O futebol em Tremembé!

Tremembé é uma cidade que sempre chamou minha atenção, embora eu não tenha nenhuma grande memória com o futebol local, mesmo sabendo, agora, de sua tradição.

Clube Atlético Tremembé - Tremembé-SP

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Localizada na região Metropolitana do Vale do Paraíba, Tremembé é a casa de quase 40 mil pessoas. Seu nome é de origem tupi: “Tirime’mbé”, que entre outros significados pode ser compreendido como “Escoar Molemente”, uma ligação com os vários rios e riachos presentes em seu território, com destaque para o Rio Paraíba. Rio Paraíba Em 1877, a ferrovia chegou à região e a estação de Tremembé foi inaugurada em 1914, mas, teve vida curta… A linha entre Pindamonhangaba e Taubaté foi desativada em 1951, eliminando a estação de Tremembé, restando à população local a nova estação de Engenheiro Cotrim que ficava fora da cidade. Em 1970, o prefeito tentou derrubar a estação abandonada para construir o paço municipal, porém o povo não deixou e o prédio continuou ali, até hoje.

Estação de trem - Tremembé

Estação de trem - Tremembé

O futebol na cidade tem uma série de times que fizeram (e fazem) a alegria dos tremembeenses, mas dois times representam verdadeiros patrimônios para o futebol. Um deles é o Clube Atlético Tremembé, o “CAT”!

CA Tremembé
Fundado em 18 de julho de 1921, o CA Tremembé brilhou nas disputas municipais e regionais. Esse é um dos primeiros times da história do clube:

Clube Atlético Tremembé 1921

O CA Tremembé fez história ao disputar o Campeonato do Interior de 1942, no grupo da 24ª Região, que teve o EC Taubaté como campeão.

Campeonato do interior 1942

Vale reforçar que em 1942, o Maristela FC, também de Tremembé, participou do Campeonato do Interior. (Distintivo refeito por Victor Nadal):
Maristela FC - Tremembé
Em 1943, o CA Tremembé jogou mais uma vez o Campeonato do Interior, e novamente teve o EC Taubaté como campeão do grupo.

Campeonato do Interior 1943

Em 1944, novamente disputou a 24ª Região, com novas equipes, mas novamente com o EC Taubaté campeão.

Campeonato do Interior 1944

O CA Tremembé também participou do campeonato de 45 e mais uma vez teve o EC Taubaté campeão!

Campeonato do Interior de 1945

Em 1946, o time não disputou o Campeonato do Interior, voltando apenas em 1947, quando disputou o Setor 2 da Zona 1, tendo como campeão a AE Guaratinguetá.

Campeonato do Interior 1947

Pra quem gosta de boas imagens do passado, a Fanpage “Tremembé das antigas”  disponibiliza uma série de fotos da cidade e também do time do CA Tremembé, como essa, justamente de 1947:

CA Tremembé 1947

A mesma fanpage ainda disponibiliza (sem a menção à data) outras fotos lindas, do time.

CA Tremembé

CA Tremembé - Tremembé-SP

CA Tremembé - Tremembé-SP

E uma imagem de 1955, mostra que o futebol sabe ser “gente boa” quando quer 🙂

CA Tremembé - Tremembé-SP

O CA Tremembé mandou e manda seus jogos no Estádio Amèrico Texeira Pombo, a “Arena Atlético Tremembé”!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Como a pandemia tirou o futebol do dia a dia, o estádio acabou um pouquinho descuidado, mas vale mostrar como eraa faixa antes desse período:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Clube Atlético TRemembé

O Estádio fica no meio da cidade, na Rua André Geraldo da Silva e além da entrada mostrada nas fotos acima, também tem esse portão com o distintivo do clube.

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

O pequeno portão dá entrada a um mundo mágico, mas a pandemia parece nos impedir de conhecê-lo internamente…

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

A menos que… A vizinhança dê uma força para conhecer a “Arena Atlético” por dentro de seus muros.

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé Sem dúvida que a parte mais charmosa e que parece transparecer muita história é a arquibancada coberta!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

A mensagem na arquibancada é clara: “Aqui é Atlético!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Várias árvores ao redor das arquibancadas dão uma cara ainda mais legal pro campo e pra arquibancada.

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Esse é o gol da entrada:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Ainda existe uma estrutura bem bacana de bar, vestiário e tudo o que precisa para seguir levando o futebol amador!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Esse é o gol do fundo, com vários eucaliptos dando uma refrescada pro goleiro:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Tem até uma área para a imprensa:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

E aqui dá pra ver como o estádio é literalmente “colado” às casas da vizinhança:

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

Mas… Algumas pessoas do futebol local dizem que o Estádio Américo Texeira Pombo também teria participado do futebol profissional, graças a uma participação especial do segundo time da cidade na 3a divisão de 1957. Trata-se do CREIX!

CREIX - Tremembé Esse é o distintivo mais difundido, mas as fotos mostram que o distintivo usado pelo time era outro: CREIX O Clube Recreativo e Esportivo da Indústria do Xisto foi um clube de vida efêmera na cidade de Tremembé, que nasceu para servir aos operários locais. CREIX - Tremembé O time foi fundada em 1956 e disputou a série A3 de 1957. CREIX Tremembé Segundo nos contaram, embora o CREIX tivesse um campo de futebol, onde atualmente fica localizado o Fórum de Tremembé, eles teriam disputado algumas partidas da A3 de 57 em cidades vizinhas, como comprova a nota da Gazeta Esportiva que o amigo Ivan Gotardo localizou… CREIX E aqui, o amigo e pesquisador do futebol de Taubaté, Moacir (autor do blog https://moataubate.com) me enviou uma matéria sobre o jogo entre o CREIX e a Ferroviária de Pindamonhangaba comprovando que o campo do CA Tremembé foi também a casa do time na série A3 de 1957! CREIX x Ferroviária de Pindamonhangaba Então… voltemos a olhar o  Estádio Amèrico Texeira Pombo, agora dando lhe os devidos créditos de ter recebido jogos da série A3!!

Esse foi o time que disputou a A3 em 1957: CREIX No ano seguinte, o CREIX voltou a disputar amistosos, como em 13/04/1958, quando venceu o Instituto de Reeducação por 3×0 (informação do incrível site História do Futebol.) Jogador do Creix A fanpage “Tremembé das antigas” guarda outras fotos do time do CREIX, sem identificação da data: CREIX - Tremembé CREIX Tremembé Aqui uma foto da viagem do time do CREIX para Piquete: CREIX Tremembé Mais uma cidade com bastante história no futebol paulista que segue se mantendo no amadorismo mas que sem dúvida poderia voltar a se arriscar no profissional!

Estádio Américo Teixeira Pombo - Clube Atlético de Tremembé

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A A.A. Ferroviária e o futebol em Pindamonhangaba

Pindamonhangaba

Feriado de 12 de outubro de 2020.

Finalmente a chance de poder registrar um dos estádios mais legais do lado leste do estado de São Paulo: o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Junior!

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Junior - Pindamonhangaba

Se você não ligou o nome ao local, o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior é a casa da Associação Atlética Ferroviária de Pindamonhangaba!

AA Ferroviária de Pindamonhangaba

Antes de falarmos sobre o futebol, vale informar que a cidade de Pindamonhangaba está situada na Região Metropolitana do Vale do Paraíba, às margens do Km 99 da Rodovia Presidente Dutra (passou da hora de propor um novo nome pra essa estrada hein?), há pouco mais de 140 km da capital paulista.

Pindamonhangaba

O nome da cidade vem do tupi e significa “lugar onde se fazem anzóis” e serve de casa para  aproximadamente 170 mil pessoas.

Os registros de ocupação de Pindamonhangaba datam de 1643, mas oficializou-se 10 de julho de 1705 (dia de sua emancipação) como a data oficial da fundação da cidade.

A grande revolução começou em 18 de janeiro de 1877 quando foi inaugurada a Estrada de Ferro São Paulo – Rio de Janeiro, e em julho do mesmo ano, o trecho da estrada entre São Paulo e Cachoeira passou a funcionar.

Ferrovia - Pindamonhangaba

Em 1890, com a Proclamação da República, a estrada de ferro seria encampada pelo governo federal, passando, no ano seguinte, a denominar-se Estrada de Ferro Central do Brasil e logo a cidade ganhou sua própria estação, que permanece por lá…

Estação ferroviária de Pindamonhangaba

A cidade conseguiu aproveitar o ciclo do café no Brasil, transformando a cidade em um grande centro cafeeiro. Mas… com o fim da escravidão, não houve como sustentar a produção e a cultura cafeeira de Pindamonhangaba passa a diminuir até sumir em 1920, trazendo um momento de estagnação econômica. A arquitetura da época permanece por lá…

Pindamonhangaba
Pindamonhangaba
Pindamonhangaba

E foi da ferrovia que, em 12 de abril de 1930, surgiu o único time da cidade a disputar o Campeonato Paulista de Profissionais, com a união dos funcionários das ferrovias Campos do Jordão e Central do Brasil que passaram a jogar futebol nos cantos do terreno da Vila Nair (atual sede do INSS), como uma forma de lazer. Ali seria o primeiro campo da Ferroviária.

Alguns de seus distintivos na história:

AA Ferroviária de Pindamonhangaba

O time estreiou em competições oficiais (ainda que na época não fosse considerado “profissional”) disputando o Campeonato da Divisão do Interior da FPF em 1934, e teve a Ferroviária como campeã do grupo que contava com a AA Aparecidense, o Cachoeira FC, o Commercial FC, também de Pindamonhangaba, o Cruzeiro FC e o Teciguará FC.

Com o título, a Ferroviária obteve o direito de disputar o Campeonato Estadual da FPF, que nada mais era do que um mata mata contra o campeão da FPF, que naquele ano fora o CA Fiorentino (que nada mais era do que o Juventus).

Foram dois jogos, sendo a decisão na Rua Javari:

Campeonato Estadual FPF 1934

Em 1935 foi comprado um terreno ao lado das oficinas da “Estradinha” onde foi construído o novo estádio.

Em 1942, mais uma participação no Campeonato Paulista do Interior e a Ferroviária sagra-se campeã da 9a região!

Campeonato do inteiro - 1942

No mata mata, a Ferroviária acabou desclassificada ao perder por 5×3 pro Taubaté, fora de casa.

Em 1943, não conseguiu classificar-se às eliminatórias, jogando novamente a 9a região ao lado de:

Campeonato do Interior 1943

Em 1943, houve a estreia de 2 outros times de Pindamonhangaba, o Commercial Mombaça FC e o Curupatuba FC:

Commercial de Pindamonhangaba

Em 1944, mais uma vez disputa o Campeonato do Interior, e o título do grupo dessa vez vai pro Cruzeiro:

Campeonato do Interior 1944

Mais uma vez um time de Pindamonhangaba fez sua estreia no campeonato: o São Paulo FC!

São Paulo FC de Pindamonhangaba

Aqui, o time de 1951, que usava o distintivo original, bem próximo do tricolor da capital:

São Paulo FC de Pindamonhangaba de 1951

Em 1945, foi a vez do Frigorífico de Cruzeiro ser campeão da 9a região:

Campeonato do interior 1945

Ainda em 1945, uma retificação dos trilhos da Estrada de Ferro acabou passando exatamente no campo da Ferroviária, o que parecia ser o fim do time… Tanto que em 1946 nem disputou o Campeonato, apenas em 1947, o setor 2 da zona 1:

Campeonato do interior 1947

Destaque para mais um time de Pindamonhangaba que participou dessa edição do Campeonato do Interior: a AE Industrial!

Associação Esportiva Industrial de Pindamonhangaba

O time ainda seria campeão do Campeonato do Interior em 71 e 74.

Campeonato do Interior 1971 - AE Industrial de Pindamonhangaba campeão
Campeonato do Interior 1974

Aqui, o time no amador de 1983 (já usando o novo distintivo):

Associação Esportiva Industrial de Pindamonhangaba
AE Industrial 1983

A própria Central do Brasil ajudou o time a se reerguer e a Associação Atlética Ferroviária seguiu na disputava de torneios, amistosos e campeonatos amadores da cidade em seu campo novo, o atual Estádio, construído por meio de uma campanha popular.

AA Ferroviária de Pindamonhangaba
Ferroviária de Pindamonhangaba

O Estádio Dr. Pinheiro Júnior foi inaugurado oficialmente, em 1948, e alguns anos depois, a A.A. Ferroviária decide disputar o futebol profissional, e a partir de 1953, o time passa a jogar a Série A3 do Campeonato Paulista até 1957.

Esse foi o time que jogou a A3 de 1956:

Feroviária de Pindamonhangaba
Campeonato Paulista - Série A2 - 1958

Em 1958, o time jogou a série A2, mas fez uma campanha bem irregular, terminando em último no grupo azul.

Campeonato Paulista - Série A2 -1958

Em 1959, mais uma disputa do segundo nível do futebol profissional paulista, uma campanha um pouco melhor, mas ainda sem se classificar. Pra piorar, houve uma reformulação no estadual, o que provocou o rebaixamento da Ferroviária à série A3 novamente.

Campeonato Paulista - Série A2 - 1959
Campeonato Paulista - Série A2 - 1959

Esse foi o time que jogou a A2 de 1959:

AA Ferroviária 1959

Em 1960, voltou a jogar a A3, e esse foi o time daquele ano:

AA Ferroviária - 1960

Em 1961, faz sua última participação no futebol profissional, pela série A3. Algumas das partidas:

Campeonato Paulista Série A3 - 1961
Campeonato Paulista Série A3 1961

O clube estava enfrentando grandes dificuldades financeiras para se manter, e como o futebol exigia gastos que não estavam sendo recompensados com resultados mais expressivos, a diretoria encerrou as atividades do futebol profissional em 1962. Mas o time seguiu nas disputas amadoras, como esse time de 1970:

Pindamonhangaba ainda veria o Corinthians local, fundado em 1930, sagrar-se bicampeão do Campeonato do Interior (agora já sob o nome de “Amador do Estado”) em 1981 e 1982.

Coritnhians de Pindamonhangaba

Aqui, o poster do título de 81:

Corinthians FC de Pindamonhangaba 1981

E aqui, o time de 82:

Corinthians de Pindamonhangaba 1982

Essa é a entrada do seu campo, o “Estádio do Cardosão“:

Estádio do Cardosão - Corinthinas Pindamonhangaba

Pra saber mais sobre o futebol de Pindamonhangaba, não deixe de acessar o incrível trabalho do pessoal do “PindaFuteboldoPassado“.

Entretanto o clube segue de pé, tanto com sua belíssima sede social, quanto com o Estádio Dr. Antonio Pinheiro Junior.

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Ele fica localizado na rua Dra. Isaura e de Tolêdo Silva, 45.

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba
Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba
Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Mais uma bilheteria para a nossa coleção!

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

E graças a ajuda do pessoal do clube, em especial o Anderson e o Zé Carlos, foi possível conhecer o estádio por dentro.

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Agradecimentos também para o Leandro Matos (Presidente da Diretoria Executiva) e
Júlio César Piorino (Vice-Presidente da Diretoria), por permitir a visita. Então, vamos lá?

Olha que bonita essa foto aérea do Portal R3:

AA Ferroviária de Pindamonhangaba

O nome do Estádio é homenagem ao médico Dr. Pinheiro Júnior, o “Dr Tinoco”, que foi um dos entusiastas na campanha pela construção do estádio, além de atender a muitos dos trabalhadores da ferrovia.

 Ferroviária Pindamonhangaba

E nós, em pleno 2020, 90 anos depois da fundação do time… Estamos aí!

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

O Estádio tem capacidade para cerca de 3 mil torcedores.

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

O campo segue muito bem cuidado, afinal o time ainda disputa competições amadoras. O gramado está muito bom!

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Os bancos de reserva levam a gente numa volta ao passado!

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Possui ainda arquibancadas cobertas em toda a lateral do campo:

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba
Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba
Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Pra quem está nesta arquibancada, esse é o gol do lado esquerdo:

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Aqui, o meio campo:

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

E esse o gol do lado direito:

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

E o que dizer do placar que já registrou tantos gols ?

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Ao fundo, a cidade de Pindamonhangaba não fica parada e começa a se verticalizar.

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba
Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Até um setor para a imprensa existe ali no meio das arquibancadas!

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Mais do que uma pintura qualquer na parede, a força desse distintivo faz a gente sonhar com a volta do time e da cidade às competições da Federação…

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

Um último olhar antes de nos despedirmos de mais um templo do futebol do interior paulista!

Estádio Dr. Antonio Pinheiro Júnior - Ferroviária de Pindamonhangaba

E lá vamos nós, de volta à estrada… Antes, vale relembrar o time tri-campeão amador!

AA Ferroviária de Pindamonhangaba

Para os dados desse post utilizei basicamente o livro “Os esquecidos – Arquivo de Futebol Paulista” e o “História da 2ª Divisão no Futebol Paulista” do Julio Bovi Diogo e Rodolfo Pedro Stella Jr.

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O futebol em Rafard

Brasão de Rafard

26 de setembro de 2020.

Hora de conversarmos sobre Rafard, a cidade fundada em 1883 pelo bigodudo Júlio Henrique Raffard, de onde surgiu o seu nome.

Júlio Henrique Raffard

Assim como vários municípios brasileiros, a história de Rafard está diretamente ligada à cana de açúcar, graças ao engenho da Usina Sociéte de Sucréries Brésillenes, uma sociedade anônima que pertencia a alguns franceses e empregava quase 1700 pessoas (dos quais cerca de 1200 eram estrangeiros).

Société BrésilienneSucrerie

O povoado passou a ser chamado de “Villa do Henrique Raffard” e logo “Villa Raffard”.

Com a vila ganhando importância, passou a ser um Distrito de Capivari e em 1964 conseguiram a emancipação, tornando-se o atual município de Rafard, onde hoje vivem quase 10 mil pessoas.

A cidade fica na região da Grande Campinas, próxima também de Piracicaba e de acesso tanto via Rodovia Castelo Branco, quanto pelo sistema Anhanguera / Bandeirantes.

Rafard ainda tem grande dependência da Usina Raifard (que agora pertence à Raízen).

Estádio Usina Rafard

Passamos por ali no mesmo dia em que visitamos Salto pra registrar o Estádio da AA Avenida.

Rafard

O açúcar fez a cidade crescer e trouxe a estrada de feroo até Rafard, com a linha que ligava Itaici a Piracicab. O transporte de passageiros acabou em 1976 e os trens de carga continuaram trafegando até meados dos anos 1980. Por volta de 1990, os trilhos, já abandonados, foram retirados pela agora FEPASA.

A estação de Villa Rafard, inaugurada em 1884 para atender à Usina Rafard, ligando também dois ramais ferroviários de usinas locais.

Ainda existe uma lembrança da Estação Sorocabana com um trem da época gloriosa…

Estação Sorocabana Rafard

O futebol local movimentava a cidade e a região com vários times, entre eles, o Elite FC, fundado em 1928:

Elite FC - Rafard

Não encontrei muitas informações sobre o time, apenas algumas fotos, como essa de 1928, do ano de fundação do time:

Elite FC 1928

Aqui, o time de 1937:

Elite FC de Rafard - 1937

Aqui, o de 1942, que disputou a 15ª Região (a Piracicabana) do Campeonato Paulista do interior daquele ano, ao lado de outros 39 times:

Elite FC 1942

Outro time que disputou o Campeonato do Interior de 1942 foi o União Agrícola F.C. (Saltinho) formado nas fazendas do Engenho.

União Agrícola FC (Rafard)

Existia ainda o União Rafardense Futebol Clube.

União Rafardense Futebol Clube

Da união do Elite FC com o União Rafardense FC, em 8 de dezembro de 1943, para o desgosto dos mais radicais, que curtiam a rivalidade do derbi, surgia o Rafard Clube Atlético, o RCA!

Rafard Clube Atlético

O time deu sequência à tradição da cidade e disputou o Campeonato Paulista do Interior, em 1946.

Além do campeonato do interior, o “RCA“, o time teve a ajuda da Usina e se profissionalizou-se em 1954, disputando a Série A3 do Campeonato Paulista em 1954 e 1959.

O Rafard CA  mandava seus jogos no Estádio Usina, que ficava praticamente dentro da Usina Rafard e era inteiro murado, possuia alambrados entre a torcida e o campo, e a partir de 1956, passou a ser iluminado:

Iluminado o Estádio Usina Rafard

Encontrei algumas matérias falando sobre amistosos, como o de Maio de 1956, contra os cariocas do Olaria AC:

Rafard 0x9 Olaria

Outro carioca que “aterrissou” na estaçao ferrroviária da Vila Rafard foi o São Cristóvão:

Rafard x São Cristóvão

Em 1956, mais uma vez participou do Campeonato Amador do Interior, pelo Setor 36:

Campeonato Paulista do Interior 1956

Em 1957, novamente disputou o Campeonato Amador do Interior, e encontramos um resultado na Gazeta Esportiva:

Campeonato amador do Interior 1957

O RCA participou ainda de muitos campeonatos municipais (quando ainda pertencia a Capivari), como lembra essa partida de 7 de setembro de 1958, contra o AA Cillo:

Rafard Clube Atlético x AA CIllo

E esse flyer (cujo original pertence ao amigo André Stucchi), convidando a galera pro jogo?

Rafard x São Bernardo

Em 1958, mais uma edição do Campeonato Paulista do Interior, veja alguns dos jogos que consegui encontrar, pela primeira fase:

Campeonato Paulista do interior 1958

Aqui, um jogo contra o Santa Cruz, em 19 de setembro de 1958, pelo amador do estado:

Rafard x Santa Cruz

Aqui, o penúltimo jogo contra o SE Floresta (time da Fazenda Forte):

Rafard x Floresta

O time acabou sagrando-se campeão da Série Carlos Rolim, graças à vitória contra o Santa Alice, em 27 de outubro, de 1958.

Rafard CA campeão

Aqui, ainda em 1958, uma reportagem em homenagem aos 15 anos do Rafard Clube Atlético:

Rafard CA - 15 anos
Rafard CA - 15 anos

E esse é o time de 1959:

Rafard 1959

O Raffard Clube Atlético jogaria ainda a Quarta Divisão (a atual “Série B“) do Paulista em 1960, 1961 e 1963. Aqui a campanha de 1960:

Campeonato Paulista - 5a divisão - 1960
Campeonato Paulista - 5a divisão - 1960

O Rafard Clube Atlético jogava de com uma camisa com listras verticais paralelas nas cores do clube, como pode se ver nessa foto celebrando a conquista de mais uma taça!

Rafard celebrando

Por conta da emancipação, o seu maior rival era o Capivariano F.C da cidade de Capivari.

Capivariano FC

Aqui, outra imagem do time, no Estádio da Usina:

Rafard Clube Atlético
Rafard AC

Aqui, o time do Rafard em 1962, foto da Gazeta Esportiva, enviada pelo amigo André Stucchi:

Rafard Clube Atlético

E uma rara imagem do estádio inundado pela enchente em 1970.

Estádio Usina Rafard

Após a nossa visita, o amigo Túlio, do “O Semanário“, enviou algumas fotos bacanas também, olha só, essa do Estádio:

Estádio Usina Rafard - Rafard CA

E uma formação do time:

Rafard Clube Atlético - Rafard
Rafard Clube Atlético - Rafard

Aqui, o time juvenil:

Rafard Clube Atlético - Rafard

E até uma do time de futebol de salão.

Rafard Clube Atlético - Rafard

Atualmente, a área que recebia o estádio e suas proximidades seguem sob o controle da Usina.

Estádio Usina Rafard

Pra chegar até a área específica do Estádio, basta seguir o muro da Usina.

Estádio Usina Rafard

E se a sua imaginação foi boa, faça com que ela retire dali todo esse restolho de cana, e imagine que bem ali está o mítico estádio da Usina…

Estádio Usina Rafard

Era ali que o Rafard CA fazia a alegria de toda uma cidade…

Estádio Usina Rafard

E não, vc sequer pode chegar perto…

Estádio Usina Rafard

A Usina segue a todo vapor…

Estádio Usina Rafard
Estádio Usina Rafard

Fiz um pequeno vídeo dela, com a ajuda do amigo Lúcio!

Já há algum tempo ela foi adquirida pela Raízen.

Estádio Usina Rafard

Mas mantém algumas coisas de antigamente como essa pequena capela…

Estádio Usina Rafard

A cidade chegou a construir um novo estádio, municipal que tem sido utilizado pelo time vizinho do Capivariano.

Estádio Municipal Rafard

Fica aí o nosso registro do que um dia foi o Estádio da Usina, do poderoso Rafard Clube Atlético!

Estádio Usina Rafard

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O futebol profissional em Salto – Parte 2

ESSE POST SE COMPLETA COM O POST 1 SOBRE SALTO, CONFIRA AQUI!

26 de setembro de 2020.

Quase 6 anos depois de termos visitado Salto pela primeira vez, quando conhecemos a cidade e registramos o Estádios da Associação Saltense, além do que restou do clube social do Guarani Saltense, do Estádio Municipal Amadeu Mosca e do campo do XV de Novembro, voltamos à cidade para completar nossa missão.

Salto

A cidade foi fundada por Antônio Vieira Tavares, sobrinho do bandeirante caçador de índios Antônio Raposo Tavares. Em 1698, ele ergueu uma capela em louvor a Nossa Senhora do Monte Serrat, dando origem ao que viria se tornar a cidade de Salto.Em 1936, a capela foi reformada dando origem à Igreja Matriz.

Salto

Atualmente existe um Monumento à Nossa Senhora do Monte Serrat, que permite uma linda vista da cidade.

Salto

Acreditando na promessa de despoluição do rio Tietê, a cidade tem investido no turismo ecológico, com parques e até mesmo uma linda ponte pênsil.

Ponte Pensil - Salto

Essa construção histórica não só foi preservada como atualmente é ocupado pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP).

Salto

Nosso objetivo estava próximo, seguindo um pouco a frente contornando a igreja, chegamos num declive: a rua 24 de outubro, que vai até o rio Tietê!

Salto - Rio Tiete

Pra entender o lugar que fomos conhecer, vale olhar essa imagem do Google Maps e ver que se trata realmente de uma ilha em meio ao rio Tietê.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

O rio ainda não está limpo, mas já é bem diferente do que os paulistanos estão acostumados.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Do outro lado (de onde ele vem), pode se ver ao fundo o prédio histórico que comentamos do CEUNSP.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

E ao passar a ponte, chegamos à Ilha Grande, para enfim conhecer o Estádio Luiz Milanez.

O portão de entrada dá acesso ao estádio já na ilha.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Aqui, a visão logo após o portão:

Ali, os pássaros já começam a habitar o leito do rio, talvez também acreditando em sua futura despoluição.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

O Estádio Luiz Milanez é a casa da Associação Atlética Avenida.

A A.A. Avenida foi fundada em 1º de janeiro de 1945, com o nome em homenagem a uma antiga avenida que cruzava toda a cidade, e segundo a placa no campo, esta é a data considerada como a fundação do próprio Estádio Luiz Milanez.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Olha que bacana o jogo de botão que um fã montou pra AA Avenida:

AA Avenida - futebol de botão

Antes do campo, você encontrará a sede social do Avenida.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida
Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida
Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Mas, vamos enfim conhecer o campo e suas arquibancadas.

O Estádio já teve arquibancadas de alvenaria, mas segundo o pessoal do Avenida, elas foram levadas em uma inundação causada pela cheia do Tietê, em 1983. Aliás, olhando o rio tranquilo como ele estava hoje (em época de extrema seca), é difícil acreditar no potencial destrutivo que ele possui, mas … vale ver as imagens abaixo…

Rio Tiete - Salto

Essa é de 1983, e existem muitas outras no blog: Históra Salto.

Rio Tietê - Salto - enchente 1983

E esse ano, já teve uma inundação que virou notícia:

Mas vamos deixar todo esse aguaçeiro pra lá e dar uma olhada no campo:

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Aqui, o gol da esquerda, visto da arquibancada:

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Aqui, o gol da direita:

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Aqui, a arquibancada em madeira, como tanto se via pelo interior de São Paulo:

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida
Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida
Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Aqui, olhando do fundo para a entreada do estádio e da sede social:

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

E aqui, a vista pelo outro lado:

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Ao fundo do gol da esquerda, mais um pequeno lance de arquibancada, cuidada com todo esmero por aqueles que ainda amam o futebol local e a AA Avenida!

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Em 15 de maio de 1955, o time fez história ao se tornar o primeiro da cidade a disputar uma partida no Pacaembu contra o time de Cosmópolis (aliás, que time será esse? A Funilense??), e a equipe abaixo meteu logo uma goleada por 7×2:

AA Avenida no Pacaembú

Um registro histórico de um estádio que foi a casa da AA Avenida no Campeonato Paulista da série A3 em 1956, e a Série A2 de 1957 a 59.

Achei até o registro da Gazeta Esportiva de um amistoso contra o Corinthians de Santo André, disputado em 29 de abril de 1956:

AA Avenisa 5x1 Corinthians Santo André

Em 1956,jogou com a Portofelicense, o Guarani Saltense e a Ferroviária de Itú, ganhando 2 jogos, perdendo outros 2 e empatando 2, classificando para a fase seguinte, onde enfrentou a AA Saltense, o Elvira (Jacareí), o Aparecida, a Portofelicense e o Palmeiras de São João da Boa Vista, onde ganhou 3, empatou 6 e perdeu uma partida.

Em 1957, essa foi a tabela e a classificação da série A2:

Série A2 - 1957
Série A2 - 1957

Em 1957, ainda participou do Torneio Santos Dummont que tinha divulgação dos jogos na poderosa Gazeta Esportiva:

Torneio Santos Dummont

Aqui, a campanha da série A2, de 1958:

Série A2 de 1958
Série A2 de 1958

Esse é o time de 1958 (aliás, obrigado ao Valdir Líbero, por me passar essa e outras fotos, que ele pegou do livro História do Esporte Saltense, de autoria do jornalista Valter Lenzi:

AA Avenida - 1958

E em 1959 houve uma melhoria nos resultados, com destaque para duas goleadas seguidas contra a Mogiana (7×3!!!) e contra o Bandeirantes (5×1).

Série A2 - 1959
Série A2 - 1959

O time que fez essa campanha de 1959 é esse:

AA Avenida

Aqui, outra foto histórica do time também do final dos anos 50:

AA Avenida
AA Avenida

Voltando ao presente, as arquibancadas atuais não são as originais, porque segundo o pessoal que estava por lá, a enchente de 1983 levou as arquibancadas de alvenaria.

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

E fica aqui, meu agradecimento mais uma vez ao Lúcio que foi o companheiro de viagem 🙂

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

Um último olhar para o campo, sonhando com um improvável, mas nunca impossível retorno do futebol profissional à Ilha Grande…

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida
Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

As notícias recentes pelo menos mostram que existe uma esperança do retorno do futebol profissional a Salto (veja aqui, a notícia completa).

Salto volta ao futebol profissional

Ficamos por aqui. Até o próximo rolê!

Estádio Luiz Milanez - Ilha Grande - Associação Atlética Avenida

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O futebol profissional em Barretos

Em 2016, pude acompanhar um acesso do Santo André, com sabor especial porque aconteceu em uma cidade que fica há mais de 400 km de distância e que também é apaixonada por futebol: Barretos!

Cidade de Barretos

Pra chegar lá e poder curtir um pouco da cidade, saímos bem cedo, tanto que pegamos até neblina no caminho.

Neblina

Mas chegamos com um tempo agradável, que nos permitiu passear um pouco pela cidade, já que o jogo seria a noite. A primeira coisa a aprender foi que as avenidas são identificadas por números ímpares e as ruas por números pares.

Rua 22 em Barretos

Barretos é conhecida por sua ligação com o gado, e pelos rodeios, mas como não concordamos com esse tipo de cultura, que envolve sofrimento e morte animal, olhamos a cidade por um outro ângulo, rendendo-nos à natureza, e à história local, como por exemplo a Estação Ferroviária, que foi importantíssima para a cidade e a região.

Estação Ferroviária de Barretos

Pelo que pudemos conversar com alguns torcedores locais, a cidade tem perdido um pouco do charme, com algumas ações de modernização, como a mudança de alguns equipamentos municipais, a demolição de antigos casarões dando lugar a prédios, verticalizando a cidade a cada dia. Quem luta para sobreviver em meio a esse caos moderno é o Cine Barretos.

Cine Barretos

Mas, as placa nos lembrava que o que nos levou até a cidade foi mesmo o futebol!

Estádio

Pra escrever sobre a história do futebol profissional em Barretos, contei com a ajuda do site www.futebolbarretos.com.br, do blog Zé Duarte Futebol Antigo e do amigo Manolinho Gonçalves. O primeiro time profissional a se criar em Barretos foi o Fortaleza Esporte Clube, fundado em 15 de novembro de 1936.

Fortaleza FC

O time alvi-verde, também conhecido como o “Periquito da rua 20” passou vários anos no amador, só estreando na Série A2 em 1955, no Setor Azul, terminando na última colocação.

Série A2 - 1955
Série A2 - 1955

Esse foi o time do Fortaleza que jogou a A2 de 1955:

Fortaleza FC 1955

Em 1956, terminaria em último lugar desta vez, na Série Cafeeira.

Série A2 1956 - Série Cafeeira

Em 1957, também não conseguiu uma boa campanha…

série A2 1957 - série C

Em 1958, subiu mais algumas posições, mas ainda terminando em uma posição na parte de baixo da tabela…

Série A2 - 1958 - Grupo Amarelo

Em 1959, termina a Série Geraldo Starling Soares na 6a colocação.

Série A2 1959

Jogaria ainda a série A3 em 60. Aqui algumas imagens antigas do time que o pessoal do Blog História do futebol encontrou na Revista Sport Ilustrado.

Fortaleza - Barretos
Fortaleza - Barretos

O Fortaleza EC mandou seus jogos no Estádio Fortaleza, que foi municipalizado em 1977, e em 1994 passou a ser chamado de “Antônio Gomes Martins – Tio Cabeça“, em homenagem ao ex-massagista de Barretos. É lá que o Barretos EC manda seus jogos, atualmente.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Esse é o tio Cabeça:

Tio Cabeça
Tio Cabeça - fortaleza

Peguei essa foto da entrada do Estádio no Google Maps!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E essa a gente fez durante uma visita ao estádio antes do jogo de 2016.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Mas se o Fortaleza EC foi o time mais antigo da cidade a disputar o profissionalismo, é hora de falarmos do Barretos FC, que embora fundado 2 anos depois, disputou os campeonatos da Federação Paulista antes!

Barretos FC

O Barretos Futebol Clube foi fundado em 7 de julho de 1938 e jogou o amador por 9 anos.
Aqui, um amistoso contra o Uberaba SC, em 1945:

Barretos FC x Uberaba SC

O Barretos FC só estreou na série A2 em 1947, fazendo uma campanha bem irregular, assim como seria em 1948 também:

série A2 1947 e 1948 (série Preta)

Em 1949, o time se licenciou, voltando a partir de 1950, ainda com campanhas bastante irregulares, mas ainda assim se transformando na alegria do futebol local!

Série A2

Com esse início complicado, 0 time acabou se licenciando do profissionalismo em 1953 e só voltando à A2, em 1955.

Série A2 - 1955 - Série Azul

Em 1955, houve a estreia do Dérbi de Barretos (6/11 – Fortaleza 1×1 Barretos e em 11/12 – Barretos 3×2 Fortaleza), no profissionalismo aqui, fotos do segundo jogo:

Estádio da Rua 32 - Barretos

Vale lembrar que em 1944, já houvera o dérbi, mas pelo Campeonato do Interior de 1944, no qual o Barretos FC chegou até a semifinal, contra o Guarani que seria campeão.
Em 1947, o Barretos voltou a disputou o Campeonato Profissional do Interior terminando em décimo e jogou também o amador.
Em 1956, mais uma campanha mediana na “Série Pecuária“, mas em 1957, além de mais 2 dérbis (28/4 – Barretos 3×1 Fortaleza e 28/7 – Fortaleza 2×3 Barretos), o time terminou na terceira colocação da Série C.

série a2 1956 e 1957

Em 1958, parecia chegar a hora…
O Barretos FC sagrou-se campeão do seu grupo, o Amarelo, além disso, mais dois dérbis: 8/6 – Barretos FC 4×0 Fortaleza e 19/10 – Fortaleza 0x3 Barretos FC.

Série A2 - 1958 - Grupo Amarelo

Na segunda fase, o Barretos FC caiu no Grupo João Havelange, onde terminou na quarta colocação.
O Corinthians de Presidente Prudente além de líder do grupo, seria campeão da A2 de 1958.

A2 - 1958

Em 1959, uma tragédia para a cidade, mesmo sem terminar na parte debaixo da tabela, no Grupo Geraldo Starling Soares, tanto Barretos FC quanto Fortaleza FC acabaram rebaixados para a Série A3.
E 1959 acabou marcado como o ano dos últimos dérbis: 31/5 – Barretos 3×1 Fortaleza e 23/8 – Fortaleza 0x3 Barretos.

Série A2 1959

O Barretos FC ainda chegou a disputar a A3 em 1960, mas o Fortaleza FC abandonaria as competições profissionais da Federação Paulista.

Barretos FC 1959

Nessas competições, mandaram seus jogos no Estádio da Rua 32, em frente ao Recinto Paulo de Lima Correia, onde hoje é a Praça 9 de Julho e o Terminal Municipal de Ônibus Urbanos.

Estádio da Rua 32 - Barretos

Segundo o amigo Manolinho, a Arquibancada Central era de madeira e idêntica a do Parque São Jorge.

Estádio da Rua 32 - Barretos

E a cidade ainda teria um terceiro time: o Motoristas Futebol Clube, fundado em 6 de março de 1944.

Motoristas FC

Olha que bela flâmula do time:

Motoristas FC

O Motoristas FC disputou a série A2 em 1950, terminando na 10a colocação. Assim, a cidade ganhou 2 dérbis em 1950: 30/7 – Barretos 1×0 Motoristas e 22/10 – Motoristas 3×0.

Série A2

Aqui algumas imagens do time já na época da volta ao amadorismo:

Motoristas FC - Barretos
Motoristas FC

O Motoristas FC mandava seus jogos no Estádio Dr Adhemar de Barros Filho, ou o “Campo dos Motoristas da Avenida 21“.

Estádio Dr Adhemar de Barros Filho - "Campo dos Motoristas da Avenida 21".
Estádio Dr Adhemar de Barros Filho - "Campo dos Motoristas da Avenida 21".

Mas, infelizmente estes 3 times pertencem ao passado.
O presente do futebol profissional da cidade de Barretos começou a ser escrito em outubro de 1960, quando o Barretos FC e o Fortaleza FC se uniram para formar o Barretos Esporte Clube.

Assim, em 1961, a cidade voltou a ter um time na Série A2 da época e na sua “estréia”, até que o Barretos EC foi bem. (tabela abaixo da Wikipedia):

série A2 1961

Já em 62, o time foi mal e só escapou do rebaixamento num incrível mata-mata, contra o Elvira (de Jacareí), último colocado da Série “José Ermírio de Moraes Filho”, em 4 partidas: Barretos 7 x 1 Elvira (10/2/63), Elvira 2 x 1 Barretos (17/2/63), Barretos 1 x 1 Elvira (23/2/63 em Campinas) e Barretos 1 x 0 Elvira (2/3/63, em Campinas).

Série A2 - 1962

Em 63 e 64, sequer se classificou no seu grupo.
Esse é o time de 63 (fonte: Zé Duarte Futebol Antigo):

Barretos EC 1963

Em 1965 foi campeão da Série Carlos Joel Neli e fez a final contra o Bragantino, perdendo as duas partidas (jogadas no Pacaembú), o título e o acesso…

Série A2 - 1965

Em 1966, nova campanha de destaque! O Barretos FC ficou em 2º da Série João Mendonça Falcão, classificando-se para o quadrangular semifinal, terminando em 3º no grupo.

A2 - 1966
A2 - 1966
Barretos EC 1966

Em 1967, após liderar o seu grupo foi eliminado no mata mata pelo Paulista de Jundiaí.

Série A2 - 1967

Já em 1968, liderou seu grupo e classificou-se para a segunda fase (um outro grupo dessa vez com 8 times), terminando em quarto lugar e sendo desclassificado.

Série A2 - 1968

Em 1969, 70, 73 e 75  não passou da fase de grupos.
Em 71, 72 e 74 foi desclassificado na segunda fase.
Em 76, mais uma vez liderou seu grupo nos dois turnos da primeira fase, mas acabou em último lugar no quadrangular final (XV de Jaú sagrou-se campeão, Aliança, vice e o Santo André em terceiro).

série a2 1976

Esse era o time daquele ano, e veja que linda a torcida ao fundo:

Barretos EC 1976

Em 77, mais uma vez liderou o gurpo da primeira fase e na fase final acabou na quarta colocação.

série A2 - 1977

Em 78, num regulamento bem esquisito, o Barretos liderou o Grupo A, depois foi mal na 2ª e 3ª fase e acabou mais um ano na A2.

A2 - 1978

Em 79 e 80 o time não foi bem, parando na fase inicial, em 81 liderou a Série Amarela, mas ocupou a penúltima posição no grupo final, com o time:

Barretos 1981

Em 82, 83, 84, 85, 86 e 87, regulamentos ainda mais confusos acabaram fazendo com que o Barretos se limitasse à campanhas medianas e pra piorar, o time passou a jogar a série A3 a partir de 1988, onde ficou até 1990, quando voltou à A2, esse era o time daquele ano:

Barretos EC 1990

Permaneceu na A2 até 1993, quando caiu novamente para a A3.
Em 1995, o pior momento: o time caiu para a Série B1A (o quarto nível do futebol da época).
Em 1998 chegou perto de voltar, ao ser vice campeão do grupo inicial e vice do quadrangular final, mas apenas o Oeste consegiu o acesso.

Série B1 - 1998

Só em 2001, voltou à A3. Inicialmente só subiriam dois times, mas graças às mudanças do calendário, o acesso foi ampliado.

Tabela B1- 2001

Sua volta à A3, em 2002, foi marcada com uma boa campanha, ficando de fora das finais por muito pouco!

Série A3 - 2002

Permaneceu na A3 até 2006, quando uma campanha bem ruim levou mais uma vez para o quarto nível do futebol paulista (agora a Segunda Divisão, ou série B).

A3 - 2006

De volta à segunda divisão, apenas em 2011 o time conseguiu o acesso (já nessa fase das 4 fases em grupos) à A3, mas foram apenas 2 anos e nova queda à série B, pra uma única disputa em 2014 e novo acesso à A3.

Série B - 2014

Em 2015, logo de cara, uma surpresa…
Um acesso conquistado à série A2 (graças ao problema do Atibaia).

Série A3 2015

Permaneceu na A2 em 2016 e 2017, quando voltou pra A3, onde permaneceu até esse momento (em 2020, ainda sob risco de rebaixamento à A3).
E foi em 2016, que tivemos a oportunidade de conhecer o Estádio Municipal Antônio Gomes Martins, também conhecido como “Fortaleza” em homenagem ao time da cidade.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins

Confesso que deu um pouco de aperto no coração, imaginar que estávamos ali pra impedir o inédito acesso do Barretos à série A1…

Barretos x Santo André
Estádio Barretos

Aproveitei pra pegar um jornal local e ver se a torcida do Barretos estava esperançosa quanto à virada (o placar emSanto André foi 2×0 pro Ramalhão).

E até pra dar sorte pro Ramalhão, fiz questão de estar dentro de campo, antes do jogo!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Aproveitei pra pegar meu ingresso e não correr nenhum risco.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Fui conhecer também ocharmoso portão dos fundos por onde andaríamos.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E olha aí o portão olhando de dentro pra fora já na hora do jogo…

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

A noite estava muito bonita. A torcida local compareceu, pintando de verde, vermelho e amarelo as bancadas do Estádio Municipal Antônio Gomes Martins.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Oficialmente, o Estádio tem capacidade para 13 mil torcedores, mas pelo borderô oficial apenas 5 mil torcedores compareceram.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Quem foi, fez festa!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Mas engana-se quem pensa que o lado azul não compareceu… Era um jogo decisivo, lá estava a Fúria Andreense!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E a Esquadrão Andreense:

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Foi um jogo super truncado com várias defesas milagrosas do nosso goleiro “Zé Carlos”, para o desespero da torcida local.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Foram 90 minutos de pressão do Barretos e o Santo André se segurando lá atrás… E a gente desesperado na arqubancada visitante.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Mas o Ramalhão também levou perigo em alguns lances.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E o Branquinho no escanteio…

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

O primeiro tempo terminou e a alegria parecia começar a se multiplicar nas arquibancadas visitantes.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Muitas bandeiras do Santo André decoraram a parte do estádio dedicado à nossa torcida.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Até um “mini bandeirão” apareceu…

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Uma pena que a câmera não pode captar melhor o estádio, já que estava de noite, mas pelo menos ficou um registro de mais esse lugar histórico!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Ao final do jogo, festa entre torcida e o time que jogaram juntos todo o campeonato!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Zé Carlos até deu as luvas de presente a um torcedor (que mais tarde precisou devolvê-las para que o goleiro as usasse na final contra o Mirasssol).

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

A torcida local soube respeita a conquista do Santo André e ficou até o fim do jogo.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Um sentimento único! Conhecer um estádio lindo e cheio de histórias e ao mesmo tempo voltar à primeira divisão!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Só tenho a agradecer a todos!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

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O futebol profissional em Monte Mor

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Já é quase setembro de 2020… Ainda sob efeito da pandemia do COVID 19, e tomando todos os cuidados mais que necessários, aproveitei o fim de semana e dei um pulo na cidade de Monte Mor, para conhecer e registrar o Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães.

Monte Mor

Vale lembrar que a área onde hoje fica a cidade era um local ocupado pelos índios Tupi-Guarani e muitos vestígios da época (como fragmentos de cerâmica e até  uma urna funerária com cerca de 1000 anos de idade) foram encontrados em escavações nos sítios Tapajós e Rage Maluf, na década de 70.
Após os índios serem dizimados pelos bandeirantes, o homem branco chegou, e usava a região de parada dos que passavam por ali e logo as primeiras famílias se estabeleceram ali dando origem a núcleos que se tornaram Freguesia e, em 1871 elevada à Vila de Monte Mor.
No século seguinte, a cidade veria nascer o seu time de futebol, o Esporte Clube Monte Mor!

Distintivo do Esporte Clube Monte Mor

Destaque para a Cruz Orbicular (Cruz Templária) em seu distintivo, que era usada pelos Templários portugueses e pela Ordem de Cristo.
O Esporte Clube Monte Mor mandava seus jogos no Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães e lá fomos nós registrar mais um estádio, dessa vez tendo o “Tio” Lúcio como guia!

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O rubronegro EC Monte Mor foi fundado em 2 de maio de 1957 e disputou a Quinta Divisão em 1978 e 1979. Veja a campanha de 1978:

Campeonato Paulista - 5a divisão - 1978
Campeonato Paulista - 5a divisão - 1978

O amigo e leitor do blog José Alves Borges, treinador de futebol profissional na Ásia há mais de 20 anos, enviou uma foto do time de 1978:

Aqui, a campanha de 1979:

Campeonato Paulista - 5a divisão - 1979
Campeonato Paulista - 5a divisão - 1979

O EC Monte Mor também chegou a jogar a série A3 em 1980 e 1982. Esse foi o time de 1980:

Da esquerda para direita, em pé: Helio Jalbut (Técnico), goleiro reserva, Renatão, Chiquinho, Edson, Caetano, Zé Luiz, Louca (Goleiro), Alemão e Joãozinho Jalbut (Presidente). Agachados: Dimas, Mimi, ??, Ademir, Celso, José Antonio, Benê e João.

Graças ao amigo Jamil Lisboa, conseguimos algumas fotos do time dessa época.

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

As fotos são de um amigo dele, o Adhemar Alves, e fica aqui nosso agradecimento por poder dividir com outros apaixonados pelo futebol!

Mais do que algumas fotos quaisquer, elas registraram um dia na vida do EC Monte Mor:

Especificamente, do último jogo da fase classificatória de 1980, no dia 28 de setembro, contra o Cruzeiro do Vale do Paraíba (veja aqui nossa visita ao estádio deles!).
O Cruzeiro dependia do resultado deste jogo para se classificar e não a toa, a torcida do time do Vale do Paraíba trouxe nada menos que 6 ônibus para Monte Mor!!!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Estádio lotado e com direito a transmissão pela Rádio de Cruzeiro e transmitida, com um telão colocado no centro da cidade de Cruzeiro, pela Tv de São José dos Campos!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Embora a data nas fotos seja de 1982, esse jogo foi mesmo pela A3 de 1980, uma vez que em 81, o EC Monte Mor não disputou o campeonato e em 1982, o Cruzeiro estava na série A2, justamente por ter sido campeão do ano anterior!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

O placar final foi 2×2.

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

O centroavante Celso marcou um dos gols do time da casa:

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Tem até o lance do gol dele:

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

E não é que até foto do trio de arbitragem (modelo padrão…) apareceu? Árbitro Antonio de Pádua Sales!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Mas a festa teve um final um pouco triste para a torcida local, já que no ano seguinte o EC Monte Mor não disputaria campeonato algum, retornando apenas em 1982 para fazer sua despedida oficial da série A3 e do futebol profissional… Ao menos, seu estádio segue por lá!

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Aliás, pelo que pudemos ver, o Estádio Municipal “José Maria de Freitas Guimarães” está passando por reformas…

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Aqui o gol do lado esquerdo, para quem está acomodado na arquibancada coberta.

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor
Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O meio campo:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

E o gol da direita:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O sistema de iluminação deixou de funcionar há alguns anos, devido ao furto dos cabos de energia.

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O amigo Stuchi ainda nos passou essa foto de uma vista aérea do Estádio:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O convênio com o Governo Federal liberou cerca de R$ 360 mil para obras de revitalização do Estádio, mas pelo que eu entendi esse acordo é antigo e deveria recuperar o sistema de iluminação, os vestiários, alambrados e outras dependências do estádio.

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Que tal uma olhada no estádio como um todo?

Ah, e antes que você me pergunte como eu consegui as fotos e vídeos, em uma época em que o estádio está fechado, fica aí o nosso segredo:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor
Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Mas também busquei outras fotos no Facebook da Prefeitura, até pra ter uma vista da arquibancada, e olha aí o que achamos:

Estádio Municipal Monte Mor

Esse é um time amador de muita força na cidade, o Santa Cruz:

E ainda achei alguns lance de partidas amistosos:

Estádio Municipal Monte Mor
Estádio Municipal Monte Mor

E, principalmente, uma visão da arquibancada coberta:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

É isso aí…. Mais uma linda história do futebol paulista…

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O Estádio da Rua Brás Cubas, a casa do Primeiro de Maio FC

Dando sequência aos estádios do ABC, vamos falar do extinto Estádio do Primeiro de Maio FC (já falamos sobre o time, clique aqui pra ler), também conhecido como o Estádio da Rua Brás Cubas, na cidade de Santo André.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

Lembrando que o futebol do ABC tem outros times, estádios e histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal. Pra falarmos do histórico Estádio da Rua Brás Cubas é preciso voltar à Santo André dos anos 20… Quando pouca coisa havia ali no centro ao redor do campo…

E pra isso, vamos contar com a ajuda do Grupo Santo André Ontem e Hoje, relembrando alguns visuais daquela época, como a “Venda da Menotta Domenica DellAntonia“, mãe de Pedro DellAntonia.

largo do Ipiranguinha, onde ficava a "Venda da Menotta Domenica DellAntonia", mãe de Pedro DellAntonia

Outro importante ponto da época era Fabrica Kowarick, onde hoje fica o Assaí atacadista, ali ao lado da Estação Ferroviária.

Fabrica Kowarick,

Aquele era um tempo de grandes esperanças.
Tudo era novo, o futuro estava a ser escrito e se as indústrias começaram a se tornar a principal característica da região.
Logo, os operários encontraram no futebol uma das formas preferidas de diversão e a cidade de Santo André via surgir grandes times, entre eles o Primeiro de Maio FC. Para quem se interessar, vale a leitura do livro “História do Futebol em Santo André” (clique aqui e compre na Estante Virtual):

Livro - História do Futebol em Santo André

E em 1º de maio de 1923, o Primeiro de Maio FC inaugurava o seu estádio, na Rua Brás Cubas, a poucos passos de onde hoje está a Catedral do Carmo, na época ainda em construção.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

Para maiores informações sobre o estádio e sobre o próprio time, recomendo outro livro: Os flechas Verdes (clique aqui e compre direto da estante virtual), escrito por Ademir Médici:

Livro - Os flechas Verdes - A história do 1o de maio FC

Para a inauguração, foi convidado o time do Paulistano, que na época era um baita time e foi muito legal em topar vir inaugurar o Estádio.
Podiam ter pego mais leve no campo…. Venceram o jogo por sonoros 5×2. Essa é a foto do dia do jogo, do dois times juntos:

As poucas fotos que consegui resgatar do Estádio da Rua Brás Cubas vem do livro do Ademir Medici e mostram ao fundo um centro de Santo André ainda bem diferente do que conhecemos atualmente.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

Poucas casas, no máximo uns sobrados. Os prédios ainda demorariam décadas até chegar a nossa cidade.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

No site Meu Timão (dedicado ao Corinthians) encontrei o registro de um amistoso disputado ali em 1926:

A foto abaixo, de 1939, quando foi disputada uma partida em apoio às vítimas do terremoto no Chile.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

Além de ser usado pelo time principal, o campo também era usado em outros momentos pelos sócios do clube.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

O Primeiro de Maio FC não só fez história no futebol como viu a história da nossa cidade acabar com a natureza e também com o seu campo.
O centro ficou muito “urbano” para conter um estádio, e o futebol acabou deixando de ser uma prioridade para o clube.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

Mas a sede do Primeiro de Maio FC segue no centro da cidade, e pelo menos mantém na memória imagens como essas, que nunca…. nunca mais voltarão…

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

Enfim, num domingo, em 9 de junho de 1940, o Primeiro de Maio FC fez sua estreia no Campeonato Intermediário da Liga de Futebol do Estado de São Paulo, contra o time do Tramway da Cantareira FC (o “Estrada de Ferro Cantareira“).

AA Tramway Cantareira

O placar foi de festa! 5×2 para o Primeiro de Maio FC, para a festa da torcida, mas… Aquele ficaria marcado como o última ano do time no Estádio da Rua Brás Cubas
17 anos de história que tiveram que dar lugar à expansão da cidade.
Ainda em 1940, em abril, já com a notícia certa da perda da área do estádio, o time recebeu o São Paulo e levou uma goleada de 8×0…
Mas para não terminar a história no Estádio da Rua Brás Cubas de forma melancólica, o juvenil do Primeiro de Maio FC recebeu, em outubro, o Juventus da Mooca e deixou um 10×1 de presente.
O campeonato daquele ano terminaria seria jogado no Estádio do Corinthians de Santo André.

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André - Primeiro de Maio FC

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Os Estádios do Grêmio Mauaense e o futebol em Mauá

Seguimos registrando os estádios do ABC e hoje vamos falar dos que foram utilizados pelo Grêmio Esportivo Mauaense, na cidade de Mauá!

Estádio Municipal de Mauá - Pedro Benedetti

Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.

Distintivo do Grêmio Esportivo Mauaense

Para falar do Grêmio Mauaense é preciso contextualizar a cidade de Mauá, outrora um distrito de Santo André chamado “Pilar” (porque ficava no caminho que ligava São Bernardo à Igreja do Pilar, em Ribeirão Pires. E sim, esse caminho fazia parte do lendário Peabiru que chegava até o Perú…).

Igreja do Pilar - Ribeirão Pires

Embora possua uma grande área de mata Atlântica, a cidade não para de crescer, infelizmente muitas vezes com ocupações irregulares degradando o meio ambiente e a vida das pessoas.

Mauá

Atualmente, quase 500 mil pessoas vivam na cidade, e um terço da área é ocupado por indústrias, entre elas, importantes players do setor petroquímico, que contribuíram para diversos problemas de saúde na população local (veja aqui matéria sobre isso)…

Petroquímica Mauá

Além disso, como em outras regiões metropolitanas, tem muita gente vivendo em condições de pobreza e diversos problemas sociais, que contribuiram para que Mauá carregasse uma série de preconceitos e injustiças, como se a cidade e sua população se resumissem a esses problemas.

Mauá

Na minha visão, tudo isso fez com que a cidade criasse uma identidade própria, que acabou se transformando em cultura principalmente por meio da cena punk.

Vejamos por exemplo, a banda punk/Oi! Garotos Podres que transformou em orgulho a vida no subúrbio…

Em 1988, surge o Subviventes que transformou as noites de domingo de quem vivia no Sônia Maria (praticamente ao lado das chaminés da Petroquímica) em celebração da luta contra tudo isso! O vídeo abaixo é de um show histórico no Bigato’s Bar, ponto de encontro dos punks locais, em especial dos Carniça, a maior gangue punk da nossa região.

Outras bandas nasceram nos anos 90 e ajudaram a manter a chama da rebeldia social e da tentativa de sobreviver com uma identidade própria em meio a todos os problemas da cidade, entre elas, o Senso Crítico, uma das mais que tinha grande potencial musical.

A partir dos anos 2000 a cena punk do Sônia Maria ganha uma nova representante: o 88não! formado pelo Daniel Miranda, ex baterista do Subviventes pra cantar o amor por Mauá e o ódio ao racismo e ao fascismo!

Com a banda, se fortaleceu a relação dos punks com o futebol de várzea ajudando a surgir uma série de times como o Autonoms FC, Celeste Proletária, Rosa Negra, Corote & Molotov e o União Lapa, entre outros.

Aqui, o time atual do EC Napoli, do Sonia Maria com o Daniel (baterista do 88Não!) e o Adeilton (ex vocal):

EC Napoli do Sônia Maria

Esse post é uma homenagem a dois “Danieis” (esse seria o plural de Daniel?) que eu nem, sei se se conhecem, mas deveriam… Um é o Daniel Miranda, do 88Não! responsável por dezenas de shows da cena independente de Mauá.

Daniel Miranda

O outro é o Daniel Alcarria, que também luta pela valorização da cultura local, em especial o futebol da cidade. A foto abaixo a gente fez num jogo entre o Mauaense e o Nacional, em 2010 (lembre aqui como foi):

Daniel Alcarria - Grêmio Mauaense

Essa mesma injustiça que eu enxergo na cultura, também existe no futebol local, visto que mesmo tendo nascido cedo, ainda nos tempos do distrito, tem pouco reconhecimento da mídia. O Pilar Futebol Clube foi o primeiro time de Mauá, em 1919.

Pilar FC

A foto abaixo é do time de 1922 e foi reproduzida do blog do Daniel Alcarria (clique aqui e conheça).

Pilar FC - Mauá

O Daniel Alcarria é o responsável pelo Almanaque Histórico do Grêmio Esportivo Mauaense. A gente esteve no lançamento do livro (lembre-se aqui como foi). Pra quem quiser adquirir, fale com ele: daniel.alcarria@gmail.com .

Falando sobre o Pilar FC, o time usava o campo próximo da atual Praça 22 de novembro, mas logo passou a usar o campo na região central, próximo aos fornos da olaria dos Perrella, onde fica o Mauá Plaza Shopping, atualmente.

Em 1938, o Pilar FC mudou de nome e passou a chamar Associação Esportiva Mauá.

Associação Esportiva de Mauá

Olha aí o time:

Associação Esportiva de Mauá

O distintivo deles evolui para este:

Agremiação Esportiva Mauá

Outro time de Mauá do início do século era o Belo Horizonte FC, do bairro Pavoeiro, do qual muitos jogadores foram convidados para criar o Associação Atlética Industrial, fundado no dia 1º de outubro de 1921.

Distintivo do AA Industrial

O time surgiu dentro da Fábrica de louças, chamada de a “Fábrica Grande” (no passado Mauá tinha grande tradição em louças), e desde 1919, já tinham um time de futebol rivalizando com o Pilar FC:

AA Industrial - Mauá - 1919

O primeiro jogo de futebol do Industrial foi frente ao Pilar FC, uma vitória de 3 x 0 para a festa na Fábrica Grande, já que o Pilar era considerado o grande time da cidade. O Ademir Medici escreveu um lindo livro sobre o time:

Industrial de Maua

Nos anos 30, o AA Industrial passou a disputar a LEMS (Liga Esportiva Municipal Sambernardense). Aqui, o time de 1934, que bateu o Corinthians de Santo André (campeão naquele ano) por 2×1 e empatou com o Primeiro de Maio por 1×1. O time seria sempre uma pedra no caminho do Galo da Vila Alzira, vencendo também em 1935, por 1×0.:

AA Industrial - Mauá - 1934

Depois, o time migra pra Liga de Santo André e no dia 20 de julho de 1941 visita o Ribeirão Pires FC e perde por 2×0, jogando com Kafunga, Afonso e Santana; Cará, Élio e Constantino; Alfredo, Antonio Santos, Osvaldinho, Artemio e Valdir.

Em 1943, o time disputou o Campeonato do Interior pela Federação Paulista, num grupo mais que difícil, onde o Corinthians de Santo André se classificou para a fase seguinte:

Campeonato Paulista do Interior - 1943

Nessa época o Industrial não tinha campo e costumava jogar apenas como visitante, e em alguns momentos utilizando o Estádio Américo Guazzelli emprestado do Corinthians.

Em 1950, o A.A. Industrial seria campeão da Divisão Principal da Liga Santoandreense de Futebol, de forma invicta, com o time abaixo:

AA Industrial - Mauá - 1950

Depois viria o tricampeonato da Liga de Santo André em 1955, 1956 e 1957.

Em 1958, nasce a Liga de Mauá e o AA Industrial passa a disputá-la e torna-se o primeiro campeão da Liga.

O time seguiu montando bons esquadrões para disputar os campeonatos no ABC, como esse time de 69:

AA Industrial - Mauá - 1969

Em 89, o último título da Liga!

AA Industrial - Mauá - Campeão de 1989

O mais legal é que eles ainda existem como clube, e você pode conhecer mais sobre eles via Facebook (clique aqui e visita a página deles).

Em 17 de abril de 1945, nasce um outro time na cidade: o Independente FC, pra apimentar ainda mais a rivalidade que antes ficava entre o Pilar FC e o AA Industrial.

Independente FC - Mauá

Seu campo fica no Jardim Independência.

Campo do Independente FC

Seu primeiro grande título no futebol foi em 1946: Campeão da Segunda Divisão de Santo André.

E em 1950, veio o título de Campeão da Primeira Divisão da Liga de Santo André.

O Independente FC foi também campeão do centenário de 1953:

Independente FC - Mauá -1953

E essa foto recolorida no começo dos anos 60? Linda não?

Independente FC - Mauá - início dos anos 60

Outros times como estes fizeram com que a Liga de Mauá fosse aos poucos se fortalecendo e sendo mais um motivo de orgulho da cidade!

Faltava só a presença de Mauá no profissionalismo, mas os dois times que vimos acima (Independente FC e o AA Industrial)  não toparam se profissionalizar.

A oportunidade surgiu em 1981, quando o Presidente da Federação Paulista de Futebol (Nabi Abi Chedid) esteve na cidade para a premiação dos  Campeões da Liga Mauaense e na empolgação da festa sugeriu que se criasse um time para jogar a série A3 do Campeonato Paulista, dizendo que se precisasse da Federação, ele ajudaria.

Nabi Abi Chedid

Assim, nasceu o Grêmio Esportivo Mauaense

Distintivo do Grêmio Esportivo Mauaense

A data de 15 de dezembro de 1981 na verdade se deve a uma parceria com o Escolinha FC, um time que já existia na cidade e fez uma parceria com o Grêmio para que pudesse agilizar sua inscrição junto à Federação.

Nesse momento histórico da fundação do Grêmio Mauaense surge mais um cara que merece ser homenageado por este post: o Marrom (de vermelho na foto abaixo)!

Marrom

Fizemos essa foto com ele na época em que os já falecidos Bellotti e Wilson Cricca, juntamente do Ale Bachega (o primeiro da esquerda, ao lado do Marrom) e eu (com a camisa do Santo André) passamos a entrevistar os jogadores do Santo André em busca de histórias!

Ele esteve presente desde o momento do convite para disputar o profisional e participou da montagem do primeiro time (quase que na totalidade com jogadores da várzea). O primeiro desafio foi representar a cidade de Mauá na Copa João Ramalho de 1981, de onde saíram com o vice campeonato.

A estreia do time oficial foi em um amistoso em 31 de janeiro de 1982, numa derrota de 3×0 para o Suzano Futebol Clube (atual União Suzano Atlético Clube).

USAC

Ainda não existia o Estádio Municipal, então a casa do Grêmio Mauaense foi  o antigo campo do EC Cerâmica, e pra quem quer saber como era (já que atualmente o Poupatempo Mauá em seu lugar) e Daniel Alcarria nos enviou algumas fotos:

Campo do Cerâmica - Mauá

O Campo do Cerâmica serviu de casa para vários times amadores da cidade. Essa foto é do Clube Esportivo União na final de 1981, Marrom, o último a direita, viria a fazer história no futebol local.

Campo do Cerâmica - Mauá

O Estádio era conhecido por ter dimensões pequenas (precisou de uma mini reforma para receber a 3a divisão). Aqui, a final do Campeonato da Liga de 1980, com os jogadores do GE Jardim Anchieta comemorando o gol do título.

Campo do Cerâmica - Mauá

Dá pra ver que o campo ficava bem encostado na rua, mas mesmo assim, havia espaço para uma arquibancada na lateral, que vivia cheia… Olha aí a Seleção de Mauá campeã da Copa João Ramalho de 1983.

Campo do Cerâmica - Mauá

Olha que linda defesa foi fotografada nesse modesto, mas inesquecível estádio!

Campo do Cerâmica - Mauá

Assim, o Grêmio Mauaense disputou a série A3 de 1982 a 1984 no Estádio do EC Cerâmica.

Em 82, fez uma boa campanha, principalmente no 1º turno, quando foi “vice campeão” (o campeão foi a Funilense de Cosmópolis, não conhece o time, clique aqui e saiba mais!).

Campeonato Paulista série A3 - 1982
Campeonato Paulista série A3 - 1982
Campeonato Paulista série A3 - 1982

O formato do Campeonato era super confuso, agradeço ao Rodolfo Stella pela ajuda na compreensão!

2o turno se'rie A3 - 1982
Quadrangular 2o turno - série A3 1982

Aí o time daquela época:

Grêmio Mauaense

Em 1983 disputou mais uma vez a A3 e dessa vez uma fórmula bem louca com 4 turnos envolvendo os mesmos times… Marrom foi técnico e jogador neste ano, e ainda pode ajudar o time trazendo alguns atletas do Santo André pra reforçar o time.

Grêmio Mauaense série A3 1983

O time que jogou foi esse:

Grêmio Esportivo Mauaense

E de 84, existem lindos registros que nos foram passados pelo Daniel Alcarria, do jogo Mauaense x Capivariano 1984. Em 84, o Marrom disputou como atleta a série A3, mas ao final do campeonato passou a supervisionar o futebol no Mauaense e por algumas vezes sendo o treinador.

Campo do Cerâmica - Mauá
Campo do Cerâmica - Mauá
Campo do Cerâmica - Mauá

Essa foto também é daquela época, mas sem conseguir identificar de qual jogo…

Campo do Cerâmica - Mauá

Batemos um papo com o Marrom sobre esse momento inicial do Grêmio e ele citou um momento especial: o jogo de estreia do Estádio Municipal “Pedro Benedetti“, em 8 de dezembro de 1984.

Estádio Municipal de Mauá

O Grêmio Mauaense fez uma partidaça contra o São Paulo Futebol Clube, e ainda que o placar tenha terminado 2×1 pra o tricolor paulista, o Grêmio deixou claro que seria um time duro de bater, em Mauá. Esse jogo detém o recorde de público do Estádio: mais de 15 mil torcedores.

Grêmio Mauaense 1x2 São Paulo FC
Grêmio Mauaense 1x2 São Paulo FC

É lindo ver o Estádio Pedro Benedetti lotado!

Estádio Alberto Benedetti - Mauá

O Estádio Municipal Pedro Benedetti possui capacidade para 10.590 torcedo e seu nome homenageia o futebolista Pedro Benedetti que jogou no Independente Futebol Clube, Associação Atlética Industrial, Cerâmica Futebol Clube, entre outros times de Mauá.

Estádio Municipal Pedro Benedetti - Mauá

Olha a imagem do projeto que o Daniel Alcarria enviou pra gente:

Estádio Municipal Pedro Benedetti - Mauá

E a inauguração do Estádio parece ter dado sorte… Em 1985, chegou o grande momento do time. Após uma primeira fase com apenas uma derrota, o time classificou-se para as finais.

Campeonato Paulista série A3 - 1985

A segunda fase foi um quadrangular com o Paulista de Suzano, Jabaquara de Santos e o Jacareí, e o mais uma vez o time sofreu apenas uma derrota contra o Jabaquara, em Santos!

2a fase campeonato paulista série a3 - 1985

Veio então um triangular envolvendo a Esportiva de São João da Boa Vista e o Serra Negra EC, e o Mauaense passou invicto!

Triangular semifinal série A3 1985

O grande momento chegou: a final do campeonato contra a equipe do Mirassol e uma vitória em Mauá e um empate em Mirassol garantiram o título e o acesso à série A2.

Final Campeonato Paulista série A3 1985

Olha aí o time campeão:

Gremio Mauaense Campeão do Campeonato Paulista série A3 1985

Assim, em 1986 disputou a série A2 e embora tenha ido muito bem na primeira fase, acabou em último do seu grupo da segunda fase…

Campeonato Paulista série A2 - 1986
Campeonato Paulista série A2 - 1986

Já em 1987, o time não passou da primeira fase, terminando em oitavo lugar…

Campeonato Paulista série A2 - 197

Assim, o time voltou à série A3, campeonato que disputou de 1988 a 1991. Em 1987, conquistou o título da Copa Diário do Grande ABC.

Em 1992, o time se licenciou, retornando em 1993 na Quarta Divisão (a atual série B / Segunda Divisão). Esse é o time de 1993:

Grêmio Mauaense 1993

Aqui o time de 1994:

Grêmio Mauaense 1994

Em 1996, o Grêmio Mauaense foi Vice Campeão Paulista da Antiga Série B1.

Série B1 1996

Outro time dos anos 90:

Grêmio Mauaense

Em 2003, o Mauaense conquistou seu último título, da B1.

Gremio Mauaense campeao da serie b1 2003

E assim, desde 2008, o Mauaense disputa a 4ª Divisão, mais conhecida como Paulista da Série B. E pra quem pensou “O Marrom deve ter ficado feliz com o Grêmio Mauaense ter seguido na ativa”, olha ele aí na comissão do time de 2016:

Grêmio Mauaense 2016

As arquibancadas nunca mais tiveram sua lotação como nos primeiros anos, mas… a torcida segue viva!

Estádio Pedro Benedetti - Mauá
Torcida Barões de Mauá - Estádio Pedro Benedetti - Mauá

Aqui, o time de 2019:

Grêmio Mauaense 2019

Mas, o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e quando menos se esperava, eis que surge um novo time em Mauá para disputar o profissional e assim, utilizar o Estádio Municipal Pedro Benedetti, trata-se do Mauá FC.

Mauá FC

O Mauá Futebol Clube foi fundado em 23 de outubro de 2017 e estreiou na Segunda Divisão do Campeonato Paulista (a série B) em 2018. Aliás estivemos presente em um jogo deles contra a AA Itararé, pra conhecer de perto o novo time do ABC (veja aqui como foi).

Maua FC x AA Itararé

Logo no seu primeiro campeonato, conseguiu se classificar para a segunda fase, ficando entre os 16 melhores clubes do estado na divisão disputada e ainda ganhou os dois clássicos contra o Grêmio Mauaense. Será que nasce um novo rival?

Atualmente, quem está por lá cuidando do futebol é…. O Marrom!

Pra fechar, vale lembrar que a Liga Mauaense de Futebol Amador seguiu evoluindo e se tornou a maior do estado de São Paulo com mais de 320 times filiados, 900 partidas por ano com um público total de aproximadamente 50 mil torcedores por ano, é mole?

Mauá é hoje uma baita cidade, e uma das mais apaixonadas por futebol do Brasil. Além disso tem melhorado dia após dia. É muito mais do que você imagina…

AS mil camisas mauá

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Os Estádios do São Caetano Esporte Clube

Distintivo do Esporte Clube São Caetano

Dando sequência aos posts sobre os Estádios do Grande ABC, é hora de falar da casa do São Caetano Esporte Clube.

Estádio do São Caetano EC

Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.

O post de hoje é em homenagem ao Ademir Medici, outro apaixonado pela história do Grande ABC que além de escrever uma coluna sobre a memória da região no Diário do Grande ABC, ainda editou vários livros sobre os principais clubes da região, entre eles, o São Caetano Esporte Clube. O livro “Uma história de campeões” foi a principal fonte utilizada hoje.

Livro Uma história de Campeões - São Caetano Esporte Clube

Outra fonte importante para esse trabalho foi o livro “Os esquecidos“, realizado pelo DataToro / RedBull, com pesquisas de Antonio Ielo, Fernando Martinez, Júlio Diogo e Marcio Javaroni e editado pelo Rodolfo Kussarev.

Livro - Os esquecidos

O São Caetano Esporte Clube nasceu em 1º de Maio de 1914, da fusão do Rio Branco (que alguns dizem EC, enquanto outros FC) e do Clube dos Amigos. Nos seus primeiros anos, participou de vários campeonatos locais e amistosos, inclusive fazendo algumas viagens pra jogar de visitante.

São Caetano Esporte Clube

Não encontrei registros fotográficos do primeiro campo do São Caetano EC, mas ele ficava em uma área da família Roveri, antes usada pelo Clube dos Amigos, onde a Fábrica de Louças Adelina se instalaria. O campo não oferecia condições de disputar jogos oficiais e por isso, era comum jogar em campos emprestados. Aqui, algumas imagens da fábrica:

Fábrica de Louças Adelinas
Fábrica de Louças Adelinas

O segundo campo (também não encontrei nenhuma foto, até porque estamos falando das primeiras décadas do século XX) ficava na rua Heloísca Pamplona, e foi usado até 1920, quando o local passou a abrigar o Grupo Escolar Senador Fláquer.

Grupo Escolar Senador Fláquer

O terceiro campo, conhecido como “O Estádio da Rua 28 de Julho” marcou época.

Possuia arquibancadas em madeira, inclusive uma pequena parte coberta. Ficava no terreno de uma firma de montagem de pontes, e o São Caetano EC pode mandar seus jogos ali por um bom tempo, até que no início dos anos 30, as Indústrias Matarazzo requereram o terreno.

Estádio do EC São Caetano - campo da 28 de julho

As arquibancadas em madeira, com uma área central coberta e todo cercado, o que dava um charme único! Aqui uma outra foto, também do livro do Ademir Medici!

Estádio da rua 28 de Julho - São Caetano

Aqui dá pra se ter ideia de como era o outro lado do estádio:

Estádio Conde Francisco Matarazzo - São Caetano EC
Estádio Conde Francisco Matarazzo - São Caetano EC

Em 1919, o time passa a disputar o Campeonato Municipal organizado pela APSA, que equivale à série A3 do Paulista atualmente.

Jogaria a A3 também em 1920, 1922 (quando chegou à segunda eliminatória, perdendo para a AA Ordem e Progresso), 1923 (também foi até a segunda eliminatória, desta vez perdendo para a AA Estrela de Ouro), 1924 e 1925. Esse, o time de 1926, que só jogou amistosos e torneios locais:

São Caetano Esporte Clube

Em 1927, disputa pela primeira vez o Campeonato Paulista do Interior, pela APEA.

Em 1928, por falta de condições de seu estádio, mandou seus jogos  pelo Campeonato do Interior em Santo André (no campo do Primeiro de Maio FC) e em São Paulo (no campo do Silex e do Ipiranga), mas isso não impediu o São Caetano Esporte Clube de se tornar Campeão do Interior!

São Caetano Campeão do Interior 1928
São Caetano Esporte Clube - campeão do interior 1928
Diploma APEA 1928

Com o título do Interior de 1928, em 1929 o São Caetano Esporte Clube volta a disputar a série A3 do Campeonato Paulista pela APEA (nessa época, chamada de 2a divisão, ficando abaixo da primeira e da especial).

O Estádio da Rua 28 de Julho passa por uma reforma para poder receber os jogos desta competição e logo de cara, o São Caetano Esporte Clube conquista o vice campeonato.

Série A2 - 1928

O campeão de 1929 seria a AA Ordem e Progresso (que havia sido campeão da Divisão Municipal da APEA em 1928).

AA Ordem e Progresso

Olha o time deles, em 1935:

AA Ordem e Progresso

Mas, em 1930 chega a hora da celebração maior! O São Caetano Esporte Clube se torna campeão da série A3 e assim passa a disputar a A2!

São Caetano Esporte Clube 1930

O time sofreu uma única derrota no campeonato!

Série A3 - 1930
Classificação a3 1930

Em 1931, disputou a série A2 e por 3 pontos não saiu campeão.

Tabela do Campeonato Paulista série A2 - 1931
Tabela paulista a2 - 1931

A partir de 1932, o time passou a adotar o seu distintivo, já que até então, era apenas um uniforme preto e branco.

A série A2 de 1932 foi mais enxuta e perdeu um pouco da força porque a APEA criou dois novos Campeonatos: o do Interior – Divisão Campineira (onde o Guarani foi campeão) e o do Interior – Divisão Santista (a Briosa levou o título). Foram apenas 7 jogos e uma campanha apenas regular.

Paulista A2 - 1932
Classificação série A2 - 1932

Em 1933, surge a Federação Paulista de Futebol e com ela, o profissionalismo começa a surgir no futebol paulista.

O São Caetano EC  segue no campeonato da APEA, na série A2, que ese ano era dividido em 2 grupos, onde os melhores de cada um fariam a final.

Jogando no grupo “Série 1”, termina empatado em primeiro lugar com o time das Fábricas Orion, mas perde a partida de desempate e assim fica de fora da final.

A2 - 1933
Classificação Grupo 1 - Paulista série A2 - 1933

O Fábricas Orion foi pra final e levantou o título de campeão.

Clube Esportivo Fábricas Orion

É o time desta fábrica:

Fábrica Orion

Que embora tenha se mudado de endereço, segue dando nome ao prédio, agora abandonado, na esquina das ruas Joaquim Carlos e Behring, no bairro do Belenzinho…

Orion

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Orion acolheu muitos imigrantes alemães de origem judaica, que fugiram da Europa por causa de perseguições.

Fábrica Orion

O São Caetano EC ainda disputou vários amistosos nesse ano, dos quais dois merecem destaque: um contra o Primeiro de Maio que terminou em pancadaria (a ponto dos times combinarem não realizar o jogo de volta) e outro contra a Portuguesa, da qual se tem esse registro (a Lusa venceu por 3×2):

Portuguesa x São Caetano EC

Chegamos a 1934, e agora haviam 2 campeonatos, um pela APEA e outro pela Federação Paulista (do qual o CA Fiorentino – que nada mais era do que o Juventus, que se lincenciou das demais competições, momentaneamente- saiu campeão da série A1).

CA Fiorentino

O São Caetano EC fez uma boa campanha e terminou em 3o lugar (de novo a AA Ordem e Progresso levou).

Série A2 - 1934
Classificação 1934 - série A2
Ordem e Progresso campeão 1937

Naquele ano, o time disputou um amistoso com o Palestra Itália, no Estádio da rua 28 de julho. Esse foi o time daquele jogo:

São Caetano EC - 1934

Em 1935 é um momento especial para o São Caetano EC: o clube adquire um terreno entre as ruas Paraíba e Major Carlo Del Prete, uma vez que a área do Estadio da Rua 28 de Julho é requerida pelas indústrias Matarazzo. Como o clube não tinha recursos, foi necessário muitas ações e parcerias para a realização desse sonho. Mas estava lançada a pedra fundamental do que seria o “Estádio da Rua Paraíba“.

A outra boa notícia é o convite feito pela APEA para que o São Caetano EC dispute a sua série A1 de 1935. O time termina em 4o lugar e ainda vence a Taça Bellard contra outros times da região.

A despedida do velho Estádio da Rua 28 de Julho se faz na partida contra a AA Ordem e Progresso, na primeira rodada do campeonato ( o time joga de visitante praticamente todos os jogos).

Campeonato Paulista 1935
Campeonato Paulista série A1 - 1935

Em 1936, dois campeonatos paulistas são disputados: um pela LPF (Liga Paulista de Futebol), do qual o Palmeiras (Palestra Itália, então) sagra-se campeão, jogando contra as equipes mais fortes do estado, como Corinthians, São Paulo, Santos, Juventus entre outros times. O São Caetano EC segue fiel à APEA, que começa a apresentar sinais de decadência e melhora sua performance, alcançando o 3o  lugar.

O destaque fica para a goleada de 6×1 contra o Ordem e Progresso (até eu já peguei birra desse time de tanto jogo contra ele kkkkk) e para o “derby regional” com o Primeiro de Maio, tendo o São Caetano EC vencido as duas partidas.

Classificação série A1 - 1936
Série A1 - 1936 - Classificação

Esse foi o time de 1936, que teve que jogar quase todos os jogos como visitantes, uma vez que o Estádio da Rua Paraíba não foi finalizado.

São Caetano EC - 1936

Chegamos a 1937 com uma grande notícia: o Estádio da Rua Paraíba finalmente está pronto, e recebe o nome de Estádio Conde Francisco Matarazzo, sendo inaugurado em 1/5/1937.

Essa é uma foto do dia da inauguração, que contou com um grande festival que teve como ponto principal um jogo entre o São Caetano EC e um selecionado da APEA (4×1 para os donos da casa):

Estádio da rua Paraíba - São Caetano EC

A entrada principal era na Rua Paraíba, onde ficavam as bilheterias além de um escritório para controle das carterinhas dos sócios.

Ao lado esquerdo (onde ficava um dos gols), estava a Rua Margarido Pires (a atual Av Goiás), à direita, a indústria Brasiltex e logo adiante a Rua Baraldi.

Estádio Conde Francisco Matarazzo - São Caetano EC

Aqui outra foto do livro do Ademir Medici, percebe a distância da torcida ao campo (sim, era só essa singela cerca branca que separava a torcida dos jogadores). Esta arquibancada coberta tinha capacidade para 600 torcedores. Ela dava costas à Rua Major Carlo Del Prete, embaixo delas ficavam os vestiários. Pro lado de trás, havia um portão maior para a entrada dos carros e ônibus dos times visitantes.

Estádio Conde Francisco Matarazzo - São Caetano EC

Outros dois jogos, nas duas semanas seguintes fizeram parte das festividades de inauguração do novo estádio: uma derrota de 1×0 para o Ipiranga e outra por 3×1 para a Portuguesa.

O São Caetano EC toma outra decisão importante neste ano: afastar-se da APEA e inscrever-se na Liga Paulista de Futebol (que se tornaria a atual Federação Paulista), mas termina 1937 sem disputar nenhum campeonato, assim como 1938, mas rolam festivais e até um campeonato só com times de São Caetano.

Estádio Conde Francisco Matarazzo

Em 1939, a agora “Liga de Futebol do Estado de São Paulo (LFESP)” decide convidar o São Caetano EC a disputar a Divisão Intermediária, equivalente à série A2 do Paulista.

E esse campeonato foi especial para o Grande ABC: 5 times da região participaram: São Caetano EC, Primeiro de Maio, EC São Bernardo, Cerâmica e Corinthians de Santo André) e 4 terminaram nas primeiras posições, tendo o Corinthians de Santo André como campeão!

Série A2 - 1939
Classificação série A2 - 1939

Aqui, o goleiro Ettore Manilli em ação:

São Caetano EC
São Caetano EC

Chega 1940, e vem a grande conquista da Divisão Intermediária – a série A2 da época!

São Caetano Esporte Clube 1940

Mais uma vez enfrentando vários times do ABC, tendo o Palestra Itália de São Bernardo como novidade.

São Caetano EC campeão da série A2 - 1940
São Caetano EC campeão da série A2 1940

Inacreditavelmente, o time campeão de 1940 não disputa nenhum campeonato em 1941, nem 42 ou 43… Apenas amistosos.

São Caetano EC campeão 1940
São Caetano EC

Em 1944, disputou o Campeonato do Interior, mas acabou eliminado pelo Taubaté, em 45 e 46 não passou da fase regional de grupo (quem se classificou em ambas foi o vizinho CA Rhodia, de Santo André) e em 47 também saiu na segunda fase. Esse é o time de 1945:

São Caetano EC - 1945

Em 1948, uma grande novidade: a disputa do campeonato paulista da Segunda Divisão (a série A2) profissional. Joga a série vermelha e termina empatado em número de pontos com o Rio Pardo. Era só empatar o último jogo contra o Ginásio Pinhalense numa partida cheia de histórias….

Paulista série A2 - 1948

Como apenas um time iria pra fase final, houve uma partida para desempatar e o Rio Pardo FC venceu, em campo neutro, em Limeira, por 5×3. O São Caetano EC jogou com Zinho; Mosca e Neno; Sérgio, Ninim e Escovinha; Suli, Iube, Andó, Wilson e Enzo. Técnico: Francisco Marinotti.

São Caetano EC - 1948

Em 1949, uma participação mediana, em sétimo lugar.

série A2 1949

Duas fotos do time frente ao estádio neste ano:

São Caetano EC
São Caetano EC - 1949

Em 1950, sagrou-se campeão da sua regional, mas acabou desclassificadoo da segunda fase.

série A2 - 1950
Série A2 - 1950

A foto do time campeão da sua série.

São Caetano EC - 1950

Em 1951, mais uma campanha mediana na Segunda Divisão – a série A2 da época- não se classificando para a parte final da competição, o vizinho Corinthians de Santo André classificou-se em primeiro lugar (no jogo em Santo André, deu São Caetano EC 2×1 contra o Galo da Vila Alzira, em 22/7/51):

Série A2 - 1951

Em 1952, é anunciado a construção de um novo estádio que servirá não apenas ao time mas à cidade. Analisando a distância eu me pergunto se realmente era necessário, visto que o Estádio Conde Francisco Matarazzo parecia dar conta do recado, mas alguns depoimentos da época dizem que o estádio já era pequeno para as grandes partidas (além de disputar a A2, foi comum a presença de Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e Portuguesa disputando amistosos para casa cheia) e a própria Federação vinha reclamando das acomodações modestas.

O time que entra em campo para a A2 de 1952 é formado por novos rostos, convidados junto à várzea local, o que fez com que o início do campeonato fosse irregular, mas em determinado momento, parece que finalmente deu liga, como se pode notar nos resultados.

São Caetano EC - 1952
São Caetano EC - série A2 - 1952
Classificação 1a fase (5a região)

Como houve empate entre o São Caetano EC e o Taubaté foi marcado uma partida em local neutro (a Rua Javari) na qual o time do ABC bateu o burro da central por 4×2, com 3 gols do ponteiro Rino.

Infelizmente no chamado “Torneio dos finalistas”, o time perdeu a classificação para o CA Linense, que saiu campeão em cima da Ferroviária.

Torneio dos finalistas

Time do CA Linense, campeão e que disputaria a série A1 de 1953:

CA Linense 1952 - Campeão

Nessa época, independente da campanha do ano anterior, existia sempre uma expectativa para saber se o time seria convidado para a disputa da segundona e foi com muita alegria que o São Caetano EC confirmou presença em mais um campeonato, ao lado do vizinho Corinthians de Santo André.

Pra se ter ideia do tamanho do interesse, em 1953 é criada a Terceira Divisão (equivalente à A3 atual).

Aqui, o time de 1953:

São Caetano EC - 1953

Mais uma vez, os times são divididos em grupos e a campanha do São Caetano EC é apenas regular:

Classificação 1a fase série A2 1953

O ano de 1954 se inicia com as primeiras obras do que ser ia o novo estádio da cidade. Mas o que mexeria com as estruturas do futebol na cidade foi a fusão entre o São Caetano EC e o Comercial FC de São Paulo (que jogava a primeira divisão).

Comercial Futebol Clube

Dessa maneira surge a Associação Atlética São Bento, cujo nome e uniforme eram homenagens ao São Bento, clube paulistano campeão estadual em 1914 e 1925).

Distintivo da AA São Bento - São Caetano
AA São Bento

Como o Comercial já disputava a primeira divisão, a AA São Bento nasce na A1 de 1954!

AA São Bento 1954

Mas, contrariando as expectativas, faz uma campanha bem mediana, correndo até risco de rebaixamento…

Campeonato Paulista - série A1 1954
Classificação do campeonato paulista 1954

Com o time disputando a principal divisão do estado (a série A1), o prefeito Anacleto Campanella se vê na obrigação de agilizar as obras do novo estádio.

Assim, 1955 se inicia de uma forma muito festiva: no dia 2 de janeiro, em um jogo válido ainda pelo campeonato de 1954 (veja na tabela acima) a AA São Bento inaugura o Estádio Anacleto Campanella, vencendo o XV de Piracicaba, por 1×0.

Estádio Anacleto Campanella - AA São Bento - São Caetano

Pra quem nunca foi ao Anacleto, vale lembrar que ele fica num das partes mais elevadas da cidade e ná época não haviam arquibancadas ao seu redor como um todo, por isso, sofria uma grande ação dos ventos e isso rendeu ao estádio o apelido de “O Estádio do Morro dos Ventos Uivantes“.

Estádio Anacleto Campanella - AA São Bento - São Caetano
Estádio Anacleto Campanella - AA São Bento - São Caetano

Em 13 de janeiro, realiza-se uma partida celebrativa para a inauguração do Estádio Anacleto Campanella e o Corinthians é convidado como adversário e vence por 3×2.

E as arquibancadas se entopem de torcedores…

Inauguração do Estádio Municipal Anacleto Campanella - São Caetano

O time disputa toda a série A1 no Estádio Anacleto Campanella, mas nem a fusão nem o novo estádio servem de estímulo para uma campanha considerável no Paulistão de 1955

Campeonato Paulista 1955

O torcedor vê a AA São Bento terminar num modesto 11º lugar…

Classificação série A1 - 1955
AA São Bento

Os maus resultados estimulam as discussões sobre a real efetividade da fusão entre o São Caetano EC e o Comercial FC e a parceira chega em 1956 bastante questionada. Esse foi o time:

Associação Atlética São Bento 1956

O campeonato de 1956 teve uma regra bem diferente, a primeira fase era um “torneio de classificação, onde todos jogavam contra todos num turno único.

Torneio de classificação campeonato paulista a1 - 1956

Desse “torneio” o campeonato se dividiu em duas séries: azul (os 10 primeiros colocados) e branco (os 8 demais), sendo que só o azul disputaria o título. A AA São Bento conseguiu se classificar para a série azul, terminando o tal torneio em 6º lugar…

Campeonato Paulista série A1 - 1956

A torcida até que fez o seu papel, olha quanta gente ia apoiar…

AA São Bento de São Caetano

Porém, frente aos times mais fortes, os resultados não vieram…

Campeonato Paulista 1956

Dessa forma, a AA São Bento terminou a série azul em 1956, em último lugar…

Série Azul - Campeonato Paulista 1956

Mesmo tendo se classificado para essa “série azul”, o fim do campeonato de 1956 gerou ainda mais barulho, principalmente entre os torcedores de São Caetano. Imagina a pressão na cabeça dos dirigentes, que tinham certeza que a fusão criaria um novo “time grande” para o estado. Dessa forma, o campeonato de 1957 se inicia com os nervos a flor da pele.

Mais uma vez tivemos o “Torneio de Classificação”, para dividir os times em dois grupos.

Torneio de classificação 1957

E pra piorar as condições, o time não consegue se classificar na série azul…

Torneio de classificação - Campeonato Paulista 1957

A AA São Bento acabou disputando a série branca, que não concorria ao título do Campeonato Paulista, apenas esse título “simbólico” da série branca, que sequer foi conquistado… O time acabou no 3º lugar…

AA São Bento na série branca 1957

Os resultados decepcionantes fizeram com que o projeto da fusão fosse ao chão… Dia 18 de dezembro de 1957, o conselho do clube se reúne e oficializa o fim da AA São Bento.

O São Caetano EC e o Comercial FC estão de volta, o time do ABC fica com o estádio, o da capital com a maioria dos jogadores. Ambos com dívidas e desconfiança quanto ao futuro.

Pra piorar o São Caetano EC não consegue o direito de seguir jogando a série A1 do Paulista e ainda tem que fazer muito trabalho de bastidor para conseguir sua inscrição na cada vez mais disputada segundona – série A2.

O campeonato dividiu os times em 4 grupos, e o São Caetano EC ficou no Azul, mas sequer se classificou para a segunda fase. Esse é o time de 1958

São Caetano EC 1958

Em 1959, novamente na A2 e mais uma vez, uma campanha fraca, não se classificando em seu grupo, o “João Havalange”, onde ficou em quinto lugar.

Classificação grupo João Havelange - cmpeonato paulista série a2 - 1959
São Caetano EC - Campeonato Paulista séire A2 - 1958

Em 1960, o São Caetano EC fecha definitivamente suas portas para o futebol profissional e passa a se dedicar apenas ao clube social. Uma pena para a cidade, principalmente pra quem vive na região central que foi quem mais se apegou ao time.

Vale destacar outro time que fez história: o Cerâmica FC, fundado em 13 de maio de 1925 por operários da “Cerâmica Privilegiada” famosa pela produção de ladrilhos, telhas e tijolos refratários. O Cerâmica chegou a disputar a Divisão Intermediária da LFESP em 1939.

Time de 1954:

Como sabemos, a cidade ainda veria surgir novos times que chegariam ao profissional, como a TransAuto, o SAAD, a AD São Caetano

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O Estádio Américo Guazzelli – A casa do Corinthians de Santo André

Ainda em quarentena, damos sequência aos posts sobre os Estádios do Grande ABC. Hoje é o dia de falar sobre o Estádio Américo Guazelli.

Estádio Américo Guazelli - Corinthians FC Santo André

Mas o futebol do ABC tem outros times e outras histórias, caso queira conhecer mais, veja aqui o Mapa do Futebol no ABC, desenhado pelo Victor Nadal.

O Estádio é a casa do Corinthians de Santo André.

Corinthinas Futebol Clube de Santo André

Esse post é uma homenagem a dois grandes nomes do futebol de Santo André. O primeiro é o amigo de arquibancada “Seo” Nelson Cerchiari, figura importante na história do Corinthians e até hoje acompanha o futebol local, em especial o nosso Ramalhão.

Pra se ter ideia, a foto abaixo é lá de Mirassol (pertinho…) onde ele esteve acompanhando o tetra campeonato da A2 em 2016.

Nelson Cerchiari

A segunda homenagem, infelizmente é póstuma. Trata-se de Paschoalino Assumpção, um cara com uma mente a frente do seu tempo, que soube colecionar dados e anotações, que acabaram virando 2 livros incríveis, que serviram de base para a pesquisa de hoje.

Paschoalino Assumpção
Livros Paschoalino Assumpção

O mascote e apelido do time e que dé também nome a um dos livros do Paschoalino é “Galo Preto da Vila Alzira“:

O Galo Preto da Vila Alzira

O time é um verdadeiro marco da história do futebol do ABC, assim como o mitológico Estádio Américo Guazzelli.

Corinthians FC de Snto André
Estádio Américo Guazzelli - Corinthians Santo André

O nome da equipe de Santo André não é em referência ao homônimo paulistano, mas ao original, o Corinthian Football Club, time inglês que excursionou pelo Brasil há mais de 100 anos atrás.

Distintivo do Corinthinas Casuals

Assim, em 15 de agosto de 1912, nasceu o Corinthians Foot-Ball Club de São Bernardo.

Estádio Américo Guazzelli

Isso porque até 1938 toda a região do ABC era chamada de São Bernardo do Campo.

Corinthinas de São Bernardo

A evolução do distintivo do time é um verdadeiro registro histórico do Grande ABC. Com a emancipação de Santo André, o time passa a se chamar Corinthians Futebol Clube de Santo André, também conhecido carinhosamente como o “Corinthinha“.

Corinthians FC de Santo André

A história do Corinthians se escreveu em paralelo à do futebol paulista, numa época em que as ligas do municipais organizavam campeonatos disputadíssimos, com outros fortes times da região, como o Primeiro de Maio FC, (seu grande rival), o Ribeirão Pires FC, o São Caetano EC, o Pilar (de Mauá), o Palestra, o Meninos e o EC São Bernardo entre outros times classistas como a Pirelli, Volkswagen ou o Clube Atlético Rhodia, dono do esquadrão abaixo, de 1948:

Clube Atlético Rhodia - 1948

Segundo o livro “O galo preto da vila Alzira“, o Corintians começou mandando seus jogos em campos de outros times, primeiro em um que ficava bem no centro, entre as ruas Senador Fláquer, Gertrudes de Lima e a Abílio Soares, somente em 14 de agosto de 1925 adquiriram a área onde seria construído o seu campo, na Vila Alzira, perto do Ipiranguinha. Aliás, olha como era o bairro, antigamente:

Ipiranguinha - Santo André

Existem poucas imagens que registram o estádio Américo Guazzelli do começo do século XX. As que existem são essas fotografias granuladas, com pouca resolução e sem imaginar o tamanho da história que seria escrita nesse gramado.

Estádio Américo Guazzelli - Coritnhians Santo André

Mas o que sobra dessa época são lembranças, histórias e títulos. Olha essa foto do time de 1921 (escrevo esse post em 2020, ou seja… a um ano do centenário dessa foto!!)

Corinthians Santo André - 1921

Em 1921, esse time foi campeão paulista pela FPD, ficando com a Taça Guaraná Espumante formada por times descontentes com a APSA, na época. Participaram também da competição: Antártica FC, AA Barra Funda, AA Estrela de Ouro, EC Jundiahyense, Federação Espanhola FC, Itália FC, Ruggerone FC, União Artística R. Cambucy, União Brasil FC, União Fluminense FC (um dos que provocaram a revolta e a criação do campeonato paralelo), União Lapa FC, Vila Clementino FC.

Em 1923, o Coritnhians FC disputou a Zona São Paulo Railway do torneio do Interior e acabou em 3º lugar. (Paulista de Jundiaí liderou seguido pelo Coritnhians Jundihayense, e depois Atibaiense e o Brasil de Santo André).

Em 1925, mais uma vez disputa o torneio do interior ao lado da Ponte Preta, Guarani, D’alva (Campinas) e do Paulista de Jundiaí, ficando novamente em 3º, atrás do Paulista e da Ponte Preta.

Campeonato do Interior 1925
Campeonato do Interior 1925

Em 1927, o futebol paulista passa por uma divisão em duas entidades: a APEA (Associação Paulista dos Esportes Atléticos, originalmente APSA – Associação Paulista de Sports Athleticos) e a LAF (Liga dos Amadores de Foot-ball), com isso, o Corinthians recebeu uma vaga para jogar a primeira divisão (que teve o Palmeiras – Palestra Itália, até então como campeão) e fez com que o time abandonasse o Campeonato do Interior da APEA:

Fichas técnicas campeonato paulista 1927
Fichas técnicas campeonato paulista 1927
Campeonato Paulista 1927

Em 1928, o time buscou fortalecer-se realizando uma fusão com o maior rival, o Primeiro de Maio FC, dando origem ao Clube Atlético São Bernardo. Olha o time no seu jogo de estreia (6×1 contra a Portuguesa Santista):

CA São Bernardo

Com este nome eles disputaram a “A2” da APEA naquele ano e obtiveram bons resultados e terminando em 3o lugar, mas aparentemente a parceria não deu certo e eles perdendo o último jogo contra a Alpargatas de WO.

Classificação Campeonato Paulista - A2 1928 - APEA

Aqui, o time rival: o Primeiro de Maio FC jogando como visitante no Estádio do Corinthians FC, olha o público que comparecia!!

Primeiro de Maio FC no Estádio Américo Guazzelli - 1930

Em 1932, o time disputa a Segunda Divisão (o quarto nível do estadual). Aqui, o time de 1938:

Corinthians Santo André 1938

Aqui, o time já em 1939 que seria reconhecido pelo título da “Divisão Intermediária“, o equivalente à série A2 do futebol paulista.

Campeonato Paulista - Divisão Intermediária da LFESP 1939

Esse foi o time responsável pela conquista:

Corinthians de Santo André 1939

Em 1940, novamente disputa a “intermediária”, mas termina na sexta colocação.

Classificação divisão intermediária 1940

Em 1943, voltou a disputar o Campeonato do Interior, pela 16ª região, ao lado da AA Juqueri, CA Paulista, União Tietê FC, AA Industrial, Ribeirão Pires FC, EC São Bernardo, Palestra de SBC, São Caetano EC, Primeiro de Maio FC, CA Piratininga e do CA Democrata. Classificou-se para a segunda fase, onde parou no time do Enguaguaçu (2×2 fora de cas ae derrota de 2×1 em casa).

Em 1947, ganhou o título da Copa Inter-Corinthians.

Na sequência, o time disputou mais 8 edições da série A2 do Campeonato Paulista. Primeiro de 1949 a 1953, onde chegou a ser campeão da zona sul em 1951, com o time abaixo:

Corinthinas de Santo André - 1951 - Campeão da Zona Sul
1951

Em 1952, o estádio recebe melhorias e visando aumentar o público e consequentemente as rendas dos jogos do campeonato da segunda divisão foi construído um lance de Gerais e a inauguração se deu no dia 27 de julho com o amistoso contra o Palmeiras da capital. Esta, do lado da rua Cel Seabra.

Estádio Américo Guazzelli - Corinthinas Santo André

E estas do lado da rua Manaus. e o Corinthians ganhou por 2 a 0, como mostra o outro livro de Paschoalino Assumpção “História do futebol em Santo André”.

Estádio Américo Guazzelli - Corinthinas Santo André

Em 52, ainda empatou na Vila Belmiro contra o Santos FC.

No dia 14 de dezembro de 1953 a assembleia aprovou a denominação de Estádio Américo Guazelli em homenagem ao seu ex-presidente.

Muita gente fala sobre as “cadeiras cobertas” e eu encontrei algumas fotos bacanas que as retratam, uma do livro “Industrial de Mauá”, e é o registro de 1966, no torneio de saudade:

Industrial de Mauá - Campo do Corinthians 196

A outra foi postada pelo Ozires, na fanpage “Casa Branca FC“, onde ele sempre publica fotos de times do ABC. É, curiosamente, o time do Palmeirinhas no campo do Corinthians…

Palmeirinhas de Santo André

A terceira foi enviada pelo Ovídio (torcedor fanático do Ramalhão e que acompanhou a época de ouro desse estádio).

E essa de quando o Humaitá (time amador de Santo André) jogou por lá!

Aqui, o time do “Vila Húngara” presente no tradicional Estádio:

Outro fato que ajudou o Corinthians a ser reconhecido mundialmente no universo do futebol é que  no dia 7 de setembro de 1956, o time recebeu no Estádio Américo Guazzelli o Santos FC e entre os jogadores visitantes estava um de apelido “Gasolina”, que entrou e marcou seu primeiro gol. Aquele que logo se tornaria um dos maiores jogadores do mundo: Pelé. E lembram no seo Cerchiari, lá do começo do post? Pois foi ele quem anotou o gol na súmula!

Corinthians de Santo André 1x7 Santos (7 de setembro de 1956)

O goleiro do Corinthians era Zaluar, que ficou conhecido localmente por se apresentar com o título “Goleiro que levou o primeiro gol de Pelé”.

Zaluar - goleiro do Coritnhians FC de Santo André
Cartão Zaluar

Olha ele aí no gol do Américo Guazzelli:

Zaluar - goleiro do Coritnhians FC de Santo André

Aqui, uma visão aérea do Estádio Américo Guazzelli, em1958:

Estádio Américo Guazzelli - Corinthinas Santo André

O Corinthinha disputou ainda 3 campeonatos da A2, em 1955, 56 e 1970.

Desta época, o livro do Paschoalino traz uma linda imagem do time de 1958:

Corinthians Santo André - 1958

Jogou também a série A3 do Campeonato Paulista em 1957 e 1961, retornando ao amadorismo em 62, com o time abaixo:

Corinthians Santo Andre 1962

Aqui, o time de 1965:

Corinthians FC de Santo André - 1965

E esse o time de 1970, com vários jogadores do Santo André FC (que decidiu não disputar o campeonato aquele ano abrindo a vaga para o Corinthians FC) entre eles o goleiro Carlão, que arrumou a foto:

Corinthians Santo André 1970

Falando sobre outros times que mandaram seus jogos lá, em 1957, o CA Ypiranga apresentou a proposta de uma fusão para juntos disputarem a série A1. Embora a fusão não tenha dado certo (muito devido à pressão da imprensa e torcida local), o Ypiranga mandou seus jogos no Estádio Américo Guazzelli.

Estáio Américo Guazzelli - 1958

Essa foto acima e esta abaixo são da preparação do estádio para uma partida do CA Ypiranga contra o Corinthians da capital e quem as encontrou em uma Gazeta Esportiva de 1958, foi o Doug (Daniel Andrade) um aficcionado por fotos e imagens antigas.

Estádio Américo Guazzelli - 1958

Olha o Schank (que jogou no próprio Corinthians de Santo André) jogando pelo Ipiranga no Américo Guazzelli:

Schank

O Corinthians conseguiu enfrentar os 4 grandes de São Paulo no Estádio Américo Guazelli, além do Botafogo, CA Ypiranga, Ponte Preta, Portuguesa e o que se via era um estádio sempre cheio!

Em 1967, foi a vez do time Irmãos Romanos mandarem seus jogos no campo do Corinthians.

Distintivo da Sociedade Esportiva Irmãos Romano

Esse era o time deles, alguns anos antes, em 1964 (foto do site História do Futebol):

Sociedade Esportvia Irmãos Romano

Outro que fez do estádio sua casa foi o Santo André FC.

Santo André FC

O primeiro jogo oficial do clube ocorreu na comemoração do aniversário da cidade (8 de abril) de 1968, em um amistoso contra o Santos.

E aqui, eu homenageio outro grande pesquisador do futebol de Santo André, Marcelo Bellotti, já falecido, que conseguiu as cópias das fotos do Diário do Grande ABC, desta partida.

Santo André FC x Santos F (1o jogo do Santo André) 8 de abril de 1968
Santo André FC x Santos F (1o jogo do Santo André) Santo André FC x Santos F (1o jogo do Santo André) 8 de abril de 1968

Outra partida inesquecível do Canarinho (na época era este o apelido do Santo André FC, por conta do seu uniforme amarelo) foi um amistoso contra a seleção do Congo:

Estádio Américo Guazzelli - Santo André FC x Congo

Mas vários outros jogos foram disputados ali até a inauguração do Estádio Municipal Bruno José Daniel.

A foto abaixo foi “recolorida” pelo amigo torcedor Roberto:

Santo André FC 1971

Aqui, outra formação:

Corinthians Santo André

No início dos anos 2000, quem aparece como presidente do Corinthians tentando resgatar o futebol do clube e levá-lo novamente ao profissionalismo? Nelson Cerchiari!!! Ele sonhava em disputar a série B3 do Paulista, com o departamento de futebol profissional tercerizado, mas acabou não dando certo.

Atualmente o Corinthias segue no mesmo endereço: Rua 7 de setembro, 248 – Vila Alzira.

Estádio Américo Guazelli - Corinthians FC Santo André
Corinthians de Santo André
Estádio Américo Guazelli - Corinthians FC Santo André

Como o mundo dá voltas, décadas depois do primeiro gol do Pelé, agora o estádio possui uma escolinha do Santos.

Estádio Américo Guazelli - Corinthians FC Santo André

Mas seu estádio não é o mesmo. Já não possui suas arquibancadas, nem o belo campo onde fez história, mas ainda existe um campo!

Estádio Américo Guazzelli - Corinthians Santo André
Estádio Américo Guazzelli - Corinthians Santo André
Estádio Américo Guazzelli - Corinthians Santo André

Depois de muitas ofertas e negativas a pressão imobiliária venceu e parte do que fora o campo (o local em que Pelé marcou seu primeiro gol) se transformou em um empreendimento imobiliário. Outra parte permitiu ao clube social crescer e manter-se vivo e ativo.

Estádio Américo Guazzelli - Corinthians Santo André

O futuro deste time centenário, que vivenciou todas as transformações da nossa cidade nos últimos 108 anos? Não sei. Vamos aguardar e ver quais surpresas aguardam o Corinthians de Santo André! Pra terminar uma foto especial com o amigo Mário, outro apaixonado pelo futebol e que me salvou com algumas foto antigas que fizemos em uma visita ao Corinthinha em 2019!

Estádio Américo Guazzelli - Corinthians Santo André

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