O futebol profissional em Barretos

Em 2016, pude acompanhar um acesso do Santo André, com sabor especial porque aconteceu em uma cidade que fica há mais de 400 km de distância e que também é apaixonada por futebol: Barretos!

Cidade de Barretos

Pra chegar lá e poder curtir um pouco da cidade, saímos bem cedo, tanto que pegamos até neblina no caminho.

Neblina

Mas chegamos com um tempo agradável, que nos permitiu passear um pouco pela cidade, já que o jogo seria a noite. A primeira coisa a aprender foi que as avenidas são identificadas por números ímpares e as ruas por números pares.

Rua 22 em Barretos

Barretos é conhecida por sua ligação com o gado, e pelos rodeios, mas como não concordamos com esse tipo de cultura, que envolve sofrimento e morte animal, olhamos a cidade por um outro ângulo, rendendo-nos à natureza, e à história local, como por exemplo a Estação Ferroviária, que foi importantíssima para a cidade e a região.

Estação Ferroviária de Barretos

Pelo que pudemos conversar com alguns torcedores locais, a cidade tem perdido um pouco do charme, com algumas ações de modernização, como a mudança de alguns equipamentos municipais, a demolição de antigos casarões dando lugar a prédios, verticalizando a cidade a cada dia. Quem luta para sobreviver em meio a esse caos moderno é o Cine Barretos.

Cine Barretos

Mas, as placa nos lembrava que o que nos levou até a cidade foi mesmo o futebol!

Estádio

Pra escrever sobre a história do futebol profissional em Barretos, contei com a ajuda do site www.futebolbarretos.com.br, do blog Zé Duarte Futebol Antigo e do amigo Manolinho Gonçalves. O primeiro time profissional a se criar em Barretos foi o Fortaleza Esporte Clube, fundado em 15 de novembro de 1936.

Fortaleza FC

O time alvi-verde, também conhecido como o “Periquito da rua 20” passou vários anos no amador, só estreando na Série A2 em 1955, no Setor Azul, terminando na última colocação.

Série A2 - 1955
Série A2 - 1955

Esse foi o time do Fortaleza que jogou a A2 de 1955:

Fortaleza FC 1955

Em 1956, terminaria em último lugar desta vez, na Série Cafeeira.

Série A2 1956 - Série Cafeeira

Em 1957, também não conseguiu uma boa campanha…

série A2 1957 - série C

Em 1958, subiu mais algumas posições, mas ainda terminando em uma posição na parte de baixo da tabela…

Série A2 - 1958 - Grupo Amarelo

Em 1959, termina a Série Geraldo Starling Soares na 6a colocação.

Série A2 1959

Jogaria ainda a série A3 em 60. Aqui algumas imagens antigas do time que o pessoal do Blog História do futebol encontrou na Revista Sport Ilustrado.

Fortaleza - Barretos
Fortaleza - Barretos

O Fortaleza EC mandou seus jogos no Estádio Fortaleza, que foi municipalizado em 1977, e em 1994 passou a ser chamado de “Antônio Gomes Martins – Tio Cabeça“, em homenagem ao ex-massagista de Barretos. É lá que o Barretos EC manda seus jogos, atualmente.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Esse é o tio Cabeça:

Tio Cabeça
Tio Cabeça - fortaleza

Peguei essa foto da entrada do Estádio no Google Maps!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E essa a gente fez durante uma visita ao estádio antes do jogo de 2016.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Mas se o Fortaleza EC foi o time mais antigo da cidade a disputar o profissionalismo, é hora de falarmos do Barretos FC, que embora fundado 2 anos depois, disputou os campeonatos da Federação Paulista antes!

Barretos FC

O Barretos Futebol Clube foi fundado em 7 de julho de 1938 e jogou o amador por 9 anos.
Aqui, um amistoso contra o Uberaba SC, em 1945:

Barretos FC x Uberaba SC

O Barretos FC só estreou na série A2 em 1947, fazendo uma campanha bem irregular, assim como seria em 1948 também:

série A2 1947 e 1948 (série Preta)

Em 1949, o time se licenciou, voltando a partir de 1950, ainda com campanhas bastante irregulares, mas ainda assim se transformando na alegria do futebol local!

Série A2

Com esse início complicado, 0 time acabou se licenciando do profissionalismo em 1953 e só voltando à A2, em 1955.

Série A2 - 1955 - Série Azul

Em 1955, houve a estreia do Dérbi de Barretos (6/11 – Fortaleza 1×1 Barretos e em 11/12 – Barretos 3×2 Fortaleza), no profissionalismo aqui, fotos do segundo jogo:

Estádio da Rua 32 - Barretos

Vale lembrar que em 1944, já houvera o dérbi, mas pelo Campeonato do Interior de 1944, no qual o Barretos FC chegou até a semifinal, contra o Guarani que seria campeão.
Em 1947, o Barretos voltou a disputou o Campeonato Profissional do Interior terminando em décimo e jogou também o amador.
Em 1956, mais uma campanha mediana na “Série Pecuária“, mas em 1957, além de mais 2 dérbis (28/4 – Barretos 3×1 Fortaleza e 28/7 – Fortaleza 2×3 Barretos), o time terminou na terceira colocação da Série C.

série a2 1956 e 1957

Em 1958, parecia chegar a hora…
O Barretos FC sagrou-se campeão do seu grupo, o Amarelo, além disso, mais dois dérbis: 8/6 – Barretos FC 4×0 Fortaleza e 19/10 – Fortaleza 0x3 Barretos FC.

Série A2 - 1958 - Grupo Amarelo

Na segunda fase, o Barretos FC caiu no Grupo João Havelange, onde terminou na quarta colocação.
O Corinthians de Presidente Prudente além de líder do grupo, seria campeão da A2 de 1958.

A2 - 1958

Em 1959, uma tragédia para a cidade, mesmo sem terminar na parte debaixo da tabela, no Grupo Geraldo Starling Soares, tanto Barretos FC quanto Fortaleza FC acabaram rebaixados para a Série A3.
E 1959 acabou marcado como o ano dos últimos dérbis: 31/5 – Barretos 3×1 Fortaleza e 23/8 – Fortaleza 0x3 Barretos.

Série A2 1959

O Barretos FC ainda chegou a disputar a A3 em 1960, mas o Fortaleza FC abandonaria as competições profissionais da Federação Paulista.

Barretos FC 1959

Nessas competições, mandaram seus jogos no Estádio da Rua 32, em frente ao Recinto Paulo de Lima Correia, onde hoje é a Praça 9 de Julho e o Terminal Municipal de Ônibus Urbanos.

Estádio da Rua 32 - Barretos

Segundo o amigo Manolinho, a Arquibancada Central era de madeira e idêntica a do Parque São Jorge.

Estádio da Rua 32 - Barretos

E a cidade ainda teria um terceiro time: o Motoristas Futebol Clube, fundado em 6 de março de 1944.

Motoristas FC

Olha que bela flâmula do time:

Motoristas FC

O Motoristas FC disputou a série A2 em 1950, terminando na 10a colocação. Assim, a cidade ganhou 2 dérbis em 1950: 30/7 – Barretos 1×0 Motoristas e 22/10 – Motoristas 3×0.

Série A2

Aqui algumas imagens do time já na época da volta ao amadorismo:

Motoristas FC - Barretos
Motoristas FC

O Motoristas FC mandava seus jogos no Estádio Dr Adhemar de Barros Filho, ou o “Campo dos Motoristas da Avenida 21“.

Estádio Dr Adhemar de Barros Filho - "Campo dos Motoristas da Avenida 21".
Estádio Dr Adhemar de Barros Filho - "Campo dos Motoristas da Avenida 21".

Mas, infelizmente estes 3 times pertencem ao passado.
O presente do futebol profissional da cidade de Barretos começou a ser escrito em outubro de 1960, quando o Barretos FC e o Fortaleza FC se uniram para formar o Barretos Esporte Clube.

Assim, em 1961, a cidade voltou a ter um time na Série A2 da época e na sua “estréia”, até que o Barretos EC foi bem. (tabela abaixo da Wikipedia):

série A2 1961

Já em 62, o time foi mal e só escapou do rebaixamento num incrível mata-mata, contra o Elvira (de Jacareí), último colocado da Série “José Ermírio de Moraes Filho”, em 4 partidas: Barretos 7 x 1 Elvira (10/2/63), Elvira 2 x 1 Barretos (17/2/63), Barretos 1 x 1 Elvira (23/2/63 em Campinas) e Barretos 1 x 0 Elvira (2/3/63, em Campinas).

Série A2 - 1962

Em 63 e 64, sequer se classificou no seu grupo.
Esse é o time de 63 (fonte: Zé Duarte Futebol Antigo):

Barretos EC 1963

Em 1965 foi campeão da Série Carlos Joel Neli e fez a final contra o Bragantino, perdendo as duas partidas (jogadas no Pacaembú), o título e o acesso…

Série A2 - 1965

Em 1966, nova campanha de destaque! O Barretos FC ficou em 2º da Série João Mendonça Falcão, classificando-se para o quadrangular semifinal, terminando em 3º no grupo.

A2 - 1966
A2 - 1966
Barretos EC 1966

Em 1967, após liderar o seu grupo foi eliminado no mata mata pelo Paulista de Jundiaí.

Série A2 - 1967

Já em 1968, liderou seu grupo e classificou-se para a segunda fase (um outro grupo dessa vez com 8 times), terminando em quarto lugar e sendo desclassificado.

Série A2 - 1968

Em 1969, 70, 73 e 75  não passou da fase de grupos.
Em 71, 72 e 74 foi desclassificado na segunda fase.
Em 76, mais uma vez liderou seu grupo nos dois turnos da primeira fase, mas acabou em último lugar no quadrangular final (XV de Jaú sagrou-se campeão, Aliança, vice e o Santo André em terceiro).

série a2 1976

Esse era o time daquele ano, e veja que linda a torcida ao fundo:

Barretos EC 1976

Em 77, mais uma vez liderou o gurpo da primeira fase e na fase final acabou na quarta colocação.

série A2 - 1977

Em 78, num regulamento bem esquisito, o Barretos liderou o Grupo A, depois foi mal na 2ª e 3ª fase e acabou mais um ano na A2.

A2 - 1978

Em 79 e 80 o time não foi bem, parando na fase inicial, em 81 liderou a Série Amarela, mas ocupou a penúltima posição no grupo final, com o time:

Barretos 1981

Em 82, 83, 84, 85, 86 e 87, regulamentos ainda mais confusos acabaram fazendo com que o Barretos se limitasse à campanhas medianas e pra piorar, o time passou a jogar a série A3 a partir de 1988, onde ficou até 1990, quando voltou à A2, esse era o time daquele ano:

Barretos EC 1990

Permaneceu na A2 até 1993, quando caiu novamente para a A3.
Em 1995, o pior momento: o time caiu para a Série B1A (o quarto nível do futebol da época).
Em 1998 chegou perto de voltar, ao ser vice campeão do grupo inicial e vice do quadrangular final, mas apenas o Oeste consegiu o acesso.

Série B1 - 1998

Só em 2001, voltou à A3. Inicialmente só subiriam dois times, mas graças às mudanças do calendário, o acesso foi ampliado.

Tabela B1- 2001

Sua volta à A3, em 2002, foi marcada com uma boa campanha, ficando de fora das finais por muito pouco!

Série A3 - 2002

Permaneceu na A3 até 2006, quando uma campanha bem ruim levou mais uma vez para o quarto nível do futebol paulista (agora a Segunda Divisão, ou série B).

A3 - 2006

De volta à segunda divisão, apenas em 2011 o time conseguiu o acesso (já nessa fase das 4 fases em grupos) à A3, mas foram apenas 2 anos e nova queda à série B, pra uma única disputa em 2014 e novo acesso à A3.

Série B - 2014

Em 2015, logo de cara, uma surpresa…
Um acesso conquistado à série A2 (graças ao problema do Atibaia).

Série A3 2015

Permaneceu na A2 em 2016 e 2017, quando voltou pra A3, onde permaneceu até esse momento (em 2020, ainda sob risco de rebaixamento à A3).
E foi em 2016, que tivemos a oportunidade de conhecer o Estádio Municipal Antônio Gomes Martins, também conhecido como “Fortaleza” em homenagem ao time da cidade.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins

Confesso que deu um pouco de aperto no coração, imaginar que estávamos ali pra impedir o inédito acesso do Barretos à série A1…

Barretos x Santo André
Estádio Barretos

Aproveitei pra pegar um jornal local e ver se a torcida do Barretos estava esperançosa quanto à virada (o placar emSanto André foi 2×0 pro Ramalhão).

E até pra dar sorte pro Ramalhão, fiz questão de estar dentro de campo, antes do jogo!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Aproveitei pra pegar meu ingresso e não correr nenhum risco.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Fui conhecer também ocharmoso portão dos fundos por onde andaríamos.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E olha aí o portão olhando de dentro pra fora já na hora do jogo…

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

A noite estava muito bonita. A torcida local compareceu, pintando de verde, vermelho e amarelo as bancadas do Estádio Municipal Antônio Gomes Martins.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Oficialmente, o Estádio tem capacidade para 13 mil torcedores, mas pelo borderô oficial apenas 5 mil torcedores compareceram.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Quem foi, fez festa!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Mas engana-se quem pensa que o lado azul não compareceu… Era um jogo decisivo, lá estava a Fúria Andreense!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E a Esquadrão Andreense:

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Foi um jogo super truncado com várias defesas milagrosas do nosso goleiro “Zé Carlos”, para o desespero da torcida local.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Foram 90 minutos de pressão do Barretos e o Santo André se segurando lá atrás… E a gente desesperado na arqubancada visitante.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Mas o Ramalhão também levou perigo em alguns lances.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

E o Branquinho no escanteio…

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

O primeiro tempo terminou e a alegria parecia começar a se multiplicar nas arquibancadas visitantes.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Muitas bandeiras do Santo André decoraram a parte do estádio dedicado à nossa torcida.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Até um “mini bandeirão” apareceu…

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Uma pena que a câmera não pode captar melhor o estádio, já que estava de noite, mas pelo menos ficou um registro de mais esse lugar histórico!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Ao final do jogo, festa entre torcida e o time que jogaram juntos todo o campeonato!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Zé Carlos até deu as luvas de presente a um torcedor (que mais tarde precisou devolvê-las para que o goleiro as usasse na final contra o Mirasssol).

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

A torcida local soube respeita a conquista do Santo André e ficou até o fim do jogo.

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Um sentimento único! Conhecer um estádio lindo e cheio de histórias e ao mesmo tempo voltar à primeira divisão!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos
Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Só tenho a agradecer a todos!

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

Estádio Municipal Antônio Gomes Martins - Barretos

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Rolê Independência & Bola! Estádio em Miguelópolis (Parte 16 de 21)

Hoje vamos mostrar um pouco do Estádio da cidade de Miguelópolis.
Antes de passarmos aqui, já registramos os estádios de Pirassununga, Descalvado, Santa Rita do Passa Quatro, Tambaú, Santa Rosa de Viterbo, Santa Cruz das Palmeiras, Vargem Grande do Sul, São José do Rio Pardo, Cajuru, Batatais, Orlândia, São Joaquim da Barra, IgarapavaUberaba e Guaíra.

Miguelópolis
Miguelópolis

As cerca de 20 mil pessoas que vivem em Miguelópolis tem na agricultura e nos serviços decorrentes sua principal riqueza.

Miguelópolis
Miguelópolis

Ainda dá pra encontrar o pessoal tranquilo, curtindo o feriado sentado na calçada, sem a agitação que estamos acostumados aqui no ABC.

Miguelópolis

Mas, quando falamos de futebol, a agitação é a mesma!

E por isso, vamos mostrar um pouco do Estádio Waldemar de Freitas.

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

Acreditávamos que o estádio fora a casa do Miguelópolis FC na sua única participação em competições oficiais da Federação Paulista, em 1964, pela quarta divisão, conforme descrita pelo Livro “125 anos de História – A enciclopédia do futebol paulista“.

Distintivo Miguelópolis

O mesmo livro cita o time como Associação Esportiva Miguelópolis.

Associação Esportvia Miguelópolis

O time havia participado de edições do Campeonato Amador do Interior, como mostra a Gazeta Esportiva de 1958:

Aqui o grupo do time em 1964:

Voltemos assim para o Estádio Waldemar de Freitas!

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis
Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

O Estádio estava fechado e o dia acabando…

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

Já estava me conformando em só registrar a parte externa do estádio.

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis
Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

Ao menos dava pra ver uma placa celebrativa.
Mas ela só me deixou em dúvida.
A placa não diz se é sobre a inauguração, mas sua data é de 1982…
O que me leva a perguntar se existiu um outro estádio na época do profissionalismo, ou se a placa é apenas de alguma reforma…

Conversei com um ex jogador que fez parte do time que jogou a terceira divisão, chamado Fábio Ribeiro (tio do amigo Paulo) e ele confirmou que não foi neste estádio que o Miguelópolis mandou suas partidas.
E mais, ele garante que o time que jogou era mesmo o Miguelópolis FC e não a AE Miguelópolis.

Estávamos quase indo embora quando cruzamos com o amigo Valdomiro Pinheiro que mora literalmente colado ao estádio, e adivinhe onde o quintal da casa dele termina…

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

Assim, após cruzar a casa do Valdomiro…

E assim, tendo o sol como companheiro, adentramos ao Estádio Waldemar de Freitas.

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

O belo gramado mesmo no gol é para poucos…

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

Ao fundo a arquibancada coberta.

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis
Estádio Waldemar de Freitas - AE Miguelópolis - Miguelópolis

O alambrado cerca o campo todo!

Estádio Waldemar de Freitas - AE Miguelópolis - Miguelópolis
Estádio Waldemar de Freitas - AE Miguelópolis - Miguelópolis

As árvores atrás do gol completam o charme local!

Estádio Waldemar de Freitas - AE Miguelópolis - Miguelópolis

Não existem arquibancadas nas laterais, além da coberta.

Estádio Waldemar de Freitas - AE Miguelópolis - Miguelópolis
Estádio Waldemar de Freitas - AE Miguelópolis - Miguelópolis

E assim, mais um capítulo da nossa aventura chega ao fim, graças ao amigo Valdomiro.

Estádio Waldemar de Freitas - Miguelópolis

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Dia triste em Guarulhos…

Domingo de manhã é momento de futebol, independente do rolê do dia (ou da noite) anterior.
Assim, eu e a Mari (O Gui alegou esgotamento físico e não foi, e o Gabriel foi pra Moóca ver Juventus x Penapolense) fomos até o Estádio Municipal Antonio Soares de Oliveira, em Guarulhos, guiados pelas placas, para ver Flamengo x Atlético Sorocaba, pela série A2.

O Estádio Municipal Antônio Soares de Oliveira é também chamado de “Ninho do Corvo“, ou simplesmente “Estádio do Flamengo“.

Lá chegando, a primeira surpresa… Uma bela lanchonete (tão difícil de se encontrar nos estádios de São Paulo…).

Mais que salgadinhos e bebidas, na parede da lanchonete fotos históricas do rubro negro de Guarulhos!

A estrutura do Estádio é de dar inveja a muitos times da primeira divisão. Banheiros impecáveis e todo o estádio muito bem pintado com as cores do Flamengo!

Atualmente, possui a capacidade de 15 mil lugares.

Dá uma olhada no “todo” do Estádio:

Vale lembrar que mandam jogos neste estádio, tanto A.A. Flamengo quanto o A.D. Guarulhos.

Os dois times entraram em campo com a difícil missão de seguir na luta contra o rebaixamento para a série A3.

A AA Flamengo vêm ganhando força no cenário estadual, seja com os recentes acessos, seja com a participação na Copa Federação Paulista ou Copa São Paulo de Futebol Júnior, da qual foi uma das sedes, este ano.

Entretanto, este ano, o time não tem dado muita sorte. e os resultados acabaram não aparecendo, por isso, alguns torcedores, puseram suas faixas de ponta cabeça, em sinal de protesto, pela má campanha.

Encontramos o presidente do clube, Edson David, que se mostrou bastante chateado pelo desempenho do clube, mas lembrou que o time sofreu principalmente por vários jogadores terem ficados afastados pelo departamento médico.

A torcida tem todo o direito de cobrar, mas é preciso saber valorizar o esforço da atual gestão, que tem trabalhado pelo clube e que mostrou-se presente mesmo nos momentos difíceis.
Reconheço que não deve ser fácil ser dirigente esportivo no Brasil, principalmente de times independentes. O próprio público, assim como ocorre em todo interior, praticamente abandonou o time, só os mais fanáticos compareceram.

Falando um pouco do jogo, o Flamengo fez o que tinha de fazer e começou indo com tudo pra cima, abusando das bolas aéreas e jogadas de bola parada.

Por volta dos 30 minutos do primeiro tempo, festanas bancadas. Penalty para o Flamengo. Mas quando a fase é difícil, nem assim…
Além de perder a cobrança, o Corvo (apelido do Flamengo) levou o gol no contra ataque. Pequena festa na ainda menor torcida sorocabana que compareceu em Guarulhos.

Conversamos um pouco com o pessoal da Comando Rubro Negro, também chateados pela situação do time!

No segundo tempo, após um início meio morno, o jogo foi ficando mais emocionante, afinal, com esse resultado o Flamengo voltaria à série A3, e o time local se jogava para o ataque como podia…

E bola na área, e escanteio, e pressão do Flamengo… E nada do empate aparecer…

Jogo quente, hora de esfriar a cabeça… Voltando ao capítulo “Gastronomia de Estádio”, dá lhe picolé a R$1!!!

Aliás, cabeça quente teriam os reservas do time visitante se a torcida quisesse fazer uma pressão nos caras… Olha como é perto!

Faltavam poucos minutos, e não havia pressão que desse jeito de mudar o placar do Estádio Antonio Soares de Oliveira

Não conseguiu ler? Veja mais de perto:

Opa, antes que o jogo termine é hora da “foto oficial” da gente em mais um estádio!

E embora eu e a Mari estivéssemos contentes por mais um jogo assistido, no fundo estávamos tristes por presenciar a queda do Flamengo de Guarulhos para a série A3… E mal sabíamos que algum tempo depois, o Atlético Sorocaba viria a fechar suas portas… Se bem que pro Tévez, mascote do time, parece que era tudo festa…

O jeito foi encher a cara de cana (calma, é que na frente do estádio vende caldo de cana, mesmo) e encarar uns pastéis pra voltar para Santo André já almoçados!

E assim, termina mais uma manhã de domingo…
Com várias boas cenas na memórias, novos amigos…

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Esteja ele na divisão que estiver…

48- Camisa do Olympique de Marseille

A 48ª Camisa de futebol é do Olympique de Marseille, clube de futebol que disputa a 1a divisão do futebol francês, representando a cidade de Marselha, uma das principais cidades do país.

marselha

A frase Droit au But, abaixo do escudo significa “Direto ao gol” e é frequentemente gritada pelos seus torcedores.

olimpiqui

O Olympique foi fundado em 1899, o que o torna um dos clubes mais velhos da França ainda em atividade.
Assim como muitos outros clubes de cidades portuárias, surgiu graças à chegada de estrangeiros vindos do mar, no caso deles, foram os ingleses que trouxeram o futebol em seus navios e implantaram o novo esporte no município.

A agremiação foi criada depois que dois times da cidade fecharam suas portas (Sportin Club of Marseilles e Football Club of Marseilles) oferecendo um novo espaço ao futebol e também ao rugby.
No início, ocupava-se apenas com a disputa de torneios regionais de menor importância, mas o “OM“, cresceu na década de 1920, quando venceu a Copa da França por 3 vezes (1924, 1926 e 1927), além de seu primeiro campeonato francês (1929), rompendo a hegemonia dos clubes parisienses.
Outro período de muitas vitórias foi o fim dos anos 60, início dos 70, quando venceu a Copa da França (1968/69,  1971/72 e 1975/76) e a Ligue 1 (1970/71 e 1971/72). Abaixo uma foto dos anos 70:

1973

Na temporada 1979/80 foi rebaixado, retornando apenas em 1984. A partir daí, o time voltou a pensar (e ser) grande. Em 1986 montou um timaço com nomes como Jean Pierre Papin, Didier Deschamp, Rudi Voller, Eric Cantona, entre outros. Assim, o Olympique de Marselha conquistou 4 títulos da Ligue 1 consecutivos entre 1988/89 e 1991/92. Na temporada 1990-91, o Olympique chegou a final da Liga dos Campeões da UEFA, mas foi derrotado pelo Estrela Vermelha, da Iugoslávia, nos pênaltis.

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Duas temporadas depois, o Olympique levantou a taça num jogo que venceu o Milan por 1 a 0.

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Acusações de corrupção financeira e participação de diretores num esquema de manipulação de resultados tiraram a tranquilidade do clube que acabou rebaixado à Ligue 2 para a temporada 1994-95. Por isso, também deixou de participar da final do Mundial Interclubes daquele ano, que foi disputada entre o vice-campeão europeu Milan e o campeão sul-americano, o São Paulo.
Só voltou a Ligue 1, 2 temporadas depois e desde então vem tentando recuperar seu prestígio. Chegou a final da Copa UEFA de 2003-04, depois de bater adversários como Internazionale, Liverpool e Newcastle, mas foi derrotado na final pelo Valencia da Espanha. Em 2005 venceu a Copa Intertoto, mas sua torcida já cobra há algunão voltou mais a conquistar um título de expressão.
Terminou a temporada 2007/08 da Ligue 1 na terceira colocação, classificando-se para a fase preliminar da Liga dos Campeões. De 1899 a 1937, o “OM” jogou no Stade de l’Huveaune.
Ele foi reformado no início dos anos 1920, graças à ajuda financeira dos torcedores e tinha capacidade para 15.000 torcedores.

HUVEAUNE

A partir de 1937 o clube passou a utilizar o estádio municipal Stade Vélodrome, com capacidade de 60.031 lugares, um dos maiores e mais belos estádios da França.

velodrome2
velodrome
estadio1
estadio2
estadio3
estadio4

O site do clube é http://www.om.net/

Para acabar, um pouco do sentimento das arquibancadas celestes do time:

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29- Camisa da A.A. Caldense

Bom, já que passamos por Poços de Caldas e falamos sobre o novo time da cidade, o Vulcão, é hora de retratar o outro time, a tradicional AA Caldense!

aacaldense

Essa camisa eu consegui do jeito mais triste. Comprando.

É fogo, não que eu ache injusto, mas é que mais do que comprar, eu tive que pedir pro pessoal do clube abrir a lojinha pra mim, e sabe quando as pessoas não demonstram aquela boa vontade?

Foi assim. Fiquei chateado. Esperava que os colaboradores do clube ficassem contentes por uma pessoa de fora querer comprar uma camisa. Mas deu pra ver que pra eles, aquilo é só mais um emprego.

Bom, vamos às coisas boas. O detalhe mais legal da camisa é o número. 19. Na época que eu ainda jogava no Autônomos, mesmo quando zagueiro titular, eu adorava jogar com a 18, ou 19.

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Bom, sobre o time, o site oficial é o www.caldense.com.br, se quiser escutar seu hino, ouça aqui. Seu mascote é o Periquitão:

mascote_caldense-mg

Vale conferir a promoção que eles fizeram para escolher o nome do mascote:

A “pré história” do futebol de Poços de Caldas começa em 1904, com Paulino de Souza trazendo uma das primeiras bolas de futebol para a cidade.

Muitos times surgiram no princípio do século XX, mas desapareceram em seguida, como o Internacional F.C. Os remanescentes se uniram, formando a Associação Atlética Caldense.

No início, o clube não possuía sequer sede social ou campo, e jogava no campo do Internacional F.C., sem arquibancada ou gramado. Os torcedores ficavam em pé e os jogadores tinham que se contentar com um campo pelado.

Em 1926, a Caldense adquire um brejão, onde as crianças iam caçar rãs, que foi drenado e cercado de madeira, transformando-se em Campo.
A partir dos anos 30 começou a ser construída uma arquibancada.
Somente em 1947, conseguiu-se a seção de uso com o prazo de 20 anos.

A equipe teve grandes momentos como entre 1960 e 1961 quando fez uma campanha de 57 partidas invictas.
E navegando pela net encontrei uma foto que diz ser de 1978, alguém confirma?

Time de 1978

Em 1979, inaugura-se o Estádio Municipal Ronaldo Junqueira e o  então campo da Associação Atlética Caldense foi desativado.

Em 1981, contou com Casagrande em seu elenco:

Após tantos anos de luta, em 2002, a AACaldense conseguiu sua maior façanha, o Campeonato Mineiro da primeira divisão. Veja como foi:

Pra finalizar, quer comemorar um gol com os caras? Vai lá!

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12- Camisa do VOCEM (Assis)

A 12ª camisa é muito especial, pois é do VOCEM, sigla para Vila Operário Clube Esportivo Mariano, time de Assis, cidade de origem da minha família por parte de pai.

Quando escrevi esse post (em 2008), o clube estava licenciado do futebol de campo profissional, o que é muito triste pela tradição que esse brasão carrega.
Mas, em 2014, alguns apaixonados da cidade conseguiram trazer o VOCEM de volta ao futebol profissional.

Na verdade, esse brasão foi desenhado inicialmente assim:

O time foi fundado em 21 de julho de 1954, pelos padre Aloísio Bellini (1911-1996) da Vila Operário e por isso as cores do uniforme (branco e grená) representam o pão e vinho.

Meu pai chegou a ajudar na organização do time, já que a igreja da Vila Operária ficava em frente a casa da minha vó Luzia, já falecida. Aqui, uma foto emblemática do fim dos anos 70: o padre tenta me convencer a escolher o caminho do bem e largar as armas de brinquedo kkk.

Padre Aloizio

Conta meu pai que ele ia a todo lugar com sua scooter!

Em 1978, o VOCEM foi convidado pela Federação Paulista de Futebol Profissional para disputar o Campeonato Paulista da Terceira Divisão. Necessário reforçar que esse equivalia ao 5º nível do campeonato daquele ano. Esse foi o time daquele ano:

Neste ano, o VOCEM utilizou o campo da Ferroviária de Assis para seus treinamentos.

VOCEM 1978

E o time fez sua estreia conseguindo a classificação para a segunda fase, sendo líder do Grupo D.

Infelizmente, na fase seguinte o time não manteve a mesma eficácia.

Depois de 1978, o VOCEM jogou a Terceira Divisão de 1979 até 81. A partir de 1980, a Terceira Divisão passa a equivaler ao 2º nível do campeonato, como a atual A2 do Paulista. A partir de 1982, o mesmo 2º nível passou a se chamar “Segunda Divisão” e o VOCEM participou dela até 1989 e foram os os anos dourados do VOCEM. Algumas imagens dessa época:

Aqui, a Torcida Organizada “Esquadrão da Fé”, que acompanha atualmente o time:

Mas o VOCEM sempre teve o apoio de uma apaixonada torcida, como em 84, quando o time fez campanha inesquecível, na época com o apoio da TUVO (Torcida Uniformizada Vila Operário)!

Esses dias folheando o livro “Assis de A a Z”, do Marcos Barrero, li um belo texto contando a fatídica história daquele ano de 1984 quando o VOCEM chegou ao quadrangular final da divisão de acesso, mas acabou perdendo todos os jogos, sendo o último uma goleada de 7×1 para o Paulista de Jundiaí.

assis

O time fez uma bonita campanha na primeira fase…

Também brilhou na segunda fase:

Tendo vencido a série H, o VOCEM teve que enfrentar o CA Jalesense, vencedor da série G e classificando-se para a fase final, que teria final trágico para o time de Assis: 6 jogos e 6 derrotas, com muitos torcedores jurando até hoje que o time vendeu o resultado.

Em 85, o clube novamente se classifica para a segunda fase da Segunda Divisão

Mas cai na segunda fase.

Em 86, fez um campeonato abaixo da média e sequer se classificou para a segunda fase.

Em 1987, mais uma vez classifica-se para a segunda fase sendo líder do seu grupo.

Mas não consegue manter a boa sequência e acaba eliminado na segunda fase.

Em 1988 uma campanha mediana, sem conseguir classificar-se à segunda fase, mas em 89… O VOCEM acaba rebaixado para a Segunda Divisão (Terceiro nível do futebol paulista daquele ano).

O baque é tão grande que o time se licencia das competições profissionais e só retorna em 1992, na Segunda Divisão (terceiro nível do futebol paulista). onde permanece até 1994, quando a reorganização do campeonato leva o VOCEM para o 5º nível do futebol paulista, a série B1B.
O time terminar nas últimas posições e para mais uma vez.

O retorno se dá somente em 1999 novamente na série B1B. Em 2000 desiste da competição e acaba rebaixado para a série B3 – o 6º nível do futebol paulista de 2001. Em 2002, mais uma vez desiste da disputa no meio da competição e se licencia.

Dessa vez o hiato parece não ter fim e apenas em 2014 o VOCEM retorna ao profissionalismo, desta vez para jogar a Bezinha, o 4º nível do futebol paulista, onde permanece até 2022, quase sempre com campanhas irregulares. A exceção foi 2021, quando o time esteve a um passo do acesso, perdendo a semifinal (e o acesso para a série A3) para o time da Matonense.

O VOCEM mandava seus jogos no Estádio Marcelino de Souza.

Mas em 1992, foi inaugurado o Estádio Municipal Antonio Viana Silva, o Tonicão, e o VOCEM passou a mandar aí os seus jogos.

Curiosidade: meu avô de Assis tinha o apliedo de Tonico, e meu avô em Santo André, se chamava Bruno, e o estádio aqui é o Brunão. Abaixo uma foto feita em nossa última visita ao campo:

Se preferir, faça um vôo sobre o estádio:

Em 2010, ganhei de presente do primo Tilim, uma outra camisa do VOCEM, ainda mais bonita:

Nas visitas em outros anos acabei conseguindo mais estas duas:

E terminamos com essa curiosa imagem de um possível time feminino do VOCEM:

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