No início de dezembro de 2025, estivemos na estrada para uma viagem até Brodowski com a missão de acompanhar a final do Amador do Estado entre o CA Bandeirante e União FC de Atibaia com os amigos Mário e Brasileiro (veja aqui como foi a conquista do 5º título do Band).
Mas, além da partida, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade.
A Antiga Estação Ferroviária guarda um pouco da memória de quando os trens conectavam Brodowski com o mundo.
A placa explica um pouco da importância da ferrovia à época. Incrível a gente ter perdido tudo isso não é mesmo?
A Estátua que antes homenageava as despedidas e a saudade dos que se vão pelas linhas do trem, hoje, pra mim, representa a falta que a própria ferrovia faz… Ela partiu e sabe lá quando volta…
Interessante eles manterem exposto um canhão usado na segunda guerra para lutar contra os nazistas! Nunca é bom esquecer essas coisas.
A praça em frente à estação guarda muitas lembranças também. O que dizer desse banco, com a propaganda da Casa Macchetti? Olha o número do telefone: 66. E mais nada.
Ali está também o Coreto da cidade! É algo simples mas que combina demais com a cultura local.
Brodowski também é muito conhecida por ser a cidade natal de Portinari e sua casa se tornou um museu que recebe muitos turistas!
Algumas construções sobreviveram ao tempo até hoje…
Falando do sagrado, essa é a igreja matriz da cidade…
Mas, falando sobre o profano… A versão local da carreta furacão também arrebata corações por lá!
Como já dissemos, o futebol na cidade é mais que um esporte, é mesmo uma cultura que faz a cabeça de quem vive por lá. Até o Portinari entrou nessa fita!
Mesmo com times novos surgindo, a rivalidade local fica mesmo por conta do clássico entre o CA Bandeirante e o Brodowski FC, e como já falamos bastante do primeiro, é hora de falar sobre o time mais antigo da cidade…
O Brodowski FC foi fundado em 15 de setembro de 1920, e tem uma história cheia de mistérios, visto que não existem muitos documentos sobre essa primeira fase do time.
O Brodowski sagrou-se também campeão-amador setorial, em 1970, 1971 e 1976 e ainda em 1981, 1982 e 1983, e vice-campeão estadual no ano de 1983. Em 1986, é campeão amador do estado!
Fomos conhecer o seu Estádio, o “Zé Turquim”.
Pelo que entendi, conversando com os moradores, mesmo antes de ser um estádio, o campo do Brodowski sempre foi ali, desde 1920.
Infelizmente não conseguimos entrar no campo, então demos um jeitinho… Acabamos fazendo amizade com o pessoal que mora bem ao lado do estádio (aliás, um abraço a vocês!!!) e, do quintal deles pudemos registrar o campo!
Ali dá pra ver a arquibancada coberta e o gol do lado esquerdo:
Antes de chegar na cidade, aproveitamos para dar uma parada na cidade vizinha: Jardinópolis!
Sempre importante lembrar que antes do nome, antes mesmo da cidade e das linhas no mapa, já havia vida, cultura e história correndo por aqui. Segundo estudos (vale ler esta sucinta matéria), a região de Jardinópolis era habitada originalmente pelos Caiapós, chamados de “Tapuias” (algo como “bárbaros”) pelos Tupis. Os Caiapós cultivavam milho e mandioca e eram semi-nômades, caçando, pescando e coletando mel e frutas nativas. Estes são alguns Caiapós em foto de 1876 que está no museu de antropologia da Alemanha:
A partir do século XIX, os europeus e mamelucos começam a ocupar a região e surgem as primeiras fazendas. Uma delas ficou conhecida como “Ilha Grande“, devido a uma ilha no leito do Rio Pardo e parte dela foi doada para ser transformada em um povoado, que a partir de 1898, passou a ser chamado de Jardinópolis. A agricultura é muito importante para a cidade, conhecida como a “capital da manga”.
As mangas jardinopolenses passaram a ser levadas para São Paulo e de lá para outros centros do Brasil, pelas estradas de ferro, já que o município era cortado pelas linhas da antiga Companhia Mogiana.
Jardinópolis foi berço do incrível Rubens Francisco Lucchetti, um verdadeiro mestre da literatura de terror brasileira, e roteirista de José Mojica Marins, em alguns dos filmes e HQ’s de Zé do Caixão. Luchetti faleceu em 2024.
Mas, o município de 45 mil habitantes possui também grande cultura futeboleira. Uma prova disso é que Jardinópolis teve a primeira partida de Futebol Feminino ainda em 1921.
Esta partida se deu em um dos palcos mais antigos do futebol de Jardinópolis: o campo da Associação Olímpica Jardinópolis!
Li que na época, havia um time chamado São Paulo de Jardinópolis que mandava ali seus jogos, mas a Associação Olímpica também já existia, pois foi fundada em 1919. Aqui, matéria do Correio Paulistano de 1920 citando o time:
Estivemos por lá conversando com o Agnaldo e ele nos mostrou diversas fotos históricas do time, como esta de 1951:
Neste ano, o Correio Paulistano comprova que o time disputou o Campeonato Amador do Interior, bem como o São Paulo e o Jardinópolis, todos da cidade.
Aqui, a classificação de seu grupo em 1956:
Em 1958, a possível criação de uma zona local com times da região para jogarem a 3ª divisão animou a Associação Olímpica!
Outras fotos bacanas que o Agnaldo mostrou pra gente:
Como estávamos a caminho da final do Campeonato Amador do Estado, importante lembrar que a Associação já conquistou esse título em 1985 e 1993!
Fiquei contente de ter o amigo Mário ao meu lado em mais um registro histórico de um estádio de futebol do interior paulista, o Estádio Alexandre Jorge Saquy, a casa da Associação Olímpica de Jardinópolis!
Sinta o clima do estádio durante nossa visita:
O estádio mantém sua arquibancada coberta, afinal, o sol em Jardinópolis é mesmo forte…
Vemos o distintivo do clube exposto em diversos locais.
Aqui, o gol da esquerda:
O meio campo:
E o gol da direita:
Se você tem interesse em uma camisa dessa fale com o Agnaldo pelo Instagram do clube.
E o pessoal da cidade abraça o clube, tem orgulho em vestir a camisa e fazer o dia-a-dia acontecer. Esta branca é a camisa do centenário e é um sucesso na região!
Mas tem essa rubro negra que também é muito bonita!
E este outro modelo branco:
O clube tem registrado e guardado muito de sua história via as fotos que resgataram em 2019, ano de seu centenário…
E também tem guardado outros souvenirs como as medalhas que o time sub14 ganhou recentemente.
O Agnaldo nos contou um pouco sobre os projetos da Associação com as categorias de base e é muito legal ver o orgulho que ele tem ao nos falar disso!
Mais do que um passado, o campo da Associação Olímpica carrega o futuro do futebol em Jardinópolis!
A Associação Olímpica é mais que centenária e é motivo de orgulho para a cidade.
Por isso, é muito emocionante ver a bandeira do time seguir tremulando mesmo após tanto tempo.
Espero poder voltar um dia para acompanhar uma partida oficial!
Em mais um rolê pela capital, aproveitei a oportunidade pra conhecer e registrar dois campos históricos, localizados muito próximos, ali no Pari.
O Pari pode não ser tão famoso quanto outros bairros de São Paulo, mas carrega uma história fascinante. As vezes a gente não se toca que a história da ocupação dos lugares em que vivemos não começou há 10, nem 100, tampouco há 500 anos… região deve ter sido ocupada por muitos povos, por estar entre os rios Tietê e Tamanduateí sendo assim abundante em água e alimento. No momento da chegada dos europeus, provavelmente era ocupado pelo povo tupiniquins. Pedi pro Chatgpt uma imagem do que seria isso e ele criou a seguinte imagem:
Assim, seguindo o que aconteceu no passado, europeus e mamelucos passaram a ocupar a região dedicando-se à pesca como atividade vital para sua subsistência. A foto abaixo é de 1930 (do blog Histórias do Pari), mas pode se perceber que era uma outra realidade…
Aliás é da pesca que vem o seu nome: “pary” é o nome em tupi de um tipo de armadilha usada pelos povos indígenas para pescar. Acredito que seja similar a este abaixo (você sabe dizer se é um outro específico):
Em 1765, o bairro contava com apenas 14 casas e 72 habitantes. Mais de 100 anos depois, em 1891, chega a ferrovia, com um pátio com linhas para todos os lados, transformando o Pari em um polo operário. A foto abaixo é dos anos 50 e vem do inacreditável site “Estações Ferroviárias“:
No século XX, o Pari passou a ser conhecido como o “bairro doce” por concentrar inúmeras fábricas de biscoitos e guloseimas de empresas como Tostines, Confiança, Bandeirantes, Canola Neuza e Bela Vista, entre outras.
O bairro passou por mais mudanças até chegar a seu cenário atual, com muitas confecções, além de lojas de utilidades geral e restaurantes. Mais recentemente, muitos imigrantes bolivianos adotaram o bairro, tendo até uma feira típica de produtos da Bolívia todos os domingos. (foi lá que comprei as camisas 2 e 3 que postamos aqui no site).
Assim, chegamos a 2025, para visitar o bairro e registrar dois campos, começando pela casa da Associação Atlética Serra Morena:
Assim como mostra o muro da entrada, a equipe foi fundada em 10 de abril de 1929.
Uma grande discussão envolve o seu distintivo, que parece muito com o do São Paulo FC. Alguns defendem que pela anterioridade de fundação, a AA Serra Morena seria a dona do original.
O time viveu sempre nas disputas amadoras, mas sempre se fez muito presente no futebol da capital, como aqui em 1958:
Pronto pra adentrar ao “CDC AA Serra Morena“? Mas não use a bike aqui dentro…
Vem com a gente!
A sede do time, ali no Pari, é muito bonita e bem cuidada, e tem seu campo bastante utilizada.
Nosso tradicional registro do meio campo:
Gol da esquerda:
E o gol da direita, com um pedacinho do Canindé lá no lado esquerdo!
Olha a cancha de bocha:
Enfim, mais um passeio que você deveria fazer em um fim de semana pela cidade de São Paulo hein… E se você fizer, faça como nós e emende esse rolê em outro: o campo do Estrela do PariFC!
O Estrela do Pari FC foi fundado em 1º de janeiro de 1919, inicialmente com o nome União Tiradentes FC, que acabou sendo mudado para o nome atual ainda no primeiro ano por já existir um time com aquele nome.
Já no ano seguinte constava das páginas esportivas dos jornais, como nessa matéria do jornal “O combate!”.
Em 1921, conquista a Taça Yolanda!
É um time que fez história no amador, e que em 1929 disputou o a divisão Municipal do Campeonato organizado pela APEA:
Também disputou o campeonato de 1930.
Chegou no terceiro jogo de acesso à segunda divisão da APEA, mas após eliminar o Parque da Mooca e o Republicano Paulista, acabou eliminado pelo Franco Brasileiro.
A última edição do Campeonato Municipal da APEA acabou valendo por 2 hehehe, porque demorou pra se iniciar e ao invés de ser em 1931 foi em 1931 e 32. E o Estrela termina empatado em 1º mas perde a partida desempate…
Encontrei uma foto do time de 1954, posado, na Gazeta Esportiva:
Aqui matéria da Gazeta Esportiva de 1955 sobre um derby contra o Luzitano FC:
E também na Gazeta, a imagem do time principal de 1955:
Nas décadas seguintes o futebol perdeu um pouco do espaço para a bocha e as atividades sociais, em especial o carnaval, mas o clube manteve-se ativo e ainda hoje possui um time amador. Voltando ao seu belo campo, venha conosco conhecê-lo:
Aqui, uma imagem da parte central:
O gol da direita:
E o lado esquerdo do estádio alvi-verde:
Além das bebias e comidinhas, a lanchonete guarda uma série de relíquias e trofeus:
Termino o post com uma imagem de uma das conquistas mais recentes do time: a Copa do Brás 2021!
Em 2010, estivemos em São José do Rio Preto e além de registrar o Estádio do América, aproveitamos para conhecer o tradicionalíssimo estádio do Palestra Esporte Clube, time que marcou o início da história do futebol de São José do Rio Preto.
Aqui tem uma imagem aérea do próprio clube:
Não consegui entrar para fotografar a parte interna do campo, mas ao menos deixei registrada nossa passagem por esse marco histórico.
O Palestra foi fundado em 15 de março de 1931 com o nome de Palestra Itália Futebol Clube, às margens do rio Preto. Seu nome foi alterado para Palestra Esporte Clube em 1939, devido à 2ª Guerra Mundial. Atualmente o clube vive uma dramática crise, correndo o risco de ter que vender partes de sua sede para sanar a economia.
O terceiro e não menos importante Estádio é o Anísio Haddad, o popular Rio Pretão, onde o Rio Preto manda seus jogos.
E lá estávamos nós em mais uma cancha…
O Estádio também é bem grande. Tem capacidade para quase 19 mil torcedores e foi inaugurado em 1968.
Seu nome é uma homenagem ao ex presidente do clube, Anísio Haddad.
E dessa vez, marquei presença com a minha camisa pirata do Boca.
O Estádio é todo verde, merecia uma nova mão de tinta, que deixaria o estádio ainda mais mágico.
Vi essa placa e fiquei me perguntando se a sede era ali no mesmo lugar, ou se simplesmente levaram a placa para lá.
Assim, ficamos contentes em visitar uma cidade tão importante para o futebol e economia nacional.
Quando estivemos em Rio Preto em 2022, também demos uma renovada nas fotos do Estádio Anísio Haddad:
E ainda aproveitamos para rever alguns amigos do ABC que agora são cidadãos riopretenses, caso do Ronaldo Pobreza (vocal da banda mais foda do Brasil de skate punk, o Grinders):
E do amigo Orides, que segue gerindo a tradicional Taberna Canova lá na cidade:
Fica aí um início de dia inspirador pra quem sabe convencê-lo a conhecer São José do Rio Preto:
Aproveitamos o feriado da consciência negra de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade para todos em nosso país. E é fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos antirracistas em todos os ambientes. Pra pensar um pouco mais sobre o tema, vale a pena entender o que é o racismo, e o GOG pode ajudar nessa ideia:
E já que você ouviu ele falar, ouve o que, pra mim, é um dos maiores cantores do nosso país e que devia ser ouvido nas escolas antes mesmo de lermos Machado de Assis.
Também aproveitamos o feriado para cair na estrada e fomos até Ribeirão Preto para finalmente registrar o Estádio Palma Travassos (veja aqui como foi).
No caminho para Ribeirão, aproveitei para fazer algumas paradas. A primeira delas, em Santa Cruz das Palmeiras, só pra rever o EC Palmeirense, clube fundado em 7 de setembro de 1908 e que segue com forte vida social e um belo campo de futebol (veja aqui como foi o rolê que fizemos por lá em 2018).
A terceira parada foi em Cajuru, para “completarmos” a visita que iniciamos em 2018, quando fomos até o Estádio Dr Guião, mas não conseguimos registrar seu interior. Relembre aqui como foi! E veja aqui, como foi o rolê este ano.
Finalmente em Ribeirão, além de registrar o Estádio do Comercial, também demos um rolê pela cidade, fomos conhecer o Mercadão.
Olha que lindo o prédio do Teatro Pedro II, ali no centro, pertinho, no mesmo quarteirão da famosa choperia Pinguim.
Também paramos na Sorveteria do Geraldo, um verdadeiro patrimônio de Ribeirão Preto!
Finalmente chegamos ao Estádio Santa Cruz…
O estádio foi inaugurado em 21 de janeiro de 1968, com um amistoso entre o Botafogo e a Seleção da Romênia, e o time da casa meteu logo um chocolate nos gringos: 6×2.
Animado em registrar um estádio com tantas histórias, fui correndo bater na porta para poder reencontrar a parte interna do Santa Cruz.
O Estádio é a casa do tradicional Botafogo de Ribeirão Preto!
Estive lá em 2014 acompanhando a final da Copa Paulista: Botafogo x Santo André.
Mesmo embaixo de forte chuva durante os 90 minutos, o público foi bem interessante.
E o Ramalhão ainda saiu campeão…
De lá pra cá algumas coisas mudaram… O Botafogo virou SAF e o Estádio, uma arena com nome de empresa. Na prática? Gente sem nenhuma conexão com o time trabalhando por lá, recebendo com muito mal humor quem, como eu, se interessa pelo Estádio. Que diferença de como fomos tratados no estádio do rival…
Perguntei se existia alguma maneira de pelo menos ver o campo e a resposta foi “nenhuma chance”. Me pergunto se a diretoria do Botafogo sabe quem cuida do estádio em dias “normais”. Eu prefiro acreditar que sempre existe um jeito e fui caminhar dando a volta no estádio.
Olha que legal a loja (ou as lojas?) do time:
Enfim… Dando a volta cheguei em dois restaurantes que ficam junto do estádio e, adivinhe, têm vista pro campo. Um deles é o Hard Rock Café, e, pô, rockeiros sempre se ajudam, mas… não hoje. A moça foi quase tão chata quanto o funcionário do Estádio. Sempre achei que por trás desse falso título de rock o tal Hard Rock Café fosse um nojo. A moça só comprovou.
E aí… Restava o Bar do Zeca Pagodinho… E os caras foram muito gente boa e me deixaram entrar para registrar o campo ali da parte de dentro do bar…
Não só me deixaram entrar como ao verem que eu estava tirando foto do campo, atrás da janela de vidro, me convidaram a acessar a área das arquibancadas… E assim, lá fomos nós…
Logo de cara já registrei o campo como tradicionalmente faço, aqui o gol da esquerda:
O gol da direita:
E o meio campo:
Claro que fiquei contente de poder registrar esse lindo estádio e acabei mais feliz do que chateado por achar que o funcionário do Botafogo que trabalha no estádio poderia no mínimo ter me dito “Tenta lá nos restaurantes”…
Mas fico me perguntando se esse cenário está mesmo correto… Se o clube não poderia explorar melhor o estádio como ponto turístico ou mesmo para ampliar a relação com sua torcida.
Vivenciar um rolê assim, conhecendo o estádio em um dia sem jogo é uma maneira diferente de se relacionar com o espaço, com o local, com o time…
Eu n˜ão consigo deixar de pensar que se eu fosse dar ouvidos ao cara que oficialmente trabalha no clube e deveria ser o mais interessado nisso, eu teria ido embora sem ver o sol brilhando no Estádio Santa Cruz…
E olha que linda a arquibancada tricolor! Foi muito bacana a experiência e agradeço demais o pessoal do Bar do Zeca Pagodinho, foram os mais boleiros do dia! Estádio não é só concreto e ferro, é memória, afeto e deveria ter gente que carrega o clube no peito.
Aproveitamos o feriado da consciência negra (20 de novembro) de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade em nosso país. Foi fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos todos antirracistas nos ambientes em que vivemos. Aproveite o vídeo da professora Selminha e faça o teste para identificar o racismo nos ambientes que você frequenta:
Também aproveitamos o feriado para fazer mais um rolê boleiro e decidimos finalmente registrar o Estádio Palma Travassos, que era o único das 5 divisões do Campeonato Paulista que ainda não havíamos fotografado.
Antes de chegar lá, fizemos algumas paradas, como em Santa Cruz das Palmeiras, para rever a casa do EC Palmeirense. Se você nunca esteve lá, dá uma olhada no vídeo que fizemos em 2018 (ou veja aqui como foi aquele role!)
Mas de volta a 2025, passamos em Tambaú para almoçar e relembrar da cidade que possui dois rivais na mesma rua: o EC Operário e o EC União! Estivemos lá antes também e você pode ver aqui como foi. Ou veja um pouco dos dois estádios:
Ainda aproveitamos para finalmente registrar o interior do Estádio Dr Guião, a casa do CR Cajuruense, em Cajuru, veja aqui como foi esse rolê de 2025.
Mas antes de chegar a Ribeirão Preto, ainda teríamos uma última parada: a cidade de Serrana, que tantas vezes nos acolheu no rolê punk em especial no CECAC e no Festival Caipiro Rock, aliás, olha a gente aí na edição de 2010.
Mas dessa vez, fomos para conhecer e registrar o Estádio Municipal Luiz Antonio de Mattos, que será a casa do LG Sports nas disputas das categorias de base da Federação Paulista, a partir de 2026.
O time nasceu como uma escola de futebol de alta performance em Ribeirão Preto agora vai mandar seus jogos na cidade de Serrana, no Estádio Municipal “Luiz Antônio de Mattos”, e por isso, lá fomos nós conhecê-lo!
Quem nos recebeu foi o Ricardo Brasileiro, amigo que também faz essa trajetória entre o punk, a música independente e o futebol e o organizador do Festival Caipiro Rock.
Então, venha conosco para conhecer não só mais um estádio como o novo time e… seu presidente !
Segue o tradicional registro do meio campo:
O gol da direita:
E o gol da esquerda:
Aqui dá pra ter uma ideia geral:
E enquanto fazíamos os registros, o pessoal seguia trabalhando sob um sol escaldante…
Fizemos o Lucas, atual presidente do LG Sports dar uma paradinha pra bater um papo rápido:
Pois é… Quem diria que anos após termos conhecido Serrana pela cena punk, agora voltaríamos para registrar sua “cena boleira”…
Que as arquibancadas do Estádio Municipal Luiz Antonio de Mattos possam acolher muitas e muitos torcedores…
E, principalmente, que seu campo receba jovens promessas do futebol oriundos da própria cidade, transformando-se em um verdadeiro catalisador sócio-esportivo.
O primeiro gol já está aí, registrado:
E que também possa gerar empregos e fazer do futebol um motor para a cidade!
A mim, só resta, como sempre, agradecer a oportunidade de rever o amigo Brasileiro e de poder registrar o “novo-velho” campo…
Hoje, o @ECSantoAndre perdeu uma das figuras mais presentes na sua história: o massagista Miguel de Oliveira. Demorei pra conhecer o Miguel e infelizmente nunca tivemos a oportunidade pra registrar um pouco da sua memória no mundo do futebol. Vá em paz, sabendo que você será sempre lembrado, afinal, veja quantos pôsteres do Ramalhão tiveram você presente:
Como você viu em um post na semana passada, o CA Bandeirante de Brodowski conquistou o 5º título do Amador do Estado e foi uma festa absurda…
Como tivemos muito conteúdo naquele post, não deu pra apresentar ali uma das coisas mais legal que fizemos que foi a coleta de uma série de depoimentos de torcedores históricos do CA Bandeirante, que estiveram presentes nas arquibancadas do Estádio Mário Lima Santos. Então, aproveito este post para divulgar estes vídeos:
Será que o destino é traçado previamente por alguma força superior? Ou as coisas se aglutinam e se repelem de acordo com nossas escolhas? A história de hoje começa lá em 2021, no meio da pandemia, quando, para não ficar maluco, passei a visitar, sozinho, de máscara e em horários esdrúxulos, os campos do futebol amador de Santo André.
Ali nasceu um interesse pelo futebol amador que foi crescendo até que, incentivado pelo amigo Mário Casimiro, passei a acompanhar o Campeonato Amador do Estado, a segunda competição mais antiga da Federação Paulista de Futebol.
Por coincidência, as últimas duas finais envolveram times do ABC, o que me permitiu que acompanhar a primeira partida destas decisões. Em 2023, vimos Nacional da Vila Vivaldi x CA Bandeirante de Brodowski, em São Bernardo.
E em 2024, Belenense x CA Bandeirante de Brodowski, em Mauá…
Naquele dia, acabei conhecendo o pessoal da diretoria do CA Bandeirante e foi com eles que iniciamos os programas onde entrevistamos presidentes dos clubes, veja como foi:
Desde então, eu e o Mário fizemos a promessa de ir até Brodowski caso mais uma vez o Bandeirante chegasse na decisão, e, como você já deve saber… Foi o que aconteceu em 2025! Seja bem vindo a Brodowski!
Depois de algumas horas de estrada, com direito a paradas em Porto Ferreira, Cravinhos e Jardinópolis, chegamos a Brodowski, muito conhecida por ser a cidade natal de Cândido Portinari. Claro que fomos lá conhecer sua casa, que hoje sedia um museu em sua homenagem.
A cidade é cheia de detalhes que a tornam inesquecível, como os bancos com inscrições de décadas atrás…
A arquitetura antiga também está preservada e pode ser vista ali pelas ruas…
A igreja matriz, de 1905… Bonita?
A antiga estação ferroviária…
Os bares que ainda reúnem as pessoas em cadeiras e mesas nas calçadas…
E o atual hotel do próprio Bandeirante, onde pudemos jantar com o elenco do time local e tornar o rolê ainda mais inesquecível!
Só faltou fazer uma foto no supermercado onde fizemos umas comprinhas, o “Nosso Mercado“.
Mal sabíamos nós que ele foi construído no espaço do antigo estádio do Bandeirante…
Voltando ao Campeonato Amador do Estado, vale lembrar que o Mário ficou tão apaixonado que escreveu o Guia do Campeonato e ficou muito legal (clique aqui para baixá-lo!).
Pra quem não sabe quem é o Mário Casimiro, taí a foto!
Logo que chegamos, percebemos que a final era o assunto da cidade! Haviam muitos folhetos como este espalhados por todos os lugares por onde andávamos.
Confesso que foi emocionante chegar até o Estádio Mário Lima Santos, a “Arena Jaburu”, como é conhecida popularmente!
Tem até essa escultura em frente ao Estádio que literalmente faz voar os atletas bandeirantinos!
Divido a experiência da chegada ao Estádio, da entrada até a arquibancada, para ver se você também se empolga e faz esse rolê até Brodowski, porque vale muito a pena!
Você viu no vídeo o portão que une presente e passado e cabe explicar que ele ficava no Estádio antigo do CA Bandeirante e é considerado uma verdadeira relíquia para diretoria e torcida! Ah, esse aí na foto é o Brasileiro, outro amigo que esteve conosco acompanhando a decisão.
Interessante como o pessoal do Bandeirante conseguiu registrar sua história em fotos, lembranças e até mesmo nessas placas que pouco a pouco relembram cada passo do clube!
A torcida conta com a “Bateria Tsunami“, que literalmente faz a arquibancada vibrar!
Pra quem não conhece o estádio, vale o nosso tradicional registro. Olhando da arquibancada coberta, aqui está o lado esquerdo do campo:
O meio campo:
E o gol da direita. Ali no fundo fica a área para convidados.
O Estádio é muito bem cuidado e cada espaço acaba sendo aproveitado.
Aqui, a arquibancada coberta, sem ela o sol faria grandes estragos…
Nesse setor, atrás do gol, fica uma boa sombra das árvores e também acaba sendo um lugar bastante disputado pelos torcedores!
E esse é o Jaburu, mascote do time!
A torcida do União FC também se fez presente e ficou em um espaço com sombra!
O bar estava preparado: salgados, água, refrigerantes…
Difícil não pegar carinho pelo clube… Nesse momento, já estávamos “contaminados” pelo mesmo sentimento que envolvia metade da cidade (não se esqueça que a outra metade é Brodowski FC).
Hora da entrada dos times, com toda cerimônia oficial da Federação Paulista!
Foto oficial dos times perfilados…
Dos capitães e da arbitragem…
A foto oficial da final…
E a foto em frente à torcida…
O União também posou para a foto!
E assim… Começa a partida!
Bola rolando, a torcida local cumpre bem o seu papel e transforma a Arena Jaburu em um caldeirão alvi rubro!!!
Bacana ver que a nova geração também está comparecendo!
E as tradicionais fumaças também coloriram o ar do estádio!
E dá lhe bateria!
Com tanta animação, difícil ficar parado…
Mas… o calor é grande… e tem momentos que o pessoal prefere guardar as energias para o fim do jogo…
Ou quem prefira manter se hidratado durante todo o jogo!
Enfim… Todo mundo feliz curtindo os amigos, familiares em torno do futebol!
Em campo, um primeiro tempo de muita marcação, que até chegou a ter um gol marcado pelo Bandeirante que acabou anulado pelo bandeira.
O fim do primeiro tempo trouxe um alívio: o céu recebeu uma porção de nuvens que ajudaram a amainar o calor.
O segundo tempo começou com ainda mais tensão.
A torcida, que a essa altura já havia enchido boa parte da Arena Jaburu parecia sentir o peso de cada passe, cada dividida, cada chute travado.
A Bateria Tsunami, incansável, segurava o ritmo do time e do povo como se cada batida fosse um lembrete: “Estamos juntos. Até o fim.”
E foi justamente no fim que o drama começou. Aos 40 minutos do segundo tempo, quando o jogo parecia caminhar para um empate nervoso, que levaria a decisão por penaltys, Max, sempre ele, encontra o gol do time da casa!
A Arena Jaburu que já estava barulhenta se tornou ensurdecedora…
Por alguns minutos, parecia que o tempo havia parado e em cada rosto havia um sorriso. Olho pro celular e faço as contas: o tempo regulamentar já. se esgotou… É questão de pouco tempo até o Bandeirante se sagrar campeão.
Mas… o futebol é único. E quando tudo parecia resolvido e o título parecia uma realidade, a zaga bandeirantina comete penalty… E o União FC empata o jogo para a alegria da torcida Atibaiana!
Foi um choque geral…. Uma catarse negativa para a torcida local. Semblantes tensos, mãos na cabeça, olhares perdidos. Quem estava sentado se levantou e quem estava de pé se segurou pra não cair com o baque do gol… E foi ali, no momento mais delicado, que o time fez um verdadeiro milagre. Sabe aquela jogada que a gente ensaiava nos tempos de escola? Da saída do meio campo ao gol em menos de 5 toques? Pois aí está:
O estádio inteiro voltou a cantar, a bateria Tsunami voltou com tudo, as crianças gritavam, os mais velhos ergueram os braços como quem conversa com o destino. Abraços e mais abraços… Era impossível não se arrepiar. Impossível não existe pra esse time…
É fim de jogo!!! O Clube Atlético Bandeirante de Brodowski é o campeão de 2025!!!
A Arena Jaburu explode.
Gente chorando. Gente pulando. A torcida do Bandeirante mais uma vez escreveu seu nome no destino. E o destino, respeitosamente, respondeu: “Hoje, vocês merecem ser campeões.”
O placar final mostra mais uma vitória dos heróis!
O time fez questão de celebrar muito junto da torcida…
E na arquibancada, após uma verdadeira chuva de cerveja… todos voltam a gritar “É campeão!!!”
Na hora da entrega das medalhas e troféu, dá uma certa tristeza de imaginar o aperto no peito do time de Atibaia e de sua fiel torcida que viajou até Brodowski, mas por ser apenas a segunda participação do time, o vice campeonato foi bem comemorado.
Um misto de sentimentos ao ver que é hora da foto dos campeões! O time fundado em 16 de agosto de 1933 é mais uma vez campeão e fico feliz em ver isso, mas ao mesmo tempo, triste por saber que nossa aventura chega ao fim…
Melhor ver a foto do Mário que fez lá, bem em frente ao time:
O que dizer de um momento desses? Uma cidade que respira futebol e que é apaixonada pelo Campeonato Amador do Estado recebendo mais um título!
Hora de extravasar, de celebrar de saber que na próxima vez que esta camisa for usada, ela não será mais a mesma: mais uma estrela estará bordada em seu distintivo!
Jogadores e comissão se abraçando sob o olhar do Jaburu ali ao fundo… Manhãs como essa transformam pessoas…
Hora de ir embora com aquele sorriso no rosto que demora a sair. Corpo anestesiado, de tantos arrepios e emoções que passamos. Parabéns ao povo de Brodowski, em especial aos torcedores bandeirantinos… Vocês são demais!
Só me resta agradecer ao Mário, ao Brasileiro e à Letícia, amigos de arquibancada e da vida.
Ao Marcelo, Márcio, Guilherme e família e todo mundo da diretoria do Bandeirante por ter nos apoiado nesse rolê inesquecível.
E ao futebol por ser essa cultura tão louca que faz a vida de tanta gente ser ainda mais divertida!
Aproveitamos o feriado da consciência negra (20 de novembro) de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade para todos em nosso país. E é fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos antirracistas em todos os ambientes. Pra pensar um pouco mais sobre o tema, vale a pena ouvir esse vídeo da Djamila, e mais legal ainda é você ler o “Pequeno Manual Antirracista“, escrito por ela.
Também aproveitamos o feriado para cair na estrada e fomos até Ribeirão Preto para finalmente registrar o Estádio Palma Travassos (veja aqui como foi).
No caminho para Ribeirão, aproveitei para algumas paradas. A primeira delas, em Santa Cruz das Palmeiras, só pra rever o EC Palmeirense, clube fundado em 7 de setembro de 1908 e que segue com forte vida social e um belo campo de futebol (veja aqui como foi o rolê que fizemos por lá em 2018)
Também demos uma parada em Tambaú para almoçar no Restaurante Sabor e Sede, uma ótima opção para quem estiver pela região.
A terceira parada foi em Cajuru, para “completarmos” a visita que fizemos em 2018, quando fomos até o Estádio Dr Guião, mas não conseguimos registrar seu interior. Relembre aqui como foi!
Naquele post mostramos um pouco da rica história do time que mandou seus jogos neste estádio: o Clube Recreativo Cajuruense (imagem do incrível site “Escudos Gino“):
E agora em 2025, 75 anos depois da fundação do time, será que vamos conseguir entrar no estádio?
Sim!!! Finalmente conseguimos adentrar ao estádio e registrar a casa do Clube Recreativo Cajuruense.
Essa é a saída dos vestiários, era por aí que os jogadores passavam para enfim adentrar ao campo onde verdadeiras batalhas seriam disputadas.
Uma vez no campo, eram saudados pela sua torcida, presente em suas belas arquibancadas…
E que bom que finalmente pudemos registrar sua arquibancada coberta que carrega. tantas histórias.
Algo que me chamou muito a atenção foi essa inscrição em um dos portões do estádio: “Menta”. Será um patrocínio das máqunas agrícolas de mesmo nome?
Era uma tarde quente como muitas outras devem ter sido, mas o campo parecia bem cuidado, como se estivesse sendo aguado regularmente. Essa é a visão do gol da esquerda para quem olha para a arquibancada:
Aqui, o gol da direita:
Mais uma vez, muito a agradecer pela oportunidade de estar presente e registrar mais um estádio cheio de histórias!