O futebol em Bilbao

Bilbao - País Basco

E lá se vão 5 anos desde um dos rolês mais legais que já fizemos! Em dezembro de 2015, fomos para a Espanha e conseguimos pegar um trem até a Estacion Abando Indalecio Prieto, porta de entrada de Bilbao!

Estação Abando Indalecio Prieto - Bilbao - País Basco

No caminho, ainda passamos uns dias em Zaragoça (veja aqui como foi). O visual até Bilbao foi lindo… Paisagens que talvez a gente nem imagine quando pensa na Europa…

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

A minha espectativa em relação a Bilbao era enorme… Cresci escutando as bandas punks de lá, como o Eskorbuto.

Ou o Kortatu…

A cidade tem lugares muito bonitos…

Bilbao - País Basco

Muito dessa beleza é graças ao “rio de Bilbao” (também conhecido como rio do Nervión ou do Ibaizábal), que atravessa Bilbao, dividindo a cidade em duas: à direita, o Casco Viejo ou Siete Calles (“Sete Rúas”) e, à esquerda, o Ensanche.

Bilbao - País Basco

Aproveitamos pra conhecer um pouco dos museus da cidade.

Bilbao - País Basco

Pra quem não sabe, o País Basco é considerado um país a parte da Espanha, tal qual se consideram os Catalães de Barcelona, e por isso, a arte local sempre foi muito influenciada por este sentimento de independência.

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

A arquitetura de Bilbao guarda muita coisa do passado.

Bilbao - País Basco

Mesmo as coisas comuns ao nosso dia a dia aqui em Santo André ganham outro olhar quando a gente viaja…

Bilbao - País Basco

A cidade de Bilbao sofreu grandes problemas ecológicos e sociais com a chegada das siderurgicas ainda no fim do século XIX, e pra tentar se reconstruir, passou a se investir muito em cultura, então em quase todo lugar você encontra intervenções artísticas.

Bilbao - País Basco

O Museu que melhor representa esse renascimento da cidade é o Guggenheim.

Bilbao - País Basco

Museu Guggenheim Bilbao - País Basco

Embora possua vários prédios, a cidade é bastante arborizada e tem um aspecto menos “sufocante” do que as tradicionais capitais.

Bilbao - País Basco

Bilbao é a capital do território histórico da Biscaia e em 2019 tinha 346 843 habitantes.

Museu Guggenheim Bilbao - País Basco

A área metropolitana de Bilbau se estende ao longo do rio de Bilbao e do rio Nervión.

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

O principal núcleo urbano de Bilbao é rodeado por duas cadeias montanhosas, aliás, por estar no meio das montanhas alguns locais chamam carinhosamente a cidade de “o buraco”.

Bilbao - País Basco

A cidade foi fundada no início de século XIV, e graças ao porto, logo se tornou um importante centro comercial e assim como quase toda a Europa, ao longo do século XIX teve as influências da revolução industrial.

Bilbao - País Basco

A primeira povoação da cidade é o atual e charmoso bairro do “Casco Velho”.

Bilbao - País Basco

Fomos caminhando pela cidade até esse charmoso bairro, o que nos permitiu conhecer diversos espaços da cidade, como a antiga estação.

Bilbao - País Basco

O Casco Viejo é conhecido pelas “7 ruas” e pouco antes de chegar lá está a Igreja de São Nicolau (de 1756), em estilo barroco.

Bilbao - País Basco

Existe toda uma discussão em torno da independência do país basco e sua traidcional bandeira é vista em diversos lugares, como forma de reforçar o orgulho basco!

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

O bairro mais legal da cidade é o Casco Viejo, um bairro medieval, com ruas estreitas cheias de bares e  tavernas.Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

Existe uma forte politização dos jovens, refletida pelos adesivos espalhados pela cidade!

Bilbao - País Basco

rash

Bilbao

E os bares misturam comida, bebida, música…

Bilbao - País Basco

Bilbao - País Basco

A cidade é mesmo única!

Bilbao - País Basco

Achei um LP do Penadas por La Ley, banda argentina que já tocou com a gente aqui no ABC!

Bilbao - País Basco

A rua mais famosa do Casco Viejo é Barrenkale Barrena.

Bilbao - País Basco

E foi ali que comecei a sentir um pouco do gosto do futebol local, com o restaurante da Pena Athletic (pena é o nome para “torcida” lá).

Bilbao - País Basco

Comida boa e futebol eternamente.

Bilbao - País Basco

Bandeiras nas janelas…

Bilbao - País Basco

Fizemos um passeio meio doido caminhando por algumas horas até chegar num bazar alternativo. Foi bacana porquecruzamos boa parte da cidade.

Bilbao - País Basco

Lá chegando já nos animamos ao ver em um muro um grafite em homenagem ao histórico militante Periko Solabarria.

Bilbao - País Basco

E esse era o bazar!

bazar em bilbao

Na volta do role ainda achei uma loja onde pude comprar um clássico do Eskorbuto em vinil!!!

eskorbuto

Po, e achamos uma loja de boinas….

loja de boinas em bilbao

Mas… Também estávamos ali por uma paixão futeboleira: o time do Athletic Club Bilbao, cujo distintivo faz referências a 3 ícones bascos: 1) Árvore de Guernica (que sobreviveu aos bombardeios durante a Guerra Civil Espanhola), 2) Igreja de Santo Antão e 3) Ponte de Santo Antão, atravessada pelo rio Nervión.

Distintivo do Athletic Club Bilbao

O Athletic Club, também conhecido como Athletic Bilbao foi fundado em 1898 e junto com toda essa cultura que vimos pela cidade, colabora para a afirmação da identidade basca, pra se ter ideis, o time ainda não contrata atletas estrangeiros (nem mesmo espanhois). O mascote do clube é um leão.

Leão - Athletic Club

E pra conhecermos mais do time fomos até o Estádio de San Mamés!

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

O “novo” Estádio San Mamés foi reconstruído, na área onde ficava o antigo estádio de mesmo nome (mas conhecido como La Catedral). Nele, cabiam 40.000 torcedores, mas foi demolido em 2013 e dele só restou seu arco, construído em 1953 como um marco da edificação original!

O time foi fundado por britânicos (por isso o nome é em inglês) e posicionou-se como reação à opressão franquista, nos tempos de guerra civil espanhol.

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Pouca gente sabe, mas o Atlético de Madrid surgiu como uma filial da equipe basca na capital espanhola.

Atlético de Madrid

Voltando a Bilbao, infelizmente o estádio estava fechado para visitas internas.

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Uma bilheteria a mais pra nossa conta!

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

O estádio tem uma vista incrível, localizado às margens do rio!

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

O Athletic Bilbao foi um dos últimos times a não contar com uniforme patrocinado.

Athletic Bilbao

Infelizmente não conseguimos uma visita ao estádio, mas deu pra curtir o visual!Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

O Athletic nunca caiu pra segunda divisão e só fica abaixo de Barcelona e Real Madrid em número de títulos.

Hey, dá pra ver um pouco da parte interna por aqui…

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Mas vale pegar uma foto do site oficial do time, para se ter ideia do tamanho do Estádio San Mamés e sua capacidade de 53.289 torcedores.

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Hora de ir embora.

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Olha a decoração do muro nas proximidades do Estádio:

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Novo Estádio San Mamés - Bilbao - País Basco

Um último registro e… voltemos à realidade da pandemia…

Estádio San Mamés

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O adeus a um gigante do futebol…

Ferreira

A notícia é triste e somente o portal futebolinterior.com.br conseguiu chegar perto do tom necessário:

futebol interior

O futebol é um esporte bem diferente dos demais… Nem melhor nem pior. Mas diferente.

E boa parte dessa diferença é devido a toda cultura que se cria ao seu redor.

E Luís Carlos Ferreira, o “Ferreirão” foi um dos personagens que ajudaram não só a manter acessa essa chama da cultura futebolística como incendiá-la um pouco mais.

Muito mais do que colecionar acessos (que provavelmente será o fato mais considerado pela imprensa esportiva), Ferreira criou um verdadeiro universo paralelo dentro do futebol profissional.

Não faltam causos, histórias e lendas em torno do seu nome.

Decisões e atitudes que jamais seriam aceitas ou pensadas no futebol profissional de hoje em dia.

Junto dos bons resultados e dos acessos, essas atitudes “fora da caixa” fez com que ele se tornasse um nome tão forte e conhecido no mercado, ao mesmo tempo em que jamais tenha conseguido chegar ao primeiro nível dos treinadores brasileiros.

Não vou ficar citando aquilo que você vai ler em qualquer site por aí… Vou apenas fazer minha homenagem baseada em 4 fatos / lembranças curiosas e importantes:

1) Em 1997, ele dirigia o time da Matonense (contando com o apoio da Predilecta e consequentemente da TV Bandeirantes e de Luciano do Vale) e ao final de um polêmico jogo contra o Santo André, cheio de expulsões onde eles ganharam por 4×2 (lembre aqui como foi) Ferreira mandou um recado para a torcida Ramalhina (já que dependeríamos diretamente do resultado de Matonense x Ituano), algo como “Eu queria dizer pro pessoal do Santo André que vão ao jogo de domingo e que o time faça sua parte, porque nós vamos jogar pra ganhar do Ituano, em Itú”. Eles empatariam em 1×1, mas o Santo André não conseguiu fazer sua parte, empatou também e acabamos fora da A1 98…

Quadrangular final A2 1997

2) Em 2001, conquistamos o acesso da série A2 para a A1 sob o comando do bruxo Ferreira, com classificação vinda nos penaltys aos 48 do segundo tempo (num jogo contra o Ituano). Essa, na minha opinião foi a melhor passagem de Ferreira pelo time. A foto abaixo é de um momento após a carreata de comemoração pela cidade:

Ferreira 2001

3) Em 2003, o Santo André chegou à última rodada da série C do Brasileiro precisando vencer a Campinense em Campina Grande para conquistar o acesso à série B, e mesmo antes do jogo começar, Ferreira armou um “quiprocó” com o jogador “Zinho” (que era seu amigo próximo), para desestabilizar o principal jogador adversário (o que aparentemente deu certo). O Santo André voltou da Paraíba com a histórica vaga para a série B.

4) Em 2008, o Santo André estava de volta à A2 e nosso jogo de estreia foi em Catanduva. Meu carro estava bem na frente do estádio e no fim do jogo a torcida local disse a nós e à polícia que não nos deixariam sair hehehehe. A solução da polícia foi incrível: “Coloque o seu carro dentro do estádio (na arquibancada mesmo) enquanto a torcida local vai embora”. Assim o fiz e para minha surpresa as últimas pessoas a irem embora do estádio era um grupo de senhores, entre eles… Ferreira! Ele foi solidário e ficou batendo um papo por uns 15 minutos enquanto aguardávamos.

Ferreira - 2008

Enfim, Ferreira fez parte da minha vida como torcedor nos últimos 25 anos… Foi um ícone para o futebol do interior e muito especial para o Santo André (ele mesmo disse isso por várias vezes). Mais especial ainda para alguns que viam sempre a “eterna” possililidade do seu retorno iminente, fosse para salver o time, fosse para alcançar um acesso.

Chegou-se ao fato de existirem “santinhos da sorte” do Ferreira para se guardar na carteira em jogos decisivos.

Nesse domingo, 13 de setembro de 2020, Luíz Carlos Ferreira faleceu, e com ele o futebol perdeu um pouco da magia e do inesperado e talvez seja um caminho mesmo sem volta, que ponha no lugar estatísticas, mega patrcoinadores, arenas pomposas e um distanciamento cada vez maior entre torcida e jogadores / treinadores.

Para os poucos que ainda acreditam no resgate de um futebol (e por que não de um mundo) melhor e menos idiota, seguiremos com a lembrança nos nossos corações e mentes desse que foi um grande treinador.

Até um próximo encontro, Ferreira! Sentiremos sua falta!

 

Postado em Futebol ABC, interior sp on 14 de setembro de 2020 – 15:11 | Comments (2)
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O futebol profissional em Monte Mor

brasão de monte mor

Já é quase setembro de 2020… Ainda sob efeito da pandemia do COVID 19, e tomando todos os cuidados mais que necessários, aproveitiei o fim de semana e dei um pulo na cidade de Monte Mor, para conhecer e registrar o Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães.

Monte Mor

Vale lembrar que a área onde hoje fica a cidade era um local ocupado pelos índios Tupi-Guarani e muitos vestígios da época (como fragmentos de cerâmica e até  uma urna funerária com cerca de 1000 anos de idade) foram encontrados em escavações nos sítios Tapajós e Rage Maluf, na década de 70.

Após os índios serem dizimados pelos bandeirantes, o homem branco chegou, e usava a região de parada dos que passavam por ali e logo as primeiras famílias se estabeleceram ali dando origem a nucleos que se tornou Freguesia e, em 1871 elevada à Vila de Monte Mor.

No século seguinte, a cidade veria nascer o seu time de futebol, o Esporte Clube Monte Mor!

Distintivo do Esporte Clube Monte Mor

Destaque para a Cruz Orbicular (Cruz Templária) em seu distintivo. Essa cruz era usada pelos Templários portugueses e pela Ordem de Cristo.
O Esporte Clube Monte Mor mandava seus jogos no Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães e lá fomos nós registrar mais um estádio e dessa vez tendo o “Tio” Lúcio como guia!

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O rubronegro EC Monte Mor foi fundado em 2 de maio de 1957 e disputou a Quinta Divisão em 1978 e 1979 e a série A3 em 1980 e 1982. Esse foi o time de 1980:

Da esquerda para direita, em pé: Helio Jalbut (Técnico), goleiro reserva, Renatão, Chiquinho, Edson, Caetano, Zé Luiz, Louca (Goleiro), Alemão e Joãozinho Jalbut (Presidente). Agachados: Dimas, Mimi, ??, Ademir, Celso, José Antonio, Benê e João.

Graças ao amigo Jamil Lisboa, conseguimos algumas fotos do time dessa época.

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

As fotos são de um amigo dele, o Adhemar Alves, e fica aqui nosso agradecimento por poder dividir com outros apaixonados pelo futebol!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Mais do que algumas fotos quaisquer, elas registraram um dia na vida do EC Monte Mor:

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Especificamente, do último jogo da fase classifciatória de 1980, no dia 28 de setembro, contra o Cruzeiro do Vale do Paraíba (veja aqui nossa visita ao estádio deles!).

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

O Cruzeiro dependia do resultado deste jogo para se classificar!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

E não a toa, a torcida do time do Vale do Paraíba trouxe nada menos que 6 ônibus para Monte Mor!!!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Estádio lotado e com direito a transmissão pela Rádio de Cruzeiro e transmitida, com um telão colocado no centro da cidade de Cruzeiro, pela Tv de São José dos Campos!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Embora a data nas fotos seja de 1982, esse jogo foi mesmo pela A3 de 1980, uma vez que em 81, o EC Monte Mor não disputou o campeonato e em 1982, o Cruzeiro estava na série A2, justamente por ter sido campeão do ano anterior!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

O placar final foi 2×2.

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

O centroavante Celso marcou um dos gols do time da casa:

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Tem até o lance do gol dele:

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

E não é que até foto do trio de arbitragem (modelo padrão…) apareceu? Árbitro Antonio de Pádua Sales!

EC Monte Mor 2x2 Cruzeiro - série A3 - 1980

Mas a festa teve um final um pouco triste para a torcida local, já que no ano seguinte o EC Monte Mor não disputaria campeonato algum, retornando apenas em 1982 para fazer sua despedida oficial da série A3 e do futebol profissional… Ao menos, seu estádio segue por lá!

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Aliás, pelo que pudemos ver, o Estádio Municipal “José Maria de Freitas Guimarães” está passando por reformas…

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Aqui o gol do lado esquerdo, para quem está acomodado na arquibancada coberta.

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O meio campo:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

E o gol da direita:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O sistema de iluminação deixou de funcionar há alguns anos, devido ao furto dos cabos de energia.

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O amigo Stuchi ainda nos passou essa foto de uma vista aérea do Estádio:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

O convênio com o Governo Federal liberou cerca de R$ 360 mil para obras de revitalização do Estádio, mas pelo que eu entendi esse acordo é antigo e deveria recuperar o sistema de iluminação, os vestiários, alambrados e outras dependências do estádio.

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Que tal uma olhada no estádio como um todo?

Ah, e antes que você me pergunte como eu consegui as fotos e vídeos, em uma época em que o estádio está fechado, fica aí o nosso segredo:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

Mas também busquei outras fotos no Facebook da Prefeitura, até pra ter uma vista da arquibancada, e olha aí o que achamos:

Estádio Municipal Monte Mor

Esse é um time amado de muita força na cidade, o Santa Cruz:

E ainda achei alguns lance de partidas amistosos:

Estádio Municipal Monte Mor

Estádio Municipal Monte Mor

E, principalmente, uma visão da arquibancada coberta:

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

É isso aí…. Mais uma linda história do futebol paulista…

Estádio Municipal José Maria de Freitas Guimarães - EC Monte Mor - Monte Mor

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Enfim, a verdade sobre o futebol brasileira retratada…

*** ATENÇÃO*** Post com alto índice de pessimismo em relação ao futebol profissional… Siga por conta e risco:

Enfim um comercial que retrata a verdade sobre o futebol brasileiro.

Assista e perceba que o “torcedor” virou um personagem tão estranho quanto qualquer outra subcultura…

É tipo o “punk” do bairro.

Minoria na vizinhança, sua cultura não faz sentido aos demais moradores, que sequer lembravam que tinha um futebol pra voltar

No filme, o futebol voltou e são 2 apartamentos na rua toda (de uma grande cidade, cheia de prédios) que parecem comemorar.

O resto das pessoas está lá…  tricotando, trocando lâmpadas, brincando de chef na cozinha, lendo, tocando violão, pintando, cagando, estudando, transando, fazendo faxina, vendo netflix, ouvindo música, jogando um game, trabalhando em pleno fim de semana, dormindo…

O futebol brasileiro se tornou uma sub cultura, que para a sociedade em geral soa como arquetípica, risível, distante, inocente, infantil e que para a maioria das pessoas só serve pra de vez em quando vivenciarem uma fantasia adolescente, que nem essa geração de quarentões faz indo no show do Guns N Roses.

Quem ainda ama o futebol é tão tolo (e eu me incluo aí) quanto aquele cachorro do filme “Sempre ao seu lado”, que fica por anos indo até a estação de trem esperar o dono que nunca chega, já que ele morreu.

Sigamos indo aos estádios e curtindo nossas paixões, mas de verdade… o futebol está morto…

Postado em Filme futebol on 8 de agosto de 2020 – 20:28 | Comments (2)
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Saudades do Estádio, torcedor Ramalhino?

Pra quem torce pro Santo André e está com saudades do Estádio Bruno José Daniel, a banda Visitantes, lança um clip em homenagem ao dia-a-dia do torcedor, com a música “Mais um jogo no Brunão“.

Segue:

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193- Camisa da Associação Atlética Avareense

Camisa da Associação Atlética Avareense

Pessoal, a 193ª camisa de futebol da nossa coleção vem do interior de São Paulo e pertence à Associação Athlética Avareense.

Associação Atlética Avareense

Como o próprio distintivo demonstra, a AA Avareense acaba de completar seu centenário (fundação em 5 de junho de 1920) em meio à pandemia do Coronavirus.

Centenário da AA Avareense

A camisa foi um presente da própria diretoria de futebol, quando estivemos em Avaré visitando o Estádio da Avareense. Veja aqui como foi essa visita!

O time nasceu da fusão do Avaré Atlético Clube e do Atlético Clube Avareense e passou a ser figura importante no futebol amador da região.

Aqui, o time dos anos 40, que foram bem animados pro time:

AA Avareense 1940

Em 1942, jogou a 5a região ao lado do Cerqueira César FC, Piramboia FC (Anhembi), AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, além da AA Botucatuense, do Bandeirante FC (Botucatu) e da Ferroviária de Botucatu que se classificou para a sequência do Campeonato.

Em 1943, jogou a 5a região ao lado do Cerqueira César FC, CA Lençoense, AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, AE Laranjalense, além da AA Botucatuense e da Ferroviária de Botucatu que se classificou para a sequência do Campeonato.

Em 1944, jogou a 5a região ao lado do Cerqueira César FC, CA Lençoense, AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, além da Ferroviária de Botucatu, que se classificaria para a sequência do Campeonato.

Em 1945, disputou a 5a região, ao lado do CA Lençoense, AA Sãomanuelense e o EC Bandeirantes de São Manuel, além da Ferroviária de Botucatu e a AA Botucatuense, que se classificaria para a sequência do Campeonato.

Em 1946, disputou a 4a zona ao lado dos times de Botucatu: Bandeirantes, Ferroviária e a AA Botucatuense, que se classificaria para a sequência do Campeonato.

E se os anos 40 foram animados, os anos 50 viram a AA Avareense passar a disputar o futebol profissional pela primeira vez em 1954, quando jogou a série A3.

Os anos 60 ainda viriam outras cinco edições do Campeonato Paulista da Série A3 (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965).

Atualmente, o departamento de futebol do clube se dedica apenas a competições amadoras.

Estádio da Associação Atlética Avareense - Avaré

Aqui, um vídeo com algumas entrevistas com figuras históricas do time:

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1938: Quando os jogadores operários de Santo André enfrentaram os fascistas no futebol

Ainda antes da guerra mundial estourar, os movimentos nacionalistas de extrema direita tentavam se espalhar como uma reação às crises que assolavam o mundo.

2a guerra mundial

Em 1925 os Fascistas Italianos desenvolveram uma ação para ampliar o alcance da ideologia de Mussolini: uma organização recreativa para os trabalhadores chamada Opera Nazionale Dopolavoro (OND), algo como “Obra Nacional depois do Trabalho”.

Opera Nazionale Dopolavoro

A OND supostamente buscava promover o desenvolvimento físico, intelectual e moral da população, nos horários após o trabalho.

Essa ideia atravessou o oceano e veio dar as caras aqui no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, e em 1938, a recém criada  LFESP (Liga de Futebol do Estado de São Paulo) convidou o Opera Nazionale Dopolavoro de São Paulo para disputar a Divisão Intermediária, equivalente à série A2 do Campeonato Paulista. Porém, para a disputa, foram obrigados a mudar seu nome, oficialmente para Orgnização Nacional Desportiva (mantendo sua sigla OND).

Os fascistas brasileiros prometiam demonstrar suas proezas em campos paulistas, e assim, como dois times da nossa região também jogavam a divisão intermediária, Santo André (que na fazia parte de São Bernardo)  receberia em campo o time dos fascistas.

Fico me perguntando se esse fato gerou algum tipo de repercussão entre a torcida local, formada em boa parte por operários, muitos deles imigrantes italianos simpáticos ao anarquismo, que fizeram história na região com as primeiras greves, já em 1906 (essa em específico, na tecelagem Ypiranguinha, num local próximo ao que seria anos mais tarde o Estádio do Corinthians de Santo André).

O ABC vivia uma grande mistura de ideologias, com crescimento do Partido Comunista Brasileiro, além da reorganização da União Operária fazer surgir um novo sindicato.

Enfim, chega o esperado domingo, 9 de outubro de 1938 a capa da página de esportes do Correio Paulistano destacava o embate:

Correio Paulistano 1938

Organização Esportiva Nacional

Os fachos chegaram em Santo André para a disputa da partida contra o Primeiro de Maio FC.

Primeiro de Maio FC x Opera Nazionale Dopolavoro

O local da partida era o Mítico Estádio da Rua Brás Cubas, e como sempre acontecia, ele estava apinhado de torcedores naquele dia. Nenhum torcedor visitante esteve presente.

Em campo, um nome de peso para a política e para o esporte de Santo André: Bruno José Daniel (que anos depois daria nome ao Estádio Municipal).

Essa é uma imagem do campo naquela época, que mostra de fato como era forte a presença da torcida local:

Estádio da Rua Brás Cubas - Santo André

Presente nas arquibancadas, os anarquistas e comunistas da região empurraram os “flechas verdes“, ao lado.

O Primeiro de Maio não apenas jogou como se impôs diante dos fascistas que sequer esboçaram reação.

O caldeirão da Brás Cubas ferveu por quatro vezes, terminando com a vitória arrasadora por 4×1, aos gritos de “Não passarão!!!” que vinham das arquibancadas.

Os fascistas deixaram a cidade com a cabeça quente. E prometeram vingança…

Se não existia a possibilidade de um novo jogo contra o Primeiro de Maio, os fascistas descontariam sua raiva contra outra equipe operária: o Corinthians FC, o “Galo Preto da Vila Alzira”.

A partida estava marcada para o dia 13 de novembro, no Estádio do Corinthians, e se o Primeiro de Maio já levava torcida, o “Corinthinhas” era ainda mais imponente. Veja a imagens da arquibancada local na época, em um derbi contra o Primeiro de Maio (time perfilado):

Estadio do Corinthinas

O time que enfrentou a Organização Nacional Desportiva:

Corinthians SA

E mais uma vez, estampada nos jornais, o desafio entre operários do ABC e os fascistas:

Corinthians FX x Dopolavoro (fascistas)

E, nessa nova visita… Mais uma vitória para os operários anarquistas e comunistas de Santo André!

Corinthians SA x Opera Nazionale Dopolavoro de São Paulo

O Corinthinhas venceu por 2×1, no dia 13/11 contribuindo com que os fascistas desistissem de se aventurar no futebol profissional de São Paulo.

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