O futebol em Ribeirão Preto – Parte 2: O estádio Santa Cruz

Aproveitamos o feriado da consciência negra de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade para todos em nosso país.
E é fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos antirracistas em todos os ambientes.
Pra pensar um pouco mais sobre o tema, vale a pena entender o que é o racismo, e o GOG pode ajudar nessa ideia:

E já que você ouviu ele falar, ouve o que, pra mim, é um dos maiores cantores do nosso país e que devia ser ouvido nas escolas antes mesmo de lermos Machado de Assis.

Também aproveitamos o feriado para cair na estrada e fomos até Ribeirão Preto para finalmente registrar o Estádio Palma Travassos (veja aqui como foi).

No caminho para Ribeirão, aproveitei para fazer algumas paradas.
A primeira delas, em Santa Cruz das Palmeiras, só pra rever o EC Palmeirense, clube fundado em 7 de setembro de 1908 e que segue com forte vida social e um belo campo de futebol (veja aqui como foi o rolê que fizemos por lá em 2018).

Também demos uma parada em Tambaú para almoçar no Restaurante Sabor e Sede, uma ótima opção para quem estiver pela região.
Se você não conhece a cidade está perdendo 2 estádios incríveis!!!
Veja aqui como foi nosso rolê por lá em 2018!

A terceira parada foi em Cajuru, para “completarmos” a visita que iniciamos em 2018, quando fomos até o Estádio Dr Guião, mas não conseguimos registrar seu interior. Relembre aqui como foi!
E veja aqui, como foi o rolê este ano.

Finalmente em Ribeirão, além de registrar o Estádio do Comercial, também demos um rolê pela cidade, fomos conhecer o Mercadão.

Olha que lindo o prédio do Teatro Pedro II, ali no centro, pertinho, no mesmo quarteirão da famosa choperia Pinguim.

Também paramos na Sorveteria do Geraldo, um verdadeiro patrimônio de Ribeirão Preto!

Finalmente chegamos ao Estádio Santa Cruz

O estádio foi inaugurado em 21 de janeiro de 1968, com um amistoso entre o Botafogo e a Seleção da Romênia, e o time da casa meteu logo um chocolate nos gringos: 6×2.

Animado em registrar um estádio com tantas histórias, fui correndo bater na porta para poder reencontrar a parte interna do Santa Cruz.

O Estádio é a casa do tradicional Botafogo de Ribeirão Preto!

Estive lá em 2014 acompanhando a final da Copa Paulista: Botafogo x Santo André.

Mesmo embaixo de forte chuva durante os 90 minutos, o público foi bem interessante.

E o Ramalhão ainda saiu campeão…

De lá pra cá algumas coisas mudaram…
O Botafogo virou SAF e o Estádio, uma arena com nome de empresa.
Na prática? Gente sem nenhuma conexão com o time trabalhando por lá, recebendo com muito mal humor quem, como eu, se interessa pelo Estádio.
Que diferença de como fomos tratados no estádio do rival…

Perguntei se existia alguma maneira de pelo menos ver o campo e a resposta foi “nenhuma chance”.
Me pergunto se a diretoria do Botafogo sabe quem cuida do estádio em dias “normais”.
Eu prefiro acreditar que sempre existe um jeito e fui caminhar dando a volta no estádio.

Olha que legal a loja (ou as lojas?) do time:

Enfim… Dando a volta cheguei em dois restaurantes que ficam junto do estádio e, adivinhe, têm vista pro campo.
Um deles é o Hard Rock Café, e, pô, rockeiros sempre se ajudam, mas… não hoje.
A moça foi quase tão chata quanto o funcionário do Estádio.
Sempre achei que por trás desse falso título de rock o tal Hard Rock Café fosse um nojo. A moça só comprovou.

E aí… Restava o Bar do Zeca Pagodinho
E os caras foram muito gente boa e me deixaram entrar para registrar o campo ali da parte de dentro do bar…

Não só me deixaram entrar como ao verem que eu estava tirando foto do campo, atrás da janela de vidro, me convidaram a acessar a área das arquibancadas…
E assim, lá fomos nós…

Logo de cara já registrei o campo como tradicionalmente faço, aqui o gol da esquerda:

O gol da direita:

E o meio campo:

Claro que fiquei contente de poder registrar esse lindo estádio e acabei mais feliz do que chateado por achar que o funcionário do Botafogo que trabalha no estádio poderia no mínimo ter me dito “Tenta lá nos restaurantes”…

Mas fico me perguntando se esse cenário está mesmo correto…
Se o clube não poderia explorar melhor o estádio como ponto turístico ou mesmo para ampliar a relação com sua torcida.

Vivenciar um rolê assim, conhecendo o estádio em um dia sem jogo é uma maneira diferente de se relacionar com o espaço, com o local, com o time…

Eu n˜ão consigo deixar de pensar que se eu fosse dar ouvidos ao cara que oficialmente trabalha no clube e deveria ser o mais interessado nisso, eu teria ido embora sem ver o sol brilhando no Estádio Santa Cruz

E olha que linda a arquibancada tricolor!
Foi muito bacana a experiência e agradeço demais o pessoal do Bar do Zeca Pagodinho, foram os mais boleiros do dia!
Estádio não é só concreto e ferro, é memória, afeto e deveria ter gente que carrega o clube no peito.

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O futebol em Serrana (SP)

Aproveitamos o feriado da consciência negra (20 de novembro) de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade em nosso país.
Foi fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos todos antirracistas nos ambientes em que vivemos.
Aproveite o vídeo da professora Selminha e faça o teste para identificar o racismo nos ambientes que você frequenta:

Também aproveitamos o feriado para fazer mais um rolê boleiro e decidimos finalmente registrar o Estádio Palma Travassos, que era o único das 5 divisões do Campeonato Paulista que ainda não havíamos fotografado.

Veja aqui como foi!

Antes de chegar lá, fizemos algumas paradas, como em Santa Cruz das Palmeiras, para rever a casa do EC Palmeirense.
Se você nunca esteve lá, dá uma olhada no vídeo que fizemos em 2018 (ou veja aqui como foi aquele role!)

Mas de volta a 2025, passamos em Tambaú para almoçar e relembrar da cidade que possui dois rivais na mesma rua: o EC Operário e o EC União! Estivemos lá antes também e você pode ver aqui como foi.
Ou veja um pouco dos dois estádios:

Ainda aproveitamos para finalmente registrar o interior do Estádio Dr Guião, a casa do CR Cajuruense, em Cajuru, veja aqui como foi esse rolê de 2025.

Mas antes de chegar a Ribeirão Preto, ainda teríamos uma última parada: a cidade de Serrana, que tantas vezes nos acolheu no rolê punk em especial no CECAC e no Festival Caipiro Rock, aliás, olha a gente aí na edição de 2010.

Mas dessa vez, fomos para conhecer e registrar o Estádio Municipal Luiz Antonio de Mattos, que será a casa do LG Sports nas disputas das categorias de base da Federação Paulista, a partir de 2026.

O time nasceu como uma escola de futebol de alta performance em Ribeirão Preto agora vai mandar seus jogos na cidade de Serrana, no Estádio Municipal “Luiz Antônio de Mattos”, e por isso, lá fomos nós conhecê-lo!

Quem nos recebeu foi o Ricardo Brasileiro, amigo que também faz essa trajetória entre o punk, a música independente e o futebol e o organizador do Festival Caipiro Rock.

Então, venha conosco para conhecer não só mais um estádio como o novo time e… seu presidente !

Segue o tradicional registro do meio campo:

O gol da direita:

E o gol da esquerda:

Aqui dá pra ter uma ideia geral:

E enquanto fazíamos os registros, o pessoal seguia trabalhando sob um sol escaldante…

Fizemos o Lucas, atual presidente do LG Sports dar uma paradinha pra bater um papo rápido:

Pois é… Quem diria que anos após termos conhecido Serrana pela cena punk, agora voltaríamos para registrar sua “cena boleira”…

Que as arquibancadas do Estádio Municipal Luiz Antonio de Mattos possam acolher muitas e muitos torcedores…

E, principalmente, que seu campo receba jovens promessas do futebol oriundos da própria cidade, transformando-se em um verdadeiro catalisador sócio-esportivo.

O primeiro gol já está aí, registrado:

E que também possa gerar empregos e fazer do futebol um motor para a cidade!

A mim, só resta, como sempre, agradecer a oportunidade de rever o amigo Brasileiro e de poder registrar o “novo-velho” campo…

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Adeus, Miguel de Oliveira…

Hoje, o @ECSantoAndre perdeu uma das figuras mais presentes na sua história: o massagista Miguel de Oliveira.
Demorei pra conhecer o Miguel e infelizmente nunca tivemos a oportunidade pra registrar um pouco da sua memória no mundo do futebol.
Vá em paz, sabendo que você será sempre lembrado, afinal, veja quantos pôsteres do Ramalhão tiveram você presente:

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Ouvindo a torcida do CA Bandeirante

Como você viu em um post na semana passada, o CA Bandeirante de Brodowski conquistou o 5º título do Amador do Estado e foi uma festa absurda…

Como tivemos muito conteúdo naquele post, não deu pra apresentar ali uma das coisas mais legal que fizemos que foi a coleta de uma série de depoimentos de torcedores históricos do CA Bandeirante, que estiveram presentes nas arquibancadas do Estádio Mário Lima Santos.
Então, aproveito este post para divulgar estes vídeos:

https://youtube.com/watch?v=wDwVoG7DSPk

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Final do Amador do Estado 2025 em Brodowski

CA Bandeirante é pentacampeão!!!

Será que o destino é traçado previamente por alguma força superior?
Ou as coisas se aglutinam e se repelem de acordo com nossas escolhas?
A história de hoje começa lá em 2021, no meio da pandemia, quando, para não ficar maluco, passei a visitar, sozinho, de máscara e em horários esdrúxulos, os campos do futebol amador de Santo André.

Ali nasceu um interesse pelo futebol amador que foi crescendo até que, incentivado pelo amigo Mário Casimiro, passei a acompanhar o Campeonato Amador do Estado, a segunda competição mais antiga da Federação Paulista de Futebol.

Por coincidência, as últimas duas finais envolveram times do ABC, o que me permitiu que acompanhar a primeira partida destas decisões.
Em 2023, vimos Nacional da Vila Vivaldi x CA Bandeirante de Brodowski, em São Bernardo.

E em 2024, Belenense x CA Bandeirante de Brodowski, em Mauá

Naquele dia, acabei conhecendo o pessoal da diretoria do CA Bandeirante e foi com eles que iniciamos os programas onde entrevistamos presidentes dos clubes, veja como foi:

Desde então, eu e o Mário fizemos a promessa de ir até Brodowski caso mais uma vez o Bandeirante chegasse na decisão, e, como você já deve saber…
Foi o que aconteceu em 2025!
Seja bem vindo a Brodowski!

Depois de algumas horas de estrada, com direito a paradas em Porto Ferreira, Cravinhos e Jardinópolis, chegamos a Brodowski, muito conhecida por ser a cidade natal de Cândido Portinari.
Claro que fomos lá conhecer sua casa, que hoje sedia um museu em sua homenagem.

A cidade é cheia de detalhes que a tornam inesquecível, como os bancos com inscrições de décadas atrás…

A arquitetura antiga também está preservada e pode ser vista ali pelas ruas…

A igreja matriz, de 1905… Bonita?

A antiga estação ferroviária…

Os bares que ainda reúnem as pessoas em cadeiras e mesas nas calçadas…

E o atual hotel do próprio Bandeirante, onde pudemos jantar com o elenco do time local e tornar o rolê ainda mais inesquecível!

Só faltou fazer uma foto no supermercado onde fizemos umas comprinhas, o “Nosso Mercado“.

Mal sabíamos nós que ele foi construído no espaço do antigo estádio do Bandeirante

Voltando ao Campeonato Amador do Estado, vale lembrar que o Mário ficou tão apaixonado que escreveu o Guia do Campeonato e ficou muito legal (clique aqui para baixá-lo!).

Pra quem não sabe quem é o Mário Casimiro, taí a foto!

Logo que chegamos, percebemos que a final era o assunto da cidade!
Haviam muitos folhetos como este espalhados por todos os lugares por onde andávamos.

Confesso que foi emocionante chegar até o Estádio Mário Lima Santos, a “Arena Jaburu”, como é conhecida popularmente!

Tem até essa escultura em frente ao Estádio que literalmente faz voar os atletas bandeirantinos!

Divido a experiência da chegada ao Estádio, da entrada até a arquibancada, para ver se você também se empolga e faz esse rolê até Brodowski, porque vale muito a pena!

Você viu no vídeo o portão que une presente e passado e cabe explicar que ele ficava no Estádio antigo do CA Bandeirante e é considerado uma verdadeira relíquia para diretoria e torcida!
Ah, esse aí na foto é o Brasileiro, outro amigo que esteve conosco acompanhando a decisão.

Interessante como o pessoal do Bandeirante conseguiu registrar sua história em fotos, lembranças e até mesmo nessas placas que pouco a pouco relembram cada passo do clube!

A torcida conta com a “Bateria Tsunami“, que literalmente faz a arquibancada vibrar!

Pra quem não conhece o estádio, vale o nosso tradicional registro.
Olhando da arquibancada coberta, aqui está o lado esquerdo do campo:

O meio campo:

E o gol da direita. Ali no fundo fica a área para convidados.

O Estádio é muito bem cuidado e cada espaço acaba sendo aproveitado.

Aqui, a arquibancada coberta, sem ela o sol faria grandes estragos…

Nesse setor, atrás do gol, fica uma boa sombra das árvores e também acaba sendo um lugar bastante disputado pelos torcedores!

E esse é o Jaburu, mascote do time!

A torcida do União FC também se fez presente e ficou em um espaço com sombra!

O bar estava preparado: salgados, água, refrigerantes…

Difícil não pegar carinho pelo clube…
Nesse momento, já estávamos “contaminados” pelo mesmo sentimento que envolvia metade da cidade (não se esqueça que a outra metade é Brodowski FC).

Hora da entrada dos times, com toda cerimônia oficial da Federação Paulista!

Foto oficial dos times perfilados…

Dos capitães e da arbitragem…

A foto oficial da final…

E a foto em frente à torcida…

O União também posou para a foto!

E assim… Começa a partida!

Bola rolando, a torcida local cumpre bem o seu papel e transforma a Arena Jaburu em um caldeirão alvi rubro!!!

Bacana ver que a nova geração também está comparecendo!

E as tradicionais fumaças também coloriram o ar do estádio!

E dá lhe bateria!

Com tanta animação, difícil ficar parado…

Mas… o calor é grande… e tem momentos que o pessoal prefere guardar as energias para o fim do jogo…

Ou quem prefira manter se hidratado durante todo o jogo!

Enfim… Todo mundo feliz curtindo os amigos, familiares em torno do futebol!

Em campo, um primeiro tempo de muita marcação, que até chegou a ter um gol marcado pelo Bandeirante que acabou anulado pelo bandeira.

O fim do primeiro tempo trouxe um alívio: o céu recebeu uma porção de nuvens que ajudaram a amainar o calor.

O segundo tempo começou com ainda mais tensão.

A torcida, que a essa altura já havia enchido boa parte da Arena Jaburu parecia sentir o peso de cada passe, cada dividida, cada chute travado.

A Bateria Tsunami, incansável, segurava o ritmo do time e do povo como se cada batida fosse um lembrete: “Estamos juntos. Até o fim.”

E foi justamente no fim que o drama começou.
Aos 40 minutos do segundo tempo, quando o jogo parecia caminhar para um empate nervoso, que levaria a decisão por penaltys, Max, sempre ele, encontra o gol do time da casa!

A Arena Jaburu que já estava barulhenta se tornou ensurdecedora…

Por alguns minutos, parecia que o tempo havia parado e em cada rosto havia um sorriso. Olho pro celular e faço as contas: o tempo regulamentar já. se esgotou… É questão de pouco tempo até o Bandeirante se sagrar campeão.

Mas… o futebol é único.
E quando tudo parecia resolvido e o título parecia uma realidade, a zaga bandeirantina comete penalty…
E o União FC empata o jogo para a alegria da torcida Atibaiana!

Foi um choque geral…. Uma catarse negativa para a torcida local.
Semblantes tensos, mãos na cabeça, olhares perdidos.
Quem estava sentado se levantou e quem estava de pé se segurou pra não cair com o baque do gol…
E foi ali, no momento mais delicado, que o time fez um verdadeiro milagre.
Sabe aquela jogada que a gente ensaiava nos tempos de escola?
Da saída do meio campo ao gol em menos de 5 toques?
Pois aí está:

O estádio inteiro voltou a cantar, a bateria Tsunami voltou com tudo, as crianças gritavam, os mais velhos ergueram os braços como quem conversa com o destino.
Abraços e mais abraços…
Era impossível não se arrepiar.
Impossível não existe pra esse time…

É fim de jogo!!! O Clube Atlético Bandeirante de Brodowski é o campeão de 2025!!!

A Arena Jaburu explode.

Gente chorando. Gente pulando.
A torcida do Bandeirante mais uma vez escreveu seu nome no destino.
E o destino, respeitosamente, respondeu: “Hoje, vocês merecem ser campeões.”

O placar final mostra mais uma vitória dos heróis!

O time fez questão de celebrar muito junto da torcida…

E na arquibancada, após uma verdadeira chuva de cerveja… todos voltam a gritar “É campeão!!!”

Na hora da entrega das medalhas e troféu, dá uma certa tristeza de imaginar o aperto no peito do time de Atibaia e de sua fiel torcida que viajou até Brodowski, mas por ser apenas a segunda participação do time, o vice campeonato foi bem comemorado.

Um misto de sentimentos ao ver que é hora da foto dos campeões!
O time fundado em 16 de agosto de 1933 é mais uma vez campeão e fico feliz em ver isso, mas ao mesmo tempo, triste por saber que nossa aventura chega ao fim…

Melhor ver a foto do Mário que fez lá, bem em frente ao time:

O que dizer de um momento desses?
Uma cidade que respira futebol e que é apaixonada pelo Campeonato Amador do Estado recebendo mais um título!

Hora de extravasar, de celebrar de saber que na próxima vez que esta camisa for usada, ela não será mais a mesma: mais uma estrela estará bordada em seu distintivo!

Jogadores e comissão se abraçando sob o olhar do Jaburu ali ao fundo…
Manhãs como essa transformam pessoas…

Hora de ir embora com aquele sorriso no rosto que demora a sair.
Corpo anestesiado, de tantos arrepios e emoções que passamos.
Parabéns ao povo de Brodowski, em especial aos torcedores bandeirantinos…
Vocês são demais!

Só me resta agradecer ao Mário, ao Brasileiro e à Letícia, amigos de arquibancada e da vida.

Ao Marcelo, Márcio, Guilherme e família e todo mundo da diretoria do Bandeirante por ter nos apoiado nesse rolê inesquecível.


E ao futebol por ser essa cultura tão louca que faz a vida de tanta gente ser ainda mais divertida!

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O futebol em Cajuru (SP)

Aproveitamos o feriado da consciência negra (20 de novembro) de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade para todos em nosso país.
E é fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos antirracistas em todos os ambientes.
Pra pensar um pouco mais sobre o tema, vale a pena ouvir esse vídeo da Djamila, e mais legal ainda é você ler o “Pequeno Manual Antirracista“, escrito por ela.

Também aproveitamos o feriado para cair na estrada e fomos até Ribeirão Preto para finalmente registrar o Estádio Palma Travassos (veja aqui como foi).

No caminho para Ribeirão, aproveitei para algumas paradas.
A primeira delas, em Santa Cruz das Palmeiras, só pra rever o EC Palmeirense, clube fundado em 7 de setembro de 1908 e que segue com forte vida social e um belo campo de futebol (veja aqui como foi o rolê que fizemos por lá em 2018)

Também demos uma parada em Tambaú para almoçar no Restaurante Sabor e Sede, uma ótima opção para quem estiver pela região.

A terceira parada foi em Cajuru, para “completarmos” a visita que fizemos em 2018, quando fomos até o Estádio Dr Guião, mas não conseguimos registrar seu interior. Relembre aqui como foi!

Naquele post mostramos um pouco da rica história do time que mandou seus jogos neste estádio: o Clube Recreativo Cajuruense (imagem do incrível site “Escudos Gino“):

Resgatamos imagens históricas como essa foto do time de 1990, clique aqui e veja essa história!

E agora em 2025, 75 anos depois da fundação do time, será que vamos conseguir entrar no estádio?

Sim!!! Finalmente conseguimos adentrar ao estádio e registrar a casa do Clube Recreativo Cajuruense.

Essa é a saída dos vestiários, era por aí que os jogadores passavam para enfim adentrar ao campo onde verdadeiras batalhas seriam disputadas.

Uma vez no campo, eram saudados pela sua torcida, presente em suas belas arquibancadas…

E que bom que finalmente pudemos registrar sua arquibancada coberta que carrega. tantas histórias.

Algo que me chamou muito a atenção foi essa inscrição em um dos portões do estádio: “Menta”. Será um patrocínio das máqunas agrícolas de mesmo nome?

Era uma tarde quente como muitas outras devem ter sido, mas o campo parecia bem cuidado, como se estivesse sendo aguado regularmente.
Essa é a visão do gol da esquerda para quem olha para a arquibancada:

Aqui, o gol da direita:

Mais uma vez, muito a agradecer pela oportunidade de estar presente e registrar mais um estádio cheio de histórias!

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O futebol em Ribeirão Preto – Parte 1: O Estádio Palma Travassos

Aproveitamos o feriado da consciência negra (20 de novembro) de 2025 para refletir sobre o quanto o racismo ainda atrapalha uma vida de qualidade para todos em nosso país.
E, infelizmente, é fácil concluir que o racismo ainda é um grande problema social, e que por isso, não basta se dizer “não racista” é imprescindível que sejamos todos antirracistas em todos os ambientes que a gente vive: escola, trabalho, amigos e futebol.
Só pra reforçar o tema, vale assistir o vídeo do Eduardo Bueno que relembra quem foi e o que simboliza Zumbi dos Palmares e a data de 20 de novembro.

Também aproveitamos o feriado para pegar a estrada.
Fomos até Ribeirão Preto!

Devido à sua ascensão como grande centro produtor de café no final do século XIX, houve extensivo uso de mão de obra escravizada, e mesmo com a abolição, muitas lavouras da região ofereceram resistência ao fim da escravidão.
Encontrei alguns levantamentos quantitativos realizados por Luciana Suarez que destaca a população da cidade em 1874 como: 4.695 livres e 857 cativos. Dados de 1887 mostram que a população livre somava 9.041 e a escravizada 1.379.
Por isso, é importante entender a realidade dos dias de hoje com base nessa história recente, porque se você acha que isso é coisa do passado, leia esta notícia de 2022 sobre idosa que era mantida em condições análogas à escravidão.

Nosso principal objetivo na cidade era registrar o Estádio Palma Travassos, o único das 5 divisões do Estado de São Paulo de 2025 que a gente ainda não conhecia.

E, felizmente, deu tudo certo! Da bilheteria até a parte interna do Estádio, conseguimos passar uma boa tarde vivenciando o Palma Travassos!

Faltou apenas ver a loja “Garra do leão” e aproveitar algum desconto, mas como diz um grande economista, melhor do que um desconto é não gastar.

Gostaria de agradecer todo o pessoal do estádio e da assessoria de imprensa que possibilitaram a visita e nos deixaram super a vontade para registrar cada detalhe.

Na parte interna ainda, existe uma série de itens históricos, como esta camisa linda:

Aliás, já escrevemos sobre a camisa e história do Comercial, veja aqui.
Faltava mesmo o registro do Estádio e antes de adentrá-lo dei uma boa volta em seu entorno e muito interessante ver que existe uma vida própria ali com bares e restaurantes.

Voltando a falar sobre os objetos históricos dispostos ali internamente, vale citar os troféus, os quadros com os presidentes e fotos históricas, muito bonitas, como a do antigo estádio!

Mas,já era hora de, finalmente, entrarmos ao campo, vamos lá?

Como mostrei no vídeo, achei legal também esses painéis homenageando figuras importantes da história do Comercial FC.

É mesmo um estádio muito bonito, e sem dúvidas que estar ali em dia de jogo é uma experiência que ainda quero passar!

Olha que linda a parte coberta da arquibancada:

E aí está o distintivo gigante no próprio campo:

No dia da visita, estavam acontecendo melhorias no estádio e no campo, mas nada que atrapalhasse o nosso registro.

A arquibancada possui cadeiras um pouco diferentes das atuais tradicionais:

Uma honra estar em um estádio com tanta história e uma torcida tão apaixonada…

Olha o placar que bacana:

Aqui, um olhar no lado direito do campo:

O meio campo:

E o gol do lado esquerdo:

Enfim, foi muito emocionante poder caminhar ali pela parte de baixo, bem ao lado do gramado e imaginar quanta coisa já passou por aí.

Esses são os meus sonhos de criança… Estar em cada um dos estádios que povoaram minha imaginação ou mesmo o acompanhamento dos campeonatos nestes 48 anos de vida… Só tenho que agradecer a oportunidade…

E que o Comercial tenha um ano bacana em 2026.

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O tempo e a casa nº 729

A gente cresce sem questionar muito se as coisas que nos cercam vão estar ali pra sempre.
A rua, o bairro, as árvores da calçada, as casas e comércios que viram pontos de referência geográfica e também no nosso mapa sentimental.
De repente, você percebe: “Opa… Algo mudou”.
E sim, tudo muda, sem avisar, nem pedir licença.
Assim aconteceu com a “casa nº 729”.

Em 1984, nossa família se mudou para a casa ao lado, fazendo com que ela acompanhasse a infância de todos nós, meus irmãos e eu.
Mas naqueles primeiros anos ela não tinha nada de romântica para nós.
Pelo contrário.
Era um pequeno pesadelo infantil, um buraco negro onde desapareciam as nossas bolas.
Um chute mais forte, ou um rebote do goleiro e a bola ia vagarosamente ultrapassando o muro e sumindo rumo à casa vizinha.
Aí era aquela discussão pra saber quem iria pedir a bola de volta.
Antes, uma olhadela por cima do muro pra ver onde a bola estava, pra confirmar a regra: a bola sempre caía no meio da horta do quintal vizinho.
Campainha tocada, e lá vinha o filho da vizinha, já adulto, nos atender.
“O senhor pode por favor, pegar a bola que caiu lá na horta”.
Ele voltava pra dentro de casa e após alguns minutos a mesma resposta de sempre: “Não tem nenhuma bola lá”.
Não conseguíamos entender e passávamos o dia inventando teorias sobre o destino das bolas perdidas, sempre com mais drama do que razão.

O tempo, no entanto, tem sua maneira silenciosa de ajeitar as coisas.
Fomos aprendendo a jogar na outra metade do quintal, onde uma rede impedia a bola de cair no vizinho do outro lado.
Também vimos as broncas e as pequenas injustiças da infância se transformarem em coisas pequenas, quase engraçadas.
No fim, o que sobrou foi o vínculo.
O bairro amansou a gente.
Crescemos, conversamos mais, cruzamos histórias.
A senhora vizinha, uma romena de poucas palavras, foi ficando mais velhinha. Lembro dela andando com dificuldade indo até a padaria ou açougue que ficavam no nosso quarteirão.
Acho que foi numa dessas idas e vindas que alguém de casa comemorou um “Bom dia” trocado com ela.
Temos depois, acabaríamos conhecendo o Banitsa romeno!
E foi assim, aos poucos, que aquelas fronteiras invisíveis entre uma casa e outra foram se dissolvendo.
O que antes era o medo de perder a bola virou convivência.
Depois amizade.
Até se tornar uma nova realidade.

Mas, o tempo é implacável.
E tudo continuou mudando.
Depois de um tempo acamada, a vizinha romena se foi.
Sua filha também.
Ficou apenas o filho, que agora já frequentava nossa casa como amigo.
Ele se tornou o último guardião da casa número 729.
E assim novas experiências e vivências consolidaram mais uma realidade diferente a cada nascer do sol.

Chegamos, enfim, em 2025 e o tempo, como era pra termos aprendido, continuou a passar.
E com ele, mais transformações.
O guardião da 729 decidiu ir para Suzano.
Fez os planos, depois, as malas e num fim de semana, lá estava o caminhão levando tudo embora.

Não houve uma despedida porque até hoje, ele aparece pelo bairro pra nos visitar, mas a casa…
Essa sim se despediu.
Semanas depois da mudança, foi posta abaixo.
Ruiu rápido, como se estivesse esperando apenas um sinal.
Não houve tragédia, nem drama. Só um silêncio diferente.
Aquela demolição não derrubou só paredes: derrubou um pedaço da paisagem que moldou quem fomos um dia.
Vão construir uma loja em seu lugar.

O bairro virando um centro de lojas e as relações se tornando negócios.
Sem bolas na horta.
Assim como os clubes de futebol se transformam em empresas, o jogo e a vida vão sempre se reinventando, e cabe a nós manter viva a magia da vida.

O tempo vai passar e quando menos me der conta volto aqui pra fazer um acréscimo nesse texto e dizer “Puxa, já estamos em 2035, 10 anos sem aquela casa, olha como está o bairro hoje…” E sei que a vida vai seguir sendo legal.
Mas por hoje, permita-me um momento de tristeza e saudosismo ao olhar e ver que a casa nº 729 já não está mais lá.
O bairro também não é mais o mesmo.
Talvez nenhum de nós seja.

O futebol em Porto Ferreira (SP) em 2025

É… Tudo muda.
Tudo segue se transformando com o tempo.
Tem coisas tradicionais que deixam de existir e também coisas novas que nascem.
Em 2012, estivemos por Porto Ferreira para conhecer e registrar o Estádio Municipal da Vila Famosa (veja aqui como foi), também chamado de Vila Formosa.

Na época, o Estádio era a casa da Sociedade Esportiva Palmeirinha, um time que atuava na série B do Campeonato Paulista.

Cheguei a ver um jogo deles lá em Jaú, em 2013 (veja aqui como foi).

Em 2016, o time disputa seu último Campeonato Paulista pela série B, e no ano seguinte, voltamos a passar pelo estádio, para uma nova visita (veja aqui como foi).

Em 2023, chegou a notícia que o Estádio fora abandonado e estaria prestes a ser demolido.
Torcendo para ser apenas um boato, no feriado da consciência negra de 2025 passei por Porto Ferreira e, para a tristeza de todo apaixonado por futebol, confirmei a notícia…

Me pergunto se pra quem mora na cidade realmente fez sentido essa demolição para se ter um…. “nada” no lugar…
Ok, provavelmente algo será construído nos próximos meses ou anos, mas ainda assim, dói ver essa imagem, não?

A cidade é referência na produção e comércio de cerâmicas, e não é difícil pensar que algo nesse sentido pode tomar esse espaço, ou quem sabe um novo espaço para o esporte municipal?

E pensar que, assim como as cerâmicas, o time fez parte do dia-a-dia da cidade por tantos anos…

Olha que linda a foto do Marcier Martins quando goleiro do time (do acervo Marcier Martins):

É um time com muita história…

E com uma torcida bastante apaixonada!

No início da carreira, o goleiro Aranha teve uma passagem no gol do Palmeirinha!

E o que dizer de 1967, quando o time sagrou-se campeão da terceira divisão.

Muitos fizeram história com essa camisa…

Assim, com a demolição do Estádio e o fim do Palmeirinha, a cidade parecia fadada a não ter mais um time de futebol nas competições da Federação Paulista.
Mas, no dia 26 de abril de 2022, uma família da cidade decidiu criar o Porto Foot Ball Ltda, o primeiro clube-empresa de Porto Ferreira.

Se você quer saber um pouco mais sobre o time, batemos um papo com o presidente do clube, confira:

O time nasce com a missão de juntar a cidade, e por isso soma o preto e branco do antigo Porto Ferreira FC e o verde do Palmeirinha, além disso, passou a mandar seus jogos no tradicional Estádio Ferreirão

E é aqui que o futuro se une ao passado já que o Estádio Ferreirão foi a casa do Porto Ferreira FC, primeiro time da cidade a participar de competições da Federação Paulista, fundado em 1912.


Em 1916, seu primeiro campo (1 no mapa abaixo) deu lugar ao Jardim Público que é a atual praça Cornélio Procópio, obrigando-o a se mudar para onde hoje está o Hospital Dona Balbina (2 no mapa abaixo), de lá, mudou-se em 1923 para a área onde hoje está o clube social (3 no mapa abaixo) e permaneceu por lá até 1968, quando finalmente mudou para a atual área do Estádio (4 no mapa abaixo).

Em 1925, disputou dois amistosos com o Clube Atlético Paulistano, recém-chegado de excursão pela Europa, vencendo ambas (3×0 e 2×0).
Em 1926, o Clube Atlético Paulistano novamente visita Porto Ferreira e dessa vez apenas uma partida: um empate em 0x0.
Nesse mesmo ano, o Porto Ferreira FC filiou-se na Liga dos amadores de Futebol e segundo o livro “Os esquecidos”, estreia no Campeonato do Interior na Região C.

No ano seguinte disputa a Zona da Paulista:

Em 1952, foi Campeão amador do setor 9.

E se mostramos lá em cima um desfile com a bandeira do Palmeirinha, o Porto Ferreira FC também teve seu momento…

O alvinegro de Porto Ferreira foi o primeiro time a conquistar o coração da população…

E que demais esse uniforme, hein?

Dessa forma, fomos conhecer o Estádio Ferreirão, que teve sua inauguração oficial em 25 de julho de 1982, como indica a placa abaixo:

Então, venha conosco para um rolê por este verdadeiro elo entre o passado e o futuro!

Olha que bem estruturado é o estádio em se falando de arquibancada.
Temos estes degraus em torno da lateral de entrada e também atrás do gol esquerdo:

Sempre gosto de comparar com outros times que estão disputando a série B do Campeonato Paulista para pensar se um estádio teria condições de abrigar o futebol profissional novamente, e no caso do Ferreirão, acredito que com algumas poucas melhorias teríamos condições de ver o Porto Foot Ball alçando voos mais altos!

Além das atuais arquibancadas, existe espaço do outro lado do campo para eventuais novas estruturas, como se vê nesta foto do meio campo!

Ali ao lado direito, também temos parte da arquibancada quase até o gol.

Aqui, o já supra citado gol do lado esquerdo.

Uma pena só ter o registro do time que este ano foi finalista da Série B do Campeonato Paulista Sub 20 no Estádio de Paulínia.

Ainda estamos devendo acompanhar um jogo por aqui… Era pra gente ter vindo na final, vencida pelo Paulinense, mas ano que vem teremos o time na Série A do sub 20 e quem sabe podemos enfim registrar um jogo.

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O União dos Operários Futebol Clube

Com tantos roles pelo interior, as vezes sinto que registro pouco o futebol da capital, que, sem dúvida, tem uma história única no futebol brasileiro.
Assim, aproveitei um deslocamento pela cidade para registrar o Estádio e um pouco da centenária história do União dos Operários FC.

O União dos Operários FC foi inaugurado em 1º de maio de 1917, uma data cheia de significados para a cidade de São Paulo.
Pra entender o “caldo cultural” da sua fundação, precisamos voltar ao fim do século XIX, quando São Paulo passa a se industrializar e a receber milhares de operários vindos especialmente da Itália, Espanha e Portugal.
A foto abaixo registra a hospedaria dos imigrantes da época e onde funciona atualmente o Museu da Imigração / Memorial do Imigrante:

Muitos deles trouxeram consigo uma formação anarquista, com influência de pensadores como Bakunin, Kropotkin e Malatesta, que defendiam conceitos como a autogestão dos trabalhadores, ação direta (greves, boicotes, ocupações) como forma legítima de luta e a solidariedade de classe, sem depender de partidos políticos ou do Estado.

Tradicionalmente, no feriado de 1º de maio, sindicatos e associações operárias organizavam atos e comícios em São Paulo para reivindicar melhores condições de trabalho. Com a Primeira Guerra, houve um o aumento do custo de vida e do número de pessoas passando fome pelas periferias da capital, fazendo com que a manifestação de 1º de maio de 1917 não fosse apenas uma comemoração, mas um verdadeiro ato político, organizado em boa parte pelos sindicatos libertários e pelos grupos autônomos de trabalhadores. Foto do site do PCB:

Como sempre, o Estado reagiu e a forte repressão policial assassinou o operário Antonio Martinez.
Com isso, as reivindicações se transformaram em uma greve geral autogerida, levando mais de 50 mil pessoas às ruas da cidade.
Comitês de bairro, cozinhas coletivas e decisões tomadas em assembleias abertas tornaram-se parte do cotidiano da cidade.

Embora a greve tenha sido duramente reprimida, ela deixou marcas profundas, consolidando o 1º de maio como dia de luta, reforçando a presença do anarquismo no imaginário político brasileiro mostrando que era possível organizar trabalhadores sem partidos ou líderes hierárquicos.
Com a chegada do governo de Getúlio Vargas, e uma série de ações populistas, como a legislação sindical corporativa, o anarquismo perdeu espaço institucional.
Mas, o próprio União dos Operários fica como legado até os dias atuais.

A sede do clube e seu estádio ficam localizados no Belenzinho, próximo da Ponte de Vila Maria e nasceu idealizado por operários da região.

Com tanta história, dá até emoção de pisar em um campo que há mais de 100 anos está dedicado não só ao futebol como ao futebol operariado, oferecendo abertura aos trabalhadores que muitas vezes não tem essa oportunidade.

Além do campo, existe uma estrutura dedicada a outros esportes e ao social no clube, como se pode ver ali atrás do gol da direita:

Sua arquibancada de madeira é simples, mas muito charmosa. Me pergunto se algo dessa estrutura ainda é original…

Ao fundo do gol da esquerda, um estacionamento, item importante nos dias de hoje:

E aqui, o meio campo, com algumas belas árvores ao fundo.

Minha dúvida, ao ver o mapa de 1958, é que aparentemente não havia campo ali, mas haviam outros campos ali pra baixo:

Veja o mapa atual e perceba ue apenas o campo da Camisa 12 segue ali abaixo do Estádio do União dos Operários FC.

Um pouco do que rolou na mídia relacionado ao time, começando lá em fevereiro de 1921 quando o time se limitava aos amistosos e à várzea (detalhe importante é que o adversário AA Estrela de Ouro já disputava os campeonatos da FPD daquele ano):

Agora pra falar de sequência do time, vou usar como base as informações do livro “Esquecidos”, o velho testamento do futebol paulista.

No livro, entendi que após a fase de amistosos e disputas não oficiais, em 1927, o União dos Operários Futebol Clube passou a disputar a Série Principal da Segunda Divisão da LAF, vencendo 2 jogos (2×1 frente o CA Brasil, 2×1 no Húngaro Paulistano) e empatando em 2×2 frente o CA Tiradentes, antes de abandonar o campeonato se transferir para a APEA.

Assim, no ano seguinte, em 1928, passou a disputar a Divisão Municipal da APEA (acima dela estava a Divisão Especial, a 1ª e a 2ª divisão).

Em 1929, passa a disputar a Segunda Divisão da APEA:

Em 1930, teve uma boa participação na segunda divisão da APEA, terminando na 5ª colocação:

Em 1931, o União dos Operários foi vice campeão da segunda divisão da APEA!

Com a boa colocação, no ano seguinte em 1932, o União foi disputar a primeira divisão da APEA, que equivalia ao segundo nível do futebol paulista, não se confunda…
Ainda existia a Divisão Especial, onde o Palestra Itália sagrava-se campeão.

Campeonato de 1933:

O Campeonato de 1934 marca a despedida do União dos Operários dos campeonatos organizados pelas diferentes Federações.

Mas, fuçando um pouco pelos jornais, encontrei alguns registros de aventuras do time como aqui, em 1955, fazendo o jogo de abertura de um Portuguesa x Palmeiras:

Em 1957, o Palmeiras participou da celebração do aniversário do time:

Enfim… O mundo mudou, o time mudou, mas seu distintivo segue vivo no campo em que estivemos, que talvez nem seja o mesmo do seu início…
Mas a história dos operários segue viva no esporte!

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