O futebol em São João del Rei (MG) – parte 4: o América RF e o Estádio Ely Araújo

No feriado de Corpus Christi de 2023, tivemos a oportunidade de acompanhar uma partida do EC Santo André em São João del Rei contra o time do Athletic Club.

Claro que aproveitamos para registrar o Estádio Joaquim Portugal e você encontra maiores detalhes no post que fizemos só sobre isso (veja aqui):

Mas a história do futebol em São João Del Rei é muito rica e acabamos indo atrás de maiores detalhes de outros times da cidade.

No segundo post sobre o futebol em São João del Rei, falamos sobre o Estádio João Lombardi, a casa do Minas FC (confira aqui o post)

No terceiro post sobre o futebol em São João del Rei, falamos sobre o Estádio Paulo Campos, a casa do Social FC e do Figuerense EC (confira aqui o post)

Nesse quarto e último post vamos falar sobre o América Recreativo e Futebol, time fundado em 14 de abril de 1939 e o seu incrível Estádio Ely Araújo.

O América Recreativo e Futebol foi fundado por apaixonados pelo futebol, entre eles João Veríssimo da Silva, pai de Telê Santana e um apaixonado pelo América da capital mineira (provavelmente o nome é uma homenagem). Em 1948, o próprio Telê jogou pelo time de São João del Rei!

O América RF participou de diversas competições amadoras envolvendo os times da região, até que em 1967 se profissionalizou e disputou o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, terminando em 3º lugar no seu grupo.

Em 1968, nova disputa e dessa vez a 7ª colocação.

Em 1969, foi criada mais uma divisão no Campeonato Mineiro, e assim, o América RF passou a jogar a Terceira Divisão, mas apenas 2 equipes toparam participar no grupo: o próprio América e o Athletic, que venceu os dois jogos: 2×0 e 2×1 e fez a final com o Nacional de Muriaé.

O time se licenciou e só voltou a uma competição oficial em 2006, disputando o Campeonato Mineiro Feminino da 1ª Divisão em 2006, ficando na 3ª colocação do seu grupo e depois disputando o Campeonato Mineiro Feminino regional.

Atualmente está de volta às disputas amadoras:

E por isso fomos até o Estádio Ely Araújo, registrar o local onde o América vem escrevendo sua história.

O Estádio fica na Avenida Leite de Castro, e atrás dele passa um braço do Rio das Mortes. Essa é a entrada do Estádio, bem singela, eu diria, mas é um graaaande corredor até chegar no estádio (veja no mapa abaixo que vai entender).

Há uma pequena placa indicando o nome do Estádio: Ely Araújo!

Uma placa menor indica que em 99 houve a inauguração de uma parte das arquibancadas.

Entrando por esse corredor chegamos ao Estádio. Vamos dar uma olhada:

O distintivo do América está presente em várias as paredes do clube! Aliás, tem um lindo ginásio, mas acabei não fotografando 🙁

O futebol e a religiosidade sempre andaram meio juntos… E no caso do América e do Estádio Ely Araújo não é diferente: olha o pequeno altar que existe na entrada do campo:

Chegando ao campo, olha que bacana… O time veterano do América está se preparando para um amistoso! Só não entendi porque o uniforme do time agora é verde 🙁

E olha que louca a arquibancada coberta, logo do lado da entrada do Estádio:

Do outro lado, também existe um outro lance de arquibancadas cobertas:

Vamos curtir um pouco do clima do pré jogo:

E olha aí o time posando para a foto:

E pra finalizar, o nosso tradicional registro do gol do lado direito:

Aqui, o gol do lado esquerdo:

E aqui, o meio campo:

Foram apenas 2 dias pela cidade de São João del Rei , mas deu pra ter ideia da importância e da grandeza do futebol local para a cidade!

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O futebol em Caçapava-SP

Nesses mais de 15 anos do As Mil Camisas, poucas missões para registrar estádios falharam.
Infelizmente a cidade de Caçapava foi um destes casos, mas mesmo assim, hoje vamos recordar um pouco da linda (e antiga) história do futebol por lá.

Esta é mais uma cidade que nasceu dos conflitos entre os povos originários e bandeirantes que buscavam novas terras, pedras e minerais preciosos além de escravizar os indígenas.
Alguns destes sanguinários bandeirantes seguiram o curso do Rio Paraíba do Sul, enfrentando o povo Puris, pertencente ao tronco linguístico macro-jê, aqui, registrados no século XIX por Van de Velden:

E aqui, por Johann Moritz Rugendas, no século XIX:

Os Puris acabaram abandonando suas terras em direção da Serra da Mantiqueira, mais ou menos como o Iron Maiden canta em “Run to the Hills“, em referência à história americana:

Aos poucos, os invasores passaram a ocupar o vale do rio Paraíba originando o que seriam as cidades do leste do estado, como São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e a querida Caçapava, cujo nome deriva do termo tupi guarani caá-sapab (algo como “mato vazio”, devido à clareira que existia no local).

Inicialmente pertencente à Taubaté, o povoado de “Cassapaba” foi crescendo ao redor da capela construída em 1706 que daria origem à Igreja de Nossa Senhora D’Ajuda.

A partir do século XIX, questões políticas levaram a população a viver na fazenda de João Dias da Cruz Guimarães, onde existia uma capela de São João Batista.
Ali, iniciou-se o núcleo que se tornou a atual cidade de Caçapava. O velho povoado tornou-se o bairro do “Caçapava Velha“.

A base da economia era a produção cafeeira realizada pelos escravizados, com fazendas importantes em Caçapava, que também produzia cana-de-açúcar, fumo e gêneros alimentícios.
Até hoje, o comércio local movimenta a economia, esse é o Mercado Municipal:

Em 1° de outubro de 1876 é inaugurada a estação ferroviária.

A ferrovia ajudou a trazer a industrialização para a cidade que passou a contar com empresas do ramo têxtil, depois chegaram a Mafersa (material ferroviário) e a Providro (que também teve um time profissional como veremos na parte final deste post).
Olha quantas indústrias existem atualmente só ali às margens da Dutra:

Assim, chegamos à Caçapava de hoje em dia que vê o desenvolvimento chegar com força total e fez no futebol mais uma vítima desse crescimento…
Estivemos na cidade pouco tempo depois da demolição do estádio da AA Caçapavensena região central.

A Associação Atlética Caçapavense foi fundada em 9 de dezembro de 1913 e tinha sede na rua Capitão João Ramos (atual agência do Banco do Brasil) mudando-se em 1941 para a Avenida Cel. Manoel Inocêncio, onde estava o Estádio Capitão José Ludgero de Siqueira até 2013 quando foi vendida e completamente demolida…

Estivemos lá alguns meses depois da demolição e já havia um estacionamento construído na esquina do terreno, onde antes ficavam as bilheterias…

Fiquei tão decepcionado que não encontrei as fotos que fiz do local… Por sorte o Google Maps ainda mantém como imagens um cenário bem parecido com o que visitamos.

O local é bem no centro da cidade e imagino que realmente não fazia mais sentido um campo, há décadas dedicado apenas ao futebol amador, ocupar um espaço tão importante…

Dá pra comparar com uma imagem mais antiga:

Após vários anos disputando amistosos e torneios amadores, em 1918, a AA Caçapavense estreia no Campeonato do Interior (organizado pela APEA), na Zona Central do Brasil.
Em 1920, se classifica para a fase final, mas perde para o Corinthians de Jundiaí.
Em 1921 venceu o Elvira e empatou com o Taubaté, em partida que teve invasão de campo pela torcida de Caçapava. Esse era o time de 1921:

A área do Estádio Capitão José Ludgero de Siqueira foi adquirida em 1915 e em junho de 1922 enfim foi inaugurado com uma incrível partida entre a AA Caçapavense e o Clube de Regatas Flamengo!

O Flamengo leva para casa a Taça Elias, ofertada por comerciantes da cidade, vencendo o Caçapevense por 5×0.

A partir de 1922, a Zona Central do Brasil passa a ser bastante disputada, com times de diversas cidades da região.

Esse é o time de 1925:

Em 1928,, a AA Caçapavense sagra-se campeã da sua região, mas acabou sendo desclassificada na fase final. A AA Caçapavense disputa o Campeonato do Interior até 1930, apenas deixando de participar das edições de 1924 e 29.
Imagina se você dissesse pra essa galera que esse lugar ia virar um estacionamento, algumas décadas depois…

Talvez tenha faltado passar esse amor pelo futebol para seus filhos, filhas, netos e netas…

Claro… O mundo hoje é outro, mas fico me perguntando como deve ter sido mágico vivenciar as aventuras da AA Caçapavense na primeira metade do século XX…

E como era linda a arquibancada coberta do Estádio Capitão José Ludgero de Siqueira:

Olha que uniforme lindo!

A AA Caçapavense volta às disputas locais até 1946, quando disputa novamente o Campeonato Paulista do Interior, agora organizada pela Federação Paulista e embora campeã da sua zona, o time foi eliminado na fase regional.

Após esta disputa única, o time mais uma vez se ausenta das competições oficiais e volta a jogar torneios amadores e regionais.

Aqui o time de 1958:

O time de 1961:

A AA Caçapavense ressurge na década de 60 para aventurar-se no profissionalismo disputando a Terceira Divisão da Federação Paulista de 1964, e o time terminou na 6a colocação da 1a série.

Em 1965, terminou a 5a colocação:

Em 1966, o time sagra-se campeão do seu grupo…

Mas acaba abandonando a 2a etapa da competição e desistindo do profissionalismo.

Atualmente, a AA Caçapavense, centenária desde 2013 possui uma nova sede no Jardim Maria Cândida, voltada aos associados.

Antes de finalizar o post, vale falar um pouco mais da empresa Providro citada anteriormente.

A empresa tinha tamanha importância na cidade e envolvimento com seus funcionários que acabou dando origem a um time de futebol em 17 de agosto de 1964: o Clube Providro. Segundo o site Futebol Nacional existiram dois distintivos:

Em 1966, o Clube Providro se aventurou no futebol da Quarta Divisão.

Só achei uma foto no Facebook dizendo ser do time, mas já nos anos 70:

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199- Camisa do Yuracan

A 199ª camisa do nosso site traz a história de um time mineiro de nome complicado: Sociedade Desportiva Yuracan Futebol Clube!

O time foi fundado em 3 de maio de 1934 na linda cidade de Itajubá (Ita é pedra em tupi e Jubá, ou Djubá, significa amarelo, por conta do ouro). Estivemos lá há a (veja aqui como foi):

Claro que aproveitamos para conhecer a casa do Yuracan, o Estádio Coronel Belo Lisboa:

O nome “Yuracan” seria uma homenagem ao time argentino Club Atlético Huracán, que realizou uma excursão no Brasil (encontrei essa matéira sobre uma excursão realizada em 1939, confira aqui), ganhando várias partidas.

O time se tornou uma febre na cidade!

Vale a pena lembrar que Dondinho, pai de Pelé, também atuyou pelo no time do Yuracan. Em 1939, ele fez cinco gols de cabeça na vitória por 6 a 2 no clássico contra o Smart.

Em 1943 o Yuracan foi até a cidade de São Lourenço enfrentar a equipe do América/RJ em partida amistosa, no Estádio Jayme Sotto Major, empatando o jogo.

Em 1947, disputou um amistoso com o São Cristóvão/RJ vencendo por 3×2.

Nessa época, o principal campeonato era o amador municipal e o Yuracan conquistou muitos títulos!

O Yuracan FC disputou diversas competições amadoras, mas em 1969 estreou no profissional, jogando pelo acesso! Esse era o time:

Tinha até torcida feminina!

Mas o Yuracan já tinha uma equipe feminina desde 1958!

Disputou ainda os campeonato de 1982, 1983, 1984, 1985 e 1990, além da Copa de Minas Gerais em 2004 e a Taça Minas Gerais em 2005. Esse é o time de 1980:

Esse é o time de 1984:

E este, o de 1985:

E se tinha jogo do Yuracan, lá estava sua torcida!!!

Em janeiro de 1995 o Yuracan fez um amistoso oficial contra a equipe do Flamengo-RJ para mais de 6.500 torcedores presentes no Estádio Coronel Belo Lisboa!

Atualmente, conta com um time feminino!

Em 2022 foi campeão amador de Itajubá:

E seguem na disputa das categorias de base.

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O Ferroviários Atlético Clube de Bragança Paulista

Mais uma vez, bem vindo a Bragança Paulista!

Temos visitado a cidade com certa frequência graças aos jogos do Campeonato Paulista (na quarta de final de 2022 e na primeira fase de 2023) e porque estivemos lá em um dia sem jogo para conhecer o Estádio Nabi Abi Chedid com mais tranquilidade e para registrar o Estádio do Legionário EC (veja aqui):

Bragança Paulista tem uma linda história indígena que ganha novos capítulos a cada dia (o passado não para!). Recentemente foi encontrada uma canoa além de cinco flechas pequenas, um tacape, uma borduna (um tacape maior) e uma flecha de três metros de comprimento provavelmente pertencentes a uma aldeia tapuia que ocupava a área antes da chegada dos bandeirantes e demais europeus.

Em pleno 2023 ainda existem construções do século passado de pé…

E claro, tem várias igrejas que fortaleceram o estabelecimento da população na região, que atualmente chega a mais de 165 mil pessoas.

Mas ainda não falamos sobre Bragança Paulista é da Estrada de Ferro Bragantina e sua importância para a cidade.
A foto abaixo é do incrível site “Estações Ferroviárias“:

A Estrada Ferroviária Bragantina, inaugurada em 1884, interligava a São Paulo Railway em Campo Limpo Paulista até Bragança Paulista para o escoamento da produção dos fazendeiros locais até o porto de Santos.
A ferrovia foi desativada em 1967, e de recordação, existe uma Maria Fumaça exposta no centro da cidade.

Mas existe outra herança que orgulha a cidade no que se relaciona ao trem: o Ferroviários Atlético Clube (no plural mesmo: “Ferroviários”).

O time nasceu em 1º de junho de 1948, pelos trabalhadores da Estrada de Ferro Bragantina, fruto da fusão do São Paulo Railway Atlético Clube com um time do bairro São José.
O Ferroviários AC passam assim a usar o campo do SPR, que acredito ser o atual Estádio Olympio Rodrigues, na Avenida Imigrantes, 38 no Bairro do Taboão.

No final da década de 60, a Estrada de Ferro Bragantina encerrou suas atividades, exigindo que o clube andasse com as próprias pernas.
E o Ferroviários AC construiu uma linda história no futebol amador de Bragança e do estado de São Paulo como um todo!

E por isso, merece um capítulo no nosso site!

Assim, sendo, apresente sua carteirinha e vamos avante, locomotiva!

A primeira parada é no acervo histórico do time. De fazer inveja em muitos times profissionais…

São troféus de diferentes fases da história do clube.

Destaque para o troféu de 2014 do título de Campeão Amador do Estado:

Esse foi o time de 2014:

Vale lembrar que o Ferroviários AC também sagrou-se campeão do estado em 2013, 2016, 2018 e 2019 e vice campeão em 2017. Aqui o time de 2013:

O de 2016:

E o de 2018:

E o time de 2019:

Viu porque tantos troféus?

Aqui o material oficial da Federação apresentando os “campeões de 2018” e o Ferroviários AC entre eles:

Aqui, uma foto mais antiga, do time campeão amador regional em 1976, em jogo final em Atibaia:

A conquista do Amador do Estado dá acesso ao Campeonato Sul Brasileiro de Amadores que reúne os campeões estaduais amadores de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Ferroviários foi vice campeão em 2015 e em 2018.

Voltando ao seu campo, aqui temos uma visão do meio campo:

O gol da esquerda:

O gol da direita:

Uma olhada geral no estádio:

A arquibancada está passando por reformas, perdeu alguns degraus debaixo para aumentar o campo, e vai ganhar alguns degraus para cima:

Um lindo espaço que mantém o futebol amador não apenas vivo mas em altíssimo nível em Bragança!

Toda a estrutura do campo tem as cores grená e as letras FAC:

Um último olhar para a casa do FAC, antes de seguirmos adiante!

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O Campo da AA São Paulo

Mais uma aventura pelo futebol amador de Santo André. Hoje é a vez de registrar o campo da Associação Atlética São Paulo, ou, como é carinhosamente chamado, o “São Paulinho” de Santo André, que fica dentro do chamado Estádio Distrital Cidade dos Meninos, junto do campo do Nacional.

A AA São Paulo foi fundada em 25 de janeiro de 1973.

A placa da SEMASA está lá na rua da frente desde 1972.

O campo fica no chamado Parque Municipal Cidade dos Meninos e sua história é bem bacana!

Em 1958, a área foi doada pela empresa proprietária do loteamento e a Prefeitura a doou para a Sociedade Missionária dos Franciscanos Menores Conventuais para construção e instalação de estabelecimentos destinados ao ensino e assistência social a menores desamparados.

Em 1976, a Prefeitura recebeu de volta parte da área, fazendo posteriormente uma permuta, onde construiu o Hospital Maria José Stein e o parque que deu um toque melhor .

Fotografando lá do campo do Nacional, esse é o gol da direita, onde fica a sede do time:

Aqui, o gol da esquerda:

E o meio campo:

Olha aí o campo!

Indo lá para o campo, dá pra ver que o campo tem uma bela arquibancada:

O Fernando do site Jogos Perdidos encontrou uma informação dizendo que o “Parque dos Meninos” foi sede de uma Copa Paulista de Futebol Júnior!

Eu fui atrás de reportagens do Diário do Grande ABC que noticiassem o fato e encontrei em 1990 e 1991, matérias que citam o Estádio Distrital dos Meninos como sede da Copa São Paulo de Futebol Jr.

Aqui, vale uma visão do alto pra entender que os campos do Nacional e do SãoPaulinho estão lado a lado:

Ali no alto está o campo do Nacional.

Olha o gol!

O futebol amador de Santo André é muito forte!

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Campeonato Amador do Estado 2022

O ano está acabando mas ainda há tempo de um novo campeonato: o Amador do Estado, organizado pela Federação Paulista de Futebol.

Para saber mais acesso guia escrito pelo Mário C. Gonçales. Confira aqui!

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#TBT: Treta no futebol andreense

O ano era 1968… Em uma tarde distante, uma partida colocou frente a frente dois times feras daquele ano, de um lado o Santo André FC, que viria a se tornar o EC Santo André, campeão da Copa do Brasil de 2004, do outro, EC Elclor, o time da Vila Elclor.

A Vila Elclor nasceu no entorno das “Indústrias Químicas Eletrocloro” que chegou ao ABC em 1941, produzindo soda, cloro e hipoclorito de sódio, e hoje faz parte do grupo Solvay – Unipar.

A Vila Elclor foi construída num lugar bem bucólico, no quilômetro 38 da estrada de ferro Santos-Jundiaí, para abrigar os trabalhadores da indústria.

Logo surgiram pequenos comércios, uma escola (inaugurada em 1958), linhas de ônibus que atendiam a vila e até mesmo uma estação de trem!

Porém, a grande animação veio quando foi construído um pequeno estádio, que seria a casa do EC Elclor, o principal time da vila! As imagens abaixo foram retiradas do vídeo de chegada do papai noel que está no Grupo de Facebook Vila Elclor:

Aqui, duas fotos do time de 1960, a primeira, da delegação que foi até Itamonte-MG para um amistoso:

A vila ainda existe, pertence à Santo André e fica entre Rio Grande da Serra e Paranapiacaba.

Aqui, dá pra ter ideia do local, no mapa:

Na foto abaixo, do Grupo Vila Elclor do Facebook, mostra onde ficava o campo (ali na parte superior direita):

Sem grandes sonhos, nem prestígio, mas com bons empregos e qualidade de vida para a época, algumas pessoas acabavam se sentindo um pouco desprezada pelos que viviam no centro da cidade. Ao mesmo tempo, foi crescendo nos moradores o sentimento de pertencimento e uma relação de amor e pela VilaElclor.

Amor, porque tudo o que se vivia girava em torno da indústria, sendo natural a gratidão pela oportunidade, mas ao mesmo tempo, a noite, antes de dormir, vários sonhos inalcançáveis vinham à mente das pessoas e aí ficava clara a ideia de que na verdade, estavam presos aquele lugar.

A estação de trem facilitava a chegada e saída de pessoas e também de times de outras cidades e até do interior, com isso alguns times tradicionais acabaram aparecendo pela vila pra jogar contra o EC Elclor.

O time começou a ganhar expressão e disputando principalmente com os times de Ribeirão Pires, que ficavam mais próximos.

Esse é o Cocada, ex jogador do EC Elclor:

Mas a grande sensação daquele ano era o recém criado “Santo André FC“, time profissional fundado em 1967. Mais do que um time, eles representavam a “outra” Santo André, cheia de planos e sonhos. Um time que na semana seguinte disputaria o Campeonato Paulista Profissional… Foto do site da Ramalhonautas.

E naquela tarde, os canarinhos (o Santo André FC jogava de amarelo e verde) seriam os visitantes a serem combatidos de toda maneira! Na hora do jogo, 300 pessoas se reuniram para torcer pelo time da casa!

Em campo, o time local jogava a partida da vida, não com foco na vitória, mas tentando se impor fisicamente e literalmente sentando a porrada a cada jogada e cada disputa.

Mesmo assim, o Santo André FC estava bem preparado e fez 1×0 em cobrança de falta de Zé Roberto aos 30 minutos.

Mas o preço pago foi caro, o goleiro Dorival (foto abaixo) e o meia Nilo acabaram saindo de campo machucados.

O segundo tempo começou e a violência continuou. Mas o time do Parque Jaçatuba não era bobo e também batia. O clima estava tão ruim que aos 38 minutos do segundo tempo, uma treta generalizada fez com que o árbitro Jovercino Gomes encerrasse a partida.

Dê uma lida na matéria sobre a partida:

O clima continuou pesado pela vila, com muita pressão feita não apenas pelos torcedores mas agora nas ruas pela população em geral que sabia da partida e da presença dos vizinhos. Só restou aos jogadores do Santo André FC se arrumarem rapidamente e rumarem para a estação de trem para voltar pra casa.

Enquanto o O EC Elclor ainda seguiu nas disputas amadoras da região, como em 1970, quando foi campeão dos aspirantes de Ribeirão Pires. Mas, acabou deixando de existir como time oficial.

A Vila segue por lá, mas sem a mesma emoção dos tempos de outrora, mas não ouse desafiar um time local para uma peleja…

Só não fique glorificando os tempos da Elclor, como se ela fosse uma iniciativa positiva em nossa região, porque apesar dos empregos, veja um pouco do legado deles:

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O campo do EC Nacional, o "vovô" da várzea andreense.

E hoje é dia de falar de um time super tradicional do futebol amador de Santo André: o Esporte Clube Nacional

O EC Nacional foi fundado em 2/1/1943, o que faz dele o clube mais antigo ainda em exercício na várzea da cidade de Santo André.

Vale a pena conhecer mais sobre o time em sua página do Instagram (veja aqui)

O Campo do EC Nacional fica na Rua América do Sul, 301, no Parque Novo Oratório, e além de receber os jogos do Nacional também tem grande importância no futebol amador da cidade.

Oficialmente, ele é chamado de C.D.F. (Campo Distrital de Futebol) Cidade dos Meninos “A”. Vamos dar uma olhada nesse lindo campo!

Olha aí o time de 2019:

Em 2017:

Em 2016:

Esse é mais um campo da várzea de Santo André, que recebeu gramado sintético. Olha aí o meio campo:

E por mais que eu ache que o gramado natural é um charme e muito mais tradicional, o sintético representa a oportunidade da várzea ter um gramado de qualidade constante, mesmo em dias de chuva. Esse é o gol do lado esquerdo:

E esse é o gol do lado direito. Olha que bacana a arquibancada na lateral do campo.

O Campo do Nacional já recebeu até os jogos das categorias de base do Ramalhão, veja uma matéria do amigo Bellotti sobre isso.

Além disso, segundo pesquisas do jornalista Fernando Martinez do Jogos Perdidos, já rolaram jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior no início dos anos 90. Pesquisando na Fundação Pró Memória, encontrei algumas matérias do Diário do Grande ABC que comprovam esse uso:

Enfim, são arquibancadas bem utilizadas!

Aliás, a arquibancada é bem imponente com seus vários degraus.

Nos dias de jogo além da própria arquibancada, a galera chega a ocupar as áreas acima dela.

A bandeira de escanteio segue firme.

Sabemos que muitos times que disputam o próprio campeonato profissional não tem um estádio tão bacana hein..

E olha o gol!

A entrada fica ali no lado direito, naquela rampa.

E tem banco de reservas coberto e tudo? Tem sim!

Um time com muita história e um campo muito bonito!

Esse ano o time disputou a Primeira divisão do Campeonato de Santo André, chegando `às Quartas de final contra o Comercial.

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Finais do Campeonato Amador de Santo André

Manhã de domingo cheia para quem gosta de futebol em Santo André. Rodada tripla com 3 finais do amador, em diferentes categorias, todas no Estádio Bruno José Daniel!

Eram pouco mais de 8 horas quando a primeira partida começou entre a Associação Atlética Portuguesa de Santo André e a Associação Atlética Ponche, do Jardim do Estádio.

A Associação Atlética Portuguesa foi fundada em 1º de Janeiro de 1954, um time bastante tradicional em Santo André!

Já a Associação Atlética Ponche, do bairro Jardim do Estadio, foi fundada em 2020.

Toda torcida valia, afinal era a decisão do sub 14 da Liga, a Copa Andrezinho!

Mesmo com o frio da manhã, os meninos fizeram bonito em uma partida que manteve a emoção até o final.

O time do Ponche fez 1×0 e segurou o resultado até o final!

Parabéns à equipe da AA Portuguesa pelo vice campeonato!

E pra molecada da Associação Atlética Ponche pelo título!

A 2a final da manhã era entre o time sub 18 da Associação Atlética Ponche e a Associação Atlética Araguaia, que trouxe sua torcida para apoiar o time!

A torcida do lado do Ponche também fez sua festa, ainda mais que já tinha celebrado um título pela manhã! (Depois fiquei sabendo que foi uma homenagem do pessoal do Ourinhos pra eles).

Confesso que a ida ao estádio hoje foi muito para registrar o time da Associação Esportiva Araguaia.

A AE Araguaia foi fundada em 1º de Agosto de 2015 em Santo André. Em 2016, estreou em uma competição oficial da cidade. O time tem priorizado as categorias de base e conquistou alguns títulos como o da Copa Andrezinho Sub-16 de 2018, da Copa UEFA Sub-15 de 2019 e da Copa Nacional Sub-16 também de 2019.

A equipe principal tem como principal título a edição 2016 da Copa Amizade do E.C. Nacional. E é hora do último papo antes de mais uma chance de título…

Em campo, o jogo era rápido e pegado, com poucas chances claras de gol.

Embora tivesse maior posse de bola, o Araguaia não conseguiu converter em gol suas chances.

Enquanto isso, as torcidas dos times da próxima partida não paravam de chegar.

O primeiro tempo termina e o professor Renato Ramos vai para os vestiários pensando em como vencer a final!

O Renato é figura conhecida no futebol da cidade por ter sido presidente da Fúria Andreense por vários anos.

Volta o segundo tempo e as chances continuam, para o desespero da torcida alvi rubra que seguia acompanhando o 0x0.

Com o placar mantido até o fim do jogo, o título teve que ser decidido nos penaltys.

O AE Araguaia teve a chance de sagrar-se campeão na última cobrança. Era só marcar pra levantar a taça, mas o jogador tentou uma cavadinha e acabou perdendo a cobrança. Aí o Ponche marcou o seu gol e o Araguaia deu adeus ao título ao perdendo sua última chance.

Mais uma festa pro pessoal do Ponche!

Mas ainda assim, ficou a importante conquista do vice campeonato para a AE Araguaia.

O Estádio já se encontrava bastante cheio quando enfim chegamos ao momento da terceira partida entre a AA Batuquinho e o União FC São Jorge.

Parabéns às duas torcidas, pela festa linda!

Olha aí o pessoal do Batuquinho

Em campo, o União São Jorge fez 2×0 e sagrou-se campeão da 2a divisão!

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O futebol em Santa Bárbara d'Oeste parte 3: a Associação Esportiva Internacional

Se você tem seguido o blog nesses últimos dias, viu que fomos até Santa Bárbara d’Oeste e aproveitamos para começar a registrar um pouco da história do futebol na cidade, já que 4 times que participaram das edições do Campeonato Paulista.

A primeira parte dessa história já foi contada e trata sobre o União Agrícola Barbarense (leia aqui esse post), assim como a segunda, onde registramos a origem, algumas campanhas e até fotos de onde surgiu o CAUSB – Clube Atlético Usina Santa Bárbara (leia aqui esse post).
E chegou a hora de homenagear a Associação Esportiva Internacional. O incrível site História do Futebol traz um outro distintivo:

A história da Associação Esportiva Internacional começa em 1930 com outro time, o “Democrático de Santa Bárbara“, que foi obrigado a mudar de nome (onde já se viu, falar em democracia…).
Assim, adotou-se o nome EC Esperança e este logo se tornou o time da Fiação e Tecelagem Santa Bárbara FC até que a diretoria da empresa exigiu que fosse extinto.
Em 1947, chegaram a jogar com um uniforme emprestado do time IMOR (das indústrias ROMI) que tinha um “I” como distintivo.

Esses mesmos atletas que integraram estes times até então, pediram uma ajuda ao superintendente da Usina Santa Bárbara (Adriano Arcani) para reformar o antigo campo de futebol que pertencia à Companhia Fiação e Tecelagem Santa Bárbara. E assim, em 3 de março de 1947 surgia a Associação Esportiva Internacional, também conhecida como “time do Ferro velho”.

A AE Internacional mandava seus jogos no Estádio “Luizinho Cervone”, que ficava entre as ruas Santa Bárbara e Duque de Caixas, bem no centro da cidade, bem próximo da estação ferroviária. Tentei localizar o campo num mapa atual, pelo que eu entendi lendo algumas descrições, espero que alguém possa aferir se acertei:

O jogo de estreia foi contra o CAUSB e o time da AE Internacional venceu por 3×1. A Fundação Romi apresenta um arquivo (clique aqui para ler) sobre o futebol na cidade e apresentam uma foto que registrou como era o Estádio “Luizinho Cervone”.

E também veio de lá essa foto de 1958 de um amistoso contra o Paulista de Jundiaí:

Entre os anos 40 e 60, o time disputou disputado campeonato municipal e aqui vale uma menção especial para o EC Paulista , que passou a ser uma importante força citadina a partir de 1956 e que em 1958 representou Santa Bárbara d’Oeste no Campeonato Paulista do Interior:

A AE Internacional disputou também o Campeonato Amador do Interior.

A estreia no profissional aconteceu em 1965, na Terceira Divisão, o quarto nível do Campeonato Paulista, mas o time fez uma campanha mediana e perdeu a vaga da próxima fase para o Palmeiras de Santa Bárbara d’Oeste.

Jogou a Terceira Divisão novamente em 1966 e dessa vez foi o União Barbarense que se classificou para a próxima fase, junto do Rocinhense, da AE São José de Cerquilho e do Comercial de Tietê:

Aqui a campanha de 1967:

Em 1968, sua última participação no profissionalismo com um amargo último lugar.

Assim, o time seguiu nas competições amadoras até 1972, quando mais um time acabou deixando de existir em Santa Bárbara d’Oeste, mas não sem antes marcar a história da cidade…

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