegue se classificar na série azul…
A AA São Bento acabou disputando a série branca, que não concorria ao título do Campeonato Paulista, apenas esse título “simbólico” da série branca, que sequer foi conquistado… O time acabou no 3º lugar…
Os resultados decepcionantes fizeram com que o projeto da fusão fosse ao chão… Dia 18 de dezembro de 1957, o conselho do clube se reúne e oficializa o fim da AA São Bento.
O São Caetano EC e o Comercial FC estão de volta, o time do ABC fica com o estádio, o da capital com a maioria dos jogadores. Ambos com dívidas e desconfiança quanto ao futuro.
Pra piorar o São Caetano EC não consegue o direito de seguir jogando a série A1 do Paulista e ainda tem que fazer muito trabalho de bastidor para conseguir sua inscrição na cada vez mais disputada segundona – série A2.
O campeonato dividiu os times em 4 grupos, e o São Caetano EC ficou no Azul, mas sequer se classificou para a segunda fase. Esse é o time de 1958
Em 1959, novamente na A2 e mais uma vez, uma campanha fraca, não se classificando em seu grupo, o “João Havalange”, onde ficou em quinto lugar.
Em 1960, o São Caetano EC fecha definitivamente suas portas para o futebol profissional e passa a se dedicar apenas ao clube social. Uma pena para a cidade, principalmente pra quem vive na região central que foi quem mais se apegou ao time.
Vale destacar outro time que fez história: o Cerâmica FC, fundado em 13 de maio de 1925 por operários da “Cerâmica Privilegiada” famosa pela produção de ladrilhos, telhas e tijolos refratários. O Cerâmica chegou a disputar a Divisão Intermediária da LFESP em 1939.
Time de 1954:
Como sabemos, a cidade ainda veria surgir novos times que chegariam ao profissional, como a TransAuto, o SAAD, a AD São Caetano
Esse post é uma homenagem a dois grandes nomes do futebol de Santo André. O primeiro é o amigo de arquibancada “Seo” Nelson Cerchiari, figura importante na história do Corinthians e até hoje acompanha o futebol local, em especial o nosso Ramalhão.
Pra se ter ideia, a foto abaixo é lá de Mirassol (pertinho…) onde ele esteve acompanhando o tetra campeonato da A2 em 2016.
A segunda homenagem, infelizmente é póstuma. Trata-se de Paschoalino Assumpção, um cara com uma mente a frente do seu tempo, que soube colecionar dados e anotações, que acabaram virando 2 livros incríveis, que serviram de base para a pesquisa de hoje.
O mascote e apelido do time e que dé também nome a um dos livros do Paschoalino é “Galo Preto da Vila Alzira“:
O time é um verdadeiro marco da história do futebol do ABC, assim como o mitológico Estádio Américo Guazzelli.
O nome da equipe de Santo André não é em referência ao homônimo paulistano, mas ao original, o Corinthian Football Club, time inglês que excursionou pelo Brasil há mais de 100 anos atrás.
Assim, em 15 de agosto de 1912, nasceu o Corinthians Foot-Ball Club de São Bernardo.
Isso porque até 1938 toda a região do ABC era chamada de São Bernardo do Campo.
A evolução do distintivo do time é um verdadeiro registro histórico do Grande ABC. Com a emancipação de Santo André, o time passa a se chamar Corinthians Futebol Clube de Santo André, também conhecido carinhosamente como o “Corinthinha“.
A história do Corinthians se escreveu em paralelo à do futebol paulista, numa época em que as ligas do municipais organizavam campeonatos disputadíssimos, com outros fortes times da região, como o Primeiro de Maio FC, (seu grande rival), o Ribeirão Pires FC, o São Caetano EC, o Pilar (de Mauá), o Palestra, o Meninos e o EC São Bernardo entre outros times classistas como a Pirelli, Volkswagen ou o Clube Atlético Rhodia, dono do esquadrão abaixo, de 1948:
Segundo o livro “O galo preto da vila Alzira“, o Corintians começou mandando seus jogos em campos de outros times, primeiro em um que ficava bem no centro, entre as ruas Senador Fláquer, Gertrudes de Lima e a Abílio Soares, somente em 14 de agosto de 1925 adquiriram a área onde seria construído o seu campo, na Vila Alzira, perto do Ipiranguinha. Aliás, olha como era o bairro, antigamente:
Existem poucas imagens que registram o estádio Américo Guazzelli do começo do século XX. As que existem são essas fotografias granuladas, com pouca resolução e sem imaginar o tamanho da história que seria escrita nesse gramado.
Mas o que sobra dessa época são lembranças, histórias e títulos. Olha essa foto do time de 1921 (escrevo esse post em 2020, ou seja… a um ano do centenário dessa foto!!)
Em 1921, esse time foi campeão paulista pela FPD, ficando com a Taça Guaraná Espumante formada por times descontentes com a APSA, na época. Participaram também da competição: Antártica FC, AA Barra Funda, AA Estrela de Ouro, EC Jundiahyense, Federação Espanhola FC, Itália FC, Ruggerone FC, União Artística R. Cambucy, União Brasil FC, União Fluminense FC (um dos que provocaram a revolta e a criação do campeonato paralelo), União Lapa FC, Vila Clementino FC.
Em 1923, o CoritnhiansFC disputou a Zona São Paulo Railway do torneio do Interior e acabou em 3º lugar. (Paulista de Jundiaí liderou seguido pelo Coritnhians Jundihayense, e depois Atibaiense e o Brasil de Santo André).
Em 1925, mais uma vez disputa o torneio do interior ao lado da Ponte Preta, Guarani, D’alva (Campinas) e do Paulista de Jundiaí, ficando novamente em 3º, atrás do Paulista e da Ponte Preta.
Em 1927, o futebol paulista passa por uma divisão em duas entidades: a APEA (Associação Paulista dos Esportes Atléticos, originalmente APSA – Associação Paulista de Sports Athleticos) e a LAF (Liga dos Amadores de Foot-ball), com isso, o Corinthians recebeu uma vaga para jogar a primeira divisão (que teve o Palmeiras – Palestra Itália, até então como campeão) e fez com que o time abandonasse o Campeonato do Interior da APEA:
Em 1928, o time buscou fortalecer-se realizando uma fusão com o maior rival, o Primeiro de Maio FC, dando origem ao Clube Atlético São Bernardo. Olha o time no seu jogo de estreia (6×1 contra a Portuguesa Santista):
Com este nome eles disputaram a “A2” da APEA naquele ano e obtiveram bons resultados e terminando em 3o lugar, mas aparentemente a parceria não deu certo e eles perdendo o último jogo contra a Alpargatas de WO.
Aqui, o time rival: o Primeiro de Maio FC jogando como visitante no Estádio do Corinthians FC, olha o público que comparecia!!
Em 1932, o time disputa a Segunda Divisão (o quarto nível do estadual). Aqui, o time de 1938:
Aqui, o time já em 1939 que seria reconhecido pelo título da “Divisão Intermediária“, o equivalente à série A2 do futebol paulista.
Esse foi o time responsável pela conquista:
Em 1940, novamente disputa a “intermediária”, mas termina na sexta colocação.
Em 1943, voltou a disputar o Campeonato do Interior, pela 16ª região, ao lado da AA Juqueri, CA Paulista, União Tietê FC, AA Industrial, Ribeirão Pires FC, EC São Bernardo, Palestra de SBC, São Caetano EC, Primeiro de Maio FC, CA Piratininga e do CA Democrata. Classificou-se para a segunda fase, onde parou no time do Enguaguaçu (2×2 fora de cas ae derrota de 2×1 em casa).
Em 1947, ganhou o título da Copa Inter-Corinthians.
Na sequência, o time disputou mais 8 edições da sérieA2 do Campeonato Paulista. Primeiro de 1949 a 1953, onde chegou a ser campeão da zona sul em 1951, com o time abaixo:
Em 1952, o estádio recebe melhorias e visando aumentar o público e consequentemente as rendas dos jogos do campeonato da segunda divisão foi construído um lance de Gerais e a inauguração se deu no dia 27 de julho com o amistoso contra o Palmeiras da capital. Esta, do lado da rua Cel Seabra.
E estas do lado da rua Manaus. e o Corinthians ganhou por 2 a 0, como mostra o outro livro de Paschoalino Assumpção “História do futebol em Santo André”.
Em 52, ainda empatou na Vila Belmiro contra o Santos FC.
No dia 14 de dezembro de 1953 a assembleia aprovou a denominação de Estádio Américo Guazelli em homenagem ao seu ex-presidente.
Muita gente fala sobre as “cadeiras cobertas” e eu encontrei algumas fotos bacanas que as retratam, uma do livro “Industrial de Mauá”, e é o registro de 1966, no torneio de saudade:
A outra foi postada pelo Ozires, na fanpage “Casa Branca FC“, onde ele sempre publica fotos de times do ABC. É, curiosamente, o time do Palmeirinhas no campo do Corinthians…
A terceira foi enviada pelo Ovídio (torcedor fanático do Ramalhão e que acompanhou a época de ouro desse estádio).
E essa de quando o Humaitá (time amador de Santo André) jogou por lá!
Aqui, o time do “Vila Húngara” presente no tradicional Estádio:
Outro fato que ajudou o Corinthians a ser reconhecido mundialmente no universo do futebol é que no dia 7 de setembro de 1956, o time recebeu no Estádio Américo Guazzelli o Santos FC e entre os jogadores visitantes estava um de apelido “Gasolina”, que entrou e marcou seu primeiro gol. Aquele que logo se tornaria um dos maiores jogadores do mundo: Pelé. E lembram no seo Cerchiari, lá do começo do post? Pois foi ele quem anotou o gol na súmula!
O goleiro do Corinthians era Zaluar, que ficou conhecido localmente por se apresentar com o título “Goleiro que levou o primeiro gol de Pelé”.
Olha ele aí no gol do Américo Guazzelli:
Aqui, uma visão aérea do Estádio Américo Guazzelli, em1958:
O Corinthinha disputou ainda 3 campeonatos da A2, em 1955, 56 e 1970.
Desta época, o livro do Paschoalino traz uma linda imagem do time de 1958:
Jogou também a série A3 do Campeonato Paulista em 1957 e 1961, retornando ao amadorismo em 62, com o time abaixo:
Aqui, o time de 1965:
E esse o time de 1970, com vários jogadores do Santo André FC (que decidiu não disputar o campeonato aquele ano abrindo a vaga para o CorinthiansFC) entre eles o goleiro Carlão, que arrumou a foto:
Falando sobre outros times que mandaram seus jogos lá, em 1957, o CA Ypiranga apresentou a proposta de uma fusão para juntos disputarem a série A1. Embora a fusão não tenha dado certo (muito devido à pressão da imprensa e torcida local), o Ypiranga mandou seus jogos no Estádio Américo Guazzelli.
Essa foto acima e esta abaixo são da preparação do estádio para uma partida do CA Ypiranga contra o Corinthians da capital e quem as encontrou em uma Gazeta Esportiva de 1958, foi o Doug (Daniel Andrade) um aficcionado por fotos e imagens antigas.
Olha o Schank (que jogou no próprio Corinthians de Santo André) jogando pelo Ipiranga no Américo Guazzelli:
O Corinthians conseguiu enfrentar os 4 grandes de São Paulo no Estádio Américo Guazelli, além do Botafogo, CA Ypiranga, Ponte Preta, Portuguesa e o que se via era um estádio sempre cheio!
Em 1967, foi a vez do time Irmãos Romanos mandarem seus jogos no campo do Corinthians.
Outro que fez do estádio sua casa foi o Santo AndréFC.
O primeiro jogo oficial do clube ocorreu na comemoração do aniversário da cidade (8 de abril) de 1968, em um amistoso contra o Santos.
E aqui, eu homenageio outro grande pesquisador do futebol de Santo André, Marcelo Bellotti, já falecido, que conseguiu as cópias das fotos do Diário do Grande ABC, desta partida.
Outra partida inesquecível do Canarinho (na época era este o apelido do Santo AndréFC, por conta do seu uniforme amarelo) foi um amistoso contra a seleção do Congo:
A foto abaixo foi “recolorida” pelo amigo torcedor Roberto:
Aqui, outra formação:
No início dos anos 2000, quem aparece como presidente do Corinthians tentando resgatar o futebol do clube e levá-lo novamente ao profissionalismo? Nelson Cerchiari!!! Ele sonhava em disputar a série B3 do Paulista, com o departamento de futebol profissional tercerizado, mas acabou não dando certo.
Atualmente o Corinthias segue no mesmo endereço: Rua 7 de setembro, 248 – Vila Alzira.
Como o mundo dá voltas, décadas depois do primeiro gol do Pelé, agora o estádio possui uma escolinha do Santos.
Mas seu estádio não é o mesmo. Já não possui suas arquibancadas, nem o belo campo onde fez história, mas ainda existe um campo!
Depois de muitas ofertas e negativas a pressão imobiliária venceu e parte do que fora o campo (o local em que Pelé marcou seu primeiro gol) se transformou em um empreendimento imobiliário. Outra parte permitiu ao clube social crescer e manter-se vivo e ativo.
O futuro deste time centenário, que vivenciou todas as transformações da nossa cidade nos últimos 108 anos? Não sei. Vamos aguardar e ver quais surpresas aguardam o Corinthians de Santo André! Pra terminar uma foto especial com o amigo Mário, outro apaixonado pelo futebol e que me salvou com algumas foto antigas que fizemos em uma visita ao Corinthinha em 2019!