Em novembro de 2025, resolvi celebrar meu aniversário reunindo a família na pacata cidade de Águas de Santa Bárbara, mas, como o interior é cosmopolita, aproveitei para revisitar a cidade de Óleo e conhecer Manduri, onde aproveitei para registrar mais um estádio.
Já estive em Águas de Santa Bárbara há muitas décadas, mas não lembrava da cidade… Possivelmente está região foi ocupada pelos povos tupis e kaingang que se beneficiavam do ambiente gerado pelo rio Pardo. Olha que cenário lindo!
A chegada dos europeus fez ser fundada a vila de São Domingos, às margens do Rio Pardo, em 1868. O nome da vila acabaria alterado para Santa Bárbara do Rio Pardo em homenagem à Santa Bárbara e o local foi elevado à categoria de cidade em 1876. Em 1978, o nome foi alterado para Águas de Santa Bárbara para reforçar a sua fama como estância hidromineral.
Infelizmente, o futebol em Águas de Santa Bárbara tem pouca história. A cidade nunca teve um time profissional e nem mesmo uma equipe que marcou época nas disputas amadoras da região. Atualmente existe uma certa movimentação em torno da fomentação do time do Águas de Santa Bárbara FC, mas não existe nenhuma ação concreta, como a disputa de um campeonato ou filiação em alguma liga ou federação.
Fomos visitar o Estádio Municipal de Águas de Santa Bárbara, e ele reforça o momento atual (isso em 2025) do futebol da cidade.
Ainda não há arquibancadas, apenas a estrutura que se vê abaixo.
Pior que durante nossa visita caiu uma chuva, deixando o visual ainda menos animador.
Como se pode ver, o campo ainda não tem um sistema de drenagem muito eficiente.
Mas, tudo pode mudar. Aqui, o meio campo, onde pode ser construída uma arquibancada na lateral.
Aqui, o gol da direita. E também existe espaço ao fundo do gol para novas estruturas, caso necessárias.
Aqui, o gol da esquerda, lá atrás passa uma rua de acesso, onde você pode ver o valente Mobi branco.
Enfim… Ficamos na torcida por dias melhores do futebol local!
Antes de chegar na cidade, aproveitamos para dar uma parada na cidade vizinha: Jardinópolis!
Sempre importante lembrar que antes do nome, antes mesmo da cidade e das linhas no mapa, já havia vida, cultura e história correndo por aqui. Segundo estudos (vale ler esta sucinta matéria), a região de Jardinópolis era habitada originalmente pelos Caiapós, chamados de “Tapuias” (algo como “bárbaros”) pelos Tupis. Os Caiapós cultivavam milho e mandioca e eram semi-nômades, caçando, pescando e coletando mel e frutas nativas. Estes são alguns Caiapós em foto de 1876 que está no museu de antropologia da Alemanha:
A partir do século XIX, os europeus e mamelucos começam a ocupar a região e surgem as primeiras fazendas. Uma delas ficou conhecida como “Ilha Grande“, devido a uma ilha no leito do Rio Pardo e parte dela foi doada para ser transformada em um povoado, que a partir de 1898, passou a ser chamado de Jardinópolis. A agricultura é muito importante para a cidade, conhecida como a “capital da manga”.
As mangas jardinopolenses passaram a ser levadas para São Paulo e de lá para outros centros do Brasil, pelas estradas de ferro, já que o município era cortado pelas linhas da antiga Companhia Mogiana.
Jardinópolis foi berço do incrível Rubens Francisco Lucchetti, um verdadeiro mestre da literatura de terror brasileira, e roteirista de José Mojica Marins, em alguns dos filmes e HQ’s de Zé do Caixão. Luchetti faleceu em 2024.
Mas, o município de 45 mil habitantes possui também grande cultura futeboleira. Uma prova disso é que Jardinópolis teve a primeira partida de Futebol Feminino ainda em 1921.
Esta partida se deu em um dos palcos mais antigos do futebol de Jardinópolis: o campo da Associação Olímpica Jardinópolis!
Li que na época, havia um time chamado São Paulo de Jardinópolis que mandava ali seus jogos, mas a Associação Olímpica também já existia, pois foi fundada em 1919. Aqui, matéria do Correio Paulistano de 1920 citando o time:
Estivemos por lá conversando com o Agnaldo e ele nos mostrou diversas fotos históricas do time, como esta de 1951:
Neste ano, o Correio Paulistano comprova que o time disputou o Campeonato Amador do Interior, bem como o São Paulo e o Jardinópolis, todos da cidade.
Aqui, a classificação de seu grupo em 1956:
Em 1958, a possível criação de uma zona local com times da região para jogarem a 3ª divisão animou a Associação Olímpica!
Outras fotos bacanas que o Agnaldo mostrou pra gente:
Como estávamos a caminho da final do Campeonato Amador do Estado, importante lembrar que a Associação já conquistou esse título em 1985 e 1993!
Fiquei contente de ter o amigo Mário ao meu lado em mais um registro histórico de um estádio de futebol do interior paulista, o Estádio Alexandre Jorge Saquy, a casa da Associação Olímpica de Jardinópolis!
Sinta o clima do estádio durante nossa visita:
O estádio mantém sua arquibancada coberta, afinal, o sol em Jardinópolis é mesmo forte…
Vemos o distintivo do clube exposto em diversos locais.
Aqui, o gol da esquerda:
O meio campo:
E o gol da direita:
Se você tem interesse em uma camisa dessa fale com o Agnaldo pelo Instagram do clube.
E o pessoal da cidade abraça o clube, tem orgulho em vestir a camisa e fazer o dia-a-dia acontecer. Esta branca é a camisa do centenário e é um sucesso na região!
Mas tem essa rubro negra que também é muito bonita!
E este outro modelo branco:
O clube tem registrado e guardado muito de sua história via as fotos que resgataram em 2019, ano de seu centenário…
E também tem guardado outros souvenirs como as medalhas que o time sub14 ganhou recentemente.
O Agnaldo nos contou um pouco sobre os projetos da Associação com as categorias de base e é muito legal ver o orgulho que ele tem ao nos falar disso!
Mais do que um passado, o campo da Associação Olímpica carrega o futuro do futebol em Jardinópolis!
A Associação Olímpica é mais que centenária e é motivo de orgulho para a cidade.
Por isso, é muito emocionante ver a bandeira do time seguir tremulando mesmo após tanto tempo.
Espero poder voltar um dia para acompanhar uma partida oficial!
Atualmente, pouco mais de 21 mil pessoas vivem em Lucélia.
A cidade soube manter importante parte de sua arquitetura, tornando-a um lugar muito interessante para visitar.
E a cidade tem uma forte ligação com o futebol, afinal o futebol society, foi idealizado em Lucélia no ano de 1966, por Hamilton Di Stéfano e Paschoal Milton Lentini. Desta idealização, surgiu o esporte que hoje é praticado em todos os Estados do Brasil.
Mas nosso objetivo era conhecer e registrar o Estádio Municipal José de Freitas Cayres.
Mais uma bilheteria para a nossa coleção de fotos.
Olha aí que bela arte ilustra a entrada do estádio:
E que tal dar uma volta lá dentro?
O Estádio Municipal José de Freitas Cayres era a casa do Lucélia Futebol Clube (brasão no site Gino Escudos).
O time foi fundado em julho de 1943, o que faz o time ser mais antigo que a própria cidade (emancipada em 1944). O Lucélia FC já participou de 7 disputas de Campeonato Paulista entre a segunda e a quarta divisão, mandando seus jogos neste belo estádio!
O campo ainda possui sistema de iluminação:
Em 1950, o Lucélia FC se filiou à Federação Paulista de Futebol.
Em 1952, a equipe disputou a segunda divisão da época, enfrentando Linense, São Paulo de Araçatuba, Tupã, Bandeirante, Penapolense, 9 de Julho de Getulina e AA Adamantina.
A partir deste ano, muitos times vieram jogar amistosos em Lucélia para colaborar com a preparação do time, entre eles XV de Jaú, Marília, Noroeste, Ponte Preta, Palmeiras e o Corinthians do goleiro Gilmar dos Santos Neves.
Anos depois, o time disputou duas edições da terceira divisão (1958 e 1959) e três da quarta divisão (1960, 1964 e 1965). Aqui, o time de 1962:
Olha como ficava lotada a arquibancada do Municipal:
Aqui mais fotos atuais do estádio, da nossa visita:
O gol segue lá, como maior objetivo de tantos artilheiros das ruas dessa pequena cidade…
O estádio tem seu nome em homenagem ao primeiro presidente do Lucélia FC: Manoel de Freitas Cayres.
A arquibancada coberta ainda aguarda o dia de reunir centenas de moradores locais gritando o nome do time da cidade!
O gramado sofre nessa época do ano com a seca, mas está muito bem cuidado.
E ainda possui um lance de arquibancada na lateral do campo.
Antes de irmos embora, descobrimos que o time (e a cidade) do Lucélia FC tem uma grande rivalidade com o time (e a cidade) do Rinópolis FC, graças à Copa Amnap (Copa da Associação de Municípios da Alta Paulista) de 2013 (que só foi acabar em 2014). O primeiro jogo da final, terminou 1 a 0 para Lucélia, mas não foi realizado na casa dos rinopolenses, mandantes da partida, e sim em Piacatu (SP), por um veto do Corpo de Bombeiros ao estádio do município. Já a segunda partida seria disputada com portões fechados, pois a organização alegou que havia indícios de briga entre as torcidas. A diretoria do time rinopolense não concordou com a decisão e disse que não compareceria à partida. E assim, esse foi o time campeão, que ganhou a final por WO:
Nessa quarta feira, a série A2 voltou à ativa. Sem dúvida os estádios do interior de São Paulo terão dias de emoção, diversão e agito!
Nós fizemos nossa parte como torcedores e fomos até o Estádio Municipal Doutor Augusto Schmidt, em Rio Claro para assistir à estreia do Santo André frente ao Rio Claro.
Aproveitamos a faixa pra fazer um “merchan” da nossa banda, o “Visitantes“.
Os estádios seguem como sempre… Torcidas Organizadas, faixas, pouco público… E tudo o que for necessário pra sua proteção…
A torcida local compareceu, aqui o pessoal da Sangue Azul.
Fomos bem recebidos pelo público local e mesmo próximas as duas torcidas não se provocaram, mantendo um clima familiar na estreia.
Em campo, um jogo difícil de jogar e de assistir. Partida disputada e truncada, atrapalhada pela falta de ritmo dos dois times.
O Estádio Municipal Dr. Augusto Schimidt Filho possui ainda um lado coberto, que contou com a presença de alguns torcedores.
Aí estão os dois lados da cor azul…
Embora fosse a estreia da série A2, pra nós já era a terceira viagem do ano, após acompanhar o time na copinha, na cidade de Leme.
Fica aí nosso alo para os torcedores das duas equipes que acabaram empatando por 1×1. E preparem-se para 2012, porque o ao promete jogos e estádios fantásticos!
Sexta feira de muito sol pelo interior de São Paulo e após uma estrada sem nenhum trânsito, chegamos rapidamente à cidade de Leme. Nosso objetivo: o Estádio Municipal Bruno Lazzarini!
É o primeiro jogo do ano e tinha que ser do nosso clube do coração, o Santo André, frente a outra potência futebol brasileiro, o Internacional-RS.
Se a torcida do Santo André não é das maiores, sem dúvida tem se tornado uma das mais presentes. Para nossa surpresa até que tinha bastante que saiu de Santo André para acompanhar o time.
O pessoal da Fúria Andreense mais uma vez homenageou o jovem Lucas Moraes que faleceu no final do ano, em Itanhaém.
A torcida do Internacional também apareceu por lá! Aliás, tanto Ramalhinos quanto torcedores do Inter foram muito bem recebidos pela torcida local.
Torcida local que ficou bastante triste ao ver no jogo de abertura mais uma derrota do Lemense, que acabou eliminando o time da fase seguinte.
A eliminação precoce castiga o trabalho muito bem feito pela Prefeitura e por toda cidade que se envolveu e que tem se acostumado à realidade da Copinha. Até informativo eles distribuíram.
Falando um pouco do jogo, o Inter veio com tudo pra cima do Santo André, no primeiro tempo. Tudo o que o Ramalhinho pode fazer foi se defender e contar com a boa atuação do seu goleiro. O calor estava muito forte, desgastando os atletas e a torcida…
Durante o intervalo, aproveitei para conversar com alguns torcedores locais, infelizmente como estava tendo uma série de sorteios, anunciados pelo sistema de som, o áudio da entrevista que fiz ficou ruim, mas fica aí a imagem do amigo José, torcedor do Lemense, em apoio à idéia “Apoie o time da sua cidade”.
O estádio recebeu um bom público!
O jogo recomeçou e para a surpresa da imprensa (que insiste em “desconhecer” o Santo André) o Ramalhão fez 1×0. Festa em azul e branco, nas arquibancadas do Brunão (por coincidência, o Estádio do Lemense chama-se Bruno Lazzarini).
Mas, o segundo tempo estava recheado de emoção. Pouco após o gol, o Santo André teve um jogador expulso. E pouco após a expulsão começou a chover. Mas choveu muito. E o time do Inter veio com a mesma força em busca do empate. O Ramalhinho lavou a alma do time e da torcida. A chuva ajudou a limpar qualquer resquício de 2011 e assim, fomos pra rede mais uma vez. Santo André 2×0 Internacional. E fim de papo. E fim de chuva. Restou aos poucos encharcados assistir ao apito final.
E a comemoração foi como a que todo torcedor sonha… Com raiva, felicidade, respeito ao adversário, mas sobretudo dedicação… De ambas as partes, do time à torcida.
Confesso que não gritava assim há algum tempo. Esses meninos nos fizeram reencontrar o orgulho perdido em 2011. Taí a prova:
Só restava voltar para casa. Com a alma (e o corpo) devidamente lavada!
A 102ª camisa da coleção vem do interior de São Paulo, grande celeiro de times e histórias ligadas ao futebol.
É com orgulho que escrevo sobre a história do Olímpia Futebol Clube.
Recentemente entrevistaríamos o presidente do Olímpia, mas na hora H ele acabou não conseguindo participar ao vivo e nos mandou um vídeo, vale a pena assistir:
Comprei essa camisa no próprio Estádio Maria Tereza Breda, em outubro de 2010. Ao passar por lá, o time sub-20 ainda estava pelos vestiários. Eles haviam acabado de perder para o sub-20 do Santos num polêmico 2×1. Veja aqui como foi esse rolê!
Estive na cidade para conhecer as famosas Termas dos Laranjais, um parque aquático incrível que fica em Olímpia!
Mas falando sobre o time do Olímpia, sua fundação se deu em 1919.
Como toda equipe do interior, em seu início o time do Olímpia limitava-se a representar a cidade em torneios regionais.
De 1936 a 1946, o time mudou provisoriamente seu nome para Associação Atlética Olímpia.
Em 1950, veio o profissionalismo e a disputa dos campeonatos organizados pela Federação Paulista de Futebol.
Em 1953, passou a valer uma lei que obrigava as cidades sedes dos times da segunda divisão a terem pelo menos 50 mil habitantes, assim, o time passou a disputar torneios amadores e a terceira divisão.
Em 1957, sagrou-se campeão do “Setor 33” (a Federação dividia o campeonato em regiões). No jogo que definia o acesso, perdeu para o Fernandópolis por 2×1.
1959 trouxe um grande número de torcedores para o Estádio Tereza Breda, o time jogava bem e acabou campeão da “Série Brigadeiro Faria Lima” e novamente disputando a vaga para a segundona, desta vez contra a Votuporanguense.
Em 1961, o Olímpia foi campeão da “Série Cafeeira”, na final contra a já tradicional rival Votuporanguense. A foto do time campeão:
Outros títulos viriam em 1973 e 1975, sendo bicampeão da “Série C”, dando condições ao clube de disputar sua promoção para a “Divisão Especial”, mas o sonho foi interrompido pelo Santo André.
1978 é o ano mais triste de sua história, pois o Olímpia se exclui da Federação, pondo um fim momentâneo aos sonhos dos torcedores locais. Após muito sofrimento, o time conseguiu voltar.
Em 1985, ressurge o Olímpia F.C. . Em 1988 disputou a “Divisão Intermediária”.
Em 1990, a diretoria chegou a tentar licenciar o time, mas por brincadeira do destino o elenco montado para aquele ano traria a maior glória da história do time, o título da Segunda Divisão e o consequente acesso à Primeira Divisão, onde permaneceu por três anos. O time de 1990:
O de 1991:
Fuçando na minha coleção de canhotos de ingresso, pude achar um do jogo que o time fez em Santo André, contra o meu Ramalhão, num domingo, 1 de setembro:
Achei também um de 1995:
Guardei até a escalação dos times:
No ano seguinte passou por dificuldades e depois de péssima campanha foi rebaixado para a Série A-3.
Em 2000, sagra-se campeão do Paulista da Série A3 e disputa ainda a Copa João Havelange chegando até a Semi-Final.
Em 2001, disputa a série A2 e por um ponto não consegue o acesso à série A1. Jogou com o time:
Em 2006, depois de sete anos consecutivos na série A2, o Olímpia foi rebaixado para a Série A-3, sagrando-se campeão, no ano seguinte, num campeonato que contou com times como Ferroviária e XV de Piracicaba. 2007 também ficará marcado na memória de todos os olimpienses. Mais uma vez, após quase não disputar o campeonato e quase encerrar as atividades, o Olímpia Futebol Clube conquista a Série A-3, lutando com adversários como Ferroviária e XV de Piracicaba.
Infelizmente, a partir de 2008, o time entrou em queda livre, voltando para a série A3 até cair, em 2010 para a série B do Paulista, o campeonato mais dificil do mundo. O time manda seus jogos no Estádio Maria Tereza Breda:
Seu mascote é o Galo Azul:
Como curiosidade, vale citar que o poderoso Paulistano chegou a disputar uma partida contra o Olímpia e aproveitou para emprestar nada mais nada menos que Friendereich para um amistoso contra o Jaboticabal.
Quem também visitou a cidade para jogar um amistoso foi a equipe do Penarol, em 1928. Mas uma das cenas mais curiosas do time é essa…
A torcida Mancha Azul é quem comanda a festa nas arquibancadas: