Sábado, 2 de setembro de 2023. Data pra ficar na memória da torcida e da cidade de Taquaritinga. O jogo ainda não valeu o acesso, mas foi o último passo para o momento decisivo, e teve como palco o Estádio Municipal Dr Adail Nunes da Silva, o Taquarão:
As duas organizadas mostraram que a rivalidade só existe dentro do jogo, fora dele, respeito total. Rivais sempre, inimigos nunca!
Ingresso em mãos (R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia), vamos conhecer finalmente a parte interna do Taquarão!
Se liga aí como estava o clima para entrar no estádio:
Só pra lembrar, de forma resumida, a história do Estádio: em 1982, o CAT conseguiu o acesso à “Primeira Divisão” do Campeonato Paulista do ano seguinte, entretanto o estádio não possuía as condições exigidas pela Federação Paulista para abrigar jogos deste campeonato. Com medo de uma possível exclusão, a população se mobilizou, e em uma incrível prova de amor à cidade, ao clube e ao futebol, construiu em sistema de mutirão, um estádio para 35 mil pessoas em tempo recorde: três meses. O resultado você vai ver neste post!
Fazia tempo que eu não via uma movimentação tão legal para um jogo da “Bezinha”…
É sempre um grande orgulho fazer parte de histórias como essa!
E lá vem os times!
Em campo, os dois tradicionais times do interior mediram forças após empate no primeiro jogo, ou seja, quem vencesse levava a vaga!
A torcida do Rio Branco EC também fez a sua parte e compareceu ao Estádio para deixar a festa ainda mais importante!
Eu considero a Malucos do Tigre uma das torcidas mais criativas e diferentes com faixas relacionando a paixão pelo time com outros amores como o rock, Raul Seixas, o Reggae entre outros temas!
Fico contente por já ter partilhado momentos importantes ao lado deles, em especial com o amigo, Rogérião, que já nos deixou, mas que estará sempre vivo na nossa memória… Taí o seu legado, meu irmão:
Mas, do lado local, também temos uma torcida que merece todo o respeito! A Jovem Garra do Tigre é atualmente a organizada responsável pela festa na bancada!
E no jogo de hoje, em especial, não seria diferente!
É bandeirão que você quer para a festa ficar mais colorida? Ta aí!
Mas, no caso de Taquaritinga, ainda existe um público bem representativo que são os torcedores comuns, autônomos, ou como chamamos na bancada “o povão”.
Mesmo povão que ajudou a levantar cada tijolo desse estádio que hoje recebe uma partida decisiva, mas que chegou a ficar sem futebol por alguns anos com o licenciamento do CAT.
O CAT chega ao ataque com alguns erros de pontaria…
E é bom que melhorem, porque hoje o povão está aí e quer que o CAT siga na luta pelo acesso!
O CAT tem como mascote o leão, devido à sua bravura, mas o leão que comparece nos jogos tem uma cara de gente boa…
É que ele tem outra importante missão: formar os futuros leõezinhos…
Confesso que a energia da arquibancada estava tão bacana que eu demorei uns 20 minutos pra me ater no jogo em si… Preferi ficar admirando o cenário tricolor que tomou conta do Estádio, a começar pelas bandeiras!
Me pergunto quando as autoridades responsáveis pelo futebol vão entender que essa festa só acontece por completo quando temos as bandeiras de mastro…
Mas outros detalhes dão um caráter todo único para os jogos do CAT. Os quase 40 graus precisaram de armas poderosas para se proteger do sol!
Po, e olha que lindo o boné que estava sendo vendido lá mesmo no Estádio.
O jogo em si não foi dos melhores. Ainda que muito disputado, ambos os ataques não conseguiam chegar a oferecer perigo real aos goleiros.
Como a festa na bancada estava muito mais linda, deixei os jogadores e o jogo em si para serem registrados por outros veículos e voltei meus olhos ao que cada um estava fazendo ali na bancada pra demonstrar o amor pelo time da cidade…
Então voltemos às lindas imagens da torcida!
Olha que momento incrível: a cena começa com as primeiras palavras pronunciadas pela torcedora mirim, passando pelo futebol da molecada ali ao lado do alambrado até chegar no jogo em si. Quando foi que o Allianz, Morumbi ou Maracanã vivenciaram uma cena dessas?
Enquanto isso, tudo o que a Jovem Garra pedia era… “Honrem essa camisa”… Será que esses jogadores tem ideia do valor do distintivo que eles carregavam no peito nessa tarde?
Já ia me esquecendo de fazer o nosso tradicional registro do campo, começando pela região central:
Aqui, o lado esquerdo, lá atrás daquele gol é onde estava se posicionando a torcida visitante:
E aqui, o lado direito, onde está o portão de entrada:
A torcida viu com certa preocupação o primeiro tempo se encerrar como começou: 0x0.
Do lado dos visitantes, o fim do primeiro tempo foi um alívio já que não havia uma única sombra e o sol estava escaldante!
E há que valorizar uma partida que tem como adversário um time capaz de trazer uma torcida que também se esgoelou os 90 minutos e fez uma linda festa com seus bandeirões.
Eu também dei uma arriada embaixo do calorão…
Mas deixemos pra descansar na estrada no caminho de volta…. Vamos registrar as faixas das torcidas e pra isso, fui até a entrada novamente:
O bar lotado garantiu importante renda extra… Po, e olha aí a camisa da outra organizada a Fúria do Leão!
O tempo corre demais… Começa o segundo tempo e a torcida local volta com a corda toda! Leão eô!
Raça, amor e tradição. Não uma tradição dessas que se preocupa em perpetuar os erros do passado, mas uma tradição em se valorizar o que é seu como cultura, que foi construído por essas pessoas, assim como esse estádio…
Talvez estivessem ali sentadas pessoas que participaram do mutirão em 1982 e que há algum tempo não se lembrava de como foi importante o seu trabalho para a perpetuação desse amor pelo time que leva adiante o nome da cidade, de pouco mais de 50 mil pessoas…
Ou talvez ali estejam seus filhos, seus netos, que contam com orgulho a façanha dos antepassados na loucura que deve ter sido construir um estádio que comporta 25% da população da cidade…
São momentos assim que me fazem valorizar o futebol não apenas como esporte e cultura mas como um verdadeiro manifesto, ou documento histórico.
E fico muito feliz em poder estar no meio dessa festa e fazer essas fotos e vídeos sem grandes técnicas, mas que eu espero poder alcançar hoje, e quem sabe no futuro, parte das pessoas que participaram disso tudo.
Opa, olha a falta perigosa pro CAT.…
E também teve falta perigosa pro Rio Branco!
Pô, juizão, o professor (e o auxiliar) não tão te entendendo kkkkk.
As torcidas seguiam no apoio… Uma de cada lado!
Ao fundo a não menos heroica torcida Riobranquense se esforça para tentar apoiar o time em busca de um gol que traria a classificação para a decisão do acesso…
Olha aí o placar final…
E o jogo, que no fundo acabou sendo apenas um pano de fundo para tanto amor e tanta festa chega ao final… Vamos aos penaltys e infelizmente uma das torcidas sairá do Taquarão com a alma ferida…
Todos preparados? Acho que é melhor acompanhar a cobrança lá de perto… Assim eu posso passar pela arquibancada e mais uma vez registrar esse dia incrível!
A bancada principal está lotada …
Fiquei me perguntando o quanto seria difícil pra essas pessoas que praticamente se conhecem e convivem diariamente se olharem no dia seguinte, caso o Leão fosse eliminado…
Assim como pensei nos amigos da Malucos do Tigre e no sofrimento que já se perdura por tantos anos nessa 4ª divisão…
Momento único: o “narrador” do estádio pede uma homenagem aos torcedores que não tiveram como entrar e decidiram assistir ao jogo em cima das árvores do entorno:
Nas bancadas, nem todos sabiam que a decisão iria pra penalty, mas logo a informação circulou e todo mundo estava de novo focado no campo!
Jogadores prontos para a decisão por penaltys…
Torcida também!
Os penaltys são um momento difícil para ambas as torcidas. Mas, o CAT garantiu suas 3 primeiras cobranças e viu o Rio Branco perder 2 dos 3 penaltys, o que levou o time local à 4ª batida podendo encerrar a disputa. E foi o que aconteceu:
A partir daí o que se viu foi uma explosão coletiva de felicidade.
O presidente da Garra Junior expressou a importância dessa vitória:
E aí? Você quer que eu tente traduzir o que se passava na cabeça e nos corações de quem estava ali vivendo essa catarse?
Me arrepiei todo e quase chorei ao cruzar com um homem com os olhos mareados de emoção…
Importante reforçar a proximidade que o elenco tem (ou aparentou ter) com os torcedores, afinal, eles merecem. Os jogadores chegam e saem. Nós, torcedores, estaremos sempre na bancada! Respeita a gente!
Vale chorar, se abraçar e até mandar o recado pra quem está longe: “Estamos classificados!!!”
Aos amigos de Americana, compartilho da sua tristeza, o Rio Branco não merece estar onde está e assim como um dia acompanhei o título da A3 e a volta para a A2, não tenho dúvidas que um dia estaremos juntos celebrando o acesso do Tigre!
Ao povo heróico que um dia construiu um estádio em nome do próprio time, vocês tem a minha total admiração, meu mais profundo respeito. Que esse amor não termine nunca!
5ª feira, 15 de junho de 2017. Com adição de informações em 20 de agosto de 2023. Com este post, começamos a dividir com vocês o nosso rolê de “Pré Inverno”, pelo interior paulista, dividido em 11 capítulos, um para cada cidade que visitamos, nos 4 dias de feriado prolongado.
A primeira parte da viagem foi até nossa “base” em Cosmópolis (terra da Funilense), de onde saímos na 5a feira bem cedinho, rumo à estância turística de Barra Bonita.
Saímos com um belo sol, mas… a estrada sempre guarda surpresas e na altura de Rio Claro, dá uma olhada na neblina que a gente pegou…
Mesmo assim, após duas horinhas de estrada, o sol voltou e enfim chegamos à Barra Bonita!
Muita gente acha que somos apenas fanáticos por futebol (ou idiotas por gastar dinheiro com gasolina e pedágio em busca de times e estádios), mas vale ressaltar que além do futebol, sempre procuramos entender e vivenciar um pouco dos lugares que visitamos.
E com Barra Bonita, não foi diferente! Principalmente pelo apelo turístico que a cidade possui naturalmente, graças ao rio Tietê.
Pra quem nunca esteve frente ao rio Tietê na sua fase “pós poluição” deve até ser estranho ver uma imagem tão bonita!
E, já que estávamos por lá, fomos fazer o passeio de barco, pelo rio, incluindo a visita pela Eclusa (o “elevador” aquático que liga dois pontos de diferentes níveis do Tietê).
O passeio é muito legal e bem barato! Vale a pena conhecer mais com o pessoal da “Navegação Fluvial do Tietê“. O preço varia entre R$ 30 e R$ 90 em passeio com ou sem almoço, e de 1h30 até 3 horas (estamos em junho/2017, não sei se quando você ler isto, sofreu algum aumento).
Fizemos o passeio menor (e depois percebemos que valeria a pena ter feito o maior), que nos levou até a eclusa, passando pela prainha que vive cheia no verão.
Já conhecíamos o passeio, mas fazia tanto tempo que valeu a pena fazer de novo.
O passeio é gostoso, os barcos são super seguros e modernos e a paisagem é muito bonita! A imagem da represa e da água caindo é algo marcante!
Dá uma olhada no vídeo que fizemos:
Em agosto de 2023 voltamos lá pra rever a cidade…
Mas, claro que aproveitamos nossa passagem pela cidade para conhecer um pouco dos dois times locais que já disputaram as competições oficiais da Federação Paulista de Futebol: o CA Botafogo e a AA Barra Bonita!
O Clube Atlético Botafogo foi fundado em 1968, por iniciativa de Benedito Alcindo Biazetti, ex treinador dos times do “Infantil” e do “Juvenil” da AA. Barra Bonita. Seu campo sede atual fica na charmosa rua “Fiori Gigliotti”:
No começo o time chegou a jogar usando as camisas da Ponte Preta, com a denominação de “Juvenil Ponte Preta Junior”. Sua primeira partida oficial foi um amistoso disputado contra a Associação Atlética Sãomanuelense, no Estádio Vicentão. O resultado final foi um 3×2 para os visitantes.
O time passou vários anos disputando campeonatos amadores, até que em 1976, sagrou-se Campeão Amador do Interior do Estado de São Paulo, numa época em que esse campeonato era tão valioso ou até mais quanto as atuais divisões de acesso.
Segundo depoimentos de moradores locais (Benedito Alcindo Biazetti e José Antonio Molina), a comemoração ganhou as ruas da cidade, com o desfile dos campeões, bandeiras, carros, buzinas, instrumentos musicais, numa animação única que terminou em carnaval na Avenida Pedro Ometto.
Nos anos seguintes, o time virou febre na cidade, jogando sempre com casa cheia e tendo torcida inclusive nas partidas como visitante. Em 1977, o time venceu o o Campeonato Regional, mas na final Estadual acabou derrotado para o Rigesa de Valinhos.
Infelizmente, no dia em que visitamos o estádio, ele estava fechado, mas o amigo e também admirador do futebol do interior, Emerson Gomes, que é lá de Mauá, esteve no sábado e dividiu com a gente algumas imagens internas, pra matar a curiosidade:
O estádio tem uma pequena arquibancada junto a lateral e várias árvores ao seu redor.
Confesso que não tenho certeza se o Botafogo chegou a mandar seus jogos pela Federação Paulista nesse estádio, é mais provável que tenham jogado no estádio municipal, que é maior e tem uma estrutura mais profissional, mas o lugar é bem bacana!
O Emerson conseguiu ainda uma camisa atual do time:
Fica nosso registro da entrada do campo:
Em 20 de agosto de 2023, finalmente pudemos registrar por nós mesmos o interior do estádio e ainda pudemos encontrar o ex zagueiro do Ramalhão Luiz Antonio, que movimenta o futebol master lá da região:
Olha que bacana a camisa do Master do CA Botafogo!
Bacana ver que o estádio está tão bem cuidado, com a pintura novinha!
Então, seja bem vindo ao Estádio do CA Botafogo de Barra Bonita, o campo da Rua Fiori Giglioti!!!
O gramado está muito bem cuidado!
Aí estão as míticas arquibancadas do estádio!
Nosso tradicional registro do meio campo:
Gol do lado esquerdo:
Gol da direita:
Detalhe para as orquídeas plantadas por quase todo o local!
Antes de irmos embora deu até pra ver um pouco do jogo entre o Botafogo e o XV de Janeiro de Macatuba.
O outro time da cidade, a AA Barra Bonita, teve uma participação mais constante nas disputas da Federação Paulista, e mandou seus jogos no Estádio Municipal Vicente Zenaro Manin, o “Vicentão”.
Dê uma olhada no vídeo que fizemos:
O estádio fica num bairro tranquilo, em meio ao comércio local.
Segundo a placa local, o estádio foi construído no início da década de 60, e entregue em 1963.
Mais um registro de um estádio que ainda não conhecíamos!
Vamos dar uma olhada por dentro?
Possui uma bonita arquibancada coberta:
Além disso, possui um lance de arquibancadas descobertas atrás dos gols.
A Associação Atlética Barra Bonita foi fundada em 1923 e participou de oito edições do Campeonato Paulista de Futebol, entre a terceira e quarta divisão.
Essas arquibancadas já estiveram repletas de torcedores, principalmente em dia de jogo contra o rival Noroeste. E ainda hoje, a AABB mantém um clube social bem interessante (imagens de agosto de 2023):
Olha que fotos bacanas dos times do passado:
Esse foi o time que defendeu as cores da cidade em 1957:
Porém, o maior trunfo do alvinegro barra-bonitense é o título da terceira divisão de 1982. O campeonato veio após vitória sobre o José Bonifácio no último jogo do quadrangular final (em que participavam ainda a União Funilense de Cosmópolis e Palmeirinha de Porto Ferreira).
Infelizmente o clube se licenciaria da Federação 2 anos depois, para a tristeza da torcida, entre elas Paulo Roberto Siqueira, o “Paul Girls” que frequentava o campo com uma capa e chapéu preto, dizendo se uma espécie de talismã do time local!
O cenário típico do interior paulista, com o campo e a natureza ao fundo…
Enfim, mais uma missão cumprida em registrar um pedaço da história do futebol!
Ah, vale dizer que o amigo Emerson também conseguiu uma camisa da AA Barra Bonita:
Nós, que ainda estávamos iniciando o rolê, voltamos à estrada para a nossa segunda parada: a cidade de Bariri!
Bem vindo a mais um registro sobre estádios. O post de hoje aproveita o rolê feito em 2018, em um jogo do São Bento realizado em Sorocaba, pela série A1 do Campeonato Paulista e fala sobre os primeiros times e Estádios da cidade.
A cidade de Sorocaba tem papel fundamental na história do Brasil e isso também se refletiu no futebol.
Por um bom tempo, o local foi ocupado pelo povo Tupiniquim, grupo que ocupa terras capixabas atualmente. Foram vários séculos de tranquilidade, se levarmos em conta que a chegada dos indígenas no Brasil aconteceu há cerca de 15 mil anos atrás…Por isso são mesmo os povos originários desta terra.
Mas, a paz ficou para trás com a chegada dos europeus, no século XVI. O peabiru, caminho utilizado pelos indígenas que ia do litoral brasileiro até o Perú, cruzando as terras da atual Sorocaba, passou a ser utilizado nas viagens realizadas pelos europeus sedentos por ouro.
Na região de Sorocaba não se encontrou ouro, mas o “morro Araçoiba” estava repleto de minério de ferro, que acabou colaborando para o povoamento da cidade, recebendo a primeira fundição do Brasil.
O caminho passou a ser percorrido por bandeirantes caçadores de indígenas, entre eles o capitão Baltazar Fernades, filho de indígenas e portugueses que ganhou terras na região onde viria nascer a “Fazenda Sorocaba“, que em Tupi-guarani significa “terra rasgada”. As terras iam de Santana de Parnaíba até o Paraná!!!
Os tropeiros começaram a trazer mulas do Rio Grande do Sul para vender aos mineradores, nas feiras que se organizavam em Sorocaba.
Quando o Brasil inteiro passou a vender mulas, começaram a plantar algodão para a produção de tecidos. Assim, nasceram grandes fábricas têxteis e as ferrovias para transportar o que elas produziam. A estação local foi inaugurada em 10 de julho de 1875 pela Estrada de Ferro Sorocabana, como sede da companhia.
Em 1929, a estação foi reformada e ficou linda assim:
Demos uma passada no mercado municipal!
Sorocaba é uma ótima representação do interior paulista: se desenvolveu econômica e socialmente, apresenta grandes desigualdades sociais e aos poucos tem perdido os traços culturais bastante específicos, que possuía. O surgimento do futebol foi fruto dessa cultura própria da cidade, desde muito cedo, principalmente relacionado às indústrias!
Não vamos falar dos times que representam o que hoje é a cidade de Votorantim (o Votorantim Athletic Club e o Sport Club Savoia), isso fica para um post futuro. Mas, pra começar, falemos do time mais antigo da cidade: o Sport Club Sorocabano!!!
O SC Sorocabano foi fundado em 7 de setembro de 1903 e teve até mesmo seu próprio campo próprio, o Estádio do Velódromo de Sorocaba, com capacidade para 6 mil torcedores! Em 1930, devido à dificuldade do S.C. Sorocabano em pagar o aluguel do campo, Manoel Ferreira Leão decide lotear o terreno.
Pelas informações que encontramos, essa é a provável localização do estádio naquela época, com entrada na atual Av Moreira César tendo a sua frente a Rua da Penha:
Em 1918, filiou-se à APSA (Associação Paulista de Sports Athleticos) e passou a disputar os campeonatos do interior, na Zona Sorocabana.
Ainda em 1918 disputou um amistoso contra o Corinthians em Sorocaba, com vitória do time da capital por 8×1. O time seguiu disputando o Campeonato do Interior em 1919, 20, 21, 23 e 25. Aqui, o time de 1921:
Destaque para a campanha de 1923, quando classifica-se em 1º na fase inicial:
Na 2ª fase, embora invicto, o time sagrou-se vice-campeão, perdendo o título para o Rio Branco de Americana.
Em 1925, mais um vice campeonato, dessa vez perdendo para o Velo Clube.
Infelizmente, o Sorocabano entrou em decadência e abandonou o futebol, e acabando extinto no início dos anos 1950. O segundo time a surgir na cidade foi o Sport Club São Paulo Athlético, fundado em 10 de agosto de 1913:
O SC São Paulo Athlético disputou o Campeonato do Interior da APEA de 1921, 23 e 25. O time também ocupou o Estádio do Velódromo. Esse é o grupo de 1921:
Esse, de 1925:
O time também acabou extinto, entretanto, em 14 de setembro de 1913, surgiu o Sorocaba Athletic Club. O time foi fundado por integrantes do Club Athletico Chapeleiros, de 1905 da empresa de chapéus Souza Pereira.
Um desentendimento entre os sócios e diretores do time acabou determinando a mudança do nome do time para Sport Club São Bento no dia 13 de outubro de 1914. O nome é uma alusão à Associação Atlética São Bento, campeã paulista daquele ano.
O EC São Bento passa a disputar o Campeonato Regional Amador e logo o Campeonato do Interior. Aqui, o grupo de 1923:
Em 1943:
Em 1944:
Em 1953 passa a disputar o profissionalismo jogando o Campeonato Paulista da Segunda Divisão.
Em 1962, sagrou-se campeão do Campeonato Paulista da Primeira Divisão, subindo, para a Divisão Especial (o primeiro nível do estadual). A decisão contra o América de São José do Rio Preto se deu no terceiro jogo, no Pacaembu.
Em 1963, na sua primeira participação no Campeonato Paulista da Divisão Especial (A1), ficou com a honrosa 4ª colocação à frente de Corinthians e Portuguesa. Foto do site Arquivos do Futebol do Brasil:
Permaneceu por 29 anos na primeira divisão do Campeonato Paulista (A1), até sua queda, em 1991. Aqui, o time de 1982 (foto do site Anotando Futbol):
Disputou a divisão intermediária (A2), em 1992 e 93, mas devido a mudanças no regulamento da Federação Paulista em 1994, passou a disputar a Série A3. Em 1998, foi rebaixado à quarta divisão do Campeonato Paulista, entretanto, o Novorizontino desistiu de disputar a Série A3 de 1999 e o São Bento se manteve lá! Em 2001, conquistou a Série A3. Foto do site Anotando Futbol:
Em 2002, disputou a Série A2 e foi campeão da Copa Paulista. Em 2005, o São Bento volta para a principal divisão e disputa o Campeonato Paulista Série A1 de 2006. Em 2007, novo rebaixamento para a A2. 2011, o clube terminou a trágica campanha sendo derrotado, em casa, para o Red Bull, amargando a sua queda à Série A3 de 2012. Em 2013, sagrou-se Campeão da Série A3, no ano de seu centenário.
Em 2014, termina em 3º lugar voltando à série A1!
Em 2016, chega na quarta de final, sendo derrotado pelo Santos por 2×0. Mas em 2019, volta à série A2. Em 2020, é vice campeão (perde o título nos penaltys para o São Caetano) e volta para a série A1.
Em 2021, os dois times que haviam subido da A2, voltam pra ela. Em 2022, mais um vice campeonato conquistado, dessa vez, perdendo a final para a Portuguesa. Chega 2023 e … novo rebaixamento. E vejamos o que o Bentão fará na A2 de 2024!
Mas… Vejamos as imagens de 2014, quando fomos até Sorocaba pra ver o Ramalhão jogar a série A1 do Paulista contra a equipe local do EC São Bento, no Estádio Centro de Integração Comunitário Walter Ribeiro mais conhecido como CIC ou Estádio Municipal Walter Ribeiro.
O estádio foi inaugurado no dia 14 de outubro de 1978, em jogo contra o São Paulo pelo Paulistão. Vamos aproveitar nossa presença e dar uma olhada no visual do Estádio Municipal Walter Ribeiro:
Em campo, dois times aguerridos que terminariam empatando em 2×2 uma partida bastante movimentada!
O jogo foi numa 6a feira e veja que houve boa presença de público por parte da torcida do São Bento (lá do outro lado):
O Estádio tem capacidade para mais de 13 mil torcedores.
Sempre um grande prazer visitar um estádio do interior paulista, principalmente em dia de jogo.
Dá pra ver que atrás do gol dos fundos também existe uma arquibancada.
Já atrás do gol de entrada, um espaço onde ficam as ambulâncias e podem ser ocupados de acordo com a estrutura exigida.
A Sangue azul é quem comanda a festa!
Mas vale lembrar que o primeiro campo do São Bento foi o Estádio Humberto Reale.
Até Pelé esteve neste campo jogando pelo Santos Futebol Clube, em 1963, sendo derrotado pelo São Bento por 3×2. Esta e as demais fotos abaixos são do site do Jornal Cruzeiro
O jogo de despedida ocorreu em 1978, um 0x0 contra a Ponte Preta.
Porém em 1979, realizou-se um último jogo noturno no Estádio Humberto Reale: São Bento 1×2 América, válido pelo 2º turno do Campeonato Paulista da Divisão Especial.
Mais algumas fotos para que você possa conhecer como era esse lindo estádio:
O São Bento chegou a realizar alguns jogos amistosos no Humberto Reale e até meados dos anos 2000, foi usado pelo futebol Amador de Sorocaba, e depois transformado em CT, o “Complexo Humberto Reale”:
A história de São José dos Campos como a de todo Brasil é anterior à chegada dos europeus. Há milhares de anos, a região era habitada por diversos povos indígenas, como os Guayanases, Guainás, Aimorés e Puris (retratados abaixo por Van de Velden), entre outros. Cada um com sua cultura, língua e modo de vida em harmonia com a natureza.
A chegada dos europeus efetivou um processo de desapropriação das terras indígenas, resultando em conflitos e até mesmo no extermínio de comunidades inteiras. Os sobreviventes tiveram que aceitar a política de aldeamento implementada pelos jesuítas.
Com a chegada da ferrovia (olha aí a estação), em 1876 potencializou-se a expansão da cafeicultura no Vale do Paraíba, e São José dos Campos se desenvolveu economicamente.
Curiosamente, o futebol não se desenvolveu junto da Ferrovia como estamos acostumados a ver, mas sim, junto às indústrias. Entre os anos de 1920 e 40, São José dos Campos recebeu indústrias de cerâmica (como a Cerâmica Weiss) e tecelagem (Tecelagem Parahyba e a Cia. Rhodosá de Rayon, do grupo Rhodia, fabricante de fios sintéticos). A cidade ainda iria passar por outras fases mais modernas de industrialização (lembre-se que aí fica a sede da EMBRAER), mas foram as fábricas do início do século que movimentaram o futebol local.
A cidade teve nada menos que 9 times disputando as competições profissionais do futebol paulista:
Vamos relembrá-los por ordem cronológica de fundação. O mais antigo deles é a Associação Esportiva de São José, fundada em 15 de agosto de 1913 com o nome de “São José Futebol Clube“, rebatizada como Associação Esportiva São José em 23 de maio de 1918.
Seu campo ficava no local onde hoje está o Ginásio Poliesportivo Linneu de Moura.
Sua estreia no profissionalismo se deu em 1922 quando disputou a Divisão do Interior da APSA (Associação Paulista de Sports Athléticos) e terminou em último lugar, as se torna o primeiro time de São José a figurar nas competições oficiais.
A Esportiva de São José termina na mesma colocação em 1923, mas segue fazendo história no futebol paulista.
Em 1927, disputa o Campeonato do Interior da LAF (Liga dos Amadores de Futebol) jogando a Seção Sul da Zona Central do Brasil. Em 1930 e 31 disputa o Campeonato do Interior da APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos). Aqui, o time de 1942 que também jogou o Campeonato do Interior:
A Esportiva de São José disputou ainda os campeonatos de 1943, 44 e 1946 quando foi campeão da 1ª Zona do Campeonato do Interior (grupo com os times abaixo), perdendo o título da região para o Cruzeiro FC:
Em 1957, a Associação Esportiva São José decidiu extinguir seu departamento de futebol. Mas o clube social segue vivo!
A Associação Atlética Santana do Paraíba é o segundo time mais antigo, tendo sido fundada em 10 de outubro de 1913, poucos meses depois da AE São José.
O campo da AA Santana do Paraíba ainda está de pé, mas acabamos não o visitando desta vez, até porque atualmente o time manda seus jogos no AD Parahyba (que vamos mostrar mais abaixo):
O time disputou uma única edição oficial do futebol paulista: o Campeonato do Interior da LAF, em 1928, jogando a Seção Sul da Região Central do Brasil. Naquele ano, o time era denominado Sant’Anna FC.
Aqui, a AA Santana do Paraíba nos anos 40. Em 1942, 43 e 44 disputou o Campeonato do Interior.
Na sequência, foi fundado o Esporte Clube São José em 13 de agosto de 1933.
Até por levar o nome da cidade, o time logo ganhou o carinho dos torcedores, ainda que tenha se mantido por décadas disputando apenas as competições amadoras. Como São José dos Campos tinha muitas formigas, o time ficou conhecido como “Formigão“.
Duas equipes da cidade, o Klaxon Clube e o Internacional FC, se fundiram para fortalecer ainda mais o São José, o que acabou aumentando a rivalidade com o outro time da cidade, a Associação Esportiva São José. Na foto abaixo, um encontro entre os dois times.
Em 1943, estreou no Campeonato do Interior, jogando até 47. Em 1957, o time faz a estreia no futebol profissional, jogando a 3ª divisão, com o time abaixo:
Após aquela aventura, o EC São José se licenciou e só retornou ao profissionalismo em 1964, desta vez na 4ª divisão, da qual foi campeão, obtendo o acesso para a Terceira Divisão do ano seguinte.
Em 1965, o Formigão do Vale brilhou na fase inicial da Terceira Divisão, liderando a sua série:
Mas o time foi mais longe, sagrando-se Campeão da Terceira Divisão de 1965, garantindo o acesso para a segunda divisão do Campeonato Paulista. Aqui, a fase final do Campeonato:
Esse é o time de 1965:
Assim, em 1966 disputa a 2ª divisão do Campeonato Paulista.
Aqui, o time de 1967 que disputa a segunda divisão:
Foi nesse período que o clube revelou o goleiro Emerson Leão, que veio das categorias de base.
De 1970 a 76 disputou a 2ª divisão, sendo que em 1972, conquistou o título do Campeonato, classificando-se em 2º na primeira fase, atrás do SAAD…
Na segunda fase, vingou-se do time de São Caetano chegando à final contra o Garça FC:
O Formigão venceu por 3×0 em casa e empatou por 0x0 em Garça mas não subiu pra primeira, porque o acesso estava suspenso pela Federação Paulista.
Infelizmente, o time custava mais do que arrecadava e passou a se afundar em dúvidas. O time permaneceu jogando a segunda divisão até 1976, quando para vencer as dívidas encerrou sua existência, mudando seu nome e dando origem ao atual São José EC (já já falaremos dele).
O EC São José mandava seus jogos no antigo “Estádio da Rua Antonio Saes“, que desde 1942 era oficialmente denominado Estádio Martins Pereira, que viria a ser também o nome do Estádio atual.
Tentei fazer uma sobreposição imaginando onde seria o Estádio nos dias atuais…
Não resistimos e fomos até a atual Igreja que ocupa o espaço imortalizado pelo futebol, pra imaginar como era…
Antes que crucifiquem a Igreja Universal (que trocadilho hein?), vale dizer que a área foi ocupada por um supermercado Jumbo Eletro depois do Estádio.
No site do Museu do Futebol encontrei essa foto da torcida do Esporte Clube São José no 0 X 0 contra o Fernandópolis, em 1960:
Sua capacidade era de apenas 5 mil torcedores, motivo pelo qual a cidade se organizou para a construção do novo Martins Pereira. O Museu do Futebol tem também uma foto que registra a última partida disputada no Estádio da Rua Antonio Saes: o amistoso EC São José 2X0 DERAC, de Itapetininga.
O time seguinte a ser fundado foi o Rhodosá Atlético Clube, em 13 de fevereiro de 1948.
O time foi formado por trabalhadores da Companhia Rhodosá de Rayon SA, indústria química, instalada no bairro de Santana.
O time se filiou à Federação Paulista de Futebol (FPF) e passou a disputar o Campeonato Amador pela Zona de Lorena. Aqui, o time de 1949 que disputou competições e torneios amadores e com outras indústrias.
O Rhodosá Atlético Clube se tornou bicampeão amador em 1959 e 1960, levando o time a se tornar o 1º time profissional de São José dos Campos, disputando a 4ª divisão em 1965, ainda que sem conseguir realizar uma grande campanha:
De qualquer forma, o time fez história no futebol e isso não se apaga jamais!
O Rhodosá AC teve até um time feminino!
Mandava seus jogos no Estádio Dr Roberto Moreira (nome do presidente da Rhódia na época) construído junto à fábrica, no bairro de Santana, e inaugurado em 1956.
Como o endereço em mãos fomos até lá para ver se o Estádio ainda existe, mesmo com o fechamento da indústria. Próximo do local, encontramos esta linda e gigantesca árvore:
Olha aí a frente do Estádio:
Olhando do lado de fora, deu pra ver que o que encontraríamos não era mais um estádio de futebol…
A entrada para o antigo estádio é esse portão:
Pedimos permissão para o “caseiro” da atual área e fomos tentar encontrar algo do antigo estádio. Olhando assim, parecia apenas uma casa, mas… o que parece aquilo no andar de cima?
Subi essa escada, sabendo onde chegaria…
Aí está a arquibancada do Estádio Dr Roberto Moreira, o Campo do Rhodosá!
Presença registrada em mais uma arquibancada histórica!
Agora, olhando da arquibancada, aqui está (está ???) o gol da esquerda:
O gol da direita:
E o meio campo:
Encontrei uma imagem que mostra o campo algumas décadas atrás:
Missão cumprida, ainda que os registros não sejam muito animadores…
Dando sequência, é vez de falar do Corinthians Futebol Clube de São José dos Campos, fundado em 3 de janeiro de 1954.
Lá no Mercado Municipal já havia visto (e registrado) esse poster do time, no bar em que ouvimos aquele senhor cantar.
Inicialmente, o Corinthians FC usava um campo que ficava na Praça Duque de Caxias, 48, no bairro do Jardim Paulista. Esse é o time de 1961, vice campeão local:
Em 1976, decide disputar a 3ª divisão, mas infelizmente acaba abandonando a competição ao fim do primeiro turno.
Falemos agora do Grêmio Olimpico Futebol Santanense, fundado em 5 de setembro de 1975. Distintivo direto do site Escudos Gino:
O clube surgiu por iniciativa de atletas da equipe juvenil do Esportivo Futebol Clube, que queriam levar o futebol adiante, fazendo surgir o Grêmio Olímpico de Futebol Santanense. Aqui, o time de 1981:
Depois de muitos campeonatos amadores e locais, o time decidiu se profissionalizar e disputar o Campeonato Paulista da Terceira Divisão em 1986.
De 1986 a 92 disputou a 3ª divisão.
Destaque para a campanha de 1988, quando se classificou em segundo lugar na primeira fase:
Liderou a fase 2:
E só acabou desclassificado na penúltima fase.
O Grêmio Santanense mandou seus jogos no campo da ADC Parahyba, o campo que surgiu junto à Tecelagem Parahyba presente em São José de 1925 até 1995. Hoje ainda há produção de cobertores por meio de uma cooperativa de ex- funcionários. Ficou conhecida com a marca CobertoresParahyba.
Como o Estádio ADC Parahyba, também conhecido como o “Campo da Tecelagem”, ainda está lá, fomos fazer uma visita para registrá-lo:
Diferente do estádio do Rhodosá, confira que lindo está o Campo da Tecelagem:
Então, vamos eternizar mais este lugar com nossa humilde câmera digital kkkk
Olha que charmosa a arquibancada que lembra a geral dos tradicionais estádios brasileiros:
Lä do outro lado também existe um lance de arquibancada, o que totaliza mais ou menos 5 mil lugares para a torcida.
A manutenção do local garantiu mais um momento histórico para o futebol local, ao receber jogos da Copa Libertadores de América de Futebol Feminino de 2011 a 2014.
Aqui o gol da esquerda:
Aqui, o meio campo:
Aqui, o gol da direita:
Ali ao fundo, os bancos de reserva e vestiários:
A arquibancada é única e realmente inesquecível!
Agora, é a hora de falar do time mais expressivo e tradicional da cidade: o São José Esporte Clube.
Pra isso, devemos voltar a 1976, com o antigo EC São José completamente endividado. A solução para a situação foi “encerrar” o antigo clube e realizar uma reformulação da identidade, fazendo surgir um novo São José. O Formigão deixava de existir para em seu lugar surgir a Águia do Vale. O preto e branco deram lugar ao azul, amarelo e branco, as tradicionais cores da cidade.
Assim, em 24 de dezembro de 1976, surge o São José EC e que logo no ano seguinte, passa a disputar a 2ª divisão (a Intermediária) e logo no primeiro ano, termina em 3º lugar:
Mesma posição do ano seguinte (1978):
E também a de 1979:
Finalmente em 1980, chegou a vez do São José EC realizar uma campanha quase perfeita e finalmente subir para a Primeira Divisão. Essa foi a primeira fase:
Liderou também a segunda fase:
Depois vieram as semifinais contra o Aliança de São Bernardo (0x0 no ABC e 2×1 em São José), depois as finais com o Grêmio Catanduvense (ganhando como visitantes por 1×0 e 4×0 em casa) e sagrando-se assim campeão, com o meu ídolo Tonho, no gol.
Sua estreia na 1ª divisão em 1981 foi incrível! Em um campeonato maluco, chegou à fase final, após 2 turnos, em um grupo ao lado de Palmeiras, Santos e Ponte Preta, mas não se intimidou…
Assim, fez a final do turno com o São Paulo, vencendo em São José por 1×0 e perdendo por 3×2 no Morumbi, em um jogão!
Em 1982, o São José realizou uma campanha mediana, mas em 83, acabou rebaixado, e acabou se licenciando até 1985 quando voltou a disputar a segunda divisão, mas teve uma campanha fraca, assim como em 1986. Mas, em 1987, novo bom momento: com o vice campeonato da 2ª divisão, o São José estava de volta à elite!
Assim de 1988 a 93, a Águia voou pela 1ª divisão, com campanhas interessantes, um 3º lugar em 88, um vice campeonato em 1989, com o time abaixo (olha o goleirão Rafael no time!):
Em 1990, 91e 92, novamente campanhas medianas, culminando no rebaixamento de 1993. Assim, em 1994 o São José EC jogava mais uma série A2. Mas, em 1996, um terceiro lugar devolvia a Águia à principal divisão do futebol paulista.
De volta à primeira divisão, o São José EC conseguiu se segurar até 1999 quando acaba rebaixado mais uma vez. Mas dessa vez, após 4 anos na A2, a águia foi parar na A3. Daí em diante, o time passou por muito sobe e desce, jogando a A3 em 2005 e 06, a A2, de 2007 a 2014, a A3 em 2015 e 16, a Segunda Divisão de 2017 a 2020, a A3 de 2021 a 23, quando finalmente volta à série A2.
Vale reforçar a importância e o sucesso do time feminino do São José, criada em 2001. O time foi vice campeão Paulista de 2010. Em 2011, garantiu vaga na Copa Libertadores por ser sede do torneio, do qual sagrou-se campeã!
Em 2012, conquistou seu primeiro título da Copa do Brasil e o Campeonato Paulista. Em 2013, o bicampeonato da Copa do Brasil e da Copa Libertadores.
Em 2014, além da Libertadores, o São José conquistou o Torneio Internacional de Clubes, derrotando o Arsenal.
Desde 2017, infelizmente, vive um período de declínio na modalidade.
Mas a cidade de São José dos Campos ainda tinha inspiração para mais times e em 1º de outubro de 1998 foi fundado o Clube Atlético Joseense.
O time nasce com foco nas categorias de base, participando dos campeonatos sub-20, 17 e 15, além da Copa São Paulo de Futebol Jr, a partir de 2001, quando também participa da Série B3 do Campeonato Paulista. Termina em 5º lugar e consegue o acesso para a Série B2, onde ficou até 2004, quando subiu para a Série B (a quarta divisão, na prática).
Aqui, o time de 2010:
Em 2012, garantiu acesso à Série A3 do Campeonato Paulista, a ser disputada pela primeira vez em sua história no ano de 2013. Em 2014 mudou seu nome para São José dos Campos Futebol Clube, mas a ideia não foi muito bem aceita pela população local que considerou que o time estava tentando tomar o lugar do tradicional “São José EC”.
Em 2017, decidiram voltar ao nome de origem. Em 2018, acaba rebaixado para a Segunda Divisão, onde está até os dias de hoje. Este é o time de 2022:
O último time fundado na cidade foi o Futebol Clube Primeira Camisa, fundado em 2 de março de 2007.
O time surgiu de uma iniciativa do zagueiro Roque Júnior em parceria com as categorias de base do São José.
Em 2008, o time se profissionalizou e passou a disputar a 4ª divisão, onde ficou até 2011, quando se licenciou.
Em 2007, fez uma parceria com o São José EC e os atletas do Primeira Camisa representaram a Águia do Vale na Copa São Paulo, tendo a melhor campanha de um time de São José dos Campos na Copa São Paulo, chegando nas quartas de final, quando perdeu para o Cruzeiro, em um Martins Pereira, com mais de 20 mil torcedores e com gente do lado de fora.
29, de julho de 2023. Sabadão a noite. O rolê pra hoje não tem taaaanto glamour, já que a Copa Paulista não é a competição mais apreciada pelos torcedores, mas em campo, temos um encontro que há tempos não se via.
Assim, repetindo o que torcedores do Ramalhão já faziam nos anos 70, pegamos a Dutra e fomos até o belíssimo Estádio Martins Pereira para acompanhar a partida frente o São José, que vem em uma retomada dentro do cenário futebolístico.
Antes do jogo, fomos dar um rolê pela cidade e foi bacana ver a loja do São José, lá no centro da cidade:
A loja faz a diferença na “materialização” do time em pleno centro da cidade.
Uma série de cartazes espalhados pela cidade ajudam a divulgar os jogos do São José na Copa Paulista:
Refletindo o bom momento do time, a torcida local compareceu e fez uma bela festa!
Uma pena que ali do local destinado aos Visitantes, não deu pra fazer uma foto frontal.
Massacrado por uma incrível sequência de maus resultados, o Ramalhão tenta se reerguer juntando ao time de “pratas da casa” alguns nomes que chegaram para a Série D, da qual foi eliminado há uma semana. E começou o jogo indo pra cima do São José EC:
Será que bem aqui em São José dos Campos o Ramalhão iniciaria uma incrível reviravolta chegando ao título da Copa Paulista, conquistando também a Copa do Brasil 2024 e voltando à Libertadores em 2025? Olha aí outro ataque do Santo André que nos deixava esperançosos:
O São José EC respondia nos contra ataques e em bolas paradas:
Falta para o Santo André e um desvio quase “mata” o bom goleiro Ariel. Aliás, o seu reserva é o nosso amigo Luis Augusto! Seguimos na torcida pra que ele tenha uma carreira vitoriosa!
O jogo era mesmo de rivalidade! Teve cordão de policiamento separando e tudo!
O primeiro tempo virou 0x0. Mas com a chegada da Fúria Andreense, as emoções se concentraram mais na arquibancada do que no próprio campo.
Fico contente de ver a nossa turma sempre presente mesmo em um momento tão difícil do time.
É óbvio que ninguém gosta de perder, e participar diretamente do pior momento do time nos últimos anos, mas estar na arquibancada com os amigos é sempre um prazer!
Nossos sonhos de vitórias foram interrompidos aos 28 minutos do 2º tempo, quando Matheus Serafim colocou os donos da casa na frente do placar! A torcida local foi à loucura!
O que fazer do nosso lado, se não responder cantando e apoiando ainda mais…
Loucura? Inocência? Não há porque seguir apoiando? Fala isso pra Fúria, então, que canta a plenos pulmões mesmo nos piores momentos….
Mas, somos realistas. Sabíamos dos limites deste time e principalmente deste ano, com um time montado sem grandes esforços comerciais, e aos 36’ do 2º tempo, Nicholas fez 2×0 e matou o jogo…
É um momento de extrema satisfação para a torcida do São José que tem acompanhado esse novo momento do time, de volta à série A2, após chegar à Segunda Divisão, o quarto nível do futebol paulista e agora luta para conquistar uma vaga na série D do Brasileiro de 2024…
A nós? Resta a resiliência em aguardar um 2024 melhor (já que nossa principal dívida termina de ser paga em outubro-2023) e a disposição de tentar levar a frente ideias de como a diretoria pode melhorar a gestão do time…
Após o jogo, ainda pudemos celebrar o aniversário do amigo e também torcedor do Ramalhão, Furlan! Feliz aniversário, meu amigo e que os próximos jogos sejam melhores presentes kkkk
Por fim, a síntese de curtir o futebol se resume a isso: diferentes times, rivais sempre, mas inimigos nunca. Abraços aos amigos Lucas, que acabei encontrando no estádio e também na pizzaria em que fomos comemorar, e ao Castanhare, que não deu pra trombar no rolê!
Agora chegou a vez de falar do caçula (e que teve menor trajetória), o Clube de Futebol Boa Vista e o Estádio Municipal Doutor Octávio da Silva Bastos, o “CIC”.
Sim… Eu sei que o Estádio Octávio da Silva Bastos foi usado pelo Palmeiras FC antes do CF Boa Vista, mas como visitamos 3 estádios principais (no fim deste post ainda tem um 4º de brinde), achei melhor mostrar um para cada post.
O Estádio CIC pertence à Prefeitura Municipal e tem capacidade para pouco mais de 11 mil torcedores. Vem com a gente num rolê pra conhecer um pouco mais desse lindo estádio:
O Estádio CIC foi inaugurado em 12 de abril de 1981 em um amistoso entre o Palmeiras FC e o Ginásio Pinhalense, vencido por 2×1 pelos mandantes.
Foi aí que em 2006, o Clube de Futebol Boa Vista Ltda disputou a Série B do Campeonato Paulista Profissional.
E mesmo com um gramado lindo, e um estádio super bem cuidado, o time não decolou e disputou apenas o campeonato de 2006 em São João da Boa Vista, quando terminou na 5ª colocação (fonte da tabela: site Global Sports Archive)…
Mas o Estádio segue por lá, ainda super bem cuidado!
Quantas cidades acabam não disputando o profissionalismo por falta de um estádio em boas condições e vemos São João da Boa vista com 3 lindas canchas!
Olha a arquibancada coberta:
Venha dar uma volta pelo estádio pra sentir o clima de paz e de silêncio…
O fundo do estádio explica o silêncio… Esse é o meio campo:
Aqui, o gol da esquerda:
Aqui, o gol da direita:
Lá do outro lado, existe um outro lindo anel de arquibancada, descoberta.
Na outra lateral também existe essa mesma extensão:
Eu arriscaria que o Estádio Municipal comporta 7 mil torcedores em total segurança…
E, claro que registrei nossa presença por aqui…
Aqui, o corredor que passa atrás da bancada:
Hora de ir embora, mas antes, um olhar imaginando um time de São João da Boa Vista de volta à Bezinha, jogando bem aí…
Antes de terminar, vale registrar o Pratinha Futebol Clube, fundado em 1º de janeiro de 1953, no bairro homônimo, mas que nunca disputou o profissionalismo.
Perante a Liga Sanjoanense de Futebol, a data de fundação do clube ficou constando como 1º de março de 1953. Em 26 de abril de 53, ocorreu a estreia oficial do Pratinha Futebol Clube no Campeonato Extra, contra o Jabaquara, terminando empatado em 2×2. Aqui, uma foto do time de 1960:
Em 55 estreou no Campeonato Amador do Interior:
O Estádio de brinde nesse post é o Estádio Municipal “Clarice Damálio Boratto”, a disposição para o futebol amador local. Aqui, o meio campo:
Cesário Lange é uma cidade que tem se destacado em relação ao turismo graças ao Castelo Park inaugurado em 2014, e que aos poucos vai se transformando em um passeio bem legal por estar próximo de importantes cidades como Sorocaba, Itu e mesmo do ABC e da capital.
Originalmente, era provável que povos kaingangs “coroados” vivessem ali, já que se espalhavam pelo oeste paulista até chegar ao atual Mato Grosso do Sul. Pela proximidade com a região da capital, talvez existissem também tupinikins e outros povos…
A partir do século XVII a região recebe a presença dos primeiros portugueses e nos séculos seguintes, por meio das bandeiras em busca de minérios e até mesmo de indígenas, essa presença passa a ser mais forte até que por volta de 1872, algumas famílias passam a ocupar as terras e iniciam um núcleo de povoamento, que seria conhecido como “Passa Três”.
Vale ler o incrível livro de Darci Ribeiro, pra se aprofundar mais sobre o tema!
Em 1880, surge uma capela em homenagem à Santa Cruz. Em 1908, são elevados a Distrito de Paz “Cesário Lange” e a município, em 1959.
E lá fomos nós conhecer a cidade, comer um hambúrguer vegetariano no Rota 79!
Também foi bacana acordar cedo pra ver o sol nascer e pintar de rosa o céu de Cesário Lange.
Por essas e outras, é fácil gostar da visita à cidade!
Pelo menos valeu pra comemorar o aniversário do Bia!
Mas, sendo um passeio de família, não podíamos deixar de visitar o… Estádio Municipal João Cassemiro de Campos!
O Estádio nunca recebeu nenhuma partida por competições oficiais, mas tem uma estrutura de fazer inveja a muitos times profissionais! Olha que arquibancada coberta mais bonita!
Pra quem quer conhecer o campo, veja o gol do lado direito:
O gol do lado esquerdo:
E o meio campo, com direito a um alô do seo Osvaldo ali:
Vamos dar aquele tradicional rolê pra você conhecer melhor mais um templo do futebol:
É estranho imaginar que o futebol profissional ainda não estreou esse lindo campo, fica a sensação de que ainda existe algo a ser feito…
Quem sabe algum dos times amadores não cheguem a esse feito…. Ou mesmo alguma empresa não queira apoiar uma iniciativa dessa?
Ou… E se o Departamento Municipal de Esportes não crie condições para ver a cidade no mínimo receber uma edição da Copa São Paulo?
É… Talvez a capacidade do Estádio precise ser um pouco aumentada…
Mas… Aí estamos! Em mais um campo que faz a diferença para a cidade e quem sabe o que pode. servir no futuro?
Aí está a estrela principal: o gol!
Gramado natural, aparentando muita vida, é a força da natureza!
Aparentemente, temo um sistema de iluminação que garante partidas noturnas!
E linda a arquibancada não?
O futebol local, mesmo que ainda limitado ao amadorismo, tem grande força junto aos cidadãos, tendo um dos seus representantes o Ipiranga FC, fundado em 1999 e que homenageia um antigo time homônimo da cidade.
Outro time que tem destaque em dias atuais é o Passa Três FC, que homenageia o antigo nome da cidade!
E por fim, dois times que tem feito sucesso nas competições atuais: a Associação Atlética Alvorada.
Domingo, 21 de maio de 2023. Nosso destino nesse domingo matinal é a cidade de Caieiras para acompanhar mais uma partida da série B do Campeonato Paulista.
Mas antes de falar sobre o jogo, vamos relembrar um pouco da história da cidade e do futebol local!
Praticamente colada à cidade de São Paulo, o teritório de Caieiras foi ocupado principalmente por tupinikins mas também por outros grupos indígenas até que os portugueses começaram a formar a cidade de São Paulo. A partir daí, as aldeias que não se deixaram incorporar pela nova ocupação foram se dirigindo cada vez mais para o interior, abandonando suas terras. Somente no século XIX houve o início da ocupação de Caieiras, graças a uma fazenda ao longo do Rio Juquery-Guaçu que iniciou a produção de cal, em fornos como esse:
Os primeiros moradores do novo povoado foram em sua maioria imigrantes italianos. Em 1883, é inaugurada a Estação Ferroviária Caieiras, que atualmente está tombada pelo CONDEPHAAT. Aqui, a estação em 1926:
Em 1890, teve início a fabricação de papel, com a Companhia Melhoramentos de São Paulo e desde então, a natureza local é formada basicamente por floresta de pinheiros e eucaliptos para alimentar a indústria. Em 1958, surge oficialmente Caieiras, emancipada por meio de um plebiscito.
O futebol em Caieiras começou no início do século XX. Segundo a página Caieiras Antiga, esse seria o primeiro time, em 1923:
O Colorado Caieiras é a quinta equipe da história de Caieiras a disputar competições oficiais. A primeira delas foi o Club Recreativo Athletico Ítalo-Brasileiro (CRAIB), fundado em 1º de junho de 1925, quando Caieiras ainda era um distrito de S˜ão Paulo (distintivo do site História do Futebol).
Em 1932, disputou a Primeira Divisão da APEA (importante reforçar que embora leve esse nome, este era o segundo nível do campeonato), terminando em 2º do seu grupo (apenas o primeiro – no caso, o Lusitano FC – se classificaria para a final). O CA Albion, do outro grupo, foi o campeão.
Em 1933, o CA Ítalo-Brasileiro foi o campeão do seu grupo, perdendo a final para o time da Fábricas Orion.
Em 1934, acabou em 7º lugar. Com a segunda guerra, o time muda de nome para Brasil Futebol Clube, cuja sede ficava no Monjolinho. E pouco se sabe do time, uma vez que abandonou as competições oficiais. Aqui um registro do time nos anos 50:
Este o time de 64:
A segunda equipe na verdade apenas usou a cidade como sede: o Sport Club Paulista. Distintivo direto do site Escudos do Mundo Inteiro:
O time foi fundado em 13 de abril de 2000 como Sport Clube Campo Limpo Paulista, na cidade de Campo Limpo Paulista.
Assim, em 2001, jogando em Caieiras, o SC Paulista fez uma ótima campanha pela série B3, terminando a primeira fase em 2º:
Também termina a segunda fase em 2º lugar.
Acaba eliminado na semifinal pelo Corinthians B, após um empate em Caieiras por 2×2 e uma derrota na capital por 2×0. Ainda assim, conquista o acesso à série B2 de 2002, onde fez uma campanha muito ruim, terminando em 14º lugar. Em 2003, retornou a Campo Limpo Paulista reassumindo seu nome antigo. Mas neste mesmo ano, a cidade teve seu 3º time disputando as competições profissionais: o Força Esporte Clube.
O Força Esporte Clube foi fundado em 16 de maio de 2001, como um desdobramento do movimento sindical para o esporte. Em 2003 estreou em competições profissionais, e começou bem. Classificou-se em 2º lugar na primeira fase…
E termina a segunda fase em 1º, conquistando o título da Série B3!!
Em 2007, jogou a Bezinha (essa mesma onde hoje está o Colorado Caieiras) e conquistou o acesso, terminando na 3ª colocação.
Em 2010 acaba rebaixado e se licencia do futebol.
A 4ª equipe de Caieiras a disputar competições profissionais foi o Caieiras Esporte Clube, fundado em 4 de março de 2016.
Ainda em 2016, o Caieiras EC disputou a 1ª edição da Taça Paulista, organizada pela Liga de Futebol Paulista, mas o time não chegou a disputar as competições organizadas pela Federação Paulista.
Assim, chegamos ao 5º clube de Caieiras a disputar competições oficiais e o foco da nossa visita de hoje ao Estádio Municipal Carlos Ferracini: o Colorado Caieiras FC!
O Colorado Caieiras Futebol Clube LTDA foi fundado em 2019 e filiado à Federação em 2021, disputando no mesmo ano o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, e assim como os demais times da cidade, citados acima, manda seus jogos no Estádio Municipal Carlos Ferracini, e por isso, fomos lá conhecê-lo!
O estádio fica numa baixada: do lado direito é a entrada para os visitantes, subindo um escadão lá pelo lado esquerdo, temos a entrada dos torcedores locais!
Olha aí a antiga bilheteria! Mas hoje compramos os ingressos ali na sede do clube mesmo.
E não é que a Mari levou o pé quebrado pra passear…
E outra presença importante são estas duas gerações responsáveis pelo incrível canal Interior Total!
Olha como ficou da hora o trabalho deles neste jogo:
Vamos dar uma geral no Estádio?
Algumas placas indicam obras realizadas nos anos 90, mas o Estádio Municipal Carlos Ferracini foi inaugurado em 10 de abril de 1980, tendo como primeira partida a vitória do time amador SAFUL (Sociedade Atlética Famílias Unidas de Laranjeiras), fundado em 7 de setembro de 1975, por 2×1 contra o time do EC Luso Brasileiro, do Bairro do Serpa.
Olha que lindo o distintivo do time ao lado dos brasões da Federação e da cidade!
Em campo, o então último colocado recebia nada mais do que o líder do campeonato, vindo de Santana de Parnaíba com um incrível retrospecto, invicto até então.
O estádio está muito bem aparelhado, tem até um espaço para garantir as transmissões esportivas.
Registramos o lado esquerdo do campo:
O meio campo:
O lado direito:
Confira comigo no replay esse olhar pelo campo:
E vale também curtir um pouco da batucada da torcida local!
Falando do jogo, o Colorado Caieiras fez 2×0 em menos de 20 minutos (Thomas e Matheus fizeram os gols) e botou o Ska Brasil pra correr atrás do resultado.
A partida se transformou em ataque contra defesa. Com um a menos, os mandantes se defendiam e tentavam de tudo para manter o placar e conseguir a primeira vitória na competição.
E a gente esteve aí presente pra tentar eternizar (ao menos enquanto a Internet persistir…) esse dia!
Um ponto negativo é que a capacidade do Estádio Carlos Ferracini é de pouco mais de 6 mil torcedores, mas nesta manhã, menos de uma centena de pessoas decidiram pagar ingresso e assistir à partida. Infelizmente, o que parece cada vez mais é que o brasileiro esqueceu sua paixão pelo futebol, e preferiu passar a manhã em casa, ou em outro lugar…
A torcida visitante também não se fez muito presente, mesmo tendo uma distância pequena entre Santana de Parnaíba e Caieiras.
Além de um dia ensolarado, as nuvens também deram um visual único ao estádio:
Um ponto interessante é que o estádio tem alguns pontos que dá pra galera assistir o jogo do lado de fora!
Lá do outro lado da arquibancada também é possível ter uma visão do campo, mesmo atrás do alambrado que cerca o estádio.
O 2º tempo foi praticamente ataque contra defesa, mas o bom goleiro do Colorado Caieiras garantiu os 3 pontos.
E como trabalhou o goleiro do Colorado Caieiras… Boa revelação!
O time do Ska Brasil fez de tudo, mas não conseguiu sequer diminuir o placar.
Matheus que foi expulso após o segundo amarelo acabou indo assistir a partida na arquibancada.
Fim de jogo, tempo pra aplaudir o time e quem sabe torcer por uma recuperação no decorrer do Campeonato…
Domingo, 14 de maio, dia das mães, mas elas sabem que podem esperar, afinal é dia de dar um rolê até Limeira, e registrar a partida entre o Independente de Limeira e o Mogi Mirim, no Estádio Comendador Agostinho Prada, o “Pradão”.
Peguei meu ingresso ali na secretaria mesmo, mas está aí a antiga bilheteria:
O Estádio é a casa do Independente FC, fundado em 19 de janeiro de 1944.
Antes de entrar, vamos dar uma olhada em dois troféus que estão ali na secretaria do clube.
Esse mais recente é do vice campeonato da série A3 de 2014:
O time começou sua história disputando amistosos e torneios regionais, mas em 1972, passou a jogar o profissional, estreando no Campeonato da Segunda Divisão (que equivale à terceira divisão). Em 1973, foi campeão deste campeonato, conquistando direito a disputar a Divisão Intermediária (o segundo nível do campeonato), porém não pôde jogar porque seu estádio tinha limite para 2 mil torcedores. Em 1975, houve uma mobilização da cidade para construir as arquibancadas do Estádio Municipal Agostinho Prada, o Pradão, aumentando sua capacidade para 10 mil lugares.
Então pra quem tem curiosidade de saber como é o estádio, vem comigo no caminho pra arquibancada do Pradão!
Quanto custou o ingresso? R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia entrada.
Que bela manhã para uma partida!
Ideal para encontrar os amigos, familiares e até mesmo o companheiro de quatro patas!
Sinta um pouco o clima da arquibancada:
Quem deu o tom na bancada durante a partida foi o pessoal da Galo Beer!
Sempre que alguém critica as organizadas eu lembro que se não fosse por elas, os estádios atuais estariam muito desanimados.
A arquibancada estava bem bonita e com um ótimo clima! Ainda que o público não tenha sido dos maiores ( uma realidade do futebol brasileiro, principalmente no quarto nível do Campeonato Paulista), acompanhar o IndependenteFC em campo é um passeio que agrada diferentes perfis: da turma mais velha aos mais novos, meninos e meninas… As famílias de Limeira tem no Pradão a certeza de um rolê que permite momentos de interação cada dia menos comuns nesse mundo tão corrido…
Outro ponto curioso, é que o Estádio Comendador Agostinho Prada tem uma área bacana, e permite a presença na área lateral e também atrás do gol lá próximo ao bar. Foi de lá que eu fiz essa foto:
Na outra lateral, a área dedicada à imprensa, diretoria e demais convidados especiais.
Mais um estádio incrível com uma linda história e que merece mais apoio e maior presença do público.
O Independente é um time que mantém uma forte base de torcedores. Surpreende o número de pessoas com a camisa do time!
Aqui, o gol da direita:
O gol da esquerda:
O meio campo:
Muito bacana poder participar de um dia desses.
Olha os bancos de reservas:
O time do Independente começou o jogo nervoso e em uma falta da intermediária, o goleirão espalmou uma cabeçada para dentro da área e o atacante do Mogi Mirim não perdoou: Sapão 1×0. Com o gol eu encontrei a torcida do Mogi, não láááá atrás do gol, mas na lateral.
Fim do primeiro tempo e é hora de conhecer o bar do Estádio Pradão.
E nem as lindas faixas da torcida local, ajudaram… Mesmo enquanto o Independente jogava melhor, o Mogi fez 2×0 e praticamente matou o jogo…
A diretoria do time local (parece que eram eles) ficou louca lá naquela área do “predinho”.
A torcida deu uma desanimada, mas manteve o apoio até o fim.
São João da Boa Vista foi um dos lugares que nos incentivaram a registrar estádios, mas, quando começamos, nem sabia como fazer isso direito…
Por isso, em Abril de 2023, depois de me formar em História, voltamos à cidade para registrar com mais detalhes e metodologia, os estádios de São João da Boa Vista, que receberam jogos dos 3 times profissionais!
Segundo o livro Indígenas em São Paulo – Ontem e hoje, os povos originários que ocupavam a região eram do macro grupo Jê, conhecidos como “Tapuias”, e possivelmente Kaiapós, que acabaram expulsos ou assassinados pelos portugueses que chegavam à terra. A cidade surge em torno da Fazenda Boa Vista, onde vivia o Padre João Ramalho, e se expandiu no terreno doado por Antônio Machado.
A cidade nasceu de modo planejado com um projeto para o progresso de toda a região, explorando atividades agropecuárias e industriais. Curiosamente não há registros de quilombos ou terras indígenas, facilitando o agronegócio.
Em 2020, se confirmou a data de fundação da cidade como 24 de junho de 1824. É bacana saber que existem diversos livros sobre a história da cidade.
Em 1853, foi inaugurada a Igreja Matriz, com uma missa celebrada pelo Padre João Ramalho, que acabou morrendo no meio da celebração, marcando de forma emotiva a data!
Em 1880, São João é elevada a Município, compreendendo as vilas de Aguaí, Águas da Prata e Vargem Grande do Sul que, com o tempo, também se emanciparam. Em 1886, a estrada de ferro chega até a cidade, com a Companhia Mogiana, colaborando com a exportação de sua produção agrícola.
O rio Jaguari-Mirim corta a cidade e dá um clima bem gostoso à cidade!
Uma das praças, há uma homenagem dos alunos da UNIFAE em homenagem ao Cachorro Zé, mascote da Instituição.
Falando do futebol local, Luiz de Freitas, ex-jogador da Esportiva Sanjoanense, diz que o esporte chegou à cidade em 1904, com as primeiras partidas disputadas no campo do Largo da Estação, usando como bola, a bexiga de um boi!
Logo, um esportista mais “moderno”, Eudálio Camargo, de Mogi Mirim, trouxe uma bola oficial para substituir a “bola” usada até então. O primeiro clube de futebol de São João da Boa Vista foi o Sport Football Club Sanjoanense, fundado pela família Rehder.
Em 1907, entra em uso um novo campo: o da Av. Dona Gertrudes, ainda teríamos novos campos na praça Joaquim José e na Av João Osório. Em 1915, surge a Associação Atlética São João, jogando no campo da rua Santo Antônio.
A grande dificuldade da Associação Atlética São João era a falta de um campo oficial e pra resolver isso, Oscar de Andrade Nogueira, sugeriu fundar um novo clube, com a fusão entre a AA São João e o SFC Sanjoanense unindo a cidade em torno de um clube e da construção de um estádio. É aí que surge a Sociedade Esportiva Sanjoanense, em 1º de julho de 1916.
A SE Sanjoanense nasce com a preocupação inicial de construir uma estrutura importante para os esportes, assim, nos primeiros anos, a Associação Atlética São João ainda jogaria com seu nome, e assim conquistaria o primeiro troféu da cidade: a Taça Tulé, vencida por 2×0 em cima do Paulistano (time de Arthur Friedenreich), em 1918!
A AA São João passa a fazer parte do novo clube que logo se filia à Associação Paulista de Esportes Atléticos fazendo sua estreia nas Campeonato do Interior de 1920 (as informações dessa competição vêm do livro “Os Esquecidos – Arquivo do futebol paulista“):
O time foi vice campeão, perdendo a final para o Corinthians Jundiaiense.
Em 1921, acaba desclassificada por inscrever jogadores irregulares, mas é também nesse ano que o campo da SE Sanjoanense é inaugurado com um amistoso contra o Palestra Itália. E veja a linda foto do estádio naquele dia:
Que lindo ver uma imagem de 102 anos atrás…
102 anos depois lá fomos nós conhecer e registrar a casa da Sociedade Esportiva Sanjoanense, que passa a ser chamada de “Esportiva“.
Atualmente, o estádio fica dentro do clube, que é uma verdadeira potência na cidade!
Existem duas entradas, uma lá pelos lados da ferrovia e outra a principal.
Vamos então conhecer o incrível estádio da Esportiva!
O nome escolhido (Estádio Dr. Oscar de Andrade Nogueira) homenageia o idealizador do clube.
Existe ainda um espaço homenageando os campeões mundiais Mauro Ramos e Bellini, que fizeram parte do futebol local.
De todos os estádios registrados, eu diria que o Estádio da Sanjoanense é um dos que mais prestam homenagens à sua história!
Olha aí que lindo o placar!
Olhando ali do espaço em homenagem aos campeões mundiais, aqui está um registro, começando pelo meio campo:
O gol da esquerda:
O gol da direita:
Mas pudemos andar pelo campo e registrar outras vistas.
Essa arquibancada fica no antigo espaço ocupado pela “torcida do barranco”.
Um pouco mais a frente, está registrada a frase imortalizada pelo ex presidente Christiano Osório de Oliveira para incentivar seus jogadores.
Ao fundo da arquibancada coberta está o ginásio do clube, com o desenho do tigre da mogiana estampado em sua parede.
E que linda, a arquibancada do Estádio Dr. Oscar de Andrade Nogueira!!
Fico contente de registrar um momento especial como esse. A presença em um estádio que já tem mais de 100 anos!!!
Do outro lado da arquibancada coberta, há um grande lance de arquibancada descoberta, que cobra toda a lateral do campo.
Quase na metade do campo, existe um distintivo na cobertura da saída dos vestiários!
Vale mais um rolê? Vale sim!!!
Lá do placar, essa é a vista que se tem do campo, da estrutura social ao fundo e da arquibancada no antigo barranco:
Esse é o gol da arquibancada do barranco:
Olhando da arquibancada descoberta, essa é a vista do meio campo, com vista da arquibancada coberta do Estádio Dr. Oscar de Andrade Nogueira:
Aqui, o gol da esquerda:
E o gol da direita:
O Estádio Dr. Oscar de Andrade Nogueira tem capacidade oficial para 4.500 torcedores, mas é incrível como tem arquibancada pra todo lado que se olhar…
Olha ai a saída dos vestiários:
Lá do outro lado estão os bancos de reserva, junto à arquibancada coberta:
Ah, e lembra que eu disse que havia uma outra entrada junto à estrada de ferro, olha como os trilhos estão próximos do campo:
Antes de ir embora, uma passada no incrível Memorial Rubro Negro!
É ali que estão incríveis troféus e imagens não só ligadas ao futebol mas a outros esportes também.
Ah, se todos os times tivessem o mesmo cuidado com a preservação de sua história como a Sociedade Esportiva Sanjoanense…
Mas, voltemos ao passado para conhecer as histórias que tiveram o Estádio Dr. Oscar Andrade Nogueira como palco… No Campeonato do Interior de 1922, mais uma vez a SE Sanjoanense se classifica como líder da Zona Mogiana.
E no quadrangular final, termina como vice campeã do interior!
Segundo o livro “Esquecidos“, a SE Sanjoanense só voltaria a disputar a edição de 1927, e ainda sim desistiu da competição no segundo turno da 1a fase.
Depois disso, o time volta ao Campeonato de 1930, sem se classificar para a fase seguinte. Isso só ocorreria em sua próxima participação, em 1942, quando venceu a 7ª região, mas perde a 1ª eliminatória para o Pirassununguense.
O time segue na disputa do Campeonato amador, com destaque para 1944, 45, 46 e 47, quando sagra-se campeão da sua série. A fotona abaixo é do título da 2ª zona da 3ª região, de 1946:
Porém em 1947, o time decide alçar vôos mais altos e decide disputar a segunda divisão do futebol paulista, terminando em uma honrosa 5ª colocação.
A zaga desse time contava com o craque Mauro Ramos de Oliveira que acabaria vendido ao São Paulo:
Em 1948, desistiu da disputa antes do seu início. Em 1949, termina a 1a fase em 7º no eu grupo. Em 1950, tinha ninguém menos que Bellini (o primeiro em pé) no seu plantel:
Ainda assim, fecha a primeira fase em 3º, mas apenas os dois primeiros se classificavam para a fase final.
Em 1951, termina o grupo da Zona Leste em 2º lugar e classifica-se para o quadrangular semifinal, mas quem chega à final é o XV de Jaú e o Linense:
Em 1952, uma primeira campanha incrível! 14 jogos e apenas 2 derrotas, deixando pra traz o Bragantino, o Velo, a Inter entre outros times!
Na segunda fase, porém, um grande absurdo… Ao empatar por pontos com o Linense e o Paulista, houveram confrontos entre eles e o Linense acabou indo para a final (sagrando-se campeão contra a Ferroviária).
Vale reforçar que em 1952 aconteceu também a primeira partida de futebol feminino na cidade, no campo da Esportiva, frente à 5 mil torcedores.
Mas de 1952 a 1955, a SE Sanjoanense abandona o futebol profissional. Em 1956, volta à 2ª divisão e faz uma campanha bastante fraca.
Também vai mal em 1957 e 58, quando novamente desistiu das disputas profissionais.
E dessa vez, foram mais de 20 anos até voltar em 1982, agora na 3ª divisão.
Com o apoio da cidade, a Esportiva Sanjoanense classificou-se para a próxima fase!
Na segunda fase, empata em pontos, mas perde no saldo de gols a classificação
No segundo turno, também se classifica mas fica de fora da fase final.
Em 1983, faz uma boa campanha: 3º lugar no primeiro turno e 1º lugar no segundo turno, perdendo a decisão do grupo para o Itapira. Em 1984, classifica-se em 2º lugar…
Disputa a segunda fase e lidera o grupo, jogando até com a União Funilense, de Cosmópolis!
Infelizmente no triangular final, acabou ficando em último, sem vencer nenhum jogo 🙁
Na terceira divisão de 1985, nova primeira fase exemplar, terminando como líder!
Vem a segunda fase e … novamente classificado como líder!
Mas agora, foi a vez do Mauaense eliminar a Esportiva…
Em 1986, mais uma primeira fase quase perfeita na Terceira Divisão, terminando como líder do grupo verde. O time contava com Paulinho McLaren!
Porém, na segunda fase, acabou desclassificado…
O Campeonato Paulista de 1987 foi bastante esquisito… Jogando a Terceira Divisão, a SE Sanjoanense mais uma vez liderou a primeira fase…
A segunda fase era composta por 2 quadrangulares, o Palmital EC liderou um deles, e a Esportiva o outro. Por isso, muitos consideram o Palmital EC campeão da TerceiraDivisão enquanto para outros, o título é da Esportiva. O livro “125 anos de história – A enciclopédia do futebol paulista” cita a Esportiva Sanjoanense como campeã. Ambos obtiveram o direito de jogar a repescagem da segunda divisão do mesmo ano.
Porém, em 1988, volta a jogar o terceiro nível do Campeonato Paulista, denominado a partir de então com o “Segunda Divisão”.
Em algum momento de 1988, alguns torcedores estiveram no Estádio Oscar de Andrade Nogueira para torcer pela Esportiva no Campeonato Paulista, e não sabiam que aquela seria a última vez…” Será mesmo a última vez?